quinta-feira, 17 de setembro de 2015

E agora, José?



                                                     O governo se esconde do povo.

Não há mais público para defensores do governo. Fica chato fazê-lo e assinar embaixo.


Eu sei, eu sei. De repente a vida ficou pesarosa e irritante para quem viveu décadas surfando na utopia. Aquele discurso socialista tinha a leveza de um sonho erótico e excitava no contraste com a realidade, coitada - encardida, feia e banguela. Vendia-se utopia no vidro traseiro dos carros. Vendia-se em camisetas, bandeiras e alto-falantes. Nos microfones, púlpitos e salas de aula. Nas charges e colunas de jornal. Era fácil de anunciar e barata de comprar. Haveria, logo ali, um novo céu, uma nova terra e um homem novo. Onde? Como? Era tão simples! Tudo se resumia em Lula-lá!

Tenho bem presente a Constituinte de 1988, os anos 90 e, principalmente, os gozos cívicos que marcaram a chegada de Lula ao poder. Uns poucos, entre os quais eu, antevíamos o que estava por vir. Assim como era inevitável a vitória da utopia sobre a realidade, era inevitável o desastre que sobreveio devagar, incontornável. Desastre moral, institucional, fiscal, econômico, cultural. Desastre que atinge todos os objetivos permanentes de qualquer sociedade civilizada: ordem, justiça, liberdade, segurança e progresso. Nada simboliza melhor o colapso de um projeto impulsionado pela ingenuidade de uns e a vaidade de outros do que Lula assistindo a Copa de 2014 pela TV, e Dilma no Sete de Setembro de 2015, cercando-se com as autoridades numa espécie de campo de concentração às avessas. O governo se esconde do povo.

Então, eu sei, a vida arruinou para quem, nos meios de comunicação, inflou um projeto político que agora se veste de pixuleco. Os propagandistas recolhem seus realejos. Não há mais público para defensores do governo. Fica chato fazê-lo e assinar embaixo. Isso só por muito dinheiro e boa parte dos antigos propagandistas da utopia eram voluntários, rodavam sua manivela por devoção. Vem-me à mente, então, o grande Carlos Drummond de Andrade: "E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?". Agora, quando o sonho erótico virou desvario masoquista, ainda com o poeta digo a José: "O dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo fugiu e tudo mofou. E agora, José?".

José, coitado, cuida como pode de proteger o indefensável. Ele não mais se aligeira com os porta-estandartes da utopia que não veio. Repare bem nele. Furioso, xinga e ofende quem faz oposição num país que precisa, urgentemente, de rumo e prumo. É feio, mal educado, mas - que remédio? - se a utopia mofou e deu nisso que está aí?




Por Percival Puggina

Poliamor. Ou: Amor nenhum


Na TV e na internet tenho visto algumas propagandas do que chamam “poliamor“. São os relacionamentos com mais de duas pessoas, podendo ser dois homens e uma mulher, duas mulheres e um homem, três homens, três mulheres etc. Segundo seus praticantes e defensores, o amor não tem limites e o afeto não deve ser coibido; se posso amar mais de uma pessoa, por que não? Qual a necessidade de encerrar o sentimento e a prática sexual dentro de um retrógrado combinado a dois, expressão singular dos conservadorismos e crenças fedorentas da humanidade imatura?

O pessoal do poliamor acredita que não há necessidade alguma. Por imaginar que nenhum dos seus defensores lerá este texto, destino o blog aos leitores habituais, a fim de esclarecer ainda mais os motivos que me levam a desconfiar – para dizer o mínimo – desses “arranjamentos amorosos” vigentes entre os participantes dos centros acadêmicos de humanas.

O amor é um dos projetos mais radicais de uma vida humana. Para usar os termos de Julián Marias, nossa espécie é definida também pela capacidade de futurição: todo homem antecipa sua vida; imagina-a, projetando com mais ou menos detalhes aquele que deseja ser e que, por condição mesma da vida, não pode sê-lo no presente. Cada um de nós pode ser compreendido como quem é, atualizado no presente, e quemquer ser, com as imagens de eu e trajetórias pretendidas.

Assim, o argumento biográfico é uma espécie de resultante dramática entre projetos idealizados e realizações concretas. Sou esta pessoa aqui, que já percorreu tais trajetórias e deseja percorrer algumas outras. Por isso, a futurição é um modo de antecipação de si, uma espécie de ensaio da própria vida. Alcançar um grande objetivo, possuir uma profissão, fazer uma viagem, servir um bom prato no jantar, amar alguém: exemplos de atividades humanas que não poderiam acontecer sem um pouco de imaginação e projeção.

Sendo um projeto, o amor tem direção: como ensina o mesmo Julián Marias em sua Antropologia Metafísica,é uma instalação humana com vetores que vão ao encontro do outro (como flechas). Assim como não existe projeto sem um “fim”, não existe amor sem destinatário. Sendo instalação radical – por ser configuradora da existência pessoal – no amor o fim não é um fim, mas um meio. Ao me inclinar em direção a alguém, desejando amá-lo e fazê-lo meu projeto, sinto-me realizado à medida que não termino na relação constituída, mas a partir dela sou outro “a dois”, alterado verdadeiramente pela presença que agora compõe minha realidade radical. Do consentimento amoroso de duas pessoas – do consequente encontro de projetos pessoais – nasce um terceiro projeto que não é mais individual, mas duplo: não sou eu ou fulano que queremos dar certo. Somos nós. A dimensão plural se abre de forma inédita e uma parte do mundo passa a ser conhecida porque agora não vivo mais só. O nascimento de filhos é o símbolo desta “extravasão” que só é possível porque a realidade não “cabe” mais em indivíduos isolados.

Em outras palavras: amar é ir em direção a alguém e querer transformar este mesmo alguém em projeto radical. Amar verdadeiramente é ser alterado por esta projeção a ponto de não ser o mesmo sem aquela pessoa. É o que transparece em diversas entrevistas de Julián Marias quando se refere à esposa (falecida vários anos antes dele). Vi o filósofo espanhol dizer, repetidas vezes (e parafraseando-o): desde que ela morreu já não sou mais eu. Uma parte minha não está mais aqui e por isso sinto-me impedido de ser inteiro quem já fui.

Isto é amor radicalmente falando. A projeção é tão intensa que “compromete” a minha realidade. Não sou mais o mesmo, nem posso ser. A partir do nós um novo projeto nasce – o da felicidade da relação.

Creio que o poliamor é uma fuga desta radical instalação humana. Por não precisar olhar alguém direta e objetivamente, seus adeptos passam a olhar alguns ao mesmo tempo. Evadidos da direção – e da necessidade de escolher e sacrificar-se por um -, perdem-se e confundem-se entre vários olhares, numerosos como os fragmentos de eu de cada um dos envolvidos. Qual é o projeto de cada um dos três ou quatro homens e mulheres da relação poliamorosa? Para onde caminham? Qual o destino deles, não individualmente, mas enquanto corpo constituído? Ainda: se um dos envolvidos sai da relação e outra pessoa entra em seu lugar, o que isto significa? Como é possível alteração radical nestes termos?

Amar é um tipo de decisão que afeta, sempre e primeiramente, duas pessoas. É a porta da verdadeira intimidade, como diria Louis Lavelle, pois um “terceiro” sempre sobra. A experiência coletiva existe e é necessária à vida humana, mas apenas a comunhão a dois é capaz de abrir a porção da realidade tocada somente por nós, amantes de um projeto que rompe os limites do eu e verte-se numa nova realidade dinâmica e afetiva; comprometedora e consoladora.

Numa reunião do Clube do Livro deste ano, quando discutimos a obra Persuasão, de Jane Austen, escrevi sobre o amor e justifiquei, como pude, a razão de ser do encontro entre o homem e a mulher. Transcrevo uma parte daquele ensaio aqui:

“Numa relação amorosa, a oposição disjuntiva entre a mulher e o varão ― e assim desejada pela realidade, de forma estrutural ― condensa simbolicamente as duas formas de estar no mundo do ser humano, como diria Julián Marias. A mulher é aquela que enxerga longe ― nos desdobramentos da relação em que está ―os efeitos na eternidade do amor que mutuamente oferecem. Ela é como o vaso depositário das esperanças do homem, culminando na fecundação de seu útero toda a nova possibilidade característica do amor. Esterilidade é oposto ao amor. Por isso a mulher não deve aceitar posição inferior, que a desinstale deste lugar de privilégio, no qual o velho encontra o novo e a face da terra se renova.

Do mesmo modo, o homem é aquele que luta para realizar-se, exigindo de si mesmo a força necessária para fecundar a vida. É regido por um sol interior que o impele a cumprir, construir, prover no mundo,inexoravelmente masculino. Para o varão, a eternidade é uma morada atraente. A mulher, neste sentido, é o sinal sensível da eternidade que precisa ser conquistada e não perdida. É por isso que é o homem quem vai em direção à mulher, corteja-a como quem ensaia um pedido de casamento com a divindade, entrada para o Paraíso que sempre teme não ser mais seu. Que a realidade tenha feito as coisas desse modo, creio ser indiscutível. Mesmo nas relações homossexuais será necessário que os dois envolvidos exerçam papéis diferentes na hora do sexo. Portanto, a complementaridade é irrevogável. As grandes histórias de amor da literatura, como as de Jane Austen, são símbolos desta tensão existente entre os opostos que, quando felizmente vencem as descontinuidades e infidelidades, dão nascimento a um tipo de encontro ― o mais radical e frutífero entre os seres humanos.”


Este assunto, ou tema da vida humana, renderia outros textos. Prometo voltar a ele num futuro próximo. Por ora, penso ter esclarecido porque o poliamor é amor nenhum.

Ir a muitos destinos é ir a destino algum.




Por Tiago Amorim
Professor e mora em Curitiba (PR). É idealizador do curso “A Vida Humana”(www.avidahumana.com.br) e autor do livro “A Abertura da Alma” (editora Danúbio). Dá aulas no Solar do Rosário e atende em escritório próprio, onde desenvolve um trabalho de aconselhamento individual.

Governo do PT insiste na ideologia de gênero, à revelia do Congresso



Apesar de encontrar enorme resistência no campo legislativo, Governo pretende utilizar o MEC para disseminar a ideologia de gênero nas escolas.


Após a ideologia de gênero ser rejeitada de modo retumbante no Plano Nacional de Educação, bem como nos planos regionais e municipais, o governo do PT insiste na agenda de gênero, instituindo, através do Ministério da Educação,o Comitê de Gênero [http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=16&data=10%2F09%2F2015], no mesmo dia em que a feminista Judith Butler encerrava sua primeira visita ao Brasil. O governo quis com isso expressar seu compromisso com as organizações internacionais, dando apoio a uma agenda que há tempos tais organismos buscam implantar no país, a todo custo e de todo modo, apesar de encontrar enorme resistência no campo legislativo.

Cabe lembrar que tal empenho do governo vem se intensificando ainda mais, e que no Plano Nacional de Direitos Humanos [http://www.jornaluniao.com.br/noticias?noticia=6666] (PNDH3), em 2009, havia decidido abarcar "todas as áreas da administração" e "fato inédito de ele ser proposto por 31 ministérios", "estruturado em seis eixos orientadores, subdivididos em 25 diretrizes, 82 objetivos estratégicos e 521 ações programáticas", feito para ser não uma política de governo, mas a política do Estado brasileiro, com o Ministério da Educação, de modo especial, colocado à frente de tal empreitada para disseminar uma ideologia anárquica, na rede pública de ensino, a contento das fundações internacionais e de agências da ONU, etc.

Tal ideologia é sustentada por organizações que “desfrutam de um retorno financeiro garantido e que se tornaram, no campo da sexualidade humana, uma fonte de lucro e um veículo da secularização planificada”, como explica Dorotas Kornas-Biela, e que o Estado favorece quando capitulado diante de tão vis interesses, que em nada dignificam, mas degradam a pessoa humana.

Diz ainda Kornas-Biela que

“a pornografia, a droga, a prostituição, a contracepção e o aborto são indústrias organizadas, cujo capital é posto a serviço de uma ideologia, que é contra a vida humana, a família e, frequentemente, contra a Igreja Católica. Os objetivos de tais indústrias são a destruição da família e a secularização, para alcançar os meios pelos quais se toleram alguma forma de depravação e violência sexual em relação às crianças. Estas forças operam secretamente no espírito da era pós-moderna. Publicamente, ao invés, o comportamento destas estruturas (mídia, organizações, resoluções tomadas em consequência de conferências nacionais e internacionais) é de forte recusa em relação a violência sexual contra as crianças, todavia, não é por acaso que este fenômeno, nas suas formas de depravação, está em contínuo aumento”.

Urge portanto que Comitê de Gênero, criado pelo MEC [http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/09/mec-cria-comite-de-genero.html], seja questionado pelo Congresso Nacional, ainda mais tendo em vista de que o parlamento brasileiro votou contra a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação, pois aceitar a existência desse comitê é atentar contra a própria democracia, capitulando-se diante do Executivo, que age, dessa forma, à revelia do Legislativo. É preciso então a soma de esforços para mobilizar novamente os parlamentares e outros tomadores de decisão, para não apenas questionar o Ministro da Educação, como para vetar tal iniciativa.






Por Hermes Rodrigues Nery
Especialista em Bioética (PUC-RJ), é presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, .

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Os problemas psicológicos de Dilma Rousseff e a crise no Brasil


1. Um dos principais fatores psicológicos do impeachment é a confusão da D. Dilma, que por mais esforço que faça para superar sua “necessidade de auto-afirmação” que não foi atendida no primeiro mandato, encontra-se agora num beco sem saída porque está sendo pressionada em direções opostas e não sabe a quem atender prioritariamente.

Uma coisa é óbvia: ela tem que fazer os cortes no orçamento, com o que até o Papa Francisco concordaria, como sendo um mal absolutamente necessário. Mas a grande dificuldade é definir que cortes fazer na própria carne. Por exemplo, cortar as verbas destinadas aos benefícios sociais, como o bolsa família, seria cortar na própria carne?

Mas uma parte do açougue é constituída pela carne dos aliados, exigindo uma habilidade de açougueiro profissional, sendo que a Dilma, nunca exerceu este oficio. No caso ela teria que deixar os aliados escolherem a carne de sua preferência, como fazem os consumidores em qualquer açougue.Porém se os próprios aliados têm divergência no processo seletivo das carnes, como fazer?

2. Lula – que abandonou seu velho companheiro Dirceu às traças da Lava Jato – já está convencido há tempos que a Dilma não serve para sustentar a estratégia de permanência do PT no Poder. Pelo contrário: ela só atrapalha! Então porque, Lula, conhecendo a teimosia da sua companheira a fez Presidente da República?

- No Brasil ainda existem políticos que conseguem convencer o povo a eleger o candidato de sua preferência – aqui também há um transtorno psicológico bem evidente: os eleitores de Dilma achavam que votar nela seria o mesmo que votar em Lula.

Será que Lula, influenciado por seu narcisismo, achava que a Dilma iria se curvar diante de suas ordens estratégicas e maquiavelanas?

Dizem que “O Principe” de Maquiavel foi o livro de cabeceira de FHC. Pode ter realmente sido, como revela a sua aliança até com a madame inglesa Thatcher, a do ferro. Porém, Lula superou o mestre FHC e soube agradar o povo como ninguém conseguiu até hoje na história do Brasil, porque ao mesmo tempo que agradou o povo, (como muito bem planejou o General Golbery, um dos principais arquitetos da carreira do ex-lider sindical), Lula conseguiu se ajeitar com os banqueiros, mantendo Henrique Meirelles a seu lado, e dando-lhe, naturalmente a autonomia que os banqueiros queriam.

O Brasil, meus amigos, a exemplo do que ocorre com outros países, os banqueiros atuam como “sócio oculto” dos governos. Mais do que isso: eles determinam qual deve ser a política econômica do governo, mas o povo não deve saber disso, pois a estratégia maquiavelana tem na desinformação um dos seus pontos chaves. Agradar o povo, não implica, é claro, deixá-lo bem informado. Pelo contrário. O principio básico dessa estratégia política, adotada antes, durante e depois de Maquiavel, é não revelar ao povo o que ele não deve saber, pois isso o tornaria mas rebelde do que já é.

E também por isso a mídia incomoda muito os donos do poder com o seu “jornalismo de denúncia”, que é um dos caprichos da democracia que mais atrapalha a vida dos políticos. Mas para eles essa democracia ( que na verdade é apenas uma “meia democracia” ou se preferirem, um “simulacro de democracia”, é necessária para aquietar a rebeldia popular, não lhes restando outra alternativa do que aceitar o chamado “Estado democrático de direito”, cuja designação mais correta seria “Estado democrático dos direitos políticos”, os quais, como o próprio nome sugere, acabam sendo prioridade sim, mas para os políticos.

Como o poder político não sobrevive sem o poder econômico, os nossos políticos se renderam aos donos do poder econômico, atuando, na maioria dos casos, como subordinados da chamada “oligarquia”, um termo elegante para designar as poucas pessoas que concentram uma parcela fabulosa do dinheiro que circula no mundo.

3. Todavia, as razões que levaram Lula a escolher a Dilma como sua sucessora, não estão esclarecidas. No discurso que fez em setembro de 2014 em defesa da Petrobrás, Lula disse, referindo-se a ele próprio:

"Alguém pode perguntar porque Lula escolheu a Dilma e não alguém ligado a ele historicamente. É porque eu não via a presidência da República como clube de amigos, mas como uma coisa muito séria que tem que ser governada por alguém que tem pulso firme".

Será que foi este mesmo o motivo? O próprio Lula tem insistentemente recomendado à Dilma que seja flexível no seu relacionamento com os aliados.

Será que Lula cometeu o erro (gravíssimo por sinal) de não ter combinado com a Dilma que ela não se candidataria à reeleição?

O “pulso” (que alguns chamam de personalidade) forte da Dilma ele já conhecia. Não previu os efeitos colaterais desta “personalidade forte?”
Será mesmo que a personalidade da Dilma é forte? Ou a força que ela revela no seu relacionamento com os outros seria, pelo contrário um sinal de “fragilidade psicológica” adquirida na sua infância?

O que é evidente é que o comportamento de Dilma ao longo da vida revela uma clara falta de “maturidade emocional”. Essa imaturidade ficou comprovada (cientificamente) quando ela participava de “assaltos à mão armada”. Mais do que “imaturidade” é uma prova concreta de falta de equilíbrio emocional. Ocorre que Lula não se baseou em nenhum diagnóstico psicológico para eleger a Dilma, até mesmo porque ele é também é vitima de alguns transtornos emocionais, o que diga-se de passagem, é comum na política.

A política, ao contrário do que pensa a nossa juventude idealista, é uma atividade que exerce uma forte atração sobre pessoas que têm alguns traços “comportamentais” específicos, como por exemplo a necessidade de conquistar a fama (narcisismo) combinada com a necessidade de exercer o poder de uma forma mandatória, quando se trata de políticos com personalidade autoritária.

Seja qual for a razão pela qual Lula escolheu Dilma como o seu “poste” preferido, uma coisa eu posso GARANTIR: Dilma não passaria num processo seletivo conduzido criteriosamente nem para um cargo de secretária. Imagine uma secretária que sofra deste transtorno: dislexia – com essa grave dificuldade na fala, uma moça ou senhora não pode exercer com eficácia a função de secretária.

A Dilma não tem culpa nenhuma de ter sido vitima da dislexia. É bem provável que este problema tenha surgido na sua infância. Será que os pais providenciaram o tratamento deste transtorno, que infelizmente é muito complexo e exige a participação de uma equipe multidisciplinar com pelos menos 3 especialistas?:

Psicopedagogo, fonoaudiólogo, neurologista. Mas a par da dislexia, será que os pais de Dilma deram a ela uma educação fundamentada nos conceitos e métodos da psicopedagogia, que já estavam bem desenvolvidos à época? É provável que não. O que terá acontecido? Jamais saberemos, mas a própria Dilma, ingenuamente, ou mal assessorada por seu marketeiro, chegou a nos dar algumas pistas. Por exemplo, ela descreveu assim uma cena da infância, num programa eleitoral de 2010:

"Apareceu um menino na porta da minha casa querendo comida. Falou para mim que não tinha nada, e eu tinha uma nota de dinheiro. Peguei a nota, rasguei, dei metade para ele e fiquei com a outra." Será normal uma criança fazer isso? Que idade ela tinha?

Dilma estudou numa escola católica só para meninas e de procedimentos rígidos, o que por si só, revela um descompasso com os princípios mais elementares da psicopedagogia, sendo um deles fundamental: dar limites com amor. Está aí uma boa coisa que o Papa Revolucionário Francisco poderia fazer: rever os métodos de ensino das escolas católicas, se é que elas já não abandonaram esta metodologia retrógrada.

No mesmo programa, uma amiga sua de infância relatou que a Dilma tinha nesta escola esse comportamento rebele:

"Deixar a professora na sala, sair e não fazer a prova. Matar a missa e as freiras descobrirem... E a gente ficava um pouquinho de castigo", contou Márcia Fontes

Não teria o pai também revelado esse autoritarismo? É o que sugere essa declaração de Dilma:

"A única coisa que meu pai falava era o seguinte: tem de estudar! Tem de estudar, tem de ler livro, muito livro."

O comportamento que a Dilma tem revelado hoje está claramente associado aos problemas emocionais da infância (e da adolescência) não resolvidos. Além da dislexia que, por si só é um problema psicológico (e não apenas fonoaudiológico) ela tem manifestado, através de aparições na mídia, ou segundo relatos feitos por jornalistas confiáveis, atitudes de arrogância e inflexibilidade. E quanto ao seu relacionamento com os Ministros, quantas vezes já não lemos noticias informando sobre a sua forma truculenta de falar, além do “pavio curto”?

Se Lula foi sincero quando elogiou o “pulso forte” da Dilma, cometeu o erro de não associar essa suposta qualidade aos transtornos emocionais de sua sucessora. Assim está a política no Brasil (e no mundo): o povo elege como Presidentes da República candidatos sem levar em conta MINIMAMENTE, o seu perfil psicológico. Portanto, a tão vangloriada “democracia” não passa de um sistema político doentio, o que por si só, é suficiente para colocar em risco o futuro da humanidade.

AGORA, PREZADOS ANTI-PETISTAS GENÉTICOS: a história de vida da Dilma revela duas coisas: que ela não foi feliz e que não conseguiu fazer uma terapia para resolver seus problemas emocionais instalados na infância e que se expandiram na sua adolescência. Portanto, existe sim a possibilidade de ela ser uma pessoa de BOM CARÁTER, como algumas pessoas que não são suas amigas da velha guarda têm dito. O que ela precisaria fazer hoje, é encontrar o melhor analista do Brasil, de formação freudiana não ortodoxa – e portanto multidisciplinar, e que adote alguns conceitos e métodos da psicologia cognitiva- para retomar a análise que ela abandonou. A prioridade da Dilma hoje é uma assessoria psicológica – e não política.

4. A ambiguidade é um dos elementos chaves da estratégia maquiavelana, como revela a política romana do “pão e circo” que pode ser atualizada em nossos dias com a expressão “pão e TV” ( É Fantástico...hoje na TV como ontem nas arenas onde os degladiadores despertavam na platéia grande emoções, ao se matarem. Nós não precisamos mais nos dar ao trabalho de sair de casa para satisfazer nossa sede insaciável de emoções negativas. A ambiguidade é inerente à natureza humana onde moram o bem e o mal. Aliás se o mal não existisse, o bem também não existiria, da mesma forma que não existe a vida sem a morte. Isso explica porque os programas de TV que exibem cenas de violência têm tanta audiência. O nosso cérebro foi configurado geneticamente para prestarmos máximo de atenção às imagens que denotam perigo e assim acabamos nos condicionando a dedicar nossa atenção às cenas onde aparece o “espetáculo” da violência.

No caso da relação de Dilma com Lula a ambiguidade está bem revelada, pois no mesmo discurso ele consegue, ora vangloriá-la ora expor seus (dela) defeitos.

A melhor coisa para Lula seria ela cair fora e entrar no lugar dela alguém da oposição do PT, pois certamente a economia do país não vai se recuperar durante este mandato da Dilma. Assim, Lula poderá se candidatar de novo , mostrando as diferenças entre o governo dele e de seus sucessores. Mais do que isso, depois de reduzidos os efeitos colaterais do (des) “Ajuste Fiscal” ele poderá atualizar a política assistencialista que o conduziu ao poder (assistencialismo não é sinônimo de populismo, pois a filantropia também tem caráter assistencialista). Como todo o mundo vai culpar a Dilma pela desastrosa crise em que nós entramos, isso por imposição do bode expiatório que mora no nosso inconsciente e que tem a função de saciar a nossa vontade de sempre encontrar UM culpado para tudo, Lula poderá dizer algo o tipo:

“Dilma como até seus opositores reconhecem, é uma mulher correta. Apenas não estava preparada para enfrentar as feras do nosso mundo político. O pulso firme, como eu dizia, é realmente necessário, mas precisa ser combinado com a suavidade: o estadista precisa em alguns momentos ser muito firme e outros momentos ser gentil e suave. Essa flexibilidade é fundamental para o bom desempenho de um governante”. (espero que ele não leia este artigo, pois do contrário corremos o risco de ele fazer uso desta falácia marketeira).

Quer dizer então que Lula pode voltar a ser Presidente do Brasil? Bem... acho isso um bocado difícil, mas tendo como concorrente um Aécio Neves, o povo pode achar que o Lula é “menos pior”. Eleger o menos pior já faz parte da cultura de resignação de nosso povo. Ou o menos pior seria o Alckmin?

5. E para o Brasil, o que seria melhor hoje?

Para acalmar uma grande parte de nossa população, que envolve agora não apenas a classe média, mas também uma parcela dos pobres, é claro que o melhor seria a Dilma pedir demissão, evitando assim o agravamento da crise política (e social) que o processo de impeachment vai provocar, durante a sua prolongada gestação.

Essa atitude acalmaria também o “Sagrado Mercado” que despertaria seu “instinto animal” voltando a investir no Brasil, cuja credibilidade já chegou no fundo do poço. Se o povo brasileiro tivesse um ímpeto revolucionário e uma liderança capaz de capitalizar este ímpeto para colocar o país nas verdadeiras trilhas do desenvolvimento, através de reformas radicais, começando pela reforma do estado e pela reforma política (que são coisas diferentes) e baseando essas reforma nestes 3 princípios – ética, humanismo e transparência – poderíamos dar um salto e pela primeira vez em nossa história viabilizar a realização das imensas potencialidades desta Nação.

Mas infelizmente o DNA do Brasil foi configurado de tal modo, que seu destino é NÃO REALIZAR SUAS POTENCIALIDADES. Uma das provas deste transtorno genético foi a nossa Independência que teve a “colaboração” da Inglaterra que tinha grandes interesses comerciais na então colônia de Portugal. A outra evidência do transtorno se revelou na (des) qualificação do país como sendo “essencialmente agrícola”.

Como o desenvolvimento depende essencialmente da industria e da tecnologia, esse espírito agrícola se coadunou muito bem com o espírito colonial, transformando o Brasil, em pleno século XXI num exportador de commodities e num importador dos produtos que são industrializados lá fora com essas commodities.

O resultado desta trama espiritual é que continuaremos economicamente dependentes. Infelizmente a historia não deu o devido valor à Independência Econômica, e sem ela, a outra Independência, a de 7 de setembro de1822 , no caso do Brasil, não passa de um simulacro.


Ps. As informações sobre a infância de Dilma Roussef foram extraídas desta matéria da FSP:
http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2014/10/1526700-meu-pai-dizia-para-eu-estudar-muito-diz-dilma-rousseff-sobre-a-infancia.shtml





Por Mtnos Calil
Psicanalista, é coordenador do grupo Mãos Limpas Brasil.

Lula, o inimigo público. Ou: Morto-vivo quer a quadratura imoral do círculo para se candidatar em 2018


Brinco que Lula é uma espécie de morto-vivo da política, um zumbi. No programa “Os Pingos nos Is”, que comando na Jovem Pan, a cada vez que cito seu nome, toco a música tema de “Walking Dead”. Acho a metáfora perfeita. Sustento que ele já está morto para a política, mas ainda não lhe passaram o recado. Por essa razão, fica perturbando o mundo dos vivos. De qualquer um e de qualquer lugar.

É Lula quem está por trás de uma articulação de movimentos e parlamentares de esquerda para tentar impedir o governo Dilma de efetuar os cortes no Orçamento. Aliás, ele já se manifestou publicamente contra as medidas.

Em proselitismo recente na Argentina e no Peru, voltou a condenar os cortes de despesa e as medidas necessárias de contenção de crédito. Ou por outra: ele se opõe àquela que é a única — e não uma entre muitas — chance que Dilma tem de concluir o mandato. Eu, por exemplo, já acho que não dá mais tempo. Mas ainda há quem pense o contrário.

Ou por outra: Lula concorre, queira ou não, para desestabilizar a presidente.

Ao mesmo tempo, ficamos sabendo que ele está empenhado em tentar impedir que o PMDB adote de vez e mais às claras uma posição favorável ao impeachment. Assim, informa-se, o ex-presidente estaria procurando costurar com Michel Temer uma reaproximação entre o PMDB e o PT.

Como se faz isso, ao mesmo tempo em que se combatem as medidas de austeridade? Não tem sentido lógico. É que Lula e o PT só sabem ser governo com vacas gordas e se podem ter o estado nas mãos pra distribuir prebendas. Se não é assim, falam uma linguagem de oposição. Ora, para que a reaproximação que ele está buscando seja viável, e dado que fala abertamente contra o ajuste fiscal e incentiva as correntes ideológicas que pregam que é preciso começar a tirar mais dos ricos, forçoso seria que o PMDB se engajasse nessa agenda, o que não parece que vá acontecer.

Essa movimentação buliçosa de Lula, por outro lado, arranha a autoridade de Dilma, deixa claro que ela tem uma influência muito reduzida sobre o PT, sugere que os setores do governo entregues ao partido não seguem o seu comando e ainda acenam com o risco da volta do fanfarrão — ainda que a população dê mostras crescentes de que o antes imbatível seria fragorosamente derrotado caso se lançasse na aventura.

Mais: a presença permanente de Lula no debate, comportando-se ainda como dono da bola, serve de liga a juntar movimentos críticos ao governo, ainda que possam não ter assim tanta identidade.

A popularidade alcançada pelo boneco “Pixuleco” evidencia bem o que amplas camadas da população brasileira pensam do ex-presidente e onde o querem. Mas ele, obviamente, não se dá por vencido e insiste em circular como um fantasma onipresente no processo político. A cada vez que sai pontificando sobre isso e aquilo, milhões de brasileiros se perguntam como pode o PT ter sido protagonista de dois grandes escândalos, mas com seu poderoso chefão a salvo de qualquer investigação.

O que, afinal de contas, quer Lula? A esta altura, ninguém sabe, nem ele próprio. Ele só queria não ter de se comprometer com as “medidas amargas” de Dilma, mandar o petismo para a oposição, manter a presidente no palácio e conservar a máquina trilionária que garante o poder a seu partido.

Lula quer a quadratura imoral do círculo para ver se consegue ainda se candidatar em 2018. Os mortos-vivos, nos filmes, podem reparar, sempre querem coisas impossíveis.



Por Reinaldo Azevedo

O esgotamento do estado tutor e as necessárias mudanças estruturais

                      O estado brasileiro é paquidérmico e esmaga a energia criadora de riqueza no país

Modelo de "pacto social" de 1988, com ajuda da incompetência ideológica do PT, faliu o estado

É preciso separar a crise atual que assola o Brasil em duas partes distintas, uma conjuntural e outra estrutural. De um lado temos toda a incompetência ideológica do PT, a roubalheira desenfreada, o intervencionismo estatal, a expansão irresponsável de gastos e crédito públicos; do outro, temos a Constituição “cidadã” que não cabe no PIB, fruto de uma demanda social reprimida, do clima de vingança ao regime militar e assinada um ano antes da queda do Muro de Berlim.

Quando dividimos a análise por horizonte, fica claro que as divergências entre os três economistas ligados ao PSDB, que responsabilizam parcialmente o modelo social que vem de antes do PT, e o jornalista Guilherme Fiuza não chegam a ser tão graves assim. Samuel Pessôa, Marcos Lisboa e Mansueto Almeida acertam ao também incluir o “pacto social” no rol dos culpados, e Fiuza está certo ao chamar a atenção para o estrago enorme que o populismo corrupto do PT causou nos últimos anos.

É importante separar a análise por prazo, pois remédios tanto conjunturais como estruturais são necessários. No curto prazo, tirar o PT do poder, mudar o rumo da economia, resgatar a confiança e as finanças públicas é questão de sobrevivência, de evitar o destino trágico da Argentina. Mas no longo prazo, quando a meta mais premente de se livrar do PT for alcançada, mudanças estruturais serão fundamentais para colocar o país na rota do desenvolvimento sustentável.

O editorial do GLOBO de hoje fala sobre a falência do estado tutor, justamente o que está previsto na Constituição “besteirol”, como dizia Roberto Campos. Logo na abertura, o jornal reconhece que o rebaixamento do grau de investimento pela S&P é obra petista, mas isso não o impede de se afastar um pouco da árvore podre e enxergar a floresta – também apodrecida:

O aspecto negativo da Carta deriva de uma visão ideológica de mundo por meio da qual ela foi redigida, com o Estado sendo colocado sobre a sociedade, no papel de uma espécie de tutor que concentraria o máximo das rendas da sociedade, extraídas por elevados impostos, com a finalidade de distribuí-las para mitigar a pobreza. O Estado seria o agente do “bem”.

Já naquela época se tratava de uma percepção míope da realidade. A prova veio em 1989, logo no ano seguinte ao da promulgação da Carta, quando caiu o Muro de Berlim, símbolo do modelo da centralização extrema de tudo pelo Estado, sistema testado na União Soviética, e reprovado.

A Constituição seguiu essa tendência nos gastos sociais. Caberia unicamente ao Estado eliminar a pobreza. Foi assim que, em mais ou menos uma década, entre governos tucanos e petistas, a carga tributária deu um salto de dez pontos percentuais, de 25% para 35% do PIB. Estima-se que esteja hoje na faixa de 37%, uma enormidade, se comparada com outras economias emergentes. Chega mesmo a rivalizar com a soma dos tributos de sociedades desenvolvidas —, mas estas dão em troca ao contribuintes serviços básicos de boa qualidade. Não é o caso do Brasil.


Sem dúvida não é nosso caso. Mas a insistência na crença do estado tutor, empresário e justiceiro é espantosa. O resultado é que cerca de 90% do orçamento público é dinheiro carimbado, gasto mandatário sem muita margem de manobra. A Previdência Social é o maior dreno, mas temos também os “programas sociais”, a folha de pagamento dos servidores públicos e vários outros itens não-discricionários. As trapalhadas do PT encurtaram o encontro com a dura realidade, mas ele seria inevitável mais cedo ou mais tarde, sem reformas estruturais.

Claro, o poder de estrago do lulopetismo não pode ser subestimado. Ele pegou algo que já era ruim e conseguiu piorar muito. E sua reação também é assustadora: quer mais impostos, quer taxar “grandes fortunas”, quer a volta da CPMF. Está em seu DNA lutar por mais estado sempre, e o artigo de contraponto ao editorial é prova disso. Escrito por Enio Verri, deputado federal do PT, mostra que não entenderam nada, que insistem nessa mentalidade de estado tutor, claramente falida.

Diante desse quadro, alguns economistas sérios ainda alimentam esperanças de que a própria presidente Dilma pode ter algum lampejo de bom senso e seguir na direção correta. O diagnóstico e as receitas propostas por Arminio Fraga neste domingo, que comentei aqui, seguem nessa linha, e acoluna de hoje de Paulo Guedes endossa o receituário, com alguma esperança de que Dilma possa segui-lo e tentar salvar seu nome na História. Sonhar não custa nada, e Guedes decide sonhar:

Mas imagine agora que Dilma encaminhe ao Congresso um programa emergencial de controle de gastos públicos para seus três próximos anos de governo, garantindo superávit primário crescente, de 1%, 2% e 3% do PIB, como proposto por Armínio Fraga em O GLOBO de ontem.

Imagine também que a presidente tivesse sucesso em convencer a assumir o Banco Central o próprio Armínio Fraga, o que lhe seria certamente ainda mais desagradável de fazer e difícil de conseguir do que foi nomear Levy seu ministro da Fazenda.

Dilma estaria se propondo a devolver o país à mesma rota em que o recebeu, com as finanças públicas razoavelmente em ordem, um Banco Central operacionalmente autônomo e a inflação de volta à meta dos 4,5% ao ano. A flexibilidade cambial terá feito o ajuste das contas externas.


Dilma não vai fazer nada disso, e a crise econômica vai se agravar. Não é de seu perfil ter a humildade para reconhecer os erros dessa forma e mudar totalmente a rota. É por isso que gosto de separar a análise por horizonte. Partindo da premissa realista de que o PT não vai mudar, que sua essência é o estatismo doentio e ideológico, resta somente a alternativa de se livrar dos petistas no curto prazo, para impedir uma desgraça ainda maior.

Mas, isso conquistado, que não parece pouco, claro que há o dia seguinte, como nos lembra o jornalista Carlos Alberto Di Franco em sua coluna de hoje:



Apear o PT do poder é uma meta nobre e necessária, mas concordo que é muito pouco. O estado faliu com a enorme ajuda dos petistas, mas ele iria falir inevitavelmente um dia sem reformas estruturais. O papel do PT foi amplificar e antecipar o estrago. Mas os problemas estruturais persistem. O modelo do estado tutor e empresário está esgotado.

Um artigo excelente publicado no Estadão semana passada por Marcos Mendes, que tem graduação, mestrado e doutorado em economia, mas não assina como economista, “pois não é filiado ao conselho regional de economia e não quer ser processado por isso”, toca na ferida ao relatar uma divertida fábula da improdutividade brasileira. Ele conclui, condenando o sistema e o mecanismo de incentivos:

Nenhum dos personagens acima citados tem comportamento ilegal. Eles jogam o jogo de acordo com as regras que estão postas. O erro está nas regras. Mudá-las requer superar as dificuldades das decisões coletivas. Não mudá-las implica continuar com talentos profissionais e dinheiro público mal alocados, empregos improdutivos, potenciais inexplorados, gasto público excessivo, oportunidades perdidas, incentivos errados. Uma fábula de improdutividade.

O Brasil precisa reformar suas instituições, ao mesmo tempo que precisa mudar sua mentalidade, sua cultura estatizante. O foco precisa estar no curto prazo – eliminar o PT da política para impedir um estrago ainda maior, e no longo prazo – mexer nas regras do jogo, reduzir o tamanho e o escopo do estado, fazer as reformas estruturais. Não são metas excludentes. Ao contrário: somente atacando o PT teremos chance de realizar as mudanças estruturais. Mas derrotar o PT é apenas o primeiro passo nessa longa jornada liberalizante.





PorRodrigo Constantino

sábado, 12 de setembro de 2015

O gravíssimo pecado dos omissos


Uma das páginas mais aviltantes da nossa história está sendo escrita no tempo presente com as tintas da ignorância, da incompetência, da desonestidade e da omissão.

1. O PAÍS PERDE TRINTA ANOS EM 13

Os responsáveis pela crise brasileira podem ser classificados em três grupos principais. O primeiro inclui políticos, governantes e formadores de opinião que, numa rara e fecunda combinação de ignorância, incompetência e desonestidade, jogaram o país no abismo. O segundo é formado pelos que se beneficiando do governo concederam sucessivos mandatos a quem, diligentemente, conduzia o país de volta aos anos 80. Uniram-se no palco para a grande mágica petista: o país perde trinta anos em 13! O terceiro é o dos tão descontentes quanto omissos. Refiro-me à turma que não sai do sofá. Quando a água bate nas canelas, pegam as velhas listas telefônicas e sentam em cima. Estes últimos incorrem no gravíssimo pecado de omissão. Eu ficaria feliz se os ônus do que vem por aí incidisse, direta e pessoalmente, sobre cada um desses três grupos em vez de se repartir de modo tão injusto sobre o conjunto da população.

2. OMISSOS!

É gravíssimo o pecado dos omissos no atual momento histórico brasileiro! O sujeito lê uma pesquisa e fica sabendo que quase 70% da população quer o impeachment da presidente e que ela conta com a confiança de menos de 8% da sociedade. Diante desses dados, em seu comodismo, ele se considera contado e se dá por representado. Naquela cabeça de cidadão omisso, o dado da pesquisa fala por ele. Representa-o.

3. TERCEIRIZAM O PRÓPRIO DEVER

Pouco importa se seu congressista, ou o Congresso inteiro, não o fazem. Pouco lhe interessa se o único assunto das lideranças com poder de fogo no parlamento é a formação de um "acordão" que mantenha tudo como está. Não o perturba a inconfiabilidade dos tribunais superiores. Ele terceirizou todas as suas responsabilidades cívicas. Ou o fez para as Forças Armadas, que não podem e não devem intervir fora das previsões constitucionais. Ou o fez para o juiz Sérgio Moro, como se o bravo magistrado e a sala onde trabalha não estivesse situada no andar térreo do enorme e pouco confiável edifício judiciário. A pachorra dos processos criminais contra personalidades do mundo político é simétrica à pachorra dos cidadãos omissos. E esta serve àquela.

4. MOBILIZAÇÃO OU CAOS

No entanto, o fio pelo qual pende esse trágico governo, só poderá ser rompido quando a mobilização do povo, fonte legítima de todo poder, alcançar proporções multitudinárias, se dezenas de milhões (e não centenas de milhares) forem às ruas, pacífica e ordeiramente, rugir de modo reiterado e insistente sua inconformidade para desestabilizar a quietude das instituições.

Uma das páginas mais aviltantes da nossa história está sendo escrita no tempo presente com as tintas da ignorância, da incompetência, da desonestidade e da omissão.





Por Percival Puggina