terça-feira, 23 de junho de 2015

Lei da Corrupção


A questão que tentarei responder é onde se localiza o ninho, o berço, o nascedouro, da roubalheira generalizada que se instalou mais fortemente nos governos de FHC e LULA/DILMA, onde especialmente tomou contornos inimagináveis. Sei que isso será tão difícil como encontrar um ninho de cobras.

Por um lado,a Polícia e o Ministério Público federais,bem como a própria Justiça, que talvez até estejam, efetivamente, empenhados em combater a corrupção no serviço público, conseguiram pegar somente a “pontinha” do iceberg. Mas essa “amostragem” já foi o suficiente para se explicar as razões pelas quais o Brasil está em primeiro lugar no mundo na cobrança de impostos não correspondentes ao retorno que é dado à sociedade. Afinal,grande parte dos impostos têm que ser desviados para alimentar tanta corrupção.

Mas todos esses organismos federais combatem somente os EFEITOS, nunca as CAUSAS, ao menos as principais, da corrupção. Certamente é um paradoxo, mas essas causas estão precisamente embutidas dentro da LEI, às vezes num parágrafo quase “escondidinho”.

As leis sobre licitações, e muitas outras, são feitas por políticos com vocação à corrupção e tem a “competente” ajuda de empresários que só buscam seus próprios interesses, que se resumem em ter o Serviço Público como um cliente “preferencial”, que paga melhor, bem melhor, que os outros. É desse “plus” que saem as generosas “gorjetas”, milhões e bilhões, para políticos e gente da Administração.

O lema da minha turma de formandos de 1968 na Faculdade de Direito foi: “Para Sermos Livres Temos que Ser Escravos da Lei”. Hoje me envergonho desse lema, que acho até ridículo, mas que adorei naquela época de “santa ingenuidade”, pois aprendi que os reais interesses da lei podem estar na contramão da justiça, da ética e da dignidade, favorecendo interesses escusos.

Finalmente chegou a hora. Estou falando das leis que regularam e regulam as licitações no serviço público. Começa pelo Decreto–Lei Nº 200, de 1967, cujos artigos 125 a 144 tratavam das licitações. Depois veio o Decreto-Lei 2.300/1986, que também se referia às licitações na Administração Pública. Acolhido o regime das licitações na Constituição Federal de 1988, artigo 37, XXl ,a matéria hoje é regulada nas Leis 8.666/93 e 10.520/2002.

Progressivamente a legislação foi “apertando o cerco” das licitações na Administração Pública, com isso ampliando, paralelamente, os focos de corrupção. Bom é lembrar, por exemplo, que o D.L 200/67 obrigava somente os órgãos da Administração Federal a seguir os seus princípios. Depois foi estendido aos Estados e Municípios,incluindo seusórgãos da Administração Indireta.

Os que hoje nos governam, cujo partido (PT) está no poder há doze anos, na verdade podem “lavar as mãos”, pois não estavam na posição de mando que hoje têm quando foram elaboradas as principais leis sobre licitações.

Portanto,”eles” não têm culpa. Mas foram eles os que mais se “aproveitaram” dessas leis. Comparados com os desvios da “Era do PT” e, em menor escala, da “Era FHC” (lembram das privatizações, onde a Embratel saiu por menos de 2 “bi”?), os corruptos do passado podem ser considerados ladrões-de-galinha, exceto alguns poucos remanescentes daquela época que sobreviveram e hoje estão “coladinhos” com a nova geração de ladrões do erário, com eles até formando “sociedades” nos interesses comuns.

O problema nas leis que regulam as licitações na área pública está na própria lei, que contém indecências com o selo da “legalidade”. Os tais de “Editais” das licitações já são feitos para determinados interessados num universo extremamente limitado. São geralmente “dirigidos”. Somente os que preencherem os requisitos exigidos poderão participar do certame. Aí fica muito fácil a reduzida “quadrilha” de competidores acertar entre si, previamente,qual será o vencedor da licitação, o que será compensado mais tarde no “rodízio” acordado entre eles. Esse esquema é a regra geral. Ocorre em todas as grandes licitações. O “mais barato”, que vence, nessa hipócrita “moralidade”, certamente é muito mais caro do que o preço que mesmo produto seria vendido no comércio comum.

Rapidamente vou contar-lhes uma situação que vivenciei. Em certa ocasião fui designado para compor uma “comissão de licitação”, numa empresa paraestatal qualquer. O objetivo era a compra de fios FE-160. O Edital exigia que poderiam participar do certame somente os fabricantes do fio.

Na abertura das propostas o melhor preço foi na casa dos 700 (nem lembro a moeda)o metro. Por minha iniciativa consultei um comerciante na cidade que vendia o mesmo fio, perguntando-lhe o preço do metro. Fiquei estupefato com a resposta: na casa dos 400. Pode isso?

O Juiz Federal Sérgio Moro, de Curitiba, competente para processar e julgar os casos da “Operação Lava-Jato”, tem se notabilizado ao afirmar que a melhor pista na caça aos corruptos é “seguir o dinheiro”. Mas o problema não para aí. Se as causas da corrupção não forem atacadas, essa caça aos corruptos será eterna. Certamente a causa maior está na deficiência moral dos políticos, administradores públicos e empresários que negociam com a Administração. Mas a origem de tudo se dá no “berçário” das leis, seja no Poder legislativo ou no Poder Executivo. Está na própria lei, portanto.

Nessa ótica, a Justiça opera como um “corpo de bombeiros”. Só age para “apagar o incêndio”, encontrar e punir os corruptos, eventualmente recuperando o que foi roubado (quando sobrar alguma coisa,claro). Ela não vai às origens do problema. E tem mais: ela age inconscientemente com cumplicidade, defendendo com mão férrea as leis sobre licitações elaboradas nos outros Dois Poderes. Sua missão é servir de “cão-de-guarda” das leis, muitas vezes imorais, como são as referentes às licitações. Depositar alguma esperança que através da Justiça o combate à corrupção dará algum resultado será sempre um equívoco, portanto. O problema é muito mais complexo. A linha seguida pelo Juiz Sérgio Moro não basta. Corrupto cresce como erva daninha. Para cada um que vai para as grades nasce mais meia dúzia. Se o “berçário” da corrupção não for destruído, nenhum resultado positivo advirá.

Ora, então a conclusão é de estarrecer. Se de fato a lei é a principal fonte do direito positivo, e outras leis existirem com vícios à semelhança das leis sobre licitações, na verdade não se estaria vivendo no propalado “estado-de-direito”, e sim já no seu estado oposto, ou seja, no “estado do antidireito”, obrigatoriamente seguido pelos próprios juízes que aplicam as leis nas demandas que lhes são submetidas.





Por Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e Sociólogo

Abandonado, Lula começa pela igreja movimento para derrubar Dilma


O Brasil inteiro pergunta: O que essa senhora faz trepada numa bicicleta pra cima e pra baixo enquanto o país pega fogo? O próprio Lula já respondeu a essa pergunta numa reunião com alguns padres em São Paulo para justificar o porquê do pais está à deriva, ingovernável, no caos, e chafurdando na lama da corrupção. Olha que coisa: Lula afirmou categoricamente que a Dilma mentiu para os brasileiros na última campanha, confirmando o estelionato eleitoral que os brasileiros já desconfiavam. Lula repetiu na palestra o texto que a sua companheira usou na campanha: “Eu não mexo nos direitos dos trabalhadores nem que a vaca tussa. E mexeu. Eu não vou fazer ajuste, ajuste é coisa de tucano. E fez”.

Lula soltou o verbo contra a Dilma na conversa com religiosos no auditório do seu instituto. Criticou a atuação dela no governo e a morosidade em tomar medidas que tire o país do atoleiro. Veja as críticas que ele fez a amiga a quem ajudou em duas eleições, deixando a oposição de queixo caído:

“Primeiro: inflação.Segundo: aumento da conta de água, que dobrou. Terceiro: aumento da conta de luz, que para algumas pessoas triplicou. Quarto: aumento da gasolina, do diesel, aumento do dólar, aumento das denúncias de corrupção da Lava-Jato, aquela confusão desgraçada que nós fizemos com o Fies, que era coisa tranquila e que foram mexer e virou uma desgraceira que não tem precedente. E o anuncio de que ia mexer na pensão dos aposentados, na aposentadoria dos trabalhadores”.

Gente, quem diz que o Brasil está sendo administrado por uma presidente incompetente é o Lula, parceiro, o homem que apresentou ao país essa senhora como uma executiva competente, a “Mãe do PAC”, a mulher que estaria mais preparada do que ele para prosseguir com os programas sociais e alavancar a economia do país gerando mais emprego e renda. Agora, infelizmente, Lula desdiz tudo como se o Brasil fosse do tamanho de uma birosca de São Bernardo Campo, onde da noite para o dia se trocassem os vasilhames vazios para suprir o estoque.

A mea-culpa do Lula mostra o seu próprio despreparo para escolher equipe quando esteve à frente do comando do país, o que resultou no mensalão. A Dilma, pelo que se sabe, já tinha uma experiência fracassada como “gerentona”, como ele alardeava para vender gato por lebre aos brasileiros. Ela conseguiu falir uma loja de R$ 1,99 que instalou em Porto Alegre. Além, disso, na presidência do Conselho da Petrobrás foi um desastre ao assinar a compra de Pasadena, no Texas, que provocou um prejuízo de 1 bilhão de reais a estatal. Mas Lula, por arrogância e soberba, não quis ouvir seus companherios de partido que o alertava sempre sobre a incapacidade dessa senhora de administrar alguma coisa. Contra todas as opiniões em contrário, botou a Dilma de goela adentro dos brasileiros e hoje fica choramingando porque ela segue em direção contrária as suas orientações.

Lula tinha outras intenções quando indicou Dilma à sua sucessão. Como ele sabia do seu despreparo político, pensou em continuar mandando no governo ao elegê-la presidente. E isso de verdade aconteceu até perceber agora que a Dilma não movimenta uma palha para tirar ele e seus companheiros de partidos do imbróglio dos escândalos. Para Dilma, Lula só deixará de lhe fazer sombra quando for preso. Assim ficaria enfraquecido para impor sua posição dentro do governo. Ela esquece, portanto, a magia de Lula com um microfone na mão, o que ele faz com competência desde que abandonou a fábrica para virar sindicalista. O primeiro sinal de que o criador ensaia devorar a criatura aconteceu nessa reunião com os padres. Com eles, Lula tentou minar sua companheira induzindo os religiosos das pastorais católica a falar mal da Dilma a partir de agora nos seus sermões.

Gilberto Carvalho, o interlocutor de Lula com a pastoral , coordenou a reunião da Igreja com o seu chefe. Ficou de alma lavada com as críticas a Dilma de quem não gosta nem ouvir falar o nome, depois de ser expelido de dentro do Palácio do Planalto como o principal espião do Lula lá dentro.








Por Jorge Oliveira

Monólogo insosso para apascentar bovinos


De alguns anos para cá, virou moda falar em "globalização". É chique dizer que "nosso planeta se transformou em uma aldeia global". Qualquer crítica a esta ideia é logo ignorada ou rotulada de "reacionarismo". Assim, considere-se um ser "globalizado"!

Será nesta qualidade - a de um ser "globalizado" - que aguarda-o sua primeira experiência: sair pelo mundo afora tentando ligar o carregador de sua filmadora em uma simples tomada elétrica. Você irá descobrir que o modelo brasileiro é incompatível com o argentino, que por sua vez difere do norte-americano, que não aceita o inglês, e daí em diante.

Em seguida, aproveite sua viagem para tentar adquirir alguma roupa ou calçado - e prepare-se para sofrer muito com a total falta de padrões que flagela os habitantes desta "aldeia global". A verdade é que dos calçados às tomadas elétricas, das medidas de peso e velocidade às roupas, muito pouco há de "globalizado" neste planeta.

O passo seguinte será procurar, pelo mundo afora, a contrapartida ao amplo "processo de globalização" pelo qual passou o Brasil. Nosso país, generosamente, abriu suas fronteiras e entregou à administração e exploração de estrangeiros atividades estratégicas e fundamentais para o desenvolvimento.

Assim, procure lá pela Europa, América do Norte ou Ásia algum lugar que tenha entregue o mesmo tanto de sua economia a brasileiros - ou mesmo a outro país. Curiosamente, será fácil perceber exatamente o oposto: uma sucessão de barreiras e entraves ao ingresso de estrangeiros que fariam corar de vergonha o "Muro de Berlim".

Prossiga na sua caminhada, e tenha muitas surpresas. Na Argentina, encontre postos com a nossa bandeira vendendo gasolina mais barata que aqui. No Chile, descubra carros fabricados no Brasil sendo vendidos a preços bem mais razoáveis que os daqui. No Japão, perceba que os preços dos automóveis também é menor, apesar de eles serem feitos com matéria-prima importada - quase sempre daqui.

Diante da confusão que a viagem por esta "aldeia global" seguramente está causando em sua cabeça, volte ao Brasil. E tente comprar, aqui, um daqueles produtos de alta tecnologia vistos durante sua viagem nas vitrines norte-americanas ou européias. Descubra, absolutamente perplexo, que em média eles só chegam ao Brasil entre um e seis anos após lançados "lá fora". Tradução: neste mundo globalizado, que se conforme o consumidor brasileiro em comprar quase sempre produtos obsoletos - e a "peso de ouro".

Entenda-se bem: sou contra o isolamento. Acredito no livre-comércio. Defendo a queda das barreiras comerciais. Sim, sou a favor disso tudo - desde que para todos. Porém, o que vejo é um Brasil se "globalizando" em um mundo a cada dia mais regionalizado. Causa-me revolta, enquanto brasileiro, ver nossa economia desnacionalizada às custas da ruína de muitas empresas genuinamente nacionais. Revolta-me o espírito ver algumas de nossas maiores riquezas não-renováveis e atividades mais importantes sendo exploradas por estrangeiros, sem que se tenha a menor notícia de alguma reciprocidade. O fato, esgotadas as boas intenções, é que esta "globalização tupiniquim" que nos empurraram pela goela abaixo mais parece - e perdoem-me o desabafo - monólogo insosso para apascentar bovinos. Ou, em bom português, "conversa mole para boi dormir".





Por Pedro Valls Feu Rosa
Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo

Ressuscitar a CPMF seria absurdo e imoral


Alguns petistas e aliados desejam ressuscitar a CPMF, aquele imposto sobre transações financeiras para financiar, supostamente, a saúde pública. A argumentação dos “estado-afetivos”, aqueles que têm verdadeira tara pelo estado é de que faltam recursos para a saúde pública, para o governo cumprir com a Carta que determina a universalização da saúde. Assim como falta recurso para a educação, para as prisões, para estradas, para aeroportos, para portos, para TUDO! E isso, nunca é demais lembrar, mesmo com o estado já arrecadando quase 40% do PIB. Quem sabe se ele arrecadasse 100%…

Esses estatólatras adoram avançar sobre o bolso alheio para fazer “caridade”, mas nunca se questionam por que o estado é tão ineficiente nos serviços que presta, mesmo os básicos. A solução é sempre a mesma: mais dinheiro, extraído de mais impostos. Os “ricos” têm de pagar mais, para os pobres terem melhores oportunidades. Não importa que a realidade seja outra, bem diferente, que os impostos penalizem mais ainda os trabalhadores, que os pobres morram em filas do SUS. Mais impostos!, bradam os viciados em estado.

No editorial do GLOBO de hoje há uma alternativa: foco na gestão. Mas claro que isso não interessa àqueles que adoram pedir mais recursos, e nunca fazer um mea culpa da péssima gestão estatal. Corrupção, desperdício, politicagem, cabide de emprego, favorecimento para os “amigos do rei”, enfim, toda a realidade que os brasileiros estamos cansados de conhecer, mas que não vem à tona na hora de debater os serviços públicos. Basta expandir ainda mais os tentáculos do governo, engordar mais o cofre público, que seremos uma Suécia amanhã, uma Dinamarca depois de amanhã!

Nada mais falso. Diz o jornal:

A saúde pública no Brasil tem um pressuposto assegurado pela Constituição: universalizada, via SUS, está formalmente ao alcance de toda a população. Mas, entre o princípio e a ficção, a distância é curta: a gigantesca rede do sistema vive em crise crônica, cumprindo apenas em parte, quando cumpre, o papel que lhe é atribuído pela Carta. Postos de atendimento com enormes filas, demora de até meses para se conseguir marcar uma única consulta (e ser atendido), uma demanda que exerce pressão constante sobre os hospitais, falta de material e problemas com pessoal (equipes incompletas, salários pouco atraentes etc.).

Um quadro clínico cujo tratamento implica análises e propostas de políticas públicas amplas e profundas. Sobretudo, corajosas e, o que não faria mal algum ao sistema, criativas. Mas a prescrição tem sido invariável — a dotação de mais verbas para o setor cumprir seu papel constitucional de prover a população com serviços de saúde de qualidade e de forma abrangente. É uma fórmula, por simplória e irreal, com a eficácia de um placebo.

[...]

Esse tipo de visão, que toma como panaceia a dotação de orçamentos mais generosos, na verdade desvia o foco da questão. Os reais gargalos da saúde no país estão ligados à gestão ineficiente. Há no país comprovadas experiências de administrações bem sucedidas de hospitais, emergências e serviços públicos que resultam em aumento de produtividade e aperfeiçoamento de qualidade. Além disso, transferir a gerência para organizações sociais, por exemplo, é uma alternativa com bons resultados. Despejar mais verbas numa estrutura ineficaz equivale a jogar dinheiro pelo ralo.


Concordo totalmente. E digo mais, de forma bem direta: defender mais impostos num país como o Brasil é algo não apenas absurdo, mas imoral, indecente. Quem o faz não pode dar a mínima para o povo sofrido, que já não aguenta mais tanto imposto para tanto serviço terrível. Somente uma tara pelo estado explica tal postura. E tarados deveriam se tratar num divã, não entrar para a vida pública e defender suas taras contra os demais.













Por Rodrigo Constantino

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O preconceito dos "progressistas" que "condenam" o preconceito

           Duplo padrão moral: ofender cristãos tudo bem, mas fazer charge do profeta Maomé é      absurdo e justifica até ato terrorista!

Com certeza o leitor conhece alguém do tipo “progressista”, tem algum amigo da esquerda caviar, um típico “inteligentinho” que deseja salvar o mundo, as baleias, combater as injustiças sociais e pregar a paz contra todo tipo de preconceito, tudo isso entre um vinho chileno e uma champanhe safrada. Essa turma é totalmente desprovida de preconceitos, tolera tudo e todos. À exceção, claro, dos evangélicos, dos conservadores, dos neoliberais, dos cristãos heterossexuais, dos “coxinhas” da classe média.

Chega a ser engraçado vê-los caindo em contradição a cada frase. O discurso contra o preconceito é pura retórica falsa, que não se sustenta por duas linhas. Querem um exemplo? A coluna de Gregorio Duvivier de hoje na Folha. Greg, como muitos sabem, é um rapaz muito inteligente, ou melhor, inteligentinho, e também muito engraçado. Nossa, como faz humor o sujeito! Com a sutileza de um elefante numa loja de cristais, assim como o clássico humor britânico.

Hoje ele deu vazão ao seu complexo de megalomania, normal entre os filhinhos de papai, e escreveu como Jesus em pessoa. Era uma mensagem direta para um pastor-deputado, alegando que Jesus era um socialista, não um caviar (como ele mesmo), mas um nos moldes Mujica, de chinelo e abraçando leprosos. Jesus, pela bizarra ótica de Greg, seria um Che Guevara da vida. Ironicamente, Greg condena a ganância dos cristãos que guardam para si suas riquezas, ignorando que ele mesmo “adora” o socialismo, mas só no discurso, pois prefere viver mesmo como um rico capitalista.

Mas deixemos isso de lado. O que interessa aqui é o preconceito contido em cada linha do “humorista”, que retrata o evangélico de forma caricatural e pejorativa, ofendendo, assim, milhões de pessoas decentes. Diz pela porta dos fundos o “intelectual”:

Soube que vocês estão me esperando voltar à terra. Más notícias, pastor. Já voltei algumas vezes. Vocês é que não perceberam. Na Idade Média, voltei prostituta e cristãos me queimaram. Depois voltei negro e fui escravizado - os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma. Recentemente voltei transexual e morri espancado. Peço, por favor, que preste mais atenção à sua volta. Uma dica: olha para baixo. Agora mesmo, devo estar apanhando de gente que segue o senhor.

Ou seja, os evangélicos conservadores são uns violentos agressivos, que espancam “minorias”. Eis o retrato que Greg faz dos seguidores dos pastores. Notem que o mesmo “inteligentinho” aplaude revolucionários, jovens mascarados, esses sim violentos, que depredam tudo em volta. Também defende os marginais que roubam e matam inocentes, pois é contra a redução da maioridade penal, e ainda apela a Jesus, como se soubesse o que Cristo diria sobre o assunto. Mas são os evangélicos os agressores, nunca os socialistas que Greg defende.

Curiosamente, e não é a primeira vez, o artigo de Luiz Felipe Pondé, logo após o de Greg, detona o tipinho, refutando suas baboseiras e expondo suas contradições. Pondé escreveu em sua coluna de hoje sobre a transexual “crucificada” na Parada Gay, e tomou até o partido “dela”, não o dos evangélicos ofendidos. Mas chamou a atenção justamente para a gritante incoerência dos esquerdistas que Greg tão bem representa:

Mas a pergunta que não quer calar é: cadê os inteligentinhos que escreveram artigos na época do “case ‘Charlie Hebdo’”, dizendo que deveríamos respeitar as religiões e as culturas alheias? Cadê a moçadinha café com leite que disse que a função da mídia é favorecer a integração cultural e evitar conflitos? Cadê os bonitinhos que disseram que os cartunistas não respeitaram o sacrossanto “outro”?

Cadê eles os que não saíram em defesa dos “irmãos” dizendo que não se deve brincar com a fé dos outros? Evangélicos não merecem o mesmo “respeito com o outro” que os muçulmanos? O fato é que essa gente inteligentinha é inconsistente mesmo, a menos que esteja falando de comida peruana. No fundo, são um poço de preconceito contra o cristianismo.

[...]

Entendo que os evangélicos e cristãos em geral se ofendam. Acho que a reação de orar no Congresso Nacional não cabe num estado laico. Mas gostaria de saber a opinião dos inteligentinhos, que sempre se mostram tão sensíveis aos terroristas islâmicos. Cadê a sensibilidade para com o justo mal-estar dos cristãos diante de uma teologia iconoclasta como a da transexual crucificada?


Pois é: cadê? Sumiu. Nunca existiu. A “sensibilidade” dos “progressistas” é seletiva, só serve para as “minorias”. Quando se trata de conservadores, de neoliberais, de evangélicos, de ocidentais brancos heterossexuais cristãos, aí eles podem deixar toda a “sensibilidade” de lado e partir para a agressão verbal, para a caricatura, para os xingamentos, rótulos pejorativos, adjetivos chulos. É muita cara de pau mesmo!

Um desses ícones da esquerda caviar, Francisco Bosco, já chegou a justificar que as piadas são aceitáveis quando contra a “maioria”, mas não contra as “minorias”. É o duplo padrão moral dessa turma, que apenas simula uma ausência de preconceito, enquanto possui o coração eivado de sombrio preconceito. Apenas não admitem, o que é pior. São falsos. São hipócritas.






Por Rodrigo Constantino

Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros


Já se tornou lugar-comum culpar os problemas do SUS à má gerência e à corrupção. No entanto, poucos se atrevem a atribuir a culpa dos problemas intrínsecos ao SUS (longas filas, falta de infra-estrutura, escassez de remédios, ausência de médicos etc.) ao próprio sistema.

Vamos analisar alguns dos mitos mais comuns sobre os SUS para entendermos como essas características não são, de fato, um problema de gestão, mas sim inerentes ao próprio sistema.

O mito do Robin Hood

O principal lugar-comum utilizado pelos defensores do sistema público é o da "justiça" da distribuição de renda: os mais ricos pagam para os mais pobres que não têm condições de arcar com os custos dos tratamentos. Infelizmente, a realidade é exatamente oposta.

Em primeiro lugar, vale lembrar que os mais pobres também pagam uma quantia exorbitante de imposto para financiar o sistema público. Se o que eles pagam de imposto fosse exatamente igual ao que recebem em retorno, então, por definição, não haveria sentido algum haver um sistema público de saúde. Mesmo que não houvesse absolutamente nenhuma corrupção, isso significaria que algumas pessoas — em especial aquelas com casos clínicos mais graves, como as que necessitam de remédios controlados ou cirurgias complicadas — estariam recebendo do sistema mais do que pagaram.

O problema é que, para cada pessoa que recebe mais do que paga, existe alguém que pagou mais do que recebeu. Isso significa dizer que, longe de redistribuir renda dos ricos para os pobres, o que o SUS de fato faz é "distribuir renda" dos mais saudáveis para os menos saudáveis.

A população mais saudável, seja ela formada por ricos ou pobres, normalmente tem poucos gastos com saúde: apenas uns poucos exames ou consultas de rotina, algo pelo qual os pobres poderiam tranquilamente pagar com a poupança que conseguiriam caso mantivessem para si o que pagam de imposto para a saúde.

Longe de melhorar a situação dos pobres, o SUS beneficia apenas uma pequena minoria ao mesmo tempo em que torna ainda mais pobres todas as pessoas saudáveis que acabam pagando a conta, independentemente de classe social.

Se a intenção é realmente aumentar a acessibilidade aos serviços de saúde para os mais pobres, uma solução mais viável seria o governo reduzir impostos e pagar apenas por aqueles tratamentos mais caros pelo qual os pobres realmente não podem pagar, ao mesmo tempo em que se abstém de regular e administrar o setor, permitindo a livre concorrência nesta área, o que jogaria os preços para baixo e a qualidade para cima.

Também seria possível a criação de agências privadas de financiamento ou de caridade para pagar pelos tratamentos mais caros e cujos preços são proibitivos para os mais pobres, talvez até mesmo eliminando a necessidade de intromissão do governo. Mas isso só seria possível com a extinção do atual sistema, no qual o governo monopoliza o tratamento aos mais necessitados ao mesmo tempo em que empobrece a todos no processo.

O mito do almoço grátis: o sistema público é como um grande balde furado

Ao contrário da mitologia popular — e como explicado acima —, não há nada de gratuito no sistema público de saúde. Ou você paga por um serviço como pagador de impostos, ou você paga como consumidor. O maior problema de qualquer serviço ou produto subsidiado é justamente o fato de que aqueles que usam tal serviço são financiados por aqueles que não o utilizam.

Mesmo que ignorássemos esse inconveniente, ainda assim há o problema relativo à maneira totalmente deturpada como o serviço é financiado. O financiamento do serviço público provém dos impostos, cujas receitas não têm qualquer relação com a qualidade do serviço ou com a quantidade de pessoas atendidas. Pior ainda: o dinheiro disponível por tratamento é inversamente proporcional ao número de pacientes tratados. Se o governo arrecada, digamos, R$1 bilhão em impostos e atende 10 milhões de pessoas, isso significa que ele poderá gastar até R$100,00 por paciente. Mas se o número de pacientes dobra, isso significa que ele disporá de apenas R$50,00 por tratamento.

Vale lembrar que esse orçamento não é apenas para o tratamento: este dinheiro dos impostos também deve pagar instalações, maquinário e medicamentos. Ou o dinheiro irá para o tratamento ou para infraestrutura. De qualquer forma, um só é possível à custa do outro: cada centavo para infraestrutura é um centavo a menos disponível para o tratamento dos pacientes.

No setor privado ocorre exatamente o oposto. Um hospital privado que seja gerenciado como qualquer outra empresa — isto é, buscando o lucro — só terá dinheiro disponível para investir em infraestrutura caso trate bem seus pacientes. Parte do lucro poderá então ser reinvestido em aumentos salariais, na construção de novas alas, na compra de equipamentos etc.

Se no serviço público o investimento em infraestrutura é feito à custa de tratamentos que deixaram de ser realizados, no setor privado ocorre o oposto: tal investimento só é possível graças ao atendimento aos pacientes. O dinheiro segue uma linha de mão única: parte do dinheiro pago nos tratamentos volta como investimento em infraestrutura. No setor público há uma encruzilhada, é ou um ou outro.

Não há nenhuma mágica aqui: no sistema público, o tratamento é uma fonte de gastos enquanto que no setor privado é uma fonte de renda. O setor público é como um gigantesco balde furado que é enchido à custa de todos os pagadores de impostos: cada tratamento adicional significa um novo furo no balde. No setor privado não há nenhuma torneira, mas também não há furos: cada paciente atendido despeja o conteúdo de um copo d'água dentro do balde, até que este esteja cheio.

Não é preciso ser nenhum gênio para perceber qual sistema é o mais sustentável.

O estímulo ao desperdício

Outro problema com a oferta "gratuita" é que ela cria a ilusão de que os serviços médicos devem ser ilimitados, e que sempre deve haver um médico ou uma sala de cirurgia disponível, a qualquer hora, em qualquer ocasião.

Entretanto, assim como qualquer outro serviço, o atendimento médico não pode ser ofertado de uma maneira ilimitada. Por acaso é possível uma frota infinita de ônibus? Um número ilimitado de salas de aula, bibliotecas e professores? (Aliás, diga-se de passagem, neste último caso não haveria sequer necessidade de salas de aula; qualquer um poderia contratar um tutor particular.) Um número infinito de conexões ou uma velocidade de internet infinita? Absolutamente não. Não há por que ser diferente no setor de saúde. Mas é essa a mentalidade que é criada quando se declara que a saúde é um "direito".

Uma das virtudes do sistema de preços é que ele fornece informações sobre a disponibilidade de qualquer bem ou serviço, e estimula um uso prudente e racional destes.

Imagine uma cidade do interior em que haja escassez de médicos, e estes cobrem 200 reais por consulta. Dificilmente alguém pagaria 200 reais por uma consulta apenas porque o filho está com uma dor de cabeça; o mais racional seria tentar alguns remédios caseiros e só levá-lo ao médico caso a situação se agrave. O que é uma boa notícia: isso poupará um tempo precioso para os médicos, que poderão usá-lo para tratar pacientes em estados mais graves ou que necessitem de um atendimento mais urgente.

A escassez de serviços médicos, nesta ocasião, leva a um aumento do preço, que por sua vez incentiva as pessoas a usarem estes serviços de uma maneira mais prudente, recorrendo a eles apenas quando for estritamente necessário — sem contar, obviamente, que os preços altos seriam um atrativo para que médicos de outros lugares se disponibilizem a trabalhar na dita cidade, reduzindo o problema da escassez.

Entretanto, quando a oferta passa a ser gratuita, tanto o estímulo quanto essa informação desaparecem. Torna-se impossível estimar a oferta e a disponibilidade do serviço. Alguém que usasse o serviço privado de maneira abusiva pagaria um alto preço por isso; porém, no setor público, o preço é sempre fixo e invisível (que o pagador de impostos é obrigado a bancar). O fato de a oferta ser gratuita e de a saúde ser decretada um "direito" também cria a falsa ilusão de que a oferta de tais serviços será ilimitada.

Uma mãe cujo filho tem apenas uma dor de cabeça ou uma mera dor de barriga não mais terá o incentivo para procurar os serviços médicos apenas quando estritamente necessário. Essa demanda irrestrita inevitavelmente criará gigantescas filas de espera, atormentando tanto médicos — que ficarão sobrecarregados — quanto pacientes, que se frustrarão pela lentidão dos atendimentos.

É nessa situação que as pessoas começam a colocar a culpa na gestão. Jamais lhes passa pela cabeça que o uso indiscriminado de tal serviço é a verdadeira causa das longas filas.

A questão é que os incentivos criados pelo setor público levam a um uso indiscriminado, abusivo e irresponsável do sistema — e não o contrário, que seria o ideal.

Conclusão

As longas filas de espera também possuem outra explicação, a qual passa por uma combinação de fatores já mencionados: a oferta de serviços médicos é limitada pela arrecadação de impostos ao passo que a destruição dos incentivos corretos gera uma demanda artificialmente alta. 


Para resolver este problema, deve-se ou aumentar a oferta — o que é impossível, dado o orçamento limitado do governo e o fato de ele não ter qualquer relação com o número de pacientes atendidos — ou reduzir a demanda.

Há duas maneiras de se reduzir a demanda: aumento de preços — o que também é impossível já que a oferta é "gratuita"— ou racionamentos, como listas de espera.

A maneira como o sistema é financiado empobrece justamente aqueles a quem ele visa ajudar e derruba a qualidade do serviço, uma vez que o dinheiro disponível para cada tratamento se torna mais escasso a cada paciente atendido. Para agravar, as regulações para impedir o êxodo dos médicos para o sistema privado impedem a concorrência e encarecem os tratamentos.

Outro efeito nefasto de todo esse paternalismo é a destruição do estímulo à caridade e também do senso de cidadania e de responsabilidade dos cidadãos. Quando o governo passa a monopolizar o cuidado aos pobres, uma das consequências naturais é que isso diminui ou destrói a propensão à caridade, uma vez que as pessoas — que já se sentem moralmente desobrigadas em decorrência dos impostos que pagam — ficam apenas esperando que o governo resolva tudo, já que passam a entender como legítima a função do governo de tutelar os mais pobres.

Longe de ser um problema de má gestão ou de corrupção, os problemas do sistema público são apenas as consequências naturais de sua própria natureza.







Por Rafael Andreazza Daros

Um retrato da saúde brasileira - um desabafo de dois médicos


"Direito" à saúde

A área da saúde pode ser — e é! — negativamente influenciada pela interferência das ideologias socialistas e, consequentemente, da intervenção estatal. Este artigo foi escrito por quem está do lado de cá: clinicando, operando e passando por todo o tipo de dificuldades em tentar ser médico em um país onde a pérfida influência comunista, na disfarçada figura da social democracia, já lançou de forma quase que definitiva seus tentáculos.

Talvez devamos iniciar com uma das frases mais ditas nos últimos 30 anos, minuciosamente pensada e formulada pela inteligentsia: "Saúde, um direito de todos". Tal afirmação positiva é uma grande falácia.

Aqui, vale fazer uma recordação sobre as transformações ideológicas e também sobre as palavras que perderam o sentido, e relembrarmos que "direito" se transformou em uma palavra universal nesse nosso mundo dominado por um estado forte que quer cuidar de tudo e a todos prover — ou pelo menos promete isso.

É fundamental conceituar a definição de "bem", que juridicamente significa 'tudo aquilo que pode ser propriedade de alguém'. Ou ainda, tudo o que é 'útil para poder satisfazer a necessidade de alguém'. Economicamente falando, um bem também se caracteriza pela utilidade e escassez, podendo ser assim um bem de consumo (duradouro e não-duradouro).

E é nesse sentido que gostaríamos de classificar agora a saúde ou o acesso à saúde: não como um direito, mas como um bem de consumo como outro qualquer, sobre o qual atuam as regras da oferta e da procura e da livre concorrência. Sobretudo, vale também a regra da livre escolha do consumidor, a qual, em todos os modelos em que foi aplicada, só produziu preços competitivos, desenvolvimento e fartura.

A saúde, ao ser tratada como um direito a ser suprido pelo estado, tem como único resultado um serviço pífio, quando não a escassez completa. Devemos relembrar que, na antiga União Soviética, até mesmo o setor de alimentação foi envolvido nas regulamentações do estado, e o resultado foi a fome, quando não genocídio por inanição.

Mas de onde se originou todo o problema com a saúde brasileira? O que acontece é que temos uma Constituição até certo ponto recente (26 anos), que foi escrita após um longo período de ditadura militar e com uma demanda reprimida muito grande por serviços e melhorias ditas "sociais". O resultado foi uma carta magna que muito promete e pouco realmente pode cumprir. E não só na área da saúde, mas em todas as áreas básicas, como educação e segurança, e até mesmo na infraestrutura.

Vivemos, pois, somente em um ambiente profético, no qual o estado promete mundos e fundos. Para a população, só resta esperar e acreditar que seu novo deus a sustente eternamente, transformando assim o estado em uma abstração com um fim superior.

O serviço público não funciona simplesmente porque recai no mesmo problema da impossibilidade de haver um cálculo econômico sob um sistema socialista, conforme descrito por Mises. A regra se aplica integralmente ao SUS, nosso sistema único ou universal de saúde — na verdade um simulacro de sistema de saúde.

Como em todos os serviços públicos, o estado, essa figura amorfa, detém um comando centralizado sobre o sistema, atuando como um líder supremo cujas ordens são sempre ditadas de forma vertical (sempre de cima para baixo), desconsiderando o tamanho do país envolvido e ignorando as variáveis econômicas e culturais de cada região. Esse sistema funciona com burocracia extrema — que é aquilo que faz o estado ser o estado —, e cujos burocratas têm como figura suprema o político.

A mentalidade de ter o SUS como algo acima de todos os sistemas de saúde é percebida no profissional de saúde: a maioria destes ainda prefere a estabilidade pública. Já não é tão incomum colegas não se arriscarem mais na vida privada. Alguns, inclusive, já estão investindo cada vez mais em concursos públicos. Ainda não temos um grupo de "concurseiros profissionais" no meio médico simplesmente porque, em nosso país, nem mesmo os concursos públicos para a área de saúde são frequentes (em comparação com a área jurídica).

Culpa da nossa criação

E por que os médicos e outros profissionais da saúde têm essa visão tão estatizada de suas profissões e até de suas vidas? Primeiramente, a própria criação em nosso país já gera automaticamente uma atitude de crença em um estado provedor e ao qual todos devem recorrer em momentos de crise. No entanto, ao entrarem em uma faculdade de medicina, essa visão é amplificada, pois lhes é inculcada a ideia de que o SUS — e somente ele — tem de ser, a partir daquele momento, o seu guia, sendo todas as outras possibilidades de atuação fora do SUS vistas apenas como formas alternativas.

Tudo se inicia com uma visão de total abnegação da medicina, sendo o médico um ser altruísta por natureza e com necessidades extremamente limitadas. É fato que a profissão médica, em última instância, é uma atividade que requer cuidados triplicados quando comparada a outras atividades profissionais, pois lida com vidas. A atenção e o desprendimento pessoal são imprescindíveis. Os médicos sabem disso e os pacientes também sabem disso. Mas o estado não quer saber disso.

Para o burocrata, o médico realmente é uma figura franciscana e que concorda plenamente em realizar um altruísmo forçado (mesmo em ambientes profissionais sucateados). E, como a maioria dos profissionais tem essa ideia martelada desde o primeiro ano de faculdade, o SUS vai se mantendo "aos trancos e barrancos". Como diria um famoso político brasileiro há alguns anos: "Médico é igual sal: branco, barato e encontra-se em qualquer lugar", o que quer dizer que somos mercadoria pouco escassa e que, como seres altruístas naturais, iremos aceitar qualquer remuneração e trabalhar de qualquer maneira, pois nossa crença de que o SUS deva continuar existindo — intocável — é nossa premissa universal e verdadeira.

Vale alertar que a educação médica encontra-se cada vez mais centrada em uma visão "social" deturpada por anos de doutrinação ideológica (Gramsci agradece). Umas das várias provas disso é a disseminação da medicina de família ou PSF (Programa de Saúde da Família), que, entre outras coisas, prega uma visão totalmente generalista da formação médica, visão essa que é tida como superior à formação de especialidades.

O PSF originou-se de uma visão de medicina socializada aos moldes cubanos, e nos foi vendida como sendo o modelo-padrão de medicina do tipo preventiva (a verdade é que é apenas um subtipo desse tipo de medicina), a qual deveria ser estimulada, praticada e principalmente implementada em todos os municípios de nosso país.

Com o PSF, a atenção primária seria a mais importante e resolutiva, pois, a partir do pleno funcionamento do modelo, o número de doentes no sistema secundário e terciário de saúde diminuiria drasticamente. É óbvio que esse tipo de modelo (um tanto quanto romântico) jamais funcionou como deveria.

Além do incontornável problema da escassez de recursos, o PSF não funciona pelo simples motivo de que o setor terciário foi e sempre será aquele que realmente resolve o problema. Afinal, em uma cultura como a nossa, na qual prevenção ainda é algo distante, o paciente sempre irá procurar pelo melhor e ir atrás daquilo que realmente produz resultados definitivos.

Foi Adam Smith quem declarou que a divisão do trabalho representa o divisor de águas entre um sistema de baixa produtividade e um de alta produtividade e excelência. A divisão do trabalho constitui o cerne da produtividade econômica e visa ao aumento da abundância de bens e serviços. E foi David Ricardo quem formulou a lei da associação para demonstrar quais são as consequências da divisão do trabalho quando um grupo de indivíduos coopera com outro grupo de indivíduos, mesmo que um deles seja menos eficiente em todos os aspectos. A colaboração dos mais talentosos e capazes com aqueles que são menos talentosos e capazes resulta em benefício para ambos e os ganhos assim obtidos são recíprocos.

A especialização médica deve, portanto, seguir a mesma lógica de qualquer outra produção de bens, em que as diferentes especialidades médicas constituem novas etapas intermediárias na cadeia de produção do bem 'saúde'.

No entanto, a medicina socializada, ao acabar com as especializações, visa justamente à abolição desta divisão do trabalho. Abolir a divisão do trabalho no meio médico — ou seja, as especializações — sempre foi algo bem óbvio na visão marxista. A imagem do médico generalista, abnegado, agindo como um beato de casa em casa, e se tornando o grande "Pai da comunidade" e um grande benfeitor completa a agenda socialista em questão.

Outra importante forma de desanimar o estudante de medicina a seguir uma subespecialização é o método de ensino empregado por algumas faculdades. Esse novo método retira a obrigatoriedade das cadeiras básicas do curso de medicina (anatomia, histologia, clínica médica, cirurgia geral etc.), estando essas agora diluídas. Consequentemente, acaba também com a presença dos professores titulares de cada uma dessas cadeiras. As aulas agora são ministradas por tutores (que não precisam ser obrigatoriamente médicos). O que temos não são mais aulas e sim grupos de estudo nos quais o aluno agora aprende a "pensar por si mesmo", interpretando textos. O professor (oops, o tutor) não pode nada, e pouco fala ou explica.

Esse modelo é completamente inspirado nas chamadas escolas experimentais dos anos 1970, que eram influenciadas pelas teorias pedagógicas construtivistas, as quais tinham suas bases calcadas no construtivismo estético russo. Ou seja, sua origem e ideologia são comunistas.

Por não haver agora um mestre como baluarte, alguém a ser seguido como exemplo de eficiência e sucesso profissional (quantos médicos resolveram fazer determinadas subespecialidades espelhando-se em seus professores titulares?), temos um crescente estímulo para o médico generalista.

Por fim, vale lembrar que, para tal método novo ser implementado em determinadas faculdades, houve uma voluptuosa contribuição financeira do governo para a instituição interessada; um tipo de incentivo dado pelo Ministério da Educação à instituição que quisesse experimentar esse novo método. Seria isso um tipo de capitalismo de estado (ou mercantilismo) no meio da educação? Deixemos a pergunta no ar.

Código de Ética

O código de ética profissional do profissional médico é um capítulo à parte. Além de dar suporte a um sistema calcado na gratuidade e em supostos direitos a uma saúde universalizada, ele também age como um bloqueio às ações de mercado (ou seja, ações em que, por meio de trocas voluntárias, consumidores e prestadores de serviço encontram a melhor maneira de resolver seus problemas). Principalmente, ele rechaça a ideia de saúde como um bem ou serviço.

O código já se inicia em seu primeiro termo dizendo: "A medicina é uma profissão a serviço do ser humano e da coletividade...". O termo aqui usado, "coletividade", poderia muito bem ser substituído por "de todos", mas isso não enfatizaria o real significado embutido na palavra. Ao insistir nessa expressão, deixa-se claro que os médicos não são indivíduos dotados de livre escolha, mas sim membros de uma comunidade gregária com algum tipo de consciência social. Em vez da livre escolha, há somente o determinismo e a obrigatoriedade de se submeter somente a um tipo de serviço.

Essa visão do coletivo também é corroborada no item que diz: "O médico será solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional..". Ou seja, de forma coerciva, praticamente obriga o médico a participar de todo e qualquer tipo de "movimento", mesmo que esse não seja do agrado ou da concordância do profissional em questão.

Nesse ponto, lembremos dos movimentos arquitetados por líderes sindicais, que também existem no meio médico. Teríamos nós que dar apoio a esse tipo de movimento? Vale lembrar que, embora a contribuição sindical via CRM não seja obrigatória (só faltava!), há uma multa pelo não comparecimento à eleição do CRM. Isso é imoral e, acima de tudo, autoritário. Nesse quesito, o CRM se iguala ao governo, que obriga o cidadão a comparecer à "Festa da Democracia", mesmo que seja à base de força. Trata-se de um claro desrespeito à noção de liberdade individual.

Um dos textos mais cruéis e autoritários do Código de Ética encontra-se no capítulo XII, recentemente criado e que diz respeito à publicidade médica. Para resumir, ele proíbe a participação ou divulgação de qualquer tipo de assunto médico em meios de comunicação de massa. Mais ainda: ainda veda ao profissional a participação em propagandas de qualquer tipo.

Proibir a autopromoção e a divulgação séria e correta de seus serviços é algo absurdo que tem por objetivo transformar o médico em uma figura economicamente estéril. O mais irônico é que propagandas do SUS que exaltam como ele está "mudando a cara da saúde em nosso país" não param de ser marteladas diariamente nos mesmos meios de comunicação de massa vedados aos médicos. E tudo isso financiado com o seu e com o meu dinheiro.

Por outro lado, outros conselhos, como o de odontologia, não coagem seus profissionais e estes estão liberados para realizar propagandas — ou será que ninguém nunca viu em uma propaganda de determinada pasta ou escova de dente a corroboração de um profissional dentista incluindo seu nome e CRO? Isso é válido, salutar e respeitoso para com o profissional. Se o medo do CRM é propaganda enganosa ou exagerada, deixe que a justiça comum cuide do caso. Só não tirem nossa liberdade.

Planos de saúde

Qual seria a saída para a arapuca armada pelo estado (denominada SUS)? Como tentar uma forma de livre mercado na área de saúde?

A resposta mais fácil seria recorrer à medicina privada na forma de planos e seguros de saúde, chamados em nosso país de "saúde suplementar". No entanto, esse ou qualquer outro sistema complementar de saúde em que se tentam aplicar as simples leis de mercado encontram sérias barreiras burocráticas, principalmente na forma de interferência estatal.

O motivo para isto é simples: também no sistema privado de saúde encontramos o chamado capitalismo de estado, em que as grandes operadoras de plano e de seguros de saúde foram cartelizadas pelo governo. Há poucos planos de saúde, e os que existem estão associados ao governo em um esquema de ajuda mútua na qual o consumidor e o prestador de serviço final sempre sairão perdendo.

De um lado, o estado cria entraves e barreiras burocráticas na forma de rígidas leis, obrigando as operadoras a realizarem aquilo que o governo quer. Em contrapartida, o estado também cria barreiras protecionistas contra a entrada de novos planos de saúde, garantindo uma reserva de mercado para essas operadoras. Como consequência deste arranjo, as operadoras têm uma lucrativa reserva de mercado, o governo tem um amplo controle sobre o mercado, e a relação médico-paciente passa a inexistir.

Se ao menos a entrada de planos de saúde no mercado fosse liberada, isso aumentaria sobremaneira a concorrência, consequentemente fazendo o preço das mensalidades e dos serviços baixarem.

Mas há um complicador adicional. Da mesma forma que governo opera em conluio com os planos de saúde — o que a princípio ajuda as operadoras —, ele também finge estar atendendo aos anseios dos consumidores: é cada vez maior o número de decretos e processos jurídicos obrigando os planos a incluir exames, procedimentos e a liberarem consultas, aumentando coercivamente o leque de cobertura dos planos. Essa regulação extrema aumenta os custos dos planos e faz com que menos recursos (profissionais e equipamentos) sejam alocados para os locais necessários. Consequentemente, os planos começam também a cortar gastos, gerando uma escassez desnecessária e fazendo deles o novo SUS.

Ou seja, uma regulação (proibição da concorrência) gera problemas (aumento dos preços dos planos) que são "solucionados" por meio de novas intervenções (obrigatoriedade de novas coberturas), o que gera aumento de custos e escassez.

A impressão que dá é que o governo faz um jogo duplo: de um lado, incentiva os planos de saúde cartelizados com o intuito de "aliviar" o já abarrotado SUS; de outro, não deixa os planos crescerem muito, sempre aumentando os custos destes, talvez com medo da migração dos profissionais de saúde do setor público para o privado.

Nem mesmo as cooperativas médicas conseguem escapar das amarras do estado. O que em princípio seria um meio de os médicos trabalharem de forma livre e dentro dos preceitos de qualquer cooperativa (adesão voluntária, gestão democrática e participação econômica dos membros), e de alguma maneira conseguirem se autoadministrar, não se concretiza. Aqui também o governo — com sua burocracia extrema, protecionismo, mandatos judiciais e autoritarismo da ANS (que perde em força talvez somente para a ANVISA) — entra com sua mão pesada, retirando o já rarefeito ar e sufocando de vez também as cooperativas.

Conclusão

Nossos médicos são inculcados desde a faculdade a serem agentes do estado e "instrumentos da coletividade", a saúde pública não tem como funcionar, e a saúde privada não pode ser considerada como tal, pois não é regida pelas leis de mercado. Tampouco ela é tratada realmente como um bem de consumo a ser suprido por instrumentos econômicos legítimos, como livre concorrência e leis da oferta e procura, medida essa que, no longo prazo, faria com que os serviços melhorassem sobremaneira para ambos os lados.

O futuro da medicina no nosso país é aziago, a não ser que comecemos a reescrevê-lo a partir de já. Nesse sentido, é fundamental que enxerguemos o que não se vê, e passemos, médicos e não médicos, a compreender o que significa saúde pública: um estado de mal-estar social.








Por Helio Dehon Barbosa e Tatiana Villas Boas Gabbi

Helio Dehon Barbosa é medico Ortopedista e Traumatologista, livre pensador liberal e pró-mercado.

Tatiana Villas Boas Gabbi é médica, dermatologista, libertária e defensora radical do livre mercado.