quarta-feira, 3 de junho de 2015

As tramas do lulopetismo


Documento interno da corrente do PT da qual Lula é o mandachuva, a ser apresentado no Congresso do partido que se reúne este mês em Salvador, proclama: “Não se pode fazer da necessidade de sanear a situação fiscal a ocasião para a apologia de uma política econômica conservadora, cujas consequências bem conhecemos”. A crise em que o projeto de poder de Lula mergulhou o País sugere, porém, que a forma mais adequada de colocar a questão é outra: não se pode fazer da necessidade de defender conquistas sociais a ocasião para a apologia de uma política econômica populista e irresponsável cujas consequências, que bem conhecemos, é o empobrecimento geral.

Não passam de pura encenação e de mero jogo de disputa de poder os arreganhos dos lulopetistas contra o projeto de ajuste fiscal coordenado, em nome da presidente da República, pelo ministro Joaquim Levy. Ninguém no PT ignora que o futuro do partido depende da capacidade do governo, pelo qual o partido é responsável, de corrigir os próprios erros para promover a recuperação da economia e a retomada do crescimento, condição essencial à garantia e ampliação de conquistas sociais. Ninguém, no PT de Lula, ignora que a gravidade da situação exige o remédio amargo do corte de despesas e aumento de taxas e tributos, agora, indispensáveis para o saneamento das contas públicas. Ninguém no PT de Lula – como, de resto, todos os brasileiros, à exceção talvez da militância acrítica e da massa sindical manipulada – ignora que o ajuste fiscal exige sacrifícios do conjunto da sociedade e não apenas dos mais pobres, embora seja sensato e justo cuidar para que o impacto sobre estes últimos seja o menor possível.

Mas o lulopetismo está comprometido, muito mais do que com a defesa de causas populares das quais se proclama patrono exclusivo, com sua própria ambição de permanecer no poder a qualquer custo. Por isso não se peja de, sendo o partido do governo, posar de opositor às medidas que o governo propõe para tirar o País do buraco no qual o lançou.

A estratégia lulopetista consiste em atacar Joaquim Levy, o “mão de tesoura”, o “neoliberal”, o “representante dos banqueiros”, na tentativa de vê-lo substituído pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, antigo e competente membro do quadro petista, saudado como “desenvolvimentista”. Supondo que Dilma Rousseff se deixe pressionar a ponto de promover essa troca, o que ocorrerá? Nelson Barbosa vai rasgar o programa de ajuste fiscal que ajudou Levy a elaborar e está ajudando a implantar, independentemente de eventuais divergências pontuais com o parceiro? Dilma Rousseff, que claramente apoia o trabalho que seu ministro da Fazenda desenvolve em seu nome, vai pedir desculpas ao PT e abandonar a “política econômica conservadora”?

Se o comando da equipe econômica viesse a ser assumido por alguém indicado pelo PT – na hipótese aparentemente improvável de que, por qualquer razão, Joaquim Levy deixasse o cargo –, é difícil de acreditar que, no essencial, alguma coisa mudasse. O discurso oficial seria certamente “adaptado” às tradicionais bandeiras petistas, mas o programa de ajuste permaneceria basicamente o mesmo, por absoluta falta de alternativa. E, docemente constrangidos, os petistas assumiriam a mesma postura pragmática que adotaram no primeiro mandato de Lula, quando as bases para seu ambicioso programa social foram garantidas pela estrita observância dos fundamentos do Plano Real e Lula e o PT faturaram alto com os resultados obtidos.

De qualquer modo, um problema sério estaria criado. Quando nomeou Joaquim Levy, a presidente da República tinha em mente a intenção de conquistar a confiança e o apoio do mercado para o desafio de recolocar o País na trilha do crescimento. É certo que os agentes financeiros e econômicos, daqui e de fora, considerariam uma eventual reviravolta dessa natureza um retrocesso definitivamente comprometedor da credibilidade do governo Dilma.

Aos trancos e barrancos o governo tem conseguido aprovar no Congresso as propostas para o reajuste fiscal. Se tudo der certo, todos ganham, inclusive o PT. Mas Lula continua pescando em águas turvas para poder botar em Dilma a culpa de tudo o que der errado.




Fonte: Editorial do Estadão

Ministro usa estatais para fazer campanha de paz, mas quem fomenta o ódio é o próprio PT


Petistas são mestres na cara de pau, e adoram se fazer de vítima. Passaram décadas fomentando o ódio: de classe, de raça, de gênero. Mentiram como nunca antes na história deste país. Foram cínicos de uma forma que jamais se viu antes. Praticaram um estelionato eleitoral sem equivalente em nossa República. E, claro, destruíram a economia brasileira, com recessão e alta inflação. Depois de tudo isso, o que fazem? Ficam “chocados” com o grau de virulência contra os petistas, com o “ódio” disseminado pela população, e usam verbas públicas para fazer “campanhas de paz”:

Diante da onda de hostilidade e animosidade políticas que sente desde o fim das eleições passadas, o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), instruiu empresas públicas, sobretudo Caixa e Banco do Brasil, a fazerem propagandas incentivando a cultura de paz. A reunião ocorreu em abril.

— Tem um monstro sendo alimentado dentro de uma lagoa, toda vez que se dissemina o ódio. Esse monstro já colocou a cabeça para fora algumas vezes e, se sair por completo, vai ser incontrolável — disse ao GLOBO Edinho, referindo-se aos ataques contra os ex-ministros Guido Mantega (Fazenda) e Alexandre Padilha (Saúde).

No domingo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, juntou-se ao grupo de petistas alvo de constrangimento público. Ao fim da apresentação da peça “Chaplin, o musical”, em um teatro da capital, o ator Jarbas Homem de Melo voltou ao palco e pediu a palavra. Agradeceu a presença de Haddad. As vaias tomaram o teatro.

— Vejo amigos brigando, famílias se dividindo, não é só a intolerância contra políticos. Temo que esteja mudando a cultura brasileira, sempre apaziguadora. Há lideranças importantes se manifestando com ódio — disse Edinho.

Desde meados de maio, a Caixa leva ao ar uma peça televisiva cujo tema é tolerância. Na propaganda, um menino veste camisas de times patrocinados pela Caixa. Um narrador explicita a mensagem:

— Todo brasileiro já nasce sabendo conviver com as diferenças.


Nem todo, nem todo. Os petistas, por exemplo, não sabem. Enxergam as diferenças ideológicas e políticas como mortais, pois não encaram os oponentes como oponentes, mas como inimigos. Chamam de “coxinhas” aqueles que divergem de suas propostas estatizantes e sensacionalistas. Atacam com rancor os conservadores e liberais, acusados de “reacionários” ou coisa pior. Petista sabe conviver com as diferenças? Onde?

Alguns políticos petistas estão sendo vaiados em público? Ó, céus! Quanta agressividade, quanta violência! São “monstros em gestação”. Mas roubar bilhões das nossas estatais, tudo bem? Proteger bandidos e assassinos, tudo certo? Enaltecer ditaduras cruéis, tudo beleza? A agressão mesmo é a vaia em público, não o que o PT vem fazendo com o país: é isso mesmo, cambada?

Então vamos ver uma pequena amostra da bondade, do amor ao próximo, da caridade petista:


“Eles têm que apanhar nas ruas, e nas urnas!”, gritou José Dirceu, ícone do PT. Quanta paixão pela divergência!




Marilena Chaui, a “pensadora do PT”, ama a classe média, como podemos ver. Lula só ria enquanto a “filósofa” destilava seu ódio. Mas o PT é só amor, é só camaradagem com os divergentes.

Durante a última campanha eleitoral, o que se viu foi impressionante: os petistas partiram para a agressão chula, e o ex-presidente Lula, deixando qualquer decoro de lado, atacava o adversário tucano com palavras de baixo calão e insinuando vícios terríveis. Chegou a afirmar que Aécio Neves desrespeitava mulheres, fazendo uso de uma estratégia pérfida ao ignorar que a palavra “leviana”, usada em debate pelo tucano, tem outro sentido no nordeste. Enquanto isso, eis a reação de Aécio:


Muito ódio? Já Lula, símbolo maior do petismo, é só amor no coração, não é mesmo? Por isso que ele ameaçou colocar o “exército de Stédile” na rua, incitando uma guerra civil. Pois ele é o “Lulinha paz e amor”, ao contrário desses seres odientos da oposição:




Diante disso tudo, o que podemos dizer sobre algumas vaias por parte de uma população cansada de tanto abuso, revoltada com tanto cinismo e descaso? E o que dizer da reação hipócrita dos petistas, que se fazem de vítima e ainda usam os nossos recursos, por meio das estatais, para fazer campanha de “paz” a favor do PT? Vaia neles!





Por Rodrigo Constantino

Cretinices gramscianas (I)


Como foi que o comunopetismo, após cinco décadas de hábil e continuado esforço para conquistar a hegemonia segundo a receita de Antonio Gramsci, caiu do sucesso avassalador para o fracasso total em apenas um dia, a data fatídica de 15 de março?

A resposta é simples: a receita gramsciana está errada. Não funciona. Não vale nada, seja como análise da estrutura do poder, seja como fórmula para conquistá-lo. Serve para infundir na esquerda um entusiasmo temporário que termina por jogá-la num buraco ainda mais fundo do que aquele do qual pareceu tirá-la no começo.

Tal como o marxismo clássico, o revisionismo de Bernstein e Kautsky, o leninismo, o stalinismo, o trotskismo, o maoísmo, a teoria “foquista” de Régis Débray, o marxismo estrutural de Louis Althusser e não sei mais quantas versões e remodelagens, o gramscismo nunca passou de mais uma na série interminável de formas ilusórias, entre patéticas e mortíferas, de que o marxismo se revestiu no empenho louco de dominar a realidade total e moldar o curso da História.

Um traço essencial do pensamento esquerdista, cuja disseminação nas escolas brasileiras basta por si só para explicar o decréscimo de capacidade dos nossos estudantes, jornalistas, professores universitários e intelectuais em geral, é aquele que, à falta de melhor nome, chamo “indução mediada”.

No processo normal do conhecimento científico, o acúmulo de fatos convergentes sugere uma constante, que então se consolida em hipótese descritiva e deve ser testada no confronto com possíveis fatos divergentes antes mesmo de adquirir o estatuto de “teoria”.

Na visão esquerdista das coisas, entre os fatos e a hipótese descritiva já se interpõe toda uma teoria prévia – carregada, sempre, de moralismo acusador – que não só obriga os fatos a ir na direção desejada, mas obstaculiza, proíbe e impossibilita de antemão o confronto com os fatos divergentes, ao ponto de que o simples fato de alegá-los se torna prova da acusação embutida.

Notem bem: eu não disse que isso acontece de vez em quando, que é um cochilo freqüente entre pensadores de esquerda. Disse que é um traço essencial e infalível, presente mesmo nas criações mais altas da intelectualidade esquerdista e sem o qual ela não poderia ser esquerdista de maneira alguma.

A teoria interposta tem uma infinidade de versões, mas pode-se resumir numa premissa simples e unívoca:Todos os males do mundo provêm de que aqueles que estão no poder não somos nós (comunistas e afins). Levei décadas para perceber que essa premissa, com toda a candura da sua estupidez brutal, está presente em cada linha não só dos “clássicos do marxismo”, Marx, Engels, Lênin, Stalin, Mao, mas dos militantes intelectuais marxistas mais sofisticados, como Lukacs, Sartre, Merleau-Ponty, Foucault, Althusser, Gramsci. Retire-a, e tudo o que eles escreveram não passará de um imenso e insensato non sequitur, tirando dos fatos conclusões que eles não sustentam nem em sonhos. Ponha-a de volta, e tudo começará a fazer sentido, mas não como teoria científica e sim como camuflagem pseudocientífica de uma intransigente e psicopática reivindicação de poder.

O próprio Marx já confessou isso implicitamente na sua 11a. Tese sobre Feuerbach: “Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo; o que importa é transformá-lo.” Se o filósofo pode exercer a sua atividade contemplativa longe dos altos escalões do poder e sem nenhuma intenção nem mesmo de freqüentá-los, “transformar o mundo” requer, como primeiríssima condição, o poder de fazê-lo. Tudo, absolutamente tudo no pensamento marxista, marxiano, pró-marxista e marxistóide depende fundamentalmente dessa premissa, sem a qual ele não poderia ser o que é.

Isso quer dizer que, mesmo ao falar de assuntos que estão aparentemente a léguas de qualquer luta pelo poder – as tragédias de Ésquilo, a arquitetura das catedrais ou a música de Mozart – o intelectual marxista (uso o termo lato sensu) está sempre investigando a mesma questão ou série de questões: Quem está no poder, como chegou lá, como podemos tirá-lo de lá e ocupar o lugar dele?

Tudo, absolutamente tudo entre o céu e a terra, é examinado sob esse prisma e somente sob ele. A variedade mesma dos assuntos que interessam aos marxistas é a prova de que essa perspectiva obsessivamente limitada e limitadora pode ser estendida a todos os objetos possíveis, já que tudo pode ser útil para a conquista do poder da mesma maneira que tudo pode ser meio ou obstáculo para a conquista de qualquer outro objetivo humano: a felicidade, a salvação da alma, a glória de uma nação ou raça, a prosperidade geral, a paz universal etc. etc. Tudo o que existe, sob qualquer modo que seja, se torna então um instrumento de dominação, e todo o problema consiste em saber como tomá-lo dos seus detentores passados e presentes e entregá-los aos comunistas.

Imaginem, por exemplo, em quê se transforma, na perspectiva marxista (repito: lato sensu), o estudo da linguagem.

Antonio Gramsci enfatiza que em muitas línguas o adjetivo “bom” vem da mesma raiz que significa “rico” ou, como no latim, é ele próprio um sinônimo de “rico”. O consensus bonorum omnium, “consenso de todos os homens bons”, a que Cícero apela contra o sedicioso Catilina, não é outra coisa senão a opinião dos ricos e poderosos, os membros do Senado, os optimates em oposição aos populares.

É um fato. Mas Gramsci interpreta-o como prova de que a linguagem é por excelência um instrumento da hegemonia, o controle do que a sociedade pode ou não pode pensar. Na medida em que acredita que os ricos são os bons, ela se sentirá inibida de agir contra eles.

Mas, se fosse assim, todas as palavras do idioma deveriam enaltecer as virtudes dos ricos e vituperar os vícios dos pobres. Não poderia existir, por exemplo, a palavra corruptio, que no uso romano significava eminentemente induzir ao mal por meio de propinas – um modo de agir que é próprio dos ricos e não está ao alcance dos pobres.

Nem poderia existir o verbo spolio, spoliare, que, em contraste com outras acepções do verbo “roubar”, comosubripio, latrocinor, surrupio etc., designa eminentemente a espoliação do fraco pelo forte, do pobre pelo rico.

Se a linguagem fosse propriedade dos ricos e instrumento da sua glória, toda palavra que por si insinuasse alguma coisa contra eles deveria ser suprimida do vocabulário. Se não o é, é pela simples razão de que as palavras não são consagradas no vocabulário dominante pela classe dominante, mas pelos gramáticos e escritores, que tanto faz serem pobres ou ricos, assim como pelo uso popular repetido, que se prolonga pelos séculos e transcende quaisquer disputas momentâneas de poder.

“Bom” ser usado como sinônimo de “rico” não significa que os ricos sejam sempre bons, o que seria uma crença demasiado pueril para ter qualquer eficácia retórica, mas, simplesmente, que é melhor ser rico que ser pobre -- uma verdade que os pobres conhecem até mais que os ricos.

Isso sem contar o fato banal de que qualquer adjetivo pode ser usado em sentido literal ou em sentido irônico, dependendo da construção da frase. Para usar os termos clássicos de Saussure, o significado das palavras não é decidido no nível da língua, mas no da fala – no uso concreto que as pessoas fazem da língua.






Por Olavo de Carvalho

Acabou... Acabou...


Outro dia, escrevi sobre o comportamento abusivo de setores sociais que se consideram corregedores da opinião pública. Referia-me a grupos empenhados em nos instruir segundo seus próprios padrões de conduta. Estranhamente, percebi hoje, deixei de lado os autores e diretores de novelas da Rede Globo.

Como fui esquecê-los? A explicação é simples: há muitas décadas não assisto novela alguma. Mas sei que foi constante e persistente o trabalho desses profissionais para impor à sociedade suas pautas e suas posições político-ideológicas, através da audiência da maior emissora de tevê do país.

Serviram à população, lentamente, doses crescentes de drogas que a tornasse dependente e destruísse seus princípios e seus valores. Muitos dos atuais males vividos pelas instituições nacionais, partindo da família, passando pelo sistema de ensino, até chegar à política e às instituições do Estado, resultam, em boa parte, do longo processo sobre o qual aqui escrevo. A discussão sobre ele é antiga e se resume, essencialmente, em saber quem reflete o quê: a novela expressa a vida ou a vida reflete a novela?

Essa dúvida eu nunca tive. Durante anos participei de um grupo que fazia palestras sobre a formação do senso crítico, para criar mecanismos de defesa no ambiente familiar e escolar, construindo trincheiras de consciências bem formadas. Com o passar dos anos, o grupo se desfez por motivos que nada tiveram a ver com a tarefa em si. Mas sinto uma ponta de orgulho em saber que, há tanto tempo, tivemos claro discernimento sobre para onde a nação estava sendo conduzida.

Em entrevista que li lá pelo início dos anos 90, um dos maiores da profissão, filiado ao PCB, Dias Gomes, admitiu explicitamente que sua atividade profissional sempre estivera orientada nessa direção, inclusive durante os governos militares.

Por todas essas e por muitas outras, a matéria da Veja sobre a reação de Gilberto Braga e Dennis Carvalho, respectivamente autor e diretor da novela Babilônia, me fez muito feliz. Encantou-me o desalento da dupla que quis aumentar um pouco mais a dose da droga que serve à sociedade e obteve como resposta uma sólida rejeição.

A novela virou o maior fiasco do horário em toda a história da TV Globo. Mas o melhor de tudo foi ler que a dupla está estarrecida com a “caretice” da população. “Nós estamos no século 21, em 2015, e de repente as pessoas ficam chocadas com coisas que não chocavam antigamente”, lamuriaram-se.

Mas não é a novela que imita a vida, senhores? Agora mudou tudo? A rejeição da sociedade a essa novela mostra que sempre foram vocês que estiveram conduzindo a população através da falta de caráter e limites de seus personagens.

E agora, que os telespectadores lhes dizem – Basta!” - têm a audácia de atribuir a rejeição ao “politicamente correto”? Mas essa maldição do politicamente correto foi outra construção do mesmo plano sinistro que conduziam!

Esse ardiloso uso do poder da televisão também chega ao fim. Aquelas três novidades tecnológicas que mencionei outro dia – internet, telefone celular e redes sociais - estão derrubando o comércio de droga à população através da TV.

As pessoas estão sabendo mais, lendo outras coisas, assistindo vídeos de formação, ampliando seu discernimento e percebendo que com a perda da noção de limites são perdidos, também, muitos dos mais valiosos bens de que todos podemos dispor para nossa felicidade.







Por Percival Puggina
Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Joãozinho e Mariazinha


Conversa de Joãozinho e Mariazinha, verdadeiro retrato dos nossos “tempos modernos”:

Joãozinho: Você ouviu falar sobre o escândalo do governo PT?

Mariazinha: Aquele do mensalão? Aquele dos aloprados? Aquele do mensalinho? Aquele do petrolão? Aquele do apagão aéreo? Aquele dos correios? Aquele dos dólares na cueca? Aquele do caseiro Francenildo? Aquele da Erenice 6%? Aquele do Palocci virar milionário da noite para o dia? Aquele do Zé Dirceu ganhar fortunas dando “consultorias” desde seu “escritório” na Papuda? Aquele da Oi/Telemar virar sócia do filho do Lula para o papai mudar a lei e eles comprarem a BrT? Aquele do BNDES financiar porto em Cuba? Aquele de renegociar o contrato de Itaipu com o Paraguai? Aquele de deixar a Bolívia do `Querido Evo' expropriar a Petrobras? Aquele de transferir o dinheiro da saúde para Cuba contratando curandeiros? Aquele de alterar perfis da Wikipédia de críticas ao governo? Aquele de impor sigilo aos gastos dos cartões corporativos? Aquele de fazer plano de previdência para os netos com cartão corporativo? Aquele do Ministério dos Transportes? Aquele do Ministério da Pesca? Aquele dos gastos da Rose, "amiga" do Lula? Aquele da refinaria de Pasadena? Aquele dos bilhões emprestados pelo BNDES para o Eike e para a JBS?

Joãozinho: Não, aquele outro.

Mariazinha: Desisto! Ah, já sei! Descobri! Aquele escândalo dos mais de 54 milhões de eleitores desinformados que recebem bolsas e benefícios governamentais financiados com nosso dinheiro e que nos prenderam de novo com a administração mais corrupta e da história do Brasil?

Joãozinho: Sim, esse mesmo !!!


Isso que nem o Joãozinho nem a Mariazinha sabiam do escândalo da FIFA e da prisão do José Maria Marin pelo FBI, personagem que estava aqui nas nossas barbas saqueando impunemente o nosso combalido futebol, que na Libertadores só tem um clube: o meu conterrâneo Internacional. Como essa é a terra da impunidade, foi preciso que os americanos botassem o Marin nas grades de lá, já que nas de cá nem pensar... E foi justamente para escapar dos gringos que o Marco Polo del Nero, que não é besta, fugiu da Suíça e veio urgente para o Brasil, porque aqui, além da impunidade tradicional, ele é amigo do rei...

Falando de impunidade, o verdadeiro mal que corrói as entranhas da nossa Nação, vale citar a procuradora regional da República Zélia Pierdoná, que se manifestou logo depois da inesperada anulação da sentença de 21 anos imposta ao ex-dono do Banco Santos, Edmar Cid Ferreira, pelos crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e quadrilha. Disse a procuradora: “infelizmente a impunidade tem preponderado, seja pelo princípio do “coitadinho”, seja pelas nulidades processuais alegadas pelos advogados dos réus que dispõem de recursos”. Vale lembrar os “embargos infringentes” que amenizaram as penas dos condenados no mensalão.

Por essas e outras, a gente fica com medo de que os políticos envolvidos na Lava Jato continuem soltinhos da silva e que as investigações sobre nosso futebol não prosperem, verificando quanta grana rolou – e em que mãos foi parar - para que o Brasil sediasse o Mundial do ano passado e construísse estádios bilionários, apesar da tentativa do senador Romário de instalar uma CPI.

Se descobrirem alguma coisa e perguntarem para o Lula, por exemplo, ele dirá, como sempre, que não sabia de nada, mesmo tendo sido o comandante da tropa de choque que trouxe o campeonato e as Olimpíadas, evento este que ainda não chamou a atenção por “malfeitos”. Aliás, o Joseph Blatter aprendeu com o Lula. Para se perpetuar no cargo de presidente da FIFA disse que não sabia de nada, enquanto a compra de votos correu solta....

O diálogo do Joãozinho com a Mariazinha, que personificam todos nós, certamente será enriquecido e ampliado com outras pérolas podres que envergonham nosso país e enxovalham o nome do Brasil pelo mundo afora. Impunemente. E que não param de surgir.





Por Faveco (Flávio Corrêa)
Jornalista, publicitário e presidente da Brandmotion Consultoria de Fusões e Aquisições.

Uma década perdida


Dias atrás reli uma entrevista que concedi em outubro de 2005 a Revista Justiça e Cidadania, quando presidia o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Depois de responder a primeira pergunta, afirmando que a Ordem estava se posicionando de forma incisiva em relação à crise política do país – fruto do escândalo do mensalão -, afirmei que em períodos como estes é que mais se ressalta o viés público da advocacia e que a Ordem ajudou a construir parte da história da República brasileira, sempre através de atos e não de omissões.

Na sequência, afirmei o estado de imoralidade perpetrado por agentes públicos, e que vivíamos uma das piores crises, porque diferentemente das demais, nasceu de dentro para fora. Fora instalada por denúncias de um Deputado da própria bancada que dava sustentação ao governo de um grande esquema de corrupção que ficou conhecido como “mensalão”.

A terceira pergunta foi insidiosa: “o Senhor acredita que o Presidente esteja envolvido?”. Assegurei em outubro de 2005: “não tenho a mínima dúvida de que o Presidente sabia o que estava acontecendo no Palácio. Se não sabia, não tinha a menor aptidão para governar. Além de tudo, os membros de seu partido afirmam que o PT não pratica uma política individual, mas coletiva. Desta forma, o Presidente Lula estaria mais do que ninguém, comprometido até o último fio de sua barba”. E ao fim, encerrei afirmando textualmente: “O Presidente Lula foi conivente com os atos irresponsáveis, criminosos e ilegais dos próprios ministros, inclusive aquele lhe é mais íntimo: José Dirceu”.

Na continuação, vimos que o Procurador Geral da República da época, mandou arquivar queixa crime que firmei como Presidente da OAB, pedindo a investigação da participação de Lula naquele escândalo, o que resultou em sua não participação no processo que levou a grande maioria a prisão, inclusive seu “capitão” José Dirceu.

Dez anos se passaram e o Brasil no campo da ética andou de lado, ou para trás. Vemos agora pela biografia da gestão de José “Pepe” Mujica, líder esquerdista, amigo íntimo de Lula, de que nosso ex-Presidente confessou ter tido conhecimento do “mensalão” e se aproveitou da trama criminosa, para temerariamente governar o Brasil à base de propina e manter sua hegemonia política, que continua podre até hoje.

Agora vivemos tempos cinzentos e de grande dificuldade, por um fruto do novo escândalo, o “petrolão”, que quase aniquila a maior empresa brasileira, a Petrobrás, por duas razões: pela irresponsabilidade da gestão Dilma I, que praticou malversação dos recursos públicos para ganhar uma eleição, com afirmações mentirosas e atuação no campo financeiro temerário, mergulhando o país numa de suas maiores crises, e nesta gestão Dilma II, que pretende recolocar o trem nos trilhos, mas exigindo cada vez mais um enorme sacrifício do povo brasileiro, sem abrir mão das benesses palacianas e do enorme tamanho da máquina pública. Novamente esta crise chamada “petrolão”, não tem agentes da oposição do governo, foi detonado pelas delações premiadas de antigo Diretor da Petrobrás, doleiros e outras figuras sinistras envolvidas.

Olhando hoje em 2015 a situação de 2005, não sabíamos que éramos felizes, apesar de estarmos às voltas com o “mensalão”. Por isso afirmo: andamos para trás no campo ético e da boa administração pública, foi indiscutivelmente uma década perdida.




Por Roberto Busato
Presidente do Conselho de Advogados do Mercosul (COADEM) e presidente da OAB Nacional entre 2004 e 2007

Dom Quixote e a devastação econômica


Em linguagem popular, pode-se afirmar que o governo da República “está mais perdido do que cego em tiroteio”. Não obstante, os marqueteiros da mentira voltaram em grande estilo, tentando fazer a sociedade acreditar que “o pior já passou”. Na política, o vice-presidente Michel Temer (como disse um seu correligionário), transformou-se no RH do poder, cuidando das nomeações políticas. E paralelamente, articulando a política oficial.

Na economia, o ministro Joaquim Levy, na Fazenda, como um D.Quixote, tenta colocar a política econômica no caminho da racionalidade. A herança do governo Dilma I de devastação fiscal, aliada à fantasia da “nova matriz econômica”, gerou a situação pânica que estamos a viver. A busca de um superávit primário de R$ 66 bilhões, para 2015 foi o seu tiro de largada. O saneamento das contas públicas se desdobraria no contingenciamento de R$ 78 bilhões do Orçamento, reduzido pelo ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, para R$ 69,9 bilhões.

O ajuste fiscal para reequilibrar as finanças públicas, recuperar credibilidade e garantir a retomada do crescimento econômico no futuro, não tem consenso no governo. O conflito é claro entre a Fazenda e o Planejamento. Levy deseja reduzir os gastos públicos, com ajustes estruturais, buscando novas fontes de financiamento, como diz, “pela simples razão de o dinheiro ter acabado”.

Já o ministro Nelson Barbosa defende o aumento das receitas públicas pela criação de novos impostos. Para Levy “não adianta pensar em novos impostos, como se isso fosse salvar a economia”. Vinculado ao PT, o titular do Planejamento, tem no ex-presidente Lula da Silva e no Chefe da Casa Civil, Aluizio Mercadante, importantes aliados.

Enquanto Dilma diz prestigiar Levy, nas suas propostas econômicas, Lula da Silva desejaria a sua substituição pelo Nelson Barbosa. Conclusão: governo e PT demonstram total alienação à realidade da tragédia econômica e social que mergulharam o Brasil.

Como provaremos com números, os fracassos recorrentes dos alquimistas das mágicas e pedaladas fiscais incompetentes, responsáveis pela atual situação da economia brasileira. O economista Amir Khair, em “O Estado de S.Paulo” (24-5-2015), afirma que no primeiro trimestre (janeiro-fevereiro-março de 2015): “As despesas com juros atingiram R$ 85 bilhões ou 1,47% do PIB. Dado mais estarrecedor é o aumento neste primeiro trimestre da dívida bruta: R$ 227,8 bilhões!”.

No passado, o economista foi fundador e ativo militante do PT. Para o ano de 2015, o ex-ministro Delfim Neto (muito consultado por Lula e Dilma), afirma que os juros para pagamento da dívida pública será da ordem de R$ 400 bilhões. A dívida bruta em relação ao PIB representará 63%, sendo responsável direta pela enormidade dos recursos transferidos para o sistema financeiro.

Relatório do Tesouro Nacional atesta que em abril a Dívida Pública Federal, era de R$ 2,452 trilhões. E vem mantendo ritmo dinâmico de crescimento. Os números da economia afetam com objetividade a realidade social, atingindo fortemente o equilíbrio na distribuição da renda. O crescimento do PIB em 2012 foi de 1,8; em 2013, 2,7; em 2014, 0,1; e, para 2015, estima-se em menos 1,5.

Naqueles anos a inflação foi de 5,8%; 5,9%; 6,4% e projeta para o ano 8,3%. O resultado é taxa de desemprego crescente, afetando a vida do brasileiro para pior. Igualmente a queda real do salário para quem está empregado. A retração no consumo é consequência direta. A fraqueza da economia leva milhares de famílias a situações desesperadoras.

O governo está colhendo e penalizando a sociedade pela década de irresponsabilidade populista e abandono das reformas estruturais que se impunham. Ao invés, optou pela popularidade e demagogia do “nunca antes na história desse país”. Hoje paga o preço por causa disso.

A sucessora, apresentada como gerente competente, não era nem gerente e nem competente. Reeleita não pode mais manipular a realidade pela ação dos marqueteiros. Agora é refém do seu próprio governo. O gerador de relativa credibilidade é o ministro da Fazenda que vem tentando instrumentalizar uma saída dolorosa no curto prazo para se enxergar o futuro. Solitário, vem lutando com bravura.






Por Helio Duque
Doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991).