quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pátria deseducadora


"Ao bradarmos "BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA" estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano".
(Presidente Dilma, discurso de posse, 01/01/2015)


Como é inconsistente e distante da realidade o compromisso do governo de Sua Excelência com a ética! E vale o mesmo para o "sentimento republicano" e para a tal "prática cidadã", seja lá isso o que for. Treze anos de governo petista só serviram para desnortear moralmente a sociedade e semear descrédito nas instituições mediante exemplos, palavras e atos. O governo mente, faz o que não deve, não faz o que deve, cerca-se de péssimas companhias, ele mesmo é muito má companhia, corrompe, se deixa corromper e acusa os demais daquilo que faz. Na inepta frase presidencial, contudo, há outro aspecto e é nele que quero me deter.

A presidente disse que a educação será a prioridade das prioridades e que para essa tarefa convergirão as ações do governo. Aparentemente, ninguém a advertiu para o fato de que a sociedade não pediu ao Estado para ser por ele "educada". O que a sociedade espera do sistema público de ensino é que cumpra, dentro das salas de aula, nas escolas, o papel de transmitir à juventude brasileira ensinamentos úteis à vida na sociedade contemporânea e à realização das potencialidades de cada indivíduo. Para variar, é tudo ao contrário do que a presidente e seu partido fazem. Por isso seguimos dilapidando preciosos recursos humanos e perdendo tempo na imprópria tarefa de "construir sujeitos" e de preparar "agentes de transformação social"! Chega de construtivismo, de Paulo Freire e de Emilia Ferreiro (até os argentinos já perceberam o estrago que o método da conterrânea causou à alfabetização no seu país). "Chega de Piaget e de Vygotski!", me assopra num antigo texto o sociólogo e jornalista José Maria e Silva.

Eu sei que o parágrafo acima escandalizará setores do meio acadêmico brasileiro, especialmente nos cursos voltados à formação de professores. Eu sei. Ali, multidão de mestres e doutores ensina os futuros professores dos nossos jovens que a transmissão de conhecimentos, de conteúdos, será apenas parte, e parte pouco relevante, de seus quefazeres profissionais. Por isso, em nosso país, não se ensina História, mas leituras ideologicamente convenientes de fatos históricos. Não se ensina geografia, mas geografia política em conformidade com a sociologia e com a política que convém ao uso revolucionário da rede escolar. Pouco e mal se ensina língua portuguesa porque o uso correto do idioma é instrumento de dominação e desrespeito à cultura do "sujeito educando". E não se ensina matemática, talvez por ser conteúdo exigente, que dispersa energias revolucionárias.

Aferir resultados é uma imposição da razão a toda atividade humana. Não haveria de ser diferente no sistema de ensino. E o que esse sistema proporciona ao Brasil é tão ruim que chega ao absurdo de repelir o mérito e de manter um compromisso com a mediocridade, da base ao topo do sistema. Enquanto na minha infância, no piso da pirâmide, as crianças eram alfabetizadas em poucos meses, passadas seis décadas, esse objetivo não é alcançado por muitos sequer em três anos. Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa revelou, em 2012, que 38% dos estudantes universitários não dominavam "habilidades básicas de leitura e escrita", qualificando-se como analfabetos funcionais. No topo da pirâmide, na produção acadêmica, o Brasil responde por apenas 1% da obra científica mundial de maior qualidade, segundo a revista Nature. O Chile, com 8% da população brasileira, produz mais artigos científicos do que o Brasil. No entanto, enquanto nós gastamos nisso US$ 30 bi, o Chile gastou US$ 2 bi. A ineficiência no uso dos recursos, entre 53 países analisados, nos coloca em 50º lugar.

Não vejo como se possa mudar essa realidade quando ela decorre do projeto político, ideológico e pedagógico há muito em curso no Brasil. Esse projeto, anterior ao PT, levou-o ao poder. Por isso, em relação ao Plano Nacional de Educação, o próprio Lula reconheceu que ele é "a chance de começar uma revolução no país". A presidente sabe disso tão bem quanto eu e você.







Por Percival Puggina

Uma mente confusa


A presidente Dilma, infelizmente para nós brasileiros e para o país, não tem o dom de organizar seu pensamento. Se fosse apenas uma dificuldade de se expressar, como quando resolveu louvar a mandioca e chamou-a de “grande conquista brasileira”, já seria difícil para uma autoridade que tem obrigação de explicar seus atos a cada instante de seu governo.

Mas quando o pensamento equivocado é também embaralhado, aí já se torna um problema político-institucional. Se a presidente diz que não respeita delatores, ela está partindo do princípio de que o presidente da UTC Ricardo Pessoa, e outros executivos que fizeram suas delações premiadas, estão revelando fatos verdadeiros que deveriam ser escondidos.

Sim, por que só pessoas que estão por dentro das conspirações ou das bandidagens podem delatar seus companheiros em troca de algum benefício da Justiça. Foi, aliás, para evitar que as revelações sobre crimes fossem desqualificadas pelos interessados que o que chamamos popularmente de “delação premiada” tem o nome oficial de “colaboração premiada”.

Mas, de qualquer maneira, a presidente Dilma tratou de jogar sobre Ricardo Pessoa a pecha de traidor, comparando-o a Joaquim Silvério dos Reis, o que a deixa mal e a todos os denunciados pelo empreiteiro. E ela não percebe essa incongruência, o que faz com que prossiga em linha reta para o abismo sem que ninguém possa ajudá-la, já que, sabe-se, ela não admite contestações.

“Eu não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas, e garanto para vocês que resisti bravamente. Até, em alguns momentos, fui mal interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem que resistir, porque se não você entrega seus presos.”

Nessa frase, temos de tudo: uma confusão entre seu papel como guerrilheira, e o dos petistas que se meteram no mensalão e no petrolão; uma ignorância assombrosa da diferença entre democracia e ditadura e, sobretudo, a insensatez de comparar os inconfidentes mineiros com os mensaleiros e petroleiros, que podem ser tudo, menos patriotas heróicos em luta contra uma opressão estrangeira.

Não há Tiradentes nessa história que a presidente Dilma tenta recontar, e nem ela foi uma lutadora pela democracia, como pretende hoje. A tortura de que ela e muitos outros foram vítimas é uma página terrível de nossa história, mas não pode servir de desculpa para justificar meros roubos de uma quadrilha que tomou de assalto o país nos últimos 12 anos, nem para isentar os eventuais desvios cometidos pela presidente.

Ao contrário, aliás, muitos fazem hoje a comparação da sanha arrecadatória do governo federal com os “quintos do inferno” que a colônia portuguesa tirava do Brasil. Quanto à insinuação de que os presos hoje pela Operação Lava-Jato sofrem torturas como no tempo da ditadura, só mesmo a politização da roubalheira justifica tamanho despautério.

A propósito, o jurista Fabio Medina Osório, especialista em questões de combate à corrupção e improbidade administrativa, Doutor em Direito Administrativo pela Universidade Complutense de Madri e Presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado (IIEDE), “olhando o direito comparado e o que ocorre hoje no mundo em termos de combate à corrupção”, discorda dos que consideram abusivas as prisões preventivas decretadas pelo juiz Sérgio Moro.

“Não apenas nos EUA, mas na Europa, as prisões cautelares têm sido utilizadas no início de processos ou quando investigações assinalam elementos robustos de provas”, ressalta, lembrando os casos do ex premier de Portugal, José Sócrates, e os dirigentes da FIFA, presos cautelarmente por corrupção - e alguns em avançada idade - seguem encarcerados.

“A ideia não é humilhar ninguém, mas, diante do poder econômico ou político das pessoas atingidas, estancar o curso de ações delitivas de alto impacto nos direitos humanos, tal como ocorre no combate à corrupção.

Medina Osório lembra que “nos termos da Lei Anticorrupção, as empresas deveriam ter aberto robustas investigações para punir culpados e cooperar com autoridades, talvez até mesmo afastando os executivos citados nas operações, se constatadas provas concretas ou indiciárias de suas participações em atos ilícitos”.

Ao não cooperar nem apurar os atos ilícitos noticiados, “as empresas sinalizam que estão ainda instrumentalizadas por personagens apontados pela Operação Lava Jato como os possíveis responsáveis”.

Para Medina Osório, vale indagar: o que é realmente novo aqui no Brasil? “Prisões democráticas, onde cabem ricos e pobres, convenhamos”.





Por Merval Pereira

sábado, 27 de junho de 2015

O desespero do governo do PT está em todos os jornais. Lula quer ataque à Polícia Federal e demissão de Cardozo


Globo:
“O clima é de apreensão no Palácio do Planalto. Os ministros Mercadante e Edinho Silva vinham conversando desde cedo sobre o depoimento de Ricardo Pessoa. A preocupação do governo é que a Operação Lava-Jato ganhou uma dimensão que se perdeu o controle. O Planalto já estava preocupado com a situação das empreiteiras, mas agora o problema político chegou ao próprio quarto andar do Planalto.”

Folha:
“Além do receio de que a menção à campanha à reeleição reforce a pressão pelo impeachment de Dilma, o governo acredita que a citação a ministros do Planalto por Pessoa aprofunda a instabilidade política e a incerteza do mercado.”

“Humberto Costa (PT-PE) propôs a Lula que seu encontro com as bancadas petistas ocorresse em um jantar daqui a três semanas. O ex-presidente pediu urgência e avisou que voaria para Brasília na segunda-feira.”

Estadão:
“O governo avalia que perdeu totalmente o controle da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e teme que a delação premiada de Ricardo Pessoa acirre o clima de confronto do país, dando munição aos adversários para ressuscitar a bandeira do impeachment. Dilma mandou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, cancelar uma viagem a São Paulo, por causa da crise.

(…) Nos últimos dias, Dilma foi pressionada por petistas a agir para reduzir o desgaste e tomar medidas para proteger as empresas envolvidas na Lava Jato do risco de quebradeira. Ela se recusou. ‘O que querem que eu faça?’

Lula não se conformou com a resposta. Irritado, pediu que a cúpula do PT não poupasse críticas à Polícia Federal e passasse a condenar publicamente o que chamou de ‘prejulgamento’ das empreiteiras da citadas na Lava Jato.

(…) A portas fechadas, Lula e a maioria dos senadores e deputados do PT avaliam que o ministro da Justiça perdeu as condições de permanecer no cargo e deveria ser substituído porque não comanda a Polícia Federal. Dilma, porém, se recusa a demiti-lo.”

Comento:

É próprio do “chefe” dos bandidos mandar atacar a Polícia.

Lula não perdoa Cardozo, seu velho companheiro de Foro de São Paulo, pela incapacidade de boicotar 100% a Lava Jato.

Talvez queira colocar, também no lugar dele, seu fiel escudeiro Wadih Damous.

Quanto à pergunta de Dilma sapiens ‘O que querem que eu faça?’, eu respondo:

Renuncia que dói menos.






Por Felipe Moura Brasil

Lula é desmascarado pelo deputado Onyx Lorenzoni, do DEM

O deputado Onyx Lorenzoni tem dado voz a milhões de brasileiros, cansados do cinismo de Lula, do oportunismo do “chefe “, da imoralidade do Brahma. Essa mensagem lavou a alma dos brasileiros decentes, foi um verdadeiro soco na cara da hipocrisia do companheiro de Fidel Castro, do responsável pelo lulopetismo, essa desgraça que assola o Brasil. Não percam:

Só posso fazer coro ao nobre deputado: vá para Cuba, Lula!

Lula é um mau caráter


Desde que o conheço, ainda frente aos sindicatos em São Bernardo do Campo, a estratégia de dividir para depois ser o conciliador foi sua máxima. É a estratégia do mau caráter, condenável sob todos os aspectos quando se trata de uma figura pública e se coloca como líder.

Como presimente, não soube reconhecer os bônus que teve, seja dos governos anteriores, com o Plano Real, mesmo com os erros apontados por Kanitz (Plano Real 20 Anos - Os 8 Erros Que Perduram Até Hoje ...blog.kanitz.com.br/erros-do-plano-real/), da mudança na pirâmide demográfica, do crescimento chinês e da entrada de capitais que buscavam portos seguros devido a crise de 2008, foi quando os bancos centrais injetaram bilhões na economia, isso para destacar os mais importantes. Não soube reconhecer que o sucesso de seu governo, o que incluiu os dois primeiros anos de (des)governo de sua terceirizada, não tiveram praticamente nenhuma correlação com sua forma de gestão, basta ver os resultados.

A aposta do peta sempre foi em dividir, o fez pela luta de classes sociais, coisa que nunca tivemos no Brasil, e por favor me contestem. O fez quanto a diferença de pigmentação da pele, introduzindo no país do engenheiro André Pinto Rebouças e do nosso primeiro grande craque de futebol, o Arthur Friedenreich, um conceito inaceitável, o de raça, como se o ser humano não fosse só de uma única raça. O fez também separando homens e mulheres, introduzindo o conceito de gênero, principalmente para os que sofrem de continência fecal reversa, como se o ser humano não tivesse apenas dois sexos, o masculino e o feminino. Com ele temos agora os que são superiores aos demais brasileiros, com direito a leis especiais, como se não vivêssemos sob o estado de direito.

O peta, que hoje é ex-presimente, dividiu o país entre os que possuem bolsa e os que devem trabalhar. Dividiu os que se dedicam em aperfeiçoar suas competências, dos que são beneficiados por não se dedicarem ao mérito. Dividiu e dividiu. Dividiu até os eleitores, entre os tucanos e os trucanos, desconsiderou que na política não temos este tipo de dicotomia, ou algo como esquerda e direita. Temos sim inúmeros vetores, e em cada um deles gradientes.

Agora o peta divide o partido, e busca romper o cordão umbilical do criador com a criatura. Sua terceirizada é a favor da terceirização, ele não. Tudo de bom no país é ainda de sua criação, age como se não tivéssemos 200 milhões de brasileiros, muitos estudando, empreendendo, criando, se esforçando. E tudo de ruim agora é não apenas culpa dos tucanos, mas também de sua cria ou terceirizada.

E ele está agora acima do partido, dos milhões de militantes que tomam parte da maior quadrilha de festas juninas de todos os tempos e de todos os lugares no planeta. Ele desconsidera seus feitos, em especial que foi o Alipracá, e o fez com seus 40 babões.

Logo mais, o veremos também dividindo os que tomam parte do Foro de San Pablo, entidade que ajudou a criar, e assim hoje divide os brasileiros entre os que consomem drogas, que alimentam sua máquina, com destaque agora a craconha, ela que é produzida pelos carperos em sua associação o braço do Foro de São Paulo no país vizinho, El Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP).

A craconha é também conhecida como de zirrê (também chamado de desireé), mesclado ou criptonita. E poucos sabem o principal motivo da República Oriental do Uruguai ter optado por legalizar a maconha, não tem nada a ver com o que debatemos, foi sim a decisão de um presidente de esquerda que não quis que seu povo ficasse submetido a este tipo de droga e como o Foro San Pablo amplia seu mercado consumidor, o qual conta hoje com 1,7 % da população, e que em 2008 era inaceitável e na marca de 0,8% da população.


Lula e o partido da boquinha 
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,lula-e-o-partido-da-boquinha,1712201


Lula vira crítico feroz da própria obra

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Do ano do Pinóquio ao ano da hiena


O ano passado será conhecido como o Ano do Pinóquio, tantas as mentiras contadas durante a campanha eleitoral, não se limitando apenas às promessas não cumpridas de Dilma, mas de todos os candidatos.

Neste 2015, porém, o patrono será outro. Por enquanto vivemos o Ano da Hiena, aquela que ri enquanto come cocô. Ninguém escapa.

Começa pelo trabalhador, maior vítima da inflação, que assiste a perda do valor aquisitivo de seu salário, enfrenta o desemprego e a redução de seus direitos. Nada tem que comemorar, mas até agora não explodiu, como seria de esperar. O empresário também sofre, em especial o pequeno, sem crédito para expandir seus negócios e obrigado a sacrificar a família levando-a, para trás do balcão. Sem falar na carga de impostos sempre crescente. Certos potentados passam algumas semanas na cadeia, mas basta ver as fotografias, quando são libertados, para concluir que as grades não recuperam ninguém.

A mídia não fica atrás, na medida em que só parcialmente cumpre o dever de informar. Denuncia a corrupção no governo e no Congresso mas omite-se na análise da miséria e da pobreza, sem desmentir presidentes que falam na incorporação de 36 milhões de brasileiros à classe média. Mentira ou ilusão, tanto faz, mas vá algum dos barões da imprensa tentar viver com o salário mínimo, como sobrevivem perto de 50 milhões de trabalhadores.

O que dizer do PT, posto em frangalhos pela ação de seus dirigentes empenhados em cargos e empregos, como também em marcha batida para fazer um papelão nas eleições municipais de outubro do ano que vem. E nas de 2018, caso não se dê o milagre da multiplicação do bom senso. Quando foi para o poder, o partido era uma esperança. Doze anos e meio depois, transformou-se numa caverna de frustrações.

A tentação é de fulanizar os risos e a refeição. A presidente Dilma, por exemplo, deu para mostrar os dentes sempre que vê uma câmera do televisão ou comparece a uma solenidade qualquer. Até mesmo diante da agressão verbal que sofreu do Lula, sorriu ao dizer que o antecessor, mais do que qualquer outro, tem o direito de criticá-la. Ignora o que vem por aí, continua pedalando sua bicicleta e mandando, lá do fundo do poço, sorrisos em profusão.

Por último, o próprio Lula, que se não riu nas duas oportunidades públicas em que demoliu o PT e a sucessora, foi flagrado às gargalhadas quando se refugiou na sala de Paulo Okamoto, no Instituto Lula. Pior a situação não poderia estar para ele, perdendo para Aécio Neves, nas pesquisas, por mais de dez pontos. Seu apelo à revolução petista e à volta da utopia exprime seu estado de espírito, ainda mais porque em vez de unir, dividiu os companheiros de alto a baixo.

Como ainda faltam seis meses para o 31 de dezembro, outros candidatos poderão manter suas apostas. Que tal o Ano do Rato?
















Por Carlos Chagas

Lula não queria reeleição de Dilma por apostar no fracasso tucano


O país virou um hospício ou eu enlouqueci de vez? Senão vejamos: a Dilma vai a Palmas e diz um monte de besteira para os índios que participam de um campeonato mundial; o Lula desce a pua no governo e chama a presidente de mentirosa quando diz uma coisa na campanha e faz outra; o Levy não consegue articular nada com nada quando fala da economia do país em recessão e descendo ladeira abaixo; o Zé Dirceu acha normal um lobista participar com 400 mil reais da compra do seu escritório em São Paulo; os senadores petistas fazem um desagravo (desagravo de quê?) e chama o Lula de “Grande líder”; e os empreiteiros continuam negando que deram dinheiro a ele para evitar que o juiz Sergio Moro mande a Polícia Federal prendê-lo.

A Dilma e o Lula transformaram o Brasil numa bagunça, o país está uma zona. Ninguém sabe quem manda em quem. O Lula, que antes fazia um governo paralelo, agora está na oposição criticando a sua obra mais espetacular, a Dilma, que chegou ao poder depois de lhe apresentar um laptop, uma engenhoca que até então ele não conhecia. Abandonado pela criatura que gerou, o ex-presidente vive momentos de tensão depois que a CPI da Petrobrás decidiu convocar seu assessor financeiro Paulo Okamoto para depor. O “Grande Líder”, versão tupiniquim do stalinismo, que se achava até então intocável e inalcançável, vociferou contra seus liderados ao saber da notícia. Sobrou até para o vice Michel Temer – chefe do departamento de pessoal da Dilma – que se desgasta na articulação política de um governo caótico, fragilizado e corrupto rejeitado por quase 70% da população.

A animosidade dos dois vem desde a última campanha. Vou repetir aqui o que escrevi antes das eleições. Lula não queria a reeleição da Dilma, mas teve que engolir a sua candidatura depois que ela decidiu enfrentar novamente às urnas e espalhou que seria golpe se fosse impedida de disputar mais um mandato. Lula encolheu-se e mandou seus áulicos, um deles, o ex-deputado André Vargas, em cana, esfriar o “Volta Lula”. Ele monitorou o primeiro mandato de sua sucessora e constatou o óbvio, a sua incompetência para administrar o país. Sabia que a sua popularidade alta ao sair da presidência iria para o brejo no segundo mandato de Dilma. Além disso, tinha consciência de que o crescimento do país devia-se, entre outras coisas, aos preços das commodities no mercado internacional. Entendia que o fracasso do governo tucano, que administraria uma economia destroçada, o traria de volta nos braços do povo. Só se empenhou de verdade na reeleição da Dilma quando foi avisado que os tucanos não eram confiáveis e que ele ficaria fragilizado sem o PT no poder.

A Dilma, que vivia a experiência de uma segunda campanha, entregou os programas à equipe dos marqueteiros. Não atentou para o perigo de fazer promessas mirabolantes e mentirosas no momento em que o pais já dava sinais claros de que entraria numa estagnação econômica com inflação alta e desemprego. Queria ganhar a todo custo, mesmo que para isso tivesse que iludir os eleitores.

Sem o traquejo dos políticos mais experientes, ao ganhar a eleição tentou voo solo. Achou que os brasileiros teriam votado nela independente do Lula ou do apoio dos petistas. Começou logo cedo a mostrar sinais de que trairia o “Grande Líder”. Expulsou do Planalto todos os seus homens de confiança, escolheu o ministro da Fazenda sem consultar o chefe e alojou no Gabinete Civil, Aloizio Mercadante, de quem Lula tem ojeriza. Para Lula, que queria continuar mandado, a casa desabou. Começou a se sentir ainda mais traído, quando observou que a Dilma não movia uma palha para protegê-lo das denúncias que sofria de ser lobista de luxo das empreiteiras. E a gota d’água para o racha foi a convocação do Okamoto por uma CPI dominada por peemedebistas e petistas, partidos da base aliada.

Para os brasileiros que foram enganados na campanha essa briga entre criador e criatura é muito boa, pois, mais cedo ou mais tarde, vamos saber da podridão que rolou e rola no país até hoje.
















Por Jorge Oliveira