quarta-feira, 11 de março de 2015

No Brasil, o cristianismo irrelevante gerou políticos corruptos!


  A irrelevância em questão não parte da igreja como agencia evangelizadora da sociedade, mas da sociedade como produto deste cristianismo majoritário brasileiro – e por este prisma a sociedade brasileira reflete bastante daquilo que temos oferecido como cristãos: um cristianismo irrelevante do ponto de vista político-social. É incompreensível como “50 milhões” de evangélicos e mais de “120 milhões” de católicos (juntos são quase 85% da população); fizeram do Brasil um país tão corrupto, violento e medíocre? Lembremo-nos que com a missão de Cabral na busca pelas Índias, ao descobrirem sem querer o Brasil e ao aportar aqui, chegou também à igreja. O cristianismo está aqui antes de nossas terras serem chamadas de Brasil e depois de cinco séculos – tornou-se majoritário no país; no entanto este mesmo cristianismo tem se mostrado incapaz de formar uma nação relevante por seus princípios, ideal e exemplos – a citar pelos políticos que tem.

A vergonhosa corrupção que parece ser endêmica e sistêmica aos políticos brasileiros não é só responsabilidade de combate da presidente Dilma, do Senado federal, da Câmara dos deputados, do supremo tribunal de Justiça, do Ministério Público estadual e federal – a culpa é da Igreja católica e dos protestantes; a responsabilidade é também dos evangélicos tradicionais, pentecostais e neopentecostais com o seu cristianismo vertical sempre omisso nos fundamentos de uma nação que agora está em crise! Nosso cristianismo majoritário foi incapaz de desenvolver qualquer educação de vida à política e que nos permita construir qualquer ponte sobre o abismo de incertezas que nossa gente atravessa por conta de seus representantes. O discipulado que temos oferecido tem produzido cidadãos que só vivem de extremos como movimentos à base da teologia da libertação, ou de fantasias como heresias e anomalias litúrgicas, culto a personalidades, mega vigilhões, sessões de descarrego, unções proféticas, correntes da vitória, discussões teológicas sem fim, campanhas de prosperidade, construções faraônicas, mercado e comércio da fé e todo tipo de “crente de quatro paredes” que só pensa em si e em seus sonhos de sucesso e realização pessoal – acorda igreja!

Nosso cristianismo é verticalizado, pouco fraterno, minimamente humanitário, irresponsavelmente apolítico e indiferente diante de várias necessidades sociais. Eu não acredito que a solução para o apagão moral e ético do país esteja nos discursos e projetos dos novos políticos cristãos – a menos que esses sejam feitos discípulos dessa nova e necessária “educação política que emerge do verdadeiro cristianismo”. A saída dessa crise de valores morais e políticos está no despertar para o autêntico e verdadeiro cristianismo – em ser uma igreja que interage com comunidade, que fala com os vizinhos, andarilhos, desempregados, jovens, crianças, executivos, políticos; que se importa com a saúde, educação, oportunidades; que reflita sobre a melhoria da rua, bairro, cidade e num contexto geral do próprio país – é onde temos falhado como cristianismo participante da construção de um Brasil melhor. Eu não proponho de jeito nenhum uma política que tenha como premissa só legisladores católicos ou evangélicos porque a história já mostrou onde isso vai dar (e também o Estado deve continuar laico e para todos) – a argumentação gira em torno dos fundamentos e valores do cristianismo na formação do novo caráter político brasileiro – é uma semeadura, é para nossos filhos e netos; e assim, eles serão mais brasileiros que nós (porque participarão do que interessa ao país e não só daquilo que interessa as nossas denominações).

Preocupa-me o fato de que a maioria dos políticos envolvidos nos esquemas de corrupção que ocorrem em nossa nação se declarem cristãos! Que tido de influência, instrução e formação cristã esses indivíduos receberam? O que foi que viram na igreja? Quais os ensinos que retiveram? As perguntas são muitas para uma triste e óbvia resposta: nada disso adiantou a essas pessoas. Eu sei que do ponto de vista bíblico elencaremos frações textuais que acentuam a dureza da natureza humana e sua corrupção – mas, a maioria dos políticos corruptos são cristãos – seria o nosso discipulado “muito mole” para esmiuçar “esses corações de dura cerviz”? Eu prefiro reconhecer que não preparamos nossos membros e congregados para a política e os deixamos a mercê de instruções social-comunistas ou neoliberais e essas bases invadem o lugar que já deveria estar ocupado por princípios sólidos de uma política fincada no amor ao próximo, honestidade e na justiça. Nossos políticos cristãos são exatamente aquilo que lhes demos – nada! São pouco efetivos, não representam o cristianismo (a menos que isso lhes interesse) e se a Polícia Federal despejar o balaio da corrupção brasileira – muitos outros estarão emaranhados lá. O que o cristianismo majoritário não foi capaz de dar ao Brasil, obviamente o país não tem; políticos que façam uma boa política!

O cristianismo brasileiro (já que é majoritário) precisa estabelecer os fundamentos e influenciar as mentes e comportamentos da nova geração de nossa terra através de um processo de formação que necessita começar dentro de nossos templos e que se estenda à sociedade - não como catecismo de nomenclatura religiosa, mas sobre as bases do Evangelho, visando desenvolver um caráter que fará política para o bem de todos e não para si mesmo. O cristianismo precisa combater a corrupção que articula em seus altares e púlpitos; que maquina em seus gabinetes; que arma esquemas políticos em seus sínodos, presbitérios e convenções. A corrupção que dominou a política brasileira é a mesma que antes, corrompeu muitos de nossos clérigos e pastores fazendo-os transformar nossas comunidades em propriedades e ministérios em heranças patriarcais. Para mudar a cara do Brasil é preciso tocar a alma da nação – e o instrumento de tocar almas – a Palavra de Deus – o verdadeiro cristianismo tem, só precisa começar a utilizá-lo também com o foco de influenciar quem fará a política brasileira nos tempos vindouros.

Padres, pastores, teólogos, conferencistas, dirigentes e professores é preciso abrirem espaço em vossas homilias, estudos, proposições, ministrações, orientações e ensinos para a política também. É preciso criar e estabelecer uma reflexão contínua sobre uma nova política que tenha como base a formação da pessoa – e não meramente a simpatia por um partido político ou ideologia social; se faz necessário discutir os problemas locais dentro de nossas comunidades e os rumos nacionais dentro dos valores e perspectivas do cristianismo. Pais e mães é tempo de conversarmos com os nossos filhos e também falarmos de política, de bases e princípios que poderiam transformá-la de fato numa ciência para o bem do povo e não numa oportunidade de roubar do povo. A igreja não é política (*), mas precisa influenciar a política de seu tempo com sua presença, personalidade e educação fornecida. Parece que nosso cristianismo majoritário incentiva à todas as profissões, menos a formação de políticos decentes – e essa omissão tem custado caro ao país.

Precisamos aguardar a volta de Jesus, mas não podemos negligenciar com a educação de nossos filhos e com o tipo de políticos que serão ou terão de lidar se até lá nosso Senhor não voltar.

Oremos por nosso país e autoridades e que Deus abençoe o Brasil e a cada um de nós!










Por Silvio Costa

NOTA DO BLOG (*) A igreja não faz política partidária 

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