sábado, 13 de dezembro de 2014

Bombas de Venina envenenando Graça Foster podem atingir Dilma e Lula - que reza por silêncio de Paulinho


O Presidentro Lula da Silva guarda uma esperança de que seu santificado nome permaneça de fora de qualquer denúncia concreta na fase de alvos políticos dos processos da Operação Lava Jato. Investigadores da Lava Jato já detectaram que emissários de Lula já negociam uma "trégua" com o "colaborador premiado" Paulo Roberto Costa, para que ele poupe Lula e Dilma em próximos depoimentos, fatalmente ao Supremo Tribunal Federal. Lula nunca esteve tão vulnerável, já que não tem mais direito a foro privilegiado. A blindagem começa a ficar atingível pela lama ácida do Petrolão. Se Paulinho fizer como Marcos Valério, no Mensalão, tudo fica como dantes no Palácio do Abrantes. Cumprir tal trato, diante de tanta pressão, será nada complicado...

Já existem provas documentais suficientes nas investigações e "colaborações premiadas" da Lava Jato para envolver os nomes do ex-Presidente Lula da Silva e da atual Presidenta Dilma Rousseff no esquema bilionário de lavagem de dinheiro desviado em contratos superfaturados entre empreiteiras e o poder público. O segundo mandato corre o risco concreto de nem começar, por causa do estouro da tubulação de safadezas do Petrolão. Esta é a avaliação que circula, de modo ainda impublicável, entre as principais lideranças políticas do Brasil, da oposição à situação.

As bombásticas revelações da geóloga de carreira da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, deram uma calça arriada no Palhaço do Planalto, que perdeu a Graça (literalmente). "Exilada funcionalmente" em Cingapura, depois de sofrer ameaças pessoais e contra seus filhos, a ex-gerente da área de Abastecimento da Petrobras resolveu tornar públicos, ao jornal Valor Econômico, seus e-mails para Graça Foster e toda a diretoria da empresa, advertindo sobre o sistema de corrupção que a Lava Jato trouxe à tona. O veneno de Venina contaminou o chefão Lula. Em conversa com Paulo Roberto Costa, em 2008, o agora "colaborador premiado da Lava Jato" teria feito um desabafo a Venina, apontando para o retrato de Lula na parede: "Você quer derrubar todo mundo?!".

A queda parece inevitável. O ex-Presidente permanece em seu estado de silêncio público agonizante. Sem coragem para encarar abertamente a imprensa livre (e não seus blogueiros amestrados por verbas públicas e outros dinheirinhos que sabe-se de lá de onde vêm), Lula nada fala. Ontem, no entanto, o Instituto Lula foi forçado a emitir uma nota (de imprensa) tentando desvincular o ídolo mor da seita petista daquele sujeito que (nos bons tempos) era tratado amigavelmente como "Paulinho". Na humorística alegação do IL, "o ex-diretor da petrobras Paulo Roberto Costa disse à CPMI que jamais discutiu os desvios da Petrobras com o ex-presidente Lula ou com a presidente Dilma".

Mais hilária foi a reação de Dilma Rousseff, ontem, na subida da rampa interna de um Ciep (escolão feito pelo ídolo dela, Leonel Brizola), em Itaguaí. Ao lado do governador Luiz Fernando Pezão, Dilma, morrendo de dar um pezão na imprensa, ouviu de um repórter a indesejada solicitação: "Presidente, fala com a gente sobre a Petrobras". Como uma pop star de blusa vermelha, que vai ganhar um Oscar de efeitos especiais, Dilma abriu um sorriso, deu um tchauzinho e jogou um beijinho para os jornalistas. A cena seria simpática não fosse uma fuga vergonhosa de um escândalo que, se não impedir a posse para o segundo mandato (o que é pouco provável), fatalmente vai lhe causar desgaste e ingovernabilidade até um impechment político ou natural (por pressão psicológica que lhe afete a saúde).

Dilma já era! Sem nunca ter sido Presidente (para os petistas virou Presidenta e para os adversários ou inimigos não passa de uma Presidanta - o que é uma agressão imperdoável a um animalzinho tão inteligente). Na verdade concreta do maçom alemão Goethe, Dilma é a Viúva Porcina do chefão $talinácio. Para quem não tem cultura novelesca, Porcina é uma personagem de "Roque Santeiro", do falecido Dias Gomes, conhecida como "aquela que foi sem nunca ter sido". Pobre Dilma que tem a missão impossível de preparar a volta de Lula em 2018, mesmo sem saber se consegue chegar até lá politicamente inteira...

O "Cartel Tupiniquim", que comanda o governo do crime organizado no Brasil, nunca esteve tão abalado...





Por Jorge Serrão

Corrupção, uma ameaça real à democracia


A sociedade brasileira celebrou com múltiplos eventos e discussões públicas o Dia Internacional de Combate à Corrupção, na última terça-feira, dia 9 de dezembro. A mobilização social em torno do tema indica bons ventos, a revelar que os brasileiros estão cada vez mais engajados na luta contra a malversação de dinheiro público e as formas ilegais de se fazer negócios no país.

Os sucessivos escândalos envolvendo a sangria do erário, nas mais variadas e criativas formas, deixam a sociedade perplexa. Vide caso Petrobrás, maior estatal brasileira e cuja existência é emblemática à nação. Para o cidadão comum, o trabalhador que enquadra sua via dentro de rigorosos parâmetros de honestidade e vive com o dinheiro contado, a hora de dar um basta no atual estado de coisas já passou.

De qualquer forma, a perplexidade precisa ser substituída por uma concreta alteração de índole institucional. É imperioso e urgente o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle dos atos praticados pelo administrador público, não só com o objetivo de punir o desvio, como, também, e essencialmente, evitá-lo.

O que a sociedade deseja é saber que os recursos financeiros que disponibiliza ao Estado, na forma do pagamento de uma excessiva carga tributária, se convertam em reais serviços para todos, principalmente aqueles que são economicamente menos favorecidos.

O combate efetivo à corrupção passa por mais do que isso. Passa também pela correta compreensão dos papéis das instituições. No começo da semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que investiga uma ramificação do inquérito penal que tem como pano de fundo a Petrobrás, sugeriu que a diretoria da estatal fosse substituída: “Esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria”.

No mesmo dia, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, saiu em defesa do alto escalão da empresa. “Não há razão objetiva para que os atuais diretores da Petrobras sejam afastados. Não há indícios contra sua presidente ou atuais diretores”, disse Cardozo.

Ora, se de um lado parece-nos estranho o papel do procurador-geral da República de sugerir mudanças na Petrobras, por outro, o que tem a ver o ministro da Justiça como advogado da diretoria da empresa?

Essa confusão entre os papéis institucionais confunde a população, que acaba colocando toda a culpa pela eventual impunidade em uma instituição chamada Justiça — que no imaginário popular envolve Ministério Público, Judiciário e instâncias administrativas de forma geral. Esse caldo de desinformação ajuda a minar a crença na democracia. E a falta de crença no sistema é a semente para a sua destruição.

A Constituição Federal de 1988 representou um pacto do povo brasileiro que aspirava a um Estado democrático fundamentado, essencialmente, na dignidade da pessoa humana, condição indispensável para a construção de uma “sociedade livre, justa e solidária”, nos exatos dizeres da Lei Maior. Desde então, há uma crescente conscientização do exercício da cidadania. Mas é preciso tirar as intenções do papel de forma mais efetiva.

Se não esclarecermos os papéis institucionais, identificarmos as causas da corrupção, se não compreendermos todo o processo e se não tomarmos atitudes, tudo aquilo pelo qual lutamos poderá sucumbir. Acima de ideologias e de partidos, o enfrentamento da corrupção no Brasil exige coragem, determinação e comprometimento ético, sem os quais não construiremos um verdadeiro Estado democrático de Direito.





Por Ibaneis Rocha

Chumbo grosso, cabeça fria

O mau-caráter, o desonesto, o sem-vergonha, o corrupto nasceram com o homem, mas nunca na história deste país eles foram tantos e tão poderosos


A emoção serve para ganhar eleição, mas para governar o que vale é a razão. Mas parece cada vez mais difícil, justo num momento muito difícil para o país, estabelecer-se um debate racional e qualificado sobre os graves problemas que todos conhecem. Ninguém, nenhuma corporação, nenhum partido tem força política, popular, econômica e moral para mudar nada sozinho. É hora de negociar soluções para os impasses que atrasam e empobrecem o país, sem ser mais rigoroso com os outros e mais complacente com os seus.

Mas, quando se fala em negociar, qualquer brasileiro logo associa a falcatruas, vantagens indevidas, propinas e outros crimes corriqueiros no cotidiano nacional, em todos os níveis da administração pública. Sim, existem negociações legítimas e possíveis, dependendo dos interlocutores, de sua credibilidade e, principalmente, de boa vontade e tolerância, que, longe de serem sinais de fraqueza, representam superioridade moral.

Na negociação que levou Joaquim Levy ao comando da economia, a razão venceu a emoção. Mas sobre o aparelhamento das estatais, um dos fatores geradores da corrupção, ninguém fala. Não basta trocar de nomes, é preciso mudar conceitos e valores. Ou, como diria Paulo Maluf com sua voz anasalada e a crueza de um quibe cru: “Não adianta trocar as moscas, precisamos é sair da merda.”

Cheios de razão, milhares de funcionários e ex-diretores corretos, eficientes e dedicados da Petrobras, e de outras estatais, a imensa maioria que construiu com seu trabalho a grandeza das empresas, estão indignados com a tática defensiva dos delinquentes de dizer que todos fazem, que sempre foi assim, jogando no mesmo saco de lixo os melhores e os piores para dar a ideia que todos são iguais e, por isso, a culpa deve ser diluída, e ninguém condenado. Como se fossem todos óleo do mesmo barril, querem que a mancha se espalhe no mar do esquecimento e tudo mude para nada mudar.

O mau-caráter, o desonesto, o sem-vergonha, o corrupto nasceram com o homem, mas nunca na história deste país eles foram tantos e tão poderosos, ao mesmo tempo: nada é mais organizado do que o crime no Brasil.





Por Nelson Motta

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A faceta mais corrupta do PT


Engana-se quem acha que escândalos como Mensalão e Petrolão escancaram a faceta mais corrupta do PT. Há algo ainda pior: a corrupção moral manifestada pelo partido e pelos seus militantes, especialmente os parasitas das redações de jornais.

Nunca se praticou tanta fraude intelectual em prol da transformação de crimes horrendos em ações palatáveis ao público via manipulação linguística. Quando um partido como o PMDB, PSDB, PP ou DEM tem um dos seus quadros investigado por corrupção, fica envergonhado, de cabeça baixa. De maneira diametralmente oposta, o PT fica de cabeça erguida. Enquanto os demais se envergonham quando um dos seus comete os crimes, o PT parece se orgulhar se suas vergonhas.

Quem duvidar dessa constatação pode, se for isento, usar tanto os guias de falácias disponíveis por aí (na Internet, você pode consultar por “Stephen Downes”) quanto um checklist da dialética erística (onde Schopenhauer mapeia 38 estratagemas erísticos, usados para vencer debates sem ter razão) a fim de avaliar qualquer discurso petista tentando relativizar os crimes do partido.

Por exemplos, os petistas dizem: “os opositores dizem que o PT inventou a corrupção”. Ninguém afirmou nada disso, mas aí falamos da tradicional falácia do espantalho.

Segundo os petistas, pedir impeachment é golpe, mas eles mesmos lutaram por impeachment de Collor. Aqui temos o estratagema da distinção de emergência, mapeado brilhantemente por Schopenhauer.

De acordo com o PT, a corrupção “não vem de hoje”. Porém, as evidências claras dos crimes do PT estão aí, enquanto corrupções de mesmo nível dos “outros” estão apenas na especulação. Aqui seria uma mistura da falácia tu quoque (“você também”) com falácia da ignorância.

Mas e a origem da corrupção? Agora, para o PT, a culpa é do financiamento privado de campanha. Ou seja, a falácia da falsa causa. Ademais, financiamento empresarial de campanha existe na maioria dos países civilizados e com índices de corrupção muito menores do que os do Brasil. É claramente mais um embuste petista.

É claro que os petistas não acreditam no que dizem. Eles são espertos demais (caso contrário não estariam no poder) para se enganar tanto. Falamos evidentemente de corrupção moral, um estágio discursivo no qual a prática da fraude intelectual é um método.

Mas por que os petistas agem assim com tamanha proficiência, enquanto as pessoas dos demais partidos (quase todos os outros, especialmente os dois maiores partidos da base aliada) não conseguem dissimular tanto?

A resposta pode ser encontrada em obras de Lenin e Trotsky, que deram o sistema moral dessa gente. Enquanto para a maioria das pessoas normais, mentir é uma vergonha, para os seguidores de Lenin e Trotsky (influencias evidentes do PT, assim como se suas linha auxiliares PCdoB e PSOL) é motivo de orgulho.

Ambos os autores delineavam um sistema moral no qual os mais pérfidos, embusteiros, cínicos, desalmados, cruéis e calculistas são eleitos como os principais centroavantes em projetos de conquista de poder. A partir dessa filosofia, mentir e praticar atrocidades já não é mais uma falha moral, mas um imperativo tático. Grupos seguindo esses padrões morais selecionam seus melhores pela habilidade de mentir, dissimular, e ainda usarem um sorriso angelical enquanto fazem tudo isso.

Repare bem no comportamento de políticos como Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann, Humberto Costa e todos os petistas falando no Plenário na semana passada. Melhor ainda: faça isso amanhã, na conclusão da votação da Lei do Calote. Sempre teremos o mesmo padrão de embuste, a mesma defesa do indefensável, e a mesma proficiência em praticar todas as fraudes intelectuais possíveis. Tudo vale, desde que o poder seja adquirido ou mantido.

O PT praticou os maiores atos de corrupção da história do Brasil não por que “todos fazem”, mas por que ninguém entende projetos de poder de forma tão imoral como eles. A noção de que o engano é um mérito, não uma vergonha, é o mesmo componente que habilitou que genocidas do passado matassem milhões e milhões de pessoas, enquanto diziam “levar amor a todos”.

É por isso que estados comandados por esse tipo de gente são devastados, em uma escala jamais vista em governos nas mãos de partidos com outro tipo de sistema moral. É que para o PT a corrupção está enraizada em seu sistema moral. Mais: eles seguem um sistema “moral” corrupto.

E tenha muito cuidado, pois partidos agindo assim são capazes de vender genocídios como “manifestações de amor em larga escala”. O que é o mesmo que vender ao povo a imagem de que “nunca se lutou tanto contra a corrupção” quanto na verdade nunca se levou o estado a um nível de aparelhamento e saqueamento como no governo do PT.




Por Luciano Henrique

Nova geração na guerra contra a impunidade


Conversava outro dia com um amigo que tem uma casa de praia, e ele me contava de sua experiência kafkaniana com nossos fiscais corruptos. Para construir uma rampa para subir o jet-ski, foi preciso todo tipo de autorização e aprovação. Coisas do Brasil. Meu amigo, sujeito correto, “caxias” até, fez tudo certinho. E qual não foi sua surpresa quando um fiscal apareceu lá pedindo grana, sem mais nem menos, para não criar problemas?

Parêntese: a essência da burocracia brasileira é criar dificuldades legais para vender facilidades ilegais em seguida. São tantas normas, tantas regras arbitrárias, que sempre é possível encontrar uma ou outra coisa fora do lugar para tentar achacar os outros. O cerne da questão está justamente na quantidade excessiva de regras, fruto de uma fé boboca e infantil no estado burocrata como protetor contra empresários e “ricos malvados” em geral. Fecho o parêntese.

Meu amigo não quis conversa, disse que estava tudo feito dentro das normas, e mandou o fiscal embora. Qual não foi sua nova surpresa quando um oficial da Justiça apareceu com uma intimação às 6h da matina em sua casa?! Resumindo a história: ele foi duas vezes para tribunais, primeiro por uma alegação absurda de que a rampa não atendia aos padrões exigidos, depois sob acusação de impacto ambiental (é mole?). Gastou uma grana com advogado. Desgastou-se. Mas deu tudo certo.

E fiz essa longa introdução justamente pela conclusão que tivemos durante a conversa: sua impressão dos juízes que julgaram e logo arquivaram seus casos por falta de provas foi a melhor possível. Uma mulher jovem, de bom nível, agindo com firmeza e seriedade, e um rapaz jovem que também não perdeu tempo quando notou que aquilo era um absurdo. O receio de meu amigo era que os juízes também fizessem parte do esquema para obter subornos, mas ficou aliviado quando viu que eram pessoas jovens, determinadas e sérias.

Refletimos, então, se essa é uma nova tendência: promotores, juízes, procuradores, gente nova, com boa formação, com um salário que não deixa ninguém rico, mas que garante uma boa qualidade de vida, servidores públicos desprovidos do fervor ideológico de outrora, mas ciosos de sua função primordial no combate à impunidade e à corrupção. São casos cada vez mais comuns, felizmente.

E uma reportagem do GLOBO de hoje mostra exatamente isso, com base na turma por trás da Operação Lava-Jato:

Tendo entre 28 e 50 anos, os nove — Dallagnol, Mattos, Antonio Carlos Welter, de 46 anos, Athayde Ribeiro Costa, de 34, Januário Paludo, de 49, Orlando Martello Júnior, de 42, Paulo Roberto Galvão, de 36, Roberson Henrique Pozzobon, de 30, e Carlos Fernando dos Santos Lima, de 50 — são representantes de uma nova face do MP. Trabalham em conjunto, são especialistas em diferentes áreas — de improbidade administrativa a atividade policial, passando por colaboração jurídica internacional — e a maioria já concluiu o mestrado. Dallagnol estudou em Havard, e Lima, em Cornell, nos EUA. Welter passou pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e Galvão, pela London School of Economics, na Inglaterra. Eles ainda costumam dar cursos na Escola Superior do Ministério Público e escrever livros e artigos.

[...]

— Essa nova geração do MP, que é formada por homens e mulheres do seu tempo, tem uma pauta de valores mais clara. Eles já não estão tão ligados à ideologia. Por isso, digo que essa juventude não é revolucionária, mas evolucionista. Esses novos procuradores têm consciência do poder do Ministério Público. Sabem que, com um pouco de boa vontade e destemor, podem operar contra a impunidade — disse o procurador Edilson Mougenot Bonfim, que costuma dar palestras no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre a nova geração do MP:

— Muitos cresceram acompanhando as expectativas dos pais sobre o Brasil e agora podem corresponder a isso, trabalhando pelo fim da impunidade, pela igualdade de direitos e de aspirações. Se veem assim na incumbência histórica de levar à frente essas ações. Sabem que a vontade de termos uma sociedade melhor sempre existiu, mas veem que agora é o momento, que não dá mais para postergar.


Esse pessoal tem feito a diferença! Eles agem com coragem, com convicção na Justiça, no império das leis, no Estado Democrático de Direito, e valorizam sua independência. Assim como respeitam e estimam a independência da imprensa também. O procurador Dallagnol, discordando da presidente Dilma, que chegou a dizer que não é função da imprensa investigar, afirmou que enxerga na imprensa independente uma “aliada” na guerra contra a impunidade.

E somos mesmo! Nem preciso dizer que tenho orgulho de abrigar meu blog na Veja, ícone dessa imprensa independente que produz jornalismo de verdade, doa a quem doer. E por isso entendo tão bem o que motiva esses jovens procuradores e juízes: nem tudo na vida se mede pela conta bancária. Aliás, as coisas mais importantes não!

Eis algo que um vendido jamais entenderá. Os corruptos costumam medir os demais por sua régua, projetam o que são nos outros, olham a humanidade diante de um espelho. Como se vendem com facilidade, pensam que todos fazem o mesmo. Blogueiros e “jornalistas” que atuam na mídia chapa-branca, ganhando muito dinheiro de verbas estatais em troca da cumplicidade, revoltam-se com aqueles que preferem abrir mão de mais grana em troca de algo bem mais valioso: a consciência limpa e a convicção de que luta a boa luta em prol da liberdade e da justiça.

Juntos, a nova leva de jornalistas corajosos e sem o velho ranço ideológico marxista, e essa nova geração de servidores públicos honrados, preparados e sérios, têm uma chance rara de mudar o Brasil, de finalmente reduzir a impunidade e a corrupção, e implantar uma República de fato neste país. Saibam que contamos com todos vocês, admiramos seu trabalho, e estamos juntos na mesma luta. Tremei, corruptos!





Por Rodrigo Constantino

“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.”


Derek Bok, ex-reitor e ex-diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, foi extremamente sábio quando afirmou o seguinte: “Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.” Como educador defendo esta ideia, acredito que a educação é a única forma de combater a ignorância que impede os cidadãos de contribuírem para a democracia e ajudarem a melhorá-la.

Um dos grandes problemas da democracia é o avanço crescente da ignorância frente ao enfraquecimento de uma educação de qualidade, que hoje se encontra condenada à falência. Esta ignorância que tem se destacado no nosso país é sustentada por demagogos que prometem aos falsos cidadãos aliados, pacotes de benefícios diretos para todos aqueles que são complacentes e partidários de suas ações, já aos seus opositores e não simpatizantes, eles oferecem o “porrete”, a perseguição e a crucificação.

A ignorância, a pobreza e a dependência da população são cúmplices da corrupção e, certamente, ajudam a alavancar as negociatas que enriquecem inúmeros políticos brasileiros. Não interessa a esses “senhores” melhorar, efetivamente a qualidade da educação brasileira. Isso significaria, no final das contas, uma população mais esclarecida, atuante, crítica e exigente. Quando a qualidade da educação brasileira melhorar, os ignorantes acomodados com a situação precária do nosso país; exigirão serviços públicos melhores e se tornarão aqueles que vão as ruas protestarem, assim, como os jovens fizeram em Paracatu-MG na marcha contra a corrupção e foram criticados pelos ignorantes.

Os ignorantes não entendem que a luta contra a corrupção começa nos pequenos atos cotidianos de cada um. Não dar propina, respeitar as leis, ter paciência nas filas, votar com consciência, participar da educação dos filhos, cobrar serviços públicos de qualidade são formas de combater a corrupção, mas os ignorantes veem isso com outros olhos.

Para a educação de qualidade ocupar o lugar da ignorância que impera, o Brasil precisa investir mais em educação, na verdade, deveria dobrar os seus investimentos em Educação Básica, atingindo o equivalente a 10% do PIB. O Brasil investe hoje na Educação Básica metade do que investem os países vizinhos – Chile, México e Argentina e seis vezes menos que a média dos países da OCDE.

Sem professores valorizados será difícil vencer este desafio. Os países que estão no topo da educação mundial, como Finlândia e Coréia do Sul, só conseguiram fazer com que a educação de qualidade superasse a ignorância dominante porque passaram a oferecer salários iniciais expressivos e uma carreira atraente para os seus educadores, atraindo, dessa forma, os alunos mais bem preparados do ensino médio.

A educação se destaca como o grande tema com capacidade de articular e integrar as várias dimensões do desenvolvimento humano. Uma educação de qualidade acessível a todas as crianças e adolescentes do país – considerando todas as etapas, do infantil ao ensino superior – é fundamental para vencermos a ignorância e para que a distribuição da riqueza seja mais justa. Se não cumprirmos esse desafio, o Brasil pode não dar o salto que a gente quer que dê e ficar aquém das expectativas no bicentenário de nossa Independência, em 2022.

Mas temos também de ter a consciência de que esse desafio é o de promover a educação para além da escola. O que queremos é uma sociedade pensante, na qual todos têm seu papel a cumprir, inclusive os meios de comunicação, na formação de valores comuns que orientem a perspectiva de um país mais justo e solidário, com condições e oportunidades iguais para todos.





Por Vitor Soares

O ‘caso Petrobras’ respinga em obras feitas na América Latina


Quando o primeiro ex-diretor da Petrobras detido na Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa, afirmou que a corrupção investigada "acontece em todo o Brasil", pode não ter dito tudo o que sabia. O documento que a Polícia Federal encontrou na residência do cambista “arrependido” Alberto Youssef, com registros de mais de 700 contratos, ameaça ampliar ainda mais, se possível, o âmbito do maior caso de corrupção da história brasileira.

O já célebre juiz do Paraná Sérgio Moro reconheceu em uma diligência que as revelações são “perturbadoras” e sugeriu que “o esquema criminoso de fraude, licitação, superfaturamento e subornos poderia ir muito além” da petroleira estatal. Não se refere somente ao restante do país. O citado documento inclui obras públicas realizadas em vários outros países latino-americanos, como Argentina e Uruguai (parceiros do Brasil no Mercosul), Equador e Colômbia.

As listas apreendidas com Alberto Youssef, preso desde março e acusado de lavagem de dinheiro, trazem (segundo informou a TV Globo no fim de semana) detalhes sobre 747 obras realizadas por 170 empresas, na maioria construtoras, em uma relação que apresenta grande semelhança com a das empresas investigadas na enorme operação desencadeada pela polícia federal há 18 meses. A soma total desses projetos é de 11,5 bilhões de reais; talvez uma quantia modesta em comparação com a gigantesca rede de subornos, lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de partidos políticos descoberta no entorno da Petrobras, “mas que poderia ser apenas a ponta do iceberg de outro escândalo enorme”, dizem a esse canal de televisão fontes ligadas ao caso.

Um total de 59% das obras que aparecem na lista apreendida com Youssef tinha a Petrobras como cliente final. Os principais projetos eram obras de infraestrutura de transporte (portos, aeroportos, metrôs), bem como refinarias e obras de mineração e saneamento. O juiz Moro pediu explicitamente uma “profunda investigação” para confirmar as suspeitas sobre as novas irregularidades. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, confirmou que as novas revelações já estão sendo analisadas pelo Ministério Público.

Entre as obras incluídas na relação se destaca a ampliação do porto de Mariel, a 50 quilômetros de Havana (Cuba), ambicioso projeto da nova zona franca comercial realizado com financiamento brasileiro, cuja primeira parte foi inaugurada em janeiro com a presença da presidenta Dilma Rousseff, e que foi criticado durante a recente campanha eleitoral pelo oposicionista Aécio Neves.Construído pelo "gigante" Odebrecht (investigada na Lava Jato, embora seja uma das poucas empresas do suposto “clube” de empreiteiras corruptoras que não teve nenhum diretor preso), seu valor alcança o equivalente a 22,5 bilhões de reais. No documento aparece citado com um valor de 3,6 milhões de reais, sem maior explicação. A construtora nega ter pago qualquer suborno.

Nas listas explosivas de Yousseff aparece também um gasoduto argentino da província de Córdoba que tinha recebido em 2008 ajuda no valor de 60 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o principal banco de fomento latino-americano, que na última década concedeu empréstimos de bilhões de dólares a seu vizinho austral para a expansão da rede de gás. Porta-vozes do BNDES se apressaram a negar qualquer participação no esquema.

A espiral do “caso Petrobras” é de difícil abrangência. Em seu despacho no fim de semana, o juiz assinala que não só o setor do petróleo tem de ser objeto de investigação. A três semanas da posse de Dilma para o segundo mandato como presidenta da República, a oposição poderia pressionar para que a investigação alcance o setor elétrico e a maioria das obras federais. No entanto, a hipotética participação de partidos oposicionistas nos delitos poderia esfriar esse ímpeto. Nesse cenário tão complicado, uma pedra de toque poderia ser a empresa pública Cemig (sediada em Belo Horizonte), uma das maiores do setor elétrico da América Latina, e que tem algumas operações que suscitam suspeitas judiciais.




Por Pedro Cifuentes