terça-feira, 26 de maio de 2015

Dois estranhos no ninho


"Entendemos as razões do governo. Mas o governo tem que entender as razões do PT." Manifesto do PT paulista

A levar-se em conta o que o PT fala deles, jamais a presidente Dilma Rousseff e o ministro Joaquim Levy se pareceram tanto. Dilma precisava de um ortodoxo para tocar a economia que ela conduzira tão mal no seu primeiro mandato. Aconselhado por amigos banqueiros, Levy aceitou o convite de Dilma com a pretensão de salvar o Brasil e enriquecer seu currículo. Agora, o PT vê os dois como seus coveiros.O PARTIDO É MAIS impiedoso com Levy, um completo estranho no reino da estrela vermelha. Estaria à vontade em um governo emplumado do PSDB. Dilma está longe de ser uma petista de raiz. Ajudou a fundar o PDT de Leonel Brizola. Ali ficou por 20 anos. Tem 14 anos de filiada ao PT. Só trocou de partido quando Lula estava prestes a se eleger presidente da República em 2002.

NA SEMANA PASSADA, e pela primeira vez em público, o PT deu sinais do forte incômodo que lhe causa a dobradinha Dilma-Levy. Dois senadores do partido assinaram um manifesto contra o ajuste fiscal imaginado por Levy e patrocinado com reticências por Dilma. Um dos senadores, Lindbergh Farias ( RJ), pediu a cabeça de Levy. Ninguém com mandato tinha agido assim até então.

NINGUÉM TINHA gritado palavras de ordem contra o ministro em reuniões oficiais do PT. Pois na abertura da etapa paulista do V Congresso Nacional do partido a ser realizado em Salvador, em meados de junho próximo, militantes gritaram: "Ei, Levy, pede pra sair e leva com você o FMI (Fundo Monetário Internacional)". Não foi o pior — afinal, ninguém controla militantes.

MANIFESTO DA direção do PT paulista disse com toda a crueza: "Nossos sonhos não podem ser delimitados pelas estreitas margens que a equação financeira suporta nem pelas contingências de governabilidade. (...) Nossa defesa do governo que elegemos não pode nos afastar das ruas e dos movimentos sociais. (...) A agenda do governo nos últimos meses se distancia do que o PT representa."

MARCO AURÉLIO Garcia, assessor especial de Dilma, bem que tentou acalmar a militância. Sugeriu: "Temos que propor que essas correções que estão sendo feitas do ponto de vista fiscal possam permitir que daqui uns poucos meses estejamos com este problema resolvido." Poucos meses? Ou Marco Aurélio não sabe o que diz ou preferiu esconder o que sabe.

O PT SE BENEFICIOU da política econômica irresponsável que ajudou Dilma a se reeleger. Que amargue o desgaste de se manter ao lado dela no momento em que Dilma flerta com um futuro menos atroz. Se tudo der certo, os poucos meses que nos separam da solução do problema fiscal se transformarão em anos. Resta ao PT torcer para que tudo se resolva antes da eleição presidencial de 2018.

LEVY ESTÁ pessimista — e com razão. Ele espera para este ano uma contração de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo país. Será o pior resultado dos últimos 25 anos. A inflação deverá bater a casa de 8,26%, bem acima do centro da meta de 4,5%. E, no entanto... O tamanho do ajuste fiscal acabou ficando aquém do que ele considerava necessário.

FOI POR ISSO que faltou ao anúncio do ajuste na sextafeira. Quis marcar posição. Levy desconfia que está sendo fritado. Ninguém no governo o defende com convicção nem se associa de verdade ao que ele faz. O único consolo de Levy é o de poder ir embora se não der.






Por Ricardo Noblat

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Pronunciamento de Gilma Rou7: Cortem e compartilhem


Oi, internautas.

Eu sou a Gilma. Ocês tão lembrado de mim?

Devem de estar. Afinal, eu só apareço na internet, né? Aqui, as panelas não fazem barulho. Quero dizer: a menos que ocês aperte o play.

O meu atraso de hoje é culpa do meu marqueteiro, que foi colocar o sono em dia porque em noite estava muito difícil.

Mas eu vim me pronunciar por quê? Porque eu preciso anunciar a ocês um grande corte.

Nos impostos d’ocês? Não.

No sigilo do BNDES? Não.

No trimestre de quatro meses da Petrobras? Também não.

Ocês parem de querer adivinhar as coisas, tá bão?

O corte é de 69,9 bilhões de reais no Orçamento. Isso quer dizer o quê?

Quer dizer que o meu governo bebeu, bebeu, bebeu e, para não cair, mandou a conta pr’ocês.

Ocês veja:

Para calcular essa conta, o ministério da Fazenda estimou que o Brasil terá uma retração de 1,2% do PIB e que a inflação oficial será de 8,26%, quase o dobro do centro da meta, de 4,5%.

Não quero me gambá não, mas a inflação acumulada em 12 meses é a maior dos últimos 11 anos, como anunciou o IBGE.

Isso quer dizer o quê? Que está tudo sob controle.

Do diabo, claro. Aquele da hora da eleição.

Para me eleger, o Lula sempre disse, por exemplo, que eu sou a mãe do PAC.

Como boa mãe, o que foi que eu fiz? Cortei 25,7 bilhões de reais do PAC.

A fase 3 do Minha Casa Minha Vida está atrasada por quê? Porque casa é como festa, gente: o melhor é esperar por ela.

Ocês sabem também que, para lema de governo, nós escolhemos Brasil, Pátria Educadora.

Como boa educadora, o que foi que eu fiz? Cortei 9 bilhões de reais da Educação.

Uma mãe educadora tem de saber cortar os direitos que prometeu aos seus filhos. Pergunte aos trabalhadores se eu não corto!

Falando nisso, nós precisamos de ser sinceros: brasileiro não gosta de trabalhar.

Então eu fiz o quê? Causei uma redução de 97.828 postos de trabalho em abril deste ano, como anunciou o Caged.

Não quero me gambá não, mas é o pior resultado desde 1992, quando se iniciou a série histórica do Ministério do Trabalho e Emprego. Em 1992, o governo era de Fernando Collor de Mello. #ChupaCollor.

Quero acrescentar também que, entre os jovens, o aumento do desemprego foi ainda maior: passou de 12% em 2014 para 16,2% no mês passado. Quem gosta menos de trabalhar do que os jovens? Ninguém, pô.

Jovem gosta é de futebol.

Pensando nisso, eu doei 100.000 réais para a campanha do deputado federal do PT de São Paulo Andrés Sanchez, ex-presidente do time do Lula, o Corinthians.

Agora que as contas da campanha dele foram rejeitadas pelo TRE-SP, ele resolveu revelar o nosso segredinho.

Eu não revelei antes por quê? Ora, porque eu não sou de me gambá.

Por isso é que, depois da eleição, o tesoureiro do partido, Antônio dos Santos, “retificou o doador originário de Dilma Rousseff para a empresa UTC Engenharia” - aquela do Ricardo Pessoa, o líder do cartel das empreiteiras preso pela Operação Lava Jato.

Lavar é com o PT, tá pensando o quê?

Eu me doei muito para o petismo. E o PT ama tanto os pobres que sempre tentou deixar os brasileiros mais pobres.

Eu consegui.

Segundo o FMI, a renda per capita em 2015 no Brasil será de 9.312 dólares. Há 5 anos, quando eu assumi o governo, era de 11.300 dólares.

Sei que muitos d’ocês ganham bem menos que isso, mas é que o pessoal do PT precisa de ganhar mais, então dividindo tudo é o que dá. Quero dizer: dividindo, só no cálculo, tá bão?

Ocês veja o caso dos “consultores” investigados pela Lava Jato.

Durante os nossos governos, eles multiplicaram sua riqueza em até 97 vezes, segundo um levantamento da Receita Federal.

Milton Pascowitch, um pouco mais modesto, ficou em apenas 50 vezes: saiu de 570 mil reais, em 2003, para 28,2 milhões de reais, em 2013.

Coitada da deputada Manuela D’Ávila, do PCdoB, que saiu de 14 mil reais em 2010 para 184 mil reais agora, aumentando seu patrimônio em “apenas” 1.200%. Nem tem como competir com os operadores petistas. Eles movimentaram 311,2 milhões de reais para garantir, claro, os cortes que eu vim anunciar aqui hoje pr’ocês.

No meu governo, ocês têm corte no bolso, no ombro, no abdômen, no dedo…

É por isso que tenho muito orgulho de cada um d’ocês, brasileiros e brasileiras, que dão a poupança e o sangue pelo nosso país.

Não se esqueçam: eu sou a Gilma Rou7 e o Lula sou eu amanhã.

Cortem e compartilhem, ok?

Até a próxima, internautas.





Por Felipe Moura Brasil

O sonho que virou pesadelo


O orçamento foi aprovado pelo Legislativo, segundo previsão do Executivo, que agora retira 69.9 bilhões de reais do total. Todos os setores do governo foram atingidos, mas a indignação maior refere-se à Saúde, que perde 11.774 bilhões e à Educação, garfada em 9.423 bilhões. Hospitais e escolas, de resto deficientes e insuficientes, sofrem a maior agressão. A quem a população deve reclamar? Aos que puseram a economia nacional em frangalhos, quer dizer, o governo, grande responsável pelo caos que nos assola. Primeiro por sua incapacidade. Depois pela imprevidência. Só que quem vai arcar com o prejuízo somos nós, a sociedade.

Quando em campanha pela reeleição, em outubro passado, a presidente Dilma nem por um momento admitiu as dificuldades já mais do que evidentes. Iludiu a maioria do eleitorado, escondendo-se atrás da falsa euforia e das promessas vãs. Direitos trabalhistas e previdenciários estão sendo reduzidos. Impostos, aumentados. O desemprego caminha a passos largos, junto com a pobreza. A inadimplência se multiplica. A violência também. Uns poucos privilegiados mandam seus milhões para o exterior, enquanto as massas deixam de ranger os dentes pela falta deles.

Convenhamos, alguma coisa precisa ser feita. Em tempos remotos, mas nem tanto, o povo ganhava as ruas e pela força depunha seus governantes. Com o aprimoramento da democracia, estabeleceram-se soluções pacíficas, mas eficientes. No parlamentarismo, caem os gabinetes. No presidencialismo, surgem o impeachment e novas eleições.

Não há porque o país acomodar-se a três anos e meio de novas frustrações, quando nem se tem certeza de as instituições se sustentarem até lá. Para evitar a desagregação nacional a palavra de ordem só pode ser de “basta”. De “fora”, por quaisquer instrumentos ou mecanismos possíveis, de preferência constitucionais.

O governo de Madame acabou com esse melancólico final antecipado. O pouco que lhe restava de credibilidade acaba de sair pelo ralo. O Partido dos Trabalhadores não é mais dos trabalhadores e deixou de ser partido. O corte de quase 70 bilhões acaba de selar o destino do sonho que virou pesadelo.



Por Carlos Chagas

A verdadeira tragédia negra


Muitas das patologias atuais vistas entre muitos negros é uma consequência do estado de bem estar social (welfare state), que tem feito o comportamento auto-destrutivo menos custoso para o indivíduo.

Vigaristas e pessoas com pouco entendimento desejam que acreditemos que os problemas atuais dos negros são o resultado continuado de um legado de escravidão, pobreza e discriminação racial. O fato é que a maioria das patologias sociais vistas nos bairros negros pobres é inteiramente nova na história dos negros.

Hoje a esmagadora maioria das crianças negras são criadas em famílias sob a responsabilidade de uma mãe solteira. Nos anos de 1880, três quartos das famílias negras eram biparentais. Em 1925, 85% das famílias negras, em Nova York, eram formadas por casais. Um estudo das famílias escravas no século XIX descobriu que em três quartos das famílias todas as crianças tinham o mesmo pai e a mesma mãe.

A taxa atual de ilegitimidade para crianças negras de aproximadamente 75% também é inteiramente nova. Em 1940 a ilegitimidade entre negros ficou em 14%. Cresceu para 25% em 1965, quando Daniel Patrick Moynihan escreveu “The Negro Family: The Case for National Action” e foi amplamente denunciado como um racista. Por volta de 1980, a taxa de ilegitimidade entre negros mais que dobrou para 56%, e tem crescido desde então. Tanto durante a escravidão como posteriormente na década de 1920, uma adolescente criando uma criança sem um homem presente era raro entre os negros.

Muitas das patologias atuais vistas entre muitos negros é uma consequência do estado de bem estar social (welfare state), que tem feito o comportamento auto-destrutivo menos custoso para o indivíduo. Ter uma criança sem o benefício do casamento é menos oneroso se a mãe recebe subsídios para moradia, pagamentos da assistência social e programas de alimentação. Adicionalmente, o estigma social associado à maternidade sem casamento desapareceu. Famílias lideradas por mulheres, sejam negras ou brancas, são um tíquete para a dependência e todos os seus problemas associados. Ignorado em todas as discussões é o fato de que a taxa de pobreza entre os casados negros tem estado em um dígito desde 1994.

O desemprego de jovens negros em algumas cidades é superior a 50%. Mas o desemprego do jovem negro também é novo. Em 1948 a taxa de desemprego para adolescentes negros era ligeiramente menor que a de sua contra parte branca – 9,4% comparada a 10,2%. Durante aquele mesmo período, jovens negros eram tão ativos, ou mais, na força de trabalho que os jovens brancos. Desde 1960, ambas, a taxa de participação na força de trabalho e a taxa de desemprego dos jovens negros, caíram para onde elas estão hoje. Por que? Os empregadores discriminam racialmente mais hoje que antes? Os jovens negros de antes eram mais habilidosos que os jovens brancos de então? A resposta a ambas as questões é um grande não.

A lei do salário mínimo e outras regulações trabalhistas cortam os degraus mais baixos da escada econômica. Coloque-se na posição do empregador e pergunte-se: se devo pagar U$7,25 a hora – mais benefícios obrigatórios, tais como Seguro Social e indenização de trabalhadores – compensaria eu empregar um trabalhador que é tão desafortunado que suas habilidades o capacitam a produzir apenas U$5 de valor por hora? Muitos empregadores veem esta posição como uma proposição econômica desvantajosa. Então, a lei do salário mínimo discrimina contra o emprego dos trabalhadores menos qualificados, que são quase sempre jovens, particularmente jovens negros.

A pequena quantidade de dinheiro que um adolescente pode ganhar num emprego de verão, de fim de semana ou depois da escola não é, nem de longe, tão importante quanto as outras coisas que ele ganha de uma experiência de trabalho precoce. Ele adquire habilidades e bons hábitos de trabalho, tais como ser pontual, seguir ordens e respeitar supervisores. Em adição, há o respeito próprio e o orgulho que o jovem conquista por ser financeiramente semi-independente. Todos estes ganhos das experiências de trabalho precoce são importantes para qualquer adolescente e ainda mais importante para os jovens negros. Se adolescentes negros não estão aprendendo nada que fará deles empregados mais valorizados no futuro, eles não aprenderão isto de suas péssimas escolas, suas famílias disfuncionais ou de sua vizinhança tomada pelo crime. Eles devem aprender isto no trabalho.

A maior parte dos problemas atuais de muitos negros são o resultado de políticos e organizações de direitos civis usando o governo em nome de ajudar os negros quando na verdade estão servindo a propósitos de poderosos grupos de interesse.


Por Walter Williams
Professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.


Publicado originalmente no The Patriot Post.

Tradução: Flávio Ghetti

domingo, 24 de maio de 2015

Educação doutrinária: o dilema de ser contra. Ou, o desabafo de uma futura pedagoga


Olá, eu preciso desabafar com vocês! E digo que é com vocês porque sou Pedagoga em formação, estudo no faculdade de educação da UERJ e estava mostrando para meus amigos os absurdos que aprendo sobre “o que é ser um professor” e um deles me deu a ideia de falar isso para vocês.

Bem, como eu já disse, faço pedagogia e um dia darei aula para os filhos de vocês, mas, em relação a mim, os senhores não precisam se preocupar, não quero ser doutrinadora, quero ser professora, e por isso não levo a sério o que os professores da universidade falam e estudo por mim mesma em casa, com livros, pela internet e por outros métodos. Mas gostaria de explicar melhor porque não posso e nem devo levar a sério o que meus professores universitários (ou doutrinadores?) me passam sobre o que é ser um professor.

Primeiro, esses profissionais informam que tudo que há de ruim no mundo é culpa do capitalismo e da pedagogia tradicional. Se seu filho não sabe ler direito aos 14 anos, é culpa do capitalismo e da pedagogia tradicional. Seu filho não sabe fazer conta? o professor vai dizer que é culpa do capitalismo e da pedagogia tradicional. Todavia, observem as ideias de autores adorados na Pedagogia: “O professor deve trazer à atenção dos alunos aquelas ideias que deseja que dominem suas mentes. Controlando os interesses dos alunos, o professor vai construindo uma massa de ideias na mente que, por sua vez, não vão favorecer a assimilação de ideias novas.”, frase de Johann Friedrich Herbart. Há algo de libertador nisso? Não. Nada mais que doutrinação pura. E o tempo todo recebo ensinamentos de como “superar a escola tradicional”, e fico me perguntando o que há de tão errado no ensino tradicional, já que as melhores escolas do Brasil tem ensino puramente tradicional, como por exemplo as escolas Santo Agostinho e São Bento, as escolas presbiterianas, escolas salesianas e os Colégios Militares. E também aprendo que tenho que ensinar seus filhos sobre classe social. Para exemplificar, em uma página de uma das minhas apostilas está escrito “classe social” umas 20 vezes.

Aprendo que o ensino está ruim por culpa do capitalismo opressor, que organiza as escolas de uma forma em que os filhos das pessoas mais ricas tenham um ensino que os façam permanecer em suas classes acreditando que conseguiram suas coisas por mérito próprio e que filhos de pessoas mais pobres tenham um ensino ruim para que ele continue na pobreza. Agora me explique, amigo socialista: se a chamada elite tem uma educação de qualidade, como estes mesmos dizem, porque ao invés de inventar um método novo (Paulo Freire) não imita o que já existe (nos colégios religiosos e militares) e não passa para os pobres? Vai saber, né!

Pois bem, nesse meu discurso enorme vocês viram em alguma parte eu dizer que boa parte professores nos ensinam a como ensinar a criança a ler? Não, né? Porque esses magísteres não nos ensinam.

São discutidas questões políticas, colocam a culpa no capitalismo, se fazem de vítimas do sistema, mas na hora de ensinar as crianças a ler e a escrever, não o fazem. Ensinar as crianças a fazer operações matemáticas, também não! Está aí a explicação para uma educação de pouca qualidade. Começa na formação dos professores. Eu pesquiso por fora, compro livros, assisto vídeos que possam me ajudar, mas e quem não faz isso e sai da faculdade acreditando nessas barbárie? Eu te respondo: eles, os professores, que um dia estavam na faculdade sendo doutrinados, um dia doutrinarão seus filhos. Tomem cuidado!




Por Jenifer Castilho
Estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e participante do Grupo de Estudos Frèderic Bastiat (EPL/UERJ).

Governo Dilma corta bilhões de educação e investimento, mas não corta na própria carne


O governo anunciou o esperado corte de quase R$ 70 bilhões no orçamento, sendo que o grosso será tirado dos setores de saúde e educação, além dos investimentos públicos. Em parte, isso se deve ao fato de que cerca de 90% do orçamento é fixo, sobrando aos demais 10% maior poder discricionário do governo para mexer. Todo ajuste fiscal, portanto, acaba recaindo sobre saúde, educação e investimentos, além de aumento de impostos. Essa tem sido nossa triste história antes mesmo do PT, que apenas piorou, e muito, aquilo que já era ruim.

Mas se o pagador de impostos e o consumidor brasileiro são sempre “convidados” para pagar a fatura da irresponsabilidade estatal, o mesmo raramente ocorre com o consumidor de impostos, ou seja, aqueles que vivem das benesses distribuídas pelo estado no setor público. O desperdício, as vantagens, as mordomias do andar de cima no poder acabam invariavelmente mantidas, preservadas por aqueles que parecem ter perdido o elo com o povo que os elegeu.

Em sua coluna na VEJA desta semana, Pompeu Toledo fala de algumas dessas mordomias, que não entraram nos cortes do ajuste fiscal de Dilma:


Um cínico poderia perguntar: isso dá bilhão? Dá sim, muitos bilhões. Mas ainda mais importante é o aspecto simbólico da coisa. O povo brasileiro está sendo obrigado a pagar pelos erros do governo Dilma, que em parte são seus próprios erros, ao menos daqueles que votaram no PT. Mas não observa a mesma postura austera vinda do poder, daqueles que decidem os cortes. Suas mordomias são intocáveis, e o hiato entre poder e povo cada vez se abre mais. Aqueles que abusam do poder parecem não se dar conta de que um dia esse abuso poderá se voltar contra eles como um bumerangue. Um dia o povo vai cansar de verdade…

Outro exemplo de completa falta de sensibilidade dos poderosos? J.R. Guzzo, na mesma VEJA, resenha o livro novo de Eugenio Bucci, que fala sobre o uso dos recursos voltados teoricamente para a “comunicação pública”. Eles se transformaram em nada mais do que pura propaganda partidária. São bilhões de reais, caso o mesmo cínico questione se dá bilhão. Com a desculpa de informar melhor o eleitor sobre os feitos estatais, o estado usa nossos impostos para fazer propaganda política e partidária. Diz Guzzo:


As empresas estatais não fogem à regra, e entre os dez maiores anunciantes do país, três são do estado. Uma vez mais, estamos falando de mais de bilhão. Por que a Petrobras, em situação quase monopolista, precisa investir tanto em propaganda? Por que a Caixa e o BB, com suas vantagens de estatais que não precisam se preocupar tanto com a lucratividade, emprestando bilhões a taxas subsidiadas, precisam investir tanto em propaganda?

Um governo que age assim parece realmente disposto a “cortar na carne” para colocar as finanças em ordem e a economia de volta nos trilhos? Claro que não! O que o governo Dilma faz é jogar para os ombros dos trabalhadores o fardo de sua irresponsabilidade e seus próprios equívocos. Mas nada muda em Brasília para os mais poderosos. O povo paga a conta de seus erros e abusos, mas o clima dos políticos no poder continua o mesmo: como se vivessem num oásis separado do restante do país, blindados contra a crise que causaram.






Por Rodrigo Constantino

Alerta aos pais


Duvido que algum pai, ao matricular o filho numa escola, fique na expectativa de que lhe sejam enfiadas na cabeça as ideias políticas que seus professores tenham. Os pais esperam exatamente o oposto. Esperam que os professores não façam isso porque reservam tal tarefa para si mesmos, segundo os valores e a cultura familiar.

Quando um professor, o sujeito no quadro negro, o cara de cima do estrado, que corrige prova e dá nota, usa a autoridade e os poderes de que está revestido, para fazer a cabeça de crianças e jovens, exerce sua profissão de modo abusivo. Figurativamente, pratica estupro de mentes juvenis.

Se o professor quer fazer proselitismo político, se anseia por cooptar militantes para sua visão de mundo, de sociedade, de economia, de política, de história, que vá procurar um vizinho, um colega, um superior. Figurativamente, que deixe de ser abusador e vá enfrentar alguém de seu tamanho intelectual.

Volto a este assunto porque, aqui no Rio Grande do Sul, o Sinepe/RS, sindicato patronal das escolas particulares, convidou o Dr. Miguel Nagib, coordenador do movimento Escola sem Partido, para uma palestra aos diretores de escolas. Ótimo, não é mesmo? Sim, ótimo para todos os alunos e pais, mas não para o sindicato dos professores das escolas particulares, o Sinpro/RS.

Em assembleia geral, o sindicato emitiu Moção de Repúdio ao evento, em veemente defesa do direito dos professores de influenciarem politicamente seus alunos. No texto (que pode ser lido em aqui), os docentes afirmam que "retirar da Educação a função política é privá-la de sua essência" para colocá-la a serviço "da ideologia liberal conservadora" à qual os mestres de nossos filhos atribuem todas as perversidades humanas, das pragas do Egito ao terremoto do Nepal, passando por Caim e Jack o Estripador.

Não é por acaso que nosso sistema de ensino se tornou um dos piores do mundo civilizado. Afinal, sua essência é ser campo de treinamento de militantes para os partidos de esquerda. Os dirigentes do sindicato dos professores do ensino particular (e não pensam diferente as lideranças dos professores do ensino público) estão convencidos de serem detentores não do dever de ensinar, mas do direito de doutrinar!

E creem que essa vocação política, superior a todas as demais, "essencial à Educação", encontra na sala de aula o espaço natural para seu exercício. Se lhes for suprimida essa tarefa "missionária" e lhes demandarem apenas o ensino da matéria que lhes é atribuída, esses professores entrarão em pane, talvez porque seja isso o que não sabem fazer.

Espero que tão destapada confissão de culpa emitida pelo Sinpro/RS sirva de alerta aos pais e à direção das escolas. Os pais pagam para que seus filhos recebam os conteúdos pedagógicos do estabelecimento de ensino escolhido. Entregar junto com isso, ao preço de coisa boa, mercadoria ideológica estragada, vencida, não solicitada e sem valor comercial, é fraude.





Por Percival Puggina