sábado, 23 de maio de 2015

Governar é errar ... à custa dos outros


É extremamente raro — se não inédito — ver um político da situação reconhecer que o governo errou. Normalmente, tal acusação é feita, quando é feita, por políticos da oposição.

Sem dúvida, o simples fato de um político — independentemente de ser situação ou oposição — reconhecer que o governo falhou já é um avanço. Só que isso nem sequer deveria ser necessário.

O conhecido aforismo em latim "errare humanum est" já deixa manifesto que o erro é inerente ao — e inseparável do — ser humano. Sendo assim, a menos que um político esteja implicitamente sugerindo que os governantes estão acima dos comuns mortais (não duvide disso), um reconhecimento de erro acaba sendo redundante. É claro que os políticos se equivocam: o sobrenatural seria se eles não errassem.

No entanto, vale enfatizar que o aspecto mais relevante do "erro político" não é que ele exista, mas sim as consequências que ele acarreta.

Quando um indivíduo qualquer se equivoca, os custos e os prejuízos vinculados ao seu erro são arcados por ele próprio. A responsabilidade individual consiste justamente em aceitar as consequências de nossas ações, em não culpar os outros por nossas falhas, e em não descarregar nem culpas nem ônus sobre terceiros inocentes.

Na teoria econômica, com efeito, criou-se o termo "externalidades negativas" para descrever custos que não são arcados pelo indivíduo que as produziu, mas sim por terceiros.

Os políticos, por sua vez, são inteiramente capazes de transferir o custo de seus erros para todo o conjunto da população. Afinal, quem são os grandes prejudicados pelos fiascos das políticas implantadas pelo governo?

Por exemplo, a política de crédito subsidiado concedido pelos bancos estatais para grandes empresas é inerentemente inflacionária. Quem arcou com o aumento de preços?

A política de crédito subsidiado para a compra de imóveis é inerentemente inflacionária. Quem arca com o aumento dos preços dos imóveis e acaba tendo de viver de aluguel ou sendo forçado a morar em barracões?

A política de aumento de gastos públicos e a política da concessão de crédito por meio do BNDES geraram déficits orçamentários e um grande aumento na dívida pública. Tal política, além de também ser inflacionária, deteriorou as contas do governo, elevando a dívida bruta. Isso, além de ameaçar o grau de investimento (investment grade) conferido ao país pela Standard & Poor's, ajudou a acelerar a depreciação do real, o que turbinou ainda mais a inflação de preços. Quem arcou com tudo isso?

A política de aumento generalizado das tarifas de importação — para proteger o grande baronato industrial e os grupos de interesse que mais gastam dinheiro para fazer lobby perante o governo — ajudou a encarecer sobremaneira os preços de vários bens de consumo. Quem arcou com tudo isso?

A política de obrigar geradoras e transmissoras de energia elétrica a baixar suas tarifas na marra inviabilizou vários investimentos destas, e consequentemente obrigaram as distribuidoras a recorrer ao mercado de curto prazo, cujos preços são muito maiores. Como consequência, as distribuidoras ficaram desabastecidas e endividadas, e tiveram de ser socorridas pelo Tesouro (dinheiro nosso). O montante repassado já se aproxima de R$ 20 bilhões e as tarifas ao consumidor estão mais altas do que estavam antes do anúncio da redução de tarifas. Quem arcou com tudo isso?

A política de criar agências reguladoras serviu para cartelizar o mercado interno, protegendo grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impedindo que houvesse preços baixos e produtos de qualidade no mercado. Quem arcou com tudo isso?

A política de encargos sociais e trabalhistas encareceu artificialmente a mão-de-obra e, com isso, impediu que os salários fossem maiores. Quem arcou com tudo isso?

Tendo arrogado para si próprios um poder quase absoluto para decidir sobre nossas vidas e economias, os políticos, ao cometerem erros, detêm o benefício de converter a sociedade em responsável solidária por seus erros. Aquilo que no livre mercado seria considerável inaceitável e motivo de acionamento judicial — as ações de um indivíduo repercutirem adversamente sobre um outro que não é obrigado a arcar com elas —, torna-se a regra quando o envolvido é o estado: os erros dos políticos se transformam estruturalmente em um fardo compartilhado por todo o conjunto da sociedade.

Porém, provavelmente ainda há aqueles que acreditam que essa caracterização predatória da política é injusta, pois, sendo os políticos "nossos representantes", eles acabam pagando por seus erros nas urnas. Só que essa argumentação não é satisfatória.

Em primeiro lugar porque, a menos que ocorra uma perfeita transubstanciação democrática, os governantes só representam, a rigor, aqueles que votaram neles, e não aqueles que não votaram neles. Consequentemente, ninguém deveria ser obrigado a pagar pelos erros daqueles governantes que não receberam seu voto. Dilma e Alckmin têm poder sobre seus não-eleitores simplesmente porque a lei assim obriga, e não porque esse é o desejo de seus não-eleitores. A representação não-consentida não é motivo para que aquele involuntariamente representado pague pelos erros de seu político não-desejado.

Adicionalmente, não existe nenhuma garantia de que os erros serão castigados (um político pode arruinar um país, corromper-se em benefício próprio, punir seus não-eleitores minoritários, e ainda assim ser reeleito). No máximo, afirma-se que seus erros acarretarão na não-renovação de seu cargo público.

Essa, aliás, é a demonstração mais clara de como os políticos são capazes de externalizar seus erros com impunidade: afinal, a responsabilidade de um governante que destrói as finanças públicas e o poder de compra da moeda deve se limitar à sua não-reeleição? O estrago gerado é totalmente desproporcional a essa eventual "punição".

Portanto, eis o fato: os governantes erram porque são seres humanos; porém, e à diferença de todo o resto dos seres humanos, eles não assumem a responsabilidade pelos erros gerados por suas próprias decisões. Ao contrário: eles conseguem transferir as consequências de seus erros para outras pessoas que não deveriam ser obrigadas a arcar com este ônus.

Isso, e nada mais do que isso, é a síntese da política estatal: uma maciça socialização dos prejuízos imposta sobre o conjunto de cidadãos inocentes por um grupo de pessoas irresponsáveis que se arrogam a autoridade de governar a todos.




Por Juan Ramón Rallo
Diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri. É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Dilma veta quebra de sigilo do BNDES: a quem a falta de transparência interessa


A presidente Dilma Rousseff vetou nesta sexta-feira (22) a emenda aprovada no Congresso que previa o fim do sigilo nos empréstimos e financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Considerado uma derrota para o governo, o texto havia sido incluído pelos senadores da oposição na Medida Provisória que liberou o repasse de 30 bilhões de reais do Tesouro para o banco de fomento. A decisão da presidente foi divulgada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União.

No texto, a presidente justificou o veto com o argumento de que a divulgação das operações financeiras “feriria sigilos bancários e empresariais e prejudicaria a competitividade das empresas brasileiras no mercado global de bens e serviços, já que evidenciaria aspectos privativos e confidenciais da política de preços praticada pelos exportadores brasileiros em seus negócios internacionais”. Dilma ainda afirmou que o BNDES já divulga suas operações “com transparência” e que o dispositivo incorreria em “vício inconstitucional”.

Sei, sei… O único “vício institucional” aqui é usar um banco público de fomento para beneficiar os “amigos do rei”, para enviar bilhões para ditaduras mundo afora, para criar quase do nada impérios gigantescos em determinados setores, tudo isso pelas sombras, sem oferecer os detalhes das operações ao mercado e aos pagadores de impostos, que são quem pagam os enormes subsídios do BNDES.

Já cobrei mais investigação dos empréstimos do BNDES, lembrando que se o petrolão fez o mensalão parecer crime de pequenas causas, o BNDES tem o potencial de fazer o mesmo com o petrolão. Deve ter muita sujeira ali debaixo do tapete. Os grupos favorecidos possuem evidente afinidade com o próprio governo. Os regimes socialistas ditatoriais, como os de Cuba, Venezuela e Angola, receberam bilhões do banco. E Dilma acha que não é saudável expor maiores detalhes dessas operações para não evidenciar “aspectos privativos e confidenciais da política de preços praticada pelos exportadores”? Que tipo de novilíngua orwelliana é essa?

Quem paga a fatura somos nós! Se o governo decide destinar bilhões subsidiados a um grupo qualquer, temos o direito de saber os motivos, os cálculos de retorno desse capital, que é nosso! Mas o PT prefere, como sempre preferiu, agir nas sombras. A quem interessa o sigilo? Com certeza não ao povo brasileiro. Quem se beneficiou com os bilhões emprestados a taxas abaixo da inflação para grupos como o de Eika Batista, a Odebrecht ou a JBS? Certamente não foi o trabalhador brasileiro.

O veto de Dilma é mais uma sinalização de como uma CPI do BNDES é fundamental. Precisamos tirar essa história a limpo, investigar como e quem foi favorecido pelo banco sob o comando de Luciano Coutinho e do PT. Queremos saber quais os critérios foram utilizados, em que condições esses grupos receberam tanto dinheiro. Temos o direito a essas informações. O BNDES se transformou na maior máquina de transferência de recursos do trabalhador humilde para os ricos empresários “amigos do rei”. E isso feito por um governo de esquerda, que supostamente foca nos trabalhadores. Que piada!





Por Rodrigo Constantino

Complexidade e previsibilidade: os vetores da conjuntura


O início do segundo mandato da presidente Dilma foi marcado por uma mudança qualitativa da conjuntura, cujo marco central é perda de popularidade e de apoio político do governo. Sob circunstâncias normais o protagonismo do jogo político costuma ser, sempre, do governo. O Executivo, quando sustentado por maioria no parlamento, é quem pauta o Legislativo e a sociedade com suas iniciativas e projetos. Circunstancialmente a oposição consegue protagonizar algum lance capaz de incomodar o governo, mas esses casos são exceções.

A inversão da balança do poder entre Executivo e Legislativo não é o único elemento (des)estruturante do novo quadro conjuntural. Transformações importantes também estão em curso entre os partidos e dentro dos principais partidos políticos brasileiros. O marco central dessa transformação parece residir na constatação, por parte dos principais players da política brasileira, de que o PT não é apenas mais uma das legendas partidárias nacionais, mas sim, uma organização movida por uma estratégia hegemonista, orientada por um projeto de perpetuação no poder que passa pela destruição dos demais partidos, especialmente do PMDB e do PP.

A corrupção, nesse contexto, além de forma de financiamento desse projeto de poder, é usada pelo PT como ferramenta para destruir alguns dos principais personagens da política brasileira e seus partidos. O fato de que a filha de José Sarney, Renan Calheiros e Eduardo Cunha estejam envolvidos no escândalo do Petrolão e correndo sério risco de condenação e prisão introduz um ingrediente dramático ao jogo político, dada a centralidade desses personagens no controle do PMDB, partido que se constitui no fiel da balança da governabilidade há décadas; que se posicionou no controle do Congresso Nacional e usa suas posições no parlamento como arma para enfrentar o PT e barrar o projeto do partido de Lula.

A fragmentação da base alugada e as contradições e conflitos entre Calheiros e Cunha, nesse cenário, embora se constituam em elemento importante da disputa de poder dentro do PMDB e entre os partidos, interfere, de fato, como um elemento complicador para a articulação de vitórias em plenário por parte do Palácio do Planalto. Os peemedebistas se servem da confusão para encarecer o preço de seu apoio ao governo no parlamento.

A percepção, por parte dos demais partidos, da natureza do projeto de poder do PT levou ao isolamento dos petistas. O envolvimento do partido no escândalo do Petrolão está produzindo um abalo de grandes proporções na imagem e no poder do PT, cuja hemorragia em praça pública recém está no seu início e ameaça, inclusive, a própria existência da legenda.

Além disso, o conteúdo das medidas de ajuste fiscal a que o governo se vê obrigado a recorrer para corrigir as distorções econômicas produzidas a partir do segundo mandato de Lula constitui-se em mais um elemento desagregador do petismo, forçando-os a engolir suas próprias contradições para salvar seu governo moribundo, e gerando um uma fieira de traições e deserções puxadas pela saída de Marta Suplicy do partido.

Num cenário com esses ingredientes, o duro ajuste fiscal necessário e estratégico para que o país saia do quadro de inflação com recessão produzido pela política econômica petista virou moeda de troca nos jogos de poder intragovernistas. O vice-presidente Michel Temer, alçado à condição de articulador político do governo vem comemorando as parcas vitórias que costurou pescando votos na oposição para passar o ajuste fiscal, mas o fato é que os congressistas estão mitigando o ajuste das contas públicas com um jogo cínico no qual, ao mesmo tempo que aprovam as medidas do governo, paralelemente, aprovam outros gastos capazes de corroer o esforço fiscal e comprometer a saúde da economia e a sobrevida do governo Dilma.

O ministro Joaquim Levy, diante dessa situação, anuncia a necessidade de mais aumentos de impostos e de contingenciar R$ 78 bilhões do orçamento para compensar os novos gastos criados pelo parlamento. No entanto, logo encontra os limites de suas ameaças ao se defrontar com o risco de o remédio, nessa dose, matar o doente. Isto é, paralisar completamente o governo e asfixiar as forças de mercado já sobrecarregadas com a carga tributário escorchante que esfola o ímpeto empreendedor das empresas e indivíduos, desestimulados pela transferência descomunal transferência da riqueza socialmente produzida para sustentar um Estado ineficiente, gastador e corrupto.

Por mais malabarismos que faça o ministro Joaquim Levy e por mais que os editoriais da grande imprensa se esforcem para puxar as orelhas dos políticos que teimam em não colaborar para o sucesso do esforço fiscal, a cada dia que passa vai ficando claro que a variável política está impedindo o fechamento das contas que o ministro do Bradesco precisa entregar redondas.

Por outro lado, a reforma política, dessa vez pautada pelo Congresso como forma de conter o petismo e que aparentava dessa vez avançar em medidas saneadoras do jogo eleitoral, também, a cada dia que passa, vai se revelando um novo fogo de palha a ser apagado pelo balde de água gelada da falta de consenso entre os políticos sobre a ameaçadora mudança das regras com as quais se elegeram.

E, para tornar ainda mais complexo o cenário, o dono da UTC, empreiteiro Ricardo Pessoa, tido como capo do conluio de empreiteiras agenciadas pelo projeto de poder do petismo, assinou seu acordo de delação premiada revelando que dinheiro do Petrolão abasteceu os cofres da campanha da chapa Dilma/Temer, lançando a mácula da corrupção e da ilegitimidade sobre o mandato dos recém-eleitos, passíveis de cassação sem a necessidade de um processo de impeachment.

Não obstante essa possibilidade de desfecho judicial e a guerra de pareceres entre advogados de um lado e outro, o fato é que a possibilidade do impeachment, com ou sem a cassação do mandato da chapa eleita em 2014, segue pairando como um fantasma a assombrar as noites do petismo.

A inflação sobe, a recessão se aprofunda, o desemprego cresce, os panelaços se espalham pelo país, e dia 27 de maio próximo, mais um capítulo do movimento civil pelo impeachment terá seu desfecho com a chegada em Brasília da Marcha pela Liberdade, protagonizada pelo Movimento Brasil Livre, que pretende lotar a esplanada dos ministérios para pressionar o Congresso Nacional a acatar o processo de impedimento desse governo.

Assim, se alguém se julga tranquilo e confiante com o destino do ajuste fiscal e do governo Dilma, ou está mentindo ou não está entendendo nada.





Por Paulo Moura
Graduado em Ciências Sociais, Mestre em Ciência Política pela UFRGS, Doutor em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Especialista em Educação à Distância pelo SENACRS, Diretor Presidente da PGM Consultoria em Comunicação e Planejamento Estratégico, Professor Adjunto com Doutorado da Universidade Luterana do Brasil onde ministra as disciplinas de Ciência Politica; Marketing Político e Pesquisa de Opinião. Atua na área de Ciência Política com ênfase em Análise Política, Estudos Eleitorais e Partidos Políticos e na Área de Comunicação Política e Marketing Político.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Dá bilhão? Ou: Antes de falar em aumento de impostos ou redução do ajuste fiscal, que tal cortar os infindáveis desperdícios?


Já ficou famosa a entrevista antiga em que participei com Ciro Gomes e na qual ele questionou, de forma incisiva, onde dava para cortar um bilhão nos gastos públicos. Dá bilhão?, quis saber o cacique político do Ceará. Sim, davam muitos bilhões só com corte para ONGs que ignoram a letra N na sigla ou para os “movimentos sociais”, sem falar dos ministérios. Ciro não se mostrou convencido na época.

Hoje o próprio governo Dilma, do qual seu irmão Cid Gomes foi ministro até pouco tempo, fala em cortar R$ 70 bilhões por ano. Setenta vezes mais do que o tal bilhão que suscitava suspeitas em Ciro. E isso, podem acreditar, é só a pontinha do iceberg de nosso governo obeso e inchado. Dá para cortar muito mais. Centenas de bilhões!

Mas o Congresso parece discordar, e já acha que a meta de superávit proposta pelo governo Dilma não é viável. Passa, então, a pressionar o governo por uma redução no corte. Os congressistas do próprio PT querem que Joaquim Levy reveja a meta, e proponha um corte menor. O obeso não quer fazer dieta, pois não se acha nada gordo.

Levy reage ameaçando com aumento de impostos, sempre uma medida impopular. Mas antes de se falar em redução no corte de gastos ou em aumento de impostos, que tal se nossos políticos e governantes falassem em acabar com a quantidade infindável de desperdícios no governo?

O senador José Serra, diz uma coluna de jornal hoje, tem levado a alguns colegas um estudo em que diz ser possível o governo economizar pelo menos R$ 10 bilhões só em revisão de contratos. Dentro da estrutura do Senado, por exemplo, quando Renan Calheiros assumiu, havia até contrato para manutenção de máquinas de datilografia, peças em desuso na Casa há, pelo menos, três décadas.

Basta extrapolar isso, que deve ser a realidade em todas as esferas do governo, para se ter ideia de como o ralo é gigantesco. E tem muita gente se dando bem nessa história, mamando nas tetas estatais por puro desleixo ou conivência e cumplicidade dos governantes. Vamos atacar esse mal pela raiz? Vamos ver quantos bilhões dá para economizar só com uma gestão mais eficiente e séria?

Dá bilhão? Só se for em cada esquina de Brasília! Repetir que o ajuste fiscal proposto é inviável ou que é preciso aumentar impostos num país como o nosso, com esse governo perdulário, incompetente, corrupto e inchado, só pode ser uma piada de mau gosto. Ou, claro, uma estratégia de quem tira vantagem com esse esquema todo e detestaria ver um trato mais sério da coisa pública…






Po Rodrigo Constantino

A virada contra os inimigos da bênção. Você está pronto pra começar?


Talvez você pense que o texto abordará sobre a milagrosa vitória de Gideão com seus trezentos homens sobre a multidão dos midianitas, mas a reflexão não se detém a esse glorioso fato; antes, analisa a construção da vitória pessoal de Gideão que precedeu a de Israel. São essas lições que mostram o pano de fundo de grandes viradas com a presença de DEUS em nossa vida e sua bênção e autoridade em nossa vanguarda.

Deus deseja se revelar a você (Jz 6:12). Nosso Deus não mudou e se dispõe a socorrer-nos em nossas angústias e incertezas, às vezes provocadas por invasores, como os midianitas no tempo de Gideão. Surpreendentemente, debaixo dos maiores e mais frondosos carvalhais existenciais, a misericórdia do Senhor se manifesta em nosso favor; e Assentado à nossa espera, propõe-nos mudança de vida e transformação de nossa triste realidade (Jz 6:14). Ouça esse Deus vivo que manifesta-nos a razão da vida e seus projetos de vitória. Entre as árvores de grande porte, o carvalho é considerado símbolo de resistência. Quanto mais tempestades enfrenta, maior e mais forte ele fica; as raízes se aprofundam, galhos e tronco ficam mais robustos e até disformes como se trouxessem “na face” as marcas das lutas. A narrativa do encontro de Deus com Gideão no carvalho de Ofra, encontram sentido em suas lidas e embates diários – suas experiências são como a do carvalho e é exatamente porque você não se entregou à crise e completamente a derrota que Deus tem uma revelação de auxílio, socorro e esperança pra sua vida, hoje!

Gideão não se entregou por conta da crise (Jz 6:11). Existem crentes que apenas põem-se a reclamar de tudo, mas na prática nada fazem além de murmurar. Independente de qual for sua dificuldade, sempre há algo de útil a se fazer, mesmo de forma inusitada e até incomum, como foi o caso de Gideão, trabalhando com trigo na casa das uvas, como estratégia para não chamar a atenção do inimigo que poderia saquear sua pequena colheita. Haverá dias que nossa postura deverá ser igual à dele, malhar nossas mágoas, ansiedades e frustrações no lagar das orações, diante da presença de Deus. Faça isso e ponha-se numa posição estratégica para se proteger e receber respostas que definirão sua vida e seu futuro – foi somente depois de Gideão não aceitar entregar sua colheita nas mãos dos midianitas que o projeto de libertação de Deus veio à tona.

Mesmo assim, Gideão como eu você e também teve suas dúvidas, vejamos:

1. Questionou o cuidado de Deus por conta da crise (Jz 6:13a). Na maioria das vezes achamos que se estivermos obedecendo a Deus e seguindo seus preceitos ficaremos imunes aos problemas e dificuldades, o que não é verdade. Aos que estão obedecendo e continuam sofrendo, que entendam que é uma luta permitida pelo Senhor, acredite que Ele não te livra da crise, mas te sustém e se revela nela, prepare-se para uma grande revelação ou uma maravilhosa experiência. Deus jamais nos prometeu ausência de problemas, doenças ou necessidades, antes nos garantiu soluções, curas e a cuidar de todas as nossas carências; creia em sua provisão e cuidado, pois Ele é Fiel!

2. Desconfiou do testemunho de seus irmãos na fé (Jz 6:13b). Em algumas situações onde as crises e dificuldades se prolongam ou crescem em gravidade, além de perdemos muito de nossa fé, também passamos a descrer do testemunho dos outros que passaram por tribulações semelhantes. Se existem propósitos celestiais em relação a nós em nossas lutas, um deles deve ser o de trazer pra nós uma experiência pessoal vívida a ponto de substituir o testemunho de terceiros em nossa relação com Deus. Quem sabe você já ouviu muito sobre o poder de Deus e agora é o tempo de experimentar e recebê-lo em sua vida, pense nisso, pois Deus continua fazendo as maravilhas do passado!

3. Precisou fazer prova com Deus para prosseguir (Jz 6:17). Mesmo que tenha soado como incredulidade, o pedido de Gideão foi feito com humildade e temor e o Senhor o atendeu. Já temos razões suficientes pela Palavra de Deus para crermos no amor de Deus para conosco em tudo, mas às vezes ansiamos por uma resposta específica e dirigida a nossos dilemas. Tudo bem, esse mesmo Deus que, pôs-se a esperar pelo atribulado e reverente Gideão, também conhece sua sinceridade e humanidade. Considere como específico esse comentário que você está lendo agora. Não foi composto por acaso, é provável que eu tenha sido impulsionado a compô-lo especialmente por sua causa. É o Deus de Gideão tocando com a ponta de seu cajado de compreensão mais uma vez. Ele é verdadeiro, tão somente creia nele de todo o seu coração.

Gideão vive a mudança – essa é a sua oportunidade!

Adora a Deus e restabelece o altar, símbolo do culto a Deus (Jz 6:24-27). Depois de ter sua fé renovada à primeira providência prática de Gideão foi restabelecer o símbolo do culto ao Senhor – o altar. Em nossa vida também não pode ser diferente. Mesmo que tenhamos trigo para malhar com inimigos se aproximando, o culto a Deus deve ser nossa prioridade. Se a atenção aos problemas e necessidades for primazia em nossa vida, fatalmente seremos derrotados; mas se como Jerubaal reerguermos o altar de adoração e concerto, Deus se agradará de nós e nos auxiliará em nossas pelejas e a vitória será questão de tempo. Derrube os altares de Baal que sutilmente foram erguidos para esfriar sua fé; irrompa contra toda forma de usurpação ao lugar central de Deus em sua vida e assim, fundamente o começo da virada contra os midianitas que ameaçam seus sonhos e esperanças!

Toca a buzina como o novo lider do povo de DEUS (Jz 6:34). Em ocasiões solenes e emergenciais o som da buzina tinha significados especiais para os israelitas, e quando ocorriam eram tocadas por pessoas autorizadas. Imagine há quanto tempo à trombeta do ajuntamento estava à espera para que um juiz levantado por Deus a tocasse e conduzisse Seu povo a vitória sobre o jugo midianita. É provável que em sua vida também haja necessidade desta manifestação e sonido de unção de Deus. Assuma a liderança da vida debaixo da direção e autoridade do Espírito de Deus, congregue sua família em torno de uma campanha de mudanças, inspire-se nas promessas de Deus diante das sentenças de derrota produzidas e proferidas pelo inimigo; reúna forças para a batalha decisiva – a maior certeza pra você (como foi para Gideão) é: Deus está comigo!

Acendeu as tochas (Jz 7:16c)! Com buzinas e cântaros (para fazer barulho) e tochas (para criar movimento e impressão de um grande exército), o novo juiz de Israel e seus corajosos 300 se puseram na frente de uma batalha que pelas evidências espirituais já estava ganha para eles (Jz 7:14-15). Há situações em que nos encontramos numa verdadeira escuridão, nos sentimos perdidos e sem direção; e são nessas horas que temos que acender uma tocha de fé e fazer barulho com a crença e movimentos com a esperança – o que confundirá os nossos inimigos. É possível que alguém que está lendo essas palavras tenha até pensado em desistir diante de algum problema; mas que tal reacender as tochas da confiança em Deus?

Como você pode perceber não se trata de receitas mágicas, expressões triunfalistas ou mentalização positiva; infere em reconciliar-se com Deus, assentar-se sobre suas promessas, obedecer a seus mandamentos e esperar pelas maravilhas dEle em sua vida. A vitória de Gideão poderá se repetir na sua vida também, basta crer e fazer o que ele fez, pois Deus continua dando-nos vitórias sobre os inimigos da bênção!





Por Silvio Costa

Administrador de empresas por profissão; graduado em teologia no Seminário SEET e na Faculdade FAIFA. É membro do conselho editorial da revista Seara News e editor responsável pelo portal Litoral Gospel

Guia de sobrevivência para a Igreja em tempos de recessão e crise financeira


Pais da família desempregados, inflação alta, juros a 300%, crises de energia, crise hídrica e crise da saúde. Estas são apenas algumas das cenas do cotidiano que vem atingindo o Brasil em anos recentes. E o pior: parece não vai nos deixar por um bom tempo.

Estava eu dentro do metrô a caminho do centro, quando um jovem bem vestido, tirou da sua bolsa um violino. Ele falou alguma coisa. As pessoas não prestaram atenção. Todos pareciam absorvidos por pensamentos distantes e pela preguiça do frio em mais um típico dia de semana. A maioria preferiu o contato com o telefone do que dispensar ao menos um olhar que fosse na direção daquele homem.

Quando ele começou a tocar, tive uma surpresa. Percebi que estava diante de um músico de qualidade. Trechos de obras como As 4 estações de Vivaldi encheram o ar. Admirei-me e aparentemente fui a única. Ele, porém, não se incomodou com a apatia e continuou tocando mais.

A viagem seguiu. Entre o entra e sai de pessoas, o jovem, que era casado, esforçou-se para continuar sua apresentação. Fiquei pensando o que faria um músico como este, que poderia estar trabalhando com bandas, orquestras ou escolas, ter de se submeter a tamanha humilhação? Tentei me colocar em seu lugar. Ou se faz isso por coragem ou por desespero.

Ele terminou de tocar.

Com seu chapéu começou a recolher “doações”. Ninguém parecia se importar.

Contribuí com o pouco que tinha. Ele sorriu e seguiu. Parecia satisfeito pois sua música tinha sido ouvida.

Situações como esta tem se multiplicado de uma forma assustadora em todas as cidades brasileiras. Até o espaço de esmolas é disputado aos tapas. Já não são mais os típicos mendigos que agora enchem as ruas para isso. São cidadãos do bem que lutam para comprar a comida de seus filhos.

Em nossas igrejas o número de desempregados tem aumentado consideravelmente. Isto afeta as prioridades da igreja, dos programas, do edifício e dos salários. Não é preciso dizer que quando a situação financeira de uma igreja local é afetada, os projetos missionários são os primeiros itens a serem cortados da agenda. Nem sempre assim, mas acontece com a maioria dos casos.

Em tempos assim, algumas igrejas aumentam suas campanhas e prometem grandes bênçãos de prosperidade para quem se sacrificar. Graças a Deus, isto também é uma generalização pois nem sempre é o que acontece.

Estratégia para os dias maus:
 
1. Priorize o investimento: Talvez não seja a melhor hora para compras, especialmente as de longo prazo. O investimento deve ser voltado para os maiores necessitados. Dos que perderam empregos, às famílias que precisam de ajuda.

2. Depois de atender aos necessitados da família local, é hora de pensar na comunidade: dos que vivem nas ruas chegar sempre que possível, onde houver um pedido de ajuda.

3. Lembre-se de que generosidade não é só dinheiro. Nossas congregações precisam ser generosas no tempo, no carinho, na comida, nas doações e nos recursos em geral. A generosidade é em primeiro lugar para o outro, e não necessariamente para a instituição.

4. Generosidade e Compaixão são “frutos” de uma vida cheia do Espírito Santo. Há muitas bênçãos para aqueles que praticam estas ações, inclusive a da “provisão”.

Que o Senhor nos ajude nos dias maus que perduram sobre nossa nação!

Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza. Provérbios 11:24




Por Raquel Elana,
Graduada em Teologia, Pós Graduação em Jornalismo Político e Ministérios Criativos pelo IBIOL de Londres, é autora de 3 livros, entre eles: Anjos no Deserto - uma coletânea de testemunhos dos seus quase 10 anos de trabalho no Oriente Médio. Desde o ano passado está envolvida com o trabalho de atendimento aos refugiados da guerra civil da Síria

Se liga, Dilma: mais carinho com a Previdência Social


Um cuidado especial para com a Previdência Social deveria estar dentre as prioridades de qualquer governo que se diga minimamente preocupado com as questões sociais. Ainda mais em se tratando do sistema previdenciário brasileiro, que sobreviveu aos periclitantes períodos de turbulência de hegemonia do neoliberalismo. Afinal, no interior da agenda do Consenso de Washington constava a proposta de privatização dos modelos previdenciários. Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional não se cansavam de pressionar os países sob ajuste macroeconômico para trilhar esse caminho nefasto. Que o digam, por exemplo, Chile e Argentina.

Mas se não obtiveram por aqui o êxito nas tentativas de privatização, os formuladores de maldades impuseram regras e condições que prejudicaram bastante os participantes do sistema, sempre na perspectiva de utilizar as receitas bilionárias da previdência para fins de pagamento financeiros e não a atribuição dos benefícios constitucionais.

Uma das mais perversas decisões foi a criação do famigerado “fator previdenciário”, pelo ex-presidente FHC, ainda em 1999. Por meio deste expediente, promoveu-se um verdadeiro tsunami de reduções nos valores devidos dos benefícios àqueles que pretendiam gozar de seus direitos adquiridos, após décadas de contribuição mensal para o sistema.

Apesar da unanimidade existente contra a medida por parte de aposentados, trabalhadores e estudiosos do tema, desde o primeiro mandato de Lula que os governos mantiveram a regra prejudicial aos participantes. Assim, está aberta a oportunidade de reparação de uma injustiça história. Se liga, Dilma! Trate com carinho uma parcela expressiva de nossa população e extinga o fator!

Outra medida que a área econômica vem impondo ao País é desoneração irresponsável da contribuição patronal da folha de pagamentos. Nosso regime prevê que as empresas contribuam com 20% do valor dos salários e os trabalhadores com 10%. O governo cedeu às pressões dos empresários e substituiu essa contribuição por uma alíquota de 1% a 2% sobre o faturamento das empresas. Mas essa receita está sendo insuficiente e poderá comprometer o equilíbrio do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) a médio e a longo prazos. Se liga, Dilma! É preciso rever essa política de apagar incêndios com visão imediatista, deixando a sujeira debaixo do tapete para daqui vários anos.

Por outro lado, os responsáveis do Ministério da Previdência continuam com o discurso antigo e ultrapassado, a respeito do inexistente déficit da previdência. A maioria dos economistas e técnicos honestos que trabalham com a matéria já avisamos que isso é uma grande mentira. O nosso regime previdenciário é superavitário: a cada mês ou a cada ano, o total das receitas arrecadadas é superior ao total das despesas realizadas com pagamento de pensões e aposentadorias.

O que ocorre é que não se pode somar banana com abacaxi! E a contabilidade oficial insiste em misturar as contas dos trabalhadores urbanos com as contas dos rurais. Esse procedimento provoca uma distorção, pois o conjunto dos trabalhadores do campo foi incorporado ao regime previdenciário a partir da Constituição de 1988, quando uma decisão elementar de cidadania foi tomada. Assim uma parcela dos atuais aposentados não contribuiu ao longo de sua vida laboral e essa diferença deve ser contabilizada a cada mês pelo Tesouro Nacional às contas do INSS. Por outro lado, também deveriam ser retirados do cálculo valores relativos à isenção tributária para entidades filantrópicas, igrejas e clubes de futebol, bem como os valores de sonegação fiscal. O resultado é que a previdência, como regime contábil e atuarial, está equilibrada e apresenta superávit.

É por essas e outras que o modelo merece um tratamento de maior carinho. Os estudos estão demonstrando, por todos os lados, que a renda proveniente dos benefícios da previdência está contribuindo para a elevação do padrão de vida das camadas de menor renda de nossa sociedade e tem permitido que a nossa demanda interna se mantenha aquecida, apesar da crise internacional. Assim, se liga Dilma: é preciso recomendar às autoridades da Previdência Social que restabeleçam a verdade dos fatos e não fiquem alimentando a imprensa a cada mês com informações falsas a respeitos de inexistentes déficits do sistema.

Nosso modelo é referência para o mundo todo, com pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão e auxílios para os trabalhadores por acidentes ou doenças. O únicos interessados em provocar o descrédito do modelo são os agentes do sistema financeiro, que olham para a massa de dezenas de bilhões de reais do INSS com olhos bem gulosos e apetite muito voraz.

Portanto, se liga Dilma: estão querendo desequilibrar a nossa previdência pública e universal. É necessário ficar alerta e tratar o sistema com o carinho e o cuidado que os atuais e futuros milhões de participantes merecem.



Por Paulo Kliass
Doutor em economia pela Universidade de Paris 10 (Nanterre) e integrante da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, do governo federal.