segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Reeleição de corruptos e o "paradoxo do brasileiro"


Por que os brasileiros abominam os políticos corruptos e frequentemente os reelegem? Por que 250 mil paulistas reelegeram Paulo Maluf, mesmo depois de ele ter sido, na Suíça, o protagonista involuntário (“Sr. Propina”) de uma propaganda contra a corrupção mundial? Suely Campos (PP) se tornou governadora de Roraima porque seu marido (ex-governador Neudo Campos) foi barrado pela Lei da Ficha Limpa (foi preso e declarado improbo judicialmente). Assumiu o cargo e nomeou 19 parentes para vários cargos públicos. Juntos receberão R$ 398 mil por mês. Nepotismo deslavado. Justificou-se dizendo “ser prática comum na história de Roraima [na verdade, faz parte da história do Brasil]“. Nota-se que ela está cumprindo o que prometeu na campanha: “Implementarei políticas para mulheres, para jovens, crianças e também para a família”. Mais uma expressão dosistema hiperviciado brasileiro (veja Oliveiros S. Ferreira, Teoria da Coisa Nossa), que criou um Estado com um lado monstruoso caracterizado pela plutocracia (Estado governado ou influenciado por grandes riquezas), cleptocracia (Estado cogovernado por ladrões) e genocidiocracia (Estado que pratica ou tolera a violação massiva – e normalmente impune – dos direitos fundamentais, direta ou indiretamente voltada para o extermínio de pessoas predominantemente pertencentes a etnias ou classes sociais desfavorecidas).

O “paradoxo do brasileiro” é uma provocação à lógica. Não há brasileiro que não esteja indignado com “tudo isso que está aí” (corrupção, roubalheira nos órgãos públicos, financiamentos eleitorais indecentes, morosidade da Justiça etc.). Os padrões de convivência civilizada sempre estão deteriorados. O moderno convive com o arcaico. Fabricamos aviões e ainda contamos com 13 milhões de analfabetos (e 3/4 da população são analfabetos funcionais). Os serviços públicos são indecentes. As humilhações, consequentemente, são constantes. O brasileiro anda descontente, angustiado, indignado e revoltado com a situação do país, com a corrupção, com os políticos desonestos, com as falsas promessas, com o nepotismo, fisiologismo (troca de favores e benefícios) e tantas outras coisas. Todos com quem conversamos querem mais ética e mais justiça, menos inflação, mais igualdade, mais eficiência no serviço público; mais ordem, mais segurança, mais hospitais, mais médicos. Cada um de nós protesta, reclama, amaldiçoa, abomina, critica.

Individualmente não concordamos com “nada do que está aí”. Temos a crença e o sentimento de que somos pessoalmente muito melhor do que essa bandalheira que grassa pelo país afora. Ninguém aceita, ninguém está de acordo com o mar de lama, o deboche e a vergonha da vida pública e comunitária que nos aflige. Coletivamente, no entanto, o resultado final de todos nós juntos é tudo isso que está aí (esse é o “paradoxo do brasileiro”, desenvolvido por Eduardo Giannetti, Vícios privados, benefícios públicos?: 12 e ss.). Pessoalmente (e no plano dos discursos: orais ou nas redes sociais) somos (e vendemos) a imagem do que gostaríamos de ser (honestos, probos, íntegros, avançados, progressistas, amistosos, cordiais etc.). Discursamos sempre de acordo com essa imagem. Coletivamente não somos nada (ou somos muito pouco) dessa imagem que gostaríamos de ser. É por isso que o todo é muito menos que a soma das partes. Se o produto final (nós como um todo) é horroroso, indecente, indolente, mal-afamado (a classe política nada mais é que uma síntese ou espelho da sociedade que temos), como isso pode acontecer, se nos nossos discursos somos éticos, exemplares, leais, cordiais e probos? Por que discursamos como suecos civilizados e nossa sociedade como um todo é, em termos civilizatórios, tão indecente, tão aberrante, tão brasileira? Por que discursamos como os melhores motoristas do mundo e o resultado final são 45 mil mortos por ano no trânsito, milhares de aleijados, mais de meio de milhão de feridos? Por que bradamos por honestidade e reelegemos Maluf, Renan, Sarney e tantos outros políticos declaradamente desonestos?

Eduardo Giannetti (citado) explica: “A auto-imagem de cada uma das partes – a ideia que cada brasileiro gosta de nutrir de si mesmo – não bate com a realidade do todo melancólico e exasperador chamado Brasil. Aos seus próprios olhos, cada indivíduo é bom, progressista, e até gostaria de poder ‘dar um jeito’ no país. Mas enquanto clamamos pela justiça e eficiências, enquanto sonhamos, cada um em sua ilha, com um lugar no Primeiro Mundo, vamos tropeçando coletivamente, como sonâmbulos embriagados, rumo ao Haiti. Do jeito que a coisa vai, em breve a sociedade brasileira estará reduzida a apenas duas classes fundamentais: a dos que não comem e a dos que não dormem. O todo é menor que a soma das partes. O brasileiro é sempre o outro, não eu”. Nisso reside uma amostra da psicologia moral brasileira. Que é volúvel. Há momentos de ufanismo com o país (“abençoado por Deus e bonito por natureza”). Narcisismo inveterado. Fora dele, quanto mais a situação do país piora, mais cultivamos nossa auto-imagem (de impoluto, honesto a toda prova, probo, altaneiro). E quanto mais incrementamos nossa auto-imagem individual, mais o coletivo se afunda na bandalheira, na roubalheira. Mais reelegemos os políticos reconhecidamente corruptos. Esse é o “paradoxo do brasileiro”.





Por Luiz Flávio Gomes

domingo, 11 de janeiro de 2015

Cerca de 200 igrejas cristãs foram destruídas por onda de violência



Houve uma onda de violência anti-cristã realizada por muçulmanos ao redor do mundo, o que incluiu a destruição de cerca de 200 igrejas cristãs na Nigéria durante um curto período por volta de outubro, de acordo com um novo relatório do Instituto GateStone.

A organização de Raymond Ibrahim, um especialista em islamismo e Oriente Médio que tem documentado suas descobertas no livro “Crucificados de Novo: Desmascarando a Nova Guerra do Islamismo Contra os Cristãos”, apresentou uma estimativa da recente onda nesta sexta-feira.
"Em apenas dois meses, de agosto a outubro, cerca de 200 igrejas cristãs foram destruídas na Nigéria pela organização islâmica Boko Haram e pelos seus aliados muçulmanos, depois que eles capturaram cidades e aldeias nos estados do nordeste de Borno e Adamawa", disse o relatório. "Nas palavras do Rev. Gideon Obasogie, o diretor de Comunicação Social Católica da Diocese de Maiduguri no estado de Borno, "a tomada do território pelo grupo, em ambos os estados, deixou 185 igrejas incendiadas e mais de 190.000 pessoas deslocadas devido o [Boko Haram]".

Ibrahim comentou que, "também em outubro, o Centro de Estudos do Cristianismo Global nos Estados Unidos concluiu que, ‘cerca de 100.000 cristãos são assassinados anualmente por causa de suas crenças religiosas, ou seja, um a cada cinco minutos. Além disso, em muitos países, muitas outras minorias religiosas sofrem violência e perseguição. Em países como o Iraque, Síria, Nigéria, Camarões, Sudão, Paquistão, Somália e Egito, os cristãos idosos, mulheres, homens e seus filhos vivem em condições de total insegurança. Eles são expulsos de suas casas; jogados na prisão por blasfêmia e brutalmente mortos durante as celebrações litúrgicas, as igrejas são queimadas. As meninas são raptadas e forçadas a se casarem’".

Entre os outros incidentes de violência muçulmana contra os cristãos, durante esse período de outubro, que foram descobertos por Ibrahim incluem:

Um relatório da mídia árabe descreveu como uma "bomba caseira" explodiu ao lado da Igreja Evangélica de Deus em Minya, no alto Egito. O relatório disse que não houve vítimas.
E na Alemanha, uma "Igreja Cristã Copta no país europeu foi atacada e incendiada". De acordo com o relatório, "O prefeito de Berlim condenou o ataque e o incêndio deliberado da Igreja Ortodoxa Copta Santo Shenouda e Santo Atanásio em Berlim por extremistas ..."
Em seguida, no Iraque, houve atentados que "atingiram e devastaram a Igreja da Ressurreição, perto da cidade de Qaraqosh. O local de culto cristão estava sendo usado como base para os jihadistas, que tinham derrubado a cruz do telhado do edifício".
Nas Filipinas, "Um ataque com granadas em uma igreja durante o culto deixou duas cristãs mortas – Felomina Ferolin, uma enfermeira de 54 anos de idade, e a professora Gina Cabilona, de 39 anos de idade – e a outros três feridos". De acordo com as informações coletadas, "Dois homens em uma moto dispararam um lançador de granadas na porta da Igreja Unida de Cristo antes de fugirem".
E, de acordo com o relatório de Ibrahim, no Sudão, a "força aérea lançou quatro bombas em uma Igreja Episcopal ... nas Montanhas de Nuba". Um pastor relatou que toda a propriedade foi dizimada.
Os ataques, por vezes, assumiram a forma de decisões judiciais, relatou Ibrahim.
Ele disse que no Irã, três cristãos foram condenados a seis anos de prisão por estarem envolvidos em igrejas domésticas. Jason Demars, do Ministério Present Truth, disse no relatório que as autoridades iranianas querem "silenciá-los – depois querem levá-los para longe em um local onde seja difícil de se chegar, para que as suas famílias não os encontrem".
E, no Cazaquistão, dois homens cristãos, Vyacheslav Cherkasov e Zhasulan Alzhanov, receberam penas de prisão por distribuírem literatura cristã depois que as autoridades alegaram que um dos livros incitava ao ódio religioso.
O livro era "Jesus: Mais que um Profeta", que é uma coleção de testemunhos de pessoas que fugiram do islamismo para o Cristianismo.
Ibrahim relata que no Líbano, um cristão convertido do islamismo foi forçado a esconder-se porque o seu pai e os seus irmãos estavam procurando-o para "cortarem a minha garganta".
O relatório GateStone disse que na Malásia, um líder muçulmano estava convocando o povo para encontrar Bíblias e queimá-las.
E no Paquistão, um tribunal confirmou a pena de morte para Asia Bibi, uma mãe cristã que foi acusada de blasfêmia.
No Sudão, um muçulmano convertido ao Cristianismo escapou de um atentado contra a sua vida, quando um homem armado entrou em sua casa e abriu fogo. E no Uzbequistão, um homem cristão foi multado em 50 vezes o salário mínimo mensal do país por ter "literatura religiosa".

Ibrahim escreve que em seu relatório, a compilação não pretende ser exaustiva.

"Embora nem todos, ou mesmo a maioria, dos muçulmanos estejam envolvidos, a perseguição aos cristãos está se expandindo. O relatório 'A Perseguição Muçulmana aos Cristãos' foi desenvolvido para reunir alguns – não todos – dos casos de perseguição que vêm à tona a cada mês. Ele documenta o que a mídia em geral muitas vezes deixa de noticiar. Ele argumenta que essa perseguição não é aleatória, mas sistemática, e ocorre em todas as línguas, etnias e locais", explicou ele.




Fonte: wnd.com

Comentário teológico de I Coríntios


Com exceção do capítulo 15, a carta toda trata de questões do comportamento cristão. Como é possível manter a unidade da igreja quando se formam grupos que trabalham uns contra os outros? Que significado têm para a igreja obreiros capacitados por Deus? Como devemos agir em questões judiciais entre cristãos? Quais são os padrões para questões sexuais e éticas? Como devem se comportar cristãos num contexto religioso marcado pelo paganismo? Como os membros vão celebrar a ceia do Senhor, quando os seus membros estão brigando uns com os outros? Quais dons Deus deu à sua igreja e como podem ser usados significativamente?

Paulo trata essas questões em relação e com base no evangelho de Jesus Cristo. O que Deus fez por meio de Jesus Cristo é que precisa definir o comportamento da igreja. Nesse sentido essa carta é um exemplo clássico para a ética da igreja ou do discipulado que Paulo defendeu e pregou.

Essas questões foram desencadeadas por uma religiosidade que enfatiza o espiritual mas não leva a sério a vida no corpo dos cristãos. As noções soam parecidas com filosofia grega e também com os movimentos gnósticos. Com base na fé vétero-testamentária em um criador do universo, Paulo trava uma batalha ferrenha contra esses opositores.

Isso acontece de maneira especial também no capítulo 15. A ressurreição dos mortos não era diretamente negada em Corinto, pois isso teria causado dificuldades de raciocínio. O que caracterizava esses coríntios, é que se satisfaziam com a renovação do seu espírito. Não davam importância à ressurreição do corpo. Com base na ressurreição corporal de Jesus Cristo, Paulo enfrenta essa posição herética. Ele está profundamente convicto do fato de que a ressurreição por meio de Jesus vai assumir formas corporais. Ele crê que a vida cristã só tem sentido se estiver baseada nesse pressuposto.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Os culpados e as certezas


Como um delinquente bêbado, pouco mais da metade da população decidiu continuar acelerando inconsequentemente na mesma curva que seus vizinhos capotaram. Capotará também, porém, levando consigo a outra metade da população que o acompanha sentada à sua direita, no banco do carona.

Devemos ter pena dessa outra metade? Devemos vê-la como inocente? *Não.* Apesar de sua lucidez e honestidade, ela sempre foi passiva, tanto que virou cúmplice de sua própria tragédia. Foi covarde. Teve medo de impor limites àqueles que pediram e depois assumiram o volante.
Os culpados pela reeleição de Dilma:

Fernando Henrique Cardoso, por sua tolerância com as sabotagens, ofensas e calúnias que sofreu durante seu governo, o que soou aos ouvidos do PT como uma permissão para continuar com aquela estratégia de se chegar ao poder.

Qual foi sua atitude diante dos falsos dossiês sobre sua vida? Nenhuma.
Qual foi sua atitude com aqueles que invadiram, depredaram e saquearam (com apoio de Lula) a fazenda de sua família? Nenhuma.

Fernando Henrique Cardoso não foi homem nem para defender sua mulher (que dedicou sua vida a projetos sociais) das calúnias que sofreu.
Nas três eleições seguintes, José Serra e Geraldo Alckmin concorreram à presidência sem bater no PT, afundado em casos de corrupção e permitindo que Lula e Dilma pejorassem (depreciassem) as privatizações de FHC.

Nesses 12 anos de governo petista, o PSDB não apenas fez uma oposição frouxa, mas assistiu passivo o PT promovendo uma massiva campanha de desconstrução do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Enquanto os tucanos tentavam conquistar votos exibindo a beleza de suas penas, a imprensa e a Justiça também se continham diante dos desvios e afrontas da esquerda liderada pelo PT.

Temendo serem vistos como a continuidade da postura antidemocrática do regime militar, a maior parte dos jornalistas, dos meios de comunicação, dos promotores e dos juízes deram espaço e liberdade para o movimento socialista divulgar suas ideias, por mais absurdas que fossem, e Lula construiu carreira pregando a espoliação do capital e da propriedade privada.

Viram, passivos, o PT sendo preenchido por aqueles que defendiam o alinhamento do Brasil com todos os líderes da extrema esquerda latino-americana.

Ignoraram o Foro de São Paulo.

Assistiram o PT acolhendo e projetando politicamente ex-guerrilheiros e comunistas declarados. Livraram muitas e muitas vezes o PT e sua militância do peso da lei para evitar serem taxados de repressores.
Obviamente, artistas e intelectuais também passaram a endossar todas as ações de Lula e do PT por vê-los como um poema revolucionário que levaria progresso ao país.

Sustentando esta tolerância irresponsável estavam pequenos empresários, profissionais autônomos e assalariados comuns que tentavam construir suas vidas por si mesmos, por meio de seus esforços e talentos.
Mesmo sentindo a faca estatal lhe cutucando o pescoço com cada vez mais força por meio de impostos e burocracias, mantiveram-se indiferentes aos absurdos do governo por... não gostar de se manifestar sobre essas coisas de política; covardia que permitiu aos cretinos e canalhas ditarem o caminho que o Brasil seguiria.

Aqui estamos, assistindo uma ex-guerrilheira comunista sendo reeleita Presidente da República, ovacionada por uma militância que prefere ostentar bandeiras do PT em vez de bandeiras do Brasil.

Aécio Neves e seus eleitores foram bravos, porém, tardios. Levantaram-se apenas quando o PT já estava com a maior parte da máquina estatal trabalhando para si. Depois de tantos anos sendo complacentes com as boas intenções e com os métodos petistas, agora sentem o amarguíssimo gosto de se verem condenados a serem meros financiadores de um projeto ideológico.

Gabeira, Gullar e outros intelectuais demoraram demais para se posicionar contra os absurdos do PT.

Como símbolo da covardia da metade não corrompida do Brasil, aponto Joaquim Barbosa. Mesmo sendo reconhecido pela população como um herói por seu posicionamento no processo do Mensalão, retirou-se covardemente de cena logo quando a sociedade mais precisava dele. Foi ameaçado e caluniado de todas as maneiras pelo PT, mesmo assim se manteve distante do processo eleitoral. Teriam bastado duas ou três manifestações públicas dele em apoio ao candidato do PSDB para Dilma perder muitos votos. Mas não... Joaquim Barbosa não quis se meter na política. Prezou sua imagem. Foi covarde.

Infelizmente, foram em vão os esforços e a coragem das poucas pessoas que nestes anos todos denunciaram os absurdos do PT.

A certeza que tenho é que a metade não corrompida da sociedade voltará à sua covarde e histórica reclusão enquanto o PT acelerará a concretização de seu projeto de poder; e ninguém poderá acusá-lo de ter nos enganado.

Todos os seus objetivos sempre foram muito claros. Suas ações, seus pronunciamentos, suas alianças... Nada foi escondido.

Dilma Rousseff deixou bem claro que não mudará a condução da economia, que não enxugará a máquina pública, que não tirará nenhum companheiro das estatais, que não deixará de financiar projetos em Cuba e na Venezuela. O Brasil vai quebrar, pois o PT precisa que quebre.

Quanto pior for a situação do país, Dilma terá mais justificativas para intervir na economia, na justiça, na imprensa e na liberdade das pessoas.
O PT quer tirar o poder político e econômico da classe média para torná-la dependente do Estado.

Os ricos que não forem embora se aliarão ao partido. Anotem:

1. Dilma forçará sua reforma política para transferir poder do Legislativo para o Executivo e para os movimentos sociais ligados ao PT;

2. Perseguirá, sem pudor, toda a Justiça e imprensa não alinhadas ao PT, anulando os processos que estão em curso, blindando Lula de toda e qualquer acusação;

3. Remodelará a Constituição de modo que preserve o PT no poder;

4. Colocará sua militância na rua para intimidar qualquer manifestação da sociedade independente;

5. Efetivará as diretrizes do Foro de São Paulo, institucionalizando um bloco socialista de ajuda mútua entre Cuba, Venezuela, Bolívia e Argentina.

Adorarei reconhecer, daqui a uns anos, que minhas projeções estão erradas mas, hoje, não me é possível enxergar como processos distintos o que acontece aqui e o que aconteceu na Venezuela, onde a maior parte das pessoas que agora vão às ruas protestar contra o governo foram às ruas apoiá-lo anos atrás. Arrependeram-se tarde demais.

Arrependeram-se não como um delinquente depois da capotagem.
Arrependeram-se como um carona que permitiu ser conduzido por um bêbado irresponsável.

Agora, lá estão os venezuelanos, presos a uma maca e sobrevivendo de soro.

Logo, o Brasil será um "país de arrependidos."









Por João Cesar de Melo

Alma coletiva


Em seu discurso de posse, a presidente disse: “Encarno outra alma coletiva que amplia ainda mais a minha responsabilidade e minha esperança”. Confesso que me passou batido o uso da expressão “alma coletiva”, amplamente utilizada pelo nacional socialismo, pelos nazistas, pelos caudilhos, pelo totalitarismo, inclusive religioso. Justo a mim, que venho farejando há tempos o cheiro da tentativa descarada de implantação de um regime comunista ao estilo de Gramsi. Não que me surpreenda esta manifestação da Presidente, que encabeça um regime cujo autoritarismo não tem precedentes na história democrática deste país.

Imagino que o Ministro do Planejamento já tenha se dado conta de onde foi amarrar seu burro. Bastou dizer, sem autorização previa da chefa, que iria mexer no cálculo do salário mínimo para receber tremenda bronca que se transformou no primeiro pito oficial do segundo mandato.

Por essas e outras que continuo tendo grande dificuldade de entender os pronunciamentos da Presidente. No mesmo momento em que afirma que vai dar autonomia para sua nova equipe econômica, cai de pau sobre a “indisciplina” do seu colaborador; no mesmo momento em que fala em alma coletiva defende valores intrínsecos das sociedades livres, abertas e pluralistas, como liberdade de imprensa, etc. Estes paradoxos fazem com que os seus textos sejam praticamente ininteligíveis, pelo menos para cidadãos com QI normal como eu, que não conseguem detectar neles um pensamento inteiro, linear, com princípio, meio e fim e muito menos decifrar qual seja exatamente o seu pensamento. A presidente fala em código. Decifra-lo seria útil para temos alguma ideia de para onde caminha a nossa nação.

Interessados na história da Segunda Guerra Mundial lembrarão o quão importante foi quebrar o código Enigma dos alemães, episódio que se transformou num dos mais relevantes do conflito já que, a partir desse feito, os nazistas não puderam mais surpreender as forças aliada que os combatiam.

No nosso caso, seria bastante positivo se os criptologos conseguissem decifrar o “Código Dilma” para que pudéssemos nos defender dos inimigos da democracia que nos atacam há 12 anos e do seu escalão precursor que raspa o tacho do nosso dinheiro, que dizem ser “publico”.

A quebra do “Código Dilma” seria urgente para o Ministro Joaquim “mãos de tesoura” Levy, que está apenas começando seu trabalho e parece já ter avançado o sinal ao falar em ajustes que passam por corte de despesas, aumento de impostos e, vejam só, o fim do estado patrimonialista que com tanta criatividade, empenho e desfaçatez o PT conseguiu instalar “para durar para sempre”, segundo dizem eles. Joaquim Levy não se deu conta de que no “Código Dilma” a diretriz é fazer omelete sem quebrar ovos. Nunca vi ajustes econômicos e financeiros sem dor. Lembro-me como se fosse hoje da primeira reunião que fiz com o “staff” da Standard Ogilvy & Mather, agência semi falida que eu acabava de assumir. Meu discurso foi curto e grosso: “Hoje vou demitir 50% da nossa equipe. Sabem por quê? Para proteger o emprego dos 50% que ficarão”.

Passados dois anos de aperto, a agência se recuperou e veio a se transformar na melhor e maior do país. Se não fosse a coragem de cortar fundo e enfrentar a amargura que esses episódios sempre acarretam, a agência não estaria atuando até hoje com grande sucesso: teria fechado.

Espero que o nosso tão bem-vindo “mãos de tesoura” consiga fazer o que é obviamente necessário para recolocar o pais na rota do crescimento sustentável. Temo, porém, que quando lhe cair à ficha do grau de liberdade que terá na condução das finanças públicas, se transforme em Joaquim “mãos atadas” Levy, que suas boas intenções de arrumar a casa desabem ladeira abaixo e que ele peça as contas antes de naufragar com a nau petralha, ele que de pirata não tem nada, nem cara.

Afinal, prometer ajustes sem dor, sem mexer nas “conquistas já conquistadas” é utopia só imaginável pelas cabeças coroadas da demagogia de plantão. Tal feito não tem precedentes na história da humanidade e não consta do Guiness Book of Records edição de 2015. Se Dilma conseguir, certamente será destacada como recordista mundial na edição de 2016, o ano das Olimpíadas no Rio.

Até lá, vamos ter que conviver com a “alma coletiva” que levou o Brasil para o buraco e para a estagflação, dilapidou nosso patrimônio (a Petrobras é um bom exemplo) e corroeu nossas esperanças. Por mais quatro anos. Pelo menos.





Por Flavio (Flaveco) Corrêa

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A teologia do estado no Novo Testamento – Romanos 13 e a “submissão” aos governos


Aqui, neste link, ( http://jornalevangelhoecidadania.blogspot.com.br/2015/01/a-teologia-do-estado-no-novo-testamento.html ) foi examinada a natureza do estado nos Evangelhos, com especial atenção às tentações de Cristo e à famosa passagem do "Dai a César". Nesta parte final, o objeto da análise será Romanos 13. Ao final, uma aplicação possível será proposta.

Os ensinamentos de Paulo sobre o Estado

Ao passo que os Evangelhos pressionam o leitor a desenvolver por conta própria uma teologia completa e meticulosa sobre como os cristãos deveriam interagir com o estado, as epístolas de Pedro e Paulo tratam dessas questões de forma mais aprofundada.

Romanos 13:1-7 é a exposição mais explícita no que diz respeito ao governo civil. Outras escrituras importantes incluem Tito 3:1-3, 1 Timóteo 2:1-3 e 1 Pedro 2:11-17. Contudo, em nome da brevidade, somente Romanos 13 será examinada em detalhe. A seguinte análise beneficiou-se grandemente da obra do Dr. John Cobin, especificamente dos livros Bible and Government (tradução livre: "Bíblia e Governo") e Christian Theology of Public Policy (tradução livre: "A Teologia Cristã da Política Pública"), os quais, na opinião deste autor, oferecem a melhor e mais completa tentativa de integrar essa passagem (Romanos 13) a uma compreensão consistente da teologia da política pública.

Paulo era um cidadão romano de nascimento, e chegou até mesmo a usar sua cidadania a seu favor em uma ocasião em Atos 22 e 23. Ainda assim, ele era o "hebreu dos hebreus" e um fariseu no que tange à lei de Deus (Filipenses 3:5). Por isso, era de se esperar que ele, como os fariseus nos Evangelhos, fosse um tanto rancoroso com relação aos romanos por causa de seu domínio sobre as terras de Israel. No entanto, em Romanos 13, Paulo parece ser bastante positivo em relação ao domínio romano. Uma leitura "desatenta" do texto pode levar uma pessoa a acreditar que o estado é uma força muito positiva na sociedade e talvez mesmo uma instituição divinamente ordenada, da mesma forma que a família e a igreja o são.

Todavia, não creio que esse tipo de interpretação seja justificável. Exortações apostólicas com relação ao governo civil não podem ser facilmente conciliadas com uma leitura direta dos textos do Novo Testamento. Caso contrário, a conclusão seria a de que os apóstolos ou estavam errados — falando dentro de um contexto cultural irrelevante — ou eram simplesmente loucos. Quando se considera o verdadeiro contexto histórico de Romanos 13 — em vez de fazer apenas uma leitura descontextualizada das escrituras —, uma leitura totalmente diferente emerge.

Para ilustrar esse ponto, como seria a interpretação caso os termos "autoridades governamentais", "governantes" e os pronomes pessoais fossem substituídos pelos nomes do imperador e dos reis daquele tempo, a saber, Nero, Herodes e Agrippa? O texto diria o seguinte:

Todos devem sujeitar-se a Nero e Herodes, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra Nero e Herodes está se opondo contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois Nero e Herodes não devem ser temidos, a não ser por aqueles que praticam o mal.

Você quer viver livre do medo de Nero e Herodes? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois são de Deus para o seu bem. Mas, se você praticar o mal, tenha medo, pois eles não portam a espada sem motivo. São servos de Deus, agentes da justiça para punir quem pratica o mal.

Portanto, é necessário que sejamos submissos a Nero e Herodes, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois eles estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um deles o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra. (Romanos 13:1-7)


Como os cristãos atuais interpretariam esse trecho sabendo que Nero estava no poder nos tempos dos escritos de Paulo? Como lidar com o problema de que Nero matou boas pessoas — a saber, cristãos — e, ao mesmo tempo, tal passagem claramente diz que o governo civil recompensa e protege aqueles que fazem o bem? Claramente, o problema de interpretação não pode ser resolvido recorrendo a uma máxima tão simplista quanto "faça o que o governo ordena". Tanto o Velho quanto o Novo Testamento manifestam que isso não é certo ou verdadeiro em várias ocasiões. Alguns exemplos incluem:

Hebreus desafiando os decretos do Faraó ordenando o assassinato dos recém-nascidos (Êxodo 1)

Rahab mentindo para o Rei de Jericó sobre os espiões hebreus (Josué 2)

Ehud enganando os ministros do rei e assassinando o próprio rei (Juízes 3)

Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego recusando-se a cumprir os decretos do rei, e sendo miraculosamente salvos duas vezes (Daniel 3 e 6)

Os Reis Magos do Oriente desobedecendo às ordens diretas de Herodes (Mateus 2)

Pedro e João escolhendo obedecer a Deus em vez dos homens (Atos 5)


O texto de Romanos 13 pode ser mais bem compreendido ao se entender o contexto histórico e a razão evidenciada por meio das escrituras e da experiência, em vez de se fazer uma interpretação "crua" como a maioria dos cristãos costuma fazer.

1 Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.

O verso 1 diz que as autoridades governamentais são instituídas por Deus. A mensagem principal de Paulo aos cristãos, todavia, não é que os governos/estados são especialmente instituídos da mesma forma que o são a família e a igreja, mas sim que o estado não está operando fora dos planos de Deus. Nesse sentido, o estado é divinamente instituído da mesma foram que Satã é divinamente instituído. Deus não é surpreendido quando os estados agem da forma como agem. Como notado, especificamente nos Evangelhos, o estado é entendido, no decorrer de todos os livros, como sendo intimamente ligado a Satã e a seu reino, e patentemente oposto ao Reino de Deus. O status do estado dentro do plano final de Deus não legitima o mal que ele comete.

Uma submissão ao governo civil, portanto, é permitida. A ordem é obedecer em termos gerais; mas em ocasiões iremos desobedecer a algumas políticas públicas por causa de nossas convicções pessoais e religiosas. Os cristãos devem obedecer à maioria das políticas sempre e quando diretamente solicitados a fazê-lo, mas não devem prometer uma submissão ativa a toda e qualquer política pública. A submissão pode ser feita sempre que for conveniente, vantajosa e prática com relação aos homens, e glorificante perante Deus.

O doutor John Cobin explica que, "qualquer pecado de desobediência surge somente quando uma ação não é prudente, envolve má administração, requer a negação dos deveres familiares ou prejudica o principal propósito do cristão em sua vida". (Christian Theology of Public Policy, 120).

2 Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se opondo ao que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. 3 Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser por aqueles que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. 4 Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas, se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal.

Os versos 2-4 indicam que, se você lutar contra o estado, você despertará a sua ira, mas se você se comportar da maneira como o estado desejar, você será protegido. Em muitos pontos, o que o estado define como bom e mau pode ser diametralmente opostos ao que Deus define como bom e mau. Mas o que Paulo está falando aos cristãos de Roma é que, se você fizer algo que o governo romano define como mau, então provavelmente você será punido.

Não podemos abstrair esse verso do seu contexto cultural e torná-lo um requisito absoluto para todas as culturas, em qualquer época da história. Fazê-lo significaria tornar os cristãos submissos a políticas públicas ruins. Não existe uma razão convincente para pensar que Paulo estava deliberadamente escrevendo a respeito de outros governantes senão aqueles do Império Romano.

Paulo sabia muito bem do poder de Nero e do potencial estrago que ele poderia causar aos cristãos de Roma — Paulo o chama de "a espada" —, de modo que ele não quer que os cristãos sejam perseguidos por qualquer outra coisa que não seja o nome de Cristo e o que Ele defende. Paulo, no entanto, recorda aos cristãos romanos que até mesmo o temível poder do estado não está acima do poder de Deus. Sua mensagem a eles é a mesma de Romanos 8:28, que diz que "Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados de acordo com o Seu propósito". O estado pode, com efeito, ser um meio de santificação para a igreja do Senhor.

5 Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. 6 É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. 7 Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra.

Os versos 5-7 expandem as razões para submeter-se e inclui razões práticas pelas quais os cristãos romanos deveriam responder à mensagem de Paulo. Cobin diz, "a razão pela qual devemos nos submeter ao governo é para evitar a violência ou a preocupação de ser agredido pela autoridade estatal. Deus não deseja que nos misturemos com as questões desse mundo a ponto de que tal envolvimento nos desvie da nossa missão principal". (Christian Theology of Public Policy, 125).

A palavra "consciência" no verso deveria ser interpretada de forma similar a 1 Coríntios 10 (que trata de sacrifícios de alimentos a ídolos). Os cristãos estavam preocupados com a possibilidade de o estado romano encontrar alguma razão legal para persegui-los. Não se pode utilizar esse verso em um sentido absoluto para dizer que os cristãos nunca poderão participar de um movimento para remover uma autoridade do poder, tal como, por exemplo, a Revolução Americana. Paulo também encoraja os cristãos "a vencer o mal com o bem" como entendido em Romanos 12:21 (isso inclui uma autoridade maligna), e trabalhar para ser livres sempre que possível (1 Coríntios 7:20-23)

Paulo também aconselha submeter-se a pagar tributos pela mesma razão: evitar a fúria do estado e assim poder viver para Deus. O indivíduo não gosta de pagar tributos, mas, para não ser perseguido pelo estado, paga. Da mesma forma "paga a quem for o que lhe for de direito" é ordenado pelo mesmo propósito, especialmente considerando o tumulto político daquele tempo.

Mas isso significa que uma pessoa peca se cometer um erro na declaração do IR? Paulo provavelmente diria que não. Os tributos modernos são muito diferentes dos romanos. Na verdade, a palavra grega para "impostos" no verso 7 é mais próxima de "tributo", mais especificamente o imposto de capitação (ou "por cabeça") do censo distrital romano. Os romanos enviavam soldados de cada em casa, contavam os moradores, calculavam o tributo e demandavam pagamento imediato. Se o cristão não consentisse, então ele, sua família, e possivelmente mesmo seus companheiros crentes enfrentariam sérios problemas.

Paulo pediu que não houvesse resistência contra esses homens quando fizessem isso; que os impostos simplesmente fossem pagos. Recusar-se a pagar faria apenas com que os cristãos fossem identificados como parte dos rebeldes e dos trapaceiros daquele dia, e daria aos Romanos razões para perseguir os cristãos em Roma e talvez em todo o Império. Paulo queria que os cristãos romanos evitassem chamar a atenção e se tornassem alvos governamentais.

Como princípio geral, os cristãos modernos deveriam fazer o mesmo quando há uma ameaça imediata da coerção estatal, seja na forma de tributos ou de qualquer outra intimidação. Contudo, os tributos modernos não têm sempre essa característica; tributos e tarifas não são formas culturalmente transcendentes de pagamentos ao estado. Por isso, uma pessoa não está pecando se cometer um erro em sua declaração do IR. Cobin vai ainda mais longe e diz que alguns tributos podem ser completamente desconsiderados sem culpa. (Christian Theology of Public Policy, 129).

Romanos 13 não é uma declaração abstrata e universal que demanda submissão a todos os tipos de leis estatais, em todos os lugares, em todas as circunstâncias, em todos os momentos. Tampouco é uma prescrição para qual forma particular de governo é sancionada por Deus ou sobre como os estados deveriam agir. O contexto e o fraseado histórico requerem mais cuidados daqueles que se propõe a discursar sobre como deve ser a submissão de um cristão ao estado.

A obediência cristã ao governo tem como objetivo a vivência pacífica e a manutenção da honra do nome de Deus. Cristãos não são obrigados a seguir todos os tipos de políticas públicas. No que mais, cristãos não devem seguir alguma lei que vá contra a lei de Deus. Se os cristãos forem perseguidos, que isso ocorra em nome de Cristo e daquilo que ele representa, e não pela recusa a seguir alguma lei quando ela acarreta ameaça direta de ação estatal.

Conclusão

Desenvolver uma teologia do estado baseando-se em uma análise do Novo Testamente é compreensivelmente difícil. Examinando os evangelhos, vemos que o Estado não é relacionado ao Reino de Deus de nenhuma maneira; com efeito, o estado alia-se a Satã em direta oposição a Deus.

A passagem na qual Jesus diz "dê a César" não legitima o estado e não forma a base para a interação cristã com o governo.

Finalmente, uma compreensão completa de Romanos 13, sob o seu devido contexto, nos ajuda a tomar melhores decisões dentro da estrutura governamental na qual nos encontramos.



Por Norman Horn

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Observação:

Alguns acadêmicos não estão convencidos de que Romanos 13 está verdadeiramente falando do governo civil. Mark Nanos argumenta que Paulo na verdade está falando da obrigação dos cristãos — particularmente os cristãos gentios que se associaram às sinagogas judaicas de Roma — de "se subordinarem aos líderes das sinagogas e às "leis de comportamento" tradicionais que haviam sido desenvolvidas nas sinagogas no período da Diáspora, as quais definiam o comportamento apropriado dos "gentios corretos" que procuravam se aproximar dos Judeus e de seu Deus (Nanos, 291)

A teologia do estado no Novo Testamento - O que realmente era o "Dai a César"


Introdução

As questões envolvendo igreja e estado continuam a ser fonte de muitos conflitos entre cristãos, o que resulta em uma grande confusão sobre o que exatamente uma teologia bíblica do estado e das políticas públicas deveria tratar.

A confusão frequentemente induz a respostas inadequadas sobre questões importantes que dizem respeito à relação dos cristãos com o governo, tais como 1) qual tipo de governo um cristão deveria apoiar?, 2) qual política pública deveria ser obedecida?, 3) o que significa a submissão ao governo?

São muitos os cristãos que tentam justificar sua filosofia política citando Romanos 13 ou suas variações. À primeira vista, essa parece ser uma solução aceitável — Paulo aparentemente apoia a submissão ao governo. Mas como reconciliamos essa passagem com o inegável fato de que indivíduos que agiram dentro das estruturas coercivas dos estados foram os culpados pelas maiores ações criminosas e violentas na história da humanidade?

Na Alemanha, durante as décadas de 1930 e 1940, por exemplo, teólogos utilizaram Romanos 13 para encorajar a submissão ao regime nazista, especialmente por ele ter sido democraticamente eleito. Recentemente, um membro do parlamento do Zimbábue declarou que o corrupto ditador-presidente Robert Mugabe foi enviado por Deus e que, por isso, "não deveria ser desafiado nas próximas eleições".

Obviamente, essas são maneiras inapropriadas de se usar as escrituras. Mas a questão para os cristãos é: como saber as diferenças? Devemos simplesmente concordar com o governo porque a Bíblia assim diz, ou há mais coisas em jogo?

Claramente, a igreja necessita de um arcabouço mais sólido para avaliar a natureza do estado e as consequências das políticas públicas. Proponho começar esse processo com uma análise de algumas passagens do Novo Testamento que parecem abordar a relação dos cristãos com o governo civil. Especificamente, comecemos por aquilo que encontramos nos Evangelhos e em Romanos 13.

Os Evangelhos e o estado

Para desenvolver uma teologia bíblica sobre o governo, o primeiro passo deveria ser o exame dos ensinamentos de Jesus. Quais são as palavras e as atitudes de Jesus que nos ajudam a entender quais deveriam ser nossa reação ao governo?

Frequentemente, aqueles que desejam derivar dos Evangelhos princípios bíblicos sobre o governo recorrem às famosas passagens do "Dai a Cesar", um evento registrado em todos os Evangelhos Sinópticos (Mateus 22:15-22, Marcos 12:13-17, Lucas 20:20-26).

Mas seriam esses os únicos textos dos Evangelhos que merecem ser abordados no que diz respeito ao governo civil? Em minha opinião, não. Também é possível obter informações importantes sobre a natureza do estado por meio das tentações de Jesus e uma breve comparação entre o Reino do Homem e o Reino de Deus.

Comecemos com uma análise das passagens do "Dai a César", examinando primeiro o texto de Mateus 22:15-22:

Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras.

Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: "Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens. Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não?"

Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: "Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova? Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto".

Eles lhe mostraram um denário, e ele lhes perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição?"

"De César", responderam eles.

E ele lhes disse: "Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".Ao ouvirem isso, eles ficaram admirados; e, deixando-o, retiraram-se.


Em Mateus, os fariseus enviaram alguns dos seus discípulos ao templo junto aos herodianos até Jesus com o intuito de "enredá-lo em suas próprias palavras" no templo. O Evangelho de Marcos diz que eles enviaram alguns dos fariseus e herodianos até Jesus, provavelmente os sumos sacerdotes, mestres da lei, e anciãos mencionadas em Marcos 11:27. Estranhamente, Lucas identifica os questionadores como "espiões" enviados pelos sacerdotes, mestres e anciãos. A identidade desses interrogadores não é trivial. Com efeito, existiam diferenças filosóficas marcantes entre fariseus e herodianos. Os herodianos apoiavam o poder romano, já que por meio dele obtinham benefícios. Os fariseus, por outro lado, eram mais ambivalentes com relação aos romanos; os fariseus geralmente os toleravam desde que eles não se intrometessem nas práticas religiosas judaicas. Contudo, fariseus e herodianos uniram-se por causa de sua oposição conjunta a Jesus.

Em cada Evangelho, a pergunta é introduzida de forma diferente, mas o conteúdo da pergunta em si é sempre o mesmo: "é certo pagar impostos a César ou não?". A pergunta é muito inteligente. Os herodianos defendiam o pagamento de tributos; se Jesus respondesse "não", eles teriam motivos para prendê-lo por rebelião contra César. Por outro lado, de modo geral, os fariseus não gostavam de pagar tributos (embora fossem forçados a fazê-lo), e uma resposta "sim" resultaria em uma perda de apoio popular a Jesus.

Além disso, existe uma sutil expressão jurídica na pergunta: "é certo" ou, em algumas traduções, "é lícito". Em outras palavras, os fariseus estão perguntando: "é consistente com a Torá pagar tributos a César?" Todos os presentes estavam cientes da lei e das palavras de Levítico 25:23. "A terra [de Israel] não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes".

A pergunta agora é mais complexa porque a Torá pode estar em jogo. Dado que César está tentando tomar a terra de Deus, não seria uma desobediência à Torá o pagamento de tributos a César?

Jesus percebeu a malícia da pergunta, é claro, e respondeu de forma astuta. Quando pede aos fariseus que mostrem a moeda, eles involuntariamente apresentam a evidência que expõe sua própria hipocrisia. Jesus lhes pergunta qual imagem e inscrição está na moeda. Eles respondem, provavelmente relutantes: "de César". Mas eles, e todos que ali estavam, perceberam seu erro, pois as inscrições dessas moedas sempre leriam, "Tibério Claudio César Augusto, filho do deificado Augusto, sumo sacerdote".

Os fariseus, dos quais se esperava a defesa da lei de Deus, trouxeram ao templo um item que efetivamente desobedece ao segundo mandamento: não terás nenhuma imagem ou ídolo, mostrando que, em seus corações, desobedecem também ao primeiro mandamento. Eles, não Jesus, são os hipócritas. Eles são os que aderiram ao sistema pagão romano.

Na estimativa do teólogo Thomas Long, a resposta de Jesus significa que "todo mundo tem de decidir entre César e Deus. Nenhum homem pode servir a dois mestres (Mateus 6:24). Você parece ter tomado sua decisão, forjado seu conveniente acordo. Mas e sua obrigação a Deus? Dar a Deus o que pertence a Deus. Escolha hoje a quem você servirá".

Se essa interpretação estiver correta, então não há uma diretriz clara para a resolução das questões igreja x estado. De nenhuma forma as práticas do estado são aqui legitimadas. Ao contrário, Jesus diz que quaisquer esquemas de divisão em vida que criamos devem ser terminados, e desencoraja o nacionalismo ou o jingoísmo como uma prática legítima da Igreja. Podemos até viver sob um estado, mas pertencemos por inteiro a Deus que está acima de todos os estados. Sempre devemos dar a Deus o que é de Deus.

Uma dica interessante sobre a natureza do estado pode ser vista nas tentações de Jesus (Mateus 4:1-11, Lucas4:1-13), pouco exploradas pela maioria dos estudiosos. Em Mateus, a terceira tentação de Cristo são "os reinos do mundo e seu esplendor", os quais Satã promete dar a Jesus caso ele seja subserviente a Satã. Estranhamente, mesmo Satã sendo considerado o "príncipe [regente] desse mundo" (João 12:31, 14:30, 16:11), frequentemente não consideramos de forma sensata o que significa tal oferta. Creio que Satã foi muito sincero em sua proposta: Jesus não considerou isso impossível. Jesus parece entender que os reinos do mundo realmente pertencem ao Satã, e nós não deveríamos pensar diferente. Logicamente, isso significa que os reinos do mundo estão em inimizade com Deus. Com efeito, você consegue encontrar comprovações disso de forma direta e indireta nas escrituras, em diversos textos.

O Antigo Testamento indica claramente que as religiões pagãs, frequentemente encorajadas por Satã por meio de suas feitiçarias e bruxarias, eram intimamente ligadas à liderança política nacional. G.K. Chesterton concorda com essa interpretação e nos mostra evidências da história em seu livro o The Everlasting Man. Herodes compreende que a criança Jesus é uma ameaça ao seu poder, e por isso ordena a morte de centenas, se não milhares de crianças, em uma tentativa de impedir essa insurreição (Mateus 2).

Além disso, o tema da Babilônia como um estado maligno sobre a influência de Satã permeia o livro do Apocalipse. Em Apocalipse 18:4, por exemplo, Deus exorta Sua Igreja: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas".

Discutir brevemente as diferenças entre o reino dos homens e o Reino de Deus é um exercício ilustrativo. Um dos temas recorrentes nos Evangelhos, especialmente Mateus, é que Jesus é um rei que irá criar o Reino de Deus. Mas Jesus afirma explicitamente que "meu reino não é deste mundo... meu reino não é daqui (João 18:36). As "regras / leis do reino" como explicadas no sermão da montanha são diferentes de qualquer tipo de lei estatal que já existiu.

Além disso, não é função do cristão usar a força bruta para a vinda do Seu reino, mas sim "buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça" (Mateus 6:33). Os reinos do homem são fundados no poder e na violência, mas o Reino de Deus é fundado na humildade (Mateus 18:4), serviço (Mateus 20:26) e amor (João 13:35). Enquanto não podemos nos desvincular totalmente dos governos desse mundo, somos lembrados, mais uma vez, que "nossa cidadania, porém, está nos céus" (Filipenses 3:20).

Em suma, os ensinamentos práticos de Jesus sobre o governo civil são virtualmente inexistentes, mas os evangelhos fazem algumas colocações fortes sobre a natureza do estado que podem nos surpreender. O estado parece ter uma forte conexão com Satã e seu reino, e é antitético ao Reino de Deus, o qual condena o uso do poder para o ganho pessoal.




Por Norman Horn