segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

13 bizarrices de Dilma na economia das quais jamais esqueceremos

Apesar de todos os avisos dados por analistas independentes, a presidente fez do Brasil um laboratório de bruxarias heterodoxas e deixa o governo com resultados pífios

                                    
Em seu primeiro mandato, a presidente Dilma Rousseff transformou o Brasil numa espécie de laboratório para todos os tipos de bruxarias heterodoxas na área econômica. Como os analistas independentes cansaram de avisar, os experimentos de Dilma acabaram provocando o desordenamento do processo produtivo, a alta da inflação e a paradeira da economia. Levaram, também, à perda de credibilidade do governo e à desconfiança dos empresários. A seguir, você poderá conferir algumas das principais bizarrices cometidas por Dilma na economia, que, felizmente, parece que serão deixadas para trás em seu segundo mandato. Ainda assim, elas serão lembradas para sempre com ironia por todos aqueles que previram seus resultados catastróficos.

1.”O ministro da Fazenda sou eu”
Inspirada em Luís XV, autor da célebre frase L’etat c’est moi (O Estado sou eu), Dilma foi, desde o primeiro dia de seu governo, o ministro da Fazenda de fato – e não Guido Mantega, o titular da Pasta. Em certa medida, foi ela também quem comandou o Banco Central, pressionando o presidente da instituição, Alexandre Tombini, a retardar o aumento de juros que se fazia necessário para combater a escalada inflacionária que se insinuava quando ela ainda estava na metade de sua gestão. Depois, para não prejudicar seu desempenho nas urnas, Dilma usou o mesmo expediente durante a campanha eleitoral. É Dilma, portanto – e não Mantega e Tombini – a grande responsável pelo fracasso retumbante de seu governo na economia. Mantega e Tombini podem até ser acusados de omissão ou de conivência, mas é ao Palácio do Planalto que a fatura pela estagflação, aquela combinação incômoda de estagnação econômica e inflação, deve ser enviada.

2. Um pibinho incomada muita gente...
Apesar da dificuldade de Dilma e o PT reconhecerem publicamente seu fracasso na gestão da economia, o governo chega ao final de forma melancólica. Com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em apenas 0,2% em 2014 e numa média de 1,5% ao ano durante sua gestão, Dilma só ficou à frente dos governos Collor e de Floriano Peixoto neste quesito. O crescimento do PIB no governo Dilma foi tão baixo que o marqueteiro João Santana teve de fazer malabarismos para criar um discurso alternativo que a favorecesse e permitisse a ela enfrentar a realidade dos números e as críticas da oposição durante a campanha eleitoral. Em vez de divulgar a taxa de crescimento econômico de seu governo, Santana decidiu divulgar o crescimento médio anual nos 12 anos de governo do PT e compará-lo à media dos dois mandatos de Fernando Henrique. Obviamente, sem levar em conta o contexto histórico dos dois períodos.

3. Um pouco de inflação não faz mal a ninguém
Dilma jamais admitirá, nem o presidente do BC, Alexandre Tombini. Mas qualquer analista de mercado independente sabe que, na gestão de Dilma, a política monetária sofreu influências políticas inimagináveis no governo Lula, quando o ex-banqueiro Henrique Meirelles comandava a instituição, contribuindo de forma decisiva para garantir a credibilidade do país junto aos investidores locais e estrangeiros. Mais de uma vez, Dilma defendeu a ideia pregada pelos nacional-desenvolvimentistas, com quem se identifica ideologicamente, de que um pouquinho de inflação não faz mal a ninguém. Contra todas as evidências de que o BC precisava endurecer a política monetária, diante da frouxidão fiscal, para conter as pressões inflacionárias, Tombini dizia que a trajetória da inflação era de queda – o que, como se comprovou depois, com a inflação roçando o teto da meta, de 6,5% ao ano, era uma previsão prá lá de furada.

4. A irresponsabilidade fiscal com aval do Congresso
Depois de passar boa parte da campanha eleitoral jurando de pés juntos que as contas estavam em ordem e que o governo faria a economia prometida para pagar os juros de sua dívida pública em 2014, Dilma teve de reconhecer que a situação era dramática e enviou um projeto criticadíssimo ao Congresso para flexibilizar a meta fiscal que ela mesma havia traçado no ano anterior. Para aprová-lo, ofereceu R$ 745 mil para cada parlamentar aplicar a seu bel prazer em seu reduto eleitoral, num total de quase R$ 500 milhões. Ao final, apesar da gritaria da oposição, o toma-lá-dá-cá acabou prevalecendo e o projeto foi aprovado, para Dilma não ser questionada na Justiça por descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

5. 2 + 2 = 5
Embora Dilma tenha sido pródiga em bizarrices na economia, talvez nada tenha sido mais bizarro em seu governo do que a tal da “contabilidade criativa”. Para tentar esconder o desequilíbrio nas contas públicas, Dilma usou e abusou de truques contábeis grotescos, idealizados pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin. As manobras podem até ter iludido os incautos, mas deixou “estarrecidos”, para usar a palavra preferida da “presidenta”, quem é do ramo. O repertório de aberrações incluía principalmente triangulações de recursos entre o Tesouro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal. Essas triangulações apareciam na dívida bruta federal, mas não na dívida líquida, que o governo usava para fazer a propaganda oficial e vender a ideia de que era uma freira na gestão das finanças públicas. No fim, a manobra “esperta” contribuiu decisivamente para deteriorar a credibilidade do governo e minar a confiança dos investidores no país.

6. A morte anunciada da “nova matriz econômica”
Em oposição ao tripé macroeconômico criado no governo FHC, baseado nas metas de inflação, no câmbio flutuante e no superávit fiscal, Dilma adotou a “nova matriz econômica”, idealizada pelos acadêmicos da Universidade de Campinas (Unicamp), onde Dilma fez o curso de pós-graduação em economia. Eles têm horror a tudo que guarde qualquer semelhança com a visão clássica de mercado, defendida pelos economistas mais liberais. Centrada no real fraco em relação ao dólar, em incentivos fiscais para alguns setores “eleitos” da indústria e numa taxa de juro baixa, a “nova matriz” tinha o objetivo de estimular o crescimento econômico. Só que, apesar da contenção de preços administrados, como a gasolina, a inflação deu um salto, e os juros tiveram de subir para tentar manter os preços sob controle. Além disso, mesmo com os subsídios oficiais, a indústria não realizou os investimentos que o governo desejava estimular e a taxa de crescimento do país ficou num dos níveis mais baixos da história. A boa notícia é que, por causa de seus resultados pífios, a “nova matriz econômica” deverá ser abandonada no segundo mandato de Dilma, em nome de práticas tidas como "ortodoxas", como a austeridade fiscal e uma política monetária mais dura, para recolocar o Brasil na trilha do desenvolvimento sustentável.

7. O Petrolão e a perda bilionária de valor da Petrobras
Estatista militante, ex-presidente do conselho de administração da Petrobras e defensora do modelo nacionalista implementado para explorar o pré-sal, Dilma encerra seu primeiro mandato em meio ao maior escândalo de corrupção do país em todos os tempos, o Petrolão. Embora até agora ainda não haja nenhuma evidência concreta de que Dilma tenha se beneficiado da bandalheira, muitos analistas e muitos cidadãos de bem consideram que, como ex-presidente do conselho da Petrobras, ela foi, no mínimo, omissa no caso. Poderia, portanto, ser responsabilizada pelo que aconteceu com a empresa. O valor de mercado da Petrobras na sexta-feira, 19 de dezembro, havia caído de um pico de R$ 510 milhões, em maio de 2008, para R$ 122 bilhões – uma queda de 76%! Resultado: a Petrobras perdeu o posto de empresa mais valorizada do Brasil para a Ambev, que reúne as marcas Brahma e Antarctica, e foi também ultrapassada pelos bancos Itaú e Bradesco, nesta ordem. De estrela internacional, a Petrobras foi parar nas páginas policiais dos jornais. Além dos processos movidos no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado de capitais do país, a Petrobras está sendo investigada pela SEC, sua congênere americana, e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Está sendo processada também por investidores privados nos EUA. Apesar de ainda ser difícil dizer como os desdobramentos do caso vão atingir seu governo e ela própria no segundo mandato, pode-se dizer, sem medo de errar, que há nuvens negras no horizonte.

8. A redução de juros “por decreto”
Um dia Dilma acordou e decidiu que era preciso dar uma marretada nos juros estratosféricos do país, bem ao estilo “eu prendo, eu bato, eu arrebento” que caracterizou seu governo desde o primeiro minuto. Embora jamais admita, forçou o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros, que serve de referência para todas as outras, muito além do que seria razoável naquela conjuntura, marcada por crescentes pressões inflacionárias, com o objetivo populista de beneficar-se na campanha eleitoral. Dilma obrigou também os bancos oficiais – o Banco do Brasil e a Caixa, que hoje estão com uma taxa de calote muito acima da média do sistema – a seguir o mesmo caminho. Obviamente, o que muitos analistas previram acabou acontecendo. O corte dos juros, com a alta da inflação e o desequilíbrio fiscal, tornou-se insustentável, e as taxas voltaram a subir – e deverão subir ainda mais no começo de seu segundo mandato.

9 A “quebra” de contratos na área de energia
Com uma manobra arriscada, Dilma decidiu mudar as regras do jogo na área energética, que ela comandou no início do governo Lula, antes de se tornar ministra da Casa Civil. Acreditando que conseguiria reduzir os preços da energia no país com seu voluntarismo ingênuo, Dilma criou o caos e acabou afastando investidores nacionais e estrangeiros do setor, um dos mais carentes de investimentos no país. Para renovar os contratos com as concessionárias, Dilma ofereceu uma indenização considerada menor do que as empresas teriam direito pelo critério anterior, que levava em conta os investimentos realizados e que ainda não haviam sido recuperados com a exploração do serviço. Como aconteceu com quase todas as medidas que Dilma tomou na economia em seu primeiro mandato, o tiro saiu pela culatra. Em 2015, o preço da energia deverá ter um reajuste considerável para cobrir o “rombo” que ela gerou no setor com sua política estapafúrdia.

10. As cotas impostas à importação de veículos
Sem aviso prévio, Dilma mudou também, da noite para o dia, as regras adotadas no campo automotivo. Com o objetivo de estimular a produção local e manter os empregos dos metalúrgicos do país, ameaçados pela concorrência externa e pelo preço mais alto dos carros nacionais, Dilma trouxe de volta a velha reserva de mercado, de triste memória. A reserva havia vigorado até o início dos anos 1990 e acabou provocando uma acomodação nas montadoras locais, em franco prejuízo dos consumidores, obrigados a consumir verdadeiras “carroças”, nas palavras do ex-presidente Fernando Collor, responsável pela abertura do mercado. Dilma aumentou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros importados produzidos fora do México e do Mercosul em 30 pontos porcentuais e forçou a renegociação do acordo de livre comércio de veículos leves com o México, que havia levado várias montadoras a adotarem uma estratégia de negócios compatível com o regime anterior. Resultado: em 2014, as vendas e a produção de veículos despencaram, mesmo com a redução de impostos promovida pelo governo. Hoje, há um excesso de produção, sobram carros nos pátios das montadoras e muitas fábricas deram férias coletivas para os trabalhadores ou implementaram medidas semelhantes para reduzir o ritmo de produção.

11. As privatizações são ruins, mas nem tanto
Depois de demonizar as privatizações em todas as eleições desde 2002, Dilma e o PT decidiram apoiá-las. Como o governo na tinha dinheiro para fazer as obras de infraestrutura de que o país precisa, ela se deu conta, com dez anos de atraso, que a melhor forma de realizá-las era por meio de privatizações – ou concessões, como preferem os petistas, para evitar a palavra proibida. Só que, como Dilma queria tabelar o lucro dos empresários e oferecer a tarifa mais baixa possível aos usuários, o projeto acabou não decolando, por absoluto desinteresse dos investidores. Quando Dilma quis consertar o erro – algo raro em sua trajetória – era tarde demais. Exceto por uma ou outra privatização de serviços públicos, como estradas e aeroportos, ela chegou ao final do primeiro mandato com quase nenhuma realização nesta seara.

12. A volta da política do “pires na mão” a Brasília
Durante seu governo, de tendência nacional-desenvolvimentista, Dilma ressuscitou várias práticas que se popularizaram durante o governo militar, quando o economista Antônio Delfim Netto era chamado de “czar” da economia. Talvez a principal delas – e a mais nociva para o país – foi a volta da política do “pires na mão”, pela qual os empresários voltaram a peregrinar pelos gabinetes de Brasília, em busca dos favores oficiais, em troca de promessas de investimento raras vezes cumpridas.

13 O filtro de Informações negativas
Para não atrapalhar seu desempenho eleitoral, Dilma interferiu até mesmo no cronograma de divulgação de dados do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (IPEA), ligado ao governo federal. Embora negue oficialmente, qualquer observador minimamente atinado, sabe que o IPEA adiou a divulgação de uma pesquisa que mostrava a estagnação da queda da desigualdade e da pobreza no país. Houve trapalhadas semelhantes na divulgação de pesquisas feitas pelo IBGE, cuja independência tem sido ameaçada pelo aparelhamento promovido pelo PT.






Por José Fucs

Carlos Pereira: "O PT não sabe fazer coalizão de governo"

O cientista político diz que os governos petistas não sabem dividir o poder com os aliados – e isso está na raiz do petrolão


O professor da Fundação Getúlio Vargas Carlos Pereira formou-se em medicina, mas preferiu seguir carreira acadêmica como cientista político. Tornou-se um arguto analista do funcionamento da política no Brasil. Para ele, o sistema precisa de ajustes, mas é bom porque tem garantido, numa democracia relativamente jovem, estabilidade política, resolução de conflitos sem violência, redução da pobreza, equilíbrio macroeconômico e representação de interesses no jogo político. Num trabalho recentemente apresentado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, ele argumenta que os escândalos se sucedem porque o PT, em seus governos, não tem dividido o poder com seus aliados, regra essencial do presidencialismo de coalizão.

ÉPOCA – Teremos uma tempestade perfeita em 2015?
Carlos Pereira – É muito provável. Embora esteja muito otimista com o Brasil, estou pessimista com o governo. O governo perdeu consideravelmente seu poder no Congresso, apesar de ser majoritário. Há agora uma bancada de oposição não só numericamente mais forte, mas com figuras aguerridas e maior peso político. Existe também um cenário de explosão do maior escândalo de corrupção de nossa história. Será difícil para o governo escapar de ser chamuscado. O receio é que a mesma polarização das eleições seja reproduzida em 2015, num quadro de paralisia da economia, crescimento da inflação e desemprego.

ÉPOCA – A presidente Dilma Rousseff corre risco de impeachment?
Pereira
– Esse risco só se tornará real se evidências concretas relacionarem diretamente Dilma ao petrolão. Um impeachment depende também de condições políticas. Falando de um cenário hipotético, diferentemente de Collor, Dilma tem um partido político com base e inserção social. CUT, MST, sindicatos e movimentos sociais sairão em defesa do governo. Esses grupos irão para a rua e alegarão que isso é um golpe, embora a Constituição brasileira pressuponha o impeachment como uma saída legal, diante de conflitos que envolvem crimes de responsabilidade. Já há manifestações de pequeno porte pelo impeachment. Se evidências surgirem, ocorrerão manifestações maiores. Então, os dois grupos entrarão em conflito.

ÉPOCA – Isso pode trazer grande instabilidade para o país?
Pereira
– Seria um grande teste para as instituições democráticas. Até que ponto elas estão suficientemente maduras para segurar um processo de impeachment com grande polarização? Esse cenário tende a se tornar ainda mais complicado, porque o PT gerencia de forma ruim suas coalizões. O PT, tradicionalmente, desde quando Lula assumiu a Presidência, preferiu construir coalizões com número grande de parceiros, muito heterogêneos. Eles não têm uma plataforma comum de ação. É difícil coordenar uma coalizão dessas, e o PT ainda tem optado por não compartilhar poder com os parceiros, numa postura monopolista de concentração de poder. Lula alocou 60% dos 35 ministérios no começo de seu governo nas mãos do PT. Seu principal parceiro, o PMDB, só tinha dois ministérios. Depois, conseguiu ampliar, mas continuou subcompensado. O governo Dilma continuou com uma coalizão grande demais, heterogênea e monopolista. Isso gera tensões e animosidades internas. Aí o governo tem de encontrar outros mecanismos de recompensa para esses parceiros. Agora, nessa situação de vulnerabilidade do governo, o preço desse apoio, principalmente do PMDB, aumentará muito.

ÉPOCA – Mas o PMDB será atingido em cheio pelo petrolão.
Pereira
– Por isso mesmo, o preço do apoio aumentará. Para que eles continuem unidos sem risco de quebra. Por quase três semanas, o PMDB fez corpo mole em relação s
à mudança da meta fiscal. Deu um sinal à presidente de que o futuro do governo depende do PMDB. Se ela não percebeu e continuar menosprezando o PMDB e outros parceiros, todos esses atores aumentarão seu poder de barganha, à medida que o governo se fragilizar.

ÉPOCA – Como o senhor acha que o governo reagirá?
Pereira
– O governo assumiu uma postura defensiva de transferir responsabilidade. Dilma pegou a bandeira da reforma política para mostrar que a culpa não é do governo, mas do sistema político. O governo também tentará se aproximar cada vez mais da sociedade, com essas saídas plebiscitárias, à medida que, progressivamente, perder apoio no Parlamento e tornar-se refém dos parceiros. É esse cenário bastante negativo que vejo para o governo, mesmo que não surjam vinculações diretas entre Dilma e o petrolão. O governo ficará muito vulnerável, reagindo ao turbilhão de denúncias que não para.

ÉPOCA – No primeiro mandato, a presidente Dilma mostrou quase nenhuma aptidão para esse jogo político com o Congresso.
Pereira
– Ela se mostrou, com certeza, uma péssima gerente da coalizão. Criei um índice de custo de governo. Calculei todos os custos que o Executivo tem com seus aliados – com cargos, ministérios e emendas parlamentares no Orçamento, desde 1994 (começo do governo Fernando Henrique Cardoso) até agora. Esse custo vem crescendo exponencialmente. O índice tem três variáveis: tamanho da coalizão, heterogeneidade ideológica e capacidade do governo de compartilhar o poder com os parceiros. O resultado foi claro: quanto maior a coalizão, quanto mais heterogênea ela é e quanto menos poder é compartilhado, maior é o custo de governar. Também dividi a variável custo pelas iniciativas do Executivo aprovadas no Congresso. Na série histórica, o governo mais ineficiente é da Dilma. Ela gasta muito e consegue aprovar o mínimo possível. Se você não gerencia bem a coalizão, não escolhe bem os aliados, não tem uma agenda em comum com eles nem compartilha poder, não adianta gastar mais. Não conseguirá mais apoio.

ÉPOCA – Dilma, no segundo mandato, poderá mudar a gestão política, como deu a entender que mudará na economia?
Pereira
– A indicação do Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda não foi um movimento para a coalizão. Foi um movimento para os eleitores. A sociedade ficou dividida nas eleições sobre duas crenças. A primeira, claramente favorável à proteção e à inclusão social, foi encarnada pela candidatura dela. A candidatura de Aécio Neves encarnou fundamentalmente os princípios de equilíbrio macroeconômico. A sociedade queria as duas coisas. Nenhuma das candidaturas ofertou as duas ao mesmo tempo. Por isso, a margem de vitória dela foi tão pequena. Ela sabe disso e que enfrentará um ano difícil. Se não desse um sinal para esse eleitorado perdedor, as condições de governo ficariam piores. A indicação de Levy foi menos uma concessão à gestão da coalizão e mais sinal de sobrevivência política depois de uma eleição muito competitiva. Com relação à gestão da coalizão, espero que ela aprenda com os erros do passado. Mas nada me leva a achar que ela mudará de postura.

ÉPOCA – Por que o senhor está então otimista com o Brasil?
Pereira
– Estou otimista com a evolução e a maturidade das instituições, como o Ministério Público, os Tribunais de Contas, a Controladoria-Geral da União, a Polícia Federal. São tantos grupos capazes de identificar malfeitos que mesmo pessoas muito ricas e muito poderosas não são capazes de subornar segmentos dessas instituições de controle. Isso mostra a grande solidez das instituições democráticas.

ÉPOCA – Apesar disso, o petrolão ressuscitou a discussão sobre uma reforma política. Critica-se o presidencialismo de coalizão.
Pereira
– Quando o modelo é bem gerido, o custo é baixo. Já tivemos governos anteriores que geriram bem. O governo Fernando Henrique Cardoso montou uma coalizão de apenas quatro parceiros: PSDB, PFL, PTB e PMDB. Os quatro tinham uma agenda parecida de centro-direita, a favor da privatização, do controle inflacionário, da modernização da economia. Todos falavam a mesma linguagem. FHC levou em consideração o peso de cada um desses partidos no Congresso para alocar ministérios e cargos. Isso comprometeu os partidos com seu governo. Com a chegada de Lula e o desrespeito a essa regra de ouro da gestão de coalizão – dividir poder levando em consideração o peso de cada um –, surgiu progressivamente a necessidade de criar moedas de troca heterodoxas. O mensalão foi isso, assim como o petrolão. Esses escândalos de corrupção ocorrem nos governos petistas pelo não entendimento de como funciona o presidencialismo de coalizão. Existe, no âmago do PT, uma dificuldade de entender que é necessário compartilhar poder para que o presidencialismo de coalizão funcione bem. O PT, diferentemente de outras siglas brasileiras, tem muitas facções. Parece muito o partido peronista argentino. Tem vários grupos que funcionam como partidos dentro do PT. O PT prefere ser proporcional com as facções internas e desproporcional com os parceiros externos da coalizão. Só que são os parceiros externos que têm peso político no Congresso. Ao fazer isso, o PT precisa arrumar outras moedas, como o petrolão e o mensalão, para fazê-los felizes. Como há muitos escândalos, a percepção da opinião pública é que há algo de errado no sistema político. O problema é de gestão. Não está no desenho do sistema. Ele tem falhas e precisa de ajustes, mas funciona relativamente bem. Se tivéssemos um grupo político que entendesse melhor o presidencialismo de coalizão, os problemas seriam menores.





Fonte: Revista Época
Por Guilherme Evelin

domingo, 21 de dezembro de 2014

Entregando os filhos aos abutres


Talvez alguém possa pensar que este tema seja forte demais. Entretanto, é aquilo que muitos pais estão fazendo, entregando seus filhos aos abutres. Não se pode ter uma visão irreal da realidade em que vivemos. Entregar os próprios filhos aos abutres é uma covardia. Assim sendo, é preciso saber em quais circunstâncias isso ocorre. Veja abaixo:

1. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de ensiná-los.

“Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões”. Dt 6.7-9-NVI

- Ensinar aos filhos os princípios de Deus é um antídoto contra os abutres.

2. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de atentar para as amizades de seus filhos.

“O homem honesto é cauteloso em suas amizadeshttp:/, mas o caminho dos ímpios os leva a perder-se”. Pv 12.26-NVI

- Verificar quem são os amigos de seus filhos é um antídoto contra os abutres.

3. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de dar exemplo.

"Em tudo seja você mesmo um exemplo...”. Tt 2.7-NVI

"O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos!" Pv 20.7-NVI

- Ser exemplo para os filhos é um antídoto contra os abutres.

4. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de lado os valores da Palavra de Deus.

“Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do SENHOR!” Sl 119.1-NVI

- Sinalizar para os filhos os valores da Palavra de Deus é um antídoto contra os abutres.

5. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de corrigir seus filhos.

"Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá”. Pv 23.13-NVI

"Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”. Ef 6.4-NVI

- Corrigir os filhos sempre que for necessário é um antídoto contra os abutres.

6. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam seus filhos tomarem decisões que ainda não poderiam fazê-lo sozinhos.

“Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar”. Dt 6.7-NVI

- Decidir pelos filhos quando estes ainda são imaturos é um antídoto contra os abutres.

7. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de dizer não.

- Dizer não para os filhos em alguns momentos é um antídoto contra os abutres.

8. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de dizer a verdade aos seus filhos.

“Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade”. Sl 15.2-NVI

- Falar a verdade aos filhos é um antídoto contra os abutres.

9. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam que eles amem mais o mundo que a Deus.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Rm 12.2-NVI

- Proteger os filhos dos valores deste mundo é um antídoto contra os abutres.

10. Os pais entregam seus filhos aos abutres quando deixam de notar que existe uma luta espiritual.

“Pois a nossa luta não é contra seres humanoshttp:/, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais”. Ef 6.12-NVI

- Atentar para a realidade do combate espiritual é um antídoto contra os abutres.

Os abutres são uma realidade que não devem ser ignorados. Lembre-se de que seus filhos são herança de Deus. São presentes de Deus. Assim, cuide para que eles não sejam entregues aos abutres.







Pr Evaldo Rocha

Quando falta disciplina na família


Não existe curso de doutorado em paternidade. Grandes homens fracassaram rotundamente nesse sublime, mas árduo ministério. Um clássico exemplo dessa realidade é o sacerdote Eli. Diz a Escritura que seus filhos eram filhos de Belial e não se importavam com o Senhor (1Sm 2.12). Eli foi juiz e sacerdote de Israel por quarenta anos. Era um homem de Deus, que tinha discernimento das coisas espirituais. Em seu longo ministério, certamente cuidou de milhares de famílias e aconselhou muitos filhos a honrarem seus pais e a obedecerem a Deus. Porém, Eli deixou de disciplinar seus próprios filhos.

Hofni e Finéas, cresceram dentro da casa de Deus. Desde cedo se acostumaram com o culto divino e com as ofertas trazidas pelo povo. A casa deles estava encharcada da presença do sagrado. Entretanto, esses jovens prevaricaram e tornaram-se culpáveis diante de Deus. Viveram em excessos. Tornaram-se adúlteros, blasfemos e insolentes. Perderam completamente o temor de Deus. Corromperam o sacerdócio. Profanaram a casa de Deus. Mancharam suas vestes. Tornaram-se falsos pastores.

O povo todo via os escândalos promovidos por Hofni e Finéas, que embora casados, eram infiéis a Deus, ao cônjuge e ao povo. Os comentários deprimentes acerca do mau exemplo dos filhos de Eli chegavam a ele, mas este amava mais a seus filhos do que a Deus e não os disciplinava com o rigor necessário. Eli foi alertado várias vezes, mas não teve fibra para corrigir seus filhos. Finalmente, Deus usou o jovem Samuel para comunicar a sentença de morte à casa de Eli. Nem assim, ele reagiu. Ao contrário, aceitou passivamente a decretação da derrota em sua casa.

Eli tornou-se um pai complacente, bonachão e conivente com o pecado de seus filhos. Por causa do pecado deles, mais de trinta mil pessoas foram mortas no campo de batalha, a arca da aliança, símbolo da presença de Deus, foi roubada e eles foram mortos. O próprio Eli morreu ao saber das más notícias. Também morreu sua nora, a mulher de Hofni, ao dar à luz a Icabode, uma evidência de que a glória de Deus havia se apartado deles.

A família do sacerdote Eli é um alerta para nós. O amor responsável disciplina e estabelece limites. Não ama suficientemente os filhos, os pais que os poupam de confronto firme e de disciplina amorosa. Os pais ensinam os filhos com exemplo, admoestam os filhos com a palavra de Deus e os disciplinam com temor e reverência. Se você pai, ama seus filhos, ouse discipliná-los. É melhor ver os filhos chorando agora, do que sofrendo as consequências de seus pecados por toda a eternidade. É melhor o desconforto do confronto sincero do que o aparente conforto da omissão covarde. Que Deus nos ajude a termos famílias piedosas. Que a nossa maior alegria seja ver os nossos filhos andando na verdade!





Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Que parte da mensagem de Natal você não entendeu?


Você se lembra quando foi a última vez em que foi presenteado ou presenteou alguém? Provavelmente sim, pois o ato de dar e receber presentes gera um memorável sentimento de muita alegria em nós.

Além da alegria mutua que é gerada, damos presente com a finalidade de se suprir uma necessidade do outro. Isso explica a tendencia que temos de escolher, como presente, coisas que as pessoas ainda não tenham.

Claro que existem aqueles casos onde o indivíduo presenteia com a intenção única de receber algo em troca. A ideia é que, quanto mais caro for o agrado, maior será o favor retribuído. Isso, porém, é a compra do favor alheio e não o ato de se presentear sem a expectativa de receber nada em troca.

Entre todas as celebrações o Natal é o momento em que mais trocamos presentes uns com os outros. Porém esta celebração tem perdido o seu real propósito. Muitos pensam que o Natal é uma simples data reservada para se trocar presentes, quando na verdade é uma celebração de gratidão.

Deus nos presenteou com o que mais precisávamos para sermos felizes eternamente e é por isso que comemoramos o Natal. Mas que presente é esse? A resposta para essa pergunta está em Mateus 1:18-25, passagem que conta o nascimento de Jesus Cristo, o maior presente de Deus ao mundo. Vejamos porquê.

Primeiro, Jesus foi protegido como um presente (vs. 18-20)

Você possui o hábito de embrulhar os presentes e envolvê-los em um lanço antes de entregá-los? Muitos fazem assim, pois querem valorizar e proteger o presente para que nada venha a danificá-lo até o dia da entrega.

Deus também antes de entregar o melhor presente ao mundo o protegeu, claro que não em um embrulho! Cristo por não nascer pronto para iniciar a sua obra aqui na Terra teve a proteção e os cuidado de Maria e José até chegar a idade adulta. Pais escolhidos para guardar Jesus, não porque eram divindades, mas por serem tementes e direitos aos olhos de Deus.

Se Deus estivesse em busca de um casal hoje, ainda encontraria um homem e mulher tementes e prontos para defender o nosso Senhor? Sabendo que Cristo é o melhor presente ao mundo, como temos o defendido? O Cristão deve ter convicção de sua crença, compartilhar a sua fé e defendê-la contra hereias ou ataques aos seus filhos na fé.

Segundo, Jesus foi prometido como um presente (vs. 21-23)

Levei minha filha recentemente a um Shopping Center e já na entrada ela viu um Papai Noel. Sem perder tempo, ela correu para lhe fazer um pedido. Como é de praxe, o Papai Noel lhe prometeu entregar o presente solicitado no Natal. A questão é que, após alguns minutos, ela viu a boneca solicitada ao bom velhinho numa vitrine e me fez o mesmo pedido. Com 7 anos de idade, ela não acredita mais no Papai Noel.

O que há de errado com a minha filha que não acredita nas promessas de um senhor que parece ser tão confiável? Ela reflete a mesma atitude que temos como adultos, pois duvidamos da promessas que nos são feitas já que muitas não são cumpridas. Políticos, por exemplo, vivem prometendo, mas nem sempre estas promessas são cumpridas.

José, por outro lado, acreditou na promessa que lhe foi feita, pois ela havia sido feita não pelo Papai Noel ou por um político, mas por um anjo e profeta do Senhor, nosso Deus. Se Deus promete, Ele cumpri!

Em quem você deposita a sua fé? Em Deus, que prometeu e cumpriu a promessa de enviar o seu filho Jesus Cristo para nos perdoar e reconciliar, ou, em nas promessas humanas como as do Papai Noel?

Terceiro, Jesus foi aguardado como um presente (vs. 24 e 25)

Alguns pais, quando compram os presentes de Natal aos seus filhos, dizem a eles que os presentes só poderão ser abertos no dia 25 de dezembro. Isso deve algo terrível para as crianças, pois ficar olhando o embrulho do presente, tão esperado e não poder abri-lo até a data certa, deve gerar uma tremenda ansiedade.

José e Maria passaram por um momento semelhante, pois aguardaram nove meses seu melhor presente chegar. José, por exemplo, não teve intimidade com Maria esperando pacientemente o nascimento de Cristo.

Hoje muitos aguardam, não o nascimento, mas o retorno de Jesus. Por outro lado, muitos não esperam a volta de Cristo. Pessoas que preferem aguardar, ano após ano, um ser fictício de barba branca. Pessoas que se esquecem que, Cristo nasceu para ser o nosso salvador, mas que voltará com um outro propósito, o de julgar. Você está preparado para esse retorno de Jesus?

Conclusão

Todos nós, pecadores, estávamos longe de Deus, mas Cristo nos reconciliou e hoje Deus está conosco (Emanuel). Nós merecíamos a morte eterna, mas Deus nos deu Jesus como presente que morreu em nosso lugar nos justificando. Devemos então colocar Cristo novamente no Natal, pois ele é a única razão dessa comemoração. Charles Spurgeon, dizia que: “Cristo não é glorificado porque ele nasceu numa manjedoura, mas, porque ele nasce num coração quebrantado”. Se o seu coração foi quebrantado pelo Espírito Santo de Deus, por meio deste texto, receba o presente que foi protegido, prometido e aguardado por amor a você. Jesus Cristo, o melhor presente de Deus ao mundo.






Por Alessandro Brito

sábado, 20 de dezembro de 2014

Dilma alopra assessores e PT convoca militância profissional


Marco Aurélio Mello, ministro da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, que não tratará da Lava Jato, comentou ontem que, como cidadão, está “muito curioso em saber o que tem dentro desse embrulho”. Todo cidadão honesto está aguardando a demorada divulgação dos nomes dos políticos em um dos maiores escândalos de corrupção do mundo. Independentemente de quem for denunciado, ou ficar providencialmente de fora, por inexplicável blindagem criminosa, o fato gravíssimo é que as maiores estatais (não só a Petrobras) ficaram a serviço de uma base partidária que rouba bilhões e destrói a reputação das empresas que deveriam ser orgulho da Nação.

O pavor no governo chegou ao ápice com o depoimento oficial ao Minstério Público Federal de uma das pessoas mais íntimas do delator premiado Paulo Roberto Costa. A geóloga Venina Velosa Fonseca causou pânico com a entrega de um computador repleto de provas sobre os escândalos na Petrobras. A tensão é tanta que Dilma Rousseff deu ordens para que seus assessores mais próximos não se afastem da capital federal. No Palácio do Planalto, circulam informes seguros de que os nomes da Presidenta e do ex-Presidente Lula da Silva podem ser seriamente envolvidos na Lava Jato. Além disso, o medo real de ocorrer algum incidente grave que impeça a posse levou o acuado PT a fretar mais de dois mil ônibus para levar militantes profissionais até Brasília.

A divulgação pelo Estadão de uma lista de 28 nomes de políticos citados por Paulo Roberto Costa causou um rebuceteio no Governo do Crime Organizado. Como de costume, todos os listados reagiram com indignação e negaram qualquer envolvimento nas falcatruas entre a Petrobras e empreiteiras. As negativas, no entanto, podem valer de nada, na hora que forem apresentadas provas de verdade. Mesmo trabalhando durante o recesso forense, em janeiro, a força tarefa da Procuradoria Geral de República que cuida da Lava Jato só deverá apresentar os pedidos de inquérito a partir de fevereiro, quando os ministros do STF voltam ao trabalho e parlamentares tomam posse - e muitos outros deputados e senadores indiciáveis, sem mandato eletivo, perdem o direito ao absurdo foro privilegiado. Como o suspense deve durar mais de um mês, este é o tempo com que os bandidos contam para costurar sua impunidade.

O procedimento judicial será simples. As denúncias contra pessoas sem foro privilegiado serão enviadas para a primeira instância da Justiça Federal. Os processos que envolvem governadores ainda no cargo vão para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal vai receber as denúncias contra deputados e senadores com cargo eletivo. Arquivar o caso ou aceitar a abertura de ação penal será uma decisão dos ministros Teori Zavascki (relator), Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski. Falta um supremo magistrado, ainda a ser indicado por Dilma para a vaga aberta pela aposentadoria forçada de Joaquim Barbosa, para completar o time que julgará a Lava Jato.

Foi esta mesma segunda turma do STF quem decidiu, nesta semana que acaba, de forma unânime, que foram ilegais as provas obtidas na sede do Banco Opportunity contra o empresário Daniel Valente Dantas, investigado pelas operações Satiagraha e Chacal, da Polícia Federal. Ainda cabe recurso, mas dificilmente o habeas corpus será derrubado. A defesa de Dantas, que responde por crimes financeiros, alegou que dados de um disco rígido da instituição financeira foram copiados sem ordem judicial específica. A decisão confirma que, no STF, tudo pode acontecer.

Nos bastidores dos podres poderes da federação de mentirinha, uma tese se consolida: pela quantidade de provas materiais legalmente geradas pela transação penal, nas colaborações premiadas de indiciados e nos acordos de leniência firmados por empresas, será praticamente impossível que não se chegue à verdadeira cúpula de chefões da Lava Jato, envolvendo nomes dos mais altos escalões da republiqueta de Bruzundanga. Na avaliação de políticos, magistrados, procuradores e lobistas é apenas uma questão de tempo para se atingir o núcleo duro da organização criminosa. 

Quando isto acontecer, o que virá depois só Deus sabe...





Por Jorge Serrão

Stalinistas de galinheiro


Não batem bem da cabeça devotos de uma seita que tem em Lula seu único deus, enxerga em FHC um demônio disfarçado de sociólogo e debita na conta da elite golpista (entidade formada exclusivamente por loiros de olhos azuis) todos os males do Brasil, passados, presentes e futuros. Só mentes em desordem conseguem berrar amém a todas as cantilenas cafajestes dos celebrantes de missas negras, concebidas para ensinar que, como os fins justificam os meios, não existem pecados nem abaixo nem acima da linha do equador. Só ovelhas com defeitos de fabricação insanáveis podem ser tão subservientes a sinuelos sem siso e pastores sem vergonha.

Nada que venha de gente assim deveria surpreender brasileiros ajuizados. Mas o rebanho não para de expandir as fronteiras da vigarice e do oportunismo com manifestações de idiotia que surpreendem seres normais. O surto da semana foi provocado pela iminente normalização das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos, tema da reportagem de capa de VEJA. Para o início do carnaval temporão da companheirada, bastou que o presidente dos EUA prometesse lutar pela imediata suspensão do bloqueio econômico ─ uma velharia que, se a decisão da Casa Branca for aprovada pelo Congresso, enfim descansará em algum museu da Guerra Fria.

Na terça-feira, os stalinistas de galinheiro que rosnam por aqui continuavam sonhando com a destruição do imperialismo ianque e a globalização da maravilha comunista inaugurada pelo ditador de Adidas e aperfeiçoada pelo caçula mais velho do planeta. Na quarta, todos os adoradores da ilha-presídio festejaram o noivado de Barack Obama com Raúl Castro. De um dia para o outro, o que era o Grande Satã norte-americano virou o vizinho que todo país pede a Deus. Nada como a reconciliação entre o socialismo revolucionário e o capitalismo selvagem para abrir um sorriso de orelha a orelha na cara de todo marxista de galinheiro.

Nos anos 50, quando Fidel Castro lutava pelo poder, havia em Cuba um ditador cleptocrata a derrubar, uma economia asfixiada pela monocultura da cana e prostitutas demais em Havana. Na segunda década do século 21, há prostitutas demais na ilha inteira, um oceano de canaviais asfixiando a economia e uma ditadura comunista a sepultar. Vai cair de madura com o fim do bloqueio. Acabou o prazo de validade da última desculpa para as misérias da ilha algemada desde 1959 pela hegemonia dos liberticidas.

Os cubanos não demorarão a descobrir que o inferno capitalista é infinitamente mais agradável que o paraíso dos irmãos Castro. Se a ditadura resolver enquadrar os seduzidos pelo mundo civilizado, ninguém terá de fugir de Havana e enfrentar a perigosa travessia do Caribe. A embaixada americana estará logo ali.







Por Augusto Nunes