quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Campanha de 2018 já começou no PT


Lulopetismo articula “frente de esquerda" para dar sustentação à campanha pela volta de Lula em 2018 e exercer pressão sobre o próprio governo Dilma

A política é movida por leis próprias, uma delas, a da “expectativa de poder”. No Brasil, país ainda de estrutura partidária frágil, ela patrocina alianças paradoxais entre forças políticas nos planos nacional e regionais. O inimigo no pleito presidencial pode ser o aliado na disputa regional e vice-versa. Tudo em função também da expectativa de vitória dos candidatos.

O segundo e último mandato da petista Dilma Rousseff, por exemplo, mobiliza desde já o lulopetismo para permitir a sonhada volta de Lula ao Planalto em 2018, como já antecipado ainda em 2013 pelo então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, em um dos seus “sinceridícios”.

O projeto, porém, já era óbvio. Não precisava de inconfidências de assessores e amigos do líder petista para se saber da sua existência. Mas o projeto entra numa fase que pode interferir no próprio governo da ex-auxiliar de Lula.

O primeiro movimento mais amplo do “Lula 2018” ocorreu no final de dezembro, com uma reunião em São Paulo, na Faculdade de Direito da USP, no tradicional Largo de São Francisco, de cerca de 40 líderes de movimentos ditos sociais, sindicatos e representantes do PT, PCdoB e partidos mais à esquerda, PSOL e PSTU. Entre os movimentos, o MST, o dos sem-teto de São Paulo (MTST), dos atingidos por barragens, entre outros, segundo o jornal “O Estado de S.Paulo".

A pretensão é lançar uma “frente de esquerda” cuja meta, para daqui a quatro anos, é recolocar Lula de volta no Planalto e, até lá, pressionar Dilma para que não sucumba ao “neoliberalismo” ao qual o PT, o próprio Lula e Dilma tiveram de recorrer a fim de reestabilizar a economia — tirada do prumo pelo próprio governo petista, por ironia. Servem ainda de justificativa para a tal frente as “ameaças golpistas” de grupos irrisórios e sem apoio na sociedade que empunham cartazes pelo impeachment de Dilma e a volta dos militares. Simples pretexto.

O metamorfósico lulopetismo, como seu líder, também vê no esquerdismo uma forma de se diferenciar de Dilma, caso o governo dela seja muito turbulento e fracasse. Poderá descolar-se e prometer a volta aos bons tempos do período Lula. Mesmo que se isso seja ilusório, porque não haverá um boom mundial, como o que acompanhou a maior parte dos mandatos de Lula, para empurrar o Brasil. Na realidade, ou se faz o ajuste necessário para o país se recuperar mais à frente, ou o Brasil continuará andando de lado e resvalará para a irrelevância global.

Dilma, por sua vez, precisará ter equilíbrio nas concessões que é forçada a fazer à esquerda do PT e aliados. Uma delas deverá ser a manutenção da diplomacia companheira, já uma concessão feita em 2003, em troca da política de ajuste de Palocci e Henrique Meirelles. O cenário atual é o mesmo, mudam apenas os nomes. Por tudo isso, a presidente Dilma deve esperar cerrado fogo amigo. A prioridade do lulopetismo e aliados é 2018.




Fonte: Editorial O Globo - 07/01/2015 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Compromisso com a mediocridade


Quando a presidente reeleita Dilma Rousseff anunciou o executivo da área financeira Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a direita reagiu com espanto e a esquerda, com raiva. No entanto, ela apenas seguiu o figurino de seu primeiro governo, inspirado em seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. No caso específico, ela foi buscar o profissional para decepar os nós da economia a serem enfrentados no segundo governo em dois lugares confiáveis: o segundo escalão da assessoria do adversário tucano, Aécio Neves, e a indicação do banqueiro amigo Lázaro de Mello Brandão, chefe do segundo maior banco privado do País e velho aliado.

O chamado mercado ficou perplexo porque não contava com a astúcia de nossa figura “chapolinesca”. Por falta de desconfiômetro e de sagacidade, os magnatas do negócio financeiro contavam com mais uma figurinha acadêmica carimbada do PT, nos moldes de Guido Mantega, o descartado, ou Aloizio Mercadante Oliva, a bola da vez na sinuca de madame. Ledo e “ivo” engano, dir-se-ia antigamente. Este escriba, precavido, não se surpreendeu por dois motivos: primeiramente, por ter aprendido a entender os atos da alta cúpula petralha no poder, sempre opostos à retórica da propaganda com a qual engana o eleitorado; e, em segundo lugar, por se lembrar de, em palestra no Conselho de Economia da Fiesp, o respeitado macroeconomista Octavio de Barros, vice-presidente do Bradesco, ter feito em priscas eras apaixonadíssimo discurso de louvação à gestão econômica do nosso padim Ciço do Agreste.

Surpreenderam-se os desatentos que não prestaram atenção nesses aparentes detalhes, que, na verdade, são essenciais. O filmete dos banqueiros tomando a comida do trabalhador para associar Neca Setubal, do Itaú, com a adversária Marina Silva era apenas uma patranha de marqueteiro. Como Napoleão espalhou a sábia lição de que “do traidor só se aproveita a traição”, aviso dado antes de mandar fuzilar o alcaguete que lhe delatou as posições das tropas inimigas, Dilma sabe que se ganha o voto com a mentira do marketing político, mas se governa com quem conhece o caminho real das pedras. Pois então: avisou que ia convidar o presidente do banco amigo, Luiz Trabuco, e recebeu-o na companhia de seu Brandão, que vetou a solução, mas apresentou uma saída razoável na pessoa de Levy, ex-luminar da gestão lulista. O discurso do banqueiro rapace serve para levar os votos dos tolos. A boa gestão recomenda o uso da frieza dos dedos de tesoura disponíveis – a velha fábula de ganhar com a esquerda e guiar com a direita. Até porque, se não der certo, é só trocar. Não faltarão nomes no colete de seu Brandão.

Os futuros ministros do segundo governo que vêm sendo indicados também não foram inspirados nos discursos do palanque eletrônico, mas nas lições do mestre Maquiavel de Caetés. Que importa se a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, assumiu a defesa sub-reptícia de uma “ordem medieval do trabalho” (apud Miriam Leitão) ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a implementação de normas explícitas a serem obedecidas pelos proprietários rurais, acusando-as de “preconceito ideológico contra o capitalismo”? A futura ministra é uma direitista do peito, amarrada à chefe por laços de afeto e admiração mútuos, assim como a Graciosa da Petrobrás.

Antes de nomear os novos ministros, a presidente tentou transferir parte de sua responsabilidade para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo acesso à delação premiada de Paulinho do Lula e de Beto Youssef para evitar nomear receptadores de propinas da roubalheira da Petrobrás. O ex-relator do mensalão, Joaquim Barbosa, chamou a iniciativa de “degradação institucional”. O loquaz ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confessou o absurdo, em vez de dar uma de João sem braço. Ficou claro que na nomeação de seu primeiro escalão a chefe do governo leva em conta apenas as notícias do dia, em vez de compulsar os prontuários de seus futuros auxiliares. O líder da minúscula bancada governista do PRB na Câmara, George Hilton, vai tomar conta do Ministério do Esporte durante a Olimpíada no Rio, mesmo já tendo sido flagrado pela polícia carregando R$ 600 mil em pacotes de dinheiro vivo num avião privado. Kátia Abreu, Eduardo Braga e Hélder Barbalho são réus na Justiça. Aldo Rebelo tem ficha limpa, mas isso não basta para, com as palavras de ordem pré-históricas do PCdoB, comandar a pasta de Ciência e Tecnologia. Deus nos acuda.

Cid Gomes foi escolhido para o Ministério da Educação, apesar de ter sido acusado de pagar com dinheiro público o aluguel de um avião particular para viajar com a família (a sogra inclusive) para a Europa. E de ter conquistado com mérito a fama de Mecenas do semiárido por pagar cachês altíssimos a cantores como Ivete Sangalo e Plácido Domingo. Não o recomenda ao cargo a acusação de ter reagido a uma manifestação de professores afirmando: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, não por salário. Se quer ganhar dinheiro, deixa o ensino público e vai pro privado”. Sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), traindo Eduardo Campos para ficar com a presidente, que obteve votação espetacular no Ceará, o recomendou para o cargo muito mais do que o trabalho pioneiro de seu secretário adjunto de Educação, Maurício Holanda Maia, mais adequado para o cargo.

A reunião de bons burgueses com antigos delinquentes e derrotados nas urnas e o “museu de novidades” (apud Josias de Souza) não bastarão, contudo, para definir com justiça a Esplanada dos Ministérios sob Dilma 2. Sua principal característica genérica é a mediocridade ampla, geral e irrestrita. A mediocridade tirânica, que não se basta, que tudo faz para se impor e governar, é a marca do governo que nos espera e do destino que nos fará engolir.





Por José Nêumanne Pinto

Eis uma grande iniciativa: o Conclave pela Democracia


Cliquem nesse link para saber mais sobre o Conclave pela Democracia, evento a ocorrer no National Press Club em Washington, DC, em Março de 2015. Precisamos, mais do que nunca, congregar esforços em prol da manutenção da democracia, por uma perspectiva republicana. E, pelo que vemos no link, o objetivo é exatamente esse: reunir líderes da oposição e ativistas políticos da América Latina e denunciar o Foro de São Paulo.

Além da denúncia sobre as urnas eletrônicas, espero que eles foquem suficientemente nas demais questões, mais perigosas, como a censura de mídia, unificação das polícias, uso de coletivos não-eleitos e daí por diante.

Leia mais:

O Conclave para a democracia será um evento no Clube Nacional da Imprensa em Washington DC. Março de 2015.

O objetivo do evento é congregar os líderes da oposição e ativistas políticos da América Latina para denunciar o Foro de São Paulo e a fraude eleitoral no Brasil.

A reunião também vai denunciar a empresa venezuelana SMARTMATIC como o “aparelho” utilizado para subverter a democracia na Venezuela, Nicarágua, Bolívia, El Salvador, Equador e Brasil.

O “Conclave” terá um webcast “AO VIVO” e pessoas da região poderão interagir com os participantes através do Skype em tempo real. No final será realizada uma conferência de imprensa denunciando os paises afectados pelo populismo e regimes autoritários.

Os participantes são: Ex-Primeiro Ministro da Espanha Jose Maria Aznar, Ex-Presidente colombiano Alvaro Uribe, Ex-Presidente mexicano Vicente Fox, Ex-Governador da Florida Jeb Bush, Senador Marco Rubio e os outros!


Em tempo: cliquem no link para fazer doações. Divulguem ao máximo.

Abaixo  Gloria Alvarez falando do problema vivido hoje pela América Latina, o que tem muito a ver com o tema do Conclave.





Por Luciano Henrique

Governo ou Quadrilha?


O que esperar desse governo com um ministério formado por Patrus Ananias no Desenvolvimento Agrário? de Aldo Rebelo no Ministério da Ciência e Tecnologia? de George Hilton no Ministério do Esporte? de Jaques Wagner no Ministério da Defesa? de Cid Gomes no Ministério da Educação? de Helder Barbalho no Ministério da Pesca e Aquicultura? de Aloízio Mercadante Oliva na chefia da Casa Civil da Presidência da República?

Algumas considerações sobre as sumidades:

Patrus Ananias - Ministro do Desenvolvimento Agrário - já declarou em alto e bom tom que questiona a propriedade privada e defende "derrubar a cerca dos latifúndios". Em consequência dessa sua declaração a quadrilha do MST e MTST já fazem a festa. Esse ministro é no mínimo um Irresponsável.

Aldo Rebelo - Ministro da Ciência e Tecnologia - foi autor de um projeto que propunha proibir a adoção de inovações tecnológicas no serviço público com a finalidade de preservar empregos. Cômico se não fosse trágico; o ministro da Tecnologia apresentando projeto contra a tecnologia. Vou plagiar um famoso cômico brasileiro. - "Para o exterior não viajo mais". Tem mais, existe um outro projeto da figura, querendo proibir o uso de palavras com raiz estrangeira. Por exemplo, a festa do Halloween seria comemorada como o dia do Saci-Pererê.

George Hilton - Ministro do Esporte - esse é mais sujo do que pau de galinheiro. Segundo a Folha de São Paulo de 14 de junho de 2005, o mesmo foi flagrado no Aeroporto da Pampulha, transportando 11 malas contendo dinheiro. Alegou para a polícia ser o dinheiro "doação de fiéis". Na época ele era deputado estadual por Minas Gerais e em 2016 na qualidade de ministro da "presidenta" comandará o maior evento esportivo do mundo.

Jaques Wagner - Ministro da Defesa - esse, pouco antes de deixar o cargo de governador da Bahia, sancionou lei que, na prática, beneficia a si próprio, um dia antes de deixar o cargo. A partir de agora, os ex-governadores baianos terão direito a segurança e motorista para o resto da vida. Tem mais, o sindicalista encarregado da defesa do Brasil está empenhado em acumular aposentadorias. O total já atinge R$ 29.000,00 mensais. Dinheiro mais que suficiente para a compra de whisky. Espero que quando estiver bêbado, não mande o Brasil atacar os EUA. Será que os militares brasileiros baterão continência para um bêbado? seria uma desmoralização para as nossas FFAA.

Cid Gomes - Ministro da Educação - Às vésperas do carnaval, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), viajou à Europa. Durante dez dias, ele visitou uma feira de turismo na Espanha, participou de um seminário sobre fruticultura na Alemanha e de outro sobre energia alternativa na Escócia. Seria apenas mais uma viagem oficial, não fosse um daqueles detalhes que os políticos preferem esconder. Cid levou com ele a primeira-dama, Maria Célia, a sogra, Pauline Carol Moura, dois secretários e suas respectivas mulheres. Tudo foi pago com dinheiro público. O Estado gastou R$ 388.500 com o fretamento. Nesse caso, porém, os nomes dos passageiros – inclusive as mulheres dos secretários e a sogra do governador, que não poderiam ter viajado à custa do Estado – teriam de ser publicados no Diário Oficial. Ou não? Eis uma boa lição dada pelo nosso ministro da Educação Tupiniquim.

Helder Barbalho - Ministro da Pesca e Aquicultura - filhinho de Jader Barbalho, um nobre parlamentar, expulso do Senado e cuja mulher era dona de uma ranário financiado pela SUDAM - Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - ao custo de nove milhões de reais, cujo valor nunca foi aplicado no projeto. Ele aprendeu a "pescar" rã e hoje é ministro da dona Dilma.

Aloizio Mercadante Oliva - Chefe da casa Civil da Presidência da República com status de ministro - Um verdadeiro gênio. Por muito tempo foi papagaio de pirata da "presidenta"; é um exímio fabricante de dossiês falsos e falsificador de currículo - o seu é falso. Está realmente onde deveria estar. A casa civil nos últimos doze anos tornou-se o maior antro de corrupção do país.





Por Humberto de Luna Freire Filho

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Cinismo e empulhação


Nada acontece de repente. Tudo é processo. Por isto recordo um fato mal avaliado por analistas políticos e até mesmo desprezado e criticado: as manifestações ocorridas em junho de 2013 em todo Brasil.

Foi algo impressionante e o estopim foi um movimento de poucos jovens inebriados por um esquerdismo mais folclórico do que fundamentado teoricamente. Eles pediam passe livre apesar de andarem de carro. O que daí decorreu nada teve a ver com ônibus de graça, não era liderado por partidos políticos e não possuía característica ideológica. As multidões foram às ruas para manifestar insatisfação com o governo em múltiplos aspectos.

Em seguida, em meio às manifestações pacíficas apareceram os Black Block, horda composta por bandidos, arruaceiros e a garotada que destrói tudo em nome da esquerda, que ataca símbolos do capitalismo como agências de bancos. Aposto que a moçada, como o ditador da Coreia do Norte, adoram ir à Disneylândia ou fazer compras e estudar nos Estados Unidos. Em todo caso, diante da violência plantada estrategicamente as manifestações recuaram. Seria, porém, ingenuidade supor que a insatisfação popular diminuiu.

Outro fato significativo foi a estrondosa vaia e o xingamento que a presidente Rousseff recebeu na abertura da Copa. Um vexame pior do que a vaia sofrida por Lula nos jogos Pan-americanos. Esporadicamente ela continuou sendo vaiada em lugares aonde ia levar suas “bondades” de campanha.

E veio a campanha. A situação econômica péssima com o Brasil quebrado pela senhora presidente, enquanto eclodia o escândalo da Petrobras, mãe de todos os escândalos já havidos no Brasil depois do mensalão. Mesmo assim, João Santana, o Goebells do PT, avisou que Rousseff ganharia de lavada no primeiro turno, pois os anões tenderiam ao canibalismo.

Tal não aconteceu e veio o segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, depois da destruição moral da candidata Marina Silva. Os canhões petistas, então, se voltaram contra Aécio e foi um festival de acusações, de infâmias, de mentiras. Segundo o PT, Aécio acabaria com a bolsa esmola, os direitos trabalhistas, poria no ministério da Fazenda um monstro chamado Armínio Fraga, jogaria o povo na miséria. Nunca antes nesse país houve uma campanha tão sórdida, tão suja, tão abjeta. Desesperado o PT fez o diabo para não perder o bonde do poder.

Rousseff ganhou por pouco. Por pouco Aécio perdeu em Minas. Lula perdeu feio em São Paulo, seu berço político, assim com Rousseff em Porto Alegre e em Brasília. O PT diminui a bancada na Câmara, perdeu governos em Estados importantes.

Há, porém, um fato importante ainda não comentado. De modo inédito em campanhas as pessoas tomaram posição de forma clara e se instalou com firmeza o petismo e o antipetismo. Há uma probabilidade do sentimento antipetista se acentuar diante da inflação crescente, da queda da renda, do desemprego que começa a mostrar suas garras, das contradições do governo Rousseff que já cortou benefícios previdenciários e trabalhistas fazendo o que acusava levianamente seus adversários de fazer caso ganhassem.

Finalmente, depois de muitos adiamentos o ministério foi composto. Não passa de um balcão de negociação de votos no Congresso. Longe do mérito e da competência muitos dos nomeados têm folha corrida e não curriculum. O grosso dos agraciados ignora o que fazer no cargo e terá apenas por missão executar o que sua mestra mandar. No meio da chusma aliada uma exceção com base no mérito: Joaquim Levy, originário do governo Fernando Henrique Cardoso, que será o Armínio Fraga da Dilma. Levy tentará tirar a economia do buraco e, assim, preparar a volta de Lula em 2018 numa situação econômica menos caótica. Este, como sempre empoleirado no palanque já se compõe com uma “frente de esquerda” que lhe dará total apoio. No seu próximo governo, provavelmente, o baderneiro Guilherme Boulos, líder do MTST, será um ministro importante ou comandará os conselhos populares.

E veio a posse. Havia militares e militantes. Estes buscados em vários Estados e trazidos em muitos ônibus. Um sanduíche, um refrigerante e as bandeiras vermelhas se agitaram à passagem da reeleita. O povo praticamente esteve ausente da patuscada.

Menção especial deve ser feita ao discurso de posse que impressionou pelo cinismo e pela empulhação. Uma ficção de mau gosto sobre o paraíso Brasil, obra do PT onde a pobreza acabou e o pleno emprego deixa a todos imersos em felicidade. Uma dádiva que devemos agradecer de joelhos ao criador e a criatura. Falou-se em misteriosos inimigos externos, em combate à corrupção, etc., até que o delírio oratório culminou no slogan: “Brasil, pátria educadora”. Educadora com Cid Gome? Parece piada de salão, como diria o mensaleiro Delúbio Soares. Infelizmente, nunca fomos tão parecidos com uma republiqueta das bananas.






Por Maria Lucia Victor Barbosa

A quadrilha dos pobres


Nada mais velho do que a tentativa de nossa esquerda monopolizar as virtudes e os fins nobres, como se somente ela se preocupasse com os mais pobres e defendesse seus interesses. Na incapacidade de debater focando em argumentos e fatos, de rebater as acusações de seus “malfeitos” no poder, de responder sobre os infindáveis escândalos nos quais se vê envolvida, essa esquerda apela para o velho bordão de que faz tudo em defesa dos pobres e, portanto, goza de um salvo-conduto para o crime.
“Não somos ladrões”, disse o ex-ministro Gilberto Carvalho. É o brado dos corruptos que banalizaram a corrupção. Escândalos milionários quase não ganham mais destaque, uma vez que os bilionários assumiram seus lugares. Desvios que destroem as maiores empresas estatais do país e, no caminho, deixam “comissões” de US$ 100 milhões na Suíça para subalternos. Ladrões? Claro que não. Essa palavra seria suavizar demais, amenizar demais o que significa montar um verdadeiro sistema de corrupção em toda a máquina pública.

E não é “só” isso! Crimes mais bisonhos, como o até hoje inexplicado assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito petista, assombram certas figuras do partido, que alguns preferem chamar de “ajuntamento mafioso”. Ladrão parece uma figura menor, quase insignificante quando se analisa o currículo de alguns membros da alta cúpula do PT. Ladrão nos remete ao sujeito que furtou um objeto de uma loja, não ao mais corrupto governo da história deste país.

Diante de tudo isso, resta apelar para o monopólio da defesa dos pobres. A “quadrilha dos pobres”, eis a única quadrilha a que pertencem. E são atacados pela “elite” pois esta não suportaria a ascensão dos mais pobres. Só há um “detalhe”: ninguém mais é pobre na quadrilha. Todos ficaram ricos, frequentam o hospital privado mais caro do país, circulam de jatinho por todo canto, compram coberturas triplex em locais de luxo, bebem dos melhores vinhos. Pobres são aqueles manipulados pelos corruptos, usados como massa de manobra, como inocentes úteis para seu projeto de poder.

O populismo precisa dos pobres como o poeta necessita da dor. Sem eles, os populistas não conseguem se perpetuar no poder, falando em nome dos pobres, enquanto enchem os bolsos e as contas no exterior de dinheiro sujo, desviado do orçamento público. Para que os populistas transformem a “coisa pública” em “cosa nostra”, faz-se necessária a existência de uma gama de pessoas carentes e ignorantes, desesperadas por esmolas.

O trabalho sujo de forjar um elo artificial entre uns e outros fica a cargo dos “intelectuais”, que se vendem por migalhas ou em busca do ópio para apaziguar sua alienação perante a sociedade “burguesa”, que detestam com todos os músculos de seus corpos. Assim nasce a falácia de que essa esquerda corrupta, carcomida, autoritária e indecente, a tal elite vermelha, luta pelos direitos dos pobres. Nada mais falso.

O pobre é só seu mascote, seu instrumento de “trabalho”, sua argila a ser moldada de forma a permitir o enriquecimento e o acúmulo de poder por parte da quadrilha. A quadrilha dos ricos que exploram os pobres, usando o socialismo, o discurso igualitário, o populismo, a retórica messiânica, como entorpecentes para garantir sua permanência no poder.
Usurpam a esperança dos incautos e abusam de sua estupidez para viverem como os nababos capitalistas que condenam nos discursos hipócritas. Agem como os piores coronéis nordestinos do passado – e do presente. Ladrões? Não são “apenas” ladrões. São muito mais do que isso. São muito piores!





Por Rodrigo Constantino

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Aberto o saco de maldades


O que significa a proposta anunciada pelo novo ministro do Planejamento, de novas regras para o salário mínimo? Com perdão palavra, é trolha que vem por aí. Como sempre, penalizando os pobres e os humildes, no caso, quem consegue sobreviver com 788 reais por mês. Pois vai ficar pior. Segundo Nelson Barbosa, os reajustes do salário mínimo ainda serão superiores à inflação…

Dá para traduzir ajuste fiscal como algo diferente do que aumentar impostos? É o que também se prevê, assim como cortes nas despesas sociais. Jamais, é claro, nos recursos destinados a pagar juros ou a saldar débitos externos.

Num estalar de dedos o país toma conhecimento do que será o segundo mandato de Dilma Rousseff, porque apesar das promessas de não recuar um milímetro na preservação dos direitos sociais, a presidente assinou medida provisória cortando pela metade o abono salarial, o salário desemprego, o auxílio doença, as pensões pela morte de um cônjuge e até os benefícios para os pescadores proibidos de pescar.

Vale aguardar mais peças do conteúdo do saco de maldades aberto pelo novo governo todos os dias, começando na véspera da posse e seguindo impávido no rumo da desconstrução de uma sociedade mais justa. Calaram as forças que poderiam opor-se a esse massacre do PT aos sindicalistas. As oposições parlamentares nada farão, pelo menos até que o esbulho se estenda às classes privilegiadas. Enquanto isso, com as exceções de sempre, os ministros recém-nomeados batem cabeça, reconhecendo nada ter a ver com os setores para os quais foram escolhidos. É constrangedor citá-los. Mais responsáveis do que eles e os partidos que os impuseram será a presidente da República, que os nomeou.

No capítulo da corrupção, com ênfase para o escândalo na Petrobras, chega a ser hilariante a explicação de que deveu-se a uns poucos maus funcionários e à pressão de forças externas. Estas sempre existiram, aqueles integram a parte visível da quadrilha que ocupou o poder para transformá-lo na caverna do Ali Babá, não obstante os protestos do já agora ex-ministro Gilberto Carvalho em seu canto de cisne. Ladrões existem, são identificados e continuarão agindo à luz do dia, pertençam ao PT, ao PMDB, ao PP, PR e penduricalhos. Logo depois de sua primeira posse, Dilma conseguiu livrar-se de seis ministros envolvidos na roubalheira, mas quatro anos depois eles tinham voltado a influir no governo, diretamente ou através de prepostos. Participaram ativamente da montagem do segundo ministério.

Outra vez a conta da incúria vai para os menos favorecidos e, em pouco tempo, atingirá a classe média. Trata-se de uma questão de tempo saber onde a corda se romperá.




Por Carlos Chagas