sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Era vidro e se quebrou


O problema é quando o mentiroso começa a mentir a si mesmo, e acreditar. Os psicanalistas dizem que não vale a pena continuar a terapia

Não é uma questão de ódio ou de intolerância, é de confiança. Na primeira pesquisa de opinião depois das eleições, dois terços dos brasileiros diziam que Dilma tinha mentido na campanha. É duro e raro que um governante flagrado em mentiras sérias recupere a confiança dos eleitores. Pode até ser aceito como um bom administrador, mas a confiança não se restaura, porque não há ex-mentiroso. Uma vez mentiroso, sempre mentiroso, dizem a História, a lógica e a sabedoria popular. Não há obras, manobras, loteamento de cargos e campanhas publicitárias que nos façam voltar a acreditar em quem nos enganou.

Claro, mentir, em certa medida, todo mundo mente, faz parte da condição humana, alguma hipocrisia é indispensável para uma convivência civilizada. Já pensou se todo mundo fosse sincero todo o tempo e dissesse o que lhe vem à cabeça? O problema é quando o mentiroso começa a mentir a si mesmo, e acreditar, caso em que os psicanalistas dizem que não vale a pena continuar a terapia. Dilma começou mentindo para os outros — e agora mente para si mesma. Sim, ela não rouba, mas mente muito.

E para piorar, mente muito mal, ao contrário de Lula, que usou seu grande talento histriônico para fazer da mentira uma das suas melhores armas. Durante anos muitos acreditaram nele, hoje todo mundo sabe que ele sempre soube de tudo e mentiu o tempo todo. Pode até ter feito um bom governo, mas é mentiroso.

Sim, todo politico mente: uns para o bem, outros para o mal.

Nos países anglo-saxônicos, de ética protestante, a verdade é um valor básico. Para eles, mentir é ilegal, pode levar à execração social e até a cadeia, por falso testemunho. Bill Clinton, mesmo popularíssimo, foi impichado na Câmara (e salvo pelo Senado ), não porque teve um caso com Monica Lewinsky, mas porque mentiu ao país.

No tempo da luta armada, Dilma fez a escolha errada, achando que poderia derrotar a ditadura militar pela força e instaurar a ditadura proletária, mas acabou contribuindo para atrasar o processo de abertura política que levou à redemocratização. Por puro autoengano.




Por Nelson Motta

Propor aumento de imposto num país como o Brasil é simplesmente indecente e imoral

    
   Para quem tem apenas um martelo, tudo se parece com prego

“Os governos nunca quebram. Por causa disso, eles quebram as nações.” (Kennet Arrow)
A sequência é conhecida: governantes populistas e irresponsáveis gastam mais do que podem, endividam seus estados ou o governo federal e, depois de quebrarem seus estados, alegam que a única saída é aumentar os impostos. Essa turma se recusa a cortar na carne, a reduzir gastos públicos, despesas desnecessárias ou defender reformas estruturais. A saída proposta é sempre e invariavelmente a mesma: avançar sobre o bolso do pagador de impostos.

Vejam o caso do Rio Grande do Sul. O estado quebrou após a gestão incompetente de Tarso Genro. E agora, o governador José Ivo Sartori resolve quebrar promessa de campanha e propor aumento de impostos. Faz isso como se estivesse contrariado, como se não houvesse alternativa, como se fosse a única medida possível para continuar pagando os servidores públicos.

“O remédio é amargo, muito amargo. Mas o estado está na UTI e momentos assim exigem verdade. Também sou contra medidas assim (aumento de impostos), também poderia dizer que tenho contrariedade. Fizemos de tudo para evitar, mas o estado vive situação de emergência e precisa do ingresso urgente de dinheiro no caixa para cumprir as obrigações mais essenciais em 2016. Este ano, infelizmente, ainda vamos conviver com muitas dificuldades, problemas muito sérios”, justificou o governador.

Fizeram de tudo para evitar uma ova! Alguém realmente acha que os estados brasileiros e o governo federal possuem estruturas enxutas, gastos responsáveis, postura austera? Piada! Temos governos perdulários, quadro inchado de servidores, privilégios, mamatas, muitas tetas alimentando muitas boquinhas. Mas mexer nisso esses governantes não querem, pois geraria a revolta dos grupos organizados de interesse. Melhor subir impostos e diluir o fardo entre todos os trabalhadores…

Nosso estado já arrecada quase 40% de tudo o que produzimos, mas acha pouco! O que entrega em troca? Ótimas estradas, hospitais modernos, segurança, escolas de primeira? Pausa para gargalhar. Mas vem crise, sai crise, e tudo que os governantes conseguem é defender mais impostos. Inclusive com o apoio de um Ph.D. de Chicago, para provar que quem tem apenas um martelo, só enxerga prego na frente.

O editorial da Folha de hoje falou do PIS/Cofins, mostrando como nosso sistema tributário é “canhestro” após uma “evolução” gradual governo após governo. O jornal traça um paralelo com certas características estranhas de alguns bichos, resultado de uma evolução nem sempre favorável, e diz:

Algo semelhante se deu com nossos impostos, cujas alíquotas se esticaram com o propósito de alcançar melhor o bolso do contribuinte. Destaca-se, nesse monstrengo, o pescoção do PIS/Cofins. […] Trata-se de tributo punitivo para a produção de bens, pois incide sobre o faturamento das empresas, e não sobre o lucro. Além disso, um emaranhado de regras permite compensar determinados créditos relativos a custos acumulados pelas firmas ao longo da cadeia produtiva; muitas terminam por não reclamá-los como poderiam.

Como mais uma demonstração de fome insaciável por nossos recursos, os governadores resolveram “retaliar” o governo federal, que teria fechado um pouco a torneira. E eis como decidiram reagir: querem aumento de impostos sobre herança de imóveis. Também está em estudo, embora ainda sem decisão final, propor ao Congresso a fixação de uma alíquota mínima de 18% para o ICMS que incide sobre a venda de diesel. Bela reação: quem paga o pato é, claro, o trabalhador de classe média, como sempre.

Do lado desses governantes estão todos aqueles que vivem das tetas estatais, enquanto do outro lado estamos nós, pagadores de impostos que sustentamos a farra toda. Em sua coluna de hoje na Folha, Reinaldo Azevedo fala dessa disputa, descrevendo o que está por trás do combate ao “ajuste fiscal” daquela turma vermelha que foi às ruas nesta quinta (dia útil, para provar que não trabalham mesmo):

Pois é… Embora muitas pessoas tenham dito para si mesmas e para os outros, no domingo passado, que não podem ser obrigadas a arcar com o custo da irresponsabilidade petista, a quase todos era claro que o ajuste fiscal é necessário; que ele é a correção fatal das bobagens feitas pelo petismo. Vale dizer: não batemos panela, bumbo ou boca contra o ajuste fiscal. Mas contra Lula, o boneco inflado, e contra Dilma, a Lírica da Mandioca, que não sabe cortar gastos nevm fazer… ajuste fiscal!

Quem grita contra o que faz sentido no governo é Guilherme Boulos, o coxinha predileto das tias –”Que menino opinioso!!!”. Quem faz isso é João Pedro Stedile, o sem-terra a quem a enxada provocaria um choque anafilático. Mobilizar-se contra a correção necessária dos desmandos do Estado hipertrofiado é coisa de mamadores oficiais; de gente que depende dele para alimentar as suas taras de classe, ainda que tomadas de empréstimo, como no caso dessa dupla.

Ou por outra: quem quer Dilma fora da cadeira presidencial defende a única coisa que pode fazer algum sentido em Dilma. Os que a querem onde está a consideram uma vira-casaca, mas ela ainda é a melhor garantia do Estado-babá, que vai mantê-los alimentados com o leite de pata estatal. E aí está a esquizofrenia.

[…]

Nós, os antiesquerdistas, vencemos. Não queremos nada pra nós. Nem sinecura nem caraminguás. Só lutamos pelo triunfo da matemática. Os outros apenas imploram para viver, vencidos pela evolução da espécie.


Boulos, Stedile e companhia só querem tetas estatais, pois têm verdadeira ojeriza ao trabalho. Mas não seria tão otimista quanto Reinaldo Azevedo a ponto de decretar que tais espécies foram vendidas pela evolução. Como vimos acima, a “evolução” tem seus truques, e certas características bizarras podem se desenvolver como instrumento de sobrevivência e até prosperidade.

Num país como o Brasil, esses bichos estranhos, que nunca trabalham e só falam em nome do povo, dos pobres e dos trabalhadores enquanto mamam nas tetas estatais, não só sobreviveram como desfrutam de verbas cada vez mais polpudas. São elas que estão ameaçadas agora, com a crise causada pelo excesso de irresponsabilidade da esquerda no poder.

Mas quem está disposto a afirmar que a saída será menos privilégios para os bichos estranhos, para as cigarras “raivosas”, e não mais carga tributária para as formigas trabalhadoras? Tudo indica que o “ajuste fiscal” que tem predominado não tem nada de ajuste real, que cortaria na carne tantos gastos inúteis dos governos, e sim, uma vez mais, aumento de impostos. Chega a ser indecente e imoral falar em mais impostos num país como o nosso.

Mas ei, indecência e imoralidade é com essa turma mesmo, pois essas são suas armas de sobrevivência nessa “evolução” da espécie. Até o dia, claro, que teremos tantos parasitas para tão poucos hospedeiros que o organismo como um todo acusará o golpe fatal, levando junto os próprios parasitas…





Por Rodrigo Constantino

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A narrativa absurda da esquerda que se recusa a aprender com os próprios erros


Se esquerdista aprendesse com a experiência, a esquerda acabava. Afinal, é uma tentativa depois da outra, todas inexoravelmente fracassadas. Mas os utópicos igualitários nunca podem desistir. Como um viciado em crack, eles simplesmente não enxergam possibilidade de vida sem seu ópio. Para eles, abrir mão da utopia é deixar de viver. Para preservar a fantasia, então, ignoram os fatos e se recusam a aprender com os próprios erros.

Já disse e repito: o grande esforço dos liberais deve ser, agora, deixar bem clara a mensagem de que o inferno que estamos enfrentando tem 100% de origem nos equívocos esquerdistas, no nacional-desenvolvimentismo que criou a “nova matriz macroeconômica”, no intervencionismo estatal, na seleção de “campeões nacionais” etc.

Mas os esquerdistas não vão desistir facilmente. Já preparam, agora que o PT afunda de vez, a narrativa que dissocia o lulopetismo da “verdadeira” esquerda. Gente que até ontem estava empolgada com o governo petista, agora se finge surpresa e traída, pois, afinal, o problema do PT é não ter sido esquerda o suficiente. Isso é pura balela!

Só que os socialistas vão insistir nessa tecla, com certeza. Em artigo publicado hoje na Folha, Roberto Amaral, ex-presidente do Partido Socialista Brasileiro, tentou caminhar nessa direção, mas ainda defendendo as “conquistas” do PT no governo:

Partidos do campo da esquerda e até os da base do governo fogem de seu dever político de defesa da presidente Dilma e de seu mandato, enquanto o PSDB, e seu derrotado candidato, pregam, irresponsavelmente, a ruptura constitucional ao apelarem para a esdrúxula convocação de novas eleições. A pregação desse golpismo não contribui para a saída da crise, apenas a aprofunda.

Esse quadro expõe a mediocridade de nossas lideranças políticas, pequeninas, presas no entorno de seus projetos pessoais, mesquinhos, sem qualquer visão de Brasil, sem qualquer consciência de destino, carentes de perspectiva histórica. Alimentam um impasse ao cabo do qual não haverá vencedores.

Sairemos vencidos, mortos nossos sonhos, distantes nossas utopias como a linha do horizonte. A mediocridade faz sua festa.


Ele quer evitar a todo custo a “morte da utopia”, pois ela daria lugar a uma mediocridade reinante. Como se mediocridade não fosse um elogio para a incompetência petista! Como se essa “utopia” já não tivesse nos custado caro demais! É uma insistência espantosa no erro, só para não admitir que sonhou o sonho errado, um pesadelo para os brasileiros.

Mas se Amaral ainda tenta preservar Dilma e o PT, Marcelo Freixo, do PSOL, já ensaia um afastamento maior do governo, para preservar o esquerdismo radical. Em sua coluna de hoje no mesmo jornal, ele parece acreditar que os problemas causados pelo governo petista são fruto do afastamento do ideal igualitário, e não de sua visão intervencionista típica da esquerda:

Por isso, apesar dos acordos eleitorais, o futuro da gestão não estava determinado, mas em disputa. Foi ao longo do mandato que Lula trocou a possibilidade de transformação pela acomodação aos vícios da política tradicional.

Reconheço conquistas como o fortalecimento dos órgãos de investigação, a valorização do salário mínimo, o aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores e a redução da miséria. Entretanto, o PT não avançou nas reformas de base no sistema político, na educação, na saúde, na ampliação da participação social e nas questões agrária e indígena.


Como alguém pode ter a cara de pau de insinuar que estamos vivendo nessa crise porque o governo do PT não intensificou a reforma agrária, ou não deu mais privilégios aos movimentos indígenas, ou não adotou uma democracia mais “direta”, como a venezuelana? É muita inversão de fatos! Mas é o ato desesperado de quem precisa resguardar sua utopia, blindá-la contra a realidade, contra mais essa experiência totalmente fracassada da esquerda radical no poder.

Não tentem se afastar do lulopetismo agora, esquerdistas! Essa desgraça toda infligida ao povo brasileiro é responsabilidade do esquerdismo que defendem, que ainda defendem apesar de tudo. O PT não se afastou de suas bandeiras; ele as colocou em prática, sob protestos e alertas dos liberais, e aplausos e regozijo dos socialistas. E agora a casa caiu.

Não venham afirmar que o monstro é órfão, muito menos filho da suposta “guinada à direita” do PT. É filho da esquerda mesmo. Um filho que sempre acaba renegado, abandonado, quando mostra sua verdadeira cara. Mas quem pariu Mateus que o embale…





Por Rodrigo Constantino

Um mito que se esvai


A evidência do processo de desconstrução de um mito foi uma marca importante deixada pelos protestos de rua do dia 16: Lula nunca mais! O repúdio a Dilma e ao PT eram as outras palavras de ordem dominantes no evento, óbvias por mirarem as personagens que se destacam na cena política: a protagonista e seu coro. Mas, por detrás de Dilma e do PT, emergiu fortemente na percepção dos cidadãos a figura do arquiteto da grande mistificação populista que encantou a maioria dos brasileiros enquanto pôde se manter sobre seus pés de barro.

O sucesso popular de Luiz Inácio Lula da Silva foi o resultado da conjugação de virtudes pessoais, como a excepcional habilidade para aliar meios a fins – a essência da política –, com circunstâncias históricas, como a globalização da economia e das comunicações que fizeram amadurecer, na virada do século, momento propício a um forte influxo humanista na economia de mercado que vinha de impor sua hegemonia no planeta.

No auge de seu prestígio popular, quando comemorava, em 2010, com a eleição de Dilma, sua terceira vitória consecutiva em eleições presidenciais, Lula claramente se sentia detentor de um poder quase absoluto. Acabara de dar um passo decisivo para o projeto de perpetuar a hegemonia política de seu PT.

Esqueceu-se da célebre advertência de Lord Acton: o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. E não permitiu que restassem dúvidas quanto a quem era o verdadeiro dono desse poder quando, ainda antes da metade do primeiro mandato de Dilma, a convenceu a praticamente renegar a “faxina ética” que realizara em seu Ministério ainda em 2011.

É bem verdade que com o tempo, e principalmente a partir da posse no segundo mandato, Dilma afastou-se gradativamente da influência política direta de Lula. Mas faltou-lhe competência política para salvar a si, ao PT e ao Brasil do desastre político, econômico, social e moral cujas raízes estavam solidamente plantadas desde os primeiros meses do primeiro governo de seu criador e frustrado preceptor.

A avassaladora evolução das investigações da Operação Lava Jato começa a revelar os primeiros indícios de que Lula pode estar envolvido em episódios que já levaram à prisão donos das grandes empreiteiras de obras com os quais desenvolveu estreito relacionamento pessoal, tanto como presidente da República quanto, depois, como consultor, conferencista e lobista internacional.

Mas não é a Lava Jato – ou apenas ela – que aproxima Lula de Lord Acton. Por apego ao poder, o chefão do PT corrompeu, principalmente, um projeto político em que, durante muito tempo, uma maioria de brasileiros de boa-fé, completamente iludida, acreditou firmemente: a redução das desigualdades com o pleno acesso da população marginalizada da vida econômica aos bens sociais essenciais, como educação, saúde, saneamento, transporte, segurança.

O fastígio econômico dos seis primeiros anos de governo de Lula, apoiado nos princípios sólidos de estabilidade econômica herdados de governos anteriores e numa conjuntura internacional extremamente favorável, permitiu avanços sociais importantes no desfrute de uma política social focada no crédito fácil e na gastança voltada para bens de consumo. A ambição de transformar esses avanços em vantagens eleitorais a curto prazo e não em efetivas conquistas no prazo longo, aliada à miopia de viés ideológico, levou à implantação de uma “nova matriz econômica” intervencionista, estatista. Enfim, a corrupção de uma política que se anunciava voltada para os benefícios sociais resultou nas mazelas que hoje todo o País sofre.

Lula, portanto, corrompeu com sua ambição de poder um projeto político que fez as pessoas acreditarem ser socialmente desejável e exequível. E acabou por inviabilizá-lo – aí com a forte ajuda de Dilma – ao vinculá-lo à “ideologia do bem” segundo a qual não existe verdade fora do Estado. Razões suficientes para que o País queira vê-lo pelas costas.





Editorial do Estadão - 18/08/2015

Cuidado! Seja honesto!


Para o brasileiro decente, que vive do suor (bíblico) de seu rosto e paga seus impostos, acordar a cada quinta ou sexta-feira com mais uma fase da Operação Lava Jato se tornou uma pequena grande recompensa, uma espécie de homenagem tardia que o Estado rende à honestidade.
As cenas dos agentes da PF efetuando as prisões e as entrevistas dos procuradores-ninjas explicando as investigações são um bálsamo para os cidadãos que se consideram os otários da República, dada a histórica impunidade usufruída por quem rouba para esconder fortunas na Suíça ou construir piscinas folheadas a ouro.

Para quem se sentia pequeno e indefeso contra a corrupção histórica, é reconfortante saber que os efeitos da Lava Jato — o medo que ela impõe aos que andam fora dos caminhos que mamãe recomendou — deixam sem dormir os empresários e os políticos que costumam conspirar contra a coisa pública. Alguns deles, inclusive, já refletem sobre o assunto por trás das grades e de prisões preventivas.


Os tempos estão mudando.

Se você é um reles funcionário do Detran cobrando um ‘por fora’ numa vistoria no Rio de Janeiro…

Se você ajuda alguém a fraudar o INSS sonhando em dirigir uma Range Rover…

Se você é um fiscal da Receita estadual que reduz uma multa aplicável por lei em troca de uma mochila cheia de papel pintado…

Se você é um deputado que cobra de grandes empresas para enfiar artigos em projetos de lei (ou retirá-los de lá)…

Se você é um banqueiro que fecha os olhos para as regras ‘know your client’ e aceita que o dinheiro sujo contamine a sua legítima operação bancária….


Cuidado. Muito cuidado.

Sua hora deve estar chegando.

Ontem, muitos brasileiros foram às ruas pedir a saída da Presidente da República mais impopular da história. A sociedade ainda debate se há base para um pedido de impeachment, se há materialidade suficiente nos fatos — seja na questão das pedaladas fiscais, seja na contaminação das contas de campanha.

Mas os brasileiros que foram à rua não se sentiam sozinhos. O Ministério Público Federal e um juiz obstinado estão apontando um novo caminho. Um caminho de tolerância zero.

Mais do que uma operação isolada ou um ponto fora da curva, a Lava Jato é um estado de espírito. É o espírito do tempo.

Cuidado.






Por Geraldo Samor

Fim de Era


A mudança qualitativa dos protestos ocorridos em todo o país no domingo não se mede em números, mas em símbolos. O boneco inflável do ex-presidente Lula como presidiário que surgiu em Brasília e hoje está em todos os lugares do mundo graças à criatividade liberada pela internet, marca o fim de uma era, quebra um mito, faz a ligação direta entre a corrupção e o chefe do grupo, responsável, na visão popular, pelos esquemas corruptos, e por ter colocado Dilma no Palácio do Planalto.

Dez anos depois do mensalão, quando seu nome era impronunciável, Lula aparece aos olhos da multidão como aquele que tem o domínio do fato. Pela terceira vez em oito meses, multidões vão às ruas em todo o país para rejeitar o governo Dilma, o que não deveria ser banalizado pelo governo se ele estivesse atuando dentro da realidade.

Como Collor na ocasião de seu impeachment, a presidente Dilma parece estar em outra realidade. Aos olhos de Ulysses Guimarães falando sobre Collor, a reprovação das ruas vale mais que uma eleição, pois desse plebiscito saiu o repúdio da praça pública àquele que, embora eleito, perdeu a legitimidade.

A tese de Ulysses foi lembrada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que pediu um gesto de grandeza como a renúncia à presidente Dilma, ou ao menos um ato de contrição. Pois Ulysses também falou da renúncia no caso do Collor, em uma entrevista ao Jô Soares que o Jorge Bastos Moreno resgatou em seu blog, lembrando os casos de Getulio e Jânio Quadros.

Ulysses chegou a afirmar que a dimensão da praça pública “é maior do que na urna”. Collor morrera civicamente, decretou Ulysses, “morreu no respeito da nação e não acredita que morreu. É um fantasma”. Não é mais presidente, pontificou.

Pois os petistas que hoje falam em golpe contra Dilma e alegam que 800 mil pessoas na rua não revogam 54 milhões de votos, naquela ocasião em que estavam na campanha para derrubar o então presidente Collor, não consideravam absurda a tese de Ulysses. E o próprio Lula, em declarações gravadas que circulam na internet para reavivar a memória dos mais esquecidos, disse que a maior lição dada pelo impeachment de Collor era que o povo enfim aprendera que os mesmos cidadãos que elegeram um presidente podem tirá-lo do poder.

O frágil apoio que o senador Renan Calheiros está dando à presidente Dilma, portanto, não deveria ser suficiente para que o governo petista se sentisse seguro, pois, como bem salientou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no comentário que postou no Facebook, os conchavos políticos não garantem a legitimidade do governo.

Muito mais por que Renan, assim como Cunha, representa o que há de mais nocivo no fazer política do PMDB, a possibilidade sempre presente de uma traição. Enquanto interesses comuns os unem, Dilma e Renan caminharão juntos, mas, como gostam de dizer os peemedebistas, só até a beira do túmulo, pois ninguém cai na sepultura abraçado ao morto.

Depois das manifestações que chegaram até à porta da família Calheiros em Maceió, o presidente do Congresso deve estar menos à vontade na posição de garantidor do governo do que antes. Mas se os acordos de bastidores estão dando gás à presidente, as ruas continuam enviando suas mensagens.

Bastará um gesto desabusado por parte de Renan, como sentar em cima da análise das contas da presidente Dilma caso o Tribunal de Contas da União (TCU) eventualmente as rejeite - o que agora ficou mais provável, pois a responsabilidade final está nas mãos do presidente do Congresso - para que a indignação latente volte a se manifestar pelo país.



Por Merval Pereira

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dilma recebe ultimato: renuncia ou será saída!


As ruas deram o recado: Mudança, já! O desgoverno fingiu que não é com ele. Lula ficou pt da vida porque o boneco presidiário 13-171 virou meme e ganhou fama mundial, acabando com a dele. Os radicalóides agendam, para o dia 20, atos em defesa do indefensável. Dilma recebe ultimatos. FHC mandou ela renunciar. Tucanos já se articulam com Michel Temer para o impeachment que, se acontecer, nada vai mudar em termos estruturais. Pior, deixará a coisa do mesmo jeito, ou pior ainda.

O cenário brasileiro nunca esteve tão instável, política, econômica e moralmente. O impasse institucional caminha, velozmente, para uma ruptura. O desgoverno, seus aliados e a "oposição" de mentirinha já constataram que o pirão desandou, e tenta uma negociação na base do velho conchavo de bastidor. A banda revolucionária de esquerda teve a mesma percepção, mas prefere a solução na base da radicalização do discurso e da porrada explícita, para tentar implantar, de vez, o bolivarianismo do Foro de São Paulo. Não vai dar certo. O povo já avisou que repudia...

Dilma começa a enxergar uma saída doida. Enquanto é tempo, seria bom romper com o PT (que nunca foi o partido dela, uma brizolista histórica) e manda a base aliada para o inferno. O problema é que não tem coragem nem competência para tanto. O previsível é que Dilma não deve cair sem reagir. Não combina com a personalidade dela. A não ser que surja (ou seja providencialmente inventado) algum problema de saúde. Neste caso, o Sírio e Libanês faria o serviço, direitinho, para o Michel Temer Lulia (que é da banda dos "brimos").

A solução temer, no entanto, é temerária. Não é consenso nem na base aliada. Também encontraria a mesma resistência popular. Curiosamente, apesar dessa rejeição, a ideia do vice assumir vem sendo encarada, seriamente, pelos banqueiros que lideram o segmento empresarial que joga sempre a favor do regime da Nova República. Também divididos, os tucanos oportunistas também acham que trocar Dilma por Temer seria uma boa para eles. José Serra já sonha até com o Ministério da Fazenda - lugar que o Levy adoraria largar para retornar, quando a quarentena permitir, ao seu lugar guardadinho na divina Cidade de Deus (do Dinheiro, claro, onde fica a sede do Bradesco).

Dilma está mais que insustentável. Só um milagre (que ninguém sabe qual) segura seu mandato. Lula vive sua pior crise existencial. A condenação da banda de Cerveró, na Lava Jato, foi interpretada como um recado final para ele. A operação policial-judicial vai se aproximar de seus aliados. Antonio Pallocci está de prontidão. José Dirceu continua pt da vida, amargando a cadeia. Enquanto isso, todos ficam reféns políticos de Renan Calheiros e Eduardo Cunha - que teatralizam, muito bem, uma suposta divergência que não existe entre eles.

A economia segue instável e com sinais de piora de crise no curto e médio prazos. Governos são derrubados sempre que o bolso e a subsistência do povo são afetados. Este é o grande medo da petelândia - que aposta na radicalização de quinta-feira que vem como um começo de reação a favor da Dilma. No quadro conjuntural presente, é quase certo que o feitiço vire contra os feiticeiros, ferindo, mortalmente, a bruxa e o verdadeiro chefão de todos.

O PTitanic afunda ao som de um funk composto pelo companheiro Cramulhão... se Dilma ficar, uma coisa é certa: Lula será o grande rifado... Te cuida, $talinácio...






Por Jorge Serrão