terça-feira, 26 de maio de 2015

Governo, Petrobras e propaganda


Para cuidar da sua imagem, o governo do PT gasta perto de R$ 2,4 bilhões por ano, o equivalente a R$ 6,5 milhões por dia, em propagandas. Esse dinheiro falta na Saúde, Educação, Infraestrutura, mas sobe à razão de 15% ao ano para fazer propaganda.

É a quarta “empresa” que mais gasta no Brasil e só perde para Unilever (R$ 4,6 bilhões), Casas Bahia (R$ 3,4 bilhões) e Laboratório Genomma (R$ 2,5 bilhões), fabricante de produtos farmacêuticos e de beleza. A gigante AMBEV, por exemplo, gasta perto de R$ 1,8 bilhão por ano.

A grande diferença é que o governo gasta o dinheiro do nosso imposto nessa área, quando falta tudo em outras áreas prioritárias. Corta-se verba para tudo, menos para a manutenção de 39 ministérios com um gasto aproximado de R$ 60 bilhões por ano e sua máquina de propaganda para mostrar ao povo suas “conquistas”.

Enquanto isso, a inflação e o desemprego aumentam, as verdadeiras conquistas sociais diminuem e o povo não sabe o que fazer. Recentemente foi descoberto que a Petrobras tem 1.146 funcionários em sua área de comunicação. Desse total perto de 60% são terceirizados e trabalham dentro da própria empresa, com crachás especiais. Esse batalhão de funcionários era comandado desde o início do governo Lula pelo sindicalista Wilson Santarosa, indicado pelo PT, que foi demitido pela nova diretoria, após a saída de Graça Foster durante a Operação Lava Jato.

Esse pessoal não inclui os blogueiros, atores e cantores que a Petrobras compra com projetos culturais e verbas de publicidade. Para termos uma ideia, uma empresa do mesmo ramo de negócios, a Shell, fatura o triplo da estatal brasileira e tem menos de 50% de gente nessa área. A norueguesa Statoil fatura mais da metade da Petrobras com aproximadamente 170 pessoas na área de comunicação.

Esse quadro absurdo de pessoas nessa área gasta cerca de R$ 1,8 bilhão por ano. Esses números de funcionários e gastos não contam subsidiárias, como a Transpetro e BR Distribuidora. Se formos comparar com grandes empresas de outros ramos, a diferença fica ainda mais gritante: a Cia Vale, por exemplo, emprega perto de 35 funcionários nessa área, o Banco do Brasil tem, aproximadamente, 105 funcionários, e assim por diante.

Temos que passar esse País a limpo e mudar essa situação. Governo e empresas estatais são para servir o povo, trazer divisas para o País e não para cabide de empregos, desvios absurdos de dinheiro (vide Mensalão, Petrolão, etc..) e serviços de propaganda para mostrar um mundo de fantasias para o povo.





Por Célio Pezza

O mundo gourmet e o mundo real. Ou: a bolha da esquerda caviar


Uma das características mais marcantes da esquerda caviar é viver numa bolha, isolada do mundo real, do “mundo cão” da pobreza, mas sempre falando em nome dos pobres. Pondé chama essa gente, principalmente a ala jovem, de “inteligentinhos”. São aqueles que sempre tiveram do bom e do melhor, nunca se preocuparam com coisas concretas como “arrumar o quarto” ou “lavar o banheiro”, mas pensam de forma utópica em “salvar o mundo”. Em sua coluna de hoje, o filósofo voltou a atacar esse “mundo gourmet”:

Quando você ouve um jovem falar que a “barbárie da vida é fruto da mercadoria”, é provável que esteja diante de alguém que costuma viajar para Nova York com os pais nas férias (ou para a Chapada, o que não é tão barato assim, e neste caso, sem os pais). Ou algum destino semelhante.

Esses jovens revoltados com a injustiça social (por isso fazem cursos em Cuba) frequentam o JK Iguatemi, ainda que envergonhados. Na maioria dos casos, se preocupam muito com a alimentação e sempre ouviram adultos por perto (pagos ou não) dizendo que o que faziam era “lindo” ou “criativo”.

Quando pensam no mundo ou na vida, comparam os dois com algo (que quase nunca existiu na face da Terra) que o “professor de humanas” falou na escola cara em que estudaram. Apresentam, com frequência, dificuldades para chamar as coisas pelos seus nomes e preferem “nomes sociais”.

Exemplo: bandidos não são bandidos, drogados não são drogados, vagabundo não é vagabundo, gente ruim não é gente ruim, mãe irresponsável não é mãe irresponsável, egoísmo não é egoísmo, enfim, dinheiro não é grana, mas sim “O Capital”. Só gente que tem dinheiro chama “grana” de “O Capital”.

[...]

Normalmente, por terem muito tempo livre para pensar em si, desenvolveram uma dificuldade específica para lidar com coisas muito concretas, como a sujeira do banheiro. Revoltam-se contra a “exploração”, mas frequentam o litoral norte de São Paulo. Para eles, sexo é “uma questão”.

Sei que algumas pessoas julgam necessário que jovens tenham algum espaço para imaginar um mundo que não existe. Eu discordo. Esse hábito se desenvolveu junto com o luxo material. Não creio que jovens tenham que sonhar com um mundo que não existe. Achar isso é típico do mundo gourmet no qual o limão só vale se for da Sicília.


É curioso ler essas linhas logo depois de ler a coluna de Gregorio Duvivier no mesmo jornal. Duvivier é o ícone perfeito dessa turma descrita por Pondé, um filhinho de papai riquinho que se julga porta-voz dos pobres, e usa seu espaço para fazer ironia ou ataques virulentos àqueles que se mostram indignados com tanta corrupção e violência. Para o engraçadinho do Porta dos Fundos, essa revolta com a corrupção não passa de um modismo, como o pau-de-selfie, e desejar a redução da maioridade penal, não como solução mágica para a violência, mas como punição justa aos marginais assassinos menores de idade, só pode ser coisa de “fascista”;

Meu amigo Henrique Goldman vem ao Brasil de seis em seis meses. Ficou assustadíssimo quando chegou aqui em março e só se falava de corrupção –como se fosse uma novidade recém-importada da China. Concluiu brilhantemente: “A corrupção é o novo pau-de-selfie”. A indignação, assim como o vestido branco e dourado, também passou, talvez por causa da eclosão de escândalos incriminando os mesmos que capitaneavam a indignação, talvez porque surgiu um assunto mais quente: a pão-de-queijeria. Ou talvez fosse o dubsmash. Ou o food truck.

No momento em que escrevo, o pau-de-selfie da vez é a redução da maioridade penal. Descobriram que a verdadeira causa da violência no país é o conforto excessivo que damos às crianças de rua. “Mata! Prende! Esquarteja!”. O fascismo é o novo food truck.

O buraco é mais embaixo do que o mês que a gente dedica aos assuntos nos deixa perceber. Calma que nem tudo é tão preto no branco, nem tão preto e azul, nem tão branco e dourado.


Pois é: nem tudo é dourado como a vida do “bacana”, como diria Ancelmo Gois. Greg pode ir para o trabalho de “bike”, viver em condomínio ou prédio com segurança, curtir férias em Paris, tudo isso enquanto fala em nome dos “pobres e oprimidos”. Sua pauta de prioridades, a julgar por seus textos, não poderia ser mais deslocada daquela popular. Para Greg, o mundo seria muito melhor se drogas fossem vendidas livremente na esquina, gays casassem na igreja e o aborto fosse liberado. Essas seriam as grandes reformas “liberais” do humorista.

Mas se ele conversasse com um típico jovem da periferia pobre, um “alienado”, veria que suas prioridades são bem diferentes. O jovem quer melhores empregos, mais segurança e um transporte público decente. E torcer para seu time de futebol no fim de semana em paz. Há um abismo intransponível entre a elite da esquerda caviar e aqueles que são seus mascotes, sempre citados em suas utopias, mas ignorados na prática.

O platonismo moderno é esse: essa turma ama uma ideia, mas se mostra absurdamente insensível em relação aos que sofrem no dia a dia os efeitos dessa ideia. Depois basta colocar a culpa no Capital, aquele mesmo que esse pessoal tem em abundância…






Por Rodrigo Constantino

Sociologia e Filosofia no Ensino Médio ou Manual do revolucionário e conversa de mesa de bar


Temos insistido, em alguns de nossos artigos, na abordagem de um problema grave do nosso país: a educação. A educação dos jovens de Ensino Médio é de má-qualidade. Se fosse apenas isso, seria menos grave. O problema é que, além de ruim, ela é perversa, ou seja, não se limita a deixar uma enorme lacuna intelectual e cultural nos adolescentes, mas tenta insistentemente preencher essa lacuna com doutrinação. A coisa funciona, grosso modo, assim: apresenta-se a visão de mundo marxista (nem sempre de forma explícita) na forma de uma leitura crítica da realidade. O adolescente, então, fica muito satisfeito ao sentir-se capaz de enxergar o mundo de uma maneira “não alienada”. Ele “percebe” o que está escondido por trás dos fatos históricos e, agora, ele já sabe, por exemplo, que a riqueza é gerada pelo acúmulo de mais valia apropriado pelo patrão, que o petróleo era o único interesse dos Estados Unidos em todas as guerras nas quais se envolveu, que aquilo em que acreditava no ano passado eram apenas ideias das classes dominantes, etc.

O fato é que, tendo trabalhado esse ano com material escolar de sociologia e filosofia para jovens estudantes, cheguei a uma triste conclusão: a lei que tornou obrigatório o ensino dessas duas disciplinas no Ensino Médio ofereceu uma ferramenta a mais para a estupidificação dos nossos filhos. A questão é gravíssima. Se, na filosofia, ficássemos apenas com o livro didático da Marilena Chauí, aquela que deu o seu “grito primal” contra a classe média e que afirma que o mundo se ilumina quando Lula fala, teríamos um problema de menor dimensão, já que o seu ranço ideológico se encontra dissolvido em meio à história da filosofia e não é muito fácil descobrir a “luta de classes”, por exemplo, no debate entre empiristas e racionalistas ou na querela medieval em torno dos “universais”.

Ocorre que atualmente há os chamados Sistemas Educacionais que funcionam como editora e fornecem material didático para diversas escolas credenciadas. O material tem a forma de apostila e tudo é exposto de modo muito sumário e resumido. Como não há, nas disciplinas citadas, um consenso acerca do conteúdo a ser abordado, fala-se de tudo um pouco: a sociologia torna-se um manual do revolucionário e a filosofia uma conversa de mesa de bar. Não raro as disciplinas confundem-se, bastando para isso que o ilustre que escreveu o material de filosofia tenha estudado mais Ética e Filosofia Política na universidade que os outros ramos mais abstratos da grade curricular.

Quando lembro que o Ministério da Educação passou das mãos de alguém totalmente alheio ao problema educacional para as mãos de alguém engajado em conquistar mentes e corações, tudo fica pior. A minha esperança, então, se deposita na ousadia intelectual de alguns indivíduos, no espírito insubmisso de alguns jovens que tentarão, a despeito de tudo, pensar por si mesmos. E, claro, no bom e velho capitalismo que, tendo tornado possível essa coisa verdadeiramente revolucionária que é a Internet, deixa a porta aberta para aquele estudante inquieto que certamente buscará de maneira exaustiva uma leitura mais lúcida da realidade. Mas se esse jovem é usuário das redes sociais, precisará vencer mais um obstáculo: não se deixar “humanizar”.




Por Catarina Rochamonte

Moralidade e políticas de educação


O objetivo da nova educação não é necessariamente persuadir racionalmente ninguém de nenhum daqueles pontos de vista, mas dissuadir a todos da idéia de que exista a possibilidade de uma arbitragem racional a respeito.

O senso comum a respeito do ensino na sociedade moderna, repetido como dogma indiscutível por ministérios, ONGs, educadores e pais, é o de que a educação de crianças e jovens tem de ser universal. Com isso, todos querem dizer que acreditam existir um núcleo mínimo de valores e conhecimentos que devem ser compartilhados por toda a sociedade e passados de geração a geração através de instituições desenhadas especificamente com esse fim. Essa premissa se funda, por sua vez, numa outra, a de que, sem aquele núcleo mínimo, o tecido social será corroído desde dentro por indivíduos que instaurariam o caos e a desordem.

Ora, quem poderia ser contra essas premissas? O que pode haver de ruim em tentar manter um denominador comum de ordem e harmonia na sociedade? E de fazê-lo através, entre outros, do legado às próximas gerações daquilo que as anteriores aprovaram e confirmaram na prática? Como não concordar, por exemplo, que o crime é ruim e deve ser combatido com vigor, que os valores religiosos e familiares são a base para a formação dos valores cívicos, que é preciso respeitar o amadurecimento sexual das crianças em seu devido tempo, e que se deva nutrir, se não o amor pelo saber, ao menos o respeito por quem o conserva? Se esses são valores compartilhados pela grande maioria das pessoas, por que não disseminá-los também a partir da escola?

Mas é impossível o observador atento não perceber que nas últimas décadas caiba justamente à escola, mais que à televisão e à cultura em geral, o papel principal na destruição, nos corações e mentes das novas gerações, de tudo aquilo em que a população adulta acredita. Foi a partir de práticas pedagógicas abomináveis que se forjaram a justificação, se não a própria glamorização, do crime como forma de luta contra as “injustiças”, com os corolários óbvios da vitimização do criminoso, da disseminação do consumo de drogas e da subida ao poder do partido mais criminoso da história ou então a destruição dos valores familiares e religiosos e a concomitante relativização dos valores cívicos ou ainda a sexualização acelerada de crianças através de aulas de “educação sexual” em que crianças de 9 e 10 anos são ensinadas a se masturbarem e camisinhas são colocadas nas suas mãos e, contra tudo o que se pudesse esperar de uma instituição de ensino, o total desprezo a qualquer forma de saber e de autoridade, com o concomitante desrespeito, quando não o ódio puro e simples, a seus portadores, acompanhado da elevação de verdadeiras deformidades aos postos de representantes da “alta cultura”.

O que vem dando errado, então? Como pode a instituição que fora projetada para servir de depósito e propagação dos valores compartilhados pela maioria voltar-se contra ela e passar a servir precisamente ao propósito contrário? Como é possível o espaço social construído justamente com o objetivo de preservar a moralidade ser sistematicamente empregado para destruí-la?

É que há pelo menos dois enganos na aceitação passiva daquelas premissas do primeiro parágrafo. O primeiro engano é o de que a elite dirigente e a população em geral têm o mesmo objetivo e que, portanto, as políticas públicas refletirão a vontade da maioria. Não importa se na escola pública ou privada, se no nível superior, secundário ou primário, o que se tem assistido na educação é a uma enxurrada de teses e comportamentos absurdos impostos goela abaixo dos filhos de uma população atordoada que, se entendesse o que está acontecendo e se pudesse intervir, ensinaria o contrário do que as escolas têm feito. Legalização de drogas, aborto, feminismo, casamento gay, racialismo e cotas, bolsa-bandido, desarmamento civil, aulas de “educação sexual”, agigantamento do estado, maioridade penal, substituição da religião tradicional por um panteísmo ecológico de quinta categoria – todo o cardápio, enfim, da elite politicamente correta- são temas nos quais a opinião majoritária da população é frontalmente desafiada pelo ensino atual. Em todos esses temas, a opinião da maioria da população é uma, mas invariavelmente o que seus filhos aprenderão na escola é o oposto.

O discurso da classe política, que se reflete integralmente nas faculdades de educação e, portanto, na formação dos professores, é o de que a “sociedade precisa avançar nas questões atuais”. Mas o que isso efetivamente significa na prática é que eles vão, a contragosto da população a quem têm a obrigação de servir, substituir todo o conjunto de valores tradicionais por uma pasta mental incapacitante planejada milimetricamente para deprimir a inteligência. A população rejeita qualquer um desses “avanços”, dando mostras claras disso em qualquer enquete. Mas governos e ONGs usam seu poder para impor às novas gerações valores e pensamentos em total discordância com as anteriores. No julgamento dos luminares da classe dirigente, o povo, tal como está, não serve, é muito “conservador” e precisa dos “avanços” ditados pela elite iluminada. Na nova democracia do politicamente correto não é mais o povo que escolhe o governante, é o governante que escolhe o povo.

O segundo engano consiste em acreditar que, se os valores tradicionais e a ordem vigente forem derrubados, reinarão na sociedade o caos e a desordem. Mas o caos não existe. E muito menos ainda está nos planos da classe dirigente instaurá-lo. O que temos testemunhado é a meticulosa substituição de um tipo de ordem por outro: em lugar da ordem tradicional, a ordem dos psicopatas e seus seguidores histéricos (http://www.olavodecarvalho.org/semana/131118dc.html). O que dá à população desavisada a impressão de ser um estado de caos é, na verdade, um passo adiantado na transição para a nova ordem.

Pouco importa que para a população adulta os temas e as vontades absurdas das classes dirigentes nos cheguem como propostas a serem debatidas “democraticamente” pela “sociedade civil”, porque, através de toda a rede de ensino e cultura, elas já estão sendo impostas ditatorialmente sobre as novas gerações e implementadas com a precisão de um projeto de engenharia. A nova ordem é gestada desde dentro da antiga. A revolução não precisa de um motor externo, é só fazer a máquina já existente trabalhar para o propósito oposto.

As práticas pedagógicas mais eficazes nesse processo de mutação social são os badalados “socioconstrutivismo” de Lev Vygotsky e a “educação para a crítica” de Henry Giroux, inspirada, entre outros, na “teoria crítica” dos intelectuais da Escola de Frankfurt e na “pedagogia do oprimido” de Paulo Freire, o maior produtor de analfabetos funcionais com diplomas universitários do universo. O slogan é o de que, ao invés de simplesmente expor o conteúdo de uma matéria para que os jovens a absorvam “apenas de modo passivo e monótono”, supostamente agora os faremos refletir “criticamente” acerca das origens e conseqüências sociais, políticas, ideológicas e psicológicas daquele conhecimento novo. A “crítica” levaria então à “construção social” do conhecimento na mente do jovem, supostamente com interferência mínima por parte do professor.

Ora, o garoto acabou de receber uma informação pela primeira vez, mal guardou os nomes dos conceitos e fatos e porcamente conseguiu estabelecer as relações requeridas para o correto entendimento do assunto, e já se espera que ele faça uma “abordagem crítica” daquela massa de dados. É óbvio que isso é impossível.

E nem é esse o intuito. O que esse estímulo à crítica vazia cria na mente dos alunos é ansiedade e um impulso histérico de debater por debater, de falar do que não entende nem estudou, de não ouvir o contraditório porque “cada um tem sua opinião”, e de agradar o professor e tentar adivinhar qual a opinião dele para terminar logo a aula sem levar nota baixa. É então que se perfaz o verdadeiro objetivo, não declarado mas óbvio, da “pedagogia crítica”: os alunos passam a aceitar passivamente a opinião do professor, ou como um dogma infalível acima de qualquer crítica(!), ou, pelo menos, como uma opinião que deva ser discutida em si, por mais absurda e contrária aos fatos que seja. E a perversão maior é que o aluno ainda sai com a ilusão, forjada pela condução socioconstrutivista da aula, de que é ele quem está pensando.

O resultado todo mundo conhece: seu filho sai da escola sem saber colocar uma crase nem fazer contas com decimais, mas com a plena convicção de que o socialismo é bom e de que, não somente o aquecimento global é um fato “científico”, como a culpa ainda é do George W. Bush.

O objetivo da nova educação não é necessariamente persuadir racionalmente ninguém de nenhum daqueles pontos de vista, mas dissuadir a todos da idéia de que exista a possibilidade de uma arbitragem racional a respeito. Afinal, a quem pode interessar criar um ambiente em que se coloca absolutamente tudo em discussão “crítica”, senão àqueles que já sabem de antemão que vão propor o indefensável racionalmente? É impossível não perceber que as tais “críticas” são sempre dirigidas às coisas menos criticáveis. Os alvos de sempre são o capitalismo (nunca o socialismo), os Estados Unidos (nunca a URSS ou a China), a direita (nunca a esquerda), a Igreja Católica e as religiões em geral (nunca o ateísmo organizado), o Estado de Israel (nunca o terrorismo palestino), a família tradicional (nunca o “poliamor”), o tabaco e o álcool (nunca a cocaína e a maconha), a ditadura e as Forças Armadas brasileiras (nunca as cubanas), e por aí vai. Críticas ao melhor, sempre ao pior, nunca.

A meta é acostumar a platéia ao absurdo, legitimar debates entre um ponto de vista razoável e outro quase sempre insano no qual nem mesmo seus defensores acreditam. O que para uma geração é totalmente inconcebível, a seguinte já discute com ares de seriedade socrática. Exagero? Aguarde: discussões sobre pedofilia, zoofilia e casamento entre N pessoas já estão na ordem do dia. A próxima geração vai discutir histericamente essas novas “propostas” e considerar a existência mesma da discussão um enorme “avanço democrático”.

Bella Dodd, uma professora americana, que no livro The School of Darkness (Devin-Adair Pub, 1963) fez uma autocrítica maravilhosa de seus anos de comunismo na juventude, demorou para entender aquilo que, vez após vez, lhe diziam os dirigentes do partido: “Toda derrota é uma vitória.” Sempre que uma elite de psicopatas consegue impor uma discussão séria em torno de uma proposta absurda, esta sair vencedora é o que menos importa, porque o objetivo principal é criar uma militância histérica que finja acreditar nela e manter o adversário ocupado em debater civilizadamente uma proposta cínica. A frase mais repetida pelo establishment esquerdista é: “A sociedade precisa discutir esse tema”.

A ambição dos luminares da “educação universal” era a de produzir milhões de cidadãozinhos bem comportados da nova ordem mundial, um tipo de ser que aceitasse polidamente as discussões políticas mais absurdas ao mesmo tempo em que, pelo menos nas áreas mais técnicas, um mínimo de racionalidade e competência fosse reservado para a manutenção mais ou menos equilibrada da economia. Em suma, a produção de milhões de tucanos. Mas é óbvio que, quando baixa o nível geral de inteligência, é impossível resguardar qualquer domínio que seja. O resultado é a pífia qualificação técnica de engenheiros, economistas, administradores, médicos e advogados, comprovada ano após ano nos mais variados testes nacionais e internacionais de conhecimento.

A equiparação do grotesco ao belo dentro do próprio ensino só poderia mesmo produzir essa incapacidade intelectual geral das últimas três gerações. Uma vez iniciado o processo deliberado de estupidificação dos jovens, não há freio que o segure: o mesmo rebaixamento que testemunhei em sala de aula na minha geração, em que se substituía Chico Buarque a Camões, e que nos anos 90 levou a hermenêuticas seríssimas sobre as letras das músicas de Gabriel Pensador, culminou, nos últimos anos, com enxurradas de teses universitárias sobre o Racionais MC e funkeiros de todo tipo.

Fundo do poço? E se tiver gente cavando mais fundo? Max Horkheimer, diretor da Escola de Frankfurt por décadas e seu principal teórico, rejeitou a inclusão de um novo associado baseado em que lhe faltava “o olhar aguçado pelo ódio a tudo o que está no lugar” (Rolf Wiggershaus, A escola de Frankfurt. História, desenvolvimento teórico, significação política. DIFEL, 2002). A cultura moderna é uma declaração de guerra permanente contra “tudo que está no lugar”, é uma aposta insana de que sexo, drogas e rock’n’roll redimirão o mundo e que o “mundo melhor” virá pelas mãos das piores pessoas.

Não espanta que, com o imaginário construído pela educação e pela cultura modernas, e não suportando o peso da responsabilidade pessoal pela condução de suas próprias vidas, milhões de pessoas permaneçam décadas a fio naquele estado de adolescência eterna onde até mesmo os protestos aos quais recorrem “contra o sistema” são postiços porque os canais de rebeldia estão todos instrumentalizados pela classe dirigente.

O único conselho que se pode dar é aquele do Pe. Paulo Ricardo quando perguntado sobre o que a Igreja esperava dos jovens de hoje: “Que se tornem adultos”!





Por Raphael De Paola
Doutor em Teoria Quântica de Campos. Leciona no Departamento de Física da PUC.

Dois estranhos no ninho


"Entendemos as razões do governo. Mas o governo tem que entender as razões do PT." Manifesto do PT paulista

A levar-se em conta o que o PT fala deles, jamais a presidente Dilma Rousseff e o ministro Joaquim Levy se pareceram tanto. Dilma precisava de um ortodoxo para tocar a economia que ela conduzira tão mal no seu primeiro mandato. Aconselhado por amigos banqueiros, Levy aceitou o convite de Dilma com a pretensão de salvar o Brasil e enriquecer seu currículo. Agora, o PT vê os dois como seus coveiros.O PARTIDO É MAIS impiedoso com Levy, um completo estranho no reino da estrela vermelha. Estaria à vontade em um governo emplumado do PSDB. Dilma está longe de ser uma petista de raiz. Ajudou a fundar o PDT de Leonel Brizola. Ali ficou por 20 anos. Tem 14 anos de filiada ao PT. Só trocou de partido quando Lula estava prestes a se eleger presidente da República em 2002.

NA SEMANA PASSADA, e pela primeira vez em público, o PT deu sinais do forte incômodo que lhe causa a dobradinha Dilma-Levy. Dois senadores do partido assinaram um manifesto contra o ajuste fiscal imaginado por Levy e patrocinado com reticências por Dilma. Um dos senadores, Lindbergh Farias ( RJ), pediu a cabeça de Levy. Ninguém com mandato tinha agido assim até então.

NINGUÉM TINHA gritado palavras de ordem contra o ministro em reuniões oficiais do PT. Pois na abertura da etapa paulista do V Congresso Nacional do partido a ser realizado em Salvador, em meados de junho próximo, militantes gritaram: "Ei, Levy, pede pra sair e leva com você o FMI (Fundo Monetário Internacional)". Não foi o pior — afinal, ninguém controla militantes.

MANIFESTO DA direção do PT paulista disse com toda a crueza: "Nossos sonhos não podem ser delimitados pelas estreitas margens que a equação financeira suporta nem pelas contingências de governabilidade. (...) Nossa defesa do governo que elegemos não pode nos afastar das ruas e dos movimentos sociais. (...) A agenda do governo nos últimos meses se distancia do que o PT representa."

MARCO AURÉLIO Garcia, assessor especial de Dilma, bem que tentou acalmar a militância. Sugeriu: "Temos que propor que essas correções que estão sendo feitas do ponto de vista fiscal possam permitir que daqui uns poucos meses estejamos com este problema resolvido." Poucos meses? Ou Marco Aurélio não sabe o que diz ou preferiu esconder o que sabe.

O PT SE BENEFICIOU da política econômica irresponsável que ajudou Dilma a se reeleger. Que amargue o desgaste de se manter ao lado dela no momento em que Dilma flerta com um futuro menos atroz. Se tudo der certo, os poucos meses que nos separam da solução do problema fiscal se transformarão em anos. Resta ao PT torcer para que tudo se resolva antes da eleição presidencial de 2018.

LEVY ESTÁ pessimista — e com razão. Ele espera para este ano uma contração de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo país. Será o pior resultado dos últimos 25 anos. A inflação deverá bater a casa de 8,26%, bem acima do centro da meta de 4,5%. E, no entanto... O tamanho do ajuste fiscal acabou ficando aquém do que ele considerava necessário.

FOI POR ISSO que faltou ao anúncio do ajuste na sextafeira. Quis marcar posição. Levy desconfia que está sendo fritado. Ninguém no governo o defende com convicção nem se associa de verdade ao que ele faz. O único consolo de Levy é o de poder ir embora se não der.






Por Ricardo Noblat

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Pronunciamento de Gilma Rou7: Cortem e compartilhem


Oi, internautas.

Eu sou a Gilma. Ocês tão lembrado de mim?

Devem de estar. Afinal, eu só apareço na internet, né? Aqui, as panelas não fazem barulho. Quero dizer: a menos que ocês aperte o play.

O meu atraso de hoje é culpa do meu marqueteiro, que foi colocar o sono em dia porque em noite estava muito difícil.

Mas eu vim me pronunciar por quê? Porque eu preciso anunciar a ocês um grande corte.

Nos impostos d’ocês? Não.

No sigilo do BNDES? Não.

No trimestre de quatro meses da Petrobras? Também não.

Ocês parem de querer adivinhar as coisas, tá bão?

O corte é de 69,9 bilhões de reais no Orçamento. Isso quer dizer o quê?

Quer dizer que o meu governo bebeu, bebeu, bebeu e, para não cair, mandou a conta pr’ocês.

Ocês veja:

Para calcular essa conta, o ministério da Fazenda estimou que o Brasil terá uma retração de 1,2% do PIB e que a inflação oficial será de 8,26%, quase o dobro do centro da meta, de 4,5%.

Não quero me gambá não, mas a inflação acumulada em 12 meses é a maior dos últimos 11 anos, como anunciou o IBGE.

Isso quer dizer o quê? Que está tudo sob controle.

Do diabo, claro. Aquele da hora da eleição.

Para me eleger, o Lula sempre disse, por exemplo, que eu sou a mãe do PAC.

Como boa mãe, o que foi que eu fiz? Cortei 25,7 bilhões de reais do PAC.

A fase 3 do Minha Casa Minha Vida está atrasada por quê? Porque casa é como festa, gente: o melhor é esperar por ela.

Ocês sabem também que, para lema de governo, nós escolhemos Brasil, Pátria Educadora.

Como boa educadora, o que foi que eu fiz? Cortei 9 bilhões de reais da Educação.

Uma mãe educadora tem de saber cortar os direitos que prometeu aos seus filhos. Pergunte aos trabalhadores se eu não corto!

Falando nisso, nós precisamos de ser sinceros: brasileiro não gosta de trabalhar.

Então eu fiz o quê? Causei uma redução de 97.828 postos de trabalho em abril deste ano, como anunciou o Caged.

Não quero me gambá não, mas é o pior resultado desde 1992, quando se iniciou a série histórica do Ministério do Trabalho e Emprego. Em 1992, o governo era de Fernando Collor de Mello. #ChupaCollor.

Quero acrescentar também que, entre os jovens, o aumento do desemprego foi ainda maior: passou de 12% em 2014 para 16,2% no mês passado. Quem gosta menos de trabalhar do que os jovens? Ninguém, pô.

Jovem gosta é de futebol.

Pensando nisso, eu doei 100.000 réais para a campanha do deputado federal do PT de São Paulo Andrés Sanchez, ex-presidente do time do Lula, o Corinthians.

Agora que as contas da campanha dele foram rejeitadas pelo TRE-SP, ele resolveu revelar o nosso segredinho.

Eu não revelei antes por quê? Ora, porque eu não sou de me gambá.

Por isso é que, depois da eleição, o tesoureiro do partido, Antônio dos Santos, “retificou o doador originário de Dilma Rousseff para a empresa UTC Engenharia” - aquela do Ricardo Pessoa, o líder do cartel das empreiteiras preso pela Operação Lava Jato.

Lavar é com o PT, tá pensando o quê?

Eu me doei muito para o petismo. E o PT ama tanto os pobres que sempre tentou deixar os brasileiros mais pobres.

Eu consegui.

Segundo o FMI, a renda per capita em 2015 no Brasil será de 9.312 dólares. Há 5 anos, quando eu assumi o governo, era de 11.300 dólares.

Sei que muitos d’ocês ganham bem menos que isso, mas é que o pessoal do PT precisa de ganhar mais, então dividindo tudo é o que dá. Quero dizer: dividindo, só no cálculo, tá bão?

Ocês veja o caso dos “consultores” investigados pela Lava Jato.

Durante os nossos governos, eles multiplicaram sua riqueza em até 97 vezes, segundo um levantamento da Receita Federal.

Milton Pascowitch, um pouco mais modesto, ficou em apenas 50 vezes: saiu de 570 mil reais, em 2003, para 28,2 milhões de reais, em 2013.

Coitada da deputada Manuela D’Ávila, do PCdoB, que saiu de 14 mil reais em 2010 para 184 mil reais agora, aumentando seu patrimônio em “apenas” 1.200%. Nem tem como competir com os operadores petistas. Eles movimentaram 311,2 milhões de reais para garantir, claro, os cortes que eu vim anunciar aqui hoje pr’ocês.

No meu governo, ocês têm corte no bolso, no ombro, no abdômen, no dedo…

É por isso que tenho muito orgulho de cada um d’ocês, brasileiros e brasileiras, que dão a poupança e o sangue pelo nosso país.

Não se esqueçam: eu sou a Gilma Rou7 e o Lula sou eu amanhã.

Cortem e compartilhem, ok?

Até a próxima, internautas.





Por Felipe Moura Brasil

O sonho que virou pesadelo


O orçamento foi aprovado pelo Legislativo, segundo previsão do Executivo, que agora retira 69.9 bilhões de reais do total. Todos os setores do governo foram atingidos, mas a indignação maior refere-se à Saúde, que perde 11.774 bilhões e à Educação, garfada em 9.423 bilhões. Hospitais e escolas, de resto deficientes e insuficientes, sofrem a maior agressão. A quem a população deve reclamar? Aos que puseram a economia nacional em frangalhos, quer dizer, o governo, grande responsável pelo caos que nos assola. Primeiro por sua incapacidade. Depois pela imprevidência. Só que quem vai arcar com o prejuízo somos nós, a sociedade.

Quando em campanha pela reeleição, em outubro passado, a presidente Dilma nem por um momento admitiu as dificuldades já mais do que evidentes. Iludiu a maioria do eleitorado, escondendo-se atrás da falsa euforia e das promessas vãs. Direitos trabalhistas e previdenciários estão sendo reduzidos. Impostos, aumentados. O desemprego caminha a passos largos, junto com a pobreza. A inadimplência se multiplica. A violência também. Uns poucos privilegiados mandam seus milhões para o exterior, enquanto as massas deixam de ranger os dentes pela falta deles.

Convenhamos, alguma coisa precisa ser feita. Em tempos remotos, mas nem tanto, o povo ganhava as ruas e pela força depunha seus governantes. Com o aprimoramento da democracia, estabeleceram-se soluções pacíficas, mas eficientes. No parlamentarismo, caem os gabinetes. No presidencialismo, surgem o impeachment e novas eleições.

Não há porque o país acomodar-se a três anos e meio de novas frustrações, quando nem se tem certeza de as instituições se sustentarem até lá. Para evitar a desagregação nacional a palavra de ordem só pode ser de “basta”. De “fora”, por quaisquer instrumentos ou mecanismos possíveis, de preferência constitucionais.

O governo de Madame acabou com esse melancólico final antecipado. O pouco que lhe restava de credibilidade acaba de sair pelo ralo. O Partido dos Trabalhadores não é mais dos trabalhadores e deixou de ser partido. O corte de quase 70 bilhões acaba de selar o destino do sonho que virou pesadelo.



Por Carlos Chagas