domingo, 7 de dezembro de 2014

O motivo e a motivação humana


As ações que um ser humano tem, nos seus primeiros anos de vida, são pura e simplesmente direcionadas para a satisfação imediata dos instintos de frio, fome, sede, evitar as dores, evitar luz e ruídos fortes, enfim, todas as sensações momentâneas desagradáveis e procurar, com isso, sensações agradáveis. A criança vai aprendendo pela experiência (não há ainda um motivo intelectual), e elas podem desde já ser chamadas de “cognoscitivas”.

Uma síntese totalmente rudimentar é feita pela criança – o fato de ocorrerem várias experiências. Ela percebe que sua mãe é a representante de uma fonte de prazer, ou seja, de uma grande parte de satisfação de suas necessidades de prazer. Sua mãe não é capaz ainda de saber que esse novo ser é separado dela, que é um ser distinto em si.

Por volta do terceiro mês de vida, a criança começa a perceber o outro – no caso, sua mãe – e que o comportamento dessa mãe depende, em parte, do seu próprio comportamento, começando então a adequação à vida materna. Isso é um motivo por si mesmo. Nessa fase, a mãe já vai se opondo gradativamente à satisfação das necessidades da criança.

Por ocasião da desmama e da aquisição de hábitos higiênicos, e por ocasião das proibições feitas pela mãe, ocorre um fenômeno de escolha. A criança deverá escolher entre conservar o amor materno ou os hábitos infantis. Essa é a primeira transição importante no desenvolvimento infantil. Esse é o primeiro fenômeno ao qual devemos dar total atenção, pois dele depende o desenvolvimento sadio da criança.

Segundo Melaine Klein, no nascimento já existe ego suficiente para a criança experimentar ansiedade. O bebê já utiliza mecanismos de defesa e, nesse processo, nessa dinâmica, já se formam as relações de objeto, primitivas na fantasia e na realidade.

Freud chama essa fase de ego primitivo: ele descreve também um mecanismo de defesa primitivo, isto é, um instinto de morte. O ego do bebê já é capaz de formar uma relação de objeto de fantasia, que pode ser boa, mas também má, dependendo da relação com a mãe (e/ou figura materna).

O ego primitivo nos primeiros meses não é como o de uma criança de seis meses, por exemplo, ou de uma criança já em desenvolvimento.

Inicialmente, o ego primitivo é amplamente desorganizado, embora, de acordo com toda tendência do crescimento fisiológico e psicológico, ele possua uma tendência à integração desde o começo.

O bebê já possui ansiedade, que é provocada pela polaridade inata dos instintos (conflito interno de vida x morte) e a exposição impactante da realidade externa (por exemplo, trauma de nascimento) que lhe dá vida, calor, amor, alimentação, projeção, em parte conversão do instinto de morte em agressividade. Esse conflito psíquico que ocorre com os bebês é necessário, e aí se dá o começo das relações objetais.

Assim é estabelecida uma relação com o objeto ideal.

Por isso a fase inicial do desenvolvimento é muito importante para o futuro emocional e de formação da personalidade dessa criança. A mãe, ou quem estiver fazendo o papel de mãe, tem uma função primordial nesse processo, pois é desta relação que se formarão o caráter, as afeições, as relações desse ser com o mundo.

A mãe tem de desenvolver com amor e muito carinho certa disciplina para ser empregada nessa relação. Por exemplo, a adequação do ato de amamentar e/ou dar mamadeira tem de ser disciplinada em horários – de duas em duas horas, ou de três em três horas (prazo estipulado pelo médico pediatra) e em local tranquilo, sem pressões externas ou estímulos desagradáveis.

A mãe tem de dedicar esse momento somente àquele pequeno ser. Mas a disciplina, o controle, já podem e deverão ser exercidos. Não pode a mãe, a cada “resmungo” do filho, achar que tem de dar o seio ou a mamadeira, pois até mesmo gratificação em excesso prejudica a afetividade da criança, prejudica a evolução de seus afetos, logo, desestrutura o seu pequeno ego, que precisa do equilíbrio, de gratificação e frustração.

O texto da Bíblia, em Hebreus 12.11, é bastante oportuno para este momento: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça”.

“O equilíbrio é fundamental para o desenvolvimento de seu filho. Você tem sido equilibrado em suas ações e funções?”

Todos os bebês têm períodos de ansiedade, e são as ansiedades e defesas que constituem o núcleo da posição esquizoparanóide.

São parte normal do desenvolvimento humano”, diz Melaine Klein. Nenhuma experiência no desenvolvimento humano é colocada de lado. O ser humano pode passar por situações hoje em sua vida que despertarão as mais primitivas ansiedades e que colocarão os mais primitivos mecanismos de defesa em ação, numa personalidade bem integrada. Todos os estágios do desenvolvimento estão incluídos.

Nenhum estágio de desenvolvimento é rejeitado. A base do ser humano se constrói nos primeiros meses de vida. Todos esses eventos, realizações, são realmente importantes para o desenvolvimento posterior, onde têm seu papel na mais madura e integrada das personalidades.

Sendo assim, o bebê passa por várias posições e estágios de desenvolvimento. Essas posições, quando passadas gradualmente uma para outra, sem violência, sem intempéries, de forma suave, vão construindo um ser humano capaz de distinguir interna e externamente, o que é bom (bem) e o que é mau (mal).

“Como aprendemos, depende muito de vocês, pai e mãe, o que seu filho entenderá como bem e mal no futuro.”




Por Marisa Lobo

sábado, 6 de dezembro de 2014

Dinheiro da corrupção alimentou as campanhas de Lula e Dilma


Existem coisas que a Justiça brasileira decide que a gente fica com uma pulga atrás da orelha. Essa, por exemplo, de soltar Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás, envolvido até o gogó com a corrupção na Petrobrás, é uma decisão, no mínimo, discutível. O cara é comprovadamente o agente do PT na estatal e mantinha com o tesoureiro do partido, o senhor João Vaccari Neto, estreita relação de negócios e deamizade, como já confessou à Justiça e à Polícia Federal. Além disso, foi apontado pelo parceiro de diretoria Paulo Roberto Costa como o homem que viabilizou a campanha da Dilma em 2010 com o dinheiro da corrupção da Petrobrás. É estranho que Renato Duque deixe a prisão quando o próprio juiz do caso, Sergio Moro, acha que existe o risco dele fugir.

Se isso realmente ocorrer, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, assumirá a culpa pelo habeas-corpus concedido. E motivos para o homem desaparecer não faltam, segundo Moro: “Dispondo de fortuna no exterior e mantendo-a oculta, em contas secretas, é evidente que (ele) não pretende se submeter à sanção penal no caso de condenação criminal”. Teori mandou soltar Duque quando o juiz ainda apura onde foram parar os milhões roubados da Petrobrás, depois que um subalterno do diretor, Pedro Barusco, decidiu pela delação premiada prometendo devolver aos cofres públicos 200 milhões de reais. A pergunta é: se um auxiliar quer devolver essa fortuna, quanto dinheiro não foi desviado da diretoria de Renato Duque para alimentar as campanhas do Lula e da Dilma?

Já não existem dúvidas quanto ao dinheiro desviado para os cofres petistas. E quem confessou isso foi o executivo Augusto Mendonça, da empresa Toyo Setal, uma das fornecedoras da Petrobrás. No depoimento (delação premiada) que prestou em outubro na Polícia Federal, eleconfessouque parte do pagamento de propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, era direcionada ao PT como doação oficial ao partido. As doações, de quase 60 milhões, foram feitas entre 2008 e 2011 a pedido de Duque. A propina também era feita em dinheiro vivo em contas do PT no exterior. Como se pode ver, Lula eDilma receberam dinheiro roubado da Petrobrás para suas campanhas.

Quando disse na CPI do mensalão que o PT depositou em contas no exterior 20 milhões de dólares em seu nome, o marqueteiro Duda Mendonça teria dado a pista para a comissão investigar as remessas ilegais do partido lá fora. Mas os tucanos achavam, à época, que o escândalo do mensalão por si só não permitiria a reeleição de Lula. Lula não só voltou ao poder como ainda elegeu e reelegeu a Dilma, também envolvida no mar de lama.

Ah, ia esquecendo. E por que logo agora que as investigações se aprofundavam nas lambanças do PT na Petrobrás, um habeas-corpus solta Renato Duque, o apadrinhado de Zé Dirceu? É o que deixa a gente com a pulga atrás da orelha. Se decidisse pela delação premiada, Duque, a exemplo do amigo Paulo Roberto Costa, prestaria um grande serviço ao país ao apontar os ladrões da Petrobrás. Agora, em liberdade, vai refletir melhor para entregar o esquema da corrupção. Afinal de contas, livre, ele vai preparar melhor sua defesa, coagir testemunhas e até mudar o depoimento para sair impune desses crimes.

E nós, os brasileiros idiotas, conduzidos por uma presidente incompetente, vamos ficar sempre imaginando o que um governo sério faria com tanto dinheiro surrupiado dos cofres públicos e depositado no exterior para que os filhos e os netos desses larápios possam garantir o futuro com tranquilidade. Quando Aécio Neves diz que perdeu a eleição para uma “organização criminosa” não duvide: ele está certo!





Por Jorge Oliveira

Os entraves para a democratização do Brasil


Do meio deste ano para cá, tenho feito do texto de Fábio Konder Comparato “Verso e Reverso Constitucional” (“Caderno IHU Ideias” da Unisinos, número 197) uma espécie de Bíblia a guiar minhas avaliações sobre os entraves institucionais para uma verdadeira democratização do Brasil.

A ele apenas fiz incluir um adendo, preparado para estudos na Escola do Legislativo de Minas Gerais, porque penso que os artigos 6 e 7, que tratam dos direitos sociais da Constituição Federal, também o foram com descuido, pois os movimentos sociais, subdivididos em importantes lutas temáticas, como saúde, educação, meio ambiente, cultura, negros, mulheres, índios, crianças e adolescentes, entre outros, não se uniram para arrematar e garantir todos eles por meio do que une toda a classe trabalhadora: os direitos sociais, a começar pela luta contra a dispensa imotivada – tragédia maior dos brasileiros que não são parte das elites econômica, social ou política.

Leio nessa semana que passou excelente texto da professora Lígia Bahia, da UFRJ, sob o título “Grau zero da saúde” (“O Globo”, 24.11.2014).

Para além de dados incontestáveis, como os que traz o Segundo Plano de Saneamento Básico de 2013, 33,9% da população tem atendimento precário e 6,8% não conta com abastecimento de água potável; e as condições adequadas de esgotamento sanitário e coleta de lixo abrangem apenas 39,7% e 60% dos habitantes.

Prossegue a professora: “As políticas públicas ainda não foram capazes de regular o uso e a ocupação do solo, universalizar e assegurar serviços voltados à qualidade do meio ambiente”. E adiante: “A expectativa de vida no Brasil é inferior àquela estimada somente pelo desempenho econômico. O acesso a ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário e cuidados à saúde elevam os padrões de desenvolvimento”.

Para não me estender demais, basta mencionar que ela relembra que os PACs 1 e 2 tiveram o mérito de pôr na ordem do dia a questão do saneamento, mas a execução das metas se perdeu na dispersão de competências e pulverização de recursos e responsabilidades entre sete ministérios…

Aí, senhora presidente, o real problema dos 39 ministros, não na falaciosa e superficial tese do gasto com o custeio. Se bem que minha curta experiência no Executivo federal me autoriza a dizer: como se desperdiçam recursos públicos neste país! “Fundos da poupança dos trabalhadores”, afirma a professora Lígia Bahia, “deveriam ir como prioridade das prioridades para o saneamento”.

Mas com sindicatos cooptados e agora apartados do MST pela possível nomeação de Kátia Abreu, e sem reconhecer o protagonismo das novas formas de atuação social dos que se juntaram e se dispersaram em junho de 2013, como vão os trabalhadores – de todos os modos de trabalho modernamente existentes – se unir em defesa de seus direitos?!





Por Sandra Starling

É preciso respeitar as leis, não apenas as urnas



O PT sentiu o calor e acusou o golpe. Afinal, trata-se da acusação mais grave até o momento na Operação Lava Jato, do escândalo na Petrobras: a de que a propina teria sido paga por dentro na forma de doação para a campanha presidencial. A denúncia foi feita por quem supostamente pagou a propina, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Toyo Setal. Se comprovada, ela abre margem inclusive para um eventual impeachment. Os petistas sabem disso, e estão tensos. A presidente Dilma disse que é preciso respeitar as urnas:

“É fato que durante a campanha é natural divergir, é natural criticar, é natural disputar e, mesmo, em alguns momentos, é compreensível que as temperaturas se elevem. No entanto, depois de eleitos, nós temos de respeitar as escolhas legítimas da população brasileira. Em um país que preza a democracia e está em um processo de aprofundar cada vez mais a sua democracia, são extremamente necessárias as relações republicanas e parceiras”.

Em primeiro lugar, o que vimos na eleição não foram divergências ou temperaturas elevadas, e sim a mais sórdida campanha de difamação da nossa história, protagonizada pela própria presidente Dilma e seu marqueteiro João Santana.

Em segundo lugar, quem disse que foram escolhas legítimas? Qual a legitimidade de quem usou e abusou da máquina estatal para comprar votos de forma escancarada ou fazer terrorismo eleitoral? Há legitimidade no voto de cabresto? Não é o que Lula pensava antes de chegar ao poder. Isso sem falar das suspeitas sobre as urnas eletrônicas.

Em terceiro lugar, a democracia não está em um processo de aprofundamento republicano, e sim o contrário: de retrocesso visível quando o próprio governo federal faz chantagens abertas aos parlamentares, condicionando a aprovação de emendas à aprovação de um calote fiscal. O PT vem enfraquecendo nossa democracia, não a fortalecendo.

Por fim, devem ser respeitadas, antes das urnas, as leis! Eis algo que a presidente Dilma e os petistas em geral parecem não compreender. Acreditam que se obtiveram a maioria dos votos válidos, então podem tudo. Acham que isso aqui é a Venezuela? Calma lá! Ainda não! E se depender dos verdadeiros defensores da democracia republicana, jamais será.

As leis devem ser cumpridas e valer igualmente para todos. Portanto, o que se espera é uma investigação minuciosa para comprovar ou não a grave denúncia feita pelo empresário. As urnas não estão acima das leis. Se houve uso de recurso desviado na campanha de Dilma, isso pode levar a um impeachment sim, e não há nada de “golpista” nisso. A menos que o PT queira sustentar publicamente que aplicar as leis é um golpe…

Mas os petistas saíram em defesa do partido e da presidente, de forma até irresponsável. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse nesta quinta-feira, 4, estar confiante de que a campanha petista foi cuidadosa para evitar o recebimento de dinheiro de corrupção. “Tinha uma equipe de campanha jurídica que procurava analisar tudo isso e evitar qualquer tipo de situação e eu acho que não vai haver qualquer problema na apuração disso aí”, disse. Como ele sabe?

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi outro que saiu em defesa do PT e alertou contra “golpismo”, afirmando que os derrotados querem vencer no “tapetão”. Mas quem seria o golpista? O empresário que fez a denúncia? Pois a oposição, até onde se sabe, está cobrando apenas o rigor da lei. O senador Aécio Neves, além disso, apontou o absurdo de ministros saírem em defesa do PT, em vez de seu próprio tesoureiro se explicar:

“Acho extremamente preocupante quando o ministro da Justiça, que é chefe da Polícia Federal, e o advogado-geral da União assumem um papel que deveria ser do tesoureiro do PT. Essa defesa prévia feita pelo ministro da Justiça e pelo advogado-geral mostra uma proximidade e familiaridade muito grande deles com a contabilidade do partido. E isso pode gerar problemas para eles no futuro. Não me parece adequado que eles se transformarem em advogados de um partido político. [...] Não sabemos ainda a extensão dessas denúncias, mas é um alerta que fica. Se comprovado que houve dinheiro de propina da Petrobras para pagar a campanha petista, isso é extremamente grave e o atual mandato da presidente fica sem legitimidade. O PT tem que dar explicações sobre como chegou ao poder do ponto de vista político, legal e explicar essas denúncias sobre o financiamento das campanhas.”

Outro que cobrou explicações e estranhou o fato de que o tesoureiro Vaccari permaneceu em silêncio foi Ronaldo Caiado:

“É jurisprudência nesta Casa que os políticos respondem pelos crimes praticados neste mandato ou em mandatos anteriores. Sendo provado que teve propina na campanha, Dilma sofrerá todas as penalidades a que está sujeito quem faz uso de caixa dois em campanha eleitoral. Se a presidente estivesse convencida de que isso era apenas um terceiro turno, como eles gostam de chamar, não teria loteado seus ministérios, baixado decreto para se livrar de crime de responsabilidade e, muito menos, mandado seu ministro da Justiça e o advogado-geral da União defendê-la.”

Em resumo, o Brasil precisa do fortalecimento de sua democracia republicana, e isso se dá pela imposição das leis, lembrando que ninguém está acima delas, e que tampouco as urnas garantem algum salvo-conduto ao eleito. O tesoureiro do PT deve explicações, e as investigações devem seguir seu curso. A gritaria dos petistas nada muda. Golpismo é querer substituir as leis do país pelos votos dos eleitores, a maioria comprados pelo abuso da máquina pública.




Por Rodrigo Constantino

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

As compras compulsivas de crianças, adolescentes e adultos


Eu já tratei da oneomania, a doença das compras compulsivas, aqui nesta coluna. O foco foram os adultos, vítimas desse verdadeiro vício. Hoje resolvi voltar ao assunto, preocupado com esse tipo de comportamento ou algo parecido verificado nas crianças e adolescentes.

Ninguém parece estar livre desse “vírus” típico da sociedade capitalista contemporânea. E, pior: um adolescente que não consegue controlar o impulso de comprar pode se tornar um adulto viciado. Essa é uma doença que se prolonga no tempo e, às vezes, é silenciosa: ela se instala, mas a própria pessoa ou as que estão a seu redor não conseguem perceber.

Oneomania (também se escreve oniomania). A palavra significa, ao pé da letra, “mania de comprar” e também é utilizada para identificar os compradores compulsivos. Se uma pessoa tem essa doença, age como um viciado e tem atitudes parecidas com as de qualquer um deles.

O comprador compulsivo é aquele que se satisfaz não com o objeto da compra, mas com o ato de comprar. Por isso, ele pode literalmente adquirir qualquer coisa que lhe surja na frente. O ápice de sua satisfação se dá no momento da aquisição. Depois, quando chega em casa, os objetos podem ser abandonados porque não têm mais utilidade. Só a próxima compra o satisfará.

O problema para identificar a doença está em que, naturalmente, esse tipo de comprador é um consumidor típico e, portanto, frequenta os mesmos lugares que os demais. Daí, ele acaba comprando irrefreadamente, mas os objetos são aqueles que todos compram, inclusive ele mesmo quando não tinha a crise. Gasta em roupas, sapatos, bolsas, canetas, cds etc. e, com isso, não é raro que nem ele nem os que estão à sua volta percebem o problema. Parece apenas que ele é exagerado ou uma espécie de colecionador.

No comportamento de crianças e adolescentes, já é possível identificar o mesmo padrão ou similar. Há meninas que possuem muitas bonecas, sapatos, tênis, roupas, acessórios e demais badulaques. O mesmo se dá com meninos com suas roupas, tênis, games, acessórios etc. Claro que há de ser feita uma evidente objeção: as aquisições não são feitas com recursos dos jovens. São seus pais e responsáveis que autorizam ou aquiescem aos pleitos. Mas, esse acúmulo de produtos pode significar um sintoma de que a doença se instalou ou está em vias de. É mais uma preocupação que os adultos, responsáveis pelos menores, devem ter. (Infelizmente, se os adultos já foram infectados, a identificação pode se perder…)

Essa espécie de “vírus” não surgiu do nada, nem de repente. Ele foi sendo incrementando paulatinamente com o crescimento do mercado capitalista de massa e seus instrumentos de expansão dos negócios. O estímulo para a compra de produtos e serviços é feito pelo sistema de marketing, com propagandas em profusão e todos os outros meios de indução. Crescemos comprando e não conseguimos imaginar-nos vivendo sem fazê-lo. Como eu costumo dizer, parafraseando Descartes: “Consumo, logo existo”. Somos uma sociedade de consumidores, na qual as pessoas são vistas, avaliadas, medidas por aquilo que possuem, ostentam ou podem adquirir.

No século XX houve um brutal incremento do sistema de créditos e de facilitação às compras. A expansão do sistema financeiro internacional e o largo acesso ao crédito tem como base o aumento da produção industrial, pois, se assim não fosse, seria impossível vender o que se fabrica.

E, na atualidade, com o espetacular incremento da web/internet, não só as compras tornam-se instantâneas e feitas de dentro das casas, como os pagamentos também. As transferências bancárias on line (docs e teds), os pagamentos automáticos de contas e faturas de todos os tipos, desde serviços essenciais como gás, água e energia elétrica, até aluguéis de tevê a cabo, compras parceladas etc., tudo é feito rápida e imperceptivelmente. Nos débitos automáticos, o consumidor nem precisa mais participar: é o sistema que age por ele. Quanto aos menores, milhões deles são portadores de iphones, smartphones, laptops etc., que facilitam a ida às compras virtuais; além disso, eles são levados a jogos e sistemas que se apresentam como gratuitos, mas que acabam oferecendo e vendendo alguma coisa.

Tudo isso vai alienando o consumidor (jovem ou adulto) do que realmente ocorre e do que tem valor substancial. Ele não se dá conta do gasto efetivo de suas economias nem de seu endividamento constante. Logo, o mercado insufla os “vírus” da doença que pode atingir qualquer um mais ou menos avisado, eis que as armadilhas estão muito bem engendradas.

Assim, como em qualquer tipo de vício, impõem-se a necessidade de instituição de vigilância de uns sobre outros: é importante, por exemplo, que as pessoas de uma família prestem atenção à atitude de compra e endividamento dos demais, para tentar detectar a doença.

Um sintoma frequente está, de fato, ligado ao endividamento. O comprador compulsivo adquire produtos sem parar e vai se endividando para pagar por coisas de que ele não precisa. Muitas vezes já as tem em excesso, mas continua comprando. O compulsivo gasta todo seu salário, estoura o limite do cartão de crédito e do cheque especial e até faz empréstimos apenas para continuar adquirindo o que não lhe faz falta. Há pais que se endividam para comprar bugigangas para os filhos.

É claro que, se o comprador com oneomania for uma pessoa de posses e puder gastar muito dinheiro, será mais difícil identificar a doença, pois ela acumulará produtos e mais produtos ainda que nunca os utilize. Assim, um outro modo de identificação da doença está em verificar o excesso da compra de produtos, que jamais são usados.

Por fim, anoto que, reconhecida a doença, uma terapia pode ajudar a resolver o problema. E, lembro que, além da psicoterapia, é bom saber que existem em várias cidades brasileiras grupos de autoajuda intitulado “Devedores Anônimos”, que funcionam nos mesmos moldes dos “Alcoólatras Anônimos”, e que acolhem e aconselham os doentes visando tratamento. Basta uma consulta à web/internet para ter acesso a essas instituições.




Por Luiz Antônio Rizzatto Nunes

O que a Bíblia diz sobre gerenciar as suas finanças?


A Bíblia tem muito a dizer sobre gerenciar finanças. A respeito de pedir emprestado, veja: Provérbios 6:1-5; 20:16; 22:7,26-27 (“O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta... Não estejas entre os que se comprometem e ficam por fiadores de dívidas, pois, se não tens com que pagar, por que arriscas perder a cama debaixo de ti?”). Em relação ao suborno, veja: Provérbios 17:8; 18:16; 21:14; 28:21; 17:23 (“O perverso aceita suborno secretamente, para perverter as veredas da justiça”). Sobre riquezas, veja: Provérbios 10:15; 11:4; 18:11; 23:5; 28:20 (“O homem fiel será cumulado de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo”).

Em relação à preguiça e finanças, veja: Provérbios 6:6-11 (“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para domir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado”). Também 1 Timóteo 6:6-11. Sobre o dar, veja: Lucas 6:38; 2 Coríntios 9:6-15 (versículos 6-7: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria”).

Sobre a administração do dinheiro, veja: Lucas 16:1-13 (versículo 11: “Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza?”). Também Tiago 1:17. Nós somos responsáveis por prover nosso próprio sustento. 1 Timóteo 5:8 diz: “Ora, se alguém não tem cuidados dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”.

Em suma, o que a Bíblia diz sobre gerenciar o dinheiro? A resposta pode ser sintetizada em uma única palavra: sabedoria. Nós devemos ser sábios com o nosso dinheiro. Nós devemos economizar dinheiro, mas não acumulá-lo como tesouro. Nós devemos gastar dinheiro, mas com prudência e controle. Nós devemos devolver ao Senhor, em alegria e sacrifício. Nós devemos usar o nosso dinheiro para ajudar os outros, mas com discernimento e o guiar do Espírito de Deus. Não é errado ser rico, mas é errado amar o dinheiro. Não é errado ser pobre, mas é errado gastar dinheiro em coisas fúteis. A mensagem consistente da Bíblia sobre o gerenciamento do dinheiro é ser sábio.

O que a Bíblia diz sobre honestidade


Deus requer e merece honestidade. A Bíblia diz em Salmos 51:6 "Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma."

A desonestidade causa dor e dura tanto quanto a ferida fisica. A Bíblia diz em Provérbios 25:18 "Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo." 

O Senhor não aprova desonestidade em transações de negócios. A Bíblia diz em Provérbios 20:23 "Pesos fraudulentos são abomináveis ao Senhor; e balanças enganosas não são boas." 

Seja honesto e aberto. A Bíblia diz em 1 Tessalonicenses 2:3 "Porque a nossa exortação não procede de erro, nem de imundícia, nem é feita com dolo." 2 Coríntios 8:21 "Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens." 

Honestidade é parte de dois mandamentos. A Bíblia diz em Êxodo 20:15-16 "Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo." 

Os líderes apreciam aqueles que dizem a verdade. A Bíblia diz em Provérbios 16:13 "Lábios justos são o prazer dos reis; e eles amam aquele que fala coisas retas." 

A verdade é mais valiosa que os elogios. A Bíblia diz em Provérbios 28:23 "O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua." 

Os filhos de pais honestos são bem-aventurados. A Bíblia diz em Provérbios 20:7 "O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele." 

Diga sempre a verdade. A Bíblia diz em Provérbios 12:13-14 "Pela transgressão dos lábios se enlaça o mau; mas o justo escapa da angústia. Do fruto das suas palavras o homem se farta de bem; e das obras das suas mãos se lhe retribui." 

Lucro fraudulento sabe bem só temporariamente. A Bíblia diz em Provérbios 20:17 "Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas." 

As riquezas que foram ganhas desonestamente não duram. A Bíblia diz em Provérbios 21:6 "Ajuntar tesouros com língua falsa é uma vaidade fugitiva; aqueles que os buscam, buscam a morte." 

Siga os caminhos de Deus. A Bíblia diz em Provérbios 11:1 "A balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer." 

Deus prefere que sejamos honestos de que demos ofertas. A Bíblia diz em Provérbios 21:3 "Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício."