segunda-feira, 6 de abril de 2015

O ódio da esquerda à classe média "burguesa"


Em sua coluna de hoje, o sociólogo Demétrio Magnoli defende a importância da classe média (ou classes médias, pois é impossível considerá-la algo monolítico) para o avanço da democracia. Usando como pano de fundo a conhecida declaração de Marilena Chaui sobre seu ódio à classe média, Demétrio combate a tentativa de parte da esquerda de condenar toda uma classe para impedir as críticas legítimas ao seu governo.

Os “coxinhas”, como ele lembra bem, foram os responsáveis por vários movimentos históricos que desafiaram regimes opressores e tirânicos. Diz Demétrio:

Chaui, uma professora de classe média, odeia seus colegas, seus alunos, seus amigos –e a si mesma. Entretanto, ela não entende a classe média, nem no registro sociológico, nem no histórico.

Sociologicamente, a classe média não é una, mas diversa. O crescimento econômico e a modernização social acentuam a diversidade das classes médias (assim, no plural), borrando as fronteiras que as separam dos trabalhadores assalariados. Nas democracias opulentas do Ocidente, esses segmentos compõem a maioria da população.

Como explicou Timothy G. Ash, a mensagem das revoluções de 1989 no leste europeu era “queremos também ser de classe média, no mesmo sentido em que os cidadãos da metade mais afortunada da Europa é de classe média”. A tentativa de definir a classe média por uma coleção de adjetivos derrogatórios é uma prova, entre tantas, dos efeitos obscurantistas do pensamento ideológico.


E a ideologia pode ser mesmo uma máquina de destruição de fatos. Indivíduos de todo tipo compõem a tal classe média, mas se há algum denominador comum, como observa Demétrio, é a relativa autonomia em relação ao poder estatal, em contraste com os grupos organizados típicos da esquerda radical. “Daí o incontido ódio da filósofa: as classes médias não se amoldam à caixinha dos partidos que anunciam a salvação do povo”, resume.

O pensamento classista atende aos interesses ideológicos do revolucionário pois lhe permite olhar para o próximo de carne e osso como nada menos do que um representante da classe inimiga. Ajuda na hora de agredi-lo ou mesmo exterminá-lo, com menos peso na consciência. Não é o João ou a Maria que se está atacando, mas “o burguês”. Os nazistas adotaram a mesma tática com “os judeus”.

Já mostrei aqui que somente o indivíduo é o agente da história, ao contrário do que “pensam” os marxistas, vidrados no conceito de classe. Publiquei também um ótimo texto de Flavio Morgenstern sobre a farsa das “classes sociais”. O ódio da esquerda radical à “classe média”, associada por ela à “burguesia”, é uma forma abjeta de trocar gente de carne e osso, com todas as suas complexidades, por abstrações vazias que servem ao propósito dos revolucionários sedentos por poder. Roger Scruton, em Pensadores da Nova Esquerda, foi direto ao ponto:

Supõe-se que a burguesia seja um tipo de agente moral coletivo, que realiza e sofre ações em conjunto, e que pode por estas ações ser louvada ou culpada. Sem esta suposição, torna-se incoerente acusar a burguesia de injustiça ou ressentir-se de seu domínio. Também se torna incoerente – e, na verdade, imoral – ressentir-se, punir ou (por exemplo) expropriar alguémcomo membro da burguesia. Em outras palavras, sem o pressuposto da burguesia como um agente corporativo, a torrente de emoção radical fica obstruída. O fluxo livre de ressentimento radical requer a personificação da burguesia.

[...]

Ademais, ser um proletário ou um burguês torna-se um atributo moral, parte de seu caráter: você é considerado virtuoso ou corrupto por pertencimento a sua classe social. (Para se chegar a essa conclusão emocional, a consciência socialista precisa evitar uma série de fatos desconfortáveis: por exemplo, o fato de que uma pessoa pode ser ao mesmo tempo empregador e empregado, ou ser empregado hoje e empregador amanhã; e o fato de que a ordem “burguesa” madura lança toda propriedade num fluxo de titularidade mutável; e estabelece uma recompensa para o desenvolvimento de qualquer habilidade. Reconhecer estes fatos, no entanto, é olhar além do mito da “luta de classes”.)

[...]

Foi a inspiração nestes sentimentos “classistas” que levou ao “massacre dos kulaks”, à “revolução cultural”, e à “purificação” da ordem social exercida por Pol Pot, no Camboja. Apesar disso, o charme da teoria permanece absoluto e avassalador.


E quem poderia negar isso observando o comportamento de Marinela Chaui e de tantos outros petistas? Como discordar de Scruton quando vemos a grande quantidade de gente que simplesmente evita olhar para os manifestantes nas ruas, enxergar os diversos críticos do governo Dilma, preferindo aderir ao rótulo pejorativo de “coxinhas”, uma mera adaptação do velho “burguês”?



Por Rodrigo Constantino

Dois terços do ajuste fiscal são aumento de impostos: precisa de doutorado em Chicago para isso?


A reportagem de capa do GLOBO mostra, com base em cálculos feios pelo especialista em contas públicas Mansueto Almeida, que dois terços do ajuste fiscal proposto pelo Ministério da Fazenda de Dilma são baseados em aumento de impostos:

A mais recente medida do governo para melhorar as contas públicas do país foi um sinal de que o ajuste fiscal deste ano deve ser mais concentrado em aumento de impostos do que em cortes de gastos. É o que avaliaram especialistas, após o anúncio, na quinta-feira, do aumento do PIS/Cofins sobre aplicações financeiras de algumas empresas. O tributo, que estava com alíquota zerada desde 2004, passa a ser cobrado, em julho, com percentual de 4,65%. A Receita estima que a medida vá engordar a arrecadação em R$ 2,7 bilhões este ano. O economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, calcula que as principais medidas para aumentar tributos somam até agora R$ 31,5 bilhões, quase dois terços das ações anunciadas. Já os ajustes baseados em corte de gastos devem gerar economia de R$ 19 bilhões neste ano.

[...]

A necessidade de cortar mais despesas é defendida por outros analistas. O economista Felipe Salto, também especialista em contas públicas, avalia que o aumento de imposto anunciado ontem reforça a expectativa de um ajuste por meio de alta de impostos:

— Isso mostra que, ao contrário do que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), o ajuste vai ser pelo lado do aumento de imposto. É uma tentativa desesperada, estão buscando todas as brechas possíveis.

Cheguei a escrever aqui, quando percebi que este seria o caminho mais fácil escolhido pelo ministro Joaquim Levy, que para aumentar impostos não era preciso ser um bom economista. Até minha falecida avó faria! Entendo que boa parte (quase 90%) dos gastos públicos não são discricionários, deixando pouca margem de manobra para o governo. Mas sem dúvida é possível fazer mais, muito mais, no lado das despesas.




Afinal, elas cresceram muito nos últimos anos, e quem diria que é possível enxergar contrapartida no lado dos serviços públicos? À exceção de Ciro Gomes, que acha difícil encontrar “um bilhãozinho” para cortar num governo obeso que torra mais de um trilhão, é evidente que existem muitas áreas que poderiam ser imediatamente reduzidas ou mesmo extintas.

A quantidade de ministérios, por exemplo. É simplesmente ridículo acreditar que o Brasil precisa de 40 ministérios! Ou então os repasses bilionários para ONGs que, na prática, ignoram a letra N na sigla e agem como braços do governo. Ou tantas outras coisas inúteis que, no fundo, ou não passam de tetas para parasitas ou compra de apoio político.

Um ajuste fiscal sério focaria basicamente no corte de gastos públicos e em reformas estruturais. Jamais em aumento de impostos! Especialmente num país como o Brasil, que já possui uma das mais altas cargas tributárias do mundo, e com péssimos serviços públicos. Qualquer economista liberal, por mais júnior que seja, sabe disso.

Não venham, então, jogar no ombro do liberalismo esse ajuste fiscal de Joaquim Levy e Dilma, pois todo liberal que se preza compreende que deveria ser terminantemente proibido todo e qualquer aumento de imposto por aqui. Pergunto, então: precisa de doutorado em Chicago para subir impostos e jogar o custo das trapalhadas do governo populista nos ombros dos que produzem riqueza, em vez de cobrar a fatura dos que consomem a riqueza produzida pelos outros?



Por Rodrigo Constantino

Dilma não mudou seu projeto? Então ela ainda quer transformar o Brasil em um Cubão

                                              A “Wanda” nunca quis saber de democracia…

O novo ministro da Comunicação Social (Secom), Edinho Silva, deu uma entrevista à Folha. Nela, o ministro afirma que a presidente não irá se assustar com manifestações, pois já encarou ameaças muito piores na vida. Essa passagem abaixo é o que nos interessa aqui:

Nada intimida a presidente da República. Quem já passou por tudo o que ela passou… não é uma crise conjuntural que vai intimidá-la. Ela já colocou sua integridade física a serviço desse projeto, não é panelaço que vai fazer a presidente Dilma se intimidar.

Meus grifos. E vejam só que coisa interessante! O ministro de Dilma, companheiro do PT, afirma com todas as letras que o “projeto” de Dilma é o mesmo, não mudou. Ela colocou sua integridade física a serviço desse projeto, ou seja, o projeto atual. E qual é esse projeto?, permita-me perguntar.

A resposta do ministro eu posso imaginar, sendo ele o responsável pela comunicação do governo, ou seja, pela propaganda oficial: a luta pela democracia. Mas era isso mesmo que Dilma desejava naqueles tempos em que colocou a integridade física sob ameaça?

Não! Já escrevi aqui e repito: Dilma não lutava pela democracia coisa alguma! Quando ela atendia pelo codinome Wanda, quando atuava na VAR-Palmares e no Colina, grupos terroristas, seu sonho era instaurar no Brasil o regime comunista. Era Cuba seu norte, sua referência, sua meta. O que Dilma desejava era transformar o Brasil em um Cubão.

Logo, quando o seu próprio ministro confessa que seu projeto é o mesmo daquela época, o que ele está dizendo é que Dilma ainda gostaria de ver o Brasil se tornando comunista. Dado que a presidente elogia o tirano Nicolás Maduro na Venezuela e afaga o decrépito ditador Fidel Castro em Cuba, isso não chega a ser uma grande surpresa.

Mas convenhamos: uma coisa sou eu dizendo isso, ou o Olavo de Carvalho; outra, bem diferente, é quando seu próprio ministro admite, ainda que indiretamente, que Dilma continua lutando por seu antigo projeto, aquele que, como todos sabemos, não tinha nada de democrático.





Po Rodrigo Constantino

Jesus de Nazaré, inimigo do estado, executado por traição


Jesus de Nazaré foi executado nesta sexta-feira por ordens do estado romano. Método de execução: crucificação.

Sob a lei romana, a acusação foi a de traição; sob a lei de Herodes, de blasfêmia contra o Templo.

As evidências contra este anarquista eram tão fortes, que tanto as autoridades do estado romano quanto as do reino de Herodes trabalharam conjuntamente em sua prisão e execução, de modo que Jesus foi levado a julgamento por ambos os governos.

E, em uma rara manifestação de justiça coletiva espontânea, as massas que estavam reunidas por ocasião da Páscoa Judaica também pediam por sua execução. A plebe afirmava sua lealdade ao estado com brados de "Não temos outro rei senão Cesar".

A execução ocorrida na sexta-feira interrompeu uma vida repleta de agitação anti-governo, bem como uma longa história de ilegalidade. A família de Jesus estava em posse de arquivos genealógicos ilegais e não-sancionados pelo estado, os quais indicavam que Jesus possuía uma linhagem real e solapavam a reivindicação de Herodes ao trono.

A alegação maliciosa, que foi amplamente difundida entre o povo, era a de que o rei era um edomita, e não um judeu. O rei ficou atormentado por esta alegação e lamentou que, pouco após seu pai ter assumido o poder, os arquivos genealógicos (os quais certamente provariam seu direito legítimo ao trono) houvessem sido destruídos em um incêndio de origem misteriosa, provavelmente iniciado por agitadores anti-governo.

Ainda quando menino, Jesus já era reconhecidamente um inimigo do estado, tendo sido condenado à morte pelo antecessor do atual rei, Herodes, o Grande. No entanto, agentes estrangeiros subversivos enganaram o rei e, com a ajuda deles, Jesus e sua família desobedeceram às ordens legais das autoridades governamentais e fugiram ilegalmente para o Egito, onde permaneceram escondidos até a morte do rei. Depois disso, sabe-se que eles retornaram à grande Israel, onde se estabeleceram na Galileia, nas fronteiras do reino, longe da capital e de seu rápido sistema judiciário.

Cerca de três anos antes de sua crucificação, Jesus — que também era chamado de "O Cristo" por seus seguidores, como forma de desafiar as autoridades — se tornou uma figura pública com o auxílio de seu primo João, que por sua vez também foi executado pelo estado devido à sua falta de respeito para com a figura do rei.

A carreira criminosa de Jesus incluiu insultos públicos ao rei (chamou Herodes de "raposa" e de "junco ao vento"); insinuações de que o estado romano deveria prestar contas a Deus, e não o contrário; e maus tratos a funcionários públicos, inclusive a um coletor de impostos e a um membro do Sinédrio (os quais foram ordenados ou estimulados a devolver os bens ao povo de quem haviam tributado de acordo com a lei).

Ele também foi culpado de uma série de ações que traidoramente questionaram a legitimidade de órgãos do governo, como o templo de Herodes. Ele, por exemplo, ofereceu aos pecadores o perdão e uma aliança com Deus, desta forma violando o monopólio estatal (pertencente ao Templo) da expiação pública e do perdão. Adicionalmente, Jesus ilegalmente invadiu propriedade do governo e interferiu em operações cambiais sancionadas pelo estado e que funcionavam com a permissão dos indicados pelo rei a taxas cambiais aprovadas pelo governo.

Ele conseguiu evitar, por algum tempo, sua prisão recorrendo à inteligente tática de disfarçar sua propaganda anti-governo na forma de respostas codificadas, de analogias sugestivas mas ambíguas, e de aforismas confusos, por meio dos quais ele conseguiu reunir um séquito sem dar evidências claras de suas visões traidoras. No entanto, sua propaganda anti-governo, por fim, se tornou inegável: previu a destruição do templo de Herodes e chegou até mesmo a negar sua legitimidade, declarando-o "deserto" e "desolado".

Sua execução foi declarada sumariamente e foi impiedosa, e seus discípulos se dissiparam. As autoridades garantem que seu nome será rapidamente esquecido, ao passo que Roma, a cidade eterna, e seu império irá durar para sempre. O templo construído sobre o poder do estado romano e do reinado de Herodes serão eternos. As autoridades também garantiram à população que a punição suprema — a morte por execução, sobre a qual se fundamenta todo o poder do estado — foi o ato final deste curto episódio da história de Roma, o qual será prontamente esquecido por todos e não terá mais nenhuma importância posterior para a história humana.


Nota:

Antes que interpretem mal o presente artigo, esclarecemos de que é nada mais que uma sátira — no formato de uma notícia de jornal e utilizando um caso real — mostrando como o estado reage àqueles que o desafiam. Em momento algum, tem o intuito de ofender a fé de qualquer pessoa, de qualquer religião.



Por Jerry Bowyer
Economista, colunista, autor de livros e estudioso de teologia.

Cristãos estatistas - uma triste incoerência


No livro bíblico Sabedoria, capítulo 11, diz-se que Deus dispôs todas as coisas com medida, quantidade e peso. Isso foi tomado pelos antigos eruditos da Igreja Católica como uma prova de que o universo era ordenado, possuía leis universais e imutáveis. Somente pressupondo tal ordem podemos fazer ciência. Esse é, portanto, um axioma fundamental do método científico.

Mas Deus faz milagres, isto é, viola as próprias leis que criou. E faz todo o sentido que Ele tenha criado o universo perfeitamente ordenado, pois que dessa forma podemos contemplar Suas ações milagrosas. Em um mundo sem leis constantes, seria impossível observar milagres, tudo e nada seria um milagre.

Ao contrário do que se imagina, não há apenas leis para as coisas naturais; há também leis da ação humana, e há leis éticas absolutas. Por meio da razão que Deus nos concedeu, descobrimos as leis gerais da ação humana, estudadas pela Praxeologia. Também pelo poder da razão pura alcançamos um sistema ético absoluto, irrefutável, baseado na ética argumentativa.

As leis naturais e praxeológicas são invioláveis: é impossível explodir um prédio com o poder da mente, e é impossível agir sem usar meios. Mas, do mesmo jeito que agir desrespeitando ou desconhecendo as leis naturais leva ao erro na prática, também agir desrespeitando as leis praxeológicas ou econômicas leva a erros, como quando o estado insiste em intervir no mercado, gerando gravíssimas consequências.

As leis éticas, ao contrário das outras, podem perfeitamente ser violadas. Jamais lograremos, usando apenas a força das pernas, dar um salto de cem metros de altura, nem conseguiremos comer um bolo agora e amanhã comer de novo o mesmo bolo. No entanto, com frequência um homem mata, rouba e agride outro homem, ferindo o princípio ético da não agressão.

Não obstante, as leis da ética também foram criadas por Deus e, portanto, deveriam ser seguidas fielmente. Também o seu desrespeito leva a problemas, bem como o desrespeito a qualquer lei natural ou econômica.

O estado é um agressor por definição, é um violador de leis éticas, porquanto ele mata, rouba, sequestra, censura, falsifica e agride inocentes. O que nos leva à pergunta central deste artigo: deveríamos mesmo acreditar que Deus criaria um universo no qual parte de Suas leis teriam de ser necessariamente violadas e ignoradas? Deus criaria leis que devessem ser desrespeitadas sumamente caso os homens quisessem existir?

Acredito que não. Existe a crença de que a existência do estado, esta instituição tenebrosa, coerciva e assassina, é um dado inescapável da realidade, de que a sociedade só poderia existir sob o comando dessa máfia criminosa. Quem crê nisso está entrando em contradição com o próprio Criador do Universo, o qual estabeleceu leis cujo descumprimento necessariamente nos levam ao erro.

Ou seja, saímos de uma situação pré-estabelecida pelo Criador e inventamos outra pior que a anterior.

Um cristão não pode, portanto, defender a existência do estado em detrimento das leis de Deus. O estado, por sua própria natureza, é imoral. Como explicado neste artigo (trecho):

Se examinarmos o estado nu, por assim dizer, veremos que ele recebe permissão universal, e é até mesmo estimulado, a cometer atos que até mesmo os não-libertários admitem ser crimes repreensíveis.

O estado sequestra as pessoas e rotula essa prática de "alistamento militar obrigatório". O estado encarcera pessoas que ingeriram substâncias não-aprovadas pelo governo e rotula essa prática de "guerra contra as drogas". O estado pratica o roubo e a espoliação em massa e rotula essa prática de "tributação". O estado pratica homicídios em massa e rotula essa prática de "política externa". O estado pratica privilégios para grandes empresas e rotula essa prática de "políticas de proteção à indústria". O estado destrói o poder de compra da moeda e rotula essa prática de "política monetária". O estado impõe restrições à liberdade de empreendimento e rotula essa prática de "regulamentação". O estado estimula o parasitismo e rotula esta prática de "políticas de bem-estar social".


Em suma, o estado tem de roubar, agredir, coagir e violentar para existir. Aboli-lo e colocarmo-nos em acordo com as leis de Deus deveria ser a ideia defendida por um cristão.

Uma vez abolido o estado, imediatamente as leis econômicas deixarão de ser violadas, e a sociedade vislumbrará um momento de criação de riqueza que jamais se viu na história da humanidade. Com o fortalecimento da propriedade privada, teremos o ambiente ideal para a geração constante e incoercível de riqueza dentro de uma matriz de cooperação e paz.

A humanidade já padeceu indizivelmente por sua rebeldia contra as leis éticas, continua padecendo e assim continuará a menos que as adotemos como tão absolutas quanto seu próprio criador.

Não podemos esperar que Deus nos melhore a vida se sequer seguimos as leis que Ele estabeleceu. Se o que queremos é Justiça, Paz e Prosperidade, voltemo-nos para as imutáveis e universais leis do Supremo Criador.





Por João Marcos Theodoro
Libertário radical, absolutista ético e anti-intelectual. É acadêmico de Direito na FAESA.

Anões políticos


O PT se opõe ao ajuste antes de mais nada porque não o compreende, assim como não compreende a crise que ele próprio fabricou 

Uma crise gigante gerida por anões políticos – eis em síntese a encrenca em que está metido o país. O PT, partido que se quer hegemônico, não dispõe de um só quadro, dentro ou fora do Congresso, capaz não apenas de enfrentar a crise, mas, sobretudo, de compreendê-la. Seus nomes do passado lá ficaram.

Lula e José Dirceu, seus expoentes, envolveram-se com o Código Penal e são incapazes não apenas de convencer, mas até mesmo de falar ao público. Lula atém-se a ambientes fechados e impermeáveis ao contraditório, enquanto José Dirceu é refém de advogados criminalistas. O PT mergulhou em profundo autismo.

No Congresso, o ambiente é lastimável. Ter como líder na Câmara alguém da estatura intelectual de Sibá Machado (AC), cujas relações com a lógica e o verbo atormentam taquígrafos, repórteres e colegas de ofício, resume a ópera. Diante de Sibá, Dilma tem a eloquência de um Cícero ou Vieira.

E há ainda figuras patéticas como a deputada gaúcha Maria do Rosário, que chega ao requinte de divergir de si mesma, poupando a oposição de fazê-lo. Ao que parece, não se percebe.

Opõe-se, por exemplo, à redução da maioridade penal para 16 anos, alegando que “cadeia não conserta ninguém”, ao mesmo tempo em que se empenha em agravar delitos (isto é, propor mais cadeia) para temas de sua cartilha do politicamente correto, como homofobia, feminismo e outros.

O que se deduz é que tem duas concepções de cadeia: a regenerativa e a vingativa. A primeira, quando se trata dos seus, é ineficaz e deve ser evitada, mas a segunda, destinada a seus adversários, não: deve ser intensificada. Crime, para ela – e nisso exprime o próprio PT -, não é questão moral, mas ideológica.

No entorno da presidente, há nada menos que nove articuladores políticos - e nenhum articula nada. O espetáculo patético dos dois ministros – Miguel Rosseto (da Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (da Justiça) -, escalados para falar da manifestação do dia 15 de março, não merecia sequer o panelaço com que foram brindados.

Um disse uma coisa e outro o seu contrário. Rosseto viu as passeatas como coisa dos eleitores de Aécio e da elite branca (da qual, aliás, a exemplo do comando de seu partido, faz parte), o que as tornaria banais.

Cardozo captou-lhes a gravidade, embora não saiba como lidar com elas. A má fé cínica e a obtusidade córnea de ambos (para citar a expressão de Eça de Queiroz) sugere que se poupem panelas e protestos. Não merecem sequer vaia.

Em tal contexto, não espanta que um tecnocrata, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afeito à ditadura das planilhas e dos números, desponte como único interlocutor político disponível junto ao Congresso. Na ausência de um negociador dentro do governo, foi pessoalmente conversar com os senadores sobre o ajuste fiscal.

Não lhe pareceram à altura da missão nomes como o já mencionado Sibá Machado ou Pepe Vargas (ministro das Relações Institucionais) ou o senador pernambucano Humberto Costa (líder naquela casa), entre outras eminências partidárias disponíveis.

O PT se opõe ao ajuste antes de mais nada porque não o compreende, assim como não compreende a crise que ele próprio fabricou. Se não a percebe, como vencê-la? Lula diz aos quatro ventos que a crise tem nome: Dilma. Nesse caso, tem também autor: Lula, que a inventou e a entronizou na Presidência.

Não bastasse, há os escândalos que não param de vir à tona – na Petrobras, na Receita, no BNDES, em toda parte. A reação do partido, na falta de argumentos, não muda: evoca a conduta de adversários no passado, na tentativa de banalizar o que fez.

É como se um homicida, flagrado, evocasse Caim para dizer que assassinato é coisa antiga e que não foi inventado por ele. A corrupção do passado – a tal “senhora idosa” a que se referiu a presidente - não absolve nem atenua a do presente. Mais: se o partido a conhece tão bem – e não hesita em atribuí-la também aos tucanos -, por que não a puniu nestes 13 anos de mandato?

A omissão, se efetiva, acresce aos delitos do presente mais um: o crime de prevaricação.

Tais contradições escapam ao tirocínio médio dos petistas incumbidos de gerir a crise. O nanismo mental não as enxerga, o que não impede que prosperem e agravem o quadro.

O resultado está parcialmente expresso nas pesquisas de opinião e nas multidões nas ruas. A propósito, a manifestação popular convocada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para o dia 31 de março – e reverberada por Lula -, em defesa da Petrobras e contra o golpe militar de 51 anos atrás, simplesmente não aconteceu. O PT perdeu não apenas o juízo, mas também o povo.





Por Ruy Fabiano

O manifesto da virtude não contabilizada


O Brasil estava à deriva, até que veio o encontro nacional do PT em São Paulo. Os presidentes dos 27 diretórios reuniram-se em torno do oráculo, e aí tudo ficou claro como a pele da elite branca. É sempre assim: por mais tenebrosa que seja a tempestade lá fora, quando o PT se junta em torno de Lula da Silva, tudo fica belo e luminoso. Ficamos sabendo que a crise é pura inveja que os ricos têm do povo. E saiu um novo manifesto -atenção, Brasil! - no qual o partido do mensalão e do petrolão ensina aos brasileiros o que é virtude.

É claro que o manifesto do PT não trata da estagnação econômica, nem da previsão de recessão apontada pelo Boletim Focus do Banco Central. Eles estão no Palácio há 12 anos, mas não têm nada com isso. O documento também não trata da mais recente façanha do partido - a inscrição de seu tesoureiro como réu no processo da Lava Jato. Isso é o tipo de coisa que só interessa à imprensa burguesa. E é justamente a imprensa o que preocupa os companheiros em seu mundo dourado. O manifesto propõe um projeto de lei para controlar a mídia (novidade!) - no exato momento em que a presidente dá posse ao novo ministro da Secretaria de Comunicação exaltando a... liberdade de expressão.

Dilma falou que sabe quanto a imprensa livre é importante, porque ela é uma pessoa que viveu sob uma ditadura. Atualmente, no Brasil, praticamente só Dilma viveu sob uma ditadura. Todos aprendemos a acompanhar, contritos, o sofrimento diuturno de Dilma Rousseff em sua resistência implacável aos militares. Quando começamos a achar que a batalha está concluída, o Palácio do Planalto solta mais um release sobre "Os anos de chumbo", e lá vamos nós sofrer mais um pouco ao lado de nossa heroína. Não há nada mais urgente hoje no Brasil do que apoiar Dilma contra o regime militar. Ela há de nos libertar desse inimigo morto e enterrado há 30 anos.

Enquanto a presidente luta heroicamente pela liberdade de expressão, que só ela sabe quanto é valiosa, seu partido costura docemente a mordaça. O PT já tentou colocar rédeas na mídia até através de um pacote de direitos humanos. Agora, o tal manifesto propõe uma nova regulamentação do direito de resposta. Os companheiros só vão sossegar quando a comunicação de massa no país alcançar o padrão de uma assembleia do partido. Chega de perseguição a guerreiros do povo brasileiro como João Vaccari. A cada denúncia publicada sobre as peripécias do tesoureiro na arrecadação de fundos para a revolução progressista, a mídia há de ter que abrir espaço para a resposta do guerreiro. E ele terá o sagrado direito de declarar, como seu antecessor Delúbio no mensalão, que há uma conspiração da direita contra o governo popular.

O manifesto divulgado pelo PT no dia 30 de março explica que o partido está sendo "atacado por suas virtudes". Não esclarece se entre essas virtudes está a formidável capacidade de captação de recursos junto às empresas investigadas na Lava Jato. Ou a invejável capacidade de escolher e cultivar os diretores certos para a Petrobras, sem os quais uma legião de parasitas e picaretas morreria de fome. Talvez por humildade exacerbada, o manifesto do PT não cita entre suas virtudes a façanha de ter jogado a maior empresa brasileira na lona, rebaixando-a ao grau de investimento especulativo. Tamanho virtuosismo realmente só poderia gerar inveja e perseguição.

"A campanha de agora é uma ofensiva de cerco e aniquilamento", diagnostica o manifesto. "Para isso, vale tudo. Inclusive criminalizar o PT." Eis o escândalo: estão criminalizando o PT. Será que não percebem que todos os crimes pelos quais os petistas têm sido indiciados, julgados e condenados são crimes decorrentes das suas virtudes? Será possível que essa elite golpista não aprendeu a distinguir o crime mau do crime bom?

Na reunião de cúpula, o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, esclareceu: "Ganhamos a eleição com uma narrativa que a presidente assumiu de forma corajosa". No dia seguinte, no Senado, o ministro da Fazenda tentava salvar a pele do governo com uma narrativa oposta a essa que a presidente assumiu corajosamente. Talvez seja por isso que as multidões voltaram às ruas: entenderam enfim que estão sendo governadas há 12 anos por uma narrativa.




Por Guilherme Fiuza