domingo, 28 de setembro de 2014
Fraude eleitoral à vista?
Por Jorge Serrão
Até quinta-feira que vem, dia 2 de outubro, lobistas, grandes empresários e estrategistas de campanha terão a valiosa confirmação de quem tem chances efetivas de ganhar e perder a eleição presidencial brasileira. Os petistas nunca estiveram tão apreensivos, contrariando as pesquisas amestradas que apontam o triunfo reeleitoral de Dilma Rousseff. De acordo com essas enquetes, indutoras do voto, a Presidenta pode vencer até no primeiro turno! Isto é incrível!
Analistas com um mínimo de bom senso avaliam que a vitória fácil de Dilma logo no primeiro só é possível se houver fraude eleitoral. Seja pela manipulação do resultado em um sistema eletrônico de votação dogmático, sem chance de auditoria e recontagem impressa de voto - nem por amostragem. Ou pela costumeira e vergonhosa compra de votos nos grotões de pobreza, onde muitos eleitores fantasmas assombram o pleito, junto com outros que têm títulos eleitorais duplicados. Tal denúncia já foi feita, mas o País da piada pronta nada leva a sério.
Apesar da marketagem com a numerologia claramente manipulada das pesquisas, a eleição parece estar aberta, com a ligeira vantagem de Dilma Rousseff, que tem a máquina a favor dela e recursos financeiros sem fim para torrar na campanha – inclusive na compra de votos, “investimento” que varia de R$ 90 a R$ 120 reais por eleitor que se vende por grana ou outros favores clientelistas. Na esgotosfera eleitoreira, comenta-se, abertamente, que prefeitos de pequenos municípios que conseguirem juntar de três a cinco mil votos de cabresto ganham de presente até caminhonetes Hilux da Toyota...
Tirando os eleitores fanáticos ou os comprados por algum candidato, a maioria do eleitorado parece não confiar muito em nenhum dos presidenciáveis. A falta de opção eleitoralmente saudável é a tônica do pleito presidencial de 2014. Pelo menos 60% dos eleitores querem mudanças. Dilma tem um índice de reprovação superior a 50%. Sorte dela é a divisão da chamada “oposição” que segue uma linha ideológica muito parecida, “de esquerda” (ou de canhota), indo do socialismo à social democracia, porém variando no grau de demagogia, populismo e corrupção.
Resumindo, o quadro eleitoral e conjuntural é escatológico. O Brasil só “vai bem” na propaganda governamental. Os indicadores reais indicam que o País está prestes a encarar uma das mais graves crises econômicas da história. A indústria patina. O comércio exterior enfrenta dificuldades. Os lucros das empresas – excetuando-se as financeiras – diminui. O comércio interno se retrai. O crédito fica cada vez mais caro. O desemprego aumenta. A inadimplência cresce. A desesperada ortodoxia leva os juros a subirem. O câmbio fica volátil, e o real se desvaloriza. A bolsa oscila especulativamente. O tal do mercado endoida. A mídia amestrada reproduz bobagens. Ninguém entende porra nenhuma. Mas vota – mais errado que certo -, na ilusão de “mudança”.
Na república Sindicalista do Brazil, sob regime Capimunista, está valendo a lição do economista norte-americano Thomas Sowell, na obra “Is Reality Optional?: And Other Essays (1993, p. 131)”: "A primeira lição da economia é a escassez: nunca há o bastante de algo para satisfazer todos aqueles que o querem. A primeira lição da política é ignorar a primeira lição da economia”. Nossos políticos seguem isso com perfeição. O eleitorado apoia, comodamente... O político corrompe e o eleitor se deixa corromper. Eis o crime perfeito.
O mesmo Sowell, na obra “Barbarians Inside the Gates”, recomenda, com fina ironia: "Quando você quer ajudar as pessoas, conte a verdade. Quando você quer ajudar a si próprio, conte o que elas querem ouvir". Em “Knowledge and Decisions” (1980, p. 334), o economista dá outro recado valioso à turma de Bruzundanga: “É incrível como algumas pessoas acham que nós não podemos pagar médicos, hospitais e medicamentos, mas pensam que nós podemos pagar por médicos, hospitais, medicamento e toda a burocracia governamental para administrar isso."
Deus vê nosso sofrimento
Por Pr. Marcos Monte
O povo Hebreu estava sofrendo com o governo de Faraó e a escravidão no Egito. Eles trabalhavam duro. Viviam em grande sofrimento, aflição e miséria, sem nenhuma esperança. Através de seu sofrimento, clamaram a Deus e Deus os ouviu e providenciou a libertação do seu povo, Veja Êxodo 3:9-10 ”: Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo. Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires meu povo, os filhos de Israel, do Egito “.
Muitas pessoas estão vivendo numa escravidão, tem trabalhado muito e ganhado pouco e às vezes é tão pouco que não dá para o seu sustento ou o sustento digno da sua família. Outros infelizmente nem conseguem um trabalho digno para se sustentar. Outros vivem numa escravidão tirana, não imposta por Faraó, mas pelo diabo que escraviza e penaliza suas vítimas, nas Drogas, nos Vícios, nas Doenças e no Pecado. Você que está sofrendo aproxime-se e conte tudo para Jesus, pois Ele veio para destruir as obras do Diabo (I João 3:8). Ele veio para que tenhamos Vida (João 10:10).
Enquanto o diabo fala no ouvido que você não vai conseguir e não vai dar mais um passo para sua conguista. Jesus diz que nós iremos sim, da um passo para nossa conguista e que conseguiremos sair desse sofrimento que parece não ter mais fim. Deus vê toda e qualquer aflição que acontece aqui na terra, ” Disse o Senhor: Vi a aflição do meu povo” (Êxodo 3:7).
Assim como Deus levantou Moisés para libertar o povo das mãos de Faraó e do Egito. Hoje Deus deixou Jesus como nosso Libertador e Salvador. Basta a gente clamar por Ele, recebê-Lo como nosso Libertador e Salvador e Ele virá em nosso socorro! Muitas pessoas estão presas as doenças, nós não estamos isentos de enfrentarmos enfermidades. Quando estivermos sendo provados pela doença, o Senhor vem ao nosso leito para que possamos suportar a provação. “O Senhor o sustentará no leito da enfermidade” (Salmos 41:3).
Nunca estamos sós, Deus sempre esta do nosso lado nos observando e vendo nosso sofrimento. Nenhum de nós foi chamado por Jesus para vivermos uma vida deprimida e traumatizada. O diabo escraviza, Jesus liberta, o diabo coloca doenças, Jesus cura as doenças, o diabo traz terror e opressão, Jesus traz paz e libertação. “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Isaías 26:3).
Quando nós estivermos nos sentindo presos por algo, seja um sentimento de culpa ou algo parecido, temos que ter o exemplo do povo Hebreu quando se viu afligido por Faraó, clamou a Deus e obteve sua resposta.
Devemos ter Deus como nosso refugio e fortaleza: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares” (Salmos 46:1,2). Deus está no controle de todas as coisas e que Ele não nos deixará nem nos desamparará Dt 31:8). Deus esta vendo todo o teu sofrimento agora, confie Nele, que Ele tudo fara por você agora. Você não esta sozinho, Deus esta a teu lado nesse momento vendo todo teu sofrimento, clame a Ele agora e fique na paz, sinta a Paz.
Deus te abençoe.
Deus te abençoe.
Presidente: líder ou gerente?
Por Mailson Ferreira de Nóbrega (*)
A ascensão de Marina Silva nas pesquisas suscitou uma discussão sobre as características do presidente da República. Deve ser líder ou gerente? Muitos preferem a segunda qualidade, na linha de nossas tradições centralistas, mas tentarei demonstrar o que considero certo.
Marina adota a primeira opinião. Afirmou recentemente que o presidente precisa ter visão estratégica. A atual presidente alia-se à segunda, conforme sua reação à declaração de Marina: “Quem diz isso nunca teve experiência administrativa”. Para ela, o presidente tem de “dar conta de tudo”, ou seja, “obra de aeroporto, rodovia, ferrovia, porto, Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida”.
A meu ver, o tempo do presidente — valioso — deve ser investido na articulação política, na interlocução com segmentos da sociedade e na orientação da equipe. Isso é fundamental para construir e ampliar o apoio ao seu programa. Ele (ou ela) é o líder que sabe escolher pessoas, delegar atribuições e confiar a outros as tarefas do dia a dia do governo.
No livro Leadership without easy answers, Ronald A. Heifetz diz que a teoria sobre liderança política teria surgido, no século XIX, da ideia de que a história é feita por grandes homens e por seu respectivo impacto na sociedade (as mulheres não eram consideradas, então, candidatas à grandeza política). Thomas Carlyle (1795-1881) consagrou a teoria em livro sobre heróis políticos (1840). A ascensão ao poder requereria um conjunto “heroico” de talentos pessoais, habilidades e características físicas.
A teoria foi contestada na segunda metade do século XX sob o argumento de que a história depende também de ingredientes além da ação de grandes homens, ainda que estes sejam imprescindíveis. Não se negou o papel do líder nem a ideia de que indivíduos fazem história, mas se reconheceu que diferentes situações requerem distintas habilidades.
A meu juízo, o Brasil precisa de líderes políticos transformadores, capazes de empreender reformas e assim ampliar o potencial de crescimento e bem-estar. São pessoas aptas a mobilizar a sociedade e a classe política para enfrentar e resolver problemas, o que implica motivar, seduzir, agregar, organizar, orientar, focalizar. O líder virtuoso precisa ter visão de futuro, habilidade para construir maiorias no Congresso e capacidade para identificar e atacar os problemas mais relevantes de sua época.
Rever opiniões, reconhecer erros e considerar novas realidades são igualmente atributos do líder sensato e verdadeiro. Fluência verbal, carisma e capacidade de se comunicar são características requeridas nas modernas democracias de massas, pois é assim que o líder transmite mensagens, ideias e estímulos.
Valorizar a experiência administrativa para o exercício do cargo de presidente é menosprezar a boa política. O gerente não responde aos desafios da liderança em países democráticos. Abraham Lincoln e John F. Kennedy, grandes presidentes americanos, não haviam exercido cargos públicos de administração antes de eleitos. Winston Churchill e Margaret Thatcher, os mais importantes primeiros-ministros da Inglaterra no século XX, haviam sido apenas ministros. No Brasil, a experiência de Fernando Henrique em cargo executivo foi a de ministro de Estado por cerca de dois anos. Lula, nem isso. Marina foi ministra por mais tempo do que FHC.
O presidente precisa ter qualidades de gestor, mas estas diferem radicalmente das associadas ao cotidiano da administração pública. Cuidar diretamente de obras, programas e outras atividades governamentais não é, definitivamente, a característica esperada de quem exerce o maior cargo do país. Essa é a responsabilidade de seus ministros e, na maioria dos casos, das pessoas escolhidas para gerir os órgãos da administração direta e indireta da União.
Não se sabe se Marina possui todas ou as principais qualidades de liderança aqui resumidas. Duvida-se de sua capacidade de formar e manter a maioria parlamentar indispensável à aprovação das medidas previstas em seu programa de governo. Isso ela terá de provar caso se eleja e, depois, assuma o desafiante cargo de presidente da República. Marina não precisa mostrar que é gerente.
(*) O economista Mailson Ferreira de Nóbrega foi Ministro da Fazenda e consultor Técnico e Chefe da Divisão de Análise de Projetos do Banco do Brasil. Nóbrega é membro de conselhos administrativos de empresas no Brasil e no exterior. Foi diretor-executivo do European Brazilian Bank, Eurobraz, em Londres. Publicou os livros “O Brasil em transformação” e “O futuro chegou”.
Decepções na educação
A semana passada trouxe notícias decepcionantes para a educação do país. A principal delas foi a divulgação dos resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2013, que mostraram que a qualidade da educação no Brasil está avançando bem menos do que o esperado. A sociedade deveria ter ficado indignada com esses resultados, principalmente em época de eleições, mas isso infelizmente não aconteceu. Afinal, o que está acontecendo com a educação no Brasil?
Na verdade, vários indicadores mostram que está havendo uma desaceleração no ritmo de crescimento educacional que estávamos observando no Brasil. O Ideb da 4ª série aumentou 0,4 entre 2005 e 2007, mas apenas 0,2 nos últimos 2 anos. O índice da 8ª série aumentou somente 0,1 entre 2011 e 2013, passando de 4,1 para 4,2 e deixando de atingir a meta estabelecida pelo próprio MEC (4,4). No ensino médio não houve avanço no período recente. Ou seja, o aprendizado dos nossos alunos está estacionando num nível muito abaixo dos países de alto desempenho, como Coreia do Sul e Finlândia.
Isso também aconteceu com vários outros indicadores. Os anos médios de escolaridade para os jovens de 22 anos de idade (que estão entrando no mercado de trabalho), por exemplo, cresceram 0,7 entre 1992 e 1997. Entre 1997 e 2002 o ritmo quase dobrou, passando de 7 para 8,2 anos completos (equivalente ao ensino fundamental completo). Porém, a partir daí, o ritmo começou a decair, atingindo 0,9 entre 2002 e 2007 e apenas 0,6 nos últimos cinco anos.
A porcentagem de jovens que está na escola na idade certa aumentou 21 pontos percentuais entre 1992 e 2002, mas apenas 14 pontos nos últimos 10 anos. Vale lembrar que apenas metade dos jovens de 15 a 17 anos de idade está frequentando o ensino médio atualmente. O número de matrículas presenciais no ensino superior cresceu 126% entre 1992 e 2002, mas apenas 70% na última década. Apenas 14% dos jovens de 25 a 34 anos concluiu o ensino superior no Brasil. Nos EUA essa taxa é de 44% e na Coreia atinge 66%. Ou seja, ainda teríamos muito a avançar. O que está acontecendo?
Depois de um período bastante promissor na área educacional dos governos de FHC e Lula, com grandes avanços institucionais, nos últimos anos a educação parece ter deixado de ser prioridade. Apenas “programas-vitrine”, de grande impacto na mídia, tais como o “Ciências sem fronteiras”, estão sendo priorizados. Muito pouco está sendo feito pelo governo federal para aumentar as matrículas e o aprendizado dos nossos alunos.
Há municípios que conseguem avançar bastante em termos de aprendizado, mesmo atendendo estudantes com baixo nível socioeconômico, como mostrou um estudo recente da Fundação Lemann (Excelência com Equidade). Mas esse avanço ainda está concentrado nos anos iniciais do ensino fundamental (4ª série) e acontece apenas em poucos municípios, que têm uma equipe de gestores bastante competente. Seria necessário expandir as boas práticas educacionais para as demais escolas do Brasil.
Para isso, é necessário que o governo federal lidere um programa nacional para incentivar todas as redes escolares a adotarem as práticas educacionais que dão resultados. Que práticas são essas? O economista Roland Fryer, de Harvard, tem feito vários estudos mostrando as políticas educacionais que funcionam para melhorar o aprendizado nas escolas em áreas de alta vulnerabilidade, mesmo nas séries mais avançadas. São elas: conversas frequentes do diretor com os professores para melhorar as aulas, uso de dados e avaliações para reformular os programas de ensino de cada série, aulas de reforço frequentes para todos os alunos, aumento do número de horas-aula e fazer com que os professores tenham expectativas altas quanto ao resultado acadêmico e comportamento de todos os alunos.
Vários estudos mostram que não adianta somente aumentar os gastos com educação. É necessário induzir as redes a adotarem as práticas que funcionam. Para isso, é necessário que parte dos recursos que o governo federal repassa para as redes (e diretamente para as escolas) dependa da adoção dessas medidas que se mostraram efetivas.
Além disso, é necessário ter um programa de desenvolvimento infantil que trate dos problemas que afetam as crianças nascidas em famílias mais pobres e que atrasa o desenvolvimento das suas habilidades cognitivas e sócio-emocionais. Temos que atuar tanto no lado das famílias dos alunos como nas práticas escolares. Não há outra maneira de fazer com que a educação do Brasil volte a avançar no ritmo adequado.
Fonte: Valor Econômico, 19/09/2014.
Quatro anos de fiasco, mas a culpa é dos outros
O inferno é o outro, conforme escreveu há 70 anos um filósofo e dramaturgo francês. A presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, certamente concordam. Mas o outro, poderiam acrescentar, tem lá seu valor. Sem ele, em quem jogar a culpa de nossos males, especialmente daqueles produzidos por nós? Para isso servem as potências estrangeiras, os bancos internacionais, os pessimistas de todas as nacionalidades e até o Banco Central do Brasil (BC), por sua insistência em manter os juros em 11%. Os maiores males deste momento ainda estarão por aí quando começar o próximo governo, em janeiro:
1) Os aumentos de preços ganharam impulso de novo. O IPCA-15, prévia da inflação oficial de setembro, subiu 0,39%, muito mais que o dobro da variação de agosto, 0,14%. A alta acumulada no ano, 4,72%, já ficou bem acima da meta, 4,5%. Em 12 meses chegou a 6,62% e dificilmente ficará abaixo de 6% no fim do ano.
2) Os economistas do mercado financeiro e das consultorias continuam reduzindo as projeções de crescimento econômico. A mediana das estimativas, na semana passada, ficou em 0,33%, de acordo com pesquisa do Banco Central. Coincidiu com a nova previsão divulgada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE): 0,3%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicará números atualizados em outubro. A previsão para o Brasil será, com certeza, bem menor que a de julho, 1,3%.
3) As finanças do governo continuam virando farelo. Nem receitas especiais têm resolvido o problema. Pelas primeiras informações, a arrecadação inicial do novo Refis, o refinanciamento de impostos em atraso, ficou abaixo do valor previsto – algo na faixa de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões. O pessoal do Tesouro deverá continuar recorrendo à criatividade contábil. Qualquer balanço razoável no fim de 2014 será uma surpresa.
4) As contas externas continuam fracas e o déficit em conta corrente, no fim do ano, deverá ficar ainda próximo de US$ 80 bilhões, segundo estimativas do mercado. Nada, por enquanto, indica resultados muito melhores em 2015.
5) O país ainda vai depender fortemente de financiamento externo para fechar o buraco das transações correntes. O investimento direto estrangeiro tem sido e provavelmente continuará insuficiente para isso. Faltarão uns US$ 20 bilhões neste ano e, segundo as projeções do mercado, uma quantia muito parecida em 2015. Essa diferença será coberta, em grande parte, por dinheiro especulativo. As condições internacionais de financiamento serão provavelmente menos favoráveis que as de hoje, especialmente se o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, confirmar a elevação dos juros básicos, atualmente na faixa de zero a 0,25% ao ano.
Mesmo com o desemprego bem mais baixo, o Fed provavelmente só começará a aumentar os juros se os seus diretores estiverem convencidos da firme recuperação econômica dos Estados Unidos. Essa recuperação será boa para todo o mundo. Atividade mais intensa na maior economia resultará em mais oportunidades comerciais para todos os parceiros – ou, pelo menos, para aqueles preparados para aproveitar a ocasião. A indústria brasileira tem mais perdido que aproveitado oportunidades, por falta de investimento, por excesso de custos e por erros da diplomacia comercial.
Mas o começo do aperto monetário, possibilitado pela recuperação americana, afetará os investimentos e o custo dos empréstimos. Juros mais altos atrairão dinheiro para os Estados Unidos. Isso poderá neutralizar, em boa parte, a sobra de recursos provocada pelo esperado afrouxamento da política do Banco Central Europeu.
Todo mundo espera essa mudança no quadro internacional. Governos competentes procuram tornar seus países menos vulneráveis a riscos financeiros e mais capazes de acompanhar a onda de crescimento liderada pelos Estados Unidos e acompanhada, com algum atraso, pelas economias europeias mais sólidas.
Economistas do FMI, em documento preparado para a conferência ministerial do Grupo dos 20 (G-20) neste fim de semana, na Austrália, chamam a atenção para os perigos e para os ajustes necessários. A recuperação continua, mas num ambiente de riscos. No Brasil, aponta o estudo, o baixo crescimento dificultará a execução da política fiscal e a redução da dívida pública. Além disso, a inflação elevada poderá tornar necessário um novo aumento de juros se as expectativas piorarem. Isso é exatamente o contrário do caminho apontado pelo ministro da Fazenda.
Mas o governo brasileiro, especialmente em caso de reeleição, sempre poderá atribuir parte dos problemas de 2015 ao Fed. O banco central americano foi responsabilizado por males brasileiros quando inundou os mercados com dólares, tentando estimular a economia dos Estados Unidos. A valorização do real, uma das consequências, encareceu as exportações brasileiras e barateou as importações. O ministro Mantega reclamou de uma guerra cambial.
Desde o ano passado o jogo mudou. Ao anunciar a redução dos estímulos monetários, o Fed mexeu nos fluxos de capitais, valorizou o dólar e, segundo Brasília, criou pressões inflacionárias. O impacto da mudança poderá ser mais forte no próximo ano, com o aumento dos juros. Bendito seja o Fed, um dos culpados de sempre.
A presidente Dilma Rousseff tem citado com insistência uma frase famosa de Nelson Rodrigues sobre o complexo de vira-lata. Não se sabe quantas páginas da obra rodriguiana ela realmente leu, mas a tal frase é importante no repertório presidencial. Não se sabe, também, quantas páginas de Sartre ela terá lido. Mas a ideia sartriana sobre inferno, reduzida a uma tosca simplicidade, tem servido à retórica defensiva de um governo fracassado. Benditos sejam os outros.
Fonte: O Estado de S. Paulo, 20/9/2014
Autoritarismo
Afinal, falamos autoritariamente, mas sem perceber: “Este eu conheço! É pessoa de bem, tinha suas razões!”. O crime, como disse um dia o presidente Lula, foi cometido por meros (e inocentes) “aloprados”; e o mensalão foi uma trivialidade num sistema político recheado de corruptos. O problema é que a trama dos favores que une os poderosos é muito densa para não ser descoberta por algum maldito jornalista investigativo ou revelada por alguma rede ou câmara de televisão.
No Brasil, o crime hediondo e depravado é feito por quem não conhecemos; já o crime cometido por quem faz parte do nosso círculo de relações é um erro de cálculo ou um descuido. Donde o inocente e mendaz: “Eu não sabia…” Nosso autoritarismo ainda não entendeu que, numa democracia, somos simultaneamente construtores e habitantes de um mesmo teto!
O dado novo é a desmistificação do governante como uma pessoa predestinada e superior que pode tudo. Sobretudo roubar. E a questão hoje em dia não é mais de ter sido pobre ou das competências de como resolver os problemas, mas do modo pelo qual esses problemas serão resolvidos. No Brasil atual, nem Stalin ou Hitler teriam sucesso, porque o modo de governar está intrinsecamente ligado à roubalheira amistosa, vista como normal, aceitável e inevitável. O governar como um serviço e uma entrega baseada no resgate de valores, mais do que de rotineiras receitas técnicas, é o que está faltando neste nosso Brasil prestes a eleger um novo presidente.
É preciso liquidar com o autoritarismo do “todos fazem” e nós também fizemos, mas, infelizmente, a imprensa reacionária propagou de modo exagerado e ilegítimo o nosso delitozinho, inventando um “mensalão” petista que jamais existiu. O do PSDB é real, o nosso é fantasia reacionária. Por isso, tivemos que lutar para realizar uma revisão de todo o quadro legal e praticamente reformulamos as sentenças e a tese do julgamento.
Contra isso, só um temporal de ética que comece discutindo o personalismo. Esse personalismo que atribui mais responsabilidade às pessoas do que às questões que demandam a cooperação de todos para serem resolvidas.
Quem é a autoridade? Saber quem manda (ou é o “dono da bola”) é, sem sombra de dúvida, a questão que mais nos aflige. Competir com uma pessoa — usando argumentos pífios — é mais importante do que contribuir para resolver um problema crucial. Quando o mandão é obvio, não há problema. Mas, quando não existe consenso sobre quem é o mais importante, ficamos aflitos, e o conflito deflagra os bate-bocas mal-educados, visando à “desconstrução”, que são a primeira consequência do nosso desconforto com a igualdade.
No fundo, sempre achamos que as pessoas são mais importantes que os problemas e é exatamente isso que tipifica o personalismo que leva ao autoritarismo. Nele, o centro é sempre a pessoa, e elas são tão poderosas que frequentemente fazem com que os problemas (bem como as normas e leis) sejam esquecidos ou ultrapassados.
O dinamismo democrático conduz a uma troca de cadeiras. Se não fosse um exagero, eu diria que essa transparência e esse embaralhamento entre o público e o íntimo têm tido um efeito revolucionário de desmistificar precisa e paradoxalmente os revolucionários de plantão. É o que o nosso pífio programa eleitoral tem o dom de revelar. Nele, os batedores de carteira usuais surgem com clareza, mas é fascinante descobrir o fascismo aberto dos candidatos revolucionários para quem todo o mal do mundo é produzido pelos banqueiros. A satanização é um reducionismo absurdo.
Como contrapeso, porém, temos a campanha dilmista falando de um futuro governo aberto às forças do empreendedorismo, do lucro e do mercado que o PT sempre rejeitou, ao lado de uma visão francamente autoritária e contraditória relativamente ao papel da mídia. Ao jornal cabe informar! — diz a presidenta. E nós, na nossa luta para desmistificar o mundo público nacional, livrando-o dos seus sofismas personalistas, familísticos e autoritários, ficamos abestalhados com a revelação da índole (do geist, como diria um sociólogo alemão) deste governo que tem desmantelado o Banco Central, a Petrobras, os Correios e agora um impecável IBGE nesta ultima década, e que ainda quer mais tempo para prosseguir.
Fonte: O Globo, 24/09/2014.
Servos ou Amigos de Deus?
Dir-se-ia que nem todos são amigos e isto em razão de serem servos de Deus. A razão de uns serem servos e outros amigos de Deus encontra-se no texto seguinte:
“Vós sereis meus amigos se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda, Jo 15:14, “.
Numa breve, mas profunda reflexão gostaria de confrontar o leitor se é um servo ou um amigo de Deus? Pelo texto acima citado compreendemos que o servo é aquele que obedece ao seu senhor, ou numa linguagem mais simples, um escravo limitando-se a fazer o que lhe é determinado. Não conhece os segredos do coração do seu Senhor pelo que não beneficia de Sua intimidade. Sempre está na expectativa de uma palavra profética porque não sabe as intenções do Senhor para consigo. Procura obedecer a Deus cumprindo os mandamentos da Casa do Senhor, como por obrigação com medo de transgredir e sofrer as consequências.
Para uma melhor compreensão de saber se é servo ou amigo de Deus, interrogue-se a si mesmo: Você dá os dízimos com alegria ou porque entendeu que pode beneficiar se os entregar no altar? Outras questões poderão servir também de um teste, como por exemplo: Você não cobiça a mulher do próximo com medo de ser apanhado pelo marido ou porque em seu coração, não a deseja?
A sua caridade para com o próximo é para servir para seu benefício de orgulho ou porque sabe que Deus está presente naquele
que lhe parece ser desprezível? Por estas questões aqui levantadas poderão ajudar a compreender se o leitor é um servo ou um amigo de Deus. Durante muitos anos eu procurei andar certinho com os mandamentos de Deus. Sempre procurava cumpri-los e nem sempre conseguia obedecê-los. Compreendi o drama da Carta aos Romanos em que, o querer estava em mim mas não o efectuar e também me considerava um miserável, Rm 7:24.
A forma de como servimos a Deus é determinante em sermos servos ou amigos de Deus. Vejam bem; o leitor quando está apaixonado tem alguma obrigação em saber como está a sua amada ou amado? Então porque lhe telefona tantas vezes? É por dever ou por amor?
Com Deus passa-se a mesma coisa. O leitor não ora porque lhe é exigido, não vai ao culto por ser sábado ou domingo não pratica o amor por obediência porque ninguém pode realizá-lo sem ter um profundo propósito no coração.
O grande segredo em se tornar um amigo de Deus é deixar que Deus se torne seu amigo. Quando Deus se apega ao nosso coração, também nos apegamos a Ele. Você poderá dizer-me que ainda continua servo porque Deus ainda não encheu o seu coração de amor, da Sua graça, para o livrar da Lei do pecado e da morte.
Dir-lhe-ei que a escolha é de Deus, porque como está escrito no texto acima não fomos nós que O escolhemos mas Ele é que nos escolheu a nós e nos mandou que dessemos fruto, Jo 15:16.
Que fazer então? Se não depende de nós, ser servos ou amigos, será que só depende de Deus? Parece que a predestinação é imperativa de Deus e, no entanto, podemos provocá-Lo.
Certa vez Jesus foi abordado por uma mulher círio-fenícia que Lhe pediu para libertar a sua filha e Jesus respondeu-lhe que não era bom dar o pão dos filhos aos cachorrinhos, querendo dizer-lhe que ela era uma cachorra e sua filha uma cachorrinha e consequentemente não lhe era digno de comer à mesa dos filhos do Reino. Então a mulher O provocou dizendo-lhe que apenas desejava as migalhas que caiam da mesa e com isto incendiou o coração de Deus que logo ordenou que fosse cumprida a sua petição.
Não creio que a graça de Deus seja concedida por mérito humano mas admito, que certos corações mediante um grande sofrimento desprezem a auto-suficiência para se renderem ao Amor absoluto, o Nosso Senhor Jesus Cristo.
Fraternalmente,
(*) Amilcar Rodrigues foi ordenado pastor em 1978 na "Apostolic Faith Mission" na República da África do Sul, onde fez estudos teológicos. Como missionário em Portugal, fundou três igrejas e foi Presidente Nacional da Comissão de Programas da Aliança Evangélica Portuguesa, para a televisão, RTP2. Foi formado produtor de televisão "Broadcast" pela "Geoffrey Connway Broadcast Academy" Toronto, Canadá, é filiado do "Crossroads Christian Comunication".
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