sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Governo dos trabalhadores ou governo contra os trabalhadores?


Ao tomar posse na presidência da República, em janeiro de 1951, eleito pelo voto direto da população, no plenário do Palácio Tiradentes, no Rio, Getúlio Vargas jurou cumprir a Constituição. Não ficou nisso. Na calçada havia sido montado um palanque, para que ele falasse a milhares de trabalhadores lá reunidos: “hoje, estais no governo. Amanhã, sereis o governo.”

Em janeiro de 2003, empossado como o primeiro operário que ocuparia a presidência da República, 52 anos depois, o Lula exaltou o fato de estar se iniciando no Brasil o governo dos trabalhadores. Mais ou menos, porque além dos programas sociais de caráter assistencialista, também foi o governo da continuação do neoliberalismo, das privatizações e até do mensalão. A partir de 1964 haviam sido suprimidos dezenas de direitos trabalhistas antes criados por Vargas, imaginando-se que o Lula iria restabelecê-los, a começar pela estabilidade no emprego. Não quis, ou não conseguiu, mas o que acontece hoje, quando assume outro mandato o segundo governo dos trabalhadores?

Dilma Rousseff inaugura mais quatro anos no poder sob a égide de novas supressões de direitos trabalhistas. Acaba de cortar pela metade o abono salarial, o seguro desemprego, o auxilio doença, as pensões por morte do cônjuge e até benefícios a pescadores impedidos de pescar. Demonstra a falência do governo dos trabalhadores, jogando sobre eles a fatura do combate a crises econômicas. Esperar o quê, nos próximos quatro anos, senão mais supressão de direitos, cortes nos projetos sociais, aumento de juros e desemprego? Não se espante o trabalhador se lhe forem garfados férias, décimo-terceiro, horas extras, vale-transporte e vale-alimentação. De governo dos trabalhadores passamos para o governo contra os trabalhadores. Quando desfilar em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios, hoje à tarde, imaginará trabalhadores naqueles que eventualmente venham a aplaudi-la? Ou pelegos pagos pelo seu partido? A presidente descumpre os ideais um dia sonhados. Em vez de impulsionar conquistas, coleciona retrocessos. Logo irá colher fracassos.





Por Carlos Chagas

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Um 2015 abençoado para todos!


  VOLTAMOS EM 02/01/2015 COM MAIS NOVIDADES!!                          

O PT e a versão bananeira do Pacto de Varsóvia


Descobri, há bom tempo, que o Partido dos Trabalhadores tem conceitos próprios sobre democracia e Estado de Direito. Para o PT, democracia é algo que só acontecerá quando ele, partido, exercer a hegemonia e controlar todos os instrumentos do poder. Enquanto isso não se concretiza plenamente, o PT vai manipulando os meios que o regime vigente propicia ao curso de seu projeto.

Graças a isso, o partido conseguiu não ser apenas o PT. Ele é o PT e mais um vasto conjunto de corpos sociais que gravitam ao seu redor. São sindicatos e centrais sindicais; instituições culturais e de ensino; movimentos sociais e grupos minoritários que ele transforma em grupos de pressão a seu favor; grêmios estudantis, diretórios, centros acadêmicos e uniões de estudantes; partidos políticos sem anticorpos contra o uso de recursos públicos; organizações não governamentais; entidades relacionadas às políticas de gênero, ligas pró-aborto e defensoras da liberação das drogas; igrejas e órgãos de peso como a CNBB e a OAB que, convertidos ao rebanho, se entregam à alcateia. Ah, e os conselhos capturados pelo PT! Eles se revelam tão úteis que o partido, agora, pretende "empoderá-los" (coisas da novilíngua petista...) em todo o aparelho estatal federal. A isso e a outro tanto que resultaria exaustivo relacionar, juntam-se, sempre que necessário, organismos e instituições internacionais de isenção mais do que duvidosa.

Para o PT, democrática é toda manifestação desse grupo aí acima. Democrático é o que faz cada tentáculo seu. Ouvi-los, para o PT, é ouvir o povo. E quem o nega passa a ser tratado como cordeiro intrometido no riacho do lobo, acusado das piores ações e intenções.

Tão estranho quanto a democracia petista é o "Estado de Direito" petista. Nele, Direito é o que o partido quer. Por bem ou por mal. Perguntem ao companheiro João Pedro Stédile que, nesses assuntos, fala pelo partido. E Estado de Direito é algo que vai até onde o PT quer. Por bem ou por mal. Sobre essa parte conversem com o companheiro Gilberto Carvalho. O Estado Direito petista é moldável e elástico segundo suas necessidades. Procurem um pouco e não será difícil encontrar por aí traços comuns aos três totalitarismos do século passado.

Mas no jogo que o PT joga, o Brasil é apenas uma peça do tabuleiro. O jogo tem pretensões maiores. Começou em 1990 com o Foro de São Paulo, promovendo uma convergência multifacetária da esquerda na América Latina e desaguou na União das Nações Sul-Americanas, criada em 2006. Em mais recente estágio, no dia 5 de dezembro, em Quito, com a presença de Dilma, esse organismo, que congrega os países do continente, decidiu criar um programa de formação de quadros militares.

Trata-se da Escola de Defesa, que tem dois objetivos explícitos: produzir uma unidade interna que elimine possíveis conflitos intrarregionais e fortalecer a América do Sul contra o inimigo externo, vale dizer, contra o inimigo ianque. Procure no Google por Unasul e por "Escola de Defesa" (em espanhol e em português), e encontrará informação suficiente. Esse estrupício foi instituído pelo bloco para que o conjunto das Forças Armadas de todos os países componham algo que outra coisa não é senão uma versão bananeira do Pacto de Varsóvia.



Por Percival Puggina

Já vi esse filme. O bandido vence


"Não há nada melhor para excessos cometidos pela imprensa do que a própria liberdade de imprensa"
Lula

Na campanha da presidente Dilma, ela mesma, Lula e boa parte do PT debocharam do que disse a candidata Marina Silva (PSB) sobre como montaria seu governo, caso se elegesse. Marina afirmou que simplesmente governaria com os melhores elementos de cada partido, sem discriminar nenhuma legenda. É uma boba, garantiram alguns. Uma sonhadora, acusaram outros. Governar com os melhores é impossível, apenas isso.

OU MARINA dominava uma receita que só ela conhecia ou então se pautaria pelo bom senso. E o bom senso lhe aconselhava a procurar gente decente, comprometida com a ética e talentosa para ocupar cargos do primeiro e do segundo escalões da República. E se essa gente fosse incapaz de lhe garantir a maioria dos votos no Congresso? E se por causa disso o governo capengasse?

MARINA CONFIAVA que não passaria sufoco porque, em primeiro lugar, governaria apenas por quatro anos. Descartara a reeleição. O que a seu ver seria o bastante para apaziguar os ânimos no Congresso e refrear as ambições, por suposto. Segundo, porque governaria com transparência, prestando contas aos eleitores de todos os seus passos e discutindo com eles suas dificuldades.

FERNANDO COLLOR se elegeu presidente em 1989 sem maioria no Congresso. Quis cooptar o PSDB e não conseguiu. Chamou de "único tiro" contra a inflação o plano econômico que garfou a poupança dos brasileiros. Por mais estúpido que tenha sido o plano, o Congresso não se negou a aprová-lo. Caso desse certo, o Congresso ficaria bem na foto. Se desse errado, o presidente é que ficaria mal.

NÃO FOI POR falta de apoio do Congresso que Collor acabou deposto. Foi por falta de apoio popular. O Congresso é sensível ao sentimento das ruas. E todo presidente, a princípio, se beneficia de um perí- odo de lua de mel com a opinião pública. Até que o período se esgote, ele pode se comportar com um grau de liberdade que mais tarde se estreitará. A não ser que o sucesso bata à sua porta.

NINGUÉM MAIS do que Lula reuniu condições para governar sem ser obrigado a fazer concessões que por fim o apequenassem, e ao seu partido. Foi o primeiro nordestino ex-pau de arara, ex-líder sindical, ex-preso político a subir a rampa do Palácio do Planalto. Ocupou o principal gabinete do terceiro andar com crédito para gastar por muito tempo. Encrencou-se porque piscou primeiro.

SOB PRESSÃO para lotear o governo, como seus antecessores haviam feito, por hábito ou necessidade, Lula subestimou o apoio das ruas. Preferiu apostar no apoio do Congresso. Logo ele, que no final dos anos 80 do século passado, enxergara ali pelo menos 300 picaretas. Foi atrás dos picaretas. Beijou a cruz — e, de quebra, a mão de Jader Barbalho. O mensalão quase o derrubou.

DILMA ATRAVESSOU a metade do seu primeiro governo resistindo à ideia de ceder ao "pragmatismo político". Em conversa, certo dia, com um amigo, ouviu dele: "Tirando três ou quatro, só tem desonesto no Congresso." Ela respondeu: "E eu não sei?" Para se reeleger, cedeu ao apetite dos desonestos. Beijou a cruz. E, de quebra, a mão de Helder Barbalho, filho de Jader, seu futuro ministro da Pesca.

FOI MEDÍOCRE o primeiro Ministério de Dilma. O governo que resultou disso foi naturalmente medíocre. Pois bem: ela está perto de cometer o prodígio de montar outro Ministério igual ou, talvez, pior. O que a diferenciava dos políticos a quem tanto desprezava é, hoje, o que a torna cada vez mais parecida com eles. Feliz Ano Novo para todos!





Por Ricardo Noblat

Murillo de Aragão: "A inteligência política do governo Dilma é precária"

O cientista político e consultor que orienta banqueiros e empresários no Brasil e no exterior explica por que o Congresso reage ao Planalto

                                                                                                    HORA DE REFORMA
                                       Murillo de Aragão defende um teto para gastos em campanhas eleitorais
                                                                                        (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)

Antes de tomar decisões envolvendo o Brasil, os gestores de 80 fundos de investimento escutam o cientista político Murillo de Aragão. Fundador da consultoria Arko Advice, Aragão mantém uma clientela de grandes bancos e multinacionais. Todos querem examinar os desafios que o governo Dilma Rousseff tem pela frente e suas chances de superá-los. Aragão deixa claro que Dilma precisará de mais perícia do que tem mostrado até agora. “Ela precisa recuperar a economia, dialogar mais e melhor com sua base no Congresso e isolar a Petrobras do petrolão.” Depois de uma conferência com 200 clientes de Cingapura, o autor de Reforma política, o debate inadiável concedeu a seguinte entrevista.

ÉPOCA – Que desafios a presidente Dilma Roussef enfrentará em 2015?
​Murillo de Aragão
– Ela precisará resolver de forma eficiente três heranças do primeiro mandato. A primeira: a economia está malparada, porque a credibilidade fiscal foi seriamente abalada. A segunda herança é a questão política, que nunca foi bem resolvida em sua gestão. O apoio dos políticos ao governo Dilma sempre foi instável. Isso foi agravado pela eleição, porque, nos Estados, houve disputa entre os aliados do Planalto. A terceira herança é o petrolão. No fundo, ele trata da forma de como se faz política no Brasil. Ela precisará recuperar a economia, dialogar mais e melhor com sua base no Congresso e isolar a Petrobras do petrolão.

ÉPOCA – Quais são os riscos econômicos?
Aragão
– Os riscos estão em duas dimensões: a situação real e a sensação térmica. Em 2014, a economia não foi bem, mas a sensação térmica era confortável. Por isso, não atrapalhou muito o desempenho eleitoral de Dilma. Se a sensação térmica da economia piorar em 2015, a popularidade dela, que vem crescendo, poderá começar a cair. Para que Dilma tenha autoridade diante do Congresso e força eleitoral para indicar seu sucessor em 2018, é essencial que as expectativas econômicas sejam minimamente positivas.

ÉPOCA – O senhor pode fazer uma análise mais detalhada do risco político?
Aragão
– Há um ponto de interrogação no Congresso por causa de duas questões. Uma é de aspecto formal: as eleições para as presidências da Câmara e do Senado. A outra questão está relacionada ao alcance das investigações do petrolão. Se elas tiverem o caráter devastador que muitos sugerem, o petrolão afetará a elite parlamentar brasileira. Algumas das principais lideranças do Congresso poderão ser atingidas pelas investigações. Esse é um problema que se torna ainda maior dentro de um governo com deficit político.

ÉPOCA – O que o senhor quer dizer com deficit político?
Aragão
– O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou uma base política grande, que o protegia e tinha autonomia propositiva. Era um governo com força para propor e ser atendido pelo Congresso. Essa base era mantida por um diálogo eficiente. Lula tinha disposição para a conversa com as lideranças políticas, empresariais, sindicais e de movimentos sociais. Existia um software de diálogo, que facilitava o trânsito do governo com o Congresso e com a sociedade. No governo Dilma, essa dinâmica perdeu as qualidades que tinha. O relacionamento entre o governo e o Congresso se tornou cada vez mais áspero, marcado pela impaciência de lado a lado. É esse o deficit político de que falo. Ele aumentou com a eleição, porque muitos aliados do governo no plano federal se sentiram traídos ou esquecidos nas disputas estaduais. Houve a sensação de que a relação do PT com os demais partidos não era confiável. Dilma entra em 2015 com um sério deficit político.

ÉPOCA – Houve um governo que começasse cercado por tantas incertezas?
Aragão
– O início do segundo governo Dilma guarda relação com o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o primeiro mandato de (Luiz Inácio) Lula (da Silva). No caso de Fernando Henrique, a base política auxiliou o presidente a recuperar o país de uma crise cambial. Lula tinha amplo apoio popular, acabara de ser bem eleito. Isso o ajudou a encarar a questão financeira e a resgatar a credibilidade econômica. Dilma começa o novo mandato com desafios bem maiores que os antecessores. Poderá haver uma conjunção horrível para ela mais à frente: a economia pode ir mal, a popularidade pode cair e o apoio no Congresso pode ser perdido. É a tempestade perfeita.

ÉPOCA – O governo não tem instrumentos para ultrapassar essa turbulência?
Aragão
– Em tese, sim, mas a inteligência política do governo Dilma é precária, com uma sucessão de erros incrível. É diferente dos mandatos de Lula, que exibiram um elevado quociente de inteligência política. Observe que, entre as gestões de Fernando Henrique e Lula, os parlamentares ficaram 12 anos sem votar vetos presidenciais. Com Dilma, o governo irritou tanto o Congresso que ele passou a votar os vetos presidenciais. É um absurdo o Parlamento se eximir dessa responsabilidade? Sim, mas ele estava acomodado. O Congresso só saiu da letargia porque estava aborrecido com o governo Dilma. Outro exemplo é o orçamento impositivo. Ouço falar dele há 30 anos. Só agora esse debate avançou. Por quê? Porque o Congresso se sente rebaixado em sua relação com o Planalto. São ações de retaliação, decorrentes da falta de inteligência política do atual governo.

ÉPOCA – A ameaça de uma crise detonada pelo petrolão, com uma sequência de processos de cassação no Congresso, poderá impulsionar a reforma política?
Aragão
– Toda vez que surge uma crise, se fala na reforma política. Com isso, nas últimas décadas, ela vem ocorrendo em fatias. Parece que, agora, existe um interesse maior dos atores políticos em fazê-la. Há um movimento na sociedade, liderado por algumas entidades, a favor da reforma. O petrolão quebrou o modo como a política brasileira e as campanhas eleitorais foram financiadas até hoje. É necessário partir para um novo modelo. Não é possível que um país como o Brasil gaste R$ 5 bilhões em campanhas eleitorais, como ocorreu em 2014. Precisamos impor um limite para essas despesas. O teto deveria ser definido em lei. Quem o ultrapassasse deveria ser cassado. Também seria bom fazer coincidir os calendários das eleições municipais, estaduais e presidencial. O país se mobilizaria de uma vez só e daria um horizonte de mais estabilidade aos governos eleitos. O Congresso funcionaria melhor. Outra coisa: grande produção legislativa não significa qualidade legislativa. Não se deve medir a eficiência do Parlamento pelo volume de leis aprovadas. Os avanços democráticos precisam ser preservados. Se for mantido o atual sistema político, a degradação será inevitável.

ÉPOCA – É possível que um Congresso composto de 28 partidos tenha um bom fluxo de trabalho?
Aragão
– Possível é, mas é difícil. Exige uma perícia que a gente não conhece. Nosso sistema partidário é gelatinoso. A lei atual permite que novos partidos sejam criados para “pescar” parlamentares noutras legendas e, depois, sejam fundidos em outros mais velhos. É uma forma de os parlamentares eleitos por um partido mudarem para outro sem perder o mandato. É tudo legal, mas é uma fraude.

ÉPOCA – Caso a reforma política seja esquecida, o sistema político poderá ser empurrado para mudanças autoritárias?
Aragão
– Não vejo a possibilidade de um autoritarismo de forma clássica, como uma volta dos militares ao poder. Percebo que a disfunção democrática agravará o autoritarismo que hoje já existe na relação entre o Estado e a sociedade. O autoritarismo se manifestará com o caráter subalterno do cidadão perante o Estado, com a prevalência dos interesses das corporações sobre o bem comum, com a apropriação do interesse público em detrimento do interesse da sociedade, com o sequestro da política pelos políticos. Essas soluções autoritárias representam os maiores desafios para o Brasil. Se não melhorarmos o sistema político, a disfunção se agravará.

ÉPOCA – O resultado da eleição presidencial mostra que surgiu um antipetismo no país?
Aragão
– Sim, especialmente no eleitorado mais urbano e instruído. Ao mesmo tempo, também houve um volume de abstenções, de votos brancos e nulos. Isso deve ser considerado. O que há não é um país dividido em dois, mas em três. A gente vive um paradoxo. De um lado, temos uma presidente reeleita com a maioria dos votos. Do outro, a maioria do eleitorado não está engajada a favor dela. É um governo que agrada muito, mas também desagrada muito. A situação é complicada para Dilma. No Brasil, o presidente sempre ganhou pelo consenso. Pela primeira vez, a eleição foi vencida pelo dissenso.







Fonte: Época

Por Felipe Patury e Marcelo Sperandio

sábado, 27 de dezembro de 2014

Miriam Belchior defende coletivos soviéticos com discursos que assustariam Orwell


Quem ainda não leu 1984, de George Orwell, não sabe o que está perdendo. O mais irônico de tudo é que Orwell era socialista, além de ex-trotskista. Isso faz com que seu livro acabe sendo uma espécie de deduragem. Coisas como novilíngua e duplipensar, além do Ministério da Verdade, nos entregam descrições perfeitas de tudo que os socialistas fariam no poder. Especialmente os bolivarianos, uma das espécies mais dissimuladas dessa gente.

Porém, hoje em dia a obra de Orwell deve ser encarada apenas como um breve e simplificado conto. Já uma compilação do período de governo do PT resultaria em uma obra mastodôntica como O Senhor dos Anéis ou A Guerra dos Tronos. A realidade já superou em muito a obra de Orwell.

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, nos mostra um exemplo do que podemos chamar de meta-novilíngua em seu discurso na abertura do 5º Forum Interconselhos, onde falou da proposta petista (e de suas linhas auxiliares, PCdoB e PSOL) para estabelecer os coletivos não-eleitos. (É que o Decreto 8243 foi derrubado na Câmara, mas ainda não o foi no Senado, e, ao que parece, isso fica só para o ano que vem – sabe como é, teve gente que priorizou se manifestar pedindo “anulação das eleições” e “impeachment já” e deixou tudo mais fácil para o governo)

Segundo o Estadão, Miriam disse: “É preciso para que não haja retrocesso e para que a gente rejeite de forma bastante firme insinuações, inclusive preconceituosas, de bolivarianismo nas ações do governo federal”.

É de se perguntar: retrocesso em quê? Se o Decreto 8243 ainda não está em vigência, como pode ser um “retrocesso” não ter sua implementação? É simples. Ela pensa em um futuro onde eles já podem usar seus coletivos não-eleitos para pressionar o Congresso, comportam-se (por encenação) como se esse futuro já existisse e daí dizem que “não podem retroceder”. Depois de Milton Erickson e sua hipnose ericksoniana ter se popularizado, ninguém devia cair mais nessa conversa. Infelizmente, muitos caem.

Aliás, o bolivarianismo é essencialmente apoiado pela chefe dessa senhora, a Dona Dilma, e os projetos de coletivos não-eleitos como um quarto poder são implementações já feitas na Venezuela, na Bolívia e em outros países destruídos por seus tiranetes. Na ótica de Miriam, se você olhar para os eventos históricos, torna-se um “preconceituoso”.

E lá vem mais distorção intencional da realidade: “A gente precisa se unir, já fizemos isso durante o processo de crítica (ao decreto). É claro que o momento não era o mais favorável, muito ainda influenciado pela disputa eleitoral, mas eu acredito que isso precisa voltar à pauta, com força, porque isso é democrático”.

Ora, a democracia significa a participação do povo, o que já é garantido pelo voto universal, que se traduz em representantes do povo no Legislativo e no Executivo. É como a virgindade. Ou existe ou não existe. É lógica binária. Como seria um projeto para “ampliar a virgindade” de uma garota? O que tem a ver com “democracia” estipular coletivos não-eleitos (ou seja, pessoas que não receberam o voto de ninguém) para pressionar o Congresso? Especialmente se esses grupos foram selecionados pelo próprio Executivo. Quer dizer, para Miriam a antítese da democracia é “democracia”. Como eu falei, eis a novilíngua levada a um estágio superior. É por isso que monstros assim acham certo chicotear eleitores dissidentes na Bolívia. É “democrático”.

Não poderia faltar o jogo padrão usado nessa questão: “Quem tem medo da participação da sociedade não é democrático.” O jogo em questão é a sociedade civil denorex. A manipulação semântica é simples e óbvia. Eles dizem que os coletivos não-eleitos selecionados pelo governo são todos os coletivos não-eleitos do Brasil. Depois dizem que esses coletivos não-eleitos selecionados por eles, já percebidos como “todos os coletivos não-eleitos”, são toda a sociedade civil. Em seguida, extirpam a expressão “civil” e usam o termo “sociedade” em isolado. Daí perguntam, com um sorriso angelical: “como você pode ser contra a participação do povo?”.

De todos os jogos bolivarianos, a iniciativa de implementar conselhos soviéticos é a mais macabra, pois se baseia em um único discurso, feito por repetição, de acordo com as manipulações semânticas acima. Não é preciso de 5 minutos para esclarecer qualquer pessoa a respeito do embuste. E, surpreendentemente, por falta de priorização nossa, eles tem a chance de implementar um regime ditatorial. Não com 40, 30, 20 ou 10 rotinas. Mas com uma única rotina.

Desse jeito, até parece que do nosso lado ainda há muita gente hipnotizada por esse tipo de discurso, pois não conseguem sequer desmascará-lo com assertividade e simplicidade. Hora de despertar, não acham?





Por Luciano Henrique

Cristovam Buarque critica a escolha de Cid Gomes para Ministro da Educação


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), criticou em sua página pessoal no Facebook a escolha de Cid Gomes, ex-governador do Ceará, para Ministro da Educação anunciada nesta terça-feira (23), pasta já ocupada por Cristovam entre 2003 e 2004, no primeiro mandato de Lula.

Em seu comentário, Cristovam acusa a presidente Dilma de colocar o MEC entre as pastas irrelevantes ao usa-la em suas trocas políticas. Ele justifica que o fato de não colocar alguém do próprio partido à frente do Ministério, e mais preocupante ainda, escolher Cid para o cargo é reconhecer que a educação não é importante.

A crítica se deve as atitudes recentes de Cid Gomes vistas como contrárias a classe de educadores. Em 2011, no Ceará, estado que governou até o último ano, ao enfrentar uma greve de professores que reivindicavam aumento de salário, Cid teria dito  "Quem dá aula faz por gosto, e não por dinheiro. Se quer ganhar dinheiro pede demissão e vai dar aula no ensino privado” . Na época a frase gerou revolta no Brasil todo, ele chegou a tentar se retratar posteriormente com a imprensa, mas acabou falando a mesma coisa só que de forma menos incisiva "Quem está atrás de riqueza, de dinheiro, deve procurar outra profissão, e não setor público”.

Outro episódio polêmico envolvendo Cid Gomes foi quando na Campanha de 2014, ao defender o candidato do PT, Camilo Santana, ao Governo do Ceará de uma acusação de desvio de dinheiro teria dito ” Deste de que há o o dinheiro, há quem procure roubar o dinheiro.”

Confira na íntegra a crítica de Cristovam:
“Tenho visto muitos comentários contra o nome do Cid Gomes para ministro da educação. Apesar de suas frases no passado dizendo que professor é profissão para quem não quer ganhar dinheiro, ele ainda não tomou posse. Quem sabe ele não reconhece que errou e ao saber das dificuldades financeiras dos estados e municípios ele não começa a defender a Federalização do salário do professor?

O GRAVE na nomeação dele está no fato de que o governo Dilma decidiu colocar o MEC entre as pastas irrelevantes, sem importância estratégica, área de manobra política entre os partidos. Está é a tragédia, não o nome do ministro.

O governo do PT decidiu que o MEC não precisa ficar com o PT. Ou reconheceu que educação não é estratégica, ou não tem propostas para a educação, ou não tem quadros entre todos os seus militantes para a área da educação, ou que a educação não é importante.

Esta é a tragédia, o nome do ministro pode ser apenas um erro.”