domingo, 26 de abril de 2015

Dilma se curva diante da realidade e quer privatizar mais


O PT sempre foi contra a privatização, sempre adotou uma retórica nacionalista e estatizante de que cabe ao estado cuidar de quase tudo, ser empresário, administrar rodovias, aeroportos, portos. Mas o resultado prático dessa ideologia foi sempre caótico. A corrupção é a regra, a incompetência na gestão é total e os serviços prestados, além de péssimos, não dão conta da demanda.

Diante disso, até mesmo o PT desenvolvimentista tem que se curvar diante da realidade, e decidir pela privatização. Sei que o uso do termo “concessão” visa a disfarçar a concessão ao “neoliberalismo”, mas a semântica não altera os fatos: é uma forma de privatizar sim, quando o estado transfere para a iniciativa privada a gestão dos negócios. Foi o que FHC fez em várias áreas, e por isso acabou sendo “acusado” de “neoliberal” pelos petistas que hoje fazem o mesmo. É o que mostra essa notícia:

O novo pacote de investimentos em infraestrutura, que será debatido na manhã deste sábado pela presidente Dilma Rousseff com um grupo de ao menos 14 ministros, além de presidentes de bancos públicos, no Palácio da Alvorada, prevê o leilão de, pelo menos, oito grandes empreendimentos: três aeroportos, quatro trechos de rodovias e uma extensão da ferrovia Norte-Sul. Além desses projetos, a presidente vai pôr em debate o financiamento dessas obras, a viabilidade de outras concessões e demais modelos de Parceria Público-Privada (PPP) – que exigem algum esforço fiscal, mas em prazos mais longos.

De olho no ajuste fiscal, as novas concessões terão um modelo diferente, com redução dos financiamentos do BNDES. Presidentes de bancos públicos federais também deverão participar da reunião deste sábado. A ideia, agora, é trazer a iniciativa privada para participar do financiamento desses projetos por meio de debêntures. No Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançado há quase três anos, por exemplo, os programas eram amparados em financiamento de 70% dos empreendimentos com recursos subsidiados do BNDES.


O problema do PT é que, por ranço ideológico, faz o leilão de forma equivocada, desconfiando do setor privado, concentrando muito poder ainda no governo, usando em demasia os bancos públicos (o que reforça o “capitalismo de laços”). Mas não deixa de ser um avanço o reconhecimento de que é preciso transferir a gestão desses setores para os empresários focados no lucro. É a presidente Dilma admitindo que esteve errada, ainda que de forma dissimulada e tímida.

Quanto tempo e quantos bilhões o Brasil perdeu por conta da insistência do PT nesse modelo estatizante? Até mesmo a Petrobras acabará tendo de ser fatiada e vendida em partes, pois a incompetência e a corrupção da gestão estatal petista destruíram a empresa e levaram o endividamento para patamares insustentáveis. O preconceito ideológico custa muito caro para os brasileiros…




Por Rodrigo Constantino

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