segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Já estão desesperados



Por: Carlos Chagas

A cada pesquisa divulgada mais parece crescer o desespero no governo e no PT. Evidência disso foi a inusitada reação de Dilma, sexta-feira, em Salvador, ao comentar declarações de Marina a respeito de, em seu governo, vir a dar ao pré-sal um papel secundário. Pode ter sido uma precipitação, até uma bobagem da ex-senadora, mas só a iminência da derrota justificaria que a presidente a tivesse chamado de “fundamentalista, retrógrada e obscurantista”. Ao defender o pré-sal, mesmo sem citar a adversária nominalmente, Dilma perdeu-se em explicações sobre política energética, defendendo a implantação de mais hidrelétricas e sustentando que a energia eólica e o etanol são complementares do petróleo, não seus substitutos.


No fundo da discussão, para Dilma, estavam os mais recentes números divulgados pelo Datafolha: Marina vence no primeiro e no segundo turno por diferença de dez pontos, por enquanto.


Mil tratados serão escritos a respeito das causas de tão profunda reviravolta no quadro sucessório. Cada um que selecione seu cientista político preferido, mas não haverá como fugir da evidência: o eleitor se identifica em Marina. Como candidata a vice, não aparecia e não empolgava, sequer servia de contraponto à arrogância e à soberba de Dilma. Com a tragédia atingindo Eduardo Campos, virou o jogo: Marina reivindicou a candidatura, que recebeu de modo natural. Era o que o cidadão comum não estava esperando mas recebeu como um presente: uma candidata igual a todos nós.


Alega-se, no ninho dos tucanos e no bunker do PT, que em um mês as coisas poderão mudar. Na teoria, claro. Na prática, muito difícil. As tendências, quando se firmam, não costumam desaparecer. Marina é uma delas.


Importa menos saber de ela vai proibir a implantação de hidrelétricas, se vai subsidiar o etanol ou voltar à energia nuclear. A verdade é que caiu no gosto popular. Para o PT,Lula, Dilma e penduricalhos, fica a lição maior da humildade: ninguém é insubstituível…

A merreca do salário mínimo


Por: Carlos Chagas

Por que Dilma Roussef continua caindo nas pesquisas, arriscando-se a não ser reeleita, passando o poder para Marina Silva?


Muitos motivos existem, sendo que o mais recente acaba de ser fornecido pela própria presidente através de comunicação feita pela ministra do Planejamento: ano que vem o salário mínimo será fixado em 788 reais.


Imagine-se um pai de família vivendo com essa merreca. A Constituição determina que o salário mínimo deve bastar para o trabalhador e sua família enfrentarem despesas de habitação, alimentação, vestuário, transporte, educação, saúde e até lazer.


A vontade é de ver como se arranjariam a presidente da República e seus ministros caso obrigados a viver com um salário mínimo.


Divulgou-se esta semana que a população brasileira chegou a 202 milhões de pessoas. Do total, quantos recebem o salário mínimo? Há quem calcule entre 80 e 100 milhões, ainda que o governo permaneça em silêncio a respeito. Pior do que nos tempos da escravatura, quando os infelizes eram alimentados e vestidos pelos seus senhores.


GETÚLIO DOBROU…


Ainda há pouco transcorreram 60 anos da morte de Getúlio Vargas. Quando eleito pelo povo, em 1950, uma de suas primeiras iniciativas foi dobrar o salário mínimo. Nenhuma empresa faliu, muito menos os cofres públicos ficaram vazios. As elites engoliram a medida, ainda que passassem a conspirar para a deposição do presidente.


Qual o candidato, hoje, que ousou propor a duplicação do salário mínimo? Nem Marina, quanto mais o governo do PT. Argumentam que a economia nacional iria à falência, que a iniciativa privada e o poder público não suportariam tamanha despesa. Não faltariam economistas para manipular os números.

Aconteceria o que, caso o salário mínimo, em vez dos prometidos 788, dobrasse para 1576 reais? Nada, até porque essa quantia também será insuficiente.

Custo do Judiciário em 2014 vai superar a Educação

(...) Temos um judiciário que sequer pensa no efeito externo, tamanha à distância que se encontra da sociedade. Impõe as entidades que os representa, como solução, a contratação de juízes e servidores. Estimulam a criação de leis e normas para barrar recursos.

Por: Roberto Monteiro Pinho
 


Estudo divulgado em 2013 pelo Ministério da Justiça denominado “Diagnóstico do Poder Judiciário”, comparando o salário dos magistrados brasileiros com o de outros 29 países revelou que o juiz no Brasil está entre os que mais ganham. Segundo dados do Banco Mundial, (que constam no diagnóstico), o salário dos magistrados brasileiros só perde para os canadenses, na primeira instância (varas federais). Na segunda instância (3º) e nos tribunais superiores (7º), assim os vencimentos dos nossos juízes, figuram, entre as dez maiores do mundo. Ao comparar a destinação de recursos públicos para o Judiciário, naquela oportunidade o Ministério da Justiça verificou que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de repasses em um grupo formado por 35 países. O Brasil é o que mais destina dinheiro para os tribunais, englobando as esferas da União, dos Estados e dos municípios. Nessa lista comparativa estão: Itália, Espanha, África do Sul, Dinamarca e Noruega. Os gastos do Judiciário em 2012 foram de R$ 300,48 por habitante. No total, o Poder Judiciário gastou R$ 57,2 bilhões no ano passado, valor que representa crescimento de 7,2% em relação a 2011. Os R$ 57 bilhões equivalem a 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, a 3,2% do total gasto pela União, pelos Estados e pelos municípios no ano de 2012.


De fato o judiciário brasileiro é de dimensões alarmantes, no universo de 22 mil cargos no Governo Federal, e um total de 540 mil servidores estáveis. Mas o destaque está para a especializada laboral, que inoperante para atender a demanda dos trabalhadores que são compelidos a buscar seus direitos trabalhistas, numa justiça de consignação que compromete 97% do total do seu orçamento anual, só para atender a folha de pagamento de 54 mil servidores. Ou seja: 10% do total de toda máquina de servidores federais do país. Nos seis últimos anos do governo Lula, o orçamento para o Poder Judiciário aumentou 168%, passando a consumir R$ 32,5 bilhões por ano, atingindo em 2013 um total de R$ 96 bilhões. Para melhor dimensionar a discrepância de gastos da União com o judiciário e outros setores mais importantes, e de acordo com o Projeto de Lei Orçamentária do governo federal para 2014 prevê R$ 100,3 bilhões para investimentos em Saúde e 92,4 bilhões para Educação.


“O grande problema é de que o judiciário não atende a contento a sociedade. Seu custo/beneficio é quase zero, e segundo analistas do governo, não deve melhorar sua prestação jurisdicional, em virtude de uma série de equívocos, dos quais a autonomia para sugerir orçamento, sem controle do governo”.


Os serviços desses tribunais funcionam onde poucos destoam de muitos que o mantém, deixando esse segmento de justiça, nos mesmos níveis de intolerância da área da saúde, que tem orçamento próximo. Temos um judiciário que sequer pensa no efeito externo, tamanha à distância que se encontra da sociedade. Impõe as entidades classistas que os representa, como solução, a contratação de juízes e servidores. Estimulam a criação de leis e normas para barrar recursos. Mas imagina-se como conseguirão remunerar a quantidade necessária de magistrados para atender a demanda cada vez mais crescente por justiça, direitos e ordem pública? Seria a solução ter árbitros e mediadores com a garantia de solução de conflitos pela via extrajudicial, como forma de acelerar os processos. O problema se agrava a cada ano. Existem hoje 93 milhões de processos tramitando na Justiça, e a última Meta do CNJ, era o de julgar em 2012, um lote de 23 milhões, no entanto julgou 15 milhões, e recebeu 16 milhões e novas ações.


Os maiores pesadelos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para fiscalizar o funcionamento do judiciário são o superfaturamento, engavetamento (morosidade) e corrupção. Quando a morosidade de processo simples, como uma investigação de paternidade demora 4, 5 ou mesmo 6 anos para alcançarem sua fase final. A exemplo de outros setores da vida pública, o judiciário brasileiro também enfrenta a corrupção, com vários os exemplos de participação de magistrados, desembargadores, promotores e advogados em esquemas de lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas ou mesmo vendas de sentenças. São dezenas de sedes dos Tribunais brasileiros, que parecem até fazer uma competição para ver quem faz o prédio mais luxuoso, mais tecnológico, maior e mais caro. Construções como a da nova sede do TRF1 possuem nove banheiros coletivos de 800 metros quadrados, boxes para massagem de 60 metros quadrados e setor de lojas com 200 metros quadrados. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui os maiores gabinetes dos tribunais, e uma garagem com cinco mil vagas.

TSE não fará teste público das urnas eletrônicas antes das eleições 2014

Especialistas condenam a atitude e criticam falta de transparência




Apesar de reconhecer que “os testes de segurança das urnas eletrônicas fazem parte do conjunto de atividades que garantem a melhoria contínua deste projeto”, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não fará nenhum antes das eleições de outubro.

Desde 2012, aliás, quando uma equipe de técnicos da Universidade de Brasília (UnB) simulou uma eleição com 475 votos na urna eletrônica e conseguiu colocá-los na ordem em que foram digitados, o tribunal não expõe seus sistemas e aparelhos à prova de técnicos independentes. Mesmo assim, continua a afirmar que eles são seguros e invioláveis.

Para especialistas em computação, o TSE se arrisca ao dispensar as contribuições e os ajustes que poderiam florescer em testes públicos independentes e erra ao adotar uma postura de extrema confiança em relação a seus sistemas de registro, transmissão e contagem de votos.

Muitos lembram que, recentemente, até mesmo as comunicações da presidente Dilma Rousseff foram rastreadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) americana.

— Eu aguardava ansiosamente os testes de 2014 para verificar pelo menos se os problemas de segurança que descobrimos (em 2012) haviam sido corrigidos — disse ao GLOBO o professor de computação Diego Aranha, hoje trabalhando na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). — Mas isso não vai acontecer e lamento por isso. Eu realmente acredito que as urnas eletrônicas brasileiras seriam viradas pelo avesso se pudéssemos fazer testes realistas e sem restrições nelas. Mas o TSE nos impede.

Em 2012, Diego e três técnicos da UnB se cadastraram no TSE para participar de um teste público das urnas e, segundo contam, conseguiram provar a vulnerabilidade delas sem precisar abri-las.

— No teste, o TSE abriu o código de programação do software da urna e nos deu cinco horas para analisar mais de 10 milhões de linhas de programação. Em menos de uma hora descobrimos a equação usada pelas urnas para embaralhar os votos que ela registra e, para provar isso, simulamos uma eleição com 475 votos e, em seguida, ordenamos os votos que foram registrados nela. Resumindo: achamos um erro banal do sistema — afirmou Aranha.

Desde então o TSE não realiza testes desse tipo. E afirma, via assessoria de imprensa, que não tem previsão para fazê-los.

— A ausência de testes públicos, livres, sem controle sobre o que será testado, per se, já é um dano. Independentemente de eventuais riscos técnicos — o professor da FGV Direito Rio, Pablo Cerdeira.

— É direito nosso, de todos os cidadãos, não apenas saber dos resultados mas também como foi todo o processo para se chegar a ele. Imagine se a apuração de uma eleição feita em papel fosse realizada a portas fechadas, de forma secreta, sem que ninguém pudesse acompanhar. O sistema não seria confiável. É a mesma coisa com a votação eletrônica. Se a sociedade não puder acompanhar, sem restrições, como funcionam as urnas, podemos dizer que temos dois danos: não estão respeitando nosso direito à transparência e estamos corremos o risco de ter alguma falha no sistema que permita a violação das eleições.




Fonte: Veja

9 atitudes para melhorar a Educação brasileira

Quanto mais educadas as pessoas de um país, melhor é a qualidade de vida. Veja o que você pode fazer no dia a dia para melhorar a Educação do Brasil




"O Brasil nunca vai ser um país razoável se as desigualdades não diminuírem", afirmou em entrevista a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro Ana Lima. "E se tem alguma coisa que consegue acelerar a redução da desigualdade é a Educação, é ela quem consegue colocar todo mundo num patamar parecido e dar chance igual para todos", disse.

Mas os benefícios de uma Educação de qualidade para todos não param por aí. Diversos estudos comprovaram o impacto positivos da Educação para a melhoria da saúde, o aumento da renda, a diminuição da violência, o fortalecimento democracia e até o aumento da felicidade.

A mudança na Educação brasileira depende de esforços políticos que parecem além do nosso alcance, mas a verdade é que essa transformação pode começar agora, na sua casa, com seu filho. Confira atitudes que você pode tomar no dia a dia que fazem toda a diferença para a Educação e para o Brasil.




1) Valorizar a importância da Educação
O primeiro passo é entender a importância da Educação para a vida das pessoas. Mais do que garantir um bom emprego, a Educação promove outros direitos, como segurança, saúde e justiça e ainda possibilita uma visão mais ampla e crítica de si mesmo e do mundo. [ver matérias] Transmita ao seu filho a importância da Educação no dia a dia. Mostre que aprender é bom, demonstre interesse pelos assuntos escolares, como eventos e provas e, acima de tudo, dê o exemplo!


2) Entender seus direitos e os de seu filho
Ensino de qualidade não é um favor, mas um direito. Para poder exigir uma boa Educação, é preciso entender o que a lei garante a você e a seu filho. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) é uma boa maneira de saber quais são as obrigações educacionais de cada entidade federativa.

Você sabia que é dever do Estado assegurar atendimento em creche e pré-escola para crianças de zero a seis anos? Se não houver vaga e a lista de espera demorar muito, os pais podem procurar a Diretoria Regional de Ensino ou acionar a Defensoria Pública, Ministério Público ou Conselho Tutelas para lutar pela vaga.

Além disso, material escolar e transporte gratuitos são também assegurados pela LDB.


3) Incentivar a leitura desde cedo
Ler bem é fundamental para o processo de aprendizagem da criança, pois é a base para aprender todas as disciplinas. Além disso, a leitura amplia o vocabulário, faz a criança escrever melhor e favorece um bom desempenho escolar.

E quanto mais cedo ela tiver contato com livros, melhor! "O comportamento da família influencia diretamente os hábitos da criança. Se os pais leem muito, a tendência natural é que a criança também adquira o gosto pelos livros", disse Rosane Lunardelli, doutora em Estudos da Linguagem e professora Universidade Estadual de Londrina (UEL).


4) Ajudar na alfabetização do seu filho
Mais do que aprender a ler, a criança precisa ler para aprender. Sem uma boa alfabetização nos primeiros anos de escola, ela irá acumular dificuldades ao longo dos anos. "A alfabetização é a base da aprendizagem dos alunos nas séries seguintes", disse Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação na apresentação dos resultado da Prova ABC , que mede a qualidade da alfabetização brasileira.

Ensinar é função do professor, mas os pais podem e devem colaborar na fase de alfabetização mostrando interesse e enriquecendo o ambiente da criança.


5) Ter uma boa relação com a escola do seu filho
Crie uma parceria com a escola de seu filho, pois é lá onde ocorrerá grande parte da aprendizagem dele. Participe das reuniões de pais e mestres e, mesmo que não haja reuniões marcadas, visite a instituição para tirar suas dúvidas.
Outra boa maneira de participar de perto da vida escolar de seu filho é integrar ou formar um Conselho Escolar, também conhecido como Comissão de Pais. Este grupo discute problemas da escola e propõe soluções em conjunto.


6) Valorizar o professor
Um bom professor faz toda a diferença na aprendizagem de seu filho. "A qualidade de um sistema educacional não será maior que a qualidade de seus professores", relatou o estudo Os Sistemas Escolares de Melhor Desempenho do Mundo Chegaram ao Topo, realizado pela consultoria McKinsey.

A Coreia do Sul, que já teve condições parecidas com as do Brasil, tornou-se referência em Educação justamente por valorizar a carreira dos docentes. Além do salário inicial atraente e a possibilidade de crescimento profissional, os coreanos respeitam e valorizam socialmente a função. Lá, os jovens sonham em ser professores e, por isso, apenas os melhores alunos chegam lá, pois as notas de corte para a carreira são altíssimas.

Professores que trabalham em condições adequadas são mais motivados e ensinam melhor, portanto, procure conhecer as ações o que a escola de seu filho faz para valorizá-los e demonstre respeito e interesse pelo seu trabalho.


7) Escolher seus candidatos de maneira consciente
Se a educação brasileira não for prioridade dos nossos políticos, não conseguiremos dar esse salto de qualidade tão necessário. Votar em candidatos comprometidos com a Educação é uma maneira de ajudar a mudar o destino do país. Mas não basta apenas votar, é preciso acompanhar o trabalho dos candidatos eleitos e cobrá-los para que cumpram suas promessas e façam seu trabalho.


8) Acompanhar a vida escolar
Quanto mais a família participa da vida escolar, mais as crianças aprendem! Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostrou que interesse, incentivo e ações simples como providenciar um bom local de estudo podem aumentar as notas em 20%.

Acompanhar a lição de casa também é uma atitude que melhora o desenvolvimento das crianças. Por meio dela, os pais podem se informar sobre o que o filho está aprendendo e enriquecer esse processo, mas atenção: acompanhar a lição de casa não é fazer a lição pelo seu filho.


9) Educar para os direitos humanos
Os direitos humanos asseguram que todos nascem livres e são iguais em dignidade e em direitos. A socióloga e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, Sandra Unbehaum, explica que esses direitos "garantem e favorecem que a vida em sociedade seja benéfica para todas as pessoas humanas e não somente para alguns grupos privilegiados". Liberdade de expressão, igualdade perante a lei, direito a votar e ser votado, direito à Educação, saúde, trabalho e moradia são alguns desses direitos fundamentais.

E a melhor maneira para educar as crianças para os direitos humanos, diz Sandra, é pelo exemplo. "Os pais, ou melhor, todos nós, precisaríamos praticar direitos humanos: simplesmente manter coerência entre a nossa prática e o nosso discurso", afirma.




Fonte: Educar para Crescer





Falta d'água em cidades tem a ver com devastação desenfreada da Amazônia


Chuvas que recarregam reservatórios da região Sudeste são oriundas da Amazônia. Árvores são ‘toque final’ da máquina biológica que produz chuvas.




O chão foi o destino de 20% das árvores da Floresta Amazônica original. Que isso vem acontecendo há anos, todos sabem. O que você provavelmente não sabe é que esse crime ambiental tem a ver com a falta d'água na maior cidade da América Latina. É que a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. E sem chuva, os reservatórios ficam vazios e as torneiras, secas.

É guerra contra a cobiça. No coração da Amazônia, o exército formado pelo Ibama, pela Funai e pela Polícia Federal atinge mais um alvo. Garimpeiros presos, madeireiros multados, equipamentos destruídos. E a prova do crime apreendida. Esse é o front de um conflito que já dura pelo menos quatro décadas no Brasil. Desde que as primeiras estradas rasgaram a floresta para permitir a colonização. Caminhos que acabaram facilitando também o acesso de exploradores gananciosos e sem escrúpulos. Um crime ambiental que ainda está longe do fim.

Uma árvore que leva mais de 100 anos para crescer. E que em menos de um minuto, já pode estar derrubada. E o pior é que a madeira nem é aproveitada. Nesse tipo de desmatamento, o objetivo é simplesmente derrubar tudo, tocar fogo e transformar a área em pastagem para a criação de gado. Um crime ambiental que geralmente só é notado pelos fiscais tarde demais, quando a floresta já virou carvão.

Clareiras somam área maior que França e Alemanha juntas

“Isso aqui é roubo de terras da União. Grileiros furtam a terra da União, praticam o desmate multiponto, vários pontos embaixo da floresta, dificultando o satélite de enxergá-lo.”, explica Luciano de Menezes Evaristo, diretor de proteção ambiental do Ibama.

O que os olhos poderosos dos satélites não veem, a floresta, lamentavelmente, sente: 20% das árvores da Amazônia original já foram para o chão. Restaram imensas clareiras que somam uma área maior que a França e a Alemanha juntas.

O Fantástico acompanhou, com exclusividade, a maior operação contra grileiros na Amazônia neste ano. Em uma conversa gravada pela Polícia Federal com autorização da Justiça, um dos presos admite que o interesse dos criminosos é apenas nas terras.

“Como a floresta lá é muito bruta, os troncos são muito grossos, então o custo é muito grande. São árvores antigas, árvores velhas”, ele diz.

Consequências da devastação estão próximas de todos

Derrubadas e garimpos deixam uma cicatriz gigantesca na mata que pode parecer um problema exclusivo de árvores e bichos, distante da maioria das pessoas. Mas a ciência e as novas tecnologias comprovam que as consequências da devastação estão muito mais próximas de todos nós.

Nascentes que já não vertem mais água. Represas com menos de 10% de sua capacidade original de armazenagem. Uma delas, por exemplo, perto de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, deveria ter em um ponto uma profundidade de pelo menos cinco metros. Está agonizando. Mas o que a falta de água nesta região do país tem a ver com a Amazônia que fica a mais de 2 mil quilômetros de distância? Tudo, absolutamente tudo, segundo cientistas que estudam as funções da floresta e as variações climáticas na América do Sul.

“Essas chuvas que ocorrem principalmente durante o verão, a umidade é oriunda da Amazônia. E essa chuva que fica vários dias é que recarrega os principais reservatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe.

Fantástico tem acesso exclusivo a relatório sobre futuro climático

O Fantástico teve acesso exclusivo ao relatório sobre o futuro climático da Amazônia que só vai ser divulgado oficialmente na Conferência Sobre o Clima em Lima, no Peru, no fim deste ano. O trabalho desenvolvido em parceria por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Inpa, que investiga a Amazônia, reúne mais de 200 estudos e traça um minucioso roteiro das chuvas no continente sul-americano.

“Está mudando o clima. A gente vê isso acontecendo na Amazônia. Tem muitos trabalhos mostrando que a extensão da estação seca está se prolongando”, diz Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.

De acordo com esse relatório, nos últimos 400 milhões de anos, a umidade que evapora dos oceanos é empurrada naturalmente pelos ventos para dentro dos continentes. Uma parte desse vapor vira chuva e cai, principalmente, sobre as grandes florestas na altura do Equador. O excesso de umidade segue empurrado pelos ventos, atravessa os continentes e acaba indo para o mar. Um ciclo que ao redor da Terra só tem uma exceção: a Amazônia.

Diferencial da Amazônia

O que torna a Amazônia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta é a Cordilheira dos Andes. Um imenso paredão, de 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Pacífico. Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o Sul.

“Esses ventos viram aqui e se contrapõem à tendência natural dessa região aqui de ser deserto. É uma região que produz 70% do PIB da América do Sul - região industrial, agrícola, onde está a maior parte da população da América do Sul”, explica Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.

Mas de onde vem tanta água? Como funciona a fantástica máquina biológica que faz chover? Segundo os cientistas, o toque final cabe às árvores.

Fincadas a até 20 ou 30 metros de profundidade, as raízes sugam a água da terra. Os troncos funcionam como tubos. E, pela transpiração, as folhas se encarregam de espalhar a umidade na atmosfera.

Diariamente, cada árvore amazônica bombeia em média 500 litros de água.
A Amazônia inteira é responsável por levar 20 bilhões de toneladas de água por dia do solo até a atmosfera, 3 bilhões de toneladas a mais do que a vazão diária do Amazonas, o maior rio do mundo.

“Se você tivesse uma chaleira gigante ligada na tomada, você precisaria de eletricidade da Usina de Itaipu, que é a maior do mundo em potência, funcionando por 145 anos para evaporar um dia de água na Amazônia. Quantas Itaipus precisaria para fazer o mesmo trabalho que as árvores estão fazendo silenciosamente lá? 50 mil usinas Itaipu”, explica Antônio Nobre.

“Rio voadores” cruzam o Brasil

Esse imenso fluxo de água pelos ares é chamado de "rios voadores". O Fantástico chamou a atenção para a importância desses rios já em 2007. Imagens feitas de um avião do projeto "rios voadores" revelam nuvens densas, carregadas de água, cruzando todo o Brasil.

Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da metade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile vem da Amazônia.

Para os cientistas, uma prova irrefutável do papel dos Andes e da Floresta Amazônica no ecossistema do cone-sul é a inexistência de um deserto nessa região. Basta olhar o globo para constatar que na mesma latitude em volta do planeta tudo é deserto. Menos na América do Sul.

Os pesquisadores não têm dúvida: sem a Amazônia, os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul fatalmente seriam desertos também.

“Para quem está no Brasil, seja Porto Alegre ou Manaus ou São Paulo tem que saber que a água que consome em sua residência, uma parte dela vem da Amazônia e que por isso temos que preservar”, alerta Gilvan Sampaio.

Devastação bloqueia “rios voadores” em São Paulo

As imagens dos satélites que acompanham a movimentação das nuvens de chuva comprovam que a grande seca que assola as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, em parte, está relacionada aos desmatamentos. No estado de São Paulo, por exemplo, a devastação da Mata Atlântica permite a formação de uma massa de ar quente na atmosfera. Tão densa que chega a bloquear os “rios voadores”, já enfraquecidos por conta do desmatamento na Amazônia. Represados no céu, eles acabam desaguando no Acre e em Rondônia, onde, este ano, foram registradas as maiores enchentes da história.

MP e Receita Federal entram na luta contra o desmatamento

Na luta contra o desmatamento, o Ibama, a Funai e a Polícia Federal acabam de ganhar mais um aliado: o Ministério Público, que passou a juntar dados da Receita Federal para poder enquadrar as quadrilhas também por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, falcatruas que podem levar a mais de 10 anos de cadeia.

Pelas contas da Procuradoria da República no Pará, só a quadrilha presa na última operação desviou dos cofres públicos R$ 67 milhões em impostos. Um crime que mistura ganância e ignorância.

Fantástico: Quando você mete a motoserra em uma árvore que levou 100 anos para chegar daquele tamanho, não dá dó?
Homem: Não tem como a gente ter dó das coisas. Ninguém tem dó da gente também, né? Tem que desmatar para viver, né?

“Eu não sei se tá errado, não. Pra mim, está certo porque eu estou trabalhando. Enquanto os vagabundos ficam soltos na cidade, a gente tem que trabalhar escondido. Aí é difícil”, diz uma mulher.

Reflorestar áreas desmatadas antes que seja tarde

Um comportamento que bate de frente com os interesses de quem depende da Amazônia para produzir alimentos de forma legal.

“É do interesse do próprio agricultor ou produtor de gado ou de quem está querendo produzir energia que a floresta seja mantida. Porque ela é o que garante que tenha água necessária para essas atividades econômicas poderem existir”, diz o engenheiro florestal Tasso Azevedo.

Os gráficos do Inpe revelam que os desmatamentos na Amazônia já caíram aos níveis mais baixos das últimas duas décadas, mas ainda que tivessem sido completamente zerados, os cientistas não estariam tranquilos. Eles alertam que é preciso também reflorestar as áreas desmatadas antes que seja tarde.

“Existe um fato simples: se você tira floresta, você tira fonte de umidade, muda o clima. E nós tiramos floresta. Isso foi o que a gente fez nos últimos 40 anos. O clima é um juiz que sabe contar árvores, que não esquece e não perdoa”, afirma Antônio Nomes.

Evidências de aparelhamento do Estado




O STF (Supremo Tribunal Federal) voltará a debater a possibilidade de condenados ao regime semiaberto em todo o país cumprirem suas penas em prisão domiciliar. O relator de processo sobre o tema é o ministro Gilmar Mendes, que pretende levar a discussão ao plenário no segundo semestre.

O assunto chegou ao STF depois que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu mandar presos em regime semiaberto para suas casas “enquanto não existir estabelecimento destinado ao regime semiaberto que atenda todos os requisitos” da lei. Ou seja, enquanto o Estado não abrir vagas em colônias agrícolas ou industriais, quase inexistentes no país.

“A progressão de regime no cumprimento de penas no Brasil, concebida como modelo de reintegração do preso à sociedade, parece pura ilusão”, afirmou Mendes na conclusão das audiências públicas sobre o assunto.

A discussão no STF terá tempero adicional, já que o presidente da corte, Joaquim Barbosa, determinou que condenados do mensalão cumpram 1/6 da pena na prisão antes de terem direito ao trabalho externo.

Questiono:
- Porque este debate ocorre justamente depois da prisão dos mensaleiros petistas e imediatamente após o ministro Joaquim Barbosa revogar da farra do “trabalho externo”?
- Porque só agora o TJ do Rio grande do Sul descobriu que não existe estabelecimentos para o regime semiaberto?
- Porque o TJ RS não questiona o ministro da Justiça do PT sobre esta escassez de estabelecimentos?
- Porque o TJ RS não resolve isoladamente o problema do seu estado?

Os petistas e esquerdistas de plantão podem me rotular de teórico da conspiração ou de qualquer adjetivo que desejarem, mas não posso deixar de expressar meu entendimento sobre esta notícia.

Temos aqui uma evidente demonstração do uso do “aparelhamento” do Estado pelo PT.

Podemos perceber que a partir de uma decisão “isolada” do tribunal de um dos estados da federação, que deveria passar despercebida pois teria apenas efetividade local, nasce um “movimento nacional” que é enviado ao STF para que beneficie à todos os presos do Brasil, inclusive “quem?”…os mensaleiros petistas é claro!.

Fatos:

- O Tribunal de Justiça do RS decide libertar presos do semiaberto;
- Tarso Genro(PT) é Governador do Rio Grande do Sul;
- Genro foi ministro da Justiça de Lula, pai do mensalão;
- O PT indicou a maioria do colegiado do STF;
- A discussão chega ao STF e assim estende à todos os presos do Brasil.
- Joaquim Barbosa acaba de revogar o semiaberto dos mensaleiros petistas.
- Os maiores beneficiados com este “debate” serão os mensaleiros.

É muita coincidência não acham?

O tribunal de Justiça do estado governado por Tarso Genro do PT, que foi ministro da Justiça do PT decide mandar para casa presos do semiaberto como os mensaleiros do PT logo após o ministro que não é do PT revogar o semiaberto dos mensaleiros do PT.

É muito difícil acreditar que estas ações não estejam interligadas, parece mais uma orquestra de tão afinada e concentrada no tema mensaleiro!


Este é o jeito PT de aparelhar!



Fonte: Big Full