terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Hoje o país não sabe onde está"


Por Caio Blinder

No jornal espanhol El País, o venerável Juan Arias sabe onde está o Brasil. Está no estado do medo. O hombre do El País no nosso país escreve (aqui o texto de Arias em português e aqui a explicacão para título da série) que “nem sempre a história se repete. Nessas eleições, por exemplo, está acontecendo o oposto do que ocorreu em 2002″, quando Lula investiu na marquetagem de “vencer o medo com a esperança”. Hoje, a máquina do PT investe no medo e, nas palavras de Arias, “Marina Silva é apresentada como “a amiga dos banqueiros, a preferida pelos ricos e aquela que poderia retirar dos mais pobres o que já conquistaram”.

Pode? Tudo isso, escreve Arias, apesar de você, Dilma, “apesar da inegável crise econômica que o país vive e da série de escândalos de corrupção que o PT acumula, sobretudo no caso da Petrobrás”. Em textos anteriores, o veterano jornalista espanhol já escrevera sobre o estado de perplexidade, na medida em que 70% dos brasileiros afirmarem que querem “mudar”, com estas bandeira nas mãos de Marina.

Para o futuro, Dilma oferece o passado. Para uma parcela do eleitorado, a esperança de melhorar as conquistas obtidas nos últimos 12 anos é abafada pelo medo de perder o que conquistou com a bonança chinesa, o crédito fácil e o assistencialismo. Um eleitorado quer ficar onde está e não avançar. No entanto, adiante está o recuo. Minha primeira tentação foi apelar para a clássica citação de Franklin Roosevelt: “A única coisa que devemos temer é o próprio medo.” Mas, eu mudei de ideia. O desafio é como botar medo neste eleitorado sobre esta perspectiva de recuo.

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