terça-feira, 10 de março de 2015

O Grande Terror - devemos recordar


A única instituição realmente familiarizada com a realidade soviética foi a Polícia Secreta, chamada, sucessivamente de Cheka (1917-1922), GPU e OGPU (1922-1934), NKVD (1934-1954) e KGB (1954-1991).

A época do Grande Terror na União Soviética bem como a teoria e prática comunista já foram objeto de inúmeros artigos e livros. Sobre o assunto, a literatura é inesgotável. A biblioteca da Universidade de Harvard, nos EUA, lista mais de 20 mil volumes dedicados exclusivamente a esses temas. Entretanto, muitos, das novas gerações, dirão: "Caramba. Eu não sabia!"

Portanto, nunca será demais recordar o que ocorreu quando da implantação do comunismo na Rússia, transformada em União Soviética em 1924, e fundamentalmente a época do Grande Terror, na década de 30.

Em seu auge, em 1937 e 1938, pelo menos um milhão e meio de pessoas foram arrastadas aos tribunais constituídos pelos primeiros-secretários regionais do Partido Comunista, os procuradores e chefes de segurança locais. Após os processos sumários, existiam três alternativas: os réus eram condenados à morte, a trabalhos forçados ou ao exílio.

No auge do Grande Terror, o Politburo emitiu “cotas” às autoridades policiais, instruindo-as sobre as percentagens da população que, em seus distritos, deveria ser eliminada e que percentagem deveria ser enviada para os campos de trabalhos forçados (“gulags”). Por exemplo, em 2 de junho de 1937, foi enviada uma cota de 35 mil pessoas a serem “reprimidas” em Moscou, das quais 5 mil deveriam ser eliminadas. As pessoas eram incluídas nessas cotas simplesmente por serem consideradas “difíceis de controlar e propensas a se envolver em sabotagens”.

O quanto esse expurgo afetou a elite do partido pode ser constatado no fato de que dos 139 membros do Comitê Central eleito no 17º Congresso do PCUS, em 1934, 70% foram executados.

Na era Stalin, todos os que foram companheiros mais próximos de Lênin foram presos, torturados e depois aniquilados física e mentalmente. Foram obrigados a se submeter à encenação de “julgamentos”, nos quais confessaram os crimes de espionagem, atos terroristas e “tentativas de restaurar o capitalismo”. Depois disso, foram executados ou enviados aos “gulags”. Em seu chamado“testamento”, Lênin listou seis importantes dirigentes comunistas como seus potenciais sucessores. Todos, exceto um – Stalin – morreram.

Dmitri Volgokonov, general soviético que tornou-se historiador, ficou, segundo suas próprias palavras, “profundamente abalado” quando descobriu, nos arquivos liberados após o fim da União Soviética, 30 listas datadas de um único dia, 12 de dezembro de 1938. As listas continham os nomes de cerca de 5 mil pessoas cujas sentenças de morte Stalin havia assinado antes mesmo de serem formalmente julgadas.

De uma forma ou de outra, a maioria da população foi impelida a participar dessa orgia destrutiva, delatando amigos e conhecidos, pois não revelar uma“conversa subversiva” significava “subversão”.

Os massacres de 1937-1938 aniquilaram as fileiras dos “antigos bolcheviques”e seus lugares eram logo tomados pelos recém-chegados. Em 1939, 80% do pessoal executivo do Partido Comunista da União Soviética havia ingressado no partido após a morte de Lênin. De suas fileiras, saíram os funcionários do alto escalão do partido e do governo, a chamada “nomenklatura”, que não apenas monopolizou todas as posições de mando como também usufruiu exclusivamente de privilégios, constituindo-se, assim, em uma nova classe exploradora. Qualquer semelhança com o que ocorre hoje em um país ao Sul do equador é mera coincidência...

Pertencer à “nomenklatura” era garantia de um status permanente e ela tornou-se hereditária. Quando a União Soviética foi desfeita, em 1991, a“nomenklatura” era constituída por aproximadamente 750 mil membros e, com suas famílias, cerca de 3 milhões de pessoas (aproximadamente 1,5% da população). Igual à proporção de nobres durante o czarismo, no século XVIII.

O Exército Vermelho não escapou ao terror: de seus 5 marechais, 15 generais e 9 almirantes, 24 foram “liquidados”. O Clero também sofreu perdas devastadoras: em 1937-1938, 165.200 membros da Igreja foram presos pelo “crime” de praticar a religião e, desses, 106.800 foram mortos.
Andrei Gromyko, ministro do Exterior de Stalin, relatou que dois ou mais membros do Politburo nunca andavam no mesmo carro, com medo de se tornarem suspeitos de “conspiração”.

Segundo evidências extraídas dos arquivos secretos, durante 1937 e 1938, quando o Grande Terror estava no auge, os órgãos de segurança detiveram, por supostas “atividades anti-soviéticas”, 1.548.366 pessoas, das quais 681.692 foram mortas. Ou seja, uma média de mil execuções por dia. A maioria dos sobreviventes terminou seus dias em campos de trabalhos forçados.

Nenhum responsável por esses crimes foi levado a julgamento ou preso depois que a União Soviética se desfez. Por um simples motivo: não se sabia com quem ficariam as chaves das prisões.

Essa orgia de destruição desafiou uma explicação racional. Uma piada de humor negro contada por um prisioneiro chegado a um campo de trabalhos forçados: perguntaram-lhe há quanto tempo havia sido condenado e ele respondeu: “25 anos”. “Por que?”, perguntaram-lhe. “Por nada”. “Não pode ser. Por nada, você teria sido condenado a 10 anos”.

A morte de Stalin, em 1954, deixou seus sucessores perplexos, pois sentiram que teriam que repudiar o ditador demente e suas políticas assassinas, mas ao mesmo tempo precisavam preservar o sistema que ele gerou e geriu por quase 30 anos e do qual todos fizeram parte. Resolveram o problema relacionando o comunismo a Lênin e, em 1956, em um discurso secreto no 20º Congresso do PCUS, o primeiro após a morte de Stalin, Nikita Kruschev, o novo Secretário-Geral "denunciou” os crimes de Stalin.

Como resultado dessas revelações Stalin transformou-se, da noite para o dia, em um ninguém. Seu corpo foi removido do mausoléu que partilhava com Lênin, Stalingrado passou a chamar-se Volvogrado e, com a eficiência que a burocracia soviética sempre se orgulhou, seus inúmeros retratos, estátuas e lugares que levavam seu nome desapareceram. Foi como se as três décadas de seu governo não tivessem existido.

Para explicar os “erros” de Stalin eram possíveis apenas duas soluções e nenhuma delas era aceitável: ou a teoria do marxismo-leninismo estava errada ou a União Soviética não era um Estado marxista.

A seguir, Kruschev implantou a política de “coexistência pacífica”. Ou seja, 60 anos depois das previsões de Eduard Bernstein, tachado de “revisionista”, o Politburo adotou a sua tese de que o socialismo triunfaria não por meio da revolução, muito menos por meio da guerra, mas por meios não-violentos. Foi esse o ponto de partida para o início da lenta e gradual, mas inexorável deslegitimização do comunismo em todo o mundo.

Dados extraídos do “Livro Negro do Comunismo”, escrito por seis ex-comunistas.

Veja o filme "O Círculo do Poder" - baseado e constituído por cenas reais gravadas no próprio Kremlin, reconstruindo a forma de funcionamento do comunismo empregado na URSS. Você vai aprender, direitinho, como operam os fanáticos que hoje implantam o nazibolivarianismo do Foro de São Paulo.







Por Carlos I. S. Azambuja

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