segunda-feira, 4 de maio de 2015

Jornal Evangelho & Cidadania Ano I Nº 12 Maio/2015









Sexualidade e redenção



Em relação aos papéis do homem e da mulher, é fundamental retomar o propósito de Deus.

O amor pode ser pecaminoso? O ensino bíblico e a tradição cristã afirmam que sim. O apóstolo Paulo diz, por exemplo, que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Timóteo 6.10). Outro apóstolo, João, em sua primeira carta, também aconselha: “Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo”. Segundo a Palavra de Deus, portanto, existem, sim, formas de inverter ou perverter o amor. E esse amor pecaminoso não se dirige, apenas, a coisas materiais. A certa altura de seu ministério terreno, Jesus afirma: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mateus 10.37). É claro que devemos amar nossos pais. O quarto mandamento do decálogo nos manda honrar pai e mãe. No entanto, quando esse amor tem precedência sobre o amor a Deus, ele coloca em risco a ordem dos nossos afetos – e o objeto do nosso amor, facilmente, se transforma em ídolo.

Fomos criados por Deus para amar e ser amados. Essa é a condição básica do ser humano. Deus é amor, e não poderia nos criar de outra forma. No entanto, este propósito do Criador é corrompido sempre que nos afastamos dele e viramos as costas à sua vontade. Sempre que amamos alguma coisa ou mesmo alguém mais do que a Deus, o amor corre o risco de tornar-se pecaminoso.

O propósito do Criador para o ser humano, particularmente em relação à sua sexualidade, foi desenhado na criação. É nisso que os cristãos creem. A Bíblia começa com a afirmação de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Esta é, aliás, a declaração mais surpreendente de toda a narrativa da criação: o Deus Criador cria o ser humano à sua imagem. No mundo antigo, as imagens representavam a presença daquele que estava ausente, fosse ele um rei cujo trono e palácio encontravam-se distantes, ou um deus cujo templo e altar ficavam longe. Porém, o Deus revelado na Bíblia escolhe o ser humano como representação de sua presença no mundo. Na revelação bíblica da criação, existe um vínculo entre o humano e o divino. Todavia, a imagem de Deus no ser humano não se expressa no indivíduo solitário, encapsulado em si mesmo, mas é representada no homem e na mulher. A criatura divina é o ser humano sempre em relacionamento. O propósito da criação é, portanto, a comunhão entre o homem e a mulher; e, nesse relacionamento, a identidade humana é afirmada. O casamento – a aliança de amor entre um homem e uma mulher –, determina o fundamento da comunidade humana, e define a sentença básica da sexualidade estabelecida pelo Criador.

Em uma cultura confusa em relação aos papéis do homem e da mulher, é fundamental retomar o propósito da criação para construir uma compreensão da sexualidade humana como forma de expressar, primariamente, a natureza divina – e não o desejo humano por prazer ou satisfação pessoal. A forma como honramos e dignificamos nossa identidade sexual requer a aceitação plena e incondicional de quem somos diante do Criador, como homens e mulheres, construindo relacionamentos expressivos dessa condição.

Existe, hoje, muita crítica ao Cristianismo nesse aspecto. Movimentos, instituições ou, simplesmente, indivíduos criticam e, algumas vezes, atacam a fé cristã por considerá-la uma religião restritiva da prática sexual. É preciso deixar claro que o Cristianismo restringe, sim, a prática sexual; porém, em nenhum momento a nega. Muito pelo contrário: ele a afirma. Em seu livro Cristianismo puro e simples, o escritor irlandês C.S. Lewis diz o seguinte: “O Cristianismo é praticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo – que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia. O Cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o Cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente.”

Por outro lado, o Cristianismo também reconhece que o ser humano não pode se entregar cegamente aos seus instintos e desejos, e por essa razão ele estabelece limites e fronteiras para a prática sexual. Esses limites são necessários para ordenar os afetos humanos e disciplinar os desejos. A revista Ultimato, em sua edição número 352, traz como matéria de capa o seguinte tema: “A descoberta da compulsão”. Num dos artigos, a publicação faz referência a alguns escritores e psicanalistas que reconhecem os riscos dos desejos descontrolados. Uma das citadas é a psicanalista Maria Rita Kehl, que aconselha: “É melhor admitirmos, humildemente, o mal que nos habita. É a chance de aprendermos a lidar com ele. Pois parece que, quanto mais ignoramos a violência do desejo, mais somos vitimas de suas manifestações”. Ela cita também o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, que afirma: “Somos seres do desejo e não da razão. Com isso, não quero dizer que não sejamos racionais, mas sim que o desejo se impõe à razão […]. Devoramos tudo à nossa volta por conta dessa força irracional chamada desejo.”

Na sociedade humana, todos reconhecem que limites são necessários, em qualquer atividade ou comportamento. A questão é: quem os define e quais seriam eles? Qualquer grupo social ou indivíduo, independentemente de credo ou formação, define seus limites a partir de algum pressuposto. Os cristãos creem na Bíblia como palavra inspirada por Deus e sua regra de fé e prática. Ao apresentar os limites, o Cristianismo cria um espaço seguro, não só para a pessoa, mas também para toda a sociedade humana, a fim de que o ser humano possa desenvolver seus afetos e amadurecer seus relacionamentos.

O argumento do amor busca sustentar e legitimar toda e qualquer forma de relacionamento, inclusive as relações sexuais que acontecem fora dos propósitos da criação, bastando para isso dizer que aquelas pessoas se amam. Por exemplo, muitos perguntam: pessoas do mesmo sexo não podem se amar? O Cristianismo responderia dizendo que sim; que não só podem, como devem. O problema é que usam a expressão “amar” como sinônimo de sexo. Amor e sexo não são a mesma coisa. Deus jamais proibiu alguém, quem quer que seja, de amar. Muito pelo contrário. No entanto, o ato sexual tem limites impostos pelo próprio Senhor. Desde o início, o testemunho bíblico se opôs deliberadamente às pretensões de seu ambiente cultural, afirmando que, na criação, Deus designou o homem e a mulher para uma identidade específica nos termos de uma aliança.

FRONTEIRAS MORAIS

Essas fronteiras são, hoje, fortemente criticadas e refutadas, muitas vezes, de maneira hostil, tanto pela cultura quanto pela mídia, que buscam criar uma sociedade sem princípios morais. O salmista levanta uma pergunta crucial para nós, hoje: “Destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” Sem fundamentos, a justiça se perde, rapidamente. Uma sociedade sem fundamentos morais caminha, inexoravelmente, para o caos – um cenário de violência cada vez mais comum – ou para algum regime totalitário, que pratica a rejeição ou que rejeita qualquer opinião que não seja aquela defendida por alguns movimentos e grupos organizados.

Somos, hoje, uma sociedade sem fronteiras morais. Somos uma sociedade que sabe fazer sexo, mas que encontra dificuldade para amar. Buscamos satisfazer nossos desejos e impulsos, mas resistimos a construir relações fiéis e duradouras. Nenhuma sociedade, seja ela cristã ou não, consegue sobreviver sem limites ou fronteiras morais. Para o Cristianismo, não podemos falar da sexualidade humana sem levar em conta a realidade do pecado. Deus nos criou para nos relacionarmos com outros, para amar e sermos amados; existimos para cuidar, nutrir e expressar afetos na amizade e comunhão. Deus também nos criou como seres sexuados, diferentes, o que nos torna capazes para o ato sexual como expressão única, entre o homem e a mulher, numa relação estável e fiel, como símbolo da aliança que Deus estabelece com sua criação. Neste relacionamento único, participamos da criação procriando e construindo a comunidade humana. É neste modelo que encontramos a possibilidade do mistério do amor, da segurança humana, de confiança e o espaço para receber os filhos que virão, oferecendo-lhes o ambiente necessário para seu desenvolvimento integral.

Acontece que o pecado corrompeu esse projeto divino. Antes de prosseguir, vale uma pequena explicação sobre o significado do pecado. Não se trata de um conceito psicológico ou sociológico, mas teológico. Ele diz respeito a Deus e seus propósitos revelados nas Escrituras Sagradas. É comum ouvir pessoas que não creem em Deus nem na sua Palavra protestando contra o fato de os cristãos reconhecerem que um determinado comportamento é pecaminoso. Isso é um tanto estranho. Não faz sentido que alguém que não professa a fé cristã, cujos princípios e valores não são determinados por sua fé em Cristo e na sua Palavra, proteste contra os que assim acreditam. Pecado é uma realidade humana; ele envolve todos os seres humanos. No entanto, para aqueles que não creem e não reconhecem o Criador, muito menos a condição que a queda impôs ao ser humano, não faz sentido protestar contra aquilo em que não acreditam.

Os cristãos consideram que o pecado trouxe a alienação do ser humano para com o seu Criador. Ao virar-lhe as costas, o ser humano perde o princípio da ordem estabelecida por Deus, e se entrega aos seus instintos e paixões desordenados; e é aqui que o amor pode tornar-se pecaminoso. Quando a Bíblia reconhece como pecado toda prática sexual que acontece fora dos termos da aliança entre um homem e uma mulher, conforme designado por Deus na criação, é porque todas estas relações ferem o propósito do Criador para o ser humano, ao estabelecer a família como base da sociedade humana.

A vontade de Deus deve ser o guia de nossa identidade. A comunhão do casamento é o projeto divino para o ser humano como ser sexual. Este princípio não está limitado ao tempo nem à cultura, mas é fundamento essencial e critério fundamental para a compreensão da sexualidade. Este é o padrão que define a doutrina cristã a respeito do comportamento sexual.

PROPÓSITO DIVINO

Muitas pessoas argumentam que uma limitação sexual pode implicar em algum tipo de privação. Num certo sentido, isso é verdade. Aliás, ninguém vive sem limites ou algum tipo de privação. Jesus usa esse argumento no célebre Sermão do Monte. Ali, o Mestre afirma: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno”. Ele usa esta imagem forte para falar do adultério. No entanto, a mesma ilustração pode ser usada para qualquer outra forma de expressão sexual fora da vontade divina. O propósito de Deus não é que o indivíduo fique entregue aos seus instintos e paixões, mas que seja submisso ao seu Criador, e assim experimente a plenitude dos seus afetos e a liberdade em Cristo.

Lewis afirma: “A regra cristã é clara: ‘Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total.’ Isso é tão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o Cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual, tal como é hoje em dia, se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou”. A desordem sexual sempre contribuiu para uma desordem afetiva. O domínio próprio – a disciplina espiritual mais rejeitada na cultura moderna – é fundamental para reorientar nossos afetos e balizar nossa sexualidade. Existe um vazio e um anseio na alma humana que só pode ser satisfeito em Cristo, e isso só será plenamente realizado na redenção final. Não existe plenitude absoluta sem redenção absoluta. Para enfrentar o pecado, precisamos reconhecer a necessidade de renunciar a ele, resistir à tentação e optar pelo Reino de Deus. Precisamos, também, reconhecer que fazemos parte de uma sociedade caída e integramos uma Igreja que também traz as marcas do pecado. Logo, não adianta esconder a realidade do pecado: ela precisa ser enfrentada, desmascarada e restaurada em Cristo com a mesma misericórdia com que o Filho de Deus nos assiste em nosso pecado.

Os cristãos creem num Deus Criador, que nos criou como seres sexuais e encontrou prazer em sua criação. Cremos em um Deus pessoal, numa ordem que ele estabeleceu. Cremos nos seus absolutos; cremos num Reino de vida e paz no qual reside o sentido da existência humana. Cremos que, se seguirmos o propósito de Deus para nossa sexualidade, encontraremos mais plenitude de vida e maior prazer.

Como cristãos, experimentamos a liberdade conquistada pelo perdão dos nossos pecados na reconciliação com Deus, conosco e com o próximo. A reconciliação abre a possibilidade para um novo começo, que a graça divina nos proporciona pelo poder do Espírito Santo. Somente por meio da graça de Deus e do poder do Espírito podemos ser fiéis em nossos relacionamentos, bem como enfrentar e resistir ao modelo imposto pela sociedade moderna, que nos oferece um tipo de prazer que nega a alegria que nasce de uma vida comprometida com o propósito do Criador.

A Igreja cristã tem um importante papel no chamado de Deus para a reconciliação de todas as coisas em Cristo, incluindo a sexualidade humana. Paulo afirma que, “se alguém está em Cristo, é nova criação” (II Coríntios 5.17). Ser cristão não torna ninguém melhor ou superior que os seus semelhantes; ser cristão significa que fomos libertos de um modelo cultural, com seus valores – ou antivalores, que aprisionam e oprimem –, e fomos atraídos por Cristo para uma nova vida e uma nova criação. Não temos, em nós mesmos, nenhuma alternativa melhor, mas cremos que Deus tem. Por isso, somos chamados à tarefa de promover a reconciliação. E semelhante tarefa não acontece numa arena hostil de rupturas e maniqueísmos, do tipo “nós versus eles”. Como disse Paulo, somos o que somos pela graça de Deus. Não existe mérito algum em nós. Não somos melhores que ninguém. Tudo que temos, e tudo o que podemos oferecer, é a graça redentora de Jesus Cristo.

A fé em Cristo nos oferece as bases para uma nova ética e moral focada no tipo de homem e mulher que Deus deseja que sejamos, e não em regras moralistas. O ser humano pretendido por Deus nos foi revelado em Jesus Cristo. Somente pela misericórdia de Deus é que podemos viver esta nova realidade e oferecermos nossos corpos “como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,” que nos possibilita a experimentar a boa, perfeita e agradável vontade do Senhor.





Por Ricardo Barbosa de Sousa
Pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília

A raiz do problema


Jovens adultos abandonam a igreja porque não têm uma fé própria

As estatísticas são alardeadas todos os dias e apavoram os pais, líderes e educadores cristãos: cada vez mais jovens criados no Evangelho abandonam a igreja, sobretudo após a conclusão do ensino médio. Em números, seriam 94% (alguns dizem 86%) dos jovens evangélicos que saem para nunca mais voltar. Só isso já comprometeria, em termos aritméticos, a próxima geração de evangélicos. As razões alegadas são as mais diversas possíveis, e boa parte delas se deve ao assédio das atrações “do mundo”, às novas conquistas intelectuais que esvaziam a noção do sagrado e o secularismo exacerbado de nossos dias. O cerne da questão, todavia, é mais sutil, e nem sempre reconhecido pela própria igreja. Os jovens adultos que a abandonam, muitas vezes, não possuem uma fé verdadeira – uma fé própria – e um relacionamento com Cristo que seja profundamente importante para suas vidas pessoais, algo que fuja à mera pressão exercida por seus pais ou responsáveis nos primeiros anos de sua vida.

Quem se debruça com mais seriedade sobre o fenômeno descobre algumas verdades. Tais estatísticas, muitas vezes, são, com se diz, meras lendas urbanas – ou, pelo menos, expressam uma meia verdade. Nenhuma pesquisa, de fato, chegou a essa conclusão. É claro que a evasão existe, e deve gerar preocupações. A realidade é que existem desafios em relação a esse fato, mas pesquisas confiáveis mostram que a fé é bastante resistente de uma geração a outra, desde que seja genuína e pessoal. Há alguns anos, a LifeWay Research analisou a questão, observando algumas das coisas que ajudam os jovens a ficarem na igreja e a terem uma fé forte. O estudo queria saber o que é necessário para que um aluno permaneça seguindo a Cristo durante o ensino médio, a faculdade, a carreira e além. Observou-se a fé de alunos que frequentavam uma igreja protestante (tradicional ou renovada) duas vezes ao mês ou mais por, pelo menos, um ano durante o ensino médio. Mais tarde, cerca de 70% dos jovens com idade entre 18 e 22 anos pararam de frequentar a igreja regularmente por pelo menos um ano. Uma taxa de abandono da ordem de 70% – muito alta, por sinal.

Outras pesquisas e estudos entre jovens evangélicos, no entanto, indicam que o número é quase certamente muito menor. E é importante notar que quase dois terços daqueles que largaram a igreja ao longo do estudo voltaram para suas igrejas até o fim da pesquisa. Também perguntou-se a esses jovens por que eles abandonaram a igreja. Dos que saíram, cerca de 97% (quase todos, portanto) afirmaram que o motivo foram mudanças de vida ou algumas situações. Entre as razões mais específicas, destacaram-se:

• Simplesmente, queriam “dar um tempo” da igreja (27%)

• Mudaram de domicílio em função de estudos (25%)

• O trabalho dificultou ou impossibilitou o comparecimento (23%)

Cinquenta e oito por cento dos jovens alegaram que saíram por causa de suas igrejas ou pastores. Um aprofundamento das perguntas indicou algumas causas mais específicas:

• Os membros pareciam críticos e hipócritas (26%)

• Não sentiam empatia pelas pessoas da igreja (20%)

• Os membros não eram amigáveis e acolhedores (15%).


Dos pesquisados, 52% indicaram alguma espécie de crença religiosa, ética ou política como razão pela saída. Em outras palavras, mais da metade deles mudaram suas visões cristãs. Talvez, eles não acreditassem no que suas igrejas ensinavam, ou não davam crédito àquilo no que os outros membros pareciam acreditar.

Mais especificamente, 18% discordavam com a posição da igreja em relação a questões políticas e sociais; 17% disseram que só iam à igreja para agradar a outras pessoas; e 16% disseram que não queriam mais ser identificados com a igreja ou com qualquer religião organizada.

A razão pela qual muitos jovens abandonam a igreja depois do ensino médio é porque a sua fé não era pessoalmente significativa para eles. Em outras palavras, eles não tinham uma fé verdadeira. A igreja não havia se tornado algo valioso em suas vidas – algo que impactasse a sua maneira de viver, de se relacionar e amadurecer. Talvez, a igreja fosse algo que os pais queriam que eles frequentassem. Eles podem ter crescido na igreja e talvez sofreram pressão dos pais ou colegas para se envolverem; mas não se tratava de uma fé pessoal e verdadeira.

Independentemente da exatidão dos números, o fato é que muitos e muitos jovens cedem aos apelos da carne e da sociedade em uma época crucial, justamente quando estão para tomar decisões que se refletirão por toda a sua vida. Não se pode tratar os jovens como crianças. Precisamos prepará-los para os desafios espirituais que virão e as questões de fé que precisarão enfrentar. A fé pessoal e verdadeira leva à transformação de vida e ao compromisso – para toda a vida. (Tradução: Julia Ramalho)




Por Ed Stetzer
Missionário, escritor, professor e supervisor de LifeWay Insigths, divisão do ministério LifeWay

Uma Filósofa de Botequim


                                    Marxismo segundo Marx? Ou segundo Marilena?

Marilena Chauí, uma professora universitária sofista, relativista e mentirosa. Tudo, é claro, em nome da “causa”

“Lula não é comunista. Ele é, na nova moldura petista, um socialista revolucionário, amante da democracia radical onde, segundo a socióloga e ideóloga petista Marilena Chauí, o conflito é um aspecto imanente. Ela se refere à luta de classes ou, de forma mais ampla, ao conflito entre a ‘classe dominante’ ou ‘bloco histórico no poder’ versus ‘os excluídos’ ou ‘novo bloco histórico’ que luta pelo poder” (artigo “Rememorar uma velha história sabida”, de José Luiz Sávio Costa, in memorian).

“Não digo que Marilena Chauí, a doida, perdeu a noção da realidade porque ela nunca teve noção de nada, é uma sem-noção. Mas as alucinações dessa emblemática figura estão ficando cada vez mais, digamos, agudas. Nessa última crise imaginou Luis Ignorácio Mula Não Sabia de Nada da Silva sendo vítima de um golpe de Estado. Tal acontecimento, na cabeça da perturbada, já contaria com 200 mortes! Que vamos fazer para salvar a humanidade? – perguntou a si mesma a maluca. Antes de buscar em seu ser iluminado uma brilhante idéia para resolver o problema humano com o qual se deparava, deu-se conta de que se tratava apenas de um avião que tinha caído e matado quase 200 pessoas. Só isso!(?) A alucinada então respirou aliviada. Mas até agora dúvidas cruéis a acompanham: - Será que realmente as pessoas morreram por causa da queda do avião ou essa é mais uma campanha da grande mídia para nos enganar, e continuar nos explorando, e derrubar o nosso iluminado presidente? Será mesmo que o avião caiu? Será que tudo isso não é mais uma construção fantasmagórica da mídia? E põe-se a filosofar: "acredito que ninguém morreu, esse é um ponto de vista burguês, essas mortes são invenções, assim como a crise aérea e a queda dos últimos dois aviões. O real não é constituído por coisas. Nossa experiência direta e imediata nos leva a imaginar que o real é constituído por coisas, mas não é bem assim, a não ser que as coisas sejam de esquerda, revolucionárias... “(“Do Pueril ao Senil: sem Escala e sem Queda – e Vice-Versa”, Otto Cavalcante)

Segundo os jornais de 31 de julho de 2007, a dona Marilena Chauí, professora da Universidade de São Paulo e filósofa orgânica do Partido dos Trabalhadores, declarou que “a imprensa montou um cenário de golpe de Estado durante a cobertura do acidente com o avião da TAM, em São Paulo".

"A grande mídia foi montando, primeiro um cenário de guerra e, depois, de golpe de Estado”. Isso ela escreveu no texto “A Invenção da Crise”, publicado no site do jornalista Paulo Henrique Amorim, outro petista de carteirinha.

Esse, segundo a dona Marilena, “é simplesmente mais um episódio do fato da mídia e certos setores oposicionistas não admitirem a legitimidade da reeleição de Lula”.

Recorde-se que em 2006 a dona Marilena usou o mesmo chavão, dizendo que o mensalão “foi uma construção fantasmagórica da mídia”, ignorando que 40 quadrilheiros foram denunciados ao STF pelo Procurador-Geral da República como os responsáveis pela tal “construção fantasmagórica”, sendo um deles – Marcos Valério - condenado a 40 anos de prisão.

Também “o guerreiro do povo brasileiro” - José Dirceu – e José Genoíno, ambos ex-presidentes do Partido dito “dos trabalhadores”, foram também condenados.

Para dona Marilena, as publicações de diversos jornais sobre o acidente com o avião da TAM, bem como a falta de respeito de Marco Aurélio Garcia, também professor da Unicamp e assessor para assuntos internacionais do governo Lula, fazendo gestos obscenos de uma das janelas do Palácio do Planalto, bem como as frases dos ministros Guido Mantega, que classificou a crise nos aeroportos como “sinal de prosperidade econômica” (a governadora Roseana Sarney, do Maranhão, também agora, em 2014, disse essa mesma frase referindo-se à total falta de segurança em seu Estado) e da ministra do turismo (cargo adequado à sua personalidade), Marta Suplicy, que sugeriu às famílias que passavam horas, dias e noites nos aeroportos, esperando seus vôos, muitas vezes acompanhadas de crianças e pessoas doentes, para que “relaxem e gozem”, eram um exagero da mídia que inventou a crise aérea.

Em um texto intitulado Invenção da Crise (http://betobiologia.blogspot.com), a dona Marilena comparou a explosão do avião, noticia dada por todos os canais de TV, contra o prédio da TAM, com o bombardeio ao Palácio La Moneda, no Chile, em 11 de setembro de 1973 (sic) imaginando a ocorrência de uma guerra civil ou de um golpe de Estado. “Em certos casos” – escreveu ela – a atitude (dos canais de TV) chegou ao ridículo, estabelecendo relações ente o acidente da TAM, o governo Lula, Marx, Lenin e Stalin, mais o Muro de Berlim”(!).

Essa mulher tem que ser internada urgentemente... Coitados de seus alunos!

De resto, como o título do seu texto indica, a crise aérea não passa de uma invenção da mídia.

A uma pergunta de Paulo Henrique Amorim (http://betobiologia.blogspot.com) se ela, dona Marilena, vislumbra “sinais de uma nova (sic) tentativa de impeachment”, respondeu afirmativamente, pois “a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado. Tentaram desestabilizar o governo usando como arma as ações da Polícia Federal e do Ministério Público e, depois, com o caso Renan”.

Ela - uma professora universitária - confunde o impeachment com golpe de Estado! Novamente: coitados de seus alunos!

É oportuno recordar que em 2005, no seminário “O Silêncio dos Intelectuais”, a dona Marilena fez jus ao título do seminário, mantendo-se calada.

Todos conhecem os fatos que a dona Marilena chama de “tentativa de golpe”. Nesse seminário, instada a falar sobre eles, a comentar as notícias sobre corrupção do partido ao qual pertence, o PT, a professora da USP disse que não haviam dados suficientes para fazer um julgamento.
Segundo ela, não era possível confiar nos meios de comunicação, pois estes eram pautados por “organismos tucanos”. De qualquer forma, aduziu, “se culpa havia, não era do PT, mas do próprio sistema político brasileiro, no qual o presidente nunca tem maioria no Congresso e é obrigado a negociar com os partidos” –, como se a única forma de estabelecer essa negociação política fosse subornando deputados, dando-lhes dinheiro, configurando um “mensalão”, como denunciou o deputado Roberto Jeferson e, como depois, foi comprovado no julgamento realizado pelo STF.

Finalmente, recorde-se um capítulo nebuloso da vida acadêmica de dona Marilena e a justificativa que deu sobre o fato quando, de certa feita, dona Marilena, musa da esquerda nacional, foi denunciada por plágio por José Guilherme Merquior. Plagiou textos inteiros do ex-namorado Claude Lefort – e depois se justificou dizendo que “entre os lençóis seria difícil saber o que é de quem”.

Não deixa de ser hilário e, como disse a então ilustre ministra do Turismo, Marta Suplicy, “relaxa e goza”.

Sobre os mais de 200 mortos no acidente da TAM, nem uma palavra até hoje... ignorando. 





Por Carlos I.S. Azambuja

O monopólio da água


Alguém que, porventura, objetive assumir o MONOPÓLIO DA ÁGUA, em uma cidade rodeada por vários rios caudalosos, não logrará êxito, a menos que promova ou permita, criminosa e veladamente, a poluição desses rios. Mesmo assim, a população dessa cidade poderá abastecer-se perfurando poços.

O monopolista, para atingir o seu intuito, precisará proibir os munícipes de perfurarem poços, ou, pelo menos, burocratizar a perfuração de poços, para dificultar ao máximo o acesso à água. Após essas criminosas providências, o monopolista estará no controle da vida das pessoas, porque quem controla a água controla a vida.

Infelizmente, esse é o quadro que se apresenta em São Paulo, onde, todos os seus rios foram impunemente poluídos, para tornar a água escassa.

Nos últimos 50 anos nenhum governo, de nenhum partido político ou matiz ideológica, barrou a poluição ou tomou iniciativas concretas para despoluir os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí.

Foram-se os governos militares, vieram os da Nova República e nada. Ou seja, da direita à extrema esquerda, todos governantes do Estado de São Paulo traíram os paulistanos, com o claro objetivo de domina-los e escraviza-los, através do monopólio da água potável.

A água é um bem público, que não pode ser monopolizado por ninguém, sejam empresas, partidos, governos, indivíduos ou grupos, como ocorre em São Paulo, onde a SABESP monopoliza a água, aproveitando-se da criminosa e proposital poluição dos rios. Além disso, a SABESP abriu o capital, para vender os nossos destinos e misérias, a quem a custa deles queira lucrar.

Os paulistanos foram complacentes com seus algozes ao permitir o criminoso monopólio da água potável, promovido pela classe política, com claro intuito de tiranizar e escravizar o povo.

Doravante, precisamos saber resistir às investidas dos escravocratas, que certamente tentarão nos impor outros monopólios, para tiranizar nossas vidas.

A poluição proposital dos históricos rios de São Paulo, de onde partiram os bandeirantes, para conquistar o nosso solo, é crime continuado, imperdoável, contra o qual o sonolento Ministério Público e as Forças Armadas devem posicionar-se.

Antes tarde do que NUNCA!

Abaixo a Ditadura do Crime!






Por Antônio José Ribas Paiva
Presidente da Associação dos Usuários de Serviços Públicos.

O crescimento econômico é fácil e natural - basta o governo permitir


Talvez o principal erro teórico daqueles que se põem a imaginar formas de crescimento econômico é ignorar o fato de que seu país, seu estado e sua cidade não são uma ilha isolada, mas sim uma simples delimitação geográfica em meio a todo o globo terrestre.

Quando você imagina a economia de um país como sendo uma entidade completamente isolada do mundo, seu crescimento econômico realmente se torna algo difícil. Afinal, nesse cenário, você teria de fabricar tudo localmente, você só poderia vender para seus vizinhos, e toda a sua capacidade de investimento estaria limitada ao (escasso) capital disponível em sua vizinhança.

Por outro lado, quando você entende perfeitamente que seu país é um mero pedaço de terra envolto por vários outros no globo terrestre, a perspectiva muda completamente.

A partir do momento em que você entende que o seu mercado é global — em vez de apenas local —, que você pode transacionar com qualquer indivíduo do planeta, que você pode vender para, e comprar de, qualquer pessoa de qualquer ponto do mundo, e que, principalmente, qualquer indivíduo do mundo pode investir em sua área, toda a análise econômica muda.

Pense, por exemplo, em uma determinada região do seu país que seja extremamente pobre. Muito provavelmente, os habitantes locais não terão capital físico nem recursos financeiros para fazer grandes investimentos. Consequentemente, será impossível que essa região enriqueça. Entretanto, se você considerar que tal região está inserida em um grande contexto global, o cenário muda totalmente. Os habitantes locais podem não ter capital nem recursos próprios para investir, mas certamente há outros habitantes do resto do globo que possuem esse capital e que, com os devidos incentivos, terão sim interesse de investir ali.

E isso muda tudo.

Implicações

Quando você passa a pensar em termos globais em vez de meramente nacionais, estaduais ou locais, vários desafios econômicos desaparecem.

Um exemplo trivial bastante interessante é o do setor aéreo de um determinado país. Vários economistas temem um oligopólio neste setor simplesmente porque eles próprios cometeram o erro de criar um arranjo no qual empresas aéreas estrangeiras são proibidas de fazer vôos nacionais dentro deste país. Sendo assim, com o mercado nacional fechado ao mercado global, e com as empresas aéreas nacionais usufruindo uma reserva de mercado (por obra e graça das regulamentações estatais, que proibiram empresas aéreas estrangeiras de fazerem voos nacionais), a possibilidade de fusões e aquisições neste setor realmente irá levar a um oligopólio.

Ato contínuo, os próprios criadores deste cenário de reserva de mercado passam a aplicar políticas que visam a impedir o surgimento deste oligopólio — como leis anti-truste — ou que, em última instância, visam a tentar regular esse oligopólio.

Perceba, no entanto, que o erro foi cometido lá no início — quando o governo proibiu empresas aéreas estrangeiras de fazer voos nacionais —, e o que se está fazendo agora é um mero paliativo. A partir do momento em que o governo fecha um mercado à concorrência externa, tentar regulá-lo é um esforço inútil. É impossível tornar mais eficiente, por meio de imposições burocráticas, um mercado fechado que foi fechado à concorrência.

Por outro lado, se o mercado aéreo de um país é aberto ao mundo, de modo que empresas estrangeiras não são proibidas de — ao contrário, são bem-vindas para — fazer vôos nacionais, não há a mais mínima possibilidade de fusões que levem a um oligopólio. Para isso acontecer, todas as empresas aéreas do mundo teriam de se fundir em uma só.

O mesmo raciocínio acima se aplica ao setor de telefonia, ao setor de internet, ao setor de TV a cabo, ao setor bancário, ao setor elétrico, ao setor petrolífero, ao setor rodoviário e até mesmo ao setor de saneamento. Aliás, se aplica até mesmo a empresas de ônibus, de seguro-saúde, hospitais, escolas, açougues, restaurantes, churrascarias, padarias, borracharias, oficinas mecânicas, shoppings, cinemas, sorveterias, hotéis, motéis, pousadas etc.

Se você pensa nestes mercados apenas em termos locais ou nacionais, partindo da premissa de que apenas pessoas que nasceram dentro dos mesmos limites geográficos que o seu podem investir nestes setores, aí realmente o desenvolvimento de vários destes setores será um grande desafio. Se você proíbe o capital externo de investir nestes setores, a melhoria deles se torna bem mais difícil.

Por outro lado, se você pensa nestes mercados em termos globais, de modo que qualquer pessoa ou empresa do mundo tenha a liberdade de investir nele e de auferir lucros, a realidade muda.

Como bem disse Lee Kwan Yew, o homem responsável por implantar as reformas econômicas que fizeram com que Cingapura deixasse de ser um país de terceiro mundo — praticamente uma favela a céu aberto — e se transformasse em um país de primeiro mundo,

Enquanto a maioria dos países do Terceiro Mundo denunciava a exploração das multinacionais ocidentais, nós as convidamos todas para ir a Cingapura. Desse modo conseguimos crescimento, tecnologia e conhecimento científico, os quais dispararam nossa produtividade de uma maneira mais intensa e acelerada do que qualquer outra política econômica alternativa poderia ter feito.

Quando se entende que o mercado é global, e não meramente local, vários obstáculos deixam de existir. Problemas como falta de recursos físicos ou de capital financeiro são imediatamente mitigados. Se os empreendedores de uma determinada região não possuem recursos para fazer um investimento vultoso e altamente demandado pelos habitantes locais, certamente há empreendedores no resto do mundo que possuem. E, se estes tiverem a garantia de que poderão manter seus lucros, eles virão.

Se um determinado país está sem recursos para construir portos, aeroportos, estradas, sistemas de saneamento etc., certamente há investidores e empreendedores em algum ponto do globo interessados em ganhar dinheiro com este mercado. Basta apenas deixá-los livres para tal.

Se um país cria um ambiente de respeito à propriedade privada, permite a liberdade de comércio, incentiva o investimento estrangeiro, fornece plena liberdade às transações comerciais, e permite a acumulação de capital, metade da estrada para o progresso já foi percorrida.

Falta agora a outra metade.

As quatro barreiras ao crescimento econômico

Sim, o crescimento econômico e o enriquecimento são possíveis em qualquer ponto do planeta. Sim, fazer uma economia crescer é fácil. Com efeito, o crescimento econômico é algo que ocorre de maneira natural. Como indivíduos inseridos em um mercado global, nossa predisposição à produção e às trocas comerciais é inata, pois nossa sobrevivência depende delas.

Um brasileiro transacionar comercialmente com outro brasileiro é tão efetivo quanto esse mesmo brasileiro transacionar com um vietnamita. Em ambos os casos, ele está buscando melhorar seu padrão de vida.

Não havendo barreiras ao exercício dessas trocas comerciais, o crescimento econômico ocorre como que por gravidade. Por isso, é essencial entender quais são as barreiras que podem impedir o crescimento econômico.

Moeda

A primeira e mais crucial barreira ao crescimento é a saúde da moeda. Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a saúde da moeda irá determinar a saúde de toda a economia. Se a moeda é instável, a economia também se torna instável.

Além de ser o meio de troca, a moeda é a unidade de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos e investimentos. Se essa unidade de conta é instável — isto é, se seu poder de compra cai contínua e rapidamente, principalmente em termos das outras moedas estrangeiras —, não há incentivos para se fazer investimentos.

Daí os economistas clássicos, à sua época, já defenderem a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível. Tais economistas corretamente compreenderam que ter uma moeda cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente.

Hoje, infelizmente, a teoria econômica que se tornou dominante — e que é adotada por quase todos os governos — inverteu completamente essa lógica. Os economistas de hoje não mais veem o dinheiro como uma unidade de conta que deve ser a mais estável possível. Ao contrário: eles acreditam que uma unidade de conta totalmente volúvel e flutuante, principalmente em relação às demais moedas estrangeiras, turbina a atividade econômica.

Eis o principal problema com esse raciocínio: quando investidores investem — principalmente os estrangeiros —, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura. Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.

Para países em desenvolvimento, que precisam de investimentos estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é ainda mais crucial. E por um motivo muito simples: uma moeda estável cria as condições necessárias para a transferência de conhecimento. O conhecimento acompanha o investimento: o capital estrangeiro vem acompanhado de conhecimento estrangeiro.

Se um país desvaloriza continuamente sua moeda, ele está mandando um sinal claro aos investidores estrangeiros: "mantenham sua riqueza financeira e intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la sempre que for remeter seus lucros".

O máximo a que um país de moeda fraca pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem. Adicionalmente, os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge.

Já um país de moeda forte e estável envia um sinal bem diferente ao mundo: "tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu valor".

E é exatamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o crescimento econômico. Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe. O investimento em tecnologia é maior. O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento em infraestrutura é maior. O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior.

Já quando a moeda é instável — ou passa por períodos de forte desvalorização —, os investidores preferem se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo. Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos. E, consequentemente, age contra o crescimento econômico.

Uma moeda forte e estável é indispensável para atrair o capital estrangeiro e, com isso, gerar crescimento econômico.

Estando a questão da moeda resolvida, restam três barreiras.

Impostos

Uma característica humana que todos nós temos, e que torna o crescimento econômico algo fácil e natural, é o fato de que nossos desejos são ilimitados. Estamos sempre desejando coisas a mais. Só que, para poder consumir esses bens que desejamos, temos antes de ter produzido algo. Como indivíduos, nós trocamos "produtos por outros produtos". Trabalhamos em troca de dinheiro, é verdade, mas só aceitamos esse dinheiro porque sabemos que, com ele, poderemos adquirir outros produtos.

Ou seja, o que permite o nosso consumo é a nossa produção, que necessariamente tem de vir antes do consumo. No nível mais simples, um indivíduo tem primeiro de oferecer algo de valor para só então poder comprar algo que deseja. E o fato de termos de produzir para consumir — ou seja, o fato de que temos de trocar nossa mão-de-obra por alimentos, roupas, abrigos, veículos e amenidades várias que ainda não possuímos — é o que gera o crescimento econômico.

Portanto, para se estimular o crescimento econômico, é crucial estimular a produção. O caminho para o crescimento econômico passa pelo estímulo da oferta.

E, para estimular a oferta, além de uma moeda forte e estável, é necessário remover as barreiras tributárias, burocráticas e comerciais que emperram a produção.

Vale repetir: para que os indivíduos possam consumir, eles têm antes de produzir. Sendo assim, é crucial remover obstáculos à produção.

E o primeiro obstáculo a ser removido são os impostos. Impostos nada mais são do que um preço que o governo coloca sobre a produtividade; uma penalidade impingida ao trabalho.

Empreendedores são, por definição, indivíduos que gostam de se arriscar. Quando empreendedores talentosos de todos os cantos do globo decidem investir em um país, eles estão correndo risco e esperam enriquecer em decorrência disso. No entanto, se o preço a ser pago são impostos altos, vários serão desestimulados.

Para o criador de software cujas inovações irão aprimorar a eficiência das empresas, ou para o cientista cujo trabalho irá demandar várias horas para encontrar a cura do câncer, passando pelo simples dono de restaurante que alimenta as pessoas, tributar sua renda equivale a cobrar um preço pelos seus esforços. Equivale a cobrar deles um preço pelo seu trabalho, algo totalmente sem sentido.

Por isso, o objetivo deve ser o de diminuir esse preço do trabalho a fim de estimular ao máximo os esforços econômicos. Em virtude de seu sucesso, empreendedores melhoram substantivamente as nossas vidas, e o fato de que eles devem ser punido por isso, tendo uma fatia de sua renda confiscada, deveria ser visto como algo grotesco.

Não há empregos sem investimentos. E não há empregos que paguem bem sem investimentos vultosos. Se a renda dos investimentos será tributada, o incentivo para empreendê-los é drasticamente reduzido.

Por tudo isso, é crucial que o governo seja o menor possível. Quanto maior for o governo, maiores serão seus gastos. Quanto maiores forem seus gastos, maiores terão de ser os impostos. E quanto maiores forem os impostos, menores serão os incentivos ao investimento e à produção. (Se o governo financiar seu aumento de gastos por meio do endividamento, o resultado será inflação, o que nos remete ao item 'moeda').

Quando políticos falam que irão aumentar os gastos, o que eles realmente estão dizendo é que irão aumentar os custos sobre os indivíduos produtivos, que são aqueles que arcam com o ônus dos impostos. Aumentar os gastos do governo equivale a aumentar os custos sobre aqueles que levantam cedo e vão trabalhar.

Burocracia

Empreendimentos são feitos em busca do lucro. E a burocracia inibe o processo. A burocracia exige que uma grande quantidade de tempo, energia, esforço e dinheiro seja gasta apenas para se certificar de que o empreendimento está cumprindo todas as ordens inventadas pelos funcionários do governo.

A burocracia nada mais é do que um custo artificial imposto ao empreendimento.

Embora raramente atinja seus supostos objetivos, a burocracia é extremamente bem-sucedida em sufocar a economia e impedir o surgimento de novos empreendimentos. A burocracia rouba dos trabalhadores e dos empreendedores o tempo e os recursos que poderiam ser direcionados à produção de bens e serviços desejados pelo mercado.

O mais irônico de tudo é que toda a burocracia estatal — suas leis e regulamentações — está majoritariamente sob o comando de pessoas que jamais empreenderam em toda a sua vida, mas que se sentem perfeitamente aptas a ditar ordens aos reais empreendedores.

Comércio

O comércio é o mais simples desses quatro elementos relacionados ao crescimento econômico. Cada um de nós, na condição de indivíduo, pratica diariamente o livre comércio. Todos nós somos adeptos do livre comércio porque o livre comércio é justamente o propósito de trabalharmos.

Todos nós trabalhamos diariamente porque há muita coisa que queremos mas que ainda não temos. Trocamos os frutos do nosso trabalho pela comida, pelas roupas, pelos carros, e pelos aparelhos eletroeletrônicos que não produzimos, mas que são produzidos por terceiros ao redor do globo.

Sendo assim, tarifas de importação nada mais são do que uma punição sobre o nosso trabalho e nossa produção. Tarifas de importação são tautologicamente um imposto sobre o nosso trabalho e nossa produção.

Pior ainda, tarifas de importação sempre são implantadas pelo governo com o intuito de proteger a reserva de mercado de empresas ineficientes (se fossem eficientes, não teriam medo da concorrência estrangeira), o que acentua a nossa privação. Trabalhamos e produzimos, mas o governo só nos permite trocar os frutos da nossa produção por bens nacionais mais caros e de baixa qualidade.

No que mais, barreiras comerciais sempre são retaliadas pelos outros países, o que significa que as empresas nacionais mais eficientes arcarão com o maior dos ônus: mercados estrangeiros fechados. Isso reduz o estímulo a novos investimentos em empresas eficientes, e privilegia o investimento em empresas protegidas da concorrência. No geral, a ineficiência econômica é premiada e aumentada.

Conclusão

Atualmente, a economia passou a ser vista como algo intimidante, uma ciência sombria e impenetrável, compreendida apenas por acadêmicos especializados. Não deveria ser. Todos nós somos microeconomistas em nossa rotina diária. As principais noções de economia estão ao alcance da compreensão de qualquer pessoa que pratique trocas comerciais em sua rotina. A economia está em todos os cantos para onde você olhe. Nada é mais fácil de entender do que as noções básicas de economia. As medidas que geram crescimento econômico são lógicas, sensatas e facilmente compreendidas por qualquer um, pois vivemos suas consequências diariamente.

É necessário ter um Ph.D. em economia para complicar o assunto.





Por
John Tamny é o editor do site Real Clear Markets e contribui para a Revista Forbes.
Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

domingo, 3 de maio de 2015

As suspeitas de tráfico de influência internacional sobre o ex-presidente Lula


O Ministério Público Federal abre uma investigação contra o petista – ele é suspeito de ajudar a Odebrecht em contratos bilionários
>> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana

Quando entregou a faixa presidencial a sua pupila, Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, o petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Palácio do Planalto, mas não o poder. Saiu de Brasília com umcapital político imenso, incomparável na história recente do Brasil. Manteve-se influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África – líderes, muitos deles tiranetes, que conhecera e seduzira em seus oito anos como presidente, a fim de, sobretudo, mover a caneta de seus respectivos governos em favor dasempresas brasileiras. Mais especificamente, em favor das grandes empreiteiras do país, contratadas por esses mesmos governos estrangeiros para tocar obras bilionárias com dinheiro, na verdade, do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, presidido até hoje pelo executivo Luciano Coutinho, apadrinhado de Lula. Como outros ex-presidentes, Lula abriu um instituto com seu nome. Passou a fazer por fora (como ex-presidente) o que fazia por dentro (como presidente). Decidiu continuar usando sua preciosa influência. Usou o prestígio político para, em cada negócio, mobilizar líderes de dois países em favor do cliente, beneficiado em seguida com contratos governamentais lucrativos. Lula deu início a seu terceiro mandato. Tornou-se o lobista em chefe do Brasil.

Nos últimos quatro anos, Lula viajou constantemente para cuidar de seus negócios. Os destinos foram basicamente os mesmos – de Cuba a Gana, passando por Angola e República Dominicana. A maioria das andanças de Lula foi bancada pela construtora Odebrecht, a campeã, de longe, de negócios bilionários com governos latino-americanos e africanos embalada por financiamentos do BNDES. No total, o banco financiou ao menos US$ 4,1 bilhões em projetos da Odebrecht em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba durante os governos de Lula e Dilma. Segundo documentos obtidos por ÉPOCA, o BNDES fechou o financiamento de ao menos US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já como ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana – sempre bancado pela empreiteira. Há obras como modernização de aeroporto e portos, rodovias e aquedutos, todas tocadas com os empréstimos de baixo custo do BNDES em países alinhados com Lula e o PT. A Odebrecht foi a construtora que mais se beneficiou com o dinheiro barato do banco estatal. Só no ano passado, segundo estudo do Senado, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior – 42% do total financiado pelo BNDES. Há anos o banco presidido por Luciano Coutinho resiste a revelar os exatos termos desses financiamentos com dinheiro público, apesar de exigências do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e do Congresso. São o segredo mais bem guardado da era petista.Moralmente, as atividades de Lula como ex-presidente são, no mínimo, questionáveis. Mas há, à luz das leis brasileiras, indícios de crime? Segundo o Ministério Público Federal, sim. ÉPOCA obteve, com exclusividade, documentos que revelam: o núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu, há uma semana, investigação contra Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil. O ex-presidente é formalmente suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com representantes de governos estrangeiros onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES. Eis o resumo do processo: “TRÁFICO DE INFLUÊNCIA. LULA. BNDES. Supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente, da empreiteira Odebrecht pelo ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 a 2014, com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES”.

Os procuradores enquadram a relação de Lula com a Odebrecht, o BNDES e os chefes de Estado, a princípio, em dois artigos do Código Penal. O primeiro, 337-C, diz que é crime “solicitar, exigir ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público estrangeiro no exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional”. O nome do crime: tráfico de influência em transação comercial internacional. O segundo crime, afirmam os procuradores, refere-se à suspeita de tráfico de influência junto ao BNDES. “Considerando que as mencionadas obras são custeadas, em parte, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)”, diz o documento.

A investigação do MPF pode envolver pedidos de documentos aos órgãos e governos envolvidos, assim como medidas de quebras de sigilos. Nas últimas semanas, ÉPOCA obteve documentos oficiais, no Brasil e no exterior, e entrevistou burocratas estrangeiros para mapear a relação entre as viagens internacionais do ex-presidente e de integrantes do Instituto Lula com o fluxo de caixa do BNDES em favor de obras da Odebrecht nos países visitados. A papelada e os depoimentos revelam contratos de obras suspeitas de superfaturamento bancadas pelo banco estatal brasileiro, pressões de embaixadores brasileiros para que o BNDES liberasse empréstimos – e, finalmente, uma sincronia entre as peregrinações de Lula e a formalização de liberações de empréstimos bilionários do banco estatal em favor do conglomerado baiano.

A Odebrecht tem receita anual de cerca R$ 100 bilhões. É uma das principais empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, que desmontou um esquema de pagamento de propinas na Petrobras. Segundo delatores, a construtora tinha um método sofisticado de pagamento de propinas, incluindo remessas ao exterior trianguladas com empresas sediadas no Panamá. A empreiteira, que foi citada pelo doleiro Alberto Youssef e por ex-funcionários do alto escalão da Petrobras, nega as acusações.

AMIGOS
O ex-presidente Lula em encontro com o presidente da República Dominicana, Danilo Medina, em janeiro de 2013. Lula foi dar uma palestra em premiação a jovens do país (Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)



                                                  PRESTÍGIO
O presidente de Gana, John Dramani Mahama, veio ao Brasil em 2014 para lançar seu livro Meu primeiro golpe de Estado. Aproveitou para visitar Lula e executivos da Odebrecht (Foto: Erika Santelices/AFP)


Fonte: Época

Por Thiago Bronzatto e Filipe Coutinho

30/04/2015 - 22h46 - Atualizado 01/05/2015 01h07