sábado, 6 de junho de 2015

Maioridade penal, as esquerdas e a “vontade popular”


Apesar do título, este não é um artigo sobre o mérito da redução da maioridade penal. Sobre isso, sempre deixo claro que sou favorável a que psicopatas, esfaqueadores, estupradores e assassinos sejam exemplarmente responsabilizados por seus crimes hediondos, não importa se escondem sua feiúra moral por trás da desculpa frágil da juventude, ou se são elevados ao status de inocentes coitadinhos e vítimas do sistema. Àqueles que se apressam em dizer que “isso não resolve o problema”, respondo que matraqueiam o óbvio ululante. E quem disse que uma medida correta e justa deve ser aplicada apenas quando solucionar absolutamente todas as dificuldades de uma questão? Mas calma, já me estou desdizendo. Como dizia, este não é um artigo sobre a redução da maioridade penal. É um artigo sobre hipocrisia – talvez o “outro nome” das nossas esquerdas.

As diferentes correntes de esquerda costumam ter em comum uma visão enaltecedora das “massas”, apontando o “povo” e suas decisões e iniciativas – entendidos esse “povo” e essa “massa” como um ser coletivo, em que características individuais perdem qualquer valor perto de uma homogeneidade imaginária construída pelas conveniências ideológicas – como as instâncias supremas para se resolver quase qualquer questão. A lei e as instituições correm sempre um risco mais ou menos significativo diante da exageração dessa matriz, que leva a um “democratismo radical” que, no dizer de Ortegas y Gassets, Aristóteles ou Burkes, desembocaria inevitavelmente em uma tirania perigosa. Já as correntes liberais clássicas e liberais-conservadoras, por sua vez, enfatizam as limitações e freios que se deve pôr ao exercício de qualquer poder, e o poder decisório do “povo”, entendido aqui como a “maioria”, apesar de sua importância e razoabilidade, não está imune a isso.

As maiorias não podem avançar sobre instituições e regras básicas que resguardam as prerrogativas e direitos dos indivíduos e grupos menores em suas preferências e dimensões específicas – e a História prova que grandes coletividades podem aplaudir monstruosidades aterradoras. Por essa posição realista e “pés no chão”, somos chamados de “pedantes” e inimigos da vontade popular. Nas manifestações de brasileiros desejosos do impeachment de Dilma Rousseff, por exemplo, as esquerdas, tanto as governistas quanto as “pseudo-oposicionistas“, nos acusam de golpismo, de tentar violar o que foi decidido pela “soberana vontade do povo”. Mas todo esse amor pelas opiniões do povo tem limites muito claros. Quando a opinião da “massa” é esmagadora e explicitamente oposta ao que é conveniente aos seus pressupostos, essa mesma esquerda, barulhenta em se dizer defensora do povo – e Edmund Burke alertava já no século XVIII que é um erro ver no barulho um sinal de uma defesa sincera e efetiva -, se apressa em tentar afastar esse mesmo povo da determinação dos rumos, alegando que a “sociedade conservadora” não pode ser responsável por decidir.

Foi assim, por exemplo, quanto à questão do desarmamento civil. Em referendo em 2005, como todos devem se lembrar, insatisfeita com a situação cada vez mais insustentável da segurança pública, a população disse “não” ao artigo 35 do Estatuto do Desarmamento, que proibiria a comercialização de arma de fogo e munição no território nacional – 63, 94 % contra o artigo e apenas 36,06 % a favor. Que respeito ou sintonia as esquerdas demonstraram desde então com a disposição clara e categórica das massas nessa matéria? Fácil responder: nenhuma. Se mapearmos quem fez lobby de cada uma dessas opções na época, aliás, veremos que tanto petistas quanto tucanos apoiaram a alternativa derrotada, assim como grande parte da imprensa. O predomínio de um viés à esquerda e contrário aos ditames liberais, com uma resistência muito tímida, se ainda é claro na classe política e no meio cultural brasileiro nestes tempos de despertar de verdadeiras oposições, àquela época ainda mais. E bem se viu que, nessa questão pontual, o “povo” e essa “inteligência esquerdista” estavam em franco descompasso. Novamente isso ocorre nas discussões atuais sobre a maioridade penal. E novamente aparecem os “santinhos” politicamente corretos da imprensa para tomarem partido pelo lado impopular.

Em um movimento muito inteligente, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) sugeriu, no começo da semana, a realização de um referendo em 2016 para que a população decida pela redução ou não da maioridade. “O PT não quer a redução da maioridade e acha que todos têm de concordar com eles. Tenho absoluta convicção de que a maioria da população é favorável. A Câmara não vai ficar refém dos que não querem que nada que os contrarie seja votado”, disse Cunha, numa colocação muitíssimo feliz. Que se esperaria dos barulhentos adoradores da “vontade popular”? Que aplaudissem a iniciativa! Vamos deixar o “povo” decidir! Só os tolos aguardariam o óbvio de quem vive de retóricas vazias. Em um passe de mágica, as “massas emancipadas e sábias” se tornam a “sociedade conservadora”, e passa a ser um risco deixar de tutelá-las e permitir que atuem e tomem decisões por si mesmas. A falácia se desmonta; depois disso, o governo vem tentando articular, de todas as formas, um projeto alternativo que impeça a redução da maioridade – propondo limitar-se, por exemplo, ao aumento da pena de aliciadores de menores ou a transferência de menores detidos para presídios após os 18 anos. De acordo com matéria publicada na seção de notícias do Yahoo, o vice-presidente Michel Temer – do partido de Cunha – quer, mais uma vez adocicando para o governo de Dilma e do PT (de que, em última instância, faz parte), demover o colega de partido da ideia do referendo, alegando que “todos sabem qual será o resultado” e que ele representará uma “vingança da sociedade”. Pois quê! Prevendo qual seria a decisão do povo, prontamente já a desqualificam sem sequer submeterem a questão, rejeitando qualquer influência que a população brasileira possa ter no processo. Quanto amor às massas! Quanta sintonia com seus anseios, suas inseguranças, seus valores!

O jornalista Kennedy Alencar, em seu blog, pôs-se ao choramingo, clamando por uma “aliança entre o PT e o PSDB para criar um grupo político na Câmara que dificultasse” a Proposta de Emenda Constitucional que sustenta a redução da maioridade para 16 anos. Segundo ele, faz-se mister que Lula, FHC e companhia deixem as diferenças de lado e promovam um enfrentamento responsável ao que ele chama de “centrão conservador” (?), que estaria sendo capitaneado por Eduardo Cunha para destruir as “conquistas de suas administrações” e estabelecer “retrocessos” no Brasil. Poxa, Kennedy, já é tão difícil convencer parte da nossa oposição a fazer oposição, e o colega aparece para exortá-la a se articular com o governo! Francamente…

Kennedy é apenas mais um a fazer eco ao pedantismo “esquerdopata” e “petralha” (há quem esteja por aí reclamando desses adjetivos pejorativos e “agressivos”; como se diria popularmente, “só lamento”, a verdade é para ser dita), que se enxerga defensor das causas superiores e detentor do conhecimento acerca do que é melhor para o povo, mas não tem pudores na hora de espezinhar a vontade desse mesmo povo, de desprezar suas preferências, de rejeitá-lo como bruto e inferior por não se alinhar aos seus projetos “magnânimos”. Que o povo brasileiro preste atenção e perceba quem está do seu lado, em vez de se deixar iludir por palavras passionais e mentirosas de quem mais não quer que ver imposto seu ponto de vista e satisfeitas suas conveniências.








Por Lucas Berlanza
Acadêmico de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na UFRJ, e colunista do Instituto Liberal.

Os notáveis do PT


Acordo sempre cedo. É hábito. Não importa que vá dormir tarde, como foi o caso ontem, ao receber amigos em casa. E pior: com um bate-papo agradável e o vinho fluindo, acordei cedo e com um pouco de ressaca. Vou, então, ler meu jornal, começando pelo carioca O GLOBO. E eis que me deparo, logo de cara, com essa notícia na coluna de Ilimar Franco:



Rapaz, não é mole não! É dose pra leão. Quer dizer então que esses são os “notáveis” do PT? Nem quero imaginar quem seriam os demais! Marco Aurélio Garcia, o estrategista gramsciano, aquele que ferrou de vez com nossa política externa ao adotar o viés bolivariano e antiamericano no Mercosul, enquanto fingia nem saber o que era bolivarianismo? Gilbertinho Carvalho, o que ainda precisa explicar melhor o caso Celso Daniel, mas prefere bancar a vítima? André Singer, aquele que se mostra incapaz de aprender com os erros e acha que o governo Dilma erra por não ser mais esquerdista? Olívio Dutra, o do “orçamento participativo” que ferrou seu estado, o que recebeu bandidos das Farc no Palácio Piratini, o que estendeu uma bandeira de Cuba no mesmo local, o que já foi acusado de ligação com bicheiros?

Se esse é o time de notáveis do PT, o partido está mal das pernas mesmo. A verdade é que o PT, muito centrado na figura de Lula, não soube renovar seu quadro de liderança, e continua dependendo dessa velha turma socialista. Mas também: quem mais sério, inteligente ou honesto aceitaria falar em nome do PT, não é mesmo? O PT é isso. O ódio aos Estados Unidos proferido pela boca de Garcia, a constante demanda pelo controle da imprensa, como adoraria Gilberto Carvalho, as amizades com terroristas e traficantes colombianos, como alimenta Dutra, o socialismo “intelectual” de Singer. Só dá porcaria!

Ler esses nomes abaixo do título com “notáveis” em destaque é uma piada pronta. Levei um susto tão grande que até curei minha ressaca. Aí lembrei que são essas pessoas que estão no poder, há mais de 12 anos! Será que está muito cedo para voltar a beber?





Por Rodrigo Constantino

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Os três eixos da revolução brasileira


A esquerda deixou de ter o monopólio da mídia e da produção de ideias. A internet deu voz àqueles que, isolados, nada podiam fazer para interferir no processo.


É notório que o Brasil vem num processo de transformação rápido, que tem sido produzido pela revolução socialista que está em curso. Esta revolução quer ser silenciosa e tem passado desapercebida para a maioria dos brasileiros. Poucas vozes se levantaram para denunciar e falar sobre o assunto. Quero aqui explicitar como esse movimento revolucionário tem sido implantado em nosso país.

São três eixos revolucionários que caminham em paralelo, mas mantendo os mesmos objetivos estratégicos e frequentemente se intercruzando. O primeiro deles é a chamada revolução gramsciana, que entrou em pauta com o maior dos seus estrategistas, Fernando Henrique Cardoso, quando da fundação do Cebrap, no final dos anos sessenta. O Cebrap virou um think thank e logo foi imitado por outros, basicamente para realizar a formação de quadros e a produção de ciências sociais comprometidas com a revolução. É claro que o Cebrap levou FHC à presidência da República, três décadas depois. A revolução gramsciana se consolidou com a posse de Lula e do PT na Presidência da República.

Basta ver uma breve lista de pesquisadores que passaram pelo Cebrap para se perceber como o organismo espalhou esporos por toda parte: Boris Fausto, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, Carlos Estevam Martins, Elza Berquó, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, Francisco de Oliveira, José Arthur Giannotti, José Reginaldo Prandi, Juarez Rubens Brandão Lopes, Leôncio Martins Rodrigues, Luciano Martins, Octavio Ianni, Paul Singer e Roberto Schwarz. Muitas das cabeças coroadas da academia e da imprensa nunca deixaram de ser agentes propagadores da revolução gramsciana, como se vê. Foram produtores de falsa ciência, a serviço da transformação social. Se você, leitor, fez algum curso universitário provavelmente saiu dele intoxicado com o veneno ideológico produzido por essa gente, que é autora da maior parte da literatura recomendada.

Os agentes formados por esses falsos gurus pouco a pouco foram tomando conta do Estado, de modo a transformar seus organismos em “aparelhos ideológicos”, a serviço da causa revolucionária. Tomaram conta primeiro da Educação e da Saúde. Depois de todo o resto.

Essa revolução ganhou força quando dominou do pensamento universitário brasileiro, ao longo dos anos setenta e oitenta (e depois, já que nunca parou). Os professores e alunos passaram a ser divulgadores e doutrinadores das ideias revolucionárias e também cabos eleitorais quando as eleições aconteciam. A eficácia política foi total, a ponto de a direita ter desaparecido da cena política, só retornando agora, de forma embrionária e dispersa, com as eleições de 2014. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, será talvez a maior expressão política dessa nova direita. O Brasil está ainda hemiplégico, voado politicamente apenas com seu lado sinistro.

O segundo eixo da revolução é a cultural, que recebeu grande impulso depois da posse de FHC como presidente e ainda maior quando o PT o sucedeu. Políticas de cotas, de aborto, pró movimento gay, causa ambientalista, a busca obsessiva pela igualdade de gêneros no limite do ridículo, liberação do uso de estupefacientes, tudo tem sido feito nessa direção, naturalmente inspirado da Escola de Frankfurt. O objetivo derradeiro é destruir a família cristã e o Brasil como unidade, fragmentado em múltiplos “movimentos sociais”. Essa perna da revolução sofreu agora profundo revés porque Eduardo Cunha assumiu a presidência da Câmara de Deputados e, como primeira medida, decidiu retirar de pauta os pontos da agenda revolucionária.

O terceiro eixo é mais antigo e é caudatário de intelectuais que produziram ficção e não ficção desde o século XIX. A literatura e a filosofia foram postas a serviço da transformação. A Semana de Arte Moderna é expressão maior dessa tentativa revolucionária. Nossos grandes escritores, em alguma medida, fizeram da sua obra um veículo de propaganda da revolução.

Dos três eixos, o mais pernicioso e o mais profundamente arraigado é o terceiro. Contra ele só pode agir um processo de produção cultural em volume equivalente àqueles produzido pelas esquerdas, convencendo a inteligência brasileira, sua elite cultural bem como econômica, do erro que é abraçar a revolução. É um processo que levará décadas, por isso um partido político ou alguma liderança contrarrevolucionária não pode fazer muito, exceto aquilo que Eduardo Cunha fez. É preciso reescrever os livros didáticos, que surjam novos escritores comprometidos com a causa da verdade, que os jornais saiam das mãos dos comunistas, que os professores deixem de ser agentes da transformação para serem os portadores da moralidade. Um movimento assim nem começa e nem acaba em partidos políticos, pois exige o engajamento de uma elite pensante que ainda não existe.

Eu vejo aqui e ali sintomas de vitalidade. É preciso fazer germinar um novo tipo de homem, comprometido com a verdade e o Bem. Vai demorar, mas, se serve de consolo, penso que essa reação está em curso, de forma espontânea. A esquerda deixou de ter o monopólio da mídia e da produção de ideias. A internet deu voz àqueles que, isolados, nada podiam fazer para interferir no processo. O simples fato de se discutir o assunto é já trabalhar para a sua superação.

Quem viver verá.






Por Nivaldo Cordeiro

Brasil, o filho pródigo caiu em si?


Há muito mais culpados entre os omissos do que entre os efetivos agentes do processo de destruição dos valores.

Quando decidi renovar meu velho blog, dando a ele o formato atual,  escolhi duas frases para aparecerem intermitentemente na “testa” do site: “O bom liberal sabe que há princípios e valores que se deve conservar” e “O bom conservador deve ser um defensor das liberdades”.

Creio nisso e me vejo, como católico, identificado com as duas vertentes. A liberdade é um dom esplêndido, que Deus respeita como atributo de suas criaturas muito mais do que elas mesmas costumam respeitar. E as responsabilidades que obviamente advêm da liberdade recaem sobre os indivíduos, sobre as pessoas concretas e não sobre grupos sociais, coletivos ou sistemas como alguns querem fazer crer.

É aí que entram os valores que balizam as condutas individuais e, por extensão, a ordem social e os códigos. É socialmente importante saber conservar o que deve ser conservado e mudar o que deve ser mudado. O bom conservador rejeita a revolução, a ruptura da ordem, a substituição da política pela violência, reconhece o valor da tradição e aprecia a liberdade como espaço para realização digna dos indivíduos e dos povos.

Não é por outro motivo que o movimento revolucionário e os que com ele colaboram atacam vigorosamente uns e outros. Liberais e conservadores são identificados, corretamente, como os adversários a serem vencidos. Essa batalha se trava no mundo da cultura. Gramsci descobriu isso e fez escola. Seus discípulos brasileiros, ditos intelectuais orgânicos, em poucas décadas tomaram o sistema de ensino das mãos dos educadores cristãos, inclusive na maior parte das instituições confessionais.

Nos anos setenta, incorporaram-se a essa tarefa inúmeros novelistas, diretores e produtores de programas de televisão em canal aberto. Tratei deles em meu artigo anterior “Acabou! Acabou!” (http://jornalevangelhoecidadania.blogspot.com.br/2015/06/acabou-acabou.html). Enquanto o comunismo era propagandeado como expressão sublime da bondade humana (!), coube àqueles profissionais a tarefa de destruir os valores da sociedade, em ação de lago espectro. Assim, foram zombando do bem, exaltando o mal, pregando a libertinagem e depreciando tudo que merecesse respeito. Foi um longo e bem sucedido processo de destruição moral do qual a corrupção que hoje reprovamos é mero subproduto. A população de patifes, canalhas e sociopatas aumentou em proporções vertiginosas.

Houve um relaxamento até mesmo entre as consciências bem formadas. Gravíssima a omissão de quantos a isso deveriam resistir, nas famílias, nas escolas, nas igrejas e nas instituições! Devemos reconhecer, então: há muito mais culpados entre os omissos do que entre os efetivos agentes do processo de destruição dos valores. As liberdades recuaram simultaneamente porque esse era o objetivo final do projeto de dominação cultural: estabelecer a hegemonia política, com o Estado avançando sobre as autonomias dos indivíduos, das famílias e da sociedade e das liberdades econômicas. Foi assim que assistimos, durante décadas, sucessivas derrotas dos conservadores e dos liberais, tão numerosos quanto acomodados.

Felizmente, a cada dia que passa, cresce o número de brasileiros conscientes das causas da desgraça que acometeu a sociedade brasileira. São as pesquisas que o indicam com clareza. Foi tamanha a lambança, tão generalizada a degradação moral, tão impertinentes os abusos do Estado, a cascavel, enfim, tanto agitou seu chocalho que acabou despertando as consciências de sua letargia. A nação dá claros sinais de estar refletindo sobre o que fez de si mesma.






Por Percival Puggina

Quando aprenderão?


O Brasil do futuro que se vislumbrava nos debates públicos dos anos 90 era exatamente o que temos hoje: um vácuo sangrento, um Nada crescente e invencível que tudo devora.


Excetuadas algumas frustrações e desencantos banais que não vêm ao caso, só guardo uma única tristeza na alma: a de não sido ouvido numa época em que ainda havia tempo de bloquear a ascensão comunopetista e impedir que o Brasil mergulhasse no lodaçal em que vai afundando hoje em dia.

Não vai nisso o menor ressentimento pessoal. A indiferença à mensagem quase nunca implicou hostilidade ou desprezo ao mensageiro. Sempre fui muito bem recebido em toda parte. As pessoas me ouviam, aplaudiam e, com ares de amável ceticismo, prometiam pensar no assunto.

Ficaram pensando até agora. Nada fizeram.

Semana após semana os acontecimentos foram se avolumando exatamente como eu havia previsto, e ainda assim até os melhores entre os meus ouvintes continuaram acreditando que tudo passaria com o tempo, que nada de mau sucederia que não viesse a ser corrigido automaticamente pela mágica do mero rodízio eleitoral.

Isso era impossível, protestava eu. Onze anos atrás escrevi:

“Quem quer que, a esta altura, ainda sonhe em ‘vencer o PT’, seja nas próximas eleições, seja ao longo das décadas vindouras, deve ser considerado in limine um bobão incurável, indigno de atenção.

“O PT, como digo há anos, não veio para alternar-se no poder com outros partidos -- muito menos com os da ‘direita’ -- segundo o rodízio normal do sistema constitucional-democrático. Ele veio para destruir esse sistema, para soterrá-lo para sempre nas brumas do passado, trocando-o por algo que os próprios petistas não sabem muito bem o que há de ser, mas a respeito do qual têm uma certeza: seja o que for, será definitivo e irrevogável.

“Não haverá retorno. O Brasil em que vivemos é, já, o ‘novo Brasil’ prometido pelo PT, e não tem a menor perspectiva de virar outra coisa a médio ou longo prazo, exceto se forçado a isso pela vontade divina ou por mudanças imprevisíveis do quadro internacional.”


Continuava:

“É deplorável ter de insistir numa coisa tão evidente, mas uma estratégia de escala continental, escorada numa rede global de organizações e no completo domínio da atmosfera cultural não pode ser enfrentada por meio de resistências locais, de espertezas provincianas, de críticas pontuais a erros econômico-administrativos ou da aposta louca nas brigas internas da facção dominante, que só a revigoram. A desproporção de forças, aí, é tão brutal, tão avassaladora, que não vale nem mais a pena insistir no assunto.”

Isso foi em 2004 (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/040212jt.htm.).

Hoje até as crianças sabem que o establishment brasileiro – a administração pública, três quartos do Congresso, o STF, o sistema judiciário praticamente inteiro, a justiça eleitoral, a educação desde o primário até a universidade, a CNBB, parte considerável da “grande mídia” e um punhado de mega-empresas – se reduziu a uma máquina dócil e bem azeitada para amparar as tramas do PT, assessorar e acobertar os seus crimes, ajudá-lo na realização dos planos do Foro de São Paulo e na instauração da Pátria Grande comunista dos sonhos dos irmãos Castro e de Nicolás Maduro.

Chegamos finalmente a uma situação em que mesmo dois milhões de brasileiros clamando nas ruas, multidões xingando Lula e Dilma por toda parte e noventa por cento da população exigindo nas pesquisas de opinião o fim do império petista são impotentes para remover de seus postos os delinqüentes que se apossaram do país e dele fizeram um bordel de luxo para os poucos, um favelão para os demais.

Na melhor das hipóteses, ela mesma remota e dificultosa, conseguirão obter do Congresso, como prêmio de consolação pela legitimação de eleições notoriamente fraudulentas, um miserável impeachment presidencial, medida simbólica que bem pode deixar intacto o restante do sistema comunocleptocrático instalado em Brasília.

Quer isso dizer que minhas previsões de 2004 fossem proféticas? Que nada. Estavam é atrasadíssimas. Em 1993, no livro A Nova Era e a Revolução Cultural, eu já havia exposto o plano praticamente inteiro do PT para a dominação do país. O livro não foi ignorado. Vendeu uma edição inteira no dia do lançamento, outra nas semanas seguintes. A terceira esgotou-se, a quarta (Vide Editorial, 2014) já está no fim. Foi lido e guardado na estante, bem longe da possibilidade de inspirar qualquer ação, mesmo tímida.

Em 1989, em conferência na Casa do Estudante no Brasil, sob o título “O fim do ciclo nacionalista”, eu já equacionava o drama de um país cuja cultura se formara sob o signo do nacionalismo e da busca da identidade (o “senso da nacionalidade” de que falava Machado de Assis) e ao qual coubera o destino infeliz de começar a projetar-se no cenário do mundo justamente numa época em que a tendência geral é dissolver as soberanias nacionais e absorvê-las em conglomerados regionais que vão tentando aplanar o caminho para a ambição utópica mas persistente de um governo mundial.

Ao ver hoje a marcha triunfante da Pátria Grande, que o povo odeia mas da qual não sabe como se livrar, pergunto-me por que, de tantos intelectuais, políticos e militares que me ouviram na ocasião (pois repeti a conferência em vários lugares), nenhum entendeu que, naquele momento, a inventividade, a audácia criadora, em vez da acomodação preguiçosa no culto beócio da “estabilidade das nossas instituições”, eram uma questão de sobrevivência, não de livre escolha?

Por que tantas pessoas aparentemente inteligentes, em vez de vasculhar os livros e documentos a que eu me referia, preferiram crer na lenga-lenga anestésica da TV Globo e da Folha, para cujos porta-vozes eu era apenas um alarmista histérico, um “saudosista da Guerra Fria”, ou, como disse textualmente o sr. Octávio Frias Filho, um açoitador de cavalos mortos?

Quem, hoje, exceto o alucinado Marco Antonio Villa, que ama tanto a chacota que a atrai toda para si, seria ainda louco de negar que praticamente tudo o que expliquei e previ ao longo dos anos era no mínimo o que havia de mais próximo à verdade, enquanto em volta os luminares, os bem-pensantes, os senhores doutores, os consultores pagos a peso de ouro, só repetiam chavões soporíferos tipo “Lula mudou”, “o socialismo morreu”, “as nossas instituições são sólidas” etc. etc.?

Aos poucos, porém, fui notando que as mudanças históricas que eu descrevia -- e que as inteligências mais vigorosas da platéia não negavam, mas nas quais nada viam além de uma caminhada brilhante em direção a “mais democracia” – traziam, em si mesmas, a causa da incompreensão com que minhas palavras eram recebidas.

Comecei a documentar esse aspecto do processo em O Imbecil Coletivo, de 1995: estrangulada pela “ocupação de espaços” gramsciana, onde o critério do prestígio intelectual e artístico passava a ser uma carteirinha do PT ou do PSOL, a alta cultura no Brasil agonizava.

As inteligências definhavam a olhos vistos, tornando impossível um debate sério sobre o que quer que fosse e substituindo tudo por uma linguagem de clichês na qual nada se podia dizer que já não tivesse sido dito mil vezes.

A juventude, nascida já no meio da debacle, não podia ver nela nada de anormal, por lhe faltar a escala comparativa. Acomodava-se à degradação confortavelmente, prazerosamente, embriagada pela promessa de deleites sensuais espetaculares sob a proteção do Estado-babá.

Mas, para quem tinha sido criado na época em que os debates culturais e políticos eram conduzidos por leões como um Otto Maria Carpeaux, um Álvaro Lins, um Nicolas Boer, um Julio de Mesquita Filho, um Antônio Olinto, um Mário Ferreira dos Santos, um Vilém Flusser, ver de repente o cenário intelectual ocupado inteiramente por micos-leões-dourados tipo Emir Sader, Marilena Chauí, Renato Janine Ribeiro, Vladimir Safatle, Gilberto Felisberto de Vasconcelos, Luís Fernando Veríssimo e tutti quanti era algo que prenunciava, para esta parte do mundo, uma idade das trevas.

Analisado à luz da regra de Hugo von Hoffmanstal, de que “Nada está na política de um país que não esteja primeiro na sua literatura”, o Brasil do futuro que se vislumbrava nos debates públicos dos anos 90 era exatamente o que temos hoje: um vácuo sangrento, um Nada crescente e invencível que tudo devora.

Documentei o fenômeno em linguagem satírica, que a evolução posterior dos acontecimentos veio a tornar inadequada à medida que o ridículo e o grotesco, passando da esfera das idéias à dos atos e das leis, afirmaram o poder da sua autoridade incontrastável e se consolidaram nas formas monstruosas do deprimente, do abjeto, do indescritivelmente vergonhoso. Daquilo que não pode ser satirizado porque, como diria Karl Kraus, já ultrapassou as fronteiras da sátira.

Não posso repassar mentalmente esse trajeto sem que me volte à memória o refrão de uma velha canção folclórica americana: “Oh, when will they ever learn?”








Por Olavo de Cravalho

Um simples desafio ao "sem-teto" Guilherme Boulos

                                Boulos e Lula: os “altruístas” que querem socializar a riqueza alheia

Dar holofote ou não dar a um sujeito como Guilherme Boulos? Eis a questão. Tudo que o rapaz quer, além de verbas públicas, é atenção. Mas, por outro lado, como perder a oportunidade de mostrar a falta de honestidade intelectual e a estupidez de nossa esquerda, tão bem representada pelo líder dos “sem-teto”? Em sua coluna na Folha (sim, o moço tem uma coluna no jornal que considera “golpista” e tudo mais), Boulos tenta rebater a acusação de hipocrisia da esquerda caviar, que ele, como filhinho de papai professor da USP, tão bem representa. O tiro sai pela culatra. Ele se perde naquela baboseira de “socialista não precisa fazer voto de pobreza”. Diz ele:

É o que faz a direita de hoje. Confunde intencionalmente duas questões distintas: defender o capitalismo e viver no capitalismo. Vivemos em uma sociedade capitalista, com tudo o que isso implica. Viver nela não significa defendê-la, aliás para criticá-la e combatê-la é preciso estar nela.

O argumento bronco considera tudo isso uma sutileza metafísica e diz, com a argúcia da Idade da Pedra: “Se é contra o agronegócio, então não coma!”, “denuncia a privatização, mas usa energia elétrica da AES em casa!”, “é socialista, mas tem computador!”, e outras pérolas mais. Enfim, a esquerda de verdade deve se alimentar por fotossíntese, usar velas e mimeógrafo.

[...]

O que essa turma não entende –e possivelmente nunca entenda– é que defender posições de esquerda não significa voto de pobreza, viver a pão e água. Quem impõe a vida a pão e água a bilhões de pessoas ao redor do planeta é o capitalismo e é exatamente por isso que a esquerda o combate. Não se trata de defender a socialização da miséria, mas sim das riquezas. Algo, aliás, profundamente atual num mundo onde elas estão concentradas em 1% da população.


Que show de horror! E o pior é que deve ter muito “intelectual” e psi que vibra, em busca desesperada por algum alívio em sua hipocrisia exposta. Mas vamos lá: então o socialista não precisa abdicar dos bens capitalistas, pois ele vive no capitalismo? Ok. Mas ele precisa ser tão ganancioso assim, como alguns se mostram? Precisa gostar tanto dos produtos capitalistas enquanto destila seu ódio ao mesmo capitalismo que produz esses luxos?

Será que não salta aos olhos do invasor de propriedades que há uma clara incoerência entre pregar a igualdade e buscar sempre acumular mais e mais? Será que ele não percebe que é, sim, hipócrita “adorar” o socialismo e nunca escolher viver ou passar férias em Cuba ou na Venezuela, mas sempre em Nova York ou Paris? Será que ele acha mesmo que o leitor é idiota a ponto de não ver nada de mais num artista que condena o lucro como exploração enquanto possui milhões no banco?

Ah, mas eles não querem fazer voto de pobreza. Querem igualdade, mas socializando a riqueza! Risos. Muitos risos. Só tem um pequeno detalhe, que o “gênio” Boulos não percebeu (ou percebeu e ignorou, porque não é honesto): eles, socialistas, assumem a riqueza como um jogo de soma zero, como um bolo fixo, tanto que ele termina o texto falando da “concentração de riqueza nos 1%”. Então, se o socialista que assim pensa quer mais igualdade, é claro que ele precisa começar fazendo sua parte e distribuindo melhor a sua riqueza!

Mas nunca veremos isso. Veremos, como vemos, muito capitalista fazendo filantropia, o que não é socialismo, como Boulos afirma de forma estúpida. Ajudar o próximo, dar coisas para os filhos, isso não é ser socialista, e só na cabeça oca do invasor de propriedades poderia haver tanta confusão mental. Socialismo é um regime econômico e social, em que os meios de produção pertencem ao “coletivo”, administrados pelo estado. Solidariedade, que deve ser sempre voluntária, não tem nada a ver com socialismo.

Boulos fazer parte da turma canalha que dá mais valor ao discurso do que à prática, à retórica do que aos resultados e ações. Filhotes de Rousseau, o “filósofo da vaidade”, que “amava” a Humanidade como abstração, mas abandonou todos os filhos. Eles odeiam o capitalismo e amam a igualdade, mas quando escolhem coisas, sempre demonstram o contrário. As ações negam as palavras, mas vivem das palavras falsas, da mentira. Como disse um leitor, para Boulos não basta que Fidel e Che tenham um relógio para ver as horas; é preciso que seja um Rolex! E não há nada demais nisso…

E agora vem, então, o simples desafio ao invasor de propriedades: diga um, apenas um caso de experimento socialista que funcionou, que deu certo, que gerou o resultado esperado, que “socializou as riquezas”. Vamos lá: o homem é tão “corajoso” na hora de invadir propriedades, e será um covarde na hora de responder a um simples desafio desses? Se o capitalismo é o culpado pela miséria mundial, como pode os países mais capitalistas terem menos miséria, enquanto os socialistas são justamente os mais miseráveis?

A única coisa que o socialismo conseguiu produzir foi miséria e escravidão. Fatos históricos, corroborados pela lógica da boa teoria. Mas claro que Boulos ignora isso. Ele ignora tudo, pois vive da exploração da ignorância alheia. É um oportunista, um filhinho de papai que mama nas tetas do estado, que prega o socialismo enquanto gosta de viver bem. Em qualquer país sério ele estaria preso por seus atos. Aqui ele ganha uma coluna no maior jornal do país, para atacar a própria mídia “golpista” e para destilar seu ódio ao capitalismo, enquanto dele usufrui. Alguém fica surpreso de o Brasil estar essa porcaria?






Por Rodrigo Constantino

Paulo Freire e o assassinato do conhecimento


Paulo Freire. Filósofo, pedagogo, e educador, considerado o patrono da educação em nosso país, possui títulos de honoris causa em faculdades tarimbadas no mundo, como Oxford, Cambridge e Harvard, onde foi professor convidado. Sua teoria de educação é muito propagada no Brasil e os resultados do desenvolvimento educacional do Brasil não são dos melhores. Mas por que a educação brasileira tem a ver com a teoria de Freire?

Paulo Freire era adepto da teoria marxista e a sua aplicação na educação, implantando a luta de classes no ambiente escolar, dizendo que o problema educacional era social, que os menos favorecidos tinham que ser introduzidos na política, com uma das suas teorias mais conhecidas, a Pedagogia da Libertação, onde incorpora-se que não existe educação neutra. Aí está uma das origens da nossa já conhecida doutrinação marxista nas escolas e universidades, que em vez de formar cidadãos e profissionais para o crescimento do país, forma soldados dispostos a defender com unhas e dentes o marxismo no meio acadêmico.

Na sua principal obra, Pedagogia do Oprimido, Freire exalta a teoria da Ação Antidialógica, onde centra-se a “ação dos dominadores”, que preferem manter a divisão, para poder continuar a opressão e manter a manipulação, deixando as classes menos favorecidas fracas e facilmente manipuladas. Nada mais que a luta de classes proposta pelo alemão Karl Marx, só que com outras palavras.

Paulo Freire participou da última grande reforma educacional brasileira, ocorrida em 1996 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Tal reforma deu origem à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, cujos resultados estão aí para todos nós vermos. Nossa educação continua atrasada, doutrinária e fraca.

Contudo, a problemática da educação brasileira não vem de 1996, e sim do fim da década de 1950. Foi a época que as teorias de autores de esquerda ganharam força no Brasil e Paulo Freire estava nesse “pacotão” de autores, onde estavam na lista também Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Sérgio Buarque de Hollanda, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Maria Yedda Linhares. Em vez de solucionar o problema, o “Método Paulo Freire” só agrava o problema da educação nacional. Além da suspeita de plágio do método, mostrado pelo site Mídia Sem Máscara em artigo escrito pelo historiador David Gueiros Vieira, mostrando que o mesmo foi criado na verdade pelo americano Frank Laubach em 1915.

Enquanto a educação brasileira for baseada no método freireano o resultado continuará sendo o mais desanimador possível, com o nosso país caindo ainda mais no ranking do PISA (Programa internacional de avaliação de alunos) com o desempenho pífio de nossos alunos, que em vez de priorizada uma educação formativa de fato e neutra, tem aulas de marxismo que corrompem a mente de nossas crianças e adolescentes em prol da revolução cultural e silenciosa que o italiano Antonio Gramsci propunha. Paulo Freire tem uma grande colaboração nesse resultado triste para o futuro de nosso país. Precisamos urgentemente de mais mentes pensantes no futuro para ajudar no crescimento de nosso país, não de mais soldados socialistas.





Por Jefferson Viana