quarta-feira, 9 de julho de 2014

Alhos com bugalhos

O sucesso da Copa do Mundo está subindo à cabeça da presidente Dilma, que agora mistura alhos com bugalhos para dizer que, da mesma maneira que “os pessimistas” erraram ao prever problemas que não aconteceram no campeonato de futebol, também errarão ao serem pessimistas em relação ao crescimento da economia brasileira neste ano eleitoral.
A fala sinaliza, sobretudo, uma perigosa ausência de autocrítica e um abuso de poder ao utilizar a Copa do Mundo como indicativo de sucesso de seu governo, o que absolutamente não acontece.
A única realização genuinamente original e vitoriosa de uma instituição pública nacional foi a atuação da Polícia Civil do Rio, juntamente com a Polícia Federal, no desmantelamento da quadrilha que atuava já há quatro Copas na venda ilegal de bilhetes para os jogos do campeonato do mundo.
Mesmo o clima de segurança que vivemos, tão elogiado pelos jornalistas estrangeiros, é absolutamente atípico, consequência do uso do Exército e das polícias num esquema de prontidão absolutamente impossível de ser mantido no dia a dia do país.
Até o trânsito, criticado pelos estrangeiros, está mil vezes melhor do que o usual em todas as capitais do país pela decretação de feriados nos dias de jogos.
Estamos vivendo uma espécie de conto de fadas que se desvanecerá assim que a Copa do Mundo acabar, e tivermos de voltar ao nosso dia a dia de insegurança e imobilidade urbana nos grandes centros.
A Ilha da Fantasia em que se transformou o país da Copa mostra apenas o país que poderia ser e não é, com as pessoas andando alegres pelas ruas, sem receio de assaltos.
Os estereótipos foram reforçados por esses dias, e até os indígenas tiveram seu lugar no folclore nacional realçado. Mas a presidente Dilma não aceita que o atraso nas obras previstas pelo PAC da mobilidade urbana tenha prejudicado a realização da Copa, e tem razão nessa visão estreita que só pensa nos benefícios eleitorais que pode tirar.
Viadutos que caem ou que simplesmente não serão construídos, transportes urbanos deficitários, aeroportos com puxadinhos para dar conta do movimento, nada disso prejudica a realização dos jogos. 
Mesmo os estádios superfaturados e inaugurados em cima do laço, muitos sem nem mesmo uma vistoria, não impediram que os jogos da Copa do Mundo fossem fascinantes, mesmo que a grama de alguns deles tenha sido criticada, ao contrário do que disse o ex-presidente Lula, que atribuiu a desclassificação da seleção da Inglaterra à excelência de nossos gramados.
Mas não houve nenhuma demonstração da capacidade de realização deste governo que tenha sido diferente da África do Sul, por exemplo, o que mostra que, de uma maneira ou de outra, as Copas do Mundo sempre se realizam.
As obras atrasadas, na verdade, são as mais importantes para as cidades envolvidas na organização de uma Copa do Mundo, e interessam aos seus habitantes, não à Fifa, que sairá do país com os bolsos cheios e sem compromisso nenhum com nosso desenvolvimento. E nem era para ter.
Nós, que aqui vivemos e que temos de conviver com a gestão indigente de nossos governos, é que teríamos que exigir mais responsabilidade pelas promessas não cumpridas e menos regozijo por fatos que nada têm a ver com os governantes. Como as belas praias e o povo caloroso destacados nos depoimentos dos jornalistas estrangeiros.
O comentário da presidente Dilma, além do mais, faz pensar que a direção equivocada de nossa economia não será revertida caso ela consiga se reeleger. Apesar de a economia ter crescido apenas 0,2% no primeiro trimestre do ano, a presidente disse confiar na “força da economia brasileira”.
Pela sexta semana seguida, a projeção para a alta do PIB em 2014 foi rebaixada pela média dos economistas que participam da pesquisa Focus, sendo fixada agora a 1,07%.
O governo fechará, assim, seu quatriênio com uma média de crescimento do PIB abaixo de 2%, o que caracteriza o terceiro pior comportamento da economia na nossa História republicana — o que, convenhamos, não é um marco fácil de ser batido.



Fonte: O Globo

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A Copa da elite vermelha

Os mensaleiros acabaram presos pelo maior representante da elite branca: Joaquim Barbosa

A elite branca insultou Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo. É sempre assim: os companheiros fazem tudo conforme o manual, aí vem a elite branca com grosseria. Como alertou nosso Delúbio, o mensalão era uma conspiração da direita contra o governo popular. Deu no que deu: os mensaleiros acabaram presos pelo representante máximo da elite branca, Joaquim Barbosa. Ao criticar a preparação do Brasil para a Copa, o ex-jogador Ronaldo vocalizava a conspiração da elite branca. O roubo do juiz a favor do Brasil contra a Croácia não foi nada diante do roubo na construção dos estádios da Copa, disse o humorista Helio de la Peña. É um branco azedo.
Isso não vai ficar assim, não. A elite vermelha já iniciou sua reação. A primeira medida de impacto foi tirar Dilma e Lula de lugares públicos, pelo menos durante a Copa. Sábia medida. Como se sabe, os lugares públicos no Brasil estão completamente tomados pela elite branca – e ela é malcriada. A enteada e o filho do Brasil devem circular, nesse período perigoso, apenas pelos espaços democráticos: as assembleias do PT, os gabinetes do Planalto (evitar os corredores) e as cadeias obrigatórias de rádio e TV, lugares seguros, de onde não se ouvem os impropérios da elite branca.
O Supremo Tribunal Federal também está se tornando um lugar democrático e seguro, com a chegada à presidência de Ricardo Lewandowski, gladiador do PT no processo do mensalão. Um presidente amigo é tudo. O clima no STF não poderia ficar melhor com a ascensão de Luís Roberto Barroso à relatoria desse processo inventado pela elite branca. Barroso foi quem decidiu que a quadrilha petista não é uma quadrilha. Ele recebeu a relatoria declarando que “quem está preso tem pressa”. É bonita a preocupação de Barroso com os companheiros da Papuda. Apressemos esse infortúnio. O Brasil e sua elite branca podem esperar sentados pela devolução do dinheiro que os apressados desviaram.
O Tribunal Superior Eleitoral também se tornou um lugar aconchegante para Dilma e Lula. Quem assumiu a presidência do TSE, logo na corrida presidencial? O menino prodígio Dias Toffoli, que compôs, com Lewandow­ski, a dupla de capa e espada do PT no julgamento do mensalão. Será que o comício eleitoral de Dilma em cadeia obrigatória de rádio e TV na véspera da Copa suscitará alguma punição à presidente?
Santa ingenuidade, Batman... O juiz do jogo foi advogado do PT em três campanhas presidenciais. Só essa elite branca desmiolada não entende para que serve a inoculação de um militante disciplinado no aparelho de Estado. Vá em frente, companheira Dilma! Os pronunciamentos oficiais foram criados justamente para a senhora vender o peixe do seu pessoal, sem ter de ouvir essa burguesia indócil, que infesta os estádios de futebol e as praças públicas.
O Brasil é um país injusto. Lula e Dilma abriram os cofres da nação para a orgia da Copa. Agora têm de ficar se escondendo por aí, acuados pela elite branca. Mas não há de ser nada. Apesar do derrame bilionário nos estádios (superior à soma dos gastos nas Copas da Alemanha e África do Sul), apesar de trocar a chance de investimento sério em transportes por remendos de última hora, que darão para o gasto, o governo popular triunfará. Com sua famosa honestidade intelectual, os companheiros dirão que os pessimistas duvidaram da Copa no Brasil, mas ela aconteceu mesmo assim. A história suja da preparação dessa Copa sumirá sob um brado triunfal qualquer, tipo “somos brasileiros e não desistimos nunca”. O prontuário não deixa dúvidas de que eles não desistem mesmo.
E lá vem notícia ruim na imprensa burguesa golpista: o país volta a cair no ranking de investimento estrangeiro direto. Mas por que, afinal, os investidores fogem do Brasil? Engana-se quem pensa que seja por causa das intervenções populistas desastrosas, do setor elétrico à política econômica (contabilidade criativa), passando pela Petrobras e pelo grande elenco de vítimas do chavismo brasileiro, vizinho de porta do calote argentino. Nada disso.
Os investidores fogem do Brasil com medo da elite branca. Se o dinheiro continuar a ir embora, o jeito será pedir emprestado aos tesoureiros ricos da elite vermelha.


Fonte: Época

terça-feira, 1 de julho de 2014

É preciso criar uma Comissão da Verdade para as contas públicas



As contas de setor público fecharam o mês de maio com o primeiro resultado negativo para o mês desde o início da série histórica do Banco Central, em 2002. De acordo com o BC, União, Estados, municípios e empresas estatais registraram deficit primário de R$ 11,05 bilhões no mês passado. Considerando todos os meses, o resultado é o pior desde dezembro de 2008, quando o déficit foi de 20,952 bilhões de reais, no auge da crise internacional.
Em entrevista para a Folha, Gustavo Franco coloca as contas públicas como causa de inúmeros problemas atuais da economia. Para um dos “pais” do Plano Real, a Copa se tornou uma metáfora perfeita das causas da inflação. ”Alguns estádios foram construídos com um dinheiro que não existe, aumentando a dívida do governo. Se queríamos exemplos de irresponsabilidade fiscal que todos entendessem, a Copa foi um espetáculo”, disse.
Para Franco, é preciso fazer quase uma Comissão da Verdade para saber o que houve com as contas públicas. Ele defende maior transparência com o orçamento, e não poupa o governo Dilma de críticas. Todo cuidado com a inflação é pouco, pois nosso histórico é de um viciado. Como ele diz, não há cura, apenas abstinência. E cita o caso de nossos vizinhos bolivarianos como alerta:
Na Argentina, a situação degringolou quando a inflação chegou a 15%. Foi uma esbórnia de controle de preço e ocultação de informação. Na Venezuela, a inflação subiu para 60% e, retirados os controles, já se parece com hiperinflação. É uma inflação dolorida, porque gera escassez.
Esses países demonstraram que existe uma fronteira, entre 10% e 15%, que é muito perigosa. Será uma tragédia histórica se a inflação escapar e entrarmos na trajetória de Argentina e Venezuela.
Algumas receitas são apresentadas pelo economista ao próximo governo, para que o risco inflacionário seja contido:
O próximo governo precisa recompor os pilares de uma economia sadia, que foram abandonados por questões ideológicas.
Temos que falar da responsabilidade fiscal em todas as suas dimensões e não apenas em superavit primário. É preciso fazer quase uma comissão da verdade para saber o que houve com as contas públicas nos últimos tempos.
O segundo ponto é o câmbio flutuante. O que está em jogo é o relacionamento do Brasil com o mundo. Com o Plano Real, abrimos o país para a economia internacional. Recentemente houve um recuo perigoso em direção a ideias dos anos 1950.
Também existia no Brasil a percepção de que o governo gostava da liderança empresarial no crescimento. Hoje o governo tem reputação de hostilidade ao setor privado.
[...]
O próximo governo precisa de uma proposta de orçamento transparente. Nunca organizamos direito nosso orçamento, que é o centro econômico de qualquer democracia digna desse nome.
Como todos aqueles que acompanham as notícias políticas e econômicas sabem, o PT não tem condições de seguir por esse caminho, principalmente sob o comando de Dilma, que acredita no nacional-desenvolvimentismo e não parece se importar com as contas públicas deterioradas, pois sempre há o malabarismo contábil para “enganar” os investidores.
A revista Veja desta semana estampou em sua capa um alerta de extrema importância, aproveitando o momento que celebra os 20 anos do Plano Real para mostrar como seus pilares se encontram, hoje, ameaçados. Vale a leitura na íntegra, que vai ao encontro dos alertas feitos por Gustavo Franco na entrevista.
Derrotar a hiperinflação foi uma tarefa dificílima e cheia de obstáculos. Com o benefício do retrospecto parece mais fácil, mas não havia garantia alguma de que o resultado seria esse. Os petistas do alto escalão foram, inclusive, contra o plano, e disseram que não daria certo. Pelo visto, hoje no poder, fazem de tudo para realmente boicotar o plano que domou o dragão inflacionário.


Fonte: Veja

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O PT fora do eixo



O PT não é um partido muito tolerante já a partir de seus próprios pressupostos originais e de seu nome: quem se pretende um partido “dos” trabalhadores, não “de” trabalhadores, já ambiciona de saída a condição de monopolista de um setor da sociedade. Mais ainda: reivindica o poder de determinar quem pertence, ou não, a essa categoria em particular. Assim, um operário que não vota no PT, por exemplo, não estará, pois, entre “os” trabalhadores; do mesmo modo, o partido tem conferido a “carteirinha” de operário padrão a pessoas que jamais ganharam o sustento com o fruto do próprio trabalho.

A fórmula petista é conhecida: a máquina partidária suja ou lava reputações a depender de suas necessidades objetivas. Os chamados bandidos de ontem podem ser convertidos à condição de heróis e um herói do passado pode passar a ser tratado como bandido. A única condição para ganhar a bênção é estabelecer com o ente partidário uma relação de subordinação. A partir daí não há limites. Foi assim que o PT promoveu o casamento perverso do patrimonialismo “aggiornado”, traduzido pela elite sindical, com o patrimonialismo tradicional, de velha extração.

Afirmei no final de 2003 o que nem todos compreenderam bem, que o petismo era o “bolchevismo sem utopia”. Aproxima-se do bolchevismo nos métodos, no propósito de tentar se estabelecer, se possível, como partido único; nas instâncias decisórias aproxima-se do chamado “centralismo democrático”, que nada mais é do que a ditadura da direção central do partido. É bolchevista também na certeza de que determinadas ações até podem ser ruins para o Brasil, mas serão implementadas se parecerem boas para o partido. Como se considera que é ele que conduz a História do Brasil, não contrário, tem-se por certo que o que é bom para o partido será, no longo prazo, bom para o País e para o povo. Nesse sentido particular os petistas ainda são bastante leninistas.

Quando afirmei que lhes faltava a dimensão utópica, não estava emprestando um valor necessariamente positivo a essa utopia. Na minha ação política miro a terra que há, não a Terra do Nunca. E nela procuro sempre ampliar aquilo que é percebido como os limites do possível. De todo modo, é inegável que o bolchevismo tinha um devir, uma prefiguração, um sonho de um outro amanhã, ainda que isso tenha desembocado na tragédia e no horror stalinista. Mas isso não muda a crença genuína de muitos que se entregaram àquela luta. Isso o PT não tem. E chega a ser piada afirmar que o partido, de alguma maneira e em alguma dimensão, no que concerne à economia é socialista ou mesmo de esquerda. Muitas correntes de esquerda são autoritárias, mas convém não confundir o autoritarismo petista com socialismo. O socialismo tem sido só a fachada que o PT utiliza para lavar o seu autoritarismo – associado, infelizmente, a uma grande inépcia para governar, de que tenho tratado sempre nesta página.

Quero chamar a atenção é para o recrudescimento da face intolerante do partido. Como também já abordei aqui, vivemos o fim de um ciclo, que faz cruzar, episodicamente, a História do Brasil e a do PT. As circunstâncias que permitiram ao petismo sustentar o modelo que aí está – que nunca foi “de desenvolvimento”, mas de administração oportunista de fatores que não eram de sua escolha – se esgotaram. Na, infelizmente, longa agonia desse fim de ciclo temos a economia semiestagnada, os baixos investimentos e a desindustrialização, os déficits do balanço de pagamentos em alta e a inflação reprimida. E, nota-se, o partido nada tem a oferecer a não ser a pregação terrorista de que qualquer mudança implicará desgraça nacional.

Não tendo mais auroras a oferecer, não sabendo por que governa nem por que pretende governar o País por mais quatro anos, e percebendo que amplos setores da sociedade desconfiam dessa eterna e falsa luta do “nós” contra “eles”, o petismo começa a adentrar terrenos perigosos. Se a prática não chega a ameaçar a democracia – tomara que não! –, é certo que gera turbulências na trajetória do País. No apagar das luzes deste mandato, a presidente Dilma Rousseff decide regulamentar, por decreto – quando poderia fazê-lo por projeto de lei –, os “conselhos populares”. Não por acaso, bane o Congresso do debate, verticalizando essa participação, num claro mecanismo de substituição da democracia representativa pela democracia direta. Na Constituição elas são complementares, não excludentes. Por incrível que pareça – mas sempre afinado com o bolchevismo sem utopia –, o modelo previsto no Decreto 8.243 procura substituir a democracia dos milhões pela democracia dos poucos milhares – quase sempre atrelados ao partido. É como se o PT pretendesse tomar o lugar da sociedade.

Ainda mais detestável: o partido não se inibe de criar uma lista negra de jornalistas – na primeira fornada estão Arnaldo Jabor, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Guilherme Fiuza, Danilo Gentili, Marcelo Madureira, Demétrio Magnoli e Lobão –, satanizando-os e, evidentemente, expondo-os a riscos. É desnecessário dizer que tenho diferenças, às vezes severas, com vários deles. Isso é parte do jogo. É evidente que o regime democrático não comporta listas negras, sejam feitas pelo Estado, por partidos ou por entidades. Mormente porque, por mais que se possa discordar do ponto de vista de cada um, em que momento eles ameaçaram a democracia? Igualmente falsa – porque há evidência dos fatos – é que sejam tucanos ou “de oposição”. Não são. Mas, e se fossem? Num país livre não se faz esse tipo de questionamento.

Acuado pelos fatos, com receio de perder a eleição, sem oferecer uma resposta para os graves desafios postos no presente e inexoravelmente contratados para o futuro, o PT resolveu acionar a tecla da intolerância para tentar resolver tudo no grito. Cumpre aos defensores da democracia contrariar essa prática e essa perspectiva. Não foi assim que construímos um regime de liberdades públicas no Brasil. O PT está perdendo o eixo e tende a voltar à sua própria natureza.






Fonte: O Estadão

PT acuado e intolerante

José Serra escreveu no Estadão de 26/06 um excelente artigo sobre a decadência do petismo e sua guinada autoritária — dentro do autoritarismo que já está na sua origem. Explica a razão do desarvoramento do partido e aponta como evidências do destrambelhamento o decreto bolivariano da presidente Dilma e a lista negra de jornalistas. Leiam trechos:
*
O PT não é um partido muito tolerante já a partir de seus próprios pressupostos originais e de seu nome: quem se pretende um partido “dos” trabalhadores, não “de” trabalhadores, já ambiciona de saída a condição de monopolista de um setor da sociedade. Mais ainda: reivindica o poder de determinar quem pertence, ou não, a essa categoria em particular. Assim, um operário que não vota no PT, por exemplo, não estará, pois, entre “os” trabalhadores; do mesmo modo, o partido tem conferido a “carteirinha” de operário padrão a pessoas que jamais ganharam o sustento com o fruto do próprio trabalho.
A fórmula petista é conhecida: a máquina partidária suja ou lava reputações a depender de suas necessidades objetivas. Os chamados bandidos de ontem podem ser convertidos à condição de heróis e um herói do passado pode passar a ser tratado como bandido. A única condição para ganhar a bênção é estabelecer com o ente partidário uma relação de subordinação. A partir daí não há limites. Foi assim que o PT promoveu o casamento perverso do patrimonialismo “aggiornado”, traduzido pela elite sindical, com o patrimonialismo tradicional, de velha extração.(…)Não tendo mais auroras a oferecer, não sabendo por que governa nem por que pretende governar o País por mais quatro anos, e percebendo que amplos setores da sociedade desconfiam dessa eterna e falsa luta do “nós” contra “eles”, o petismo começa a adentrar terrenos perigosos. Se a prática não chega a ameaçar a democracia – tomara que não! –, é certo que gera turbulências na trajetória do País. No apagar das luzes deste mandato, a presidente Dilma Rousseff decide regulamentar, por decreto – quando poderia fazê-lo por projeto de lei –, os “conselhos populares”. Não por acaso, bane o Congresso do debate, verticalizando essa participação, num claro mecanismo de substituição da democracia representativa pela democracia direta. Na Constituição elas são complementares, não excludentes. Por incrível que pareça – mas sempre afinado com o bolchevismo sem utopia –, o modelo previsto no Decreto 8.243 procura substituir a democracia dos milhões pela democracia dos poucos milhares – quase sempre atrelados ao partido. É como se o PT pretendesse tomar o lugar da sociedade.
Ainda mais detestável: o partido não se inibe de criar uma lista negra de jornalistas – na primeira fornada estão Arnaldo Jabor, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Guilherme Fiuza, Danilo Gentili, Marcelo Madureira, Demétrio Magnoli e Lobão –, satanizando-os e, evidentemente, expondo-os a riscos. É desnecessário dizer que tenho diferenças, às vezes severas, com vários deles. Isso é parte do jogo. É evidente que o regime democrático não comporta listas negras, sejam feitas pelo Estado, por partidos ou por entidades. Mormente porque, por mais que se possa discordar do ponto de vista de cada um, em que momento eles ameaçaram a democracia? Igualmente falsa – porque há evidência dos fatos – é que sejam tucanos ou “de oposição”. Não são. Mas, e se fossem? Num país livre não se faz esse tipo de questionamento.
Acuado pelos fatos, com receio de perder a eleição, sem oferecer uma resposta para os graves desafios postos no presente e inexoravelmente contratados para o futuro, o PT resolveu acionar a tecla da intolerância para tentar resolver tudo no grito. Cumpre aos defensores da democracia contrariar essa prática e essa perspectiva. Não foi assim que construímos um regime de liberdades públicas no Brasil. O PT está perdendo o eixo e tende a voltar à sua própria natureza.


Fonte: Veja

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ditadura: Porque o PT quer tanto fazer o Plebiscito da Constituinte em Setembro


Acabei de assistir este vídeo de Alexandre Seltz, onde ele comenta o fato do PT estar organizando o Plebiscito da Constituinte para setembro. Assista:



Link da matéria
http://www.maxpressnet.com.br/Conteudo/1,682725,Plebiscito_popular_e_tema_da_setima_edicao_do_Encontro_de_Saberes_da_UFSCar_,682725,4.htm


Link do plebiscito
http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/

Veja o que Alvaro Dias diz sobre o Plebiscito:

Falso plebiscito constitucional do PT. Diversos sites na internet estão convocando as pessoas para um “plebiscito popular”, que seria realizado na semana da pátria (de 1º a 7 de setembro) e com apenas uma questão: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?”. Este plebiscito não possui qualquer validade jurídica e não tem qualquer efeito legal. De acordo com a legislação, um plebiscito só tem validade se for aprovado pelo Congresso Nacional e organizado pela Justiça Eleitoral, pelo menos um ano antes de um pleito eleitoral. Portanto, mesmo se realizado este “plebiscito popular” dos movimentos sociais, seus efeitos são nulos e não irão criar uma constituinte exclusiva para a reforma política. Entenda, no quadro, como funciona o processo legal do plebiscito. (Eduardo – Assessoria) – Página de Alvaro Dias


Neste primeiro plebiscito será perguntado para as pessoas se elas querem uma Constituinte Exclusiva: Sim ou Não.

Veja a propaganda:
https://www.youtube.com/watch?v=kuO71TfKNZo

É claro que não passa de enrolação, e veremos a seguir o que está por trás de tudo isso.

De inicio eles falam em fazer leis para o “Financiamento Público de Campanha”, ou seja, impedir que empresas patrocinem partidos políticos.

O problema é que quando falamos em “Financiamento Público de Campanha” estamos dizendo que este dinheiro vai sair de nossos impostos. Ou seja, nós vamos pagar as campanhas dos partidos políticos.

O Financiamento é feito de acordo com o tamanho do partido. Isto significa que o partido maior vai receber mais financiamento e os menores vão receber menos financiamento. Assim fica impossível partidos pequenos entrarem na competição.

E adivinhem qual é um dos partidos mais grandes do pais?

Nesta situação o PT teria soberania sobre praticamente todos os outros partidos políticos. E, a partir do momento que aprove outras leis, eles conseguem simplesmente se tornarem o único partido político.

Portanto, esta ideia de “Financiamento Público de Campanha” não é tão linda como tentaram passar no vídeo.

Em um dos links citados acima podemos ler o seguinte texto:

O plebiscito popular Constituinte, que acontecerá entre os dias 1º e 7 de setembro deste ano, é o tema do VII Encontro de Saberes, que ocorre amanhã, dia 24, organizado pelo Núcleo Multidisciplinar e Integrado de Estudos, Formação e Intervenção em Economia Solidária (NuMI- EcoSol) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O objetivo do evento é aprofundar e fomentar o debate a respeito do plebiscito.

A Assembleia Nacional Constituinte consiste na realização de uma assembleia de representantes eleitos pelo povo para modificar a economia política do país e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado, como o governo, o Congresso e o Judiciário. Desde as manifestações de junho de 2013 surgiu uma conjuntura nacional de desenvolvimento de processos pedagógicos e de mobilização sobre a necessidade de uma Reforma Política brasileira a partir do povo brasileiro. O plebiscito se certificará se a população quer a Reforma Política, para então ser encaminhado ao Congresso Nacional para aprovação.

O NuMI-ECOSOL reconhece a necessidade de aprofundamento da temática e de expandi-la para a comunidade, buscando gerar multiplicadores e educadores neste processo de compreensão, aprendizado e atuação com a realidade política do país. Para isto, os convidados a participar do encontro são representantes dos comitês do plebiscito, movimentos sociais, empreendimentos e cooperativas, comunidade universitária, entre outros, como o deputado federal Renato Simões, do Comitê Nacional, e o educador popular Jefferson Ritchelly Stakowisky, do Comitê Estadual de São Paulo.

A palestra acontece a partir das 19 horas no Centro Público de Economia Solidária de São Carlos, na Rua José Bonifácio, 885, Centro. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3351-8701.


Veja no Facebook
https://www.facebook.com/plebiscitoconstituinte



A partir disso eu resolvi recolher alguns dados que podem ser interessantes para mostrar quais são as reais intenções do PT e seus aliados.

O PT, como partido político socialista, tem o objetivo de instaurar um governo totalitário para, segundo eles, fazer o bem para o povo.

Porém, nunca na historia do mundo, houve um governo totalitário que fizesse o bem para o povo.

Assim, para conseguirem instaurar um governo totalitário, é necessário eliminar a Divisão Tripartida e dar ao presidente o poder para legislar por decreto. Por isso a insistência do PT em fazer uma nova Constituinte.

E, como não estão conseguindo fazer a constituinte e prevendo a derrota nas urnas, eles resolveram tentar um outro tipo de golpe que foi o Decreto 8.243.

E para que possamos compreender melhor a questão vamos ver alguns fatos divididos em tópicos.


A importância da Divisão Tripartida


Primeiro devemos saber que para o bom funcionamento de nossa Democracia foi criado a Divisão Tripartida dos poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

No Executivo nós temos o Presidente e seus Ministros. No Legislativo nós temos os Deputados e Senadores. E no Judiciário nós temos os Juízes e Advogados.

A vantagem deste sistema é o fato do Presidente ficar impedido de fazer as leis por sua própria conta. Então, quando o presidente faz as leis por sua própria conta, se chama “Legislar por Decreto” e isto é uma “Ditadura”.

Assim, em nosso sistema democrático, se o presidente quer fazer uma nova lei, ele precisa enviar para os Deputados e Senadores que irão debater entre eles pra ver se vale a pena aprovar aquela lei. Como os deputados e senadores são eleitos pelo povo, então a chance de atenderem as vontades do povo é bem maior do que se o Presidente fizesse as coisas por sua própria conta.

Outras atribuições tanto do legislativo quanto do judiciário é o poder para julgar os crimes dos políticos, inclusive do presidente se for necessário. Um exemplo é o julgamento que o STF está fazendo em relação aos mensaleiros.

Porém pode acontecer dos Deputados e Senadores estarem a favor do Governo, seja porque sentem simpatia ou porque estão sendo comprados (Como no caso do Mensalão Petista). O mesmo pode acontecer em relação aos ministros do STF. Desta forma as leis propostas pelo Presidente seriam aprovadas com muito mais facilidade e seus crimes não seriam julgados. Assim fica mais fácil aprovar leis para controlar a mídia, para calar opositores ou mesmo para destruir a divisão tripartida e dar ao presidente o poder para “Legislar por Decreto”. É justamente isto que está acontecendo na Venezuela. O Presidente Maduro pode aprovar leis por decreto.


Plebiscito


Para conseguir acabar com esta divisão e conseguir se perpetuar no poder os Petistas propuseram um Plebiscito para uma Constituinte.

Só para resumir a questão: O plebiscito é uma coisa ruim porque é a mesma coisa que nos dar um papel em branco pra gente assinar e depois eles colocarem as leis que eles quiserem.

Já no referendo nós aprovamos o texto já escrito.


Este gráfico explica de forma bem simples esta diferença:



O que eles querem é fazer perguntas simples para as pessoas, e depois que as pessoas responderem eles então colocam coisas absurdas por trás, exatamente como aconteceu com a Venezuela de Hugo Chávez.

O correto, como já foi falado, é fazer um referendo, onde lemos o que estão propondo e depois decidimos se queremos ou não. Então não devemos confundir plebiscito com referendo.

E isto segue as pautas de um grupo chamado Foro de São Paulo que é uma organização fundada por Lula, Fidel Castro e outros lideres latino americanos com a intenção de apoiarem golpes socialistas em quantos países conseguirem..


Veja a lista de participantes do Foro de São Paulo:
  

Fonte: Midia Latina