terça-feira, 28 de abril de 2015

Sete coisas que Deus NÃO disse, mas todo mundo acha que Ele disse...


Com base no que li em um site em inglês criei esta lista das coisas que Deus não disse, mas que todo mundo acha que sim.

1. "Deus ajuda a quem se ajuda".
Falso! Ao contrário, Deus ajuda aqueles que se reconhecem incapazes e, humilhados, clamam por socorro. "A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, ajuda-me!" (Mt 15:25).

2. "Deus quer que você seja feliz".
Falso! Quem diz isso geralmente pensa a curto prazo, só para esta vida. Mas Deus projeta felicidade eterna para aquele que crê em Jesus e tem seus pecados perdoados. Quanto à nossa breve vida aqui, ele diz: "No mundo tereis aflições" (Jo 16:33).

3. "Somos todos filhos de Deus".
Falso! Todos são criaturas de Deus, mas filhos somente aqueles que nascem de novo pela fé em Jesus. "A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." (Jo 1:12).

4. "Deus nunca permite um sofrimento além do que você possa suportar".
Falso! Para quebrar nossa autoconfiança Deus permite sofrimento além da capacidade humana, para encontrarmos nele os recursos de que necessitamos. "Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos... para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda". (2 Co 1:8).

5. "Quando você morrer o céu ganhará mais um anjo".
Falso! Seres humanos não são anjos e nunca serão. Assim como Jesus, em sua encarnação, somos originalmente menores que os anjos, mas os salvos por Cristo serão exaltados nele a uma posição acima dos anjos. "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?" (1 Co 6:3).

6. "Todos os caminhos levam a Deus".
Falso! Na verdade esta ideia foi emprestada do ditado "Todos os caminhos levam a Roma", mas é melhor escutar o que Jesus diz: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". (Jo 14:6).

7. "Não importa em que você crê, contanto que tenha fé".
Falso! Não é a fé que importa, mas em quem você coloca sua fé. Jesus disse aos judeus: "'Se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados'. Disseram-lhe, pois: 'Quem és tu?' Jesus lhes disse: 'Isso mesmo que já desde o princípio vos disse'. (Jo 8:24-25).

Ele tinha deixado claro a eles que era o Messias prometido, e mais que isso: Ao usar a expressão "EU SOU" ele se reportava ao que Jeová havia dito de si mesmo em Êxodo 3:14: "E disse Eloim (Deus) a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós." Juntando isso com o que João escreve em sua segunda carta, entendemos que crer em Jesus Cristo inclui crer que ele é Deus e já existia antes de assumir a forma humana ao vir em carne.

"Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo... Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis." (2 Jo 1:7-10).




Por Mário Persona

A Espiritualidade no Evangelicalismo Brasileiro



O Evangelicalismo brasileiro é dicotômico no que tange a realidade, pois, por um lado, a discerne como sendo divina, sacra e, portanto, espiritual, mas também identifica uma outra dimensão secular, mundana e profana. Esta visão bipartida da realidade, estranha ao ensino das Escrituras Sagradas e à Teologia Reformada, da qual o evangelicalismo é herdeiro, é responsável pelos contornos em que o conceito de espiritualidade ganhou no Brasil evangélico de hoje. Podemos afirmar que a espiritualidade evangélica brasileira é mística, introspectiva e alienante, e nossa proposta, neste ensaio, é tentar entender o porquê de tais matizes, quais os seus efeitos e de que maneira pode-se discutir uma solução.


Uma Espiritualidade Mística

Entendendo como Francis Schaeffer, que a “verdadeira espiritualidade” reside na fé cristã e que esta, por sua vez, à luz das Escrituras Sagradas, especialmente o Novo Testamento, é um dom de Deus oferecido gratuitamente aos que foram “chamados para fora”, para a exercerem e a manifestarem na sociedade em que estamos inseridos, a igreja, como despenseira desta espiritualidade, tem, portanto, a missão de compartilhá-la através do Kerigma e da ação do cristão em prol da transformação do mundo, objetivando com isto a glória de Deus. Este foi o discernimento que os reformadores como Lutero, Calvino, Melanchton, Zwinglio e outros tiveram. Para os mesmos a espiritualidade era vivida no âmbito da fé (subjetividade) e da ação (objetividade).

No Brasil, o evangelicalismo, especialmente por influência do pentecostalismo e o neopentecostalismo, separou estes conceitos de tal forma que transformou a fé e, portanto, a espiritualidade cristã em algo meramente subjetivo, abstrato, sobrenatural e, logo, místico. Com esta ênfase em uma espiritualidade subjetiva houve a valorização do culto místico, marcado pela ênfase no sobrenatural. Tal conceito é muito valorizado no atual cenário evangélico brasileiro, onde há uma predominância numérica de comunidades de fé de cunho carismático. Ser espiritual, neste contexto é ter experiências sobrenaturais. O que deveria, portanto, ser extraordinário, uma experiência possível, porém incomum à ordem do dia, virou um padrão de normalidade. Tais experiências se tornaram, na prática, uma necessidade e um termômetro do culto e da vida cristã. A realidade natural, a sociedade, o trabalho, os deveres e direitos são vistos como algo de importância menor, pois fazem parte do que é “objetivo”, não devendo, portanto, serem considerados como prioritários.

É bom que se diga que há, na vivência da espiritualidade cristã, um lugar saudável para as experiências pneumáticas. O cristão é alguém que se relaciona com o Espírito Santo e é, por Ele visitado, curado, consolado, orientado e edificado. A questão aqui não é negar as operações reais do Espírito Santo, mas sim avaliar criticamente a insistência de muitos círculos em colocar o sobrenatural como a porta de entrada e balizador da espiritualidade genudeína. Entendemos que tal interpretação prejudica a saúde da fé bíblica, pois confunde o extraordinário com o ordinário, o milagre com o que é comum e o que é apenas possível com o que é fundamental e necessário.

Na espiritualidade mística, tudo o que é objetivo é visto com desconfiança, assim há pouco lugar para o racional. Destarte, a teologia não recebe a devida atenção, e, na prática, a própria Palavra só é aceita quando "toca" o emocional do indivíduo, pois para este o que importa é se a mesma lhe traz alívio. A doutrina torna-se secundária. A questão não é mais conhecer a verdade, mas sim obter dela benefícios. Se a verdade não traz alívio e não torna o indivíduo mais feliz, esta não o interessa.

Podemos afirmar, então, que o misticismo é uma das principais características da espiritualidade contemporânea. Ser cristão não é mais questão de entender as verdades cristãs e logo aceitá-las como padrão de espiritualidade. Ser cristão virou uma experiência subjetiva. Não mais importa o que se crer, mas sim o que se experimenta de Deus.


Uma Espiritualidade Introspectiva

Um outro aspecto do evangelicalismo brasileiro é a sua introspecção. A espiritualidade ao invés de externada naturalmente nas ações coletivas e, principalmente na visão de mundo, é, na verdade, guardada no íntimo e só refletida, quando muito nas investidas evangelísticas. Desta forma, o indivíduo consegue ser cristão, a despeito de ser um péssimo patrão, pois entende que a fé é um expediente circunscrito ao íntimo e pessoal. O empresário levanta suas mãos em adoração no culto dominical e com as mesmas, durante a semana, frauda contratos e sonega impostos. O empregado negligencia as horas que deve à empresa, sem nenhum prejuízo à consciência. O estudante cola e trapaceia, mas no domingo participará do coral na igreja. O ministro do Evangelho consegue se impor semanalmente no púlpito de sua congregação mesmo quando todos conhecem os fracassos de suas relações interpessoais. Nesta postura introspectiva, a ética passiva é vista como virtude, mesmo que isto lhe custe à consciência da omissão frente à verdade, à justiça e ao que é reto e digno. Assim, conseguimos adorar mesmo quando sabemos que perto de nós um irmão sofre com a perda de um ente querido, ou porque não sabe como fará para pagar as contas que já venceram. A igreja vira um lugar onde vou buscar “a minha bênção” e não um lugar de compartilhar alegrias, frustrações, pão, atenção e orações. O bem do outro é visto como algo que ele deve conseguir com seus próprios esforços e fé. Se não consegue é porque é fraco, sem fé, inconstante e não perseverante. A espiritualidade evangélica não é koinônica, mas verticalizada. A espiritualidade, assim, torna-se um aspecto da vida e não a própria vida. Não é “massa do próprio sangue”, mas está confinada a uma área restrita e que só é acionada quando a ocasião se fizer necessária.

Em uma espiritualidade introspectiva a moral cristã toma outros contornos. Há pouca ênfase no protesto, mas sim na resignação. A luta social é confundida com militância partidária e agito perigoso. A crítica, inclusive a religiosa, com insubmissão. E assim manutenção do “status quo” é estimulada.

Uma espiritualidade introspectiva torna o evangelicalismo pouco relevante para o seu contexto social, pois é incapaz de dialogar sobre as grandes questões que afligem a sociedade. Dietrich Bonhoeffer, em sua obra, “Ética”, declara que há “soluções cristãs para problemas seculares”, não significando com esta afirmação que a igreja possui uma agenda para equacionar todos os dramas da sociedade, mas sim que a igreja tem algo a dizer sobre os mesmos. No entanto, tal resposta só é oferecida quando a igreja deixa de ser introspectiva e resolve a “marchar com as multidões”. Uma espiritualidade autêntica, de acordo com o exemplo dos crentes primitivos e do próprio Senhor é vivida na horizontalidade, onde os que se cercam interagem entre si, onde a comunhão e o discipulado formam modelos de conduta e caráter. A fé, é verdade, continuará a brotar do íntimo do ser, mas se exteriorizando, encarnando e transformando uma sociedade. Um cristão que opta na introspecção de sua espiritualidade, é um mosteiro ambulante, anacrônico, inadequado, antibíblico, e, portanto, irrelevante no e para o seu tempo e geração.


Uma Espiritualidade Alienante

O Reverendo Manuel Bernardino de Santa Filho, ministro congregacional e doutor em Teologia pela PUC - Rio, em uma palestra ministrada para professores de escola dominical, apontou o “Soteriocentrismo” como uma das causas do pouco envolvimento dos crentes com os desafios do mundo contemporâneo. Ou seja, já que marchamos para o céu, por que se preocupar com este mundo? Se este “jaz no maligno” por que devo me envolver, importar e cansar por ele? Esta atitude (de fuga) da realidade é ao mesmo tempo uma cultura de gueto, gueto evangélico. Temos nossas próprias roupas, lugares de lazer, nossas próprias músicas e até uma forma peculiar de falar. Enquanto nos escondemos em um gueto, o mundo segue seu curso. E nos esquecemos que a proposta bíblica é que apresentemos a esta sociedade uma contra-cultura, através da nossa forte inserção na mesma. Fomos chamados para trabalhar este mundo, trazendo-o cativo para os domínios de Cristo. A isto a Teologia Reformada chama de “Mandato Cultural”, ou seja, por meio do nosso trabalho, a sociedade pode ser moldada e os valores do Reino de Deus identificados.

Uma espiritualidade indiferente com o mundo ao redor, onde as causas humanitárias, as lutas ambientais, as preocupações ecológicas, a exploração do trabalho infantil, a miséria dos países do hemisfério sul e as condições indignas de vida não são pensadas é alienante e, portanto, irrelevante. É digno de nota que o Reavivamento visto na Inglaterranos dias de João Wesley e George Whitefield não só trouxe pessoas ao conhecimento de Cristo, mas também provocou mudanças profundas nas estruturas sociais do país.

Uma espiritualidade alienante é nociva ao testemunho da fé bíblica, pois gera insensibilidade, além de não impactar a sociedade, sendo, portanto inútil e prestando um desserviço ao Reino de Deus.


Conclusão

Há uma resposta a ser dada a estas nuances do evangelicalismo contemporâneo no que tange nossa ideia de espiritualidade.

Em primeiro lugar é necessário propormos uma agenda reflexiva no Brasil. É fundamental tentarmos entender o que é uma vida espiritual; o que significa ser cristão e como viveremos neste mundo. Tal postura é importante, pois percebe-se que no Brasil o que dita a conduta da igreja não é a ortodoxia e sim a ortopraxia. Somos pragmáticos demais, práticos demais. Há pouco espaço para a reflexão teológica e, assim, erramos com muita frequência. A experiência, na espiritualidade moderna, tornou-se mais importante do que a Escritura. Isto vai continuar enquanto não houver por parte das lideranças eclesiásticas uma proposta de repensarmos os conteúdos de nossa fé. A ortodoxia viva, o ensino correto e vibrante das Escrituras, deve nos conduzir a uma ortopraxia. E não o contrário.

Em segundo lugar é necessário repensarmos nossa metafísica, pois com uma cosmovisão, como esta que herdamos, onde se concebe uma realidade bipartida em secular e sagrada, mundano e sacro, torna-se difícil à prática e o desenvolvimento de uma espiritualidade holística, integral e completa. O que há na verdade hoje é uma sutil ressurreição do gnosticismo, onde um mundo espiritual não é relaciona com o material. Graves distorções estão acontecendo em função desta metafísica maniqueísta. Tornando a igreja e, consequentemente, a espiritualidade arcaica, monástica e sem penetração. O resgate do Mandato Cultural é premente nestes dias polarizados. Ainda é tempo. O evangelicalismo brasileiro ainda é jovem e pode aprender. A espiritualidade bíblica, saudável, pertinente, poderosa, impactante e transformadora de consciências, vidas e mundos ainda pode ser salva. Para isto é necessário, à semelhança de Lutero, voltar às bases, voltar às Escrituras Sagradas, para que elas norteiem e ensinem esta geração. As sementes de uma verdadeira espiritualidade ainda podem ser lançadas.

Finalmente, não podemos apenas nos preocupar com uma proposição intelectual, como apresentada acima. Os fundamentos são importantes. Entretanto, há outra dimensão que precisa ser cuidada. A erudição precisa ser acompanhada de uma poderosa piedade! Caso contrário, resgataremos apenas uma forma contemporânea de escolasticismo protestante. O escolasticismo (protestante) dos séculos XVII e XVIII, também conhecido com Ortodoxia, foi responsável por um importante legado teológico, onde os grandes tomos de teologia foram escritos e todo um pensar teológico protestante progrediu. Porém, seus erros e exageros foram substanciais, pois ao se preocupar apenas com as formulações lógicas da fé cristã, os teólogos distanciaram esta da experiência íntima que todo indivíduo deve passar. Grupos racionalistas surgiram deste ambiente de reflexão sem paixão, contribuindo para esfriar o compromisso do testemunho cristão das gerações posteriores aos reformadores. Erudição sim, mas piedade também! Reforma sim, mas avivamento também! Conhecimento das Verdades sim, mas conhecimento do poder também! Foi isso que homens, como Jonathan Edwards, por exemplo, fizeram. Não foi por menos que ficou conhecido como “Teólogo do Avivamento” por ocasião de suas reflexões e análises no “Grande Despertamento” das colônias americanas, no século XVIII.

Reflexão e transformação pelo evangelho! Mente e coração! Razão e paixão! Escritura e Oração! Teologia e alegria! Proposição e canto! Nada pode ser mais bíblico, mais saudável e tão necessário a pratica de uma espiritualidade autêntica, enraizada na Palavra e no testemunho da História da Igreja. Que assim seja!






Por Idauro Campos
Pastor congregacional e mestre em Ciências da Religião

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Valentina de Botas: Na gramática moral indigente do jeca, ele se preocupa 'ca' saúde alheia cuidando da própria


O jeca está preocupado “ca (sic) sua saúde”. A Bíblia é um livro admirável também do ponto de vista literário; a coesão do Deus do Velho Testamento, ou da Bíblia hebraica, é uma preciosidade literária, com a densidade sucinta de uma linguagem próxima à condensação da poesia. “Haja luz”, com somente duas palavras Ele ordena que o existir se ilumine. À parte a agressão à gramática da língua, na gramática moral indigente do caudilho, ele se preocupa “ca” saúde alheia cuidando da própria. Entendo. Mas saúde de quem?

Provavelmente, não a de alguém que conheça, ou o jeca simplesmente largaria o copo, diria um palavrão, pegaria o telefone, diria um palavrão, ligaria para quem o preocupa, diria um palavrão, declararia “tô preocupado ca sua saúde”, diria um palavrão e pegaria o copo de volta. Então, deve ser a saúde de quem ele não conhece – talvez do povo brasileiro. Contudo, se fosse assim, o jeca não teria se valido das doenças da nação para sabotar as chances dela de cura, deformando-lhe as feições para que se parecesse com ele.

O jeca ainda recomenda caminhadas, foi o que fez a nação que resistiu à deformação, indo às ruas, em março e abril, pela saúde do futuro cuja terapêutica contraindica o lulopetismo. Incensado como líder das massas, o jeca, agora restrito a caminhar numa esteira em sessões reservadas como suas aparições, surge envelhecido em imagens nas quais se contempla a expressão da deformação também física empreendida por escolhas as mais livres.

Numa provação ou luta, o pior não é perder, mas se deformar; nelas, talvez mais do que decidirmos o que somos, descobrimos o que somos e vitórias também podem ser uma provação para o caráter. No poder, o homem de origem pobre que nunca foi humilde teve todas as oportunidades de melhorar o país e a si próprio, mas o mau-caratismo provado na vitória venceu a trajetória bem-sucedida: era a deformação se consumando.

Em gozo na degradação a cada conquista, piorou a nação para que jamais sobreviesse a circunstância aterradora de deixar o poder. Não é contrário ao trabalho dos que trabalham por ele; nem ao saber que o tenha como mestre; nem aos capitalistas que financiem o vidão de que se acha merecedor no amor sem ressalvas por si mesmo; nem contra a democracia que o eleja; nem mesmo é contra a mídia paga para ser a favor dele.

Um homem de posições. Todas moralmente miseráveis impondo a marca da degradação na vitória e na derrota porque a perversidade da deformação da figura pública mais deletéria da nossa história não está na sucessão de escolhas indecentes, mas na crença de que tudo pode fazer aquele a quem tudo convém (como exemplifica a matéria de VEJA com o dono da OAS). Da covardia à mentira, passando pela desonestidade, cinismo e o português destroçado, “tô preocupado ca sua saúde” é o “haja escuridão” na quase síntese de um homenzinho deformado, o tempo e a sucessora dele parida nessa escuridão que sucumbem a si mesmos. É que há luz.





Por Augusto Nunes

'Nós' somos só isso


Há vários anos o Brasil se acostumou a ouvir do governo, das suas principais lideranças e dos chefes do seu partido que o país se divide em dois — “nós” e “eles”. Esse “nós” quer dizer, em resumo, o ex-presidente Lula, seus admiradores e os que mandam hoje na máquina do governo; segundo a visão oficial, representam todas as virtudes possíveis de encontrar na vida pública, e por isso são os únicos que têm o direito de governar. “Eles” são todos os demais, e principalmente quem não concorda com as atitudes e os atos do ex-presidente, do PT e do governo nestes últimos doze anos.

É uma maneira doente, em qualquer tipo de situação, de fazer política — não é assim que funciona uma democracia. Na situação de hoje, então, falar em “nós” e “eles” é um perigo. “Nós” quem, por gentileza? Faz parte desse “nós”, sem nenhuma possibilidade de dúvida, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que vinha ocupando seu cargo com o apoio total de Lula e do sacro colégio do partido — e o homem, santo Deus, acaba de ir para a cadeia. Nunca antes na história deste país foi tão melhor ser “eles”.

A prisão de Vaccari é um desastre a mais numa série que parece não ter fim. O tempo passa, o mundo gira e viemos todos, a folhas tantas, dar com a situação que se formou nas últimas semanas: quando Lula, o PT e o seu sistema de propaganda, forçados pela presença da população nas ruas, tiveram de olhar em volta de si mesmos, acabaram vendo que “eles”, como dizem, são muito mais numerosos do que “nós”. É como se descobrissem, de repente, que sua conta está errada: “Mas será que ‘nós’ somos só isso?”. Sim, são só isso — mais Vaccari.

Na hora de colocarem gente na rua, constataram que as massas populares que imaginam comandar não existem no mundo dos fatos. Contam apenas com os subordinados a quem podem dar ordens, tirados como sempre do quadro de servidores da CUT, MST, UNE e outros grupos que só vão para a praça pública se os chefes mandarem. Vão em ônibus fretados e pagos com dinheiro público, não trabalham, precisam receber lanche e mesada em dinheiro, jogam pedra na polícia, metem o pé no vidro de carros, derrubam latas de lixo; não sabem fazer outra coisa.

Já o que chamam de “eles” fizeram em menos de um mês as maiores manifestações populares que o Brasil já viu desde a campanha pelas eleições diretas, trinta anos atrás. Vão para a rua por sua livre decisão e por sua própria conta; na segunda delas estiveram presentes em 500 cidades. Quem, então, é a maioria e quem é a minoria neste país? A conta para valer, na verdade, sempre foi esta. Francamente: dá para acreditar que invasores de imóveis, bandos de mascarados que destroem mudas de eucalipto e outros grupos marginais representam a maioria da população brasileira? É claro que não dá.

Já a maioria verdadeira, que agora aparece em peso em todos os cantos do país, mostrou mais uma vez que águas quietas podem ser muito fundas. Praticamente ninguém, há pouco mais de um mês, seria capaz de prever que um chamado feito por voluntários anônimos pudesse levar multidões à rua; imaginar que 200.000 pessoas, por exemplo, sairiam de casa para protestar contra o governo parecia um completo disparate.

Parecia, mas não foi — o que, entre tantas outras coisas, serve para recomendar um pouco mais de humildade a todos os que imaginam que a vida se resume às suas próprias certezas, a começar pelo governo. Suas Excelências se acostumaram a dizer que são os primeiros e únicos, em toda a história, a representar o povo brasileiro. Estão vendo agora que nem o governo Collor, descrito pelo PT como o pior de todos os tempos, conseguiu reunir tanta gente contra si.

Lula e o seu universo estão com um problema e tanto. O que a população está exigindo nas ruas é mais complicado que o “fora Dilma” — quer um país que funcione, e isso nem Lula, nem Dilma, nem Vaccari são capazes de entregar. Será que vão perceber que a sua corrente de transmissão continua a girar, mas não está transmitindo nada? A ver. Ao seu redor, por enquanto, fala-se em “vitória”, porque houve menos gente na segunda manifestação do que na primeira.

Imaginam, talvez, que quem foi no dia 15 março e não foi no 12 de abril se arrependeu e passou a apoiar o governo nesse meio-tempo. Dá o que pensar — com mais duas ou três vitórias dessas o PT não precisará se preocupar com nenhuma outra derrota. É a vida. Como diz José Saramago, a cegueira é um assunto particular entre as pessoas e os olhos com que nasceram. Não há nada que se possa fazer a esse respeito.





Por J.R. Guzzo

O Brasil que o PT não conhece (ou ignora, pois não lhe interessa)


O PT não inventou a corrupção, mas a levou ao estado da arte, institucionalizou-a e a banalizou. O PT é tanto causa quanto sintoma da enorme inversão de valores que o Brasil de hoje vive. Mas não resta dúvidas de que há muita gente no Brasil que, infelizmente, adota a máxima do “jeitinho”, da “malandragem”, e que olha para Lula como um exemplo de sucesso: o “esperto” que se deu bem na vida, não importa como (e sem dúvida não foi se instruindo e trabalhando de forma séria e honesta).

Por isso mesmo, pelo fato de essa cultura da malandragem estar tão enraizada em nosso cotidiano, que quando aparece alguém pobre e honesto, chama logo a nossa atenção. O que se espera no Brasil é que o sujeito que encontra dinheiro ou um bem de valor se aproprie dele, em vez de tentar devolvê-lo ao dono. Se for alguém humilde financeiramente, pior ainda: a maioria acha que o natural seria surrupiar o bem, talvez em nome da “justiça social”. Um ranço da mentalidade marxista. Apenas mais um.

Aquilo que deveria ser o normal é a raridade em nosso país, e é justamente por isso que vira notícia quando a pessoa humilde devolve o produto ou o dinheiro. Deveria ser o básico, o óbvio, a atitude de qualquer pessoa que teve um pingo de educação, independentemente da conta bancária (pois ela não define o caráter, ao contrário do que pensa a esquerda). Infelizmente, ainda não chegamos lá, e continuamos tratando como heróis aqueles que apenas fizeram o que deveriam: foram honestos e prestativos.

Como ainda estamos nesse estágio embrionário de evolução cultural, e na verdade em uma fase atual de retrocesso, creio que é importante valorizar essa gente que cumpre com seu dever de cidadão honesto. Por isso vou relatar abaixo o que aconteceu com meu pai essa semana, quando voltava de viagem. Esse é o Brasil que o PT não conhece, ou melhor, que ignora deliberadamente, pois vai contra sua narrativa oportunista. Vejam e avaliem por conta própria se esse rapaz tem o perfil da típica vitima ou do típico cúmplice do PT:

Coloquei a mochila preta entre mim e a minha mulher no banco preto do taxi. Vim conversando com o motorista (jovem) que disse que estavam tentando junto com a administração colocar um pouco de ordem nos taxis. Lamentava até os da bandalha porque, como guardas e outros fazem parte da quadrilha, os passageiros eram direcionados para eles, ao invés de pegar os da empresa dele que cobra no taxímetro.

Disse esperar no futuro que coloquem cancela para que no embarque só os taxis autorizados possam entrar. Falou ainda da absurda diferença entre os carros que oferecem serviço dentro do aeroporto, tais como Coopertra, Cotramo, etc, que cobram o dobro de uma corrida comum. Para ter uma ideia, paguei R$ 80 enquanto a Cotramo ou outra daquelas me cobraria R$ 160 (perguntei lá dentro).

Bem, dito isto, esqueci minha mochila no carro. O dinheiro para pagamento estava na carteira no meu bolso. Na mochila tinha passaporte, telefone iPhone 5, Macbook, iPad e outras coisas mais. Não conseguia falar com a empresa via telefone, e estava pensando em voltar ao Galeão para uma última tentativa. Meu medo era que o motorista não tivesse visto e que alguma pessoa pegasse a mochila.

Para minha sorte, um passageiro viu a mochila e entregou ao motorista. Esse não tinha meu telefone, embora soubesse onde eu morava. Olhou a mochila (me pediu desculpa depois por ter olhado), e achou uma receita do médico. Ligou para o consultório. Final feliz: ele não queria aceitar nada como retribuição, dizendo que era sua obrigação. Voltou e me devolveu a mochila. Achei por bem gratificá-lo e ele não queria aceitar.

Depois de dar R$ 200 após as recusas iniciais, achei pouco, pois ele fez outra corrida longa até minha casa para devolver a mochila. Quis dar mais R$ 100, liguei para ele e pedi a conta dele para fazer o depósito. Eis a resposta dele:

Confesso que acho que já deu o bastante. Pois não fiz mais que minha obrigação. O senhor já foi bem generoso. Mas já que insiste, entendo. [passou a conta]. Obrigado mesmo.

Às vezes temos surpresas agradáveis nesse país com tanto roubo.


Sim, pai, às vezes temos mesmo. E pensar que essa postura deveria ser o padrão, o óbvio, o normal, como você sempre me ensinou, com palavras e atitudes. A primeira aula contra o petismo, contra o socialismo, contra a corrupção e o relativismo moral começou bem cedo: “nunca pegue aquilo que não lhe pertence, que é dos outros”. Um pai que ensina isso aos filhos, no parquinho ou na praça, já está incutindo neles o antivírus contra o petismo, está fornecendo o antídoto contra os “justiceiros sociais” que acham normal roubar o que é dos outros em nome da “igualdade”.

Obrigado, pai. E parabéns, Marcus Vinícius (o motorista), por manter acesa a chama da esperança em um Brasil melhor, em que a propriedade privada seja vista como um bem sagrado, e a honestidade uma virtude valorizada.





Po Rodrigo Constantino

Relativismo social: a escravidão dos desejos e a manipulação da ética


Sobre o tema apontado na manchete acima, mMe permito utilizar o pensamento de Alasdair MacIntyre, filósofo Britânico conhecido principalmente por suas contribuições para a moral e pela filosofia política, mas também reconhecido por suas obras no campo da história da filosofia e teologia. Ele é pesquisador Sênior do Centro de Estudos Contemporâneo Aristotélicos em ética e política (CASEP) na Universidade Metropolitana de Londres, e Professor Emérito da Universidade de Notre Dame – bastante estudado atualmente na academia, no seu famoso livro “Depois da virtude”, que mostra as raízes histórico-filosóficas da fragmentação ética que contemplamos atualmente no cenário mundial, que está segundo o autor nos trazendo muitos conflitos éticos e quero dividir alguns pontos com vocês.

Na abordagem de Macintyre, a filosofia moral contém uma série de características complexas das sociedades contemporâneas. Esta “compressão peculiar contemporânea” em grande parte diz respeito a abordagem de MacIntyre acerca dos problemas e disputas morais

Segundo os ensinamentos de Alasdair Macintyre, devemos analisar a fundo o que está nos acontecendo em nossa sociedade, pois estamos sendo reflexos de uma série de filosofias de pensamento e de vida, oriundas de correntes filosóficas como iluminismo europeu e que chegaram até aos nossos dias nos induzindo a acreditar que tudo é relativo que importa é realização do prazer pelo prazer. Na verdade esses pensamentos estão condenando a humanidade há uma busca desenfreada pela realização de desejos. Algo impossível de ser alcançar visto que tem causando mais angústias do que prazer propriamente dito seja individual como social, mais conflitos em todas as esferas e dimensões do ser humano.

Essas correntes filosóficas afirmam em minha opinião de forma, contundente, porém perniciosa, alienista, que não é possível acudir as razões objetivas para justificar os princípios éticos que cada qual deve utilizar nas suas escolhas. Isso me parece um acordo, velado, subliminar, implícito de que os princípios são uma questão de preferências pessoais. Ou seja que você pretender outra coisa, ou tiver outra opinião, seja por convicção, ética, religião, ou princípios, equivaleria a incorrer num crime, como se lesássemos a humanidade impondo nossa preferência ao outro o que nessa educação relativista seria crime pois cada qual tem sua ética, sua moral sua escolha?!! Como viver sem conflito numa sociedade que busca conflitar priorizando o relativismo radical ideológico? Vamos analisar o que diz o autor do Livro “A Alma da Escola do Século XXI sobre ética e relativismo social.

João Malheiro autor do livro “A Alma da Escola do Século XXI” nos ensina “Quem profere um juízo ético deve usar uma linguagem pretendidamente impessoal e deve ocultar suas pessoais motivações. Tal coisa é eticamente má e significaria, na prática, ‘não quero que faças tal coisa, porque não me agrada’. Notem que essa corrente, segundo autor, chamada emotivista, ensina que não existem critérios universais que sirvam para definir, um parâmetro, entre posturas éticas rivais. Ou seja, qualquer atitude seria igualmente digna e admissível desde que o ser humano estivesse feliz com elas”.

Pergunto-me, quais as consequências práticas desta corrente que se diz ética, esta, tem sido a preocupação de muitos estudiosos da educação, e professores que convivem com crianças na prática diária, em minha opinião é uma postura extremamente perigosa, pois quem saberá os limites? Como arbitrar posturas diferentes? Como defender a própria liberdade de opinião e expressão neste contexto se, a luta por “liberdade” fere a liberdade do outro justamente na sua subjetividade, que direitos relativistas são estes que ferem os direitos de todos em sua essência? Ser relativista é passar por cima do contraditório que não lhes serve como liberdade? E me pergunto: liberdade de que? Para que? Ser feliz a que preço?

Nesta imposição da imposição de correntes relativistas é exatamente a compreensão racional da verdade. Como saber quem está com a razão, se tudo é relativo? O maior perigo, concorda o estudioso, é a verdadeira guerra civil, guerra santa, guerra de valores. Guerras estas que estão sendo geradas e que serão vencedores os que tiverem mais poder.

“Uma teoria ética que provoca a injustiça social não parece, portanto, ser a mais adequada. É preciso buscar algo mais isento e transcendente, que dê luz a duas vontades opostas ou diferentes para viverem em paz”, pondera João Malheiro.

Se questionarmos mais a fundo o porquê de a sociedade atual pensar assim da ética verificaremos que ela acredita que a tentativa, passada ou presente, de prover de justificação racional a moral objetiva fracassou de fato. Mas, será que as pessoas já se questionaram por que fracassou?

Perdemos nosso referencial de valores, da moral objetiva da natureza humana como “O alcance do Bem, da Perfeição, do Amor real, da Felicidade esses valores foram se perdendo durante os tempos, foram sendo destruído, descartado em prol de uma sociedade consumista, o Ser humano, na tentativa de queres ser feliz a qualquer preço, buscou a maneira mais rápida e fácil, comprando este prazer, tudo para afastar o desprazer.

Querem estes pensadores relativistas que neguemos, a própria natureza humana arriscando, em outra natureza não humana, temos que ficar atentos pois destruindo a natureza, destruímos a verdade objetiva segundo João Malheiro.

A sociedade atual patrocinada pelo 4º poder (mídia) nos acusa de sermos “exigência sem sentido”, por causa dos valores éticos e morais, que pregamos que segundo eles, estão longe de alcançar a verdadeira felicidade, criando traumas, tolhendo a liberdade do sujeito, culpam-na de ser a origem de traumas, repressões etc.

“Se estamos perdendo nossa ética objetiva é por culpa do próprio homem em não aceitar a sua própria natureza humana, e não estou relativizando, estou falando concretamente, será?”, pergunta o autor, que a humanidade ficou mesmo mais feliz. Como psicóloga pergunto a lei do prazer, nos tornou muito mais felizes? Sem regras, sem nos colocarmos no lugar do outro, sem termos um norte na educação? Sem podermos decidir o que é melhor para nossos filhos, para nossa família? Sem sermos acusados de estarmos tolhendo a liberdade de outrem?

Estamos sendo, violentados em nossos, princípios, em nossa moral em nossa ética, em nossa fé, sem termos coragem de fazermos nada, pois fazer alguma coisa significa ir contra alguém e isso é tido como, ir contra a natureza deturpada humana.

Oras bolas, natureza humana, é a ligada à natureza biológica, não somente psicológica, não podemos perverter o que real para uma linha imaginária do nosso ser simplesmente ou cultivaremos uma sociedade esquizofrênica, daqui a pouco perderemos totalmente nosso referencial, de nossa sanidade e humanidade civilizada.

A evidência de que todo o ser humano fica ansioso e inseguro até encontrar-se como ser humano livre e responsável da sua felicidade, parece evidenciar que, por mais que o homem possa auto negar a própria natureza, só se sentirá feliz e em paz quando entender que, apesar do esforço, vale muito mais a pena auto afirmá-la do que viver como um triste animal. João Malheiro

Como diz o autor do livro A Alma da Escola do Século XXI, é preciso urgente, desmascarar, o brilho falso da ética relativista. Em que nossos jovens estão inseridos e recebendo formação, é preciso que todos nós segundo o autor entendamos que gerará grande destruição em nossos jovens, crianças, a questão é que relativizar pode não garantir o desenvolvimento como seres humanos, e tornarão nossas crianças como simples animaizinhos.

Me permito usar um versículo bíblico pertinente a esse tema: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas (2 Timóteo 4:3)”.




Por Marisa Lobo

Já querem poupar a esquerda e o PT dos males produzidos pela esquerda petista


Primeiro foi o sociólogo Demétrio Magnoli, que errou feio ao tentar inocentar a base petista dos “malfeitos” praticados pelo partido. Agora foi a vez de Eugenio Bucci, outro esquerdista que tenta salvar a pele da esquerda em geral e do PT em particular. Em sua coluna na revista Época desta semana, Bucci veste o chapéu de advogado do PT e da esquerda e garante que é um total absurdo misturar a lambança que estamos vendo no país com a utopia socialista alimentada por ambos:

A utopia foi desviada, mas o passado em que nasceu e cresceu essa utopia não foi surrupiado. Ainda. Como os demônios que devoram o passado habitam o presente, se o partido não mudar, agora, já, esses demônios vão acabar jogando nos ombros da utopia de ontem a culpa pelos desvios de hoje. Se forem bem-sucedidos nesse intento maligno, o PT vai ser convertido num argumento em prol de uma tese absurda: a de que os sonhos de igualdade do passado teriam sido os verdadeiros responsáveis pelos malfeitos do presente. O problema não estaria tanto nos desvios éticos atuais, mas nos sonhos utópicos de antes, pois o ideário socialista seria o pai fundamental de toda corrupção.

Se esse absurdo prevalecer, quem vai se esfacelar (ainda mais) não será o PT, sozinho, mas a esquerda em seu conjunto, o que empobrecerá enormemente a diversidade ideológica e a própria cultura política da nação. O PT perdeu muito, mas não perdeu tudo. Se quiser preservar sua história, precisará se dedicar a investigar e explicar, publicamente, as razões pelas quais a conduta de alguns de seus dirigentes virou caso de polícia. Terá de parar com essa história de que a imprensa é sua inimiga e de que os seus males não passam de invencionices de repórteres profissionais. Terá de se depurar, sem tergiversações.

Ou terá perdido também a coragem? Tomara que não. Pior que uma utopia roubada é uma história sem futuro.


É um espanto! Às vezes preciso concordar com a direita mais radical que trata essa esquerda “moderada” e “civilizada” como inimiga mortal também, pois esse papelão que faz de tentar proteger o socialismo, a utopia e o próprio PT é patético. Demônios não seriam os socialistas, mas os anticomunistas! Então quer dizer que os “malfeitos” praticados pelo PT não têm nada a ver com o PT em si e com seu “sonho igualitário”? Quantas tragédias ainda precisaremos criar com o socialismo para que os “socialistas moderados” acordem?

O PT roubou como ninguém, o que só é chamado de “malfeito” por quem já demonstra intenções estranhas, e isso tem tudo a ver com o partido como um todo e sua “utopia”. Afinal, foi esse “fim nobre” igualitário que sempre blindou a quadrilha de críticas, que sempre justificou os mais nefastos meios, e que concentrou tanto poder no estado, o que está bem no cerne do problema. Negar isso é fechar os olhos para a realidade. Mas não duvido que alguns comecem a “acusar” o PT de ser “neoliberal”, para manter a aura de pureza da esquerda.

Quantas experiências esquerdistas ainda precisaremos para verificar que a utopia socialista é um lixo, que jamais foi capaz de entregar resultados bons? Então a desgraça na Venezuela também não tem nada a ver com a utopia igualitária, com o “socialismo do século XXI”, uma simples roupagem nova para o velho? Então quer dizer que a crise argentina não tem ligação alguma com o bolivarianismo que, por sua vez, é justamente o resgate dessa utopia assassina?

O mais irônico é que Bucci escreve essas baboseiras na edição que fala do Vietnã, que está finalmente prosperando um pouco por abandonar totalmente a utopia socialista e abraçar o capitalismo, o consumismo, a admiração aos Estados Unidos, abandonando, assim, o antiamericanismo que é a cola que une esses diferentes grupos radicais da esquerda latino-americana.

Curiosamente, o editorial da revista, ao trazer essa reportagem interessante sobre o Vietnã e suas mudanças, tentou fazer um alerta para que o Brasil também deixe a época da Guerra Fria para trás, mas o alvo não foi a esquerda que ainda defende Cuba, ou o PT que possui uma ala interna que preparou um documento de teses comunistas para o próximo congresso partidário. Não. O alvo foi a… direita: “Entre os que vivem como se estivessem nos anos 1960, há quem acredite que um novo golpe militar está em curso. Outros acham que uma ditadura bolivariana se instalará no Brasil”.

Ora, como não ter algum receio quando o partido no poder defende isso abertamente? A culpa é da “paranoia” dessa direita ou do próprio PT, como um todo, que defende Castro e Maduro até hoje? Tentar jogar no mesmo saco aqueles que estão presos nos tempos da Guerra Fria pois ainda não conseguiram abandonar justamente a utopia socialista, e aqueles que simplesmente temem as propostas abertas dessas viúvas de Lenin, hoje no poder, é um grande desserviço à liberdade e à democracia.

A utopia socialista, tão defendida por Bucci, da “esquerda moderada”, serve apenas para causar miséria e escravidão, mas Bucci lamenta não a origem do mal, e sim o seu “desvio” por “alguns membros” do PT. É a velha desculpa esfarrapada de que o problema não foi o comunismo, mas Stalin e companhia. O “socialismo real” foi inventado para proteger o socialismo de seus crimes, mas o real é o único que existe como consequência da utopia.

E sobre o fato de o partido oficialmente tratar como herói esses bandidos, nem uma palavra! Bucci parece alimentar uma esperança de que esses crimes todos são coisa apenas de uns líderes traidores, fechando os olhos para todo o apoio que recebem da base partidária. É muita cegueira para um jornalista…




Por Rodrigo Constantino