sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O Brics na imaginação ideológica

O Brics é coisa diferente para cada um de seus integrantes



‘Bem, acho que vou apertar sua mão, mas tenho apenas uma coisa a lhe dizer: você deve sair da Ucrânia.” A franqueza um tanto brutal do primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, não destoou da atitude geral dos líderes das nações desenvolvidas diante do presidente russo na cúpula do G-20. O frio congelante que envolveu Vladimir Putin na ensolarada Brisbane foi amenizado apenas pelo silêncio cúmplice de alguns países emergentes, entre os quais o Brasil. Dilma Rousseff não pronunciou a palavra “Ucrânia”. O Itamaraty nunca soltou uma mera nota diplomática de condenação da anexação da Crimeia ou da interferência russa no Leste ucraniano. É que a política externa brasileira opera segundo os estímulos de uma miragem chamada Brics.

A principal fonte acadêmica da miragem é o sociólogo neomarxista Immanuel Wallerstein, um antigo defensor da tese do declínio dos EUA. Numa nota escrita em 2013, Wallerstein afirmou que “se definimos o anti-imperialismo como redução do poder dos EUA, então os Brics representam uma força anti-imperialista”. O sociólogo não pensa, efetivamente, nesses termos primitivos, como atesta o restante do texto. Mas seus epígonos brasileiros, que não estão acostumados com nuances, interpretam o Brics como, precisamente, “uma força anti-imperialista”. Dito de outro modo, substituem a realidade pelo seu próprio desejo.

A teoria oficiosa do governo brasileiro sobre o Brics está expressa no Enem, que se transformou em algo como uma cartilha doutrinária do lulopetismo. Numa das questões do exame mais recente, a alternativa originalmente formulada para ser a correta define o grupo como “uma frente de desalinhamento político aos polos dominantes do sistema-mundo”. O gabarito oficial, apresentado apenas quatro dias após a aplicação da prova, abdicou prudentemente da intenção original, desviando-se para outra alternativa, selecionada pelos cursinhos como correta. Contudo, a “frente de desalinhamento” aparece em inúmeras declarações de operadores da política externa brasileira.

No Blog do Planalto, publicado pela Presidência da República, o assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, enfatizou a “presença política dos Brics na esfera internacional” e classificou o grupo como uma “aliança de polos” voltada para a “construção de um mundo multipolar”. As declarações, que coincidiram com a realização da VI Cúpula do Brics, em Fortaleza, em julho, eram um convite ao diálogo entre o Brics e “esse polo sul-americano, ou um polo latino-americano e caribenho”. A miragem “anti-imperialista” não poderia ser exposta de modo mais nítido. Se fosse candidato ao ingresso nas universidades federais, Garcia teria marcado a alternativa finalmente considerada incorreta na prova do Enem.

O assessor especial não está só. Há pouco, o representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr., também bateu na tecla do “multilateralismo”, comparando a criação do Banco do Brics à do FMI e do Banco Mundial, em 1944. Sem se importar com ordens de grandeza, declarou simplesmente que a reunião de cúpula do grupo, na capital cearense, “ficou para a história como Bretton Woods”. Tal como Garcia, Batista usa o termo “multilateralismo” como metáfora anódina para tudo que pareça conduzir à “redução do poder dos EUA”.

A miragem “anti-imperialista” desorienta há uma década a política externa brasileira. De fato, o sistema internacional tende à pluripolaridade, enquanto verifica-se um declínio, lento e relativo, da influência de Washington. Nada disso, porém, sustenta a aposta terceiro-mundista em alianças estratégicas Sul-Sul orientadas pelo antiamericanismo. Os “polos” de Garcia não existem. Apesar dos esforços do chavismo, a América Latina e o Caribe não formaram um “polo” geopolítico e, contrariando as esperanças ideológicas do lulopetismo, o Brics não se comporta como uma “aliança de polos”.

O Brics é coisa diferente para cada um de seus integrantes. A China, esteio do grupo, utiliza-o como mais uma ferramenta, entre tantas, de difusão de sua influência econômica e diplomática. A Índia, que é uma aliada estratégica dos EUA e, como reconhece Wallerstein, “sente a necessidade de se proteger do poder da China”, utiliza-o para conservar uma variedade de opções diplomáticas. A Rússia, em conflito geopolítico cada vez mais agudo com os EUA e a União Europeia, utiliza-o para fugir ao espectro do isolamento. China, Índia e Rússia medem o grupo pela régua de seus próprios interesses nacionais. O Brasil, pelo contrário, prefere pesá-lo na balança da ideologia, mesmo às custas de seus interesses e valores.

A tensão entre interesses e valores, de um lado, e ideologia, de outro, adquiriu tons dramáticos desde o início da agressão russa contra a Ucrânia. A China e a Índia, antigas rivais estratégicas, não poderiam condenar os atos de Moscou sem empurrar a Rússia para os braços do inimigo regional. O Brasil, por outro lado, que não enfrenta constrangimentos similares, tinha o dever de condenar a anexação da Crimeia e a intervenção russa no Leste ucraniano. No artigo 4 de nossa Constituição, o dever está expresso em “princípios” que regem as relações internacionais do país: a “autodeterminação dos povos” e a “não intervenção”. O sólido, pesado silêncio do governo brasileiro diante da violação aberta desses princípios equivale ao sacrifício de interesses e valores nacionais no altar de uma miragem ideológica.

O Brasil não precisa, nem deveria, abandonar o Brics em represália à agressão de Moscou na Ucrânia. Entretanto, o silêncio cúmplice tem um preço elevado, que aumentará na razão direta da extensão da crise ucraniana. Pagamos o custo da duplicidade pela erosão de nossa credibilidade internacional. Já não podemos falar em direitos humanos sem provocar risos irônicos. Logo mais, não poderemos falar em autodeterminação e não intervenção.



Por Demétrio Magnoli

Ninguém viu?



Como não desconfiaram dos seguidos aditivos, que adicionavam novos custos às obras e novos prazos?
Como é que a Petrobras pode ter cometido tantos erros? Pois, antes de mais nada, é um erro empresarial brutal começar a construir uma refinaria, esta mesmo, a de Pernambuco, calculando que vai custar US$ 4 bilhões, depois gastar US$ 18 bilhões, e a obra ainda não está pronta. Mesmo que tudo tivesse sido feito com a maior honestidade, é evidente que as diretorias da empresa e seu Conselho de Administração fizeram uma péssima gestão. Como é que não perceberam que o negócio estava errado?

Essa mesma pergunta pode ser dirigida a todos os dirigentes honestos que não perceberam o tamanho do desastre e a corrupção que se praticava na empresa. Ou perceberam e não puderam contar aos demais órgãos de controle?

Como ninguém desconfiou dos seguidos aditivos, que adicionavam novos custos às obras e novos prazos? Reparem, não um, mas todos os investimentos relevantes ficavam cada vez mais caros e demoravam mais tempo.

Lembram-se do que disse o ex-diretor Paulo Roberto Costa quando perguntado, no Congresso, sobre o aumento dos custos da Refinaria Abreu e Lima? Que o projeto inicial estava errado, fora feito em cima das pernas. Na ocasião, não falou das propinas que entregaria na delação premiada. Mas ele tinha razão em apontar o improviso como uma das causas do problema.

E isso remete a responsabilidade administrativa e política ao ex-presidente Lula. Foi ele mesmo que disse, em entrevista publicada pelo jornal “Valor”, em 17 de setembro de 2009, quando o país saía da crise. O então presidente reclamava que empresários brasileiros eram conservadores no investimento, que era preciso partir para o ataque.

Exemplificou contando que até a diretoria da Petrobras lhe apresentara um plano de investimento que ele considerou pífio. O que fez? “Convoquei o Conselho da Petrobras para dizer: ‘Olha, este é um momento em que não se pode recuar’. Até no futebol a gente aprende que, quando se está ganhando de 1 x 0 e recua, a gente se ferra.”

A Petrobras partiu para o ataque, programou não uma, mas logo quatro refinarias e ampliou o projeto do complexo Comperj, no Rio. As sucessivas diretorias, já entrando pelo governo Dilma, foram levando a coisa (sem notar nada?), até que a situação tornou-se absurda. Diziam: qual o problema com a refinaria de Pasadena? Apenas um mau negócio. Abreu e Lima vai custar cinco vezes mais? Acontece nas grandes obras.

Mesmo que não tivesse sido roubado um centavo, todas as diretorias e o Conselho de Administração incorreram em grave erro de gestão, causando enorme prejuízo para o patrimônio público, para os acionistas privados e para os trabalhadores.

Poderiam ao menos dizer: “Desculpa aí, pessoal, foi mal.”

A situação é ainda mais complicada do que parece. Sendo óbvio que está muita coisa errada, diretores e gerentes da estatal da turma do bem têm o compreensível temor de assinar qualquer papel, muito menos um contrato que gaste dinheiro. Fornecedores da companhia e de empresas que trabalham para a Petrobras reclamam de atrasos nos pagamentos e informam que serviços estão sendo paralisados.

Sim, há uma parte da Petrobras que continua tirando petróleo e gás. Mas o ambiente geral na companhia vai prejudicar toda a atividade.

DÉFICIT = SUPERÁVIT
O nome do futuro ministro da Fazenda está na cara: o senador Romero Jucá. Com apenas uma palavrinha, ele resolveu o problema das contas públicas. Em vez de escrever na lei o valor em reais do superávit primário, o senador sugeriu que se trocasse “meta de superávit” por “meta de resultado”.

Mas qual resultado? — é a pergunta que uma pessoa menos iluminada faria.

Bobagem. O senador, relator do projeto de lei que muda a regra, explica que não se deve fixar o resultado esperado. Porque, se se fixa um superávit e no final dá um déficit, o pessoal, maldosamente, vai dizer que o governo “não cumpriu”, conclui o senador.

Lógico, não é mesmo? Se não se espera qualquer resultado, superávit ou déficit, qualquer um serve. O senador disse que teve essa ideia porque é economista.

Ah! Bom!

E quer saber? Talvez seja até menos absurda que a proposta enviada pela presidente Dilma ao Congresso. Diz que a meta de superávit continua sendo de R$ 100 bilhões, em números redondos. Mas o governo pode abater dessa meta tudo que gastou com investimentos e desoneração de impostos. Dá uns R$ 150 bilhões. Ou seja, mesmo que faça um déficit de R$ 50 bilhões, o governo cumpre o... superávit.

Quem será o economista dessa coisa?




Por Carlos Alberto Sardenberg

Ideologia atrapalha política externa do Brasil

Diplomacia ‘partidária’ faz Brasil se afastar dos Estados Unidos e defender posições oblíquas para ficar ao lado de ‘companheiros’



A declaração da presidente Dilma Rousseff de que o Brasil não tem posição e, portanto, não tomará partido na crise da Ucrânia é um bom exemplo dos caminhos tortuosos da política externa brasileira nos últimos 12 anos. Trata-se da invasão de um país soberano por outro muito mais forte (a Rússia), o que deveria gerar forte condenação por parte do governo brasileiro. Mas a Rússia integra o Brics, como o Brasil, e o “companheirismo” fala mais alto do que o tradicional respeito à soberania.

Desde o primeiro governo Lula, uma mistura de ativismo com ideologia foi usada como combustível para aumentar o protagonismo do Brasil na política internacional. Muitas vezes, isso deixou em segundo plano os interesses nacionais. Logo que Lula assumiu, o presidente Evo Morales, da Bolívia, nacionalizou o setor de hidrocarbonetos, incluindo no pacote uma refinaria da Petrobras. A letárgica reação brasileira deu o tom do que aconteceria nos anos seguintes: prioridade a países por afinidade ideológica — além da Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina e Cuba, em detrimento de outros.

O Mercosul mantinha-se, como se mantém, como eixo da política externa e comercial do país na América Latina, sob a ótica de evitar que a região se submeta a interesses dos EUA — pilar ideológico do PT que impregnou a diplomacia brasileira. Em nome disso, Brasília não reagiu à adoção, principalmente pela Argentina, de medidas restritivas a produtos brasileiros, observando a política de “paciência estratégica” frente a Buenos Aires. O companheirismo ideológico respondeu também pelo apoio à inclusão da Venezuela, antidemocrática, no Mercosul na esteira da inexplicável exclusão do Paraguai.

Entende-se a fidelidade ao Mercosul, mas não a recusa em flexibilizar a relação com um organismo que já não atende às finalidades originais de integração comercial do Cone Sul. Por conta disso, o Brasil se manteve à margem da intensa movimentação mundial para assinatura de acordos comerciais bilaterais, a exemplo do que fizeram vizinhos como o Chile, em relação aos EUA. Dessa forma, o país perdeu espaço no comércio internacional.

A ideologização da política externa fez o Itamaraty priorizar as relações Sul-Sul, com países em desenvolvimento e nova parcerias com os emergentes, deixando em segundo plano as nações desenvolvidas, especialmente os EUA. Por outro lado, prosseguiu o perdão de dívidas de regimes autoritários da África, em detrimento de valores de democracia e direitos humanos que deveriam prevalecer.

Houve fatos positivos, como a inclusão do Brasil no G-20 e, com empenho do país, a institucionalização do Brics como uma nova força no cenário internacional. Contudo, a imprevisibilidade de nossa política externa nos últimos anos enfraqueceu o tradicional peso e a voz brasileira de moderação na América Latina e no mundo.




Fonte: Editorial O Globo - 20/11/2014

A pequenez da presidente



Uma notícia que começa informando que a presidente Dilma Rousseff passou mais de 10 horas reunida com seus conselheiros na residência oficial do Alvorada para tratar do impacto da Operação Lava Jato permitiria supor que finalmente a chefe do governo resolveu mudar de atitude - se não "para sempre", como acredita que a devassa da corrupção na Petrobrás fará com o País, pelo menos para olhar nos olhos a crise que não cessa de se desdobrar. A uma leitura apressada, portanto, Dilma teria compreendido que o escândalo não se esvairá a tempo de preservar o seu segundo mandato, nem, muito menos, poderá ser neutralizado mediante bruxarias destinadas a preservar os interesses das levas de protagonistas que o cevaram. Eis por que, em um assomo de lucidez, teria se trancado com interlocutores de confiança em busca do caminho mais adequado para agir à altura da hora.

Nada disso, evidentemente. Dilma mais uma vez demonstrou que lhe falta imaginação política, para não falar em grandeza moral ou figurino de estadista: na bonança ou sob a tormenta, é a mesma mediocridade, a mesma cegueira, a mesma esperança pueril de que as adversidades se dissiparão por si mesmas e tudo convergirá para o desfrute de mais quatro anos de mando soberano. Pois o que se informa é que o motivo da interminável reunião de anteontem foi preparar uma "agenda positiva" para tirar do centro das atenções a sangria da Petrobrás, que pode ter alcançado entontecedores R$ 21 bilhões, segundo estimativas de um banco americano. Ou, por alto, 200 mensalões. Depois de exaustiva falação, os convidados da presidente - o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o seu colega da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a estrela em ascensão no Planalto, o governador da Bahia, Jaques Wagner, provável ministro ainda não se sabe do que - parecem ter chegado a uma conclusão momentosa.

Diferentemente do que assessores palacianos não identificados teriam dito à chefe, a trinca avaliou que o anúncio dos primeiros membros do futuro Gabinete, a começar pelo titular da Fazenda, não dariam conta de abafar o incêndio da Petrobrás e de impedir que o fogaréu se alastre ao coração do poder. Tivessem eles concluído o oposto, ou não ter concluído nada, tanto faz. O estarrecedor, o que não pode ser minimizado, é que nenhum dos bravos companheiros da presidente, muito menos a anfitriã, parece ter se enfurnado no Alvorada para descortinar como ela poderia intervir, na condição de chefe de Estado, no escândalo que concentra as atenções nacionais. Estavam todos ali, irmanados na mediocridade, atrás de uma fresta para a qual a presidente deveria correr a fim de ficar ao abrigo dos estilhaços e não pôr em risco o suposto capital político da reeleição. Suposto porque, como se sabe, Dilma saiu apequenada da batalha.

A fragilidade da presidente aumenta na razão direta das denúncias, delações e confissões envolvendo os capitães da empreita brasileira e do acúmulo de evidências de promiscuidade entre eles com antigos e atuais figurões da Petrobrás e dirigentes petistas. O tesoureiro do partido, deputado João Vaccari, encabeça o que decerto se revelará uma lista de apreciáveis proporções. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal indica que a cunhada do político teria recebido R$ 244 mil do onipresente Alberto Youssef, o doleiro que, em troca de redução da pena, desencapou o fio da história escabrosa. Numa hipótese caridosa, Dilma simplesmente não sabe o que fazer diante do enrosco. O mais provável, no entanto, é que sabe, mas não se dispõe a fazer, para não derrubar sobre a própria cabeça as colunas do esquema de poder às quais se mantém abraçada. De outro modo, não se explica por que ela ainda não tomou a decisão de trocar toda a diretoria da Petrobrás.

Esta é uma presidente sem estofo. Das manobras de varejo que o jargão planaltino chama de "agenda positiva", embora não seja nem uma coisa nem outra, faz parte o engavetamento das medidas de ajuste das contas públicas, como aumento de impostos. Com a mesma intenção, o ministro Aloizio Mercadante anuncia - agora! - o início das atividades de um grupo de trabalho para estimular a indústria.




Fonte: Editorial o Estado de São Paulo - 20/11/2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Se você se cala, está fazendo parte desse mal



Acredita-se que mais de cem milhões de cristãos enfrentam perseguições diariamente em todo o mundo por causa da sua fé em Jesus Cristo. Todos os anos, igrejas se reúnem para lembrar disso em novembro. Promovido pela Aliança Evangélica Mundial (AEM), o Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida ocorrerá neste domingo (2/11), embora alguns países optaram por lembrar da data no dia 9.

“Apelamos aos cristãos de todo o mundo que apoiem os irmãos perseguidos, orando por eles e ajudando-os no que for possível, tal como ensina a Escritura”, pede Godfrey Yogarajah, diretor executivo da Comissão para a Liberdade Religiosa da AEM.

Nos últimos meses, o mundo vem testemunhando milhares de cristãos no Iraque e na Síria serem perseguidos e mortos. Muitos foram crucificados ou decapitados. Os que sobreviveram foram obrigados a fugir. Mas a perseguição não se restringe ao Oriente Médio. Em pelo menos 80 nações há registros de algum tipo de perseguição.

O tema deste ano é “Não Fique em Silêncio”. O Dr. Geoff Tunnicliffe, secretário-geral da AEM lembra que é importante todos se unirem no clamor “Pois, se um membro sofre, todos os outros sofrem, 1 Coríntios 12:26.”

A organização do evento acredita que mais de meio milhão de igrejas se juntarão para intercessão no dia Internacional de oração pela Igreja Perseguida. No início de 2014 foi divulgado uma triste estatística: o número de cristãos mortos por causa de sua fé dobrou em 2013, se comparado com o ano anterior.

A expectativa é que os números deste ano sejam maiores ainda. Os grupos muçulmanos radicais são as principais fontes de martírio em pelo menos metade dos países com registros de perseguição.

Teólogo critica silêncio

Mesmo com essa iniciativa, o encontro “Em Defesa dos Cristãos”, realizado recentemente foi marcado por declarações fortes sobre a atitude da maioria das igrejas. Eric Metaxas, teólogo e escritor, criticou o silêncio da Igreja frente ao massacre de cristãos no Oriente Médio. Ele comparou a atitude da maior parte das lideranças cristãs com o silêncio dos cristãos no tempo da Alemanha nazista.

Metaxas escreveu uma biografia de Dietrich Bonhoeffer, influente pastor e teólogo que sempre criticou a perseguição aos judeus e morreu nas mãos dos nazistas. Eric lembrou uma frase de Bonhoeffer: “O silêncio diante do mal é o próprio mal”.

“Se você não falar nada quando há perseguição aos cristãos… se você se cala, está fazendo parte desse mal. Quando os cristãos mantêm suas bocas fechadas, como temos feito normalmente enquanto ocorre essa terrível perseguição no mundo todo, Deus não nos vê como inocentes”, enfatizou.




Fonte: Christian Post e World EA

Não se omita



O que há com a oposição brasileira ressuscitada por 51 milhões de eleitores que a impede de avançar pelo caminho mais curto para o Planalto, desbravado pela Polícia Federal, balizado pelo Ministério Público e pavimentado pela Justiça Federal?

O que falta para os engajados nos protestos de rua entenderem que o escândalo da Petrobras, mais que qualquer outro caso político-policial da era lulopetista, tira o sono do governo e expõe a presidente Dilma Rousseff à condenação judicial que precede obrigatoriamente qualquer pedido de impeachment?

“Nosso foco tem que ser o Petrolão”, afirmou o senador paulista Aloysio Nunes na tarde de 15 de novembro, enquanto aguardava na Avenida Paulista o início da manifestação convocada para aquele sábado. “Precisamos exigir a apuração das denúncias que envolvem a Petrobras e a punição dos responsáveis pelo esquema de corrupção. O impeachment é questão a ser examinada quando houver provas que confirmem a participação da presidente em fatos criminosos”, resumiu o candidato a vice-presidente de Aécio Neves, um dos raros tucanos que usam frequentemente a tribuna para fustigar sem clemência o governo que pariu e amamentou o Petrolão.

Por enquanto, é diminuta a bancada de parlamentares que, como Aloysio, compreenderam que a Operação Lava Jato depositou no colo da oposição a bandeira agregadora com que sonha todo partido ou movimento político. A maioria dos congressistas contempla com placidez a procissão de ineditismos, recordes e cifras de espantar banqueiro americano. Pelo menos 10 bilhões de dólares saíram pelo ralo das propinas. A quadrilha juntou diretores da Petrobras, grandes empreiteiros, figurões do PT e de outros partidos governistas, especialistas em lavagem de dinheiro, deputados, senadores, ministros de Estado, governadores, policiais delinquentes.

As propinas eram calculadas em milhões de dólares. Um bilhão de reais virou unidade monetária. Nunca antes neste país uma empresa subordinada ao governo foi saqueada com tanta gula, por tanto tempo e com tanta desfaçatez. Nunca antes neste planeta se roubou tanto dinheiro. Sobram evidências de que Lula e Dilma Rousseff sabiam do que se passava nas catacumbas da Petrobras. Tanto o padrinho quanto a afilhada ignoraram advertências do Tribunal de Contas da União e mantiveram abertas as porteiras pelas quais passaram incontáveis contratos aditivados e contas superfaturadas.

A sorte do Brasil decente é que o bando de larápios cinco estrelas topou com homens da lei decididos a impedir que, como sempre ocorre no faroeste à brasileira, a história terminasse com o triunfo do vilão. A performance dos xerifes superou em competência e audácia o desempenho da bandidagem. Nenhuma operação da PF foi tão ágil e precisa quanto a Lava Jato. Os representantes do Ministério Público fizeram as perguntas certas e extraíram dos depoentes informações que completaram o quebra-cabeças. E o juiz federal Sérgio Moro é o homem certo no lugar certo.

Desde o começo do caso, Moro tem aplicado exemplarmente o principio constitucional segundo o qual todos são iguais perante a lei. Ninguém é mais igual que os outros, acabam de aprender os quadrilheiros que tiveram a prisão temporária transformada em prisão preventiva. Confrontados com um magistrado sem medo, delinquentes de fina estampa acharam mais sensato devolver as fortunas tungadas e contar o que sabiam em troca de penas menos severas. Pela primeira vez desde o Descobrimento, ricaços inimputáveis foram transferidos sem escalas do topo da pirâmide social para uma cela em Curitiba.

Empreiteiros que vão de jatinho até ao clube ali na esquina estão dormindo na cadeia. Compreensivelmente, a fila de candidatos à delação premiada é de dar inveja ao INSS ─ e vai crescer muitos metros com a iminente entrada em cena do bloco dos políticos. Lula perdeu a voz e sumiu, como sempre faz quando sobram culpas e faltam álibis. Dilma ainda convalesce da viagem que começou na Austrália e terminou no olho do furacão. Graça Foster faz o que pode para escapar do desemprego. Advogados pagos em dólares por minuto recorrem a palavrórios de rábula para explicar o inexplicável. Os balidos do rebanho sem pastores repetem que a corrupção nasceu já no Dia da Criação.

Os vencedores da eleição estão nas cordas ─ e grogues. Antes que tentem debitar também o Petrolâo na conta de FHC, os oposicionistas têm o dever de lutar pela punição dos autores do crime: a decomposição financeira e moral da Petrobras é a mais recente e repulsiva obra da seita cujo primeiro mandamento ensina que os fins justificam os meios. O aparelhamento amoral, a revogação da meritocracia, a remoção da fronteira que separa o público e o privado, a subordinação dos interesses nacionais a afinidades ideológicas, o assassinato da ética, a compulsão liberticida, a corrupção institucionalizada, a inépcia paralisante ─ todas os tumores que infestam o PT desde o nascimento se conjugaram para levar ao estado de coma o que já foi uma potência mundialmente respeitada.

O Petrolão avisa aos berros que chegou a hora de forçar o recuo dos celebrantes de missa negra. Para tanto, a oposição democrática só precisa avançar sem hesitação pelo caminho que devassa as catacumbas da Petrobras antes de chegar à Praça dos Três Poderes.





Por Augusto Nunes

Dia da consciencia individual



Caro leitor, hoje é o Dia da Consciência Negra, feriado aqui no Rio. Antes era uma data em homenagem a Zumbi dos Palmares, mas foi estendida para toda a “raça”. Nem preciso dizer que não aprecio tal segregação racial em nosso miscigenado país. Portanto, resgato um texto que escrevi no GLOBO alguns anos atrás, em mesma data:

Dia da Consciência Individual

Cada indivíduo possui diversas características que ajudam a identificá-lo, entre elas: crença religiosa, altura, classe social, sexo, postura política, nacionalidade e cor da pele. O coletivista é aquele que seleciona arbitrariamente alguma dessas características e a coloca no topo absoluto da hierarquia de valores. Para o nacionalista, a nacionalidade é a coisa mais relevante do mundo. Para o socialista, a classe é tudo que importa. Para o racialista, a “raça” define quem somos.

Todos eles ignoram a menor minoria de todas: o indivíduo. Schopenhauer disse: “A individualidade sobrepuja em muito a nacionalidade e, num determinado homem, aquela merece mil vezes mais consideração do que esta”. De fato, parece estranho se identificar tanto com alguém somente com base no local de nascimento. O mesmo pode ser dito sobre a cor da pele. Deve um liberal negro ter mais afinidade com um marxista negro do que com um liberal branco? Fica difícil justificar isso.

Entretanto, o “Dia da Consciência Negra” apela exatamente para este coletivismo. Consciência é algo individual; não existe uma “consciência negra”. Compreende-se a luta contra o racismo, justamente uma forma de coletivismo que deprecia um grupo de indivíduos por causa de sua cor. Mas não creio ser uma boa estratégia de combate ao racismo enaltecer exatamente aquilo que se pretende atacar: o conceito de “raça”. Um mundo onde indivíduos são julgados por seu caráter, não pela cor da pele, como sonhava Martin Luther King, não combina com um mundo que celebra a consciência de uma “raça”.

A origem do feriado coloca mais lenha na fogueira. Zumbi dos Palmares, ao que tudo indica, tinha escravos. Era a coisa mais natural do mundo em sua época. Ele lutava, portanto, pela sua própria abolição, não da escravidão em si. A humanidade conviveu com a escravidão desde sempre. Diferentes conquistadores transformaram em escravos os conquistados. Os gregos, romanos, incas, astecas, otomanos, todos fizeram escravos. As principais religiões consideravam isso algo normal. Não havia um critério racial para esta nefasta prática. Tanto que os próprios africanos eram donos de escravos.

Somente o foco no indivíduo, com o iluminismo, possibilitou finalmente aposentar a escravidão. A Declaração de Independência Americana seria a síntese desta nova mentalidade. Os principais abolicionistas usaram suas poderosas palavras como argumento definitivo contra a escravidão. No famoso caso Amistad, em 1839, o ex-presidente John Quincy Adams fez uma defesa eloqüente dos africanos presos: “No momento em que se chega à Declaração de Independência e ao fato de que todo homem tem direito à vida e à liberdade, um direito inalienável, este caso está decidido”.

O Brasil apresenta um agravante prático: a própria noção de “raça”. Afinal, aqui predomina a mistura, como o recém-falecido Lévi-Strauss percebeu em Tristes Trópicos. Para o antropólogo, ‘negro’ é um termo que “não tem muito sentido num país onde a grande diversidade racial, acompanhando-se de pouquíssimos preconceitos, pelo menos no passado, possibilitou misturas de todo tipo”. Como celebrar a “consciência negra” num país de mestiços, caboclos e cafuzos? Deve o mulato priorizar uma parte de sua origem, em detrimento da outra? A mãe negra é mais importante que o pai branco, ou vice-versa?

Eu gostaria muito de viver num país onde não houvesse racismo. Infelizmente, acho que feriados que enaltecem a “consciência da raça” não ajudam. Seria melhor criar o “Dia da Consciência Individual”. 




Por Rodrigo Constantino