segunda-feira, 6 de julho de 2015

A grande frustração


Com a presidente Dilma em queda livre, a pergunta que se faz é sobre quem desaparecerá primeiro, se ela ou o Brasil. Madame, muito provavelmente. A menos que mude o ministério inteiro e encontre um novo modelo para o país e para o seu governo, em tudo e por tudo diverso do atual. Melhor dizendo, deve preencher o vazio em que se transformou seu segundo mandato. Porque nem o assistencialismo esgotado de hoje servirá para sustentar as instituições em frangalhos. Para cada lado que se volte há reclamações, protestos, carência e indignação. Até as elites estrilam, mesmo blindadas por seus privilégios e benesses.

Pode um trabalhador viver com a miséria do salário mínimo? Ou com migalhas um pouco superiores? São mais de 50 milhões de brasileiros nessa situação, metade da força de trabalho ativa no país, mais crianças, velhos, doentes e desempregados, estes aos milhões, apesar da propaganda enganosa. Não haverá solução se ficar no bolsa-família e penduricalhos.

Junte-se a maior carga de impostos do planeta, agora em alta, mais os combustíveis, a eletricidade, a água, os transportes e acima de tudo os gêneros de primeira necessidade, e se terá a receita do esgotamento do sistema que insistem nos impor. Sem falar na vergonha dos serviços de educação e saúde. É a falência do poder público demonstrada pela multiplicação da violência e do crime organizado.

Esse quadro está na raiz dos panelaços e das manifestações cada vez menos pacíficas de indignação popular. Não se trata de centralizar todas as críticas na presidente Dilma, ainda nela repousem as responsabilidades maiores. O mal é do modelo, esgotado quando se desfizeram as últimas esperanças de mudança. Porque até a chegada do PT ao poder, com o Lula, convivia-se com a adversidade por razões históricas e por falta de opção. Elevados os companheiros ao comando nacional, verificou-se a metamorfose do otimismo. Imaginou-se a lenta mas firme construção de uma sociedade diferente, pois aprimorada. Só que aconteceu o contrário: o entusiasmo cedeu lugar à frustração. Mais do que igual, ficou pior. Os governos do primeiro-companheiro foram gradativamente desfazendo as expectativas e despertando sentimentos que a população não possuía ou nem percebia por completo. Com a sucessora e o descalabro do ingresso dos companheiros na busca de cargos e empregos, como denunciou o próprio Lula, somada à escalada da corrupção pública e privada, rompeu-se o dique.

Seria importante, vale repetir, a busca de um novo modelo, mais do que de governar, de sobreviver política, econômica e socialmente. Quebrar as estruturas desse capitalismo selvagem que nos assola, substituindo-as senão pela utopia, ao menos pela extensão dos benefícios da civilização à maioria de marginalizados, humilhados e ofendidos. Por que não multiplicar por quatro o salário mínimo? Proibir altos salários e distribuição de participações especiais para diretores e donos de empresas públicas e privadas? Que tal vetar demissões imotivadas, restabelecendo a estabilidade no emprego? Ou taxar as grandes fortunas e as heranças polpudas? E sobre limitar a remessa de lucros para o exterior, obrigando a reinvestimentos aqui mesmo? Confiscar bens de corruptos, impedir especulações financeiras sem outro objetivo que enriquecer especuladores? Dividir terras inaproveitadas?

Importam menos os rótulos ou as lembranças de experiências passadas e malogradas. Do jeito que está não dá, é o ponto de partida para evitar a desagregação, passo seguinte da frustração.







Por Carlos Chagas

domingo, 5 de julho de 2015

Bancos, Banqueiros e Juros


A origem dos Bancos admite-se terem sido criados na Suméria ou no Egito.

O banqueiro, no princípio era o “camelot” que vivia na rua e cuja mercadoria era o dinheiro. Sentava-se num banco e tinha diante de si uma mesa onde expunha as moedas. O seu negócio consistia na troca da moeda e daí a origem de também ser chamado de cambista. Também emprestava dinheiro mediante um juro, ou usura, por esta razão era considerado um agiota.

O dinheiro representa um valor e é por este meio que se processam as operações comerciais até ao dia de hoje.

Não pretendo aqui discorrer historicamente a origem da moeda e da cédula. Sabemos, entretanto, que se convencionou ser o ouro o padrão da moeda.

Com o dinheiro facilitaram-se as trocas comerciais. Quando os portugueses empreenderam as navegações em busca de novos mundos contactaram povos que desconheciam o valor do dinheiro e por esta razão trocavam bens. Permutava-se sal por uma vaca ou um objeto de cerâmica por ouro. Cada um dos intervenientes atribuía o valor às coisas que desejava ter. Nos dias de hoje sorrimos quando por um saco de sal se recebia em troca um boi. O enriquecimento era desmedido porque o desejo de possuir uma novidade ia além do que se poderia achar de justo. No Japão, por exemplo, desconheciam a espingarda e muito se maravilharam quando viram o que podia fazer uma arma, como era o caso de poder caçar. Passados poucos anos os japoneses já tinham produzido muitas armas . Digo isto para que o Leitor reflita comigo a importância de negociar. Isto designamos por comércio.

Nos dias de hoje a sociedade globalizou-se e quase tudo gira em volta do dinheiro. A abertura das bolsas de Nova Iorque, de Tóquio, de Londres e em Hong Kong, entre outras tornou-se uma solenidade porque é lá que se decidem negócios que fazem enriquecer ou
empobrecer.

O dinheiro também tomou conta dos corações dos homens porque a desmedida ambição é a raiz de todo o mal, segundo as Escrituras.

A Bíblia faz referência ao uso do dinheiro, como segue:

“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre, que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhes imporeis usura”Ex 22:25

Em muitas outras passagens das Escrituras o povo foi instruído a não cobrar juros dos irmãos necessitados. Porém dos gentios era permitido fazê-lo, Dt 23:20.

Dir-se-ia que Deus procede como socialista e como capitalista.

No tempo presente como no passado cada um precisa de possuir bens, que chamamos de capital, para poder viver. Quando uma pessoa não tem capital precisa de ir ao Banco e negociar mediante um juro e assim poder adquirir os bens que precisa. Muitos se têm envolvido em muitas aflições por desejarem possuir mais do que podem e caíram nas mãos dos agiotas.

Até nas igrejas muitos se deixaram contaminar pelo amor ao dinheiro. Talvez este seja um dos maiores pecados dos homens de Deus no tempo presente.





Por Amilcar Rodrigues
Foi ordenado pastor em 1978 na "Apostolic Faith Mission" na República da África do Sul, onde fez estudos teológicos. Como missionário em Portugal, fundou três igrejas e foi Presidente Nacional da Comissão de Programas da Aliança Evangélica Portuguesa, para a televisão, RTP2. Foi formado produtor de televisão "Broadcast" pela "Geoffrey Connway Broadcast Academy" Toronto, Canadá, é filiado do "Crossroads Christian Comunication". Em 1998 veio para o Brasil convidado pelo Ministério Fé Para Todos, Rio de Janeiro. No ano 2000 fundou em Cabo Frio uma congregação do mesmo Ministério e foi nomeado Vice-Presidente do Conselho de Pastores até ao ano de 2004. Em 2006 ficou cego. Escreveu o livro "Deus da Aliança" , Evangelho dos Sinais aos Hebreus" e "Contos do Apocalipse".

O Brasil e o Estado Laico; uma entrevista


Confira, a seguir, nossa recente entrevista concedida ao jornalista Fernando Turri, da revista Plural (ESPM-SP). Parte da entrevista foi inserida na matéria A Utopia do Estado Laico no Brasil (pp. 48-50).


Revista Plural. O Estado deve ser laico? Por quê?

Johnny Bernardo. Sim, é algo imperativo. A laicidade pressupõe neutralidade em questões religiosas. A passagem do Brasil Monarquia para Brasil República é um marco histórico e jurídico que implica na laicização do Estado brasileiro. Neste sentido, os primeiros 389 anos da história do Brasil foram marcados por uma constante confusão entre o Estado e a Religião. Controlada pelo governo, a Igreja Católica se sobrepunha as demais religiões presentes clandestinamente no Brasil, impedindo a democratização do acesso a outras confissões. Dessa forma, a ausência de um Estado laico era um impeditivo ao surgimento ou estabelecimento de novas religiões no Brasil. Portanto, a laicidade é importante porque estabelece uma separação entre o Estado e a Religião, como também universaliza o direito a livre expressão religiosa. Outro fato importante é que a diversidade religiosa brasileira exige uma posição neutra do Estado, de modo a não privilegiar nenhuma religião ou movimento confessional. Os Estados teocráticos – a exemplo do que observamos em parte do mundo islâmico – são exemplos da ingerência ou da relação indevida entre Estado e Religião.

Quais são os riscos que advém da união entre o Estado e instituições religiosas?

Há inúmeros riscos, a exemplo do que observamos nos Estados teocráticos. A confusão entre o Estado e a Religião – no caso, nos países islâmicos – é tipificada pelas inúmeras proibições e cerceamentos impostos aos cidadãos, e, em especial, ao gênero feminino. Na Arábia Saudita a mulher não pode dirigir, não pode sair de casa sem ter vestido uma burca ou uma Niqab – vestimenta que cobre o corpo inteiro -, como também é proibida de circular ou permanecer em locais em que estejam presentes homens. Há uma verdadeira segregação social na Arábia Saudita. O gênero masculino também é alvo de cerceamentos, de imposições do Estado. Um caso recente é o do criador do site “Free Saudi Liberals”, Raif Badawi, que foi condenado a uma sentença de dez anos de cadeia e mil chibatadas. Segundo a corte que determinou a reclusão e o castigo, Badawi vinha constantemente “desrespeitando o islamismo” ao publicar artigos que criticam o conservadorismo saudita. No Irã, temos o exemplo da jovem Malala, e, mais recentemente, o caso de outra jovem que foi detida por ter assistido a uma partida de vôlei e que teve repercussão.

O Brasil é um Estado Laico, de acordo com o artigo 19 da nossa constituição. Você acredita que na prática o Estado se mantém isento da influência da religião?

De forma alguma. O Brasil, assim como os Estados Unidos, ainda é pautado pela religião, pela influência de líderes religiosos. Ainda não conhecemos – apesar do estabelecido no artigo 19 de nossa constituição – o que é ser um Estado laico em sua plenitude. A Igreja Católica ainda mantém parte de sua influência no governo federal, caracterizada pela segunda concordata entre o Brasil e o Vaticano, assinada à época do governo progressista do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, que, por meio do Decreto nº 7107, concedeu isenção tributária a organizações católicas, reconheceu a importância da contribuição católica no ensino e estabeleceu o estatuto jurídico da Igreja Católica. Passados quase 125 anos da promulgação da constituição de 1891, a Igreja Católica mantém sua presença na estrutura do Estado, em algumas repartições públicas, como cemitérios, hospitais, cartórios, câmaras, assembleias legislativas e fóruns. Em cemitérios, padres realizam missas, atendem familiares durante velórios, acompanham autoridades. Capelas no alto de cemitérios também marcam a presença da Igreja, de sua influência na estrutura local. Hospitais públicos reservam espaços exclusivos para fieis católicos, com imagens de santos e altar. Não há laicidade.

Países como a Arábia Saudita, Afeganistão e o Vaticano adotam regimes teocráticos. Você acredita que essa ligação declarada da religião na política, prejudica suas decisões governamentais?

Como comentamos brevemente acima, os regimes teocráticos – a exemplo dos países islâmicos – são representativos no sentido de que podemos compreender os males da associação entre um Estado e uma Religião. Quando um Estado passa a exigir que seus cidadãos se comportem de acordo com a religião dominante ou estatal, fere princípios democráticos, de direitos humanos reconhecidos internacionalmente. Direitos como o de ir e vir, de livre expressão intelectual, cultural e religiosa é severamente prejudicado em países de regime teocrático. Ao mesmo tempo, temos de reconhecer que há uma grande dificuldade – falo com referência aos países e governos orientais – de separação ou entendimento das distinções entre o Estado e a Religião. A religião é parte da história, da vivência cultural e tradicional desses povos; no entanto, é inadmíssivel que direitos fundamentais do homem sejam colocados de lado em detrimento da tradição religiosa. A Índia é um exemplo dos males da divisão da sociedade em castas, da segregação social dos indianos. Com relação ao Vaticano, a atuação do Papa Francisco tem sido positiva no sentido de que tem contribuído com o diálogo inter-religioso. Francisco possui uma visão social diferente de seu antecessor Bento XVI, mas também é fruto das discussões estabelecidas pelo Concílio Vaticano II.

No Brasil, dos 12 feriados nacionais, 6 são religiosos ligados ao catolicismo. Deveria haver feriados religiosos?

Diante da atual conjuntura e diversidade religiosa brasileira é impossível falarmos em “feriados religiosos”. Não somente no Brasil como também em Portugal tramitam projetos de eliminação dos feriados confessionais. A influência de políticos conservadores, com relação denominacional dificulta a agilidade das discussões. Há interesses eleitorais, de manutenção de suas bases, o que acaba perpetuando um erro que deveria ter sido discutido pela Constituinte de 1988. Os defensores da permanência dos feriados religiosos recorrem ao critério da representatividade, ao índice que mostra que o catolicismo romano é predominante. Seria possível usar tal critério em países como Polônia, onde mais de 90% da população é católica; no entanto, é impossível aplicar semelhante critério em países seculares como Bélgica e Estônia. O grande número de feriados – que inclusive coloca o Brasil na sétima colocação no ranking mundial – é, também, um entrave ao desenvolvimento produtivo e econômico. Só para critério de comparação, os EUA – país que possui o maior número de protestantes do mundo, com quase 163 milhões de fieis – o único feriado que pode ser associado a uma fígura evangélica é o Martin Luther King Day, celebrado na terceira semana de janeiro. Há outros feriados, como o Dia de São Valentim (14/2), mas quase não há feriados nos EUA, razão pela a qual aparecem no topo da cadeia de países desenvolvidos.





Por Johnny Bernardo
Jornalista, pesquisador da religiosidade brasileira e das relações entre religião e sociedade, autor de dois livros (dentre os quais a Enciclopédia Temática de Religião), colunista do Gnotícias e do Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC), e está em fase de conclusão do licenciamento em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

sábado, 4 de julho de 2015

Brahma, o número um


Se existe algo de positivo no escândalo da Petrobras é a certeza de que a era da impunidade acabou e de que não há ninguém à margem da lei. Quem poderia imaginar, até poucos anos atrás, que empresários poderosos apanhados com a boca na botija acabariam atrás das grades?

Esses novos tempos acenam com a esperança de um país mais justo e refletem uma democracia mais madura, com instituições mais fortes e autônomas. Mas estremecem quem sempre se abrigou à sombra do poder ou do dinheiro para desviar, sem o menor pudor, quantias escandalosas de recursos públicos.

Não é por menos que o clima, na cúpula do PT, é de pânico. Depois do julgamento do mensalão, os desdobramentos da Operação Lava Jato deixaram claro que políticos corruptos já não podem contar com a cumplicidade da Polícia Federal, do Ministério Público ou do Judiciário. Corruptos e corruptores têm, sim, que pagar pelos seus atos. Doa a quem doer.

E já está doendo, um bocado, no principal responsável pelo maior desastre econômico, moral e político atravessado pelo Brasil na atualidade: o ex-presidente Lula, o verdadeiro “número 1” do esquema, o “Brahma”, aquele que “inventou” a presidente Dilma, que sempre mandou e desmandou desde que o PT chegou ao poder.

Se hoje, infelizmente, vivemos numa República que tem ladrões, malfeitores e corruptos de toda ordem no comando, isso se deve, principalmente, ao ex-presidente Lula. Foi ele que trouxe os corruptos para o centro do poder e criou as condições para que o Estado brasileiro fosse saqueado incansavelmente pelos “companheiros”.

Mas a farra patrocinada por Lula e sua turma começa a cobrar seu preço. O ex-presidente é hoje um homem ameaçado, que dorme com medo de ser acordado pela Polícia Federal na porta de casa. Um homem que tem medo de ser preso e tem pânico do juiz Sérgio Moro.

É bom que ele tenha medo. Os empreiteiros envolvidos na Lava Jato ainda têm muito a dizer sobre os anos do PT no governo, cujas engrenagens conhecem como ninguém. Com a delação premiada do chefe do “clube das empreiteiras”, Ricardo Pessoa, dono da UTC, o petrolão subiu definitivamente a rampa do Palácio do Planalto. Ele afirma que as campanhas de Dilma e de Lula receberam milhões desviados da Petrobras.

O todo poderoso Marcelo Odebrecht, por sua vez, teria mandado um recado ameaçador para Lula e para a presidente Dilma: ou os dois atuam para melar a Lava jato e livrá-lo da cadeia ou a República cairá. O pai do empreiteiro também teria deixado claro que, se o filho ficar preso, outras duas celas – uma para Dilma e outra para Lula – deverão ser construídas.

É óbvio que, aconteça o que acontecer, a República permanecerá. Ela é maior que qualquer presidente ou ex-presidente. O que cairá, na verdade, é o projeto hegemônico de poder de Lula e do PT, que foi construído sobre a lama e que começa, finalmente, a afundar.

Independente da cooperação dos empreiteiros, o trabalho diligente da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça por certo rastreará as digitais de Lula no escândalo e conseguirá as provas para punir o verdadeiro responsável pela rapinagem institucionalizada que tomou conta do governo federal.

Se há quem ainda duvide da condenação judicial, ninguém contesta outra punição talvez ainda mais importante: a condenação política.

A população já entendeu que foi no governo Lula que os cofres públicos começaram a ser saqueados de forma sistemática, no intuito de perpetuar o PT no poder. Foi o ex-presidente quem impulsionou essa política desastrosa de se gastar mais do que se tem e depois empurrar a conta para os trabalhadores.

Você não escapará do juiz Sérgio Moro, Lula. Seu destino, como o de outros petistas graúdos, será a Papuda. Se, por uma obra do destino, for poupado pela Justiça, sua condenação virá das urnas, com a rejeição do povo brasileiro ao projeto hegemônico de poder do PT.








Por Ataídes Oliveira

A educação como instrumento político


Recentemente saiu uma matéria nos jornais com o título “Lula volta a criticar Dilma e quer educação como instrumento político”, mas eu gostaria de informar: a educação brasileira já é usada como instrumento político.

E baseada em que eu afirmo isso?

Pois bem, no meu primeiro dia de aula na faculdade de educação da UERJ, curso de pedagogia, o professor perguntou à turma para que servia a educação escolar. A turma, tímida com o primeiro dia de aula, ficou calada. Então, ele mesmo respondeu: “a educação escolar serve para formar cidadãos”. E, a partir daí, fiquei pensando que tipo de cidadão a escola brasileira queria formar, afinal de contas, a escola da época do nazismo também formava cidadãos… nazistas!

E quem melhor que o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, para nos responder essa questão? E, por isso, fui atrás de respostas diretamente na fonte, nos livros de Paulo Freire, e o livro que venho comentar aqui é o chamado Pedagogia da Autonomia.

Essa obra tem aqueles argumentos que os simpatizantes do comunismo/socialismo adoram: o vitimismo, aquela ideia de que a culpa é sempre do outro, de um opressor que tem como objetivo de vida te oprimir e te alienar. Ele cita orgulhoso o discurso de um jovem operário: “não é o favelado que deve ter vergonha da condição de favelado, mas quem, vivendo bem e fácil, nada faz para mudar a realidade que causa a favela. Aprendi isso com a luta”. No momento em que li esse trecho, não pude me conter e pensei em que luta esse jovem estava mencionando, já que o discurso dele gira em torno de culpar quem vive bem. É o famoso discurso da inveja. De querer tirar de quem tem e não conquistar o que se quer. Outro exemplo desse vitimismo frequente em seu livro é quando ele fala que o “avanço tecnológico que ameaça milhares de mulheres e de homens de perder seu trabalha deveria corresponder a outro avança tecnológico que estivesse a serviço do atendimento das vítimas do progresso”. É claro, é horrível quando alguém é substituído por uma máquina, perdendo, assim, seu sustento, mas é igualmente ruim se essa mesma pessoa cruzar os braços, culpar os outros e não agir para voltar ao mercado de trabalho. Meu pai trabalhava na rede ferroviária na época em que Collor era o presidente; ele conta a história de que todo dia chegava uma lista de Brasília com os nomes das pessoas que deveriam ser demitidas e ele, um pai de família, ficou muito preocupado com o seu futuro, mas ao invés de culpar alguém e cruzar os braços, ele se especializou, estudou e conseguiu um emprego melhor. Um, não! Dois!

O professor Pierluigi, em seu livro ‘Aprendendo Inteligência’, dá exatamente o mesmo exemplo que Paulo Freire (de máquinas substituindo humanos), mas nos apresenta outra solução: “o mercado de trabalho não quer mais diplomas e títulos. Ele quer inteligência, cultura e criatividade. Você irá entrar num mercado de trabalho em que há cada vez mais gente e menos necessidade de mão de obra… então não estude mais, mas sim estude melhor. Estudando melhor você se tornará cada vez mais inteligente, mais criativo, mais culto… com isso, em vez de ser um ‘enviador’ de centenas de currículos, o mercado de trabalho é que vai correr atrás de você.” Percebeu a diferença entre o vitimismo e buscar a responsabilidade para si e lutar por um futuro melhor?

Mas se você toma a responsabilidade para si, segundo Paulo Freire, você está alienado e ajudando o sistema opressor. “Enquando (os oprimidos) se sentirem assim, pensarem assim e agirem assim, reforçam o poder do sistema. Se tornam coniventes da ordem desumanizants. Alfabetização, por exemplo, numa área de miséria só ganha sentido se realizada uma espécie de psicanálise histórico-político-social que vá resultando na extração da culpa indevida”, ou seja, devo tirar a responsabilidade toda de mim e colocar no outro, no sistema, em alguém. Nem mesmo a alfabetização se livra da doutrinação política. Deve-se alfabetizar falando de política para formar militantes para a revolução. Não é a toa que as universidades brasileiras estão cheias de analfabetos funcionais, de militantes e “oprimidos”.

Ele também é contraditório em algumas partes de seu texto, por exemplo, quando afirma que a educação em si é política, essa é a essência dela e, por isso, jamais se deve “lutar por essa coisa impossível, acinzentada e insossa que é a neutralidade”. Com isso, acredito que Paulo Freire não saiba o significado da palavra ‘utopia’ tanto usada em seu livro. Já que ele afirma que não se deve lutar a favor “dessa coisa impossível” que é a neutralidade, mas defende a luta por outra coisa impossível que é a utopia. Ou talvez, ele esteja usando o duplipensar descrito no livro 1984 de George Orwell, em que o indivíduo defende simultaneamente duas crenças contraditórias como corretas, igual àquele seu amigo do facebook que defende a democracia vestindo uma camisa do Che Guevara e elogiando o governo de Fidel Castro, Maduro e Hugo Chavez. O livro, da primeira página à última, fala sobre política e é claramente perceptível que ele quer usar a educação como uma arma para a revolução socialista: “a educação, especificidade humana, como um ato de intervenção no mundo, aspira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade”. Ele não consegue (ou não quer?) separar a educação da política; o objetivo dele é transformar o aluno em massa, em peça no jogo revolucionário de luta de classes, como ele mesmo afirma: “a formação do professor deve ser encarada como ato político”. E tudo isso está escrito num livro que tem a palavra ‘Autonomia’ no nome.

Porém, a doutrinação e as técnicas de treino para a luta de classes não param por aí; ele afirma que os “oprimidos” devem se rebelar, que há dentro deles uma “justa ira”, pois foram traídos e enganados. Também é preciso fazer com que as posturas rebeldes se tornem posturas revolucionárias que os coloquem num processo de transformação. Agora você entende de onde a Maria do Rosário tira seus argumentos em defesa aos menores infratores? Para ela, é justificável o que eles fazem, pois estão se rebelando contra a opressão daquelas pessoas que trabalham e vivem bem. Para ela, foi natural o menor esfaquear e matar o médico morador do bairro da lagoa que estudou cinco anos de faculdade de medicina, mais alguns de residência médica, conseguiu seu emprego num hospital, ficava ”oprimindo” os pacientes salvando suas vidas e é culpado e opressor por viver bem.

Após essa doutrinação toda num livro que tem a palavra ‘autonomia’ no nome, Paulo Freire ainda dá um conselho errado aos pais. Ele afirma que uma pedagogia da autonomia deve estar centrada em e ter como objetivo estimular a tomada de decisões; ninguém é dono da autonomia dos outros. Até aí tudo bem. Mas, então, ele solta a seguinte pérola: “Por que não desafiar o filho, ainda criança, no sentido de participar da escolha da melhor hora para fazer seus deveres escolares?” Criança precisa de limites, de horários decididos pelos pais; se você deixá-la decidir, apenas mostrando quais seriam as conseqüências, ela vai escolher brincar, dormir tarde, ficar na internet e não fazer o trabalho de casa. O professor Pierluigi explica que quando o aluno assiste à aula, as informações obtidas nela vão para a memória de curto prazo e, para transferí-las para a memória de longo prazo, é preciso que ele estude a matéria dada no mesmo dia, antes de uma noite de sono, senão será tudo enviado da memória de curto prazo diretamente para a lixeira. Seu lema é: aula dada, aula estudada hoje!

Enfim, nunca conheci alguém alfabetizado pelo método de Paulo Freire, você conhece? Suas técnicas foram aplicadas no Brasil, Porto Rico, no Chile e não produziram nenhuma redução nas taxas de analfabetismo. Afinal de contas, o que esperar de alguém que afirma que “antes mesmo de ler Marx já fazia minhas as suas palavras”?

Pois bem, se ele faz das palavras de Marx as suas, eu termino esse texto fazendo das palavras de Olavo de Carvalho as minhas. “Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “patrono da educação nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve Getúlio com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do seu livro preferido, ou o ex-presidente Lula, que não lê livros porque lhe dão dor de cabeça.”




Por Jenifer Castilho

Anatomia de uma crise


A crise interna do PT pode ser explicada de diversas maneiras, e muitos fatos podem ser responsabilizados por ela existir, mas a lógica que rege os mais recentes movimentos do ex-presidente Lula e de sua criatura Dilma Rousseff é que expõe a fragilidade política dessa união, que só foi forte quando o criador comandava a criatura, seja na campanha eleitoral que ela nunca enfrentara, em 2010, seja na montagem do primeiro governo, quando Lula fez o que quis no ministério inaugural do que deveria ser o governo de transição entre os primeiros oito anos de Lula e os novos oito anos a partir de 2014.

A liga começou a se desfazer com pequenas tentativas de independência por parte da criatura, que resultaram na inédita decisão de demitir nada menos que seis ministros nos primeiros meses de governo. Nunca mais houve, desde então, um ambiente político favorável à relação de criador e criatura, ambos empenhados em marcar suas posições.

Dilma, em busca de se impor dentro do PT – que não a engole com naturalidade até hoje – montou um grupo de políticos em torno de sua presidência, do qual o mais representativo continua sendo Aloizio Mercadante. E afastou de seu círculo íntimo os ligados a Lula, do qual o exemplo mais evidente foi Gilberto Carvalho, que de eminência parda nos governos lulistas passou a figura decorativa no ministério Dilma, a ponto de ser vítima pessoal do estilo rude de gerenciar da presidente.

A crise teve seus efeitos adiados pela campanha de 2014, que justificava a unidade temporária para que todos pudessem se salvar do naufrágio que já ai se exibia como inevitável.

A derrota postergada à custa de uma campanha de agressividade fora da curva democrática e mentirosa, além de, sabe-se agora, financiada com dinheiro espúrio desviado da Petrobras, levou para os primeiros meses do segundo mandato toda a carga de irregularidades e ilegalidade cometidas no primeiro.

A Operação Lava-Jato concretizou o que já parecia evidente no final da campanha: o envolvimento direto do governo nos desvios de conduta da Petrobras. As 18 delações premiadas levam para o centro do Poder as acusações, agora chegando aos principais gabinetes do Palácio do Planalto.

Enquanto as investigações rondavam o PT, mas não os petistas mais ligados a Dilma, o partido e o próprio Lula reclamavam do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que não teria controle sobre a Polícia Federal. Mas se esse era um dos orgulhos da presidente Dilma, que enchia a boca para garantir que a autonomia do Ministério Público Federal e da Polícia Federal para investigar os “malfeitos” eram conseqüência de sua autorização tácita, e não da letra da lei?

Lula e os petistas se incomodavam com a displicência de Dilma diante do descalabro que se avizinhava, incluída aí até mesmo a possibilidade que o próprio Lula amanhecesse um dia com policiais em sua casa, ou vasculhando o Instituto que leva o seu nome. Daí os célebres 15 dias de destempero de Lula, a criticar a presidente em público, e seus ministros mais chegados, como Mercadante e Cardozo, jogando todos na vala comum do “volume morto” da política, e o PT abaixo disso.

Mas bastou que a Operação Lava-Jato chegasse aos principais gabinetes do Palácio do Planalto para que Dilma saísse de sua pasmaceira política para atacar até mesmo a lei da delação premiada que ela sancionou e que, durante a campanha, serviu de mote para spots publicitários e auto-elogios.

Bastou isso também para que Lula se acalmasse e fosse a Brasília pedir apoio ao governo para os partidos do que teoricamente seria a base governista, que a esta altura ninguém sabe a quantas anda.

O pedido de habeas-corpus preventivo para não ser preso, que um dia apareceu no noticiário como sendo de autoria de Lula, acabou se transformando em realidade no desespero de José Dirceu.

O que um anônimo maníaco por esse instrumento – já expedira diversos pedidos desse tipo para várias personalidades – fizera para Lula, irritando-o profundamente por parecer uma admissão de culpa, acabou, pelas mãos dos advogados de Dirceu, entrando no cenário político como a cereja no bolo: o ex-ministro todo-poderoso, bem sucedido consultor de empresas em diversas partes do mundo, que andava de jatinho particular de baixo para cima, apresentado na petição do habeas-corpus como " no crepúsculo da vida" aos 70 anos, e passando necessidades.

Às vezes unidos, quase sempre desavindos, já não fazem planos para a eleição de 2018. Cada qual querendo salvar a respectiva pele.




Por Merval Pereira

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Favorável à taxação de grandes fortunas? Não seja trouxa!


São essas mesmas elites intocáveis que inoculam a palhaçada de taxação de grandes fortunas, uma vez que as fortunas confiscadas não serão as delas.


Então você é a favor da taxação de grandes fortunas? Você por acaso já ouviu falar sobre o Massacre de Ludlow? Não? Então vamos voltar no tempo e entender que diabos o massacre tem a ver com a taxação de grandes fortunas.

Em 20 de abril de 1914, no Colorado, mais precisamente no que hoje é a cidade fantasma de Ludlow, que fica no Condado de Las Animas, nos EUA, a Guarda Nacional massacrou dezenas de mineiros a mando do proprietário das minas, John D. Rockefeller, Jr..

Entre os mortos estavam mulheres e crianças, algumas mortas por asfixia e incineração, uma vez que os lacaios da Combustíveis e Ferro Colorado, também propriedade de John D. Rockefeller, Jr., atacaram os mineiros juntamente com a já citada Guarda Nacional.

A reputação de John e seu clã foram seriamente manchadas com o episódio, e o resgate da imagem mediante a opinião pública só se deu com muitas décadas de enormes somas de dinheiro doado à "filantropia".

A filantropia é um grande negócio nos EUA: uma vez que parte da sua fortuna seja prometida à filantropia, você adere a um programa chamado Lifetime Legacies. Nele, as deduções de imposto da fortuna, que pode ser gerenciada/especulada até o fim da sua vida, são muito atrativas.

Dessa maneira, as doações feitas a fundações e universidades pela elite metacapitalista, que já transcendeu o esquema financeiro e não quer mais estar sujeita as oscilações e concorrências do mesmo, passa a moldar o cenário político e cultural.

São essas mesmas elites intocáveis que inoculam a palhaçada de taxação de grandes fortunas, uma vez que as fortunas confiscadas não serão as delas. Ou você conhece algum político capaz de peitar e amealhar dinheiro dos Rockefellers, Rothschilds, Warburgs, Morgans, Schiffs e turma? Nem a pau.

Fora isso, a camada mais baixa de bilionários e milionários faz como fez na França: arruma as malas e vai embora. A conta da fuga de capital estrangeiro e investimento fica para o povo babão pagar.

Se tudo isso parece absurdo, consulte o livro The New Leviathan, de David Horowitz, onde há diversas provas documentais de como a esquerda retributiva e sua agenda revanchista recebe doações bilionárias, pois acabam sugando as preciosas moedinhas dos elos mais fracos e depositando no cofre da verdadeira elite mundial.

Mas não é sequer preciso adquirir o livro: aí estão os Fóruns Social Mundial e Econômico, fundados e custeados pela elite metacapitalista, que zomba do intelecto alheio quando entrega para a militância pelega e descerebrada pautas como "a crise do capitalismo". O capitalismo vai muito bem, obrigado, e graças a ele você pode esquerdar loucamente nos respectivos fóruns.

Então, em vez de ficar entoando o mantra de "um outro mundo é possível", tire alguma lição com o Tio Patinhas, que ilustra esta postagem, e saia desse barco furado, afinal, tempo é dinheiro.






Por Davi Amato