sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Água não era abundante?


Gastamos hoje o dobro de uma fonte que está com sua capacidade reduzida à metade!

Todos nós aprendemos na escola que o Brasil tem água em abundância __ 10% de toda a água doce disponível do mundo. Como consequência, nos acostumamos a utilizar esse recurso barato de forma livre e despreocupada e nos tornamos grandes esbanjadores. No entanto, a verdade é que paramos no tempo e não percebemos que mudanças globais (ambientais, climáticas e geopolíticas) estavam ocorrendo ao nosso redor e que elas também nos afetaria.

A escassez de água potável, que já é uma realidade para 30% da população mundial, vem sendo acentuada nos últimos 40 anos pela poluição dos rios, desmatamento das florestas, degradação do solo, má gestão dos recursos hídricos e pelo grande desperdício na agricultura, na indústria e no nosso dia a dia.

Fora isso, nos últimos 100 anos, o consumo de água aumentou oito vezes, enquanto a população mundial cresceu quatro vezes. Ou seja, o consumo médio individual dobrou. Porém, nesse mesmo período, poluímos 50% da água doce disponível para o nosso uso. Significa dizer que hoje estamos gastando o dobro de uma fonte que está com sua capacidade reduzida à metade. Não é por outra razão que em 2020, 60% da população mundial sofrerão carência de água de boa qualidade para o consumo. Quer mais uma triste estatística? Segundo a ONU, no mundo atual, 80% das internações hospitalares são motivadas pela simples falta de acesso à água potável.

Não é de hoje que se discute se o aquecimento global é motivado pelo cíclico e natural aquecimento do Planeta ou pelos séculos de emissões de gases poluentes na atmosfera. Mas enquanto não se chega a uma conclusão, se é que vai-se chegar, sofremos com as mudanças climáticas que esmurram nossas portas: a falta de água em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro já é uma dura realidade a ser enfrentada, hoje e pelos próximos anos.

Será que podemos fazer algo? Na gestão dos recursos hídricos, somente os governantes, mas no bom uso da água pode-se contribuir bastante. O consumo responsável no nosso cotidiano é capaz de proporcionar considerável redução no desperdício de água. E exemplos não faltam. Tomar banho fechando a torneira ao ensaboar o corpo e os cabelos pode representar uma economia de até 90 litros de água por banho. Da mesma forma que barbear-se fechando a torneira, quando a água não estiver sendo utilizada, pode produzir uma economia de até 10 litros. Sem falar na habitual e dispensável “vassoura hidráulica” utilizada pelos faxineiros dos prédios para varrer e lavar as calçadas, onde o uso de uma vassoura normal economizaria até 250 litros de água por dia.

Ainda assim, infelizmente, nessa questão da boa utilização da água pela sociedade, ter ou não educação e boa vontade para adotar seu consumo consciente não são por si só relevantes. Para grande parte da população, o uso responsável só virá com mecanismos de controle e punição, como uma conta salgada no final do mês. Diferente da energia e do gás, cujos consumos individuais vêm quantificados na conta mensal da concessionária, permitindo que o cidadão sinta no bolso o uso exagerado e o desperdício, a água, na maioria dos prédios residenciais, é cobrada do condomínio numa única conta coletiva. Assim, o uso correto desse recurso só será possível quando todas as residências tiverem seu consumo de água medido por hidrômetros individuais e cobrado em contas separadas.

Um grande exemplo vem da Alemanha, onde o custo da água é bem alto e a cobrança individual. Lá, só se costuma puxar a descarga do vaso no banheiro após quatro ou cinco xixis. Substâncias para eliminar o cheiro desagradável da ureia são utilizadas, sem dúvida, e é claro que está se falando de uma atitude extrema, que espero não tenhamos que copiar, mas esse comportamento nos dá a exata dimensão do quão sensível pode ser o bolso do consumidor e o quanto esse mecanismo de punição financeira é eficiente na redução do consumo e do desperdício de água.

Reflita sobre esse assunto. Seja consciente e responsável no consumo de água, na sua residência ou no seu trabalho, para que não falte no futuro.

Instituto Ecológico Aqualung
Site: http://www.institutoaqualung.com.br

Por Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Por ser um dos maiores especialistas em peixes e tubarões e escritor de várias matérias e artigos sobre natureza, ecologia, evolução e fauna marinha publicados nos últimos anos em diversas revistas, jornais, blogs e sites, Marcelo Szpilman é muito requisitado para ministrar palestras, conceder entrevistas e dar consultoria técnica para diversos canais de TV. Atualmente, é diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio de Janeiro, diretor-executivo do Instituto Ecológico Aqualung, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e membro e diretor do Sub Comitê do Sistema Lagunar da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Publicado no Portal EcoDebate, 06/02/2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Em busca do novo presidente da Petrobras


– Landim, ô Landim, tudo bem? Aqui é Dilma.
– Dilma?
– Landim, estamos com uma situação no que se refere à formação de equipe para aquela questão da Petrobras. A gente pensou, ou seja, especificamente eu, que sou a presidenta, pensei, a nível de que agora a Graça Foster vai embora, que você poderia assumir… Landim? Landim? Poxa, desligou.

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– Companheiro Meirelles, como está você, meu caro?
– Esquece, Lula. Se recusei o Ministério da Fazenda é evidente que vou recusar a Petrobras.

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– Valdinete, largue essas panelas e venha cá, por favor.
– Diga, doutor Lula.
– Valdinete, os companheiros se reuniram e tomaram uma decisão sobre a sua atuação no partido. Nunca antes na história desse país uma empregada doméstica assumirá um cargo tão importante – a presidência da Petrobras! Você vai ganhar um pouco mais – e vai sair do ABC pra morar lá no Rio de Janeiro. Num apartamento com mais de 100 metros quadrados, Valdinete! Fica tranquila que os companheiros escolhem os diretores e cuidam de tudo. Você só vai precisar assinar uns papéis, tá certo? Companheira? Tá chorando por quê, companheira? Não sobe aí na varanda que é perigoso. Não se joga, Valdinete! Calma, a gente não fala mais disso, venha cá. Marisa! Marisa, traz aquela cachacinha de maracujá pra Valdinete. Marisa, falando nisso, os companheiros se reuniram e tomaram uma decisão sobre a sua atuação no partido…

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– Alô, dona presidenta? Quem fala aqui é o Palhaço Bozo. O colega Mercadante mandou eu falar com a senhora sobre aquela vaga na Petrobras.
– Opa! Está interessado?
– Olha, até que estou, dona presidenta. Faz tempo que quero me recolocar profissionalmente. Hoje em dia só se fala em Patati Patatá. As crianças me veem na rua e gritam “olha o Patati Patatá”! Porra, não aguento mais.
– Entendo…
– E quero muito voltar pra TV, dona Dilma. Nessa vaga eu vou aparecer na TV?
– Ô se vai!
– Vou poder contar piada?
– Claro, Bozo! Seu o objetivo é contar piada, não tem melhor lugar no mundo pra você trabalhar.




Por Leandro Narloch

Lula pretende a Revolução Cultural?


Anuncia o Lula a intenção de promover uma reforma estrutural no PT. Começa pelo cumprimento efetivo das quotas de participação, ou seja, a obrigatoriedade de serem escolhidos para funções de direção nos municípios, estados e no plano federal, 50% de mulheres, 20% de jovens e 20% de negros. O ex-presidente critica a direção centralizada e pretende a renovação dos quadros.

Significa o quê, esse posicionamento? Primeiro, uma declaração de guerra a Dilma Rousseff. Se o PT precisa de reformas é porque a presidente, cujo governo domina mais da metade dos companheiros, impõe diretrizes que isolam o ex-presidente. Nunca é demais buscar lições na História. Na China, Mao-Tsetung estava isolado, afastado das decisões, mera figura decorativa. O poder repousava nas mãos de Liu-Xaochi, Teng-Xiauping e outros moderados. Mao criou a Revolução Cultural, virou o país de cabeça para baixo e voltou a exercer o comando. Liu foi degradado, Teng refugiou-se num comando militar do interior e, por sinal, voltou com toda força depois da morte de Mao, para sepultar a Revolução Cultural.

Guardadas as proporções, o Lula ainda não perdeu de todo o poder, mas se não reagir, como agora parece estar fazendo, torna-se apenas um mito reverenciado mas ultrapassado. Daí a ênfase que pretende dar à renovação dos dirigentes do partido, manobra capaz de atingir o verdadeiro objetivo, no caso, reconduzir o PT às suas origens. Quais? A defesa de reformas socializantes em condições de bater de frente com a linha neoliberal e conservadora adotada pela sucessora.

Na verdade, o que precisa mudar no PT é o seu conteúdo.A legenda ficou igual às demais, um aglomerado de petistas buscando ocupar cargos, funções e espaços que os beneficiem pessoalmente, sem fazer conta dos ideais um dia proclamados de mudar a sociedade através das reformas envolvendo a justiça social, a igualdade, a extirpação da miséria e da pobreza, o fim dos privilégios das elites e sucedâneos.

Se o Lula obterá a vitoria, como Mao a obteve, é um ponto de interrogação, até sob o risco dos monumentais excessos e retrocessos que a China enfrentou com seus Guardas Vermelhos, afinal contidos. Uma evidência, porém, sobressai entre outras: vem por aí uma luta de foice em quarto escuro entre ele e Dilma.



Por Carlos Chagas

Indignai-vos


A perda da capacidade de indignação por parte da população é algo extremamente perigoso, e o sonho de todo governo corrupto. Talvez o maior mal causado pelo PT – entre tantos - nesses 12 anos de poder seja justamente a banalização da podridão. As pessoas mais decentes e esclarecidas olham chocadas para a passividade do povo, para a negligência, a cumplicidade daqueles que fazem vista grossa para tudo de errado em troca de migalhas ou tetas estatais.

Os que ficam indignados vão vendo crescer dentro de si um sentimento de impotência, de frustração. Como pode isso tudo que está aí não revoltar mais gente? Onde estão os estudantes rebeldes que pintavam suas caras na era Collor? Onde estão os “movimentos sociais”? Onde estão os sindicalistas da área de petróleo? Todos comprados? Todos cúmplices no butim, sócios da quadrilha que tomou nosso país de assalto?

E os “intelectuais”? Sim, aqueles que sempre bradaram em nome da ética, e agora fazem um silêncio sepulcral, e ao mesmo tempo ensurdecedor, onde estão? Fazem discursos relativistas, dizem que não é possível ser “maniqueísta”, que todos são iguais, tudo isso para defender essa podridão toda. Não sentem vergonha na cara? Não se incomodam com o estelionato eleitoral? Acham realmente que todos são como o PT, dispostos a esse jogo sujo para se perpetuar no poder?

A incapacidade de se indignar é sintoma de que o mal está vencendo. O país está um caos, a violência está recrudescendo, a corrupção atingiu cifras impressionantes, falta luz e água, a economia não cresce, a inflação cresce sem parar, e o governo bate cabeça sem saber o que fazer, rasgando todo seu discurso de campanha. E a população em geral acha tudo isso… normal?

Um leitor do GLOBO capturou bem a essência da coisa, em carta dos leitores publicada no topo da página, que é para ver se a ficha cai para os outros, sonolentos:


O Rubem está certo. Ninguém aguenta mais! Ao menos ninguém com um pingo de bom senso, de vergonha na cara, de honestidade intelectual. Os valores estão todos invertidos. O Brasil do PT valoriza o que é medíocre, ruim, em detrimento do que é melhor. O escárnio é geral. Vemos o nosso país afundar cada vez mais e o povo pensando em praia e carnaval.

Nada contra a diversão, as fugas da realidade. Fazem parte da vida, e tornam-na mais suportável. Mas será que precisamos mesmo transformar tudo em troça? Será que usar máscaras de Cerveró e Graça Foster no carnaval é uma reação adequada para um escândalo dessa proporção bem diante de nossos olhos? Onde está a pressão nas ruas pedindo uma CPI independente da Petrobras?

Enfim, os assaltos diários, as “balas perdidas”, a infraestrutura caótica, a economia sem crescimento e até a inflação alta a gente consegue suportar, matar no peito e continuar lutando. Povo brasileiro, guerreiro, certo? Não desiste nunca. Agora, o que não dá para aturar é o ambiente intelectual apodrecido, a mentalidade vigente que trata tudo isso mencionado acima e muito mais de forma pueril, leva na brincadeira ou acha normal.

Isso é o mais difícil para as pessoas esclarecidas e decentes. Não surpreende que tantos estejam pensando em se mudar e respirar, ainda que por um período, ares mais civilizados e avançados. O Brasil cansa…





Por Rodrigo Constantino

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Hipótese de culpa para o Impeachment


Pediu-me o eminente colega José de Oliveira Costa um parecer sobre a possibilidade de abertura de processo de impeachment presidencial por improbidade administrativa, não decorrente de dolo, mas apenas de culpa. Por culpa, em direito, são consideradas as figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência.
Contratado por ele - e não por nenhuma empreiteira- elaborei parecer em que analiso o artigo 85, inciso 5º, da Constituição (impeachment por atos contra a probidade na administração).

Analisei também os artigos 37, parágrafo 6º (responsabilidade do Estado por lesão ao cidadão e à sociedade) e parágrafo 5º (imprescritibilidade das ações de ressarcimento que o Estado tem contra o agente público que gerou a lesão por culpa - repito: imprudência, negligência, imperícia e omissão - ou dolo). É a única hipótese em que não prescreve a responsabilidade do agente público pelo dano causado.

Examinei, em seguida, o artigo 9º, inciso 3º, da Lei do Impeachment (nº 1.079/50 com as modificações da lei nº 10.028/00) que determina: "São crimes de responsabilidade contra a probidade de administração: 3 - Não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição".

A seguir, estudei os artigos 138, 139 e 142 da Lei das SAs, que impõem, principalmente no artigo 142, inciso 3º, responsabilidade dos Conselhos de Administração na fiscalização da gestão de seus diretores, com amplitude absoluta deste poder.

Por fim, debrucei-me sobre o parágrafo 4º, do artigo 37, da Constituição Federal, que cuida da improbidade administrativa e sobre o artigo 11 da lei nº 8.429/92, que declara: "Constitui ato de improbidade administrativa que atente contra os princípios da administração pública ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições".

Ao interpretar o conjunto dos dispositivos citados, entendo que a culpa é hipótese de improbidade administrativa, a que se refere o artigo 85, inciso 5º, da Lei Suprema dedicado ao impeachment.
Na sequência do parecer, referi-me à destruição da Petrobras, reduzida a sua expressão nenhuma, nos anos de gestão da presidente Dilma Rousseff como presidente do Conselho de Administração e como presidente da República, por corrupção ou concussão, durante oito anos, com desfalque de bilhões de reais, por dinheiro ilicitamente desviado e por operações administrativas desastrosas, que levaram ao seu balanço não poder sequer ser auditado.

Como a própria presidente da República declarou que, se tivesse melhores informações, não teria aprovado o negócio de quase US$ 2 bilhões da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), à evidência, restou demonstrada ou omissão, ou imperícia ou imprudência ou negligência, ao avaliar o negócio.

E a insistência, no seu primeiro e segundo mandatos, em manter a mesma diretoria que levou à destruição da Petrobras está a demonstrar que a improbidade por culpa fica caracterizada, continuando de um mandato ao outro.

À luz desse raciocínio, exclusivamente jurídico, terminei o parecer afirmando haver, independentemente das apurações dos desvios que estão sendo realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público (hipótese de dolo), fundamentação jurídica para o pedido de impeachment (hipótese de culpa).

Não deixei, todavia, de esclarecer que o julgamento do impeachment pelo Congresso é mais político que jurídico, lembrando o caso do presidente Fernando Collor, que afastado da Presidência pelo Congresso, foi absolvido pela suprema corte. Enviei meu parecer, com autorização do contratante, a dois eminentes professores, que o apoiaram (Modesto Carvalhosa, da USP, e Adilson Dallari, da PUC-SP) em suas conclusões.






Por Ives Gandra

Adeus às Ilusões


O Brasil está sem assunto. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o “assunto”. Tirando a tragédia da água que pode nos secar, estamos condenados a comentar apenas essa crise política e institucional que vivemos. Descobrimos, de boca aberta, a falência múltipla dos órgãos públicos. O Brasil está sendo destruído diante de nós e não podemos fazer nada.

Os petistas no poder roubaram os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda que pensa o Brasil dentro do mundo atual e se obstinam em usurpar um genuíno progressismo em nome de uma “verdade” deformada que instituíram. Quem quiser alguma positividade é “traidor neoliberal”, termo muito usado pelos “mestres” militantes que doutrinam milhares de jovens nas universidades.

A academia cultiva a “desigualdade” como uma flor. A miséria tem de ser mantida in vitro para justificar teorias velhas e absolver incompetência. Orgulham-se de um maniqueísmo esquemático, como se a verdade morasse no mais raso reducionismo. O capitalismo explica tudo e é tratado como uma pessoa: “Ihh... Parece que hoje o capitalismo acordou de mau humor” ou “esse capitalismo é mesmo cruel e incorrigível — não para de explorar os pobres”.

O filósofo João Pereira Coutinho disse outro dia na “Folha” uma frase ótima: “Oprimido e opressor não esgotam as relações humanas possíveis, mesmo as desiguais. A luta de classes é uma escolha política, não um dado natural” — na mosca. Somos tecnicamente uma “democracia”, que aliás é vivida como porta aberta para o oportunismo: “Ah... Na democracia tudo pode, é mais fácil roubar numa boa”. Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de gestão, em um instrumento de trabalho.

Várias vezes citei uma frase do Baudrillard, que explica a esquerda radical, e repito-a: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de ‘desfuncionamento’ e da desestruturação da sociedade” — vide o novo eixo do mal da América Latina.

Essa zona geral do país começou com o nefasto Lula (o grande culpado de tudo) que teve a esperteza de transformar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda de seu governo: a adesão sem pudor do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e “peronista” patrimonialismo de Estado. Essa gente desmoralizou o escândalo, a indignação e a ética (essa palavra burguesa e antiga para eles). A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão.
Não é sublime tudo isso?

Nunca antes em nossa história alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto. A cada dia, nós nos tornamos mais desesperados, porém mais sábios, mais cultos sobre essa grande chácara de oligarquias. Em nome da esperança, talvez tudo o que ocorre hoje nos ensine muito. Estamos progredindo, pois estamos vendo melhor a secular engrenagem latrinária que funciona nos esgotos da pátria. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. A verdade está nos intestinos.

A verdade está sempre no avesso do que dizem. São hábeis em criar um labirinto de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações de coisas como a Petrobras e todos os crimes de seus aliados. E a mentira vai se acumulando como estrume durante anos e acaba convencendo muitos ingênuos de que “sempre foi assim” ou de que “erraram com boa intenção”.

Não só roubaram cerca de R$ 10 bilhões (até agora) desviados da Petrobras e de outros aparelhos do Estado, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos — não arredaram os pés dos velhos dogmas da era stalinista, como aliás os antigos comunas fizeram desde que se recusaram a votar nos social-democratas alemães, fazendo o Hitler subir ao poder.

Já em 1924, Stálin chegou a afirmar: “O fascismo e a social-democracia não são inimigos, mas irmãos gêmeos”. A verdade é que os petistas nunca acreditaram na “democracia burguesa” — eles se orgulham de se fingir de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

Um professor emérito da USP “se entregou” e disse: “Democracia é papo para enrolar o povo”. Se bem que o “povo” nem sabe o que é isso e prefere mesmo um autoritarismo populista. Um país de analfabetos sempre espera um salvador da pátria. Estamos prontos para ditadores e demagogos; para administradores e reformadores racionais, não. Enquanto isso, intelectuais sonham com um socialismo imaginário, pois têm medo de ser chamados de reacionários ou caretas.

Continuam ativos os três tipos exemplares de “radicais”: os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam, e os terceiros zurram. Que cenário maldito...

A “presidenta” está pagando pelo erro de querer ser socialista-brizolista e dirigir um país, ah... capitalista. Ignorou Davos na reunião da cúpula da economia e foi à Bolívia se vestir de inca na posse do Morales. Dilma perdeu o controle da zona geral que Lula sabia “desorganizar” com esmero e competência. Dilma não é competente nem para desorganizar.

Não é apenas o fim de dois maus governos; é o despertar de um caos institucional que será mais grave do que pensávamos. Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com a união dos dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.

O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no país uma desmontagem contínua de ilusões históricas. Com a história em marcha a ré, estranhamente, andamos para a frente. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria. O Brasil se descobre por subtração, não por soma.

Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.





Por Arnaldo Jabor

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dilma e a marca da besta


Há muito tempo temos ouvido falar do famoso bio-chip, que tem tirado o sono de muitos, o bio-chip RFID já faz muito sucesso no USA, Rússia, China e Japão, e agora chega com muita força ao Brasil.

A pouco tempo a Climatec do Senai da Bahia desenvolveu um sistema com tecnologia RFID , processo de identificação automática por ondas de rádio frequência, para a distribuição aqui no Brasil, muitas empresas estão aderindo ao sistema que promete economia e agilidade.

O RFID utiliza uma tecnologia com antena conectada a um microchip que pode ser implantado em pessoas animais ou objetos, onde é possível ler e gravar remotamente todo é qualquer dado digital.

Essa profecia anuncia a chegada do anti-cristo, o início do fim.

E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas.

Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.Apocalipse 13:16-17.

E serão substituídos todos os documentos físicos como Carteira de Identidade, Carteira de Habilitação, CPF, e sem esquecer do dinheiro.

De acordo com a pesquisa “Working from Mars with an INTERNET Brain Implant” realizada pela empresa de tecnologia Cisco Systems, cerca de um quarto dos profissionais entre 18 e 50 anos seriam voluntários para receber um implante cerebral que lhes permitisse unir instantaneamente seus pensamentos com à Internet.

Entre outras conclusões, o relatório revela que até 2020, a maioria dos profissionais acredita que os smartphones e os “wearables” (computadores vestíveis) serão os dispositivos mais importantes na força de trabalho.O estudo foi realizado com 3.700 adultos que possuem cargos executivos de empresas em 15 países, incluindo EUA, Japão, China, Rússia e França. A geração dos profissionais nascidos entre 1980 e 2000, mostram MAIS interesse, com 26% afirmando que gostariam de fazer a cirurgia. Os mais velhos, que nasceram entre 1960 e 1980, totalizaram 21%..

Liz McIntyre, especialista em privacidade e coautora do livro “Spychips” [CHIPS espiões], acredita que é uma questão de tempo até que as grandes corporações e o governo consigam rastrear todas as compras e vigiar todos os movimentos da população.“Seja quem trabalha com tecnologia, ou mesmo as pessoas comuns, penso que eles olham para o fator novidade e não param para observar as implicações sobre sua privacidade e liberdade… Faz parte de toda essa tendência atual da indústria de gerar novas tecnológicas da qual todos querem fazer parte”.

Lamenta que a maioria das pessoas parece ter sofrido uma “lavagem cerebral” a ponto de pensar que são incapazes de viver sem estar conectados à internet. “Observe as pessoas que exibem com orgulho seus SMARTPHONES; eles já são aparelhos de rastreamento… Ter sensores implantados em todas as pessoas será o próximo passo”, assevera.

A pesquisa da Cisco mostra que já EXISTE essa possibilidade e eles querem ver como será a reação do público. Em especial por que os dados foram divulgados apenas alguns dias após uma matéria de destaque no jornal The New York Times mostrar o desenvolvimento dos primeiros “computadores vestíveis”. APPLE e Samsung afirmam que eles ficarão no pulso, enquanto o Google desenvolve um para o rosto.

Katherine Albrecht, a outra autora de “Spychips” é diretora da organização Consumidores Contra a Invasão e Numeração da Privacidade pelos Supermercados. Em 2005, Albrecht entrevistou centenas de pessoas enquanto escrevia sua dissertação de doutorado da Universidade de Harvard. O tópico era verificar se elas gostariam de ter um CHIP RFID implantado.

Na época, havia muita resistência, mas agora é nítido que o número de pessoas abertas a experimentar essa fusão de tecnologia com o corpo humano está crescendo. Em especial para os jovens, que são mais adeptos das chamadas “modificações corporais”.

“Nós temos piercings e tatuagens. Temos pessoas colocando silicones em seus corpos, implantando coisas estranhas”, disse ela. “Essa geração parece desejar mais a modificação CORPORAL.” Mesmo assim, questiona os números apresentados na pesquisa da Cisco.

“Se você acha que a internet está invadindo sua privacidade, esperem até a hora que os implantes eletrônicos chegarem”, dispara. Ela sabe que a Cisco e outras companhias de tecnologia já tentam atrair as pessoas para a ideia de implantes cerebrais. Afinal, chips RFID são muito populares, já sendo usados como implante em animais domésticos.

Charlotte Iserbyt, autora do livro “The Delibarate Dumbing Down of AMERICA” [A Idiotização Deliberada da América], se diz assustada. “Isso reflete um vício de proporções ainda desconhecidas… Imagine como poderia ser as estatísticas se a gerações atual, cujas vidas são moldadas pelo vício em tecnologia desde a infância forem dominadas por um ‘aprendizado’ cibernético ainda mais invasivo.”Os números da Cisco surpreendem em outros aspectos. MAIS de 40% dos entrevistados permitiriam que seus provedores tivessem acesso a todos os seus dados em troca de um smartphone grátis com um plano de dados ilimitado. Pouco mais de 70% dos profissionais japoneses disseram que seus smartphones são mais importantes que sexo.






Fonte: Por Trás da Mídia Mundial, com informações da Prophecy News e WND