segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Aberto o saco de maldades


O que significa a proposta anunciada pelo novo ministro do Planejamento, de novas regras para o salário mínimo? Com perdão palavra, é trolha que vem por aí. Como sempre, penalizando os pobres e os humildes, no caso, quem consegue sobreviver com 788 reais por mês. Pois vai ficar pior. Segundo Nelson Barbosa, os reajustes do salário mínimo ainda serão superiores à inflação…

Dá para traduzir ajuste fiscal como algo diferente do que aumentar impostos? É o que também se prevê, assim como cortes nas despesas sociais. Jamais, é claro, nos recursos destinados a pagar juros ou a saldar débitos externos.

Num estalar de dedos o país toma conhecimento do que será o segundo mandato de Dilma Rousseff, porque apesar das promessas de não recuar um milímetro na preservação dos direitos sociais, a presidente assinou medida provisória cortando pela metade o abono salarial, o salário desemprego, o auxílio doença, as pensões pela morte de um cônjuge e até os benefícios para os pescadores proibidos de pescar.

Vale aguardar mais peças do conteúdo do saco de maldades aberto pelo novo governo todos os dias, começando na véspera da posse e seguindo impávido no rumo da desconstrução de uma sociedade mais justa. Calaram as forças que poderiam opor-se a esse massacre do PT aos sindicalistas. As oposições parlamentares nada farão, pelo menos até que o esbulho se estenda às classes privilegiadas. Enquanto isso, com as exceções de sempre, os ministros recém-nomeados batem cabeça, reconhecendo nada ter a ver com os setores para os quais foram escolhidos. É constrangedor citá-los. Mais responsáveis do que eles e os partidos que os impuseram será a presidente da República, que os nomeou.

No capítulo da corrupção, com ênfase para o escândalo na Petrobras, chega a ser hilariante a explicação de que deveu-se a uns poucos maus funcionários e à pressão de forças externas. Estas sempre existiram, aqueles integram a parte visível da quadrilha que ocupou o poder para transformá-lo na caverna do Ali Babá, não obstante os protestos do já agora ex-ministro Gilberto Carvalho em seu canto de cisne. Ladrões existem, são identificados e continuarão agindo à luz do dia, pertençam ao PT, ao PMDB, ao PP, PR e penduricalhos. Logo depois de sua primeira posse, Dilma conseguiu livrar-se de seis ministros envolvidos na roubalheira, mas quatro anos depois eles tinham voltado a influir no governo, diretamente ou através de prepostos. Participaram ativamente da montagem do segundo ministério.

Outra vez a conta da incúria vai para os menos favorecidos e, em pouco tempo, atingirá a classe média. Trata-se de uma questão de tempo saber onde a corda se romperá.




Por Carlos Chagas

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