domingo, 21 de junho de 2015

Brahma e Rainha da Banânia no "volume morto"


Dilma mudou. Muda de acordo com as circunstâncias, em uma eterna metamorfose ambulante cuja fada madrinha é João Santana. Sai a gestora competente e centralizadora, a “Mãe do PAC”, e entra a Mr. Magoo, aquela que não enxerga um palmo à frente e é enganada por todos os seus subalternos de confiança. Sabe aquelas “pedaladas fiscais”, que o TCU pede explicações? Pois então: tudo obra de Arno Augustin.

Qualquer brasileiro que não hibernou nos últimos 4 anos – e vale para aqueles que não ficaram o tempo todo ou em Paris degustando caviar ou jogando “pelada” no Recreio – sabe que Dilma era a tomadora de decisões no governo. Economista (de)formada pela turma da Unicamp, arrogante ao extremo, Dilma era conhecida por seus arroubos autoritários que faziam ministros até caírem no choro.

Mantega? Figura decorativa, posto lá, ainda na época de Lula, não por ser autônomo e forte, mas justamente por ser fraco. Alexandre Tombini? Idem. Dilma jamais aceitaria um presidente do Banco Central com cujones para subir a taxa de juros contra seus desejos. Arno Augustin? A mesma coisa: um secretário de confiança, leal, disposto a assumir oficialmente as trapalhadas feitas por Dilma.

Mas a fada madrinha mexeu sua vareta, e a centralizadora arrogante está como Mr. Magoo, andando pelo Palácio do Planalto sem causar maiores acidentes por milagre, por sorte divina, uma vez que é incapaz de enxergar o que se passa ao lado. É a tese que o governo já tenta fabricar, e ver se cola entre a turma chapa-branca da imprensa, já que Augustin teria assinado como o responsável pelas medidas conhecidas como “pedaladas fiscais” (em português mais claro e sem eufemismo, crimes).

Esse absurdo malabarismo foi o tema da coluna de Merval Pereira hoje (21). O jornalista questionou se Dilma é, agora, a Rainha da Inglaterra:

Quem diria, a mãe do PAC, a gerentona que tudo acompanha, que de tudo sabe, e dá socos na mesa quando desagradada, não passa de uma Rainha da Inglaterra, que nada sabe do que acontece em seu redor, de quase nenhum poder de decisão.

Pelo menos, é o que querem que a opinião pública acredite desta vez, quando estão em julgamento atos de seu primeiro governo Dilma considerados ilegais pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O mesmo já acontecera na Petrobras, quando ela alegou que, como presidente do Conselho de Administração da estatal, fora induzida ao erro pelo então diretor Nestor Cerveró, que teria apresentado um relatório “técnica e juridicamente falho” para aprovar a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A imagem da grande administradora, e ao mesmo tempo “mãe dos pobres”, foi criada pelo marqueteiro João Santana especialmente para Lula lançá-la candidata à sua sucessão em 2010.

[...]

Muitas das questões que estão sendo contestadas pelo TCU dizem respeito a programação financeira e contingenciamento, de competência privativa da Presidente da República. Portanto, chega a ser ridícula essa tentativa de transformar a Rainha imaginada pelo marqueteiro João Santana na Rainha da Inglaterra, sem poder de comando no governo.

Rainha da Inglaterra é um posto nobre, ocupado por mulheres discretas, porém firmes, que exercem o poder moderador numa monarquia constitucionalista próspera. Não, Dilma jamais seria a Rainha da Inglaterra. No máximo a Rainha da Banânia mesmo, uma líder tupiniquim com súditos analfabetos ou “intelectuais” que adoram Zizek misturado com Lacan, Marx e Foucault, numa salada indigesta que produz apenas crises estomacais.

E, ao lado da Rainha da Banânia, ninguém menos do que ele, o Brahma! Sim, era dessa forma que os “amigos” empreiteiros da OAS se referiam ao ex-presidente Lula. Difícil saber qual Brahma os colegas tinha em mente. A famosa cerveja nacional? Estranho, pois todos sabem que Lula gostava mesmo é de cachaça, antes de ficar multimilionário, e depois de vinhos caríssimos. Cervejinha?

Ou seria ao Deus hindu? Mais provável, uma vez que era um deus criador e, em várias imagens, retratado com barba. Lula é também o “Barba”, como sabemos por Romeu Tuma Jr., e tinha o poder de criar sim, ao menos várias oportunidades de negócios para seus camaradas ricaços e corruptos.

Mas o fato é que tanto o Brahma como a Rainha da Banânia estão com suas batatas assando, a despeito de todo esforço louvável da fada madrinha. A carruagem voltou a ser abóbora. O sapatinho de cristal se estilhaçou, pois era de vidro vagabundo. E nem com todo o malabarismo do mundo João Santana tem sido capaz de ludibriar o povo brasileiro novamente. Segundo pesquisa do Datafolha, rejeição de Dilma chega a 65%, o mesmo nível praticamente de Collor antes do impeachment:


A máscara caiu, mas a Rainha e o Brahma ainda lutam desesperadamente para sobreviver. A nova tática do Brahma é a de sempre: se fazer de vítima. Lula disse que ele e Dilma estão no “volume morto”, e já andou espalhando que será o próximo alvo da Operação Lava-Jato, numa tentativa patética de se vitimizar se e quando Sergio Moro realmente estender os braços da lei até a captura do molusco gigante.

Lula, talvez o sujeito mais imoral que esse país já teve, tenta bancar ainda a oposição ao governo de sua criatura, a mesma que ele dizia, antes, ser ele mesmo, uma só pessoa. Para Brahma, Dilma não cria uma agenda positiva, não beija crianças nas ruas, não é mais populista como ele. Um momento: Lula não sabia que Dilma, de carismática, não tem nada? Ainda reclamou dos ministros dela, uma “desgraça”. O homem cria a quizumba toda e depois se faz de alienígena para livrar a própria pele? Esse é o Brahma!

Mas que a “oposição” não se engane: como dizia o jogador Yogi Berra, o jogo só acaba quando acaba. Essa pesquisa do Datafolha, que coloca Aécio Neves na frente com 35% de intenção de votos, não pode gerar negligência, pois cochilou, o cachimbo cai. Ainda falta muito tempo até 2018, e ninguém pode subestimar o uso e abuso da poderosa máquina estatal na mão dessa gente indecorosa.

No mais, o que o povo brasileiro quer não é ver “apenas” o PT ser escorraçado do poder em 2018; quer ver os safados pagarem por seus crimes! Lula está de olho em 2018, claro, mas está preocupado com o presente também, pois teme ser preso. E Lula é como o Jason, do Sexta-Feira 13, aquele que nunca morre, que você jura ter visto afogado, enterrado, mas ressuscita e vem de atazanar mais uma vez. Com esses zumbis populistas não se brinca: estão aí a Argentina e a Venezuela para provar que a crise econômica, por si só, não garante nada.

É gostoso ver o Brahma e a Rainha da Banânia no “volume morto”? É alvissareiro ver pesquisas mostrando que caiu a ficha da imensa maioria da população? Sem dúvida. Mas ainda é pouco. O Brasil só voltará a respirar aliviado no dia em que essa turma do PT for apeada do governo, e de preferência direto para o xilindró. Em frente, Moro!





Por Rodrigo Constantino

Desde Collor, ninguém fazia o milagre de unir o Brasil. O governo do PT conseguiu: todos estão contra


Sim, voltarei ao assunto com mais vagar. Dou uma palinha agora. Não vou dizer que os números da pesquisa Datafolha são devastadores para o governo Dilma porque é o contrário: o governo Dilma é que é devastador para o Brasil, e isso se reflete nas pesquisas, não é? Afinal, não é o Datafolha que faz o governo ser ruim, como podem pensar os petistas; é o governo ruim que faz o Datafolha ser o que é.

Consideram o governo ruim ou péssimo nada menos de 65% dos que responderam à pesquisa. Apenas 10% dizem ser ótimo ou bom, e 24%, regular. Dilma está mal em todas as classes. Acham-na ruim ou péssima 62% dos que ganham até dois mínimos; 69% dos que ganham de 2 a 5; 65%, entre 5 e 10, e 66% acima de 10. Não, PT! Não é coisa de rico.

Por região, a coisa não é melhor: o Nordeste é o mais generoso, com “apenas” 58% de ruim ou péssimo, e a coisa evolui assim na rejeição: 63% nas regiões Norte e Sul; 69% no Sudeste e 70% no Centro-Oeste.

Por idade, os jovens têm um pouco mais de paciência com Dilma: “só” 59% consideram seu governo ruim ou péssimo entre 16 e 24 anos. E o índice negativo avança assim: 62% entre os que tem 60 ou mais; 64% entre os de 45 a 59; 68% entre os de 35 a 44, e nada menos de 70% entre os de 25 a 34.

Dilma também uniu as diferentes escolaridades: avaliam o seu governo como ruim ou péssimo 64% dos que têm ensino fundamental; 66% dos com ensino médio, e 65% com ensino superior.

Temos aí muitos elementos para reflexão. E nós a faremos. Mas, de saída, noto: desde Fernando Collor ninguém unia o Brasil como o governo do PT: UNIÃO CONTRA!









Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Questão de sobrevivência: desmantelar o Foro, o PT e o PSDB


A redenção da América Latina depende do desmonte de inúmeros esquemas e organizações criminosas, que vão desde o PT e o Foro de São Paulo, até o PSDB e o Diálogo Interamericano.


Em julho de 1995, a revista do Foro de São Paulo, chamada América Libre, delineou o seguinte em sua 7ª edição:

"Estratégia de Chiapas - combinando levantes armados, ocupações de terras em massa e uma campanha de ASSEMBLEIAS CONSTITUINTES para reformar as CONSTITUIÇÕES NACIONAIS - estratégia adotada por todo o continente."

Em um rápido panorama, a Estratégia de Chiapas tem como base a rebelião armada anticapitalista promovida pelo EZLN (Ejército Zapatista de Liberación Nacional) contra o governo mexicano, em 1994. Indo um pouco mais além, as origens do EZLN remontam à FLN (Frente de Liberacíon Nacional), organização político-militar que tinha como objetivo uma insurreição nacional e posterior implantação de um regime socialista no México.

É evidente que, devido a complexidade e singularidade de diferentes nações, suas culturas, tradições e Forças Armadas, a estratégia sofreu alterações e os levantes armados foram sutilmente substituídos por conflitos e manifestações violentas, criadas e organizadas de dentro para fora pelos governos revolucionários da América Latina. Todo o processo não foge do núcleo central da subversão nos países-alvo da "extinta" URSS, que foi brilhantemente explicado por Yuri Bezmenov.

Um exemplo recente foram as chamadas "Jornadas" ou "Marchas de Junho", ocorridas em 2013, no Brasil. A rebelião pelos "0,20 centavos", organizada pelo petista Gilberto Carvalho e turma, teve sua expressão física consolidada através de partidos auxiliares e do Movimento Passe Livre, que depois foi para, adivinhem, o México. Deu para ligar as pecinhas?

Tal manobra obedecia a Estratégia de Chiapas e possuía um agravante: além de tentar desestabilizar o Brasil e fazer uma transição ao socialismo através da mudança da Constituição, carregava consigo o objetivo de dar fôlego à PEC 51 (Desmilitarização da Polícia). A incessante busca por uma morte cinematográfica, provocada pela polícia, teve seu revés quando lacaios do PSOL acabaram por explodir a cabeça de um cinegrafista.

No auge dos atos, Dilma seguiu a cartilha do Foro e propôs uma Assembleia Nacional Constituinte para "promover uma ampla reforma política". Na falta de tempo hábil e adesão para organizá-la, tentou costurar um Referendo. Assim como o Referendo de 2005, a votação seria efetuada através das urnas eletrônicas, provavelmente "calibradas" pela empresa venezuelana Smartmatic, garantindo um resultado vitorioso como o das fraudulentas eleições de 2014.

Estamos em 2015 e a obsessão do PT continua sendo a mesma, agora travestida de Reforma Política. O partido segue coletando assinaturas e buscando apoio da base aliada, das instituições aparelhadas e dos falsários da CNBB, a ala marxista que se infiltrou na Igreja, adepta da Teologia da Libertação.

No Chile, em abril, explodiram novas e violentas manifestações, tendo como pauta a "Educação". O Chile já teve ensaios de "Primaveras" em 2011 e 2012, mas elas não tiveram sucesso. Mal sabem os chilenos que Michelle Bachelet integra o Foro de São Paulo e adotará as mesmíssimas estratégias acima descritas até que a agenda do Foro seja cumprida.

A redenção da América Latina depende do desmonte de inúmeros esquemas e organizações criminosas, que vão desde o PT e o Foro de São Paulo, até o PSDB e o Diálogo Interamericano; do entendimento do que é o Pacto de Princeton e do projeto de integração continental idealizada pelo Clube de Roma, ao qual FHC faz parte. No entanto, é preciso começar do começo e continuar o primeiro passo, que já foi dado. Se para os bons entendedores, meia palavra basta, então mãos à obra!



Leituras recomendadas e referências:
The São Paulo Forum, Castro's shocktroops
http://www.larouchepub.com/other/1995/2245_sao_paulo_forum.html

Executive Intelligence Review - 10/11/1995 - Vol. 22 nº 45
http://www.larouchepub.com/eiw/public/1995/eirv22n45-19951110/eirv22n45-19951110.pdf

Inter-American Dialogue: sponsors for São Paulo Forum in Washington
http://www.larouchepub.com/other/1995/2245_iad.html

América Libre #7
http://www.nodo50.org/americalibre/anteriores/7/index.htm

Zapatistas EZLN and the Chiapas uprising
http://www.academia.edu/3836272/Zapatistas_EZLN_and_the_Chiapas_uprising

A Subversão nos Países-alvo da Extinta URSS - Yuri Bezmenov
https://www.youtube.com/watch?v=iK4kZSU-5Cg

Dilma desiste de assembleia, mas mantém referendo
http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/dilma-desiste-de-assembleia-mas-mantem-referendo.html

Dilma desiste de constituinte para reforma política
http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/06/mercadante-diz-que-nao-ha-tempo-habil-para-constituinte.html

Sobre as mobilizações no México
http://saopaulo.mpl.org.br/2013/12/21/sobre-as-mobilizacoes-no-mexico//

Constituinte - LISTA DAS ORGANIZAÇÕES
http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/participantes

Mobilização estudantil no Chile em 2011-2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mobilização_estudantil_no_Chile_em_2011-2012

Mass student protest in Chile escalates into clashes with riot police
http://rt.com/news/250417-chile-education-protest-clashes/

Farsa eleitoral na Venezuela: Crônica de uma fraude anunciada
http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/14068-farsa-eleitoral-na-venezuela-cronica-de-uma-fraude-anunciada.html

Foro de São Paulo e Diálogo Interamericano: pacto firmado em 1993
http://www.midiasemmascara.org/arquivos/4161-foro-de-sao-paulo-e-dialogo-interamericano-pacto-firmado-em-1993.html

Falando às pedras
http://www.olavodecarvalho.org/semana/080801dce.html











Por David Amato

Crianças brasileiras: as potenciais cobaias da ideologia de gênero


Esta matéria permanecerá nas assembleias legislativas e câmaras de vereadores até o próximo dia 24, tempo limite para que os Planos Municipais e Estaduais de Educação (PME e PEE, respectivamente) sejam votados e sancionados.

Hoje, centros acadêmicos, sindicatos, partidos políticos, entidades representativas de classe e imprensa, com raríssimas exceções, acham-se submissos à essa ideologia.



É provável que a compreensão dos vereadores e deputados estaduais acerca da Ideologia de Gênero seja confusa e imprecisa, como tem sido na sociedade. Isto porque há uma cortina de fumaça discursiva, instalada intencionalmente e muito bem articulada, para dificultar a chegada das diferentes informações às pessoas e formar um consenso sobre o tema. Esta dificuldade é posta ao público pela escolha lexical, a interdição de dizeres, uma rala e puída roupagem científica, além de um intrincado labirinto semântico para os seus conceitos, termos e nomenclaturas.

Caso os políticos ainda não dominem todos os discursos envolvidos, é bom que rompam o nevoeiro estabelecido e conheçam urgentemente as diferentes visões acerca do assunto, para o voto consciente e sintonizado com os interesses majoritários da população. Esta matéria permanecerá nas assembleias legislativas e câmaras de vereadores até o próximo dia 24, tempo limite para que os Planos Municipais e Estaduais de Educação (PME e PEE, respectivamente) sejam votados e sancionados.

O leitor deve ter acompanhado a votação do Plano Nacional de Educação (PNE) no Senado, em 2012, e na Câmara dos Deputados, em 2014. Em ambas as casas legislativas a Ideologia de Gênero foi apresentada, por iniciativa do Governo Federal, mas rejeitada pelos dois plenários. O Congresso deu a seguinte redação final à Lei 13.005/2014, em seu art. 2, inc. III: dizendo que o Estado deve garantir "a superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação", sem, no entanto, especificar e/ou privilegiar grupos sociais.

Agora, a mesma matéria ressurge nas votações dos Planos Municipais e Estaduais de Educação, trazida pelo relatório final da 11ª Conferência Nacional de Educação (CONAE), do Ministério da Educação (MEC). Este relatório comumente usado pelas prefeituras e estados para construírem seus planos, ignora a decisão do Congresso e faz 35 referências à Ideologia de Gênero. O relatório traz, por exemplo, palavras e termos rejeitados no PNE, a saber: Gênero, Identidade de Gênero, Ideologia de Gênero, Diversidade Sexual, Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Homofobia e Orientação Sexual. Ao trazer de volta estas expressões, o texto do CONAE induz prefeituras e estados a também ignorarem à vontade do Congresso manifestada no texto do PNE. Além do mais, abre espaço nos planos educacionais para a inclusão do ensino da Ideologia de Gênero, no decorrer dos 10 anos de validade desses documentos.

Por trás da insistência governamental, está a intenção de normatizar e incrementar o ensino do Gênero que, incluído nos temas transversais, já faz parte da rotina pedagógica de várias escolas. O MEC e as secretarias estaduais e municipais de educação realizam cursos para a formação de professores em cooperação com universidades, movimentos sociais em defesa dessa causa e editoras de livros didáticos e paradidáticos. Mesmo sendo notório que o assunto choca e incomoda uma parcela considerável de pais, alunos e professores que se sentem indefesos diante da força de imposição que esta visão opera no sistema de ensino.

Afinal, o que prega a Ideologia de Gênero?
De acordo com a Ideologia de Gênero, os seres humanos não se dividem em dois sexos e as diferenças biológicas e naturais não contam para a definição do homem e da mulher, mesmo diante das diferenças anatômicas. As pessoas tornam-se homens ou mulheres, ou adquirem esses papéis, com o passar do tempo, de acordo com o contexto histórico, social e cultural.

Em vista disso, as crianças devem ser criadas e educadas de forma “neutra” para que elas mesmas escolham o Gênero no futuro, independente da identidade dos seus corpos. A escolha, no entanto, nem sempre é definitiva porque é visto como normal ao homem gostar de mulher em determinado período da vida, de homem em outro momento, ou gostar de ambos. Da mesma forma, é considerado normal que o mesmo fenômeno ocorra também com as mulheres.

Essa ideologia recomenda à escola a não classificar os alunos em meninos ou meninas, mas crianças. As roupas e suas cores, brinquedos e banheiro, é melhor que sejam compartilhados igualmente por ambos os sexos, sem as conhecidas diferenciações marcadas pela cultura tradicional. Todas essas medidas são consideradas importantes porque propiciam um ambiente de igualdade e neutralidade necessário ao processo de definição do Gênero por parte das crianças.

A construção do conceito de Ideologia de Gênero
A palavra “gênero” é usada desde os anos de 1980 em estudos de grupos feministas, gayzistas e marxistas sobre família e sexualidade, baseados nas teses de Karl Marx e Friedrich Engels. Mas foi a partir de 1990, impulsionadas pela publicação do livro “O problema do gênero”, de Judith Butler, professora da Universidade de Berkeley (EUA), que essa palavra e essa ideologia gradativamente evoluíram para a atual configuração.

Um momento importante para o reconhecimento e desenvolvimento dessa ideologia foi a IV Conferência Mundial sobre a Mulher: Igualdade, Desenvolvimento e Paz, de Pequim, em 1995. Constava no programa que se falasse sobre “discriminação sexual”, mas os grupos feministas conduziram astutamente a discussão para a “discriminação de gênero”. Com essa estratégia, introduziram este tema na agenda da Organização das Nações Unidas.

A confusão semântica causada pela palavra “gênero” durante a Conferência de Pequim, e nos anos subsequentes, teve culminância na Conferência de Yogyakarta, na Indonésia, em 2006, quando se produziu um consenso acerca dos termos “Identidade de Gênero” e “Orientação Sexual”. Nesta Conferência, além de resolverem o problema semântico, os grupos feministas e agora também os gayzistas, conseguiram incluir a Ideologia de Gênero no programa de direitos humanos da ONU para os países membros.

Desde então, os esforços da ONU acentuaram-se para que os países membros adotem, por um lado, a clara política de “desconstrução da heteronormatividade”, ou seja, para deixar de ser normal o masculino e o feminino e também a família formada por homem, mulher e seus filhos. Por outro lado, recomenda a “construção da homonormatividade”, ou seja, para se considerar como normais a existência do gênero neutro, à diversidade sexual e à diversidade familiar.

Essa causa ganhou mais força com a subida de Barack Obama ao poder, nos Estados Unidos, em 2009. Desde então, ele trabalha para quebrar a resistência do tradicionalismo americano contra essa ideologia e usa a diplomacia e as relações comerciais para promover a agenda de Gênero no mundo. Ele criou, por exemplo, a função informal de “embaixador gay” com a finalidade de divulgar a causa no mundo e nomeou Randy Berry para o posto. Este diplomata, inclusive, veio prestigiar a última parada gay de São Paulo.

A eleição presidencial de François Hollande, na França, representou mais um ganho extraordinário para esse movimento. O presidente francês empenha-se em implantar essa agenda em seu país e influenciar os países membros da Comunidade Europeia a tomarem decisão semelhante. Em abril passado, numa clara intenção de desafiar e ao mesmo tempo provocar desconforto à Igreja Católica, o presidente francês indicou o diplomata Laurent Stéfanini, gay assumido, para o cargo de embaixador no Vaticano. O papa Francisco não o aceitou.

O Brasil foi um dos primeiros países a seguir essa orientação da ONU quando, em 2009, o presidente Lula assinou o Decreto 7037/2009 que aprovou o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Em seu eixo orientador III, diretriz 10, objetivo estratégico V, ação programática d, o Decreto estabelece a meta de: “reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, com base na desconstrução da heteronormatividade.” (grifos nossos). Ou seja, o Governo não quer somente o reconhecimento das outras configurações familiares e da diversidade sexual, como se propaga ao senso comum, mas a desconstrução do status de normalidade para a família tradicional, ainda contemplada na Constituição.

Para que as mudanças ocorram efetivamente, é necessário mudar a Constituição. Os governos Lula e Dilma bem que tentaram, mas não venceram a resistência do Congresso. O último exemplo foi a tentativa de incluir a Ideologia de Gênero no PNE. Ciente da pouca chance de cumprir com sua agenda no Congresso, o governo vale-se da estrutura de secretarias especiais, ministérios, autarquias e estatais para estabelecer sua vontade, driblando a Constituição e o Legislativo. Dessa forma, empreende ações por meio de decretos, portarias, resoluções e até circulares. Além do mais, oferece estrutura, cargos, financiamento e dá liberdade para que defensores dessa ideologia exerçam o lobby dentro do próprio Governo e também em estados e municípios com a finalidade de implantar políticas do interesse deles. Foi assim, driblando a vontade do Congresso, que o CONAE/MEC inseriu em seu relatório todos os interesses da Ideologia de Gênero.

Argumentos favoráveis e contrários
A professora Ângela Soligo, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) entende que os gêneros devem ser debatidos com as crianças em sala de aula. Segundo ela, a criança precisa alargar os horizontes e obter conhecimentos diferentes daqueles recebidos em casa. Para tanto, “não se pode negar que o gênero diferente do sexo exista. A escola tem que fornecer ao aluno subsídios para que ela pense e construa suas próprias opiniões.” O cientista social Alípio de Sousa Filho, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), demonstra a construção histórica da sexualidade humana para relativizar a crença na heteronormatividade: “(...) no longo processo de colonização do imaginário de nossas sociedades, ganhou força uma concepção que corresponderia a uma naturalização da sexualidade humana, cujo efeito mais destacado é ter criado a ideia segundo a qual a heterossexualidade seria inata (a natureza daria os exemplos em todas as espécies), sendo então natural e normal, e a homossexualidade seria uma tendência adquirida, nem natural nem normal.”

O discurso de resistência ao Gênero nas escolas ecoa em algumas vozes. O juiz de direito Antonio Pimenta, de Guarulhos (SP), questiona a fonte dessa teoria: “Você querer colocar na cabeça de um ser humano que ele pode ser mulher se ele nasceu com corpo masculino é negar a biologia.” O pastor Franklin Graham tenta desconstruir o principal fundamento dessa visão ideológica: “Ensinar que não há diferença entre meninos e meninas nada mais é do que uma mentira. Somos diferentes porque Deus nos fez diferentes.” O Papa Bento XVI sintetiza a visão comum aos cristãos: “De acordo com a ideia bíblica da criação, a essência da criatura humana é a de ter sido criada homem e mulher. Esta dualidade é um aspecto essencial do que é o ser humano, como definido por Deus. Esta dualidade, entendida como algo previamente dado, é o que está a ser agora colocado em causa.”

Uma ideologia que se estabelece com força de verdade para governos e mercados
Talvez o leitor questione por que uma ideologia sem consenso na sociedade e na Ciência, mesmo nos campos científicos nos quais estabeleceu, ganha status de verdade absoluta a ponto de influenciar leis e forçar a mudança de paradigmas sociais cristalizados. Uma ideologia que embora trate do corpo, não se firmou nos estudos biológicos e genéticos, mas acomodou-se nas ciências sociais e humanas, sobretudo nos limites do discurso e do comportamento. Uma ideologia que não consegue se equilibrar no critério cartesiano de verdade. Que para vestir-se no manto científico, orienta-se nos terrenos movediços do desconstrutivismo e do relativismo filosófico. Muitos dos seus achados importantes vieram pelo método científico de pesquisa-ação, que é livre de preocupação objetiva e predominantemente subjetivo como nenhum outro método. Este é, aliás, um método científico ideal para a pesquisa engajada e de legitimação para a militância de causas.

É possível que haja bem mais relações de interesse do que é percebido pelo senso comum sobre o esforço global para a troca da heteronormatividade pela homonormatividade nas sociedades. Este não é, portanto, um fenômeno somente brasileiro. Algumas perguntas em forma de resposta, inclusive, podem ser arriscadas a partir da análise dos ditos e não ditos encontrados em vozes de autoridade para essa ideologia e também das Nações Unidas.

Merecem estudos aprofundados, por exemplo, as motivações da ONU, dos governos, das universidades e grandes empresas em apoiar e promover a Ideologia de Gênero, elaborada a partir dos ideais feministas e gayzistas. Pode-se especular que atende aos interesses globais pelo controle demográfico, por razões óbvias; da indústria turística e do entretenimento, porque aumenta a liberdade e o desprendimento individual para viagens; o maior consumo de bens e serviços de uso individual porque se gasta menos com o sustento e a fixação da prole; maior volatilidade dos bens e recursos individuais; reflexos diretos nos sistemas de previdência pública e privada e de seguros; menor apego à cultura e aos valores locais e familiares em atendimento à cultura e valores universais; menor compromisso do indivíduo com o núcleo familiar, em benefício do coletivo; menor necessidade de acúmulo de capital para investimento na família ou herança; fortalecimento dos governos e do mercado sobre a vontade dos cidadãos, pelo enfraquecimento e/ou derretimento do modelo de agregação familiar tradicional; tentativa de quebrar a espinha dorsal das culturas judaica e cristã, (e o consequente enfraquecimento da influência dessas culturas neste novo mundo que se desenha) visto que são baseadas nos conceitos de heteronormatividade e de família tradicional. Pelo visto, o apreço que essa ideologia alcança principalmente dos governos, dos mercados e da cultura é porque ela serve muito bem ao projeto de construção de uma Nova Ordem Mundial.

Uma ideologia que se beneficia da interdição dos discursos
Infelizmente, não há na Academia espaço para vozes contrárias à essa ideologia, onde especulações como as listadas acima pudessem ser confirmadas ou não. Isto porque, como estratégia de proteção contra as contestações, estabeleceu-se a interdição discursiva, ou seja, esse tema foi colocado no campo dos assuntos tabu e do politicamente incorreto. O lema é não discutir, mas aceitar incondicionalmente o que se diz. Com isto, a universidade deixa de contemplar a pluralidade de ideias para satisfazer-se num projeto que estabelece nela e na sociedade uma hegemonia discursiva.

O espaço para a contestação acha-se cada vez mais escasso também no restante da sociedade. Pode-se considerar que a influência formadora da pesquisa engajada que é produzida na universidade, atravessou os seus muros. Hoje, centros acadêmicos, sindicatos, partidos políticos, entidades representativas de classe e imprensa, com raríssimas exceções, acham-se submissos à essa ideologia. Os recursos argumentativos de defesa e ataque criados e desenvolvidos pelos que seguem essa visão, cumprem o efeito de calar os que se opõem. Mesmo que sejam manifestações pacíficas de opinião e respeitosas. Não escapa nem tese acadêmica. Tudo isto é feito com a intenção promover uma agenda positiva sem a necessidade de enfrentar o debate de ideias.

Na própria universidade, há questionamentos sobre os gastos públicos com disciplinas ligadas ao Gênero criadas para espalhar a ideologia nos mais diversos cursos de graduação, especialmente nas licenciaturas, e também na pós-graduação. As interpelações internas à universidade são mais contundentes quando se analisa a função dos grupos de pesquisa e da produção de dissertações e teses. Em parte, essa produção acadêmica é financiada pela CAPES e pelo CNPq, além de agências de fomento estaduais. A crítica corrente diz respeito à necessidade de racionalizar a aplicação do escasso dinheiro público para a pesquisa científica, haja vista que o país carece, prioritariamente, é de encontrar o rumo para o desenvolvimento educacional, científico e tecnológico.

Os deputados estaduais e vereadores precisam também interpretar o sentido da mensagem veiculada pela máquina de propaganda dessa ideologia. A ideia repetida à exaustão, que hoje é quase senso comum, empresta aos contrários ao ensino da Ideologia de Gênero para as crianças, o título de preconceituosos. Segundo a propaganda, essas pessoas interferem na opção sexual de terceiros e impedem a realização de seus direitos. Mas esta não é a regra. Pelo menos os bem intencionados defendem às liberdades para todos, sem privilégios, o respeito entre as pessoas e que todos usufruam igualmente dos benefícios do estado democrático de direito.

O que está em discussão neste momento é a possibilidade de se aprimorar e tornar compulsório o ensino da Ideologia de Gênero para crianças e adolescentes em creches, CMEIs de escolas públicas e privadas. Uma ideologia ainda em desenvolvimento, muito controversa, que substitui a heteronormatividade (eixo no qual as crianças são criadas em nossa sociedade) pela homonormatividade. É justamente esta substituição que se constitui no principal ponto de discórdia entre os dois grupos. Outro ponto de discórdia igualmente importante é a proposta de fazer com que as crianças educadas pela escola nessa ideologia, assumam a tarefa de mudar a visão de suas famílias e da sociedade. Visão esta que os defensores da ideologia considerada desatualizada, preconceituosa e constituída de tabus. Uma pergunta que surge neste final é quais as consequências e conflitos um projeto como esse, de reengenharia social, pode trazer aos alunos e às famílias visto que eles são culturalmente entranhados no modelo tradicional de família.





Por Orley José da Silva
Professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC).

Considerações sobre a submissão das pessoas aos desmandos do estado


Como corretamente diz o ditado, a intimidade pode gerar desprezo, mas também pode gerar algum tipo de sonolência ou tédio. 

Aquelas pessoas que nunca conheceram outro arranjo fora daquele em que vivem — mesmo que vivam em um arranjo extraordinariamente problemático — tendem a não perceber nenhuma anomalia ao seu redor. No mínimo, são incapazes de relacionar causa e consequência. É como se fossem zumbis que caminham por aí indiferentes às coisas ao seu redor.

Essa é exatamente a postura das pessoas de hoje em relação ao estado.

Elas sempre conheceram o estado como ele é, e o veem como um fato consumado, como algo natural. Elas encaram o estado como encaram o tempo: haja chuva ou sol, tempestade com raios e trovões ou uma agradável brisa de primavera, ele sempre se manifesta, e não há nada que você possa fazer contra. Trata-se de um aspecto da própria natureza. Mesmo quando ele se mostra destrutivo, sua destruição é vista como algo semelhante a "atos de Deus".

Essa nossa postura conformista em relação ao estado ocorre não porque tal tipo de comportamento esteja predisposto em nossos genes, mas sim porque nossas condições de vida e nosso longo histórico de aceitação a este arranjo nos predispõem a encará-lo desta maneira resignada. 

Já aquelas pessoas que chegaram a viver sob outros arranjos reagiram a tentativas de imposição de um estado de maneiras bem distintas. Foi somente quando populações humanas desenvolveram a agricultura e passaram a se estabelecer em localidades fixas, que a humanidade se tornou mais condescendente com a dominação estatal.

Durante aquele período de tempo vastamente mais longo em que a humanidade era nômade e vivia em pequenos bandos que praticavam a caça e a coleta, o estado era um arranjo impossível: as pessoas não tinham praticamente nenhuma espécie de riqueza não-perecível que podia ser espoliada pelo estado, e se alguém tentasse impor algo semelhante a um domínio estatal sobre um bando, seus membros simplesmente sairiam daquela localidade, abrindo o máximo de distância possível entre si próprios e aqueles exploradores, evitando assim as depredações desta tentativa de criação de um estado. 

Para ver relatos históricos sobre isso, leia o livro The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia, de James C. Scott.

No entanto, ao longo dos últimos 5.000—10.000 anos, para praticamente todos os seres humanos do mundo, o estado sempre existiu e sempre esteve presente com suas depredações e abusos dos direitos humanos. Seu poder de dominar, subjugar e espoliar seus súditos é cuidadosamente sustentado pela sua destreza em explorar os medos humanos, dentre eles o medo dos indivíduos em relação ao próprio estado e a outras ameaças à vida e à integridade, contra as quais o estado jura que irá nos proteger. (Nessa postura, o estado em nada se difere daquelas gangues de bairro que extorquem pessoas em troca de "proteção".)

Em todo caso, praticamente todos os indivíduos se tornaram totalmente incapazes de sequer imaginar como seria a vida sem um estado.

Já aqueles poucos que se mostraram capazes de se libertar dessa condição hipnótica e vergonhosamente submissa em relação ao estado se fazem duas perguntas:

1) Quem essas pessoas — a saber, os cabeças do estado, sua guarda pretoriana, seus bajuladores e seus megaempresários protegidos no setor privado — pensam que são para nos tratar dessa maneira?

2) Por que praticamente todos nós aceitamos receber esse ultrajante tratamento do estado?

Essas duas simples perguntas podem facilmente se tornar — e de fato formam — o cerne de vários livros, artigos e manifestos. Embora algo semelhante a um consenso jamais tenha ocorrido, parece ser pouco controverso dizer que as respostas para a primeira pergunta têm muito a ver com o amplo predomínio de pessoas arrogantes e mal intencionadas que usufruem uma vantagem comparativa em coagir e confundir suas vítimas. Tendo de escolher entre enriquecer por meios econômicos (pela produção e pelas trocas voluntárias) ou por meios políticos (roubo e extorsão), os membros das classes dominantes sempre optaram decisivamente pela segunda alternativa.

O papa Gregório VII (1071-85), o líder da momentosa Revolução Papal que se iniciou durante seu papado e continuou durante os cinquenta anos seguintes (durando ainda mais na Inglaterra), não mediu palavras quando escreveu (como citado pelo estudioso Harold Berman): "Reis e príncipes obtiveram seus poderes porque seus conterrâneos eram homens ignorantes de Deus; e se elevaram acima destes seus conterrâneos por meio da soberba, da espoliação, da deslealdade e do homicídio — em suma, por todos os tipos de crime —, sempre instigados pelo Demônio, o príncipe deste mundo. São homens cegados pela ganância e insuportáveis em sua insolência".

É sim possível que alguns líderes políticos sinceramente acreditem possuir uma justificativa virtuosa para impor sua dominação sobre seus conterrâneos — e mais do que nunca nos dias de hoje, em que políticos populistas juram que uma vitória eleitoral equivale a uma consagração divina —, mas tal autoengano não altera em absolutamente nada a realidade da situação.

Quanto ao motivo de aceitarmos nos submeter aos ultrajes do estado, as respostas mais persuasivas têm a ver com o medo que temos do estado (em conjunto com o temor da responsabilidade própria que muitos sentem).

Há aquela apreensão de ser o desafiante solitário, que no momento decisivo não contará com o apoio e a solidariedade das outras vítimas, as quais acabarão se omitindo e não juntarão forças. E talvez ainda mais importante, há aquela "hipnose" ideológica (como explicada por Leon Tolstoi) que impede que a maioria das pessoas seja capaz de imaginar a vida sem o estado ou seja incapaz de entender que o estado reivindicar imunidade ao mesmos códigos morais que vinculam todos os outros seres humanos é uma impostura absurda.

Se um indivíduo comum não pode moralmente roubar, espoliar, sequestrar, fraudar ou matar, os indivíduos que compõem o estado também têm de estar sujeitos a essas mesmas proibições.

Igualmente, indivíduos comuns não podem delegar ao estado as tarefas de roubar, espoliar, sequestrar, fraudar ou matar simplesmente porque tais indivíduos não têm tais diretos que seus conterrâneos; portanto, tais tarefas não podem ser terceirizadas. (Um simples lobby de poderosos empresários pedindo ao estado mais protecionismo já configura uma intolerável terceirização da espoliação.)

Assim como Tolstoi, vários escritores e pensadores reconheceram que as classes dominantes se esforçam incansavelmente para incutir em suas vítimas uma ideologia que santifique o estado e suas ações criminosas. Sob esse prisma, é inegável que, historicamente, vários estados foram extremamente bem-sucedidos nessa empreitada. Sob o regime nazista, vários cidadãos alemães pensavam ser livres, assim como vários cidadãos das democracias ocidentais de hoje também pensam ser livres.

A capacidade de uma ideologia cegar pessoas e deixá-las propensas à Síndrome de Estocolmo parece não ter limites, embora um regime como o da URSS, que mantinha as pessoas na persistente pobreza, pode descobrir que suas tentativas de produzir encanto ideológico em suas vítimas irá, ao final, gerar retornos cada vez mais decrescentes.

Portanto, uma astuta — e em contínua mudança — combinação de força arrogante e fraude insolente pode ser vista como sendo o principal ingrediente utilizado pelo estado em seus multifacetados esforços para induzir sonolência em suas vítimas. É claro que uma certa dose de cooptação acrescenta um tempero especial à mistura, de modo que todos os estados se esforçam para presentear suas vítimas com um pedaço do pão que ele próprio roubou delas.

Em troca desta graciosa benevolência, as vítimas se tornam profundamente agradecidas.





Por Robert Higgs
Scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.

Tradução de Leandro Roque

Lei Moral, Liberdade e História: Tripé da Grandeza


O respeito a um código de valores morais e éticos é um dos alicerces da grandeza das nações. Riqueza, progresso e poder não bastam nos desafios cujo enfrentamento exija coesão, autoestima e autorrespeito, atributos de nações que se impõem pelo próprio valor. O código é a Lei Moral, amálgama dos cidadãos entre si, elo do povo com sua liderança e base da grandeza das nações.

A sociedade brasileira padece de grave enfermidade moral que contamina a liderança nacional e compromete a coesão imprescindível ao País para enfrentar os conflitos que virão, por sua crescente inserção como ator de peso nas relações internacionais. A liderança é patrimonialista e amplamente corrompida nos Poderes da União e em diversos setores do País. Apodera-se dos bens públicos como se fossem de sua propriedade e escarnece da Nação com mentirosas explicações para as manobras imorais que promove, usurpando o tesouro nacional em benefício próprio.

Apóia-se na impunidade e na omissão de uma sociedade anestesiada e lamentavelmente acomodada, que perdeu a confiança na justiça, assumiu a falta de ética e sepultou valores imortais. O cidadão contenta-se com a satisfação de necessidades básicas e a falsa noção de liberdade, que usa sem responsabilidade e disciplina, tornando-a um bem ilusório.Agoniza a Lei Moral, condição de grandeza.

Vão-se as referências e vem a anomia, dando margem a desvios de conduta emblemáticos como o do atleta que vira cambalhotas em solenidade na rampa do Palácio do Planalto; o do aluno que se dirige ao mestre pelo apelido, quando não o agride; o de autoridades que, literalmente, usam o boné de movimentos radicais violentos, ditos sociais, como o MST, parecendo respaldar suas ações criminosas; e o de líderes que não se envergonham de buscar o apoio de poderosos políticos corruptos e prestigiar mensaleiros denunciados na justiça como uma quadrilha.

A liderança nacional, carente de valores para se afirmar pelo exemplo, na ânsia de agradar para aparecer bem na foto e ávida de poder, despreza protocolos, normas e ética, debilitando o princípio da autoridade e a dignidade de cargos públicos. Leva a Nação a confundir intimidade permissiva e leniência com espírito democrático e falta de ética com tino político.

Essa doença moral não será curada por partidos políticos desmoralizados ou por eleições incapazes de aperfeiçoar, por si só, a democracia como se tenta iludir a Nação. Um choque de valores teria de vir da sociedade, ser aplicado nela própria, assimilado pelas famílias e por um sistema educacional moral e profissionalmente recuperado, capaz de gerar cidadãos íntegros e cientes de que liberdade sem disciplina esgarça o sistema social. Hoje, a mídia é o setor com maior poder de contribuir para recuperar os valores tradicionais e limitar a ganância e abusos dos donos do poder, desde que resista às tentativas de mordaça política, financeira e ideológica e permaneça imparcial e vigilante.


Liberdade é um bem inestimável e uma das aspirações mais valorizadas pela sociedade brasileira, mas não é passe livre para o cidadão fazer o que bem entende. O exercício desse direito requer civismo, disciplina e respeito ao próximo. A crença na liberdade fica comprometida quando as instituições não impõem o império da lei e justiça e as lideranças usam o poder para usurpar, impunemente, bens por direito pertencentes à nação.

Por outro lado, a ausência de liberdade já fez ruir muitos impérios. A União Soviética condenou-se ao atraso, exceto nos campos militar e científico-tecnológico, ao submeter suas nações a uma ideologia totalitária liberticida, colocando o Partido Comunista acima de liberdade, justiça, vida e família. História e tradição foram deturpadas pela ideologia; heróis de verdade denegridos e substituídos por ídolos feitos pela propaganda estatal; disciplina e dever, impostos por ameaças, eram voltados ao Partido e não à nação. Foi um Estado déspota que tentou, mas não conseguiu apagar a história e as tradições das nações que tornou escravas.

A história também é fiadora do projeto de uma nação que se pretende grande, perene e respeitada. É o selo desse compromisso transmitido de geração a geração e fortalece a fraternidade entre os cidadãos de um país. Se a história mantém unida a nação, os heróis que conduziram o país em momentos decisivos são os seus protagonistas. Eles se tornam merecedores da gratidão e respeito do povo por tomarem atitudes corajosas e decisivas e assumirem responsabilidades com sacrifício pessoal, em prol da nação, diante de situações extremas.

Heróis não foram e nem poderiam ser pessoas perfeitas, mas são cidadãos especiais como poucos serão. Pátria, história e heróis são símbolos, sínteses e imagens de princípios e valores morais e éticos inspiradores de nobres ideais. Ao enaltecê-los, uma nação com vocação de grandeza propõe referenciais de excelência que motivam a busca da perfeição e tornam o povo combativo, disciplinado, altivo, empreendedor e unido. Ou seja, constrói a própria grandeza.

Há décadas que a esquerda radical brasileira, herdeira da infausta ideologia comunista, desenvolve permanente campanha no sentido de denegrir a História e os heróis do País e, também, promover a quebra de valores tradicionais, a fim de enfraquecer a coesão nacional e debilitar moralmente a sociedade e a família. Conta com a parceria, consciente ou não, de vários segmentos da Nação, que se tornaram instrumentos da via gramcistade tomada do poder, estratégia contemporânea para a implantação de um regime socialista totalitário e liberticida.

As vulnerabilidades advindas desse contexto, e que fragilizam a Nação, não poderiam deixar de ser aproveitadas pelos inimigos da democracia.

Ou o Brasil revigora a Lei Moral, consolida a liberdade, neutralizando seus inimigos, e resgata sua História e heróis ou será um gigante de pés de barro, uma Nação sem o respeito do mundo e, pior ainda, do seu próprio povo.





Por Luiz Eduardo Rocha Paiva

O porco assassino Che Guevara é símbolo do amor para History Channel do Brasil


“Em um dia como este de 1928 nascia, na província argentina de Santa Fé, Che Guevara, um dos idealizadores e comandantes que lideraram a Revolução Cubana”. Assim começa a divulgação do programa especial no dia 14 de junho do History Channel Brasil, supostamente um canal voltado para ensinar história aos telespectadores. Dessa forma, vão “aprender” a mesma história que “aprendem” com a maioria de nossos “professores” (militantes marxistas disfarçados): uma total inversão dos fatos!

Eis a imagem divulgada pelas redes sociais pelo canal:


Amor? O “amor” que Che sentia era pelo odor de pólvora, que lhe dava, na verdade, tesão. O “amor” de Che era puxar o gatilho contra inocentes, incluindo adolescentes ou mulheres grávidas, cujo único “crime” fora não aplaudir sua revolução “amorosa”. Outras pessoas foram guiadas por “grandes sentimentos de amor” como Che. São elas: Stalin, Lenin, Hitler, Pol-Pot, Mao Tse-tung, Kim Jong-il, Fidel Castro, etc. Tamanho sentimento de “amor” deixou apenas um rastro de sangue, escravidão e miséria pelo mundo.

Se o History fosse um canal sério, começaria sua campanha assim: No dia 14 de junho de 1928 nascia um porco assassino que foi responsável pela morte de milhares de inocentes apenas para aplacar seu desejo por violência e poder. Mas claro que não se ensina história nesse canal, felizmente ignorado pela ampla maioria (depois reclamam que o povo quer ver futebol e BBB – com um lixo desses fingindo ser aula de história, não dá, né?!). Para quem realmente quiser conhecer melhor Che, o verdadeiro Che, segue um vídeo que gravei sobre o terrorista (e que teve mais audiência do que esse canal patético):






Por Rodrigo Constantino